Arquivo para figurino

COSTUME DESIGNERS GUILD AWARDS 2014: Os vencedores

Posted in Prêmios with tags , , , , , , on 23 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

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E saíram os vencedores do último prêmio de sindicatos antes do Oscar. Confira os figurinos selecionados pelo Costume Designers Guild Awards:

FILME DE ÉPOCA

12 Anos de Escravidão | Patricia Norris

FILME DE FANTASIA

Jogos Vorazes: Em Chamas | Trish Summerville

FILME CONTEMPORÂNEO

Blue Jasmine | Suzy Benzinger

| Fruitvale Station: A Última Parada | Um intenso registro de fatalidade

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Drama with tags , , , , , , , , , , on 31 de janeiro de 2014 by Lucas Nascimento

3.5

FruitvaleStation
Michael B. Jordan é Oscar Grant a instantes da fatalidade

É uma tarefa muito complicada adaptar tragédias reais às telas. Especialmente uma que seja ambientada em único dia, e com uma fatalidade inesperada como a sofrida por Oscar Grant nos primórdios de 2009. Diferente de eventos como o  naufrágio do Titanic ou o 11 de Setembro (que também renderam obras cinematográficas), a morte de Oscar não foi um evento de escala monumental, mas – como nos bem mostra o filme do estreante Ryan Coogler – não menos importante e com a mesma dose de impacto.

Assinada também por Coogler, a trama dramatiza as últimas 24 horas da vida de Oscar Grant (Michael B. Jordan), um jovem desempregado e pai de uma filha com sua namorada (Melanie Diaz). Na celebração da virada do Ano Novo de 2009, ele foi morto a sangue frio por um policial que deteve Oscar e seus amigos após uma briga na estação de metrô do título.

Felizmente, Coogler não se desvia de seus objetivos. Em seus 80 minutos de projeção, Fruitvale Station mantém-se apenas aos eventos finais de Oscar, invalidando uma análise geral sobre toda sua vida ou digressões temporais (há apenas um flashback em toda a projeção, mas é só no terceiro ato nos damos conta da importância fundamental deste). É inegável que o espectador esteja desde o início esperando pelo clímax dramático, e Coogler sabe disso, conscientemente apostando em sequências onde Oscar faz planos para o futuro ou quando sua mãe (Octavia Spencer, excelente) lhe aconselha a tomar o metrô ao invés de dirigir. Mesmo sendo um jogo interessante de subversões de expectativas, atrasa um pouco o ritmo do arrastado primeiro ato, onde se salva a performance do ótimo Michael B. Jordan (você já o viu em Poder sem Limites e provavelmente o verá muito mais…), que absorve todas as complicações, intrigas e problemas de Oscar – sem nunca deixar seu bom humor morrer.

Quando o momento esperado finalmente chega, ele não decepciona. Coogler se mostra um cineasta seguro ao apostar em um intenso uso de câmera na mão e uma reconstituição quase que documental do assassinato em Fruitvale: seja pelo figurino dos personagens, os celulares da época ou até mesmo o cenário (que não era um set, e sim a própria estação em Oakland). O resultado é realmente devastador, capaz de deixar o espectador chocado até os créditos começarem a subir. E Coogler novamente brinca com as expectativas (dessa vez, de maneira até sádica) ao trazer a mãe, namorada e amigos de Oscar rezando por sua melhora no hospital em uma poderosa cena, que certamente seria um formulaico deus ex machina caso a história trouxesse uma conclusão feliz. Mas, infelizmente, todos sabemos o inevitável desfecho.

No fim, Fruitvale Station: A Última Parada serve tanto como um documento quanto uma manifestação do choque e fatalidades injustas, sendo seus motivos ligados à brutalidade ou, simplesmente, incompetência. Traz ótimo elenco e uma direção afiada, lançando também o promissor nome de Ryan Coogler ao mundo. Ficaremos de olho.

| Azul é a Cor Mais Quente | E o amor é o sentimento mais forte

Posted in Adaptações de Quadrinhos, Cinema, Críticas de 2013, Drama, Romance with tags , , , , , , , , , , , , on 4 de dezembro de 2013 by Lucas Nascimento

4.0

Adele
Em homenagem à cor mais quente do título

Ovacionado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes deste ano, o francês Azul é a Cor Mais Quente surpreende pela vitória, já que dedica-se a um dos temas mais controversos e mal recebidos pela ala conservadora: relacionamentos homossexuais. Sem temer preconceitos ou julgamentos daqueles mais sensíveis, o diretor Abdellatif Kechiche comanda um dos mais chocantes, ousados e, principalmente, belos filmes de 2013.

A trama é livremente adaptada da graphic novel “Le Bleu est une couleur Chaude” de Julie Maroh, e acompanha o despertar sexual da jovem Adèle (Adèle Exarchopoulos, dona do sorriso mais lindo da galáxia) quando esta descobre o amor através de Emma (Léa Seydoux), uma aspirante a artista assumidamente lésbica.

Em suas extensas 3 horas de duração, o filme é um fascinante estudo por dentro de uma protagonista incrivelmente tridimensional. O roteiro assinado pelo próprio Kechiche acerta pela naturalidade de seu texto (e, devo apontar, que as legendas brasileiras realizaram um ótimo trabalho ao optar por uma tradução coloquial e “moderna”) e o realismo pelos rumos da história. Mesmo que não haja uma divisão demarcada, os créditos finais trazem o título La Vie d’Adèle – Chapitre 1 & 2 (A Vida de Adèle – Capítulos 1 & 2), e é muito fácil de se percebera diferença entre esses capítulos: a primeira metade da projeção se dedica habilidosamente à formação de um amor inédito e as transformações de sua protagonista, enquanto a metade final explora as duras – e naturais, de fato – desse relacionamento.

Porque Adèle e Emma, apesar da fervorosa paixão manifestada nas cenas de sexo mais explícitas que você verá em um bom tempo (e que são sim, desnecessariamente pornográficas), são pessoas completamente diferentes. Felizmente Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux confiam completamente em seu diretor, não só pelas desafiadoras cenas citadas a pouco, mas pela espontaneidade e química incrível, capturadas através de imagens predominantemente tecidas por profundos close ups em seus rostos; por um momento, não parecem duas atrizes e sim duas pessoas reais. Seydoux já fez pontas aqui e ali em filmes americanos (como Bastardos Inglórios e Meia-Noite em Paris) e entrega um desempenho honesto e sem estereótipos, enquanto Exarchopoulos é uma espetacular revelação e certamente vai hipnotizar o espectador do início ao fim com sua construção dramática consistente e essencialmente juvenil (há uma diferença de aproximadamente 5 anos entre Adèle e Emma): sorri timidamente, mastiga de boca aberta o tempo todo e constantemente oferece indagações como “Por que chamam de Belas Artes? Existe Artes Feias?”. Sem falar que Exarchopoulos, assim como sua companheira, não decepciona quando o roteiro demanda por momentos trágicos e intensos.

Vale observar também, a importância da cor azul na trama. Através de pequenos detalhes e recursos, Kechiche e seu designer de produção/figurino insere de forma inteligente a cor em diversos momentos (e de forma sutil, algo que me incomodou muito em Precisamos Falar sobre o Kevin, que praticamente joga na cara seus excessos de vermelho), ao trazer por exemplo o esmalte das unhas de uma personagem secundária (mas essencial), paredes, tampinhas de caneta e, é claro, a cabeleira característica de Emma.

Azul é a Cor Mais Quente é uma bela experiência que conta com incríveis performances, responsáveis por fazer deste um dos mais sinceros e humanos trabalhos sobre o tema. Um filme que deve ser lembrado não por sua polêmica, mas simplesmente por sua abordagem sincera ao que realmente importa: o amor.

| Barry Lyndon | A máquina do tempo secreta de Stanley Kubrick

Posted in Cinema, Clássicos, Críticas de 2013, Drama with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 23 de outubro de 2013 by Lucas Nascimento

4.5

BarryLyndon
Pinturas ganham vida: o visual arrebatador é um dos pontos altos da produção

Antes de assistir a Barry Lyndon pela primeira vez (cerca de quatro meses atrás), eu me perguntava – receioso – o que Stanley Kubrick seria capaz de fazer numa produção de época, como usaria seu estilo marcante numa história ambientada no século XVIII. Quem acompanha o blog, sabe da minha teimosa resistência ao gênero, mas se todas as obras que se dedicassem a eventos históricos fossem como este longa de Kubrick, eu não haveria do que reclamar.

A trama é baseada no livro de William Makepeace Thackeray, que romantiza de forma irônica a história real de um irlandês oportunista. No filme, ele assume a forma de Redmond Barry (Ryan O’Neal, sensacional com sua cara de coitado), um jovem pobre que deixa sua terra natal da Irlanda para atingir sua meta de pertencer à alta sociedade inglesa em meio à Guerra dos Sete Anos. Com um talento para convencer todo o tipo de indivíduo com suas histórias mentirosas e se livrar de situações arriscadas com muita peripécia, acompanhamos diversas das aventuras de Barry até sua inevitável e trágica queda.

Terminada a exibição do filme na edição deste ano da Mostra Internacional de Cinema (que traz uma retrospectiva imperdível sobre o cineasta, além da incrível exposição  no Museu de Imagem e Som), eu reforçava minha teoria pessoal de que Kubrick mantinha uma máquina do tempo escondida da população. Barry Lyndon é um dos longas-metragem mais lindos já vistos, tendo a equipe técnica merecedora de algo muito maior que um Oscar (a produção levou 4 merecidas estatuetas em 1976) ao retratar com perfeição o século XVIII. Seja na direção de fotografia de John Alcott – cujo equilíbrio de cores, predominância de luz natural e o uso de lentes especiais providenciadas pela NASA aproximam as imagens de uma pintura em movimento – ou no excepcional trabalho de pesquisa e confecção dos diversos tipos de figurinos (militares, burgueses, camponeses), o filme é um feito estético sem precedentes; possivelmente a maior obra de Kubrick em termos visuais, algo que nem efeitos CG (e não estou sendo saudosista) são capazes de simular.

O que nos leva a seu controverso (e genial) diretor. Antes de ser um filme histórico, um filme de época ou um filme de romance ambientado num palácio arcaico, Barry Lyndon é essencialmente um filme de Stanley Kubrick. Sua simetria visual é predominante como sempre (ganhando destaque em uma sequência de batalha que diminui o ritmo, mas impressiona justamente pelas opções de câmera do diretor), assim como a calculada posição (e os movimentos) de seus personagens – que aqui reproduzem diversas cenas vistas em diferentes obras de arte do período – e seu apurado ouvido para as mais belas músicas instrumentais. Seu narrador irônico também contribui para o sucesso do longa, especialmente por encurtar eventos mais longos e tecer sutis comentários sarcásticos (“Seria preciso um grande historiador, ou talvez um grande filósofo, para tentar explicar as causas da Guerra dos Sete Anos”) que abordem o período e as questões sociais envolvidas.

O único problema de Barry Lyndon é sua extensa duração (184 minutos), que gera uma leve quebra de ritmo durante a Parte II da grandiosa obra. Perfeito em sua ambientação e comando de história, arrisco-me a dizer que este é um dos filmes definitivos do gênero. Meu preferido, ao menos.

Obs: Esta crítica foi publicada durante a “cobertura” da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Ainda haverá mais UMA exibição do filme na tela grande, no próximo sábado (26) às 21h30 no Shopping Cidade Jardim. Vale muito a pena.

Confira a programação completa da Mostra aqui.

| Caça aos Gângsteres | You can’t repeat the past!

Posted in Ação, Críticas de 2013, DVD with tags , , , , , , , , , , , , on 7 de julho de 2013 by Lucas Nascimento

2.0

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Os Indomáveis: Giovanni Ribsy, Josh Brolin, Ryan Gosling, Anthony Mackie, Michael Peña e Robert Patrick

A Hollywood de hoje transborda nostalgia. É evidente o desejo dos estúdios de repetir o sucesso dos filmes da Era de Ouro, que consistiam – entre outros – no popular gênero de gângster das décadas de 30-50, em alta graças aos atos de criminosos como John Dillinger e Al Capone. Eu pessoalmente me interesso muito por longas do tipo, e é por isso que me entristece ver o resultado medíocre alcançado por Caça aos Gângsteres, produção requintada e com ótimo elenco; mas nada além disso.

O roteiro de Will Beall adapta o livro de Paul Lieberman sobre o reinado criminoso de Mickey Cohen (Sean Penn) na Los Angeles de 1949. Visando driblar as relações corruptas que o mafioso mantinha com o governo, a polícia de LA organiza um grupo secreto liderado por John O’Mara (Josh Brolin) para agir fora da lei e capturar Cohen.

É de se entender o motivo pelo qual o projeto foi calorosamente disputado até chegar nas mãos do diretor Ruben Fleischer (do ótimo Zumbilândia). Sua premissa é a perfeita oportunidade para se realizar um filme de ação despretensioso no glorioso período de chapéus, sobretudos e metralhadoras, e o design de produção de Maher Amada é impecável ao recriar cenários e ambientes da época, enquanto a figurinista Mary Zophres é eficaz ao vestir apropriadamente os diferentes integrantes do elenco – desde a sensualidade da pseudo-femme fatale de Emma Stone até a simplicidade da esposa de O’Mara.

Mas infelizmente toda a competente plasticidade do filme é desperdiçada em um roteiro que se debruça sobre clichês e estereótipos, tornando-se uma experiência previsível demais. Basta olhar para a equipe de O’Hara, que é composta meramente por arquétipos (em determinado momento, uma das personagens até declara que “agora precisará de alguém com cérebro”) e têm como ligação emocional com o público fiapos como “amigo que foi morto” ou, acredite se quiser, a velha história da “esposa grávida em perigo”. Tudo bem que são elementos “clássicos” de produções do tipo, mas não funcionam com  a roupagem moderna adotada por Fleischer, que disfarça sua incompetência em comandar cenas de ação ao utilizar a câmera lenta simplesmente por “parecer legal” – da mesma forma como Ryan Gosling constantemente elabora uma expressão de “malvado”, como se o ator estivesse apenas se divertindo em seu traje; o que prejudica seu bom desempenho.

Trazendo uma performance curiosa de Sean Penn (que ora soa ameaçador, ora parece um vilão de desenho animado), Caça aos Gângsteres é uma falha tentativa de reviver os bons tempos do cinema gângster. Talvez as técnicas – que cada vez mais optam pela filmagem em digital, ao invés da película – estejam modernas, coloridas demais para um filme daquele período. É melhor ficar com os clássicos.

| O Grande Gatsby | Baz Luhrmann apresenta o Fitzgerald Extravaganza

Posted in Cinema, Críticas de 2013, Drama, Indicados ao Oscar, Romance with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 4 de junho de 2013 by Lucas Nascimento

3.5

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Old Sport: Leonardo DiCaprio é o Jay Gatsby definitivo

Considerado por muitos um dos “grande romances americanos”, O Grande Gatsby de F. Scott Fitzgerald é uma obra requintada que se desenrola com uma sutileza ímpar. Baz Luhrmann, diretor desta glamourosa nova versão, jamais foi conhecido por sua sutileza (afinal, estamos falando do responsável por Romeu + Julieta e Austrália). Pode se dizer que o australiano é uma das pessoas menos indicadas para comandar a história, mas seu estilo grandiloquente – ainda que seja prejudicial em certos momentos – encontra espaço aqui.

A trama é ambientada na Nova York dos anos 2o (período popularmente conhecido como “Era do Jazz”, ou “Geração Perdida” para os menos saudosistas), centrando-se no aspirante a escritor Nick Carraway (Tobey Maguire). Enquanto recupera-se em um sanatório, Carraway compartilha por escrito suas experiências em meio a alta classe social e o mistério em torno do milionário Jay Gatsby (Leonardo DiCaprio), sujeito que esconde uma indestrutível paixão pela casada Daisy Buchanan (Carey Mulligan).

Década de 20 e, ainda assim, temos Jay-Z e Beyoncé na trilha sonora. Muitos críticos estrangeiros apontaram o dedo para a abordagem pop de Luhrmann à história, mas ao meu ver ela pontua com eficiência o clima de exaltação e festa da época – basta lembrar do Gatsby de 1974, com Robert Redford, que era silencioso demais para simbolizar algo como a Era do Jazz. É certo que a obra de Fitzgerald não é tão “aberta” quanto a direção de Luhrmann, que mais de uma vez pára para explicar detalhes que funcionavam por si só de forma sutil (três vezes, e por três personagens diferentes, é explicado o motivo pelas festas grandiosas do protagonista) e momentos mais agitados – ainda que um certo atropelamento seja tão memorável justamente por sua execução escandalosa e a escolha musical.

Também elogio Luhrmann por compreender a importância da luz verde na trama, transformando-a em um poderoso elemento visual e eficiente instrumento narrativo. O cais de Gatsby surge como abertura e encerramento do longa, como se o espectador realmente tivesse entrado e saído daquele universo. É interessante observar que, mesmo tendo sua amada Daisy em seus braços, o personagem continua a contemplar a luz esverdeada irradiando do outro lado da costa. Uma observação sutil que revela uma camada ainda mais complexa de Gatsby, que Leonardo DiCaprio consegue incorporar bem em uma performance multifacetada: seu Gatsby é ambicioso, mas vulnerável; otimista, mas impaciente.

TheGreatGatsby
O figurino vermelho de Isla Fisher contrasta com a tonalidade de seu lar

Impossível não falar sobre o impecável trabalho da figurinista e designer de produção Catherine Martin (que além de tudo isso, ainda é produtora e esposa do diretor). Vencedora de 2 Oscars por suas colaborações com Luhrmann, deve retornar à premiação por recriar fielmente locações e vestimentas da época e ainda oferecer-lhes um toque moderno: o vermelho burlesco predomina na caracterização da Myrtle Wilson de Isla Fisher, o que a torna uma figura assustadoramente contrastante com o cinza escuro e sujo de seu marido e a região onde habitam. A fotografia de Simon Duggan também se adequa com obediência às demandas narrativas, além da facilitar o elegante 3D do filme – que, curiosamente, fica mais profundo graças à artificialidade do greenscreen.

Mas se a artificialidade é um acerto nesse sentido, é o que o filme traz de pior quando analisamos seu roteiro e execução. Em diversos momentos, o filme assume uma postura maniqueísta diante de alguns personagens (o mecânico vivido por Jason Clarke ganha aqui um tratamento de monstro, e o ator nada pode fazer para torná-lo tridimensional) e faz uso. Apostando em velocidade, os montadores insistem em picotar até os mais simples diálogos com uma série de cortes que dificulta a fluência da cena e o desenvolvimento das ações; vide a conversa entre Nick e Gatsby no Rolls Royce amarelo, que surge como uma “metralhadora” de informações e ainda tornam evidentes algumas falhas na mixagem sonora daquele momento – e o que dizer da cena que tenta equilibrar uma conversa silenciosa com uma festa gigantesca?

Filme que certamente merece maior reconhecimento do que a de 1974, O Grande Gatsby impressiona pela produção e os experimentos visuais de Baz Luhrmann (com exceção dos embaraçosos textos sobre a tela). Mesmo que essa exuberância seja também um de seus deméritos, é uma adaptação que ao menos se arrisca a ser algo mais do que o básico. Afinal, de que adianta ser convencional em sua sexta adaptação para o cinema?

Obs: Mesmo que não tragam nada de significante, os créditos finais merecem ser vistos graças ao uso da canção “Together”, do The XX, que oferece um impacto maior após a conclusão do filme. Acredite, vale a pena.

Obs II: Esta crítica foi publicada após a cabine de imprensa do filme em São Paulo, no dia 27 de Maio.

Os vencedores do COSTUME DESIGNERS GUILD AWARDS 2013

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , on 20 de fevereiro de 2013 by Lucas Nascimento

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Último sindicato a divulgar seus vencedores antes do Oscar, o Costume Designers Guild premiou seus figurinos de cinema preferidos. Confira:

MELHOR FIGURINO – FILME DE ÉPOCA

Anna KareninaJacqueline Durran

MELHOR FIGURINO – FILME DE FANTASIA

Espelho, Espelho Meu – Eiko Ishioka

MELHOR FIGURINO – FILME CONTEMPORÂNEO

007 – Operação Skyfall Jany Temime

No Oscar certamente deve dar Anna Karenina. E falando nele, confira o especial sobre categorias técnicas aqui.

O Incógnito Oscar 2013 | Volume II: Categorias Técnicas

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 19 de fevereiro de 2013 by Lucas Nascimento

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Oscar não é só sobre as estrelas, é também para premiar o esforçado trabalho de dezenas (e até centenas) de pessoas que se dedicam às categorias técnicas de um filme. E elas são muito mais interessantes de analisar, vamos à parte 2 do especial:

OBSERVAÇÕES:

  • Clique nos nomes de cada profissional para conferir seu histórico de indicações ao Oscar
  • Abaixo de cada perfil estão os prêmios que cada filme já garantiu na respectiva categoria

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Ajudando a transformar a visão do diretor em realidade, o diretor de fotografia possui um dos mais importantes cargos, analisando luzes, cores, sombras, mise en scène, entre muitos outros… Os indicados são:

007 – Operação Skyfall | Roger Deakins

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O vigésimo terceiro filme de James Bond pode não ser o melhor da franquia, mas inubitavelmente é o mais bonito. Com o veterano Roger Deakins no comando da fotografia, Operação Skyfall é recheado de cenas visualmente deslumbrantes. A paleta de cores alterna de locação a outra (mais quente em Istambul e Macau, fria e cinzenta em Londres e no clímax na Escócia) e Deakins utiliza-se muito bem das sombras e luzes durante toda a projeção. Mas o maior feito da área é realmente nas cenas em Xangai, em especial a luta que ocorre em meio à agua-viva holográfica de um outdoor, que produz um tom azulado espetacular. Um trabalho meticuloso de um especialista no assunto, e que – por sinal – ainda carece de uma estatueta na estante…

  • American Society of Cinematographers

Anna Karenina | Seamus McGarvey

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Graças às sempre adoráveis distribuidoras nacionais, Anna Karenina só estreia por aqui em 15 de Março (e como não trocamos o valor insubstituível de uma confortável sala de cinema, não nos renderemos ao download ilegal, certo?), então não será possível fazer uma análise muito profunda sobre sua direção de fotografia. Já tendo sido indicado por sua colaboração anterior com Joe Wright (Desejo & Reparação, em 2008), Seamus McGarvey promove a essa nova visão do clássico de Leo Tolstói uma bela combinação de sombras e cores contrastantes, gerando uma textura muito elegante. Agora, não tendo visto o filme, não posso ir além de dizer que é um trabalho muito bonito.

As Aventuras de Pi | Claudio Miranda

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Assim como Mauro Fiore em Avatar, Claudio Miranda conseguiu estabelecer belíssimas imagens, mesmo que a maioria destas tenham sido criadas em um computador. É de se ficar besta com as paisagens que parecem terem saídos de uma pintura, especialmente nas cenas em que Pi está no bote em alto-mar e o céu e o oceano fundem-se em um só, graças ao reflexos das limpíssimas águas. Não só visualmente maravilhoso, também ilustra a dualidade que As Aventuras de Pi carrega na questão de realidade e ficção, a opção de se ter duas histórias. Outro destaque é o uso de 3D, que Miranda e Ang Lee usam bem e trazem um recurso até então inédito: a manipulação da proporção da tela, em função deste – reparem que a tela “transforma-se” em widescreen durante o ataque dos peixes voadores, como forma de salientar o movimento e quantidade. Lindo trabalho.

  • BAFTA
  • Critics Choice Awards

Django Livre | Robert Richardson

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A Academia adora Robert Richardson e também adora um bom faroeste. O cinematógrafo vencedor da categoria no ano passado (e indicado por sua colaboração anterior com Tarantino, em Bastardos Inglórios0 confere à Django Livre lindas tomadas externas que revelam os campos, lagos e montanhas do sul dos EUA; paisagens típicas de um faroeste, digamos. Já sua iluminação em interiores é dotada de um tom predominantemente quente e pasteurizado, especialmente na residência de Calvin Candie (cuja decoração à velas justifica a a escolha de tais cores). Também gosto do uso de luzes fortes jogadas nas costas dos personagens, característica que tem se mostrado muito presente em suas colaborações com Tarantino. Mais um excelente trabalho de Richardson.

Lincoln | Janusz Kaminski

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É impressionante se compararmos o trabalho de fotografia de Janusz Kaminski aqui em Lincoln como o de sua indicação anterior, Cavalo de Guerra. Mostra como o onipresente colaborador de Steven Spielberg sabe alternar as cores de acordo com a temática da narrativa: se o drama de Primeira Guerra trazia planos coloridos e vivos, ele garante um visual sombrio para a cinebiografia de Abraham Lincoln. Adotando uma lógica visual que consiste em interiores escuros com grandes feixes de luz entrando pelas janelas (algo que remete ligeiramente ao trabalho de Barry Lyndon), Kaminski utiliza desta durante toda a projeção, o que representa como o protagonista está sempre mergulhado nas trevas – e quando este alcança a vitória, o personagem enfim atravessa as cortinas e é engolido pela luminosidade externa, em um ato simbólico muito inteligente.

APOSTA: As Aventuras de Pi

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Skyfall

MEU VOTO: Skyfall

FICOU DE FORA: Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge | Wally Pfister

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O fiel colaborador de Christopher Nolan já foi indicado ao Oscar por 4 de seus 7 trabalhos com o diretor. Na conclusão da trilogia do Homem-Morcego, ele mantém a eficaz manipulação das luzes e sombras, ajudando a criar uma aura dark e fria ao longo da projeção – ainda que este seja o filme de Batman com mais cenas diurnas da trilogia. Além do ótimo trabalho visual, Wally Pfister ainda trabalhou com as câmeras IMAX, que representam mais da metade das cenas do filme, alcançando um resultado grandioso.

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Para povoar a história de personagens e situações, cenários – sejam digitais ou construídos – são essenciais, assim como a equipe que os desenha/projeta antes de lhes dar vida. Os indicados são:

Anna Karenina | Sarah Greenwood & Katie Spencer

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Novamente, não assisti a Anna Karenina, mas sua ambientação de época já seria o suficiente para abocanhar uma indicação nesta categoria. Abraangendo o período do czarismo russo do século XIX, o desenho de produção é eficaz e faz jus à grandiosidade faraônica do período. No entanto, o que me chamou a atenção sobre esta nova versão é o fato desta ser executada de forma teatral; dessa forma, os cenários vão alternando como se fossem apenas um, localizado em um imenso palco com direito a cortinas. Muito interessante.

  • ADG – Filme de Época
  • Critics Choice Awards

As Aventuras de Pi | David Gropman & Anna Pinnock

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As lindas imagens que a fotografia de Claudio Miranda ilustra com magistral beleza começaram aqui, com os desenhos e planejamentos do departamento de arte. Não só é fiel às descrições do livro – que trazem a ideia de um oceano tão limpo e reluzente, que se crie a ilusão de que este “funde-se” ao céu, graças ao reflexo – mas também é competente ao criar belas imagens a partir de um cenário limitado. Claro que há diversas cenas com locação na Índia e cenários de interiores, mas nenhuma que se equipare ao “mar de nuvens”.

  • ADG – Filme de Fantasia

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada | Dan Hennah, Ra VincentSimon Bright

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Mesmo quem não é fã da saga de Peter Jackson sobre a Terra Média (eu), deve admitir que o trabalho de direção de arte nos filmes é espetacular (sim, eu admito). Trazendo de volta ambientes já conhecidos da trilogia Senhor dos Anéis (como a compacta, porém aconchegante, toca de Bilbo Bolseiro e as fantásticas torres de Valterra) e também nos apresentando a algumas novidades – ainda que sejam familiares, como a origem dos trolls petrificados – o trabalho do desenho de produção é fabuloso. Acho particularmente fascinante a sombria caverna que serve de palco às “charadas no escuro”, que não só é eficiente visualmente, mas também contribui imensamente para o tom da cena.

Lincoln | Rick Carter & Jim Erickson

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Ao contrário de seu longa anterior, Steven Spielberg não se concentrou nos campos de batalha do período que resolveu abordar. Assim, os congressos e aposentos americanos de Lincoln se sobressaem às trincheiras e plantações rurais que Rick Carter havia criado para Cavalo de Guerra. Uma produção imensa e que recria  cuidadosamente ambientes históricos, em especial a Casa Branca que é sempre marcada pelas sombras e inúmeras pilhas de livros e documentos, salientando a “bagunça” daquele lugar. De forma similar, o Congresso nem se preocupa em separar oponentes, dando lugar à constantes intrigas por mantê-los tão próximos um do outro. E até onde percebi, a maioria dos cenários não é digital.

Os Miseráveis | Eve Stewart & Anna Lynch-Robinson

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Mesmo que utilize de greenscreens artificiais que comprometem o trabalho dos outros departamentos (o de atuação, principalmente) em alguns momentos, o design de produção de Os Miseráveis é competente ao recriar a Paris do período da Revolução Francesa , no século XVIII. E como o título já indica, o longa explora as classes mais baixas, desde os bares sujos e bagunçados (como a propriedade dos vigaristas Thénardier) até a passarela das prostitutas (cuja estrutura é de clara influência teatral). Os grandes parlamentos e igrejas também são bem utilizados e contrastam com os ambientes descritos anteriormente – e o fato de a maioria destes serem reais e de imensa escala é ainda melhor para a imersão na história.

  • BAFTA

APOSTA: Anna Karenina

QUEM PODE VIRAR O JOGO: As Aventuras de Pi

MEU VOTO: Os Miseráveis

FICOU DE FORA: Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge | Nathan Crowley, Kevin Kavanaugh e Paki Smith

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A conclusão da trilogia do Batman de Christopher Nolan foi completamente esquecida pela Academia, que não lembrou do filme em nenhuma categoria. Uma ação injusta já que – mesmo não sendo um longa impecável como o antecessor – Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge é impecável em sua área técnica, especialmente em seu grandioso design de produção. Eficiente ao retratar as ruas de Gotham devastadas e os esconderijos subterrâneos do herói e do antagonista Bane, ainda há a prisão localizada dentro de um poço enorme; não só uma construção (real) impressionante, mas também uma metáfora brilhante para a jornada de Bruce Wayne.

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Se há um departamento que é essencial – e também um dos meus preferidos – é a montagem. É preciso habilidade para montar o filme, lhe fornecer o ritmo e tom apropriado e, claro, eliminar cenas desnecessárias. Os indicados são:

Argo | William Goldenberg

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Muitos críticos disseram que Argo parece dois filmes diferentes graças à sua mistura de tensão e humor. Tendo como dois focos narrativos principais um grupo de reféns escondidos no Irã e a equipe da CIA de Tony Mendez, a montagem de William Goldenberg é eficiente ao equilibrar em doses apropriadas esses dois “gêneros” distintos. Se em uma hora o espectador se diverte com o humor irreverente das cenas em Hollywood, Goldenberg logo nos lembra das vidas humanas que estão em risco do outro lado do mundo. Além dessa boa divisão, a montagem também merece créditos pela urgência na cena do aeroporto e pelo uso de imagens reais ao longo da narrativa.

  • ACE Eddie Awards
  • BAFTA

As Aventuras de Pi | Tim Squyres

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Centrado em um único personagem que encontra-se preso em um ambiente limitado durante quase toda a projeção, a montagem de Tim Sqyres para As Aventuras de Pi é eficiente ao acelerar a longa passagem dos dias em uma série de transições, optando por fades ou por um tipo mais dinâmico (como na imagem acima, em que amão de Pi fica em 1º plano ao passo em que as cenas vão passando). Tal recurso também é usado para marcar as passagens entre a história que é contada e aquele que a conta, no caso o envelhecido Pi. O equilíbrio entre essas narrativas contribue para que a experiência não torne-se cansativa.

A Hora Mais Escura | William Goldenberg & Dylan Tichenor

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Com uma dupla indicação na categoria deste ano, William Goldenberg se alia a Dylan Tichenor para colar e organizar todos os intrincados eventos que compõem a caçada por Osama Bin Laden em A Hora Mais Escura. Adotando uma estrutura composta por segmentos (recurso que me remeteu à divisão de Cães de Aluguel, entre outros), a dupla compressa acontecimentos que se passam em um intervalo de 8 anos em uma duração de quase 3 horas. E mesmo que o primeiro ato do filme seja cansativo em circunstância da absurda quantidade de nomes e datas, Goldenberg e Tichenor organizam bem as informações e provocam tensão nas horas certas graças a seus cortes rápidos – mas que nunca chegam ao ponto de tornar a ação incompreensível.

O Lado Bom da Vida | Jay Cassidy & Crispin Struthers

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Ao ver a lista dos indicados desta categoria, minha maior surpresa (seguida imediatamente de uma sensação de “WTF”) foi encontrar O Lado Bom da Vida. E só quando assisti ao filme percebi que o trabalho de Jay Cassidy e Crispin Struthers é realmente digno do prêmio, e também um dos principais motivos pelo longa de David O. Russell funcionar tão bem. Tendo que lidar com doses de comédia e drama (meio como faz Argo), a dupla oferece velocidade às cenas de passagem de tempo e ajuda a tornar as cenas de dança – principalmente a do clímax – mais empolgantes, isso sem exagerar no excesso de cortes de rápidos. Durante toda a projeção, o filme tem um ótimo ritmo e que se mantém eficiente até o segundo final.

  • ACE Eddie Awards – Musical/Comédia

Lincoln | Michael Kahn

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Mais um grande colaborador de Steven Spielberg, Michael Kahn é o responsável por juntar com competência todos os inúmeros diálogos e debates políticos em Lincoln. Com cortes “básicos” na maior parte do filme (sendo interessante como este utiliza pouquíssimos na introdução do protagonista, deixando a tomada progredir livremente), o trabalho de Khan se sobressai ao interligar eventos em diferentes tempos, como a sequência que traz as tentativas dos eleitores de conseguir – através de múltiplas fontes – votos para a 13ª Emenda. O demérito é quando Kahn aposta em algumas transições pavorosas (irônico, após ter garantido duas brilhantes em Cavalo de Guerra e As Aventuras de Tintim), especialmente aquela que traz a imagem de Lincoln aparecendo na chama de uma vela.

FICOU DE FORA: A Viagem | Alexander Berner

(as imagens abaixo não se referem a um momento específico do longa, apenas para ilustrar as 6 narrativas que este abraange)

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O que realmente me impressiona na montagem perfeita de A Viagem, não é apenas o fato de o longa manter-se eficaz em seu ritmo e equilibrar com eficiência suas 6 (isso mesmo, 6) narrativas que ocorrem em diferentes períodos da História. O que realmente impressiona é que Alexander Berner conseguiu sozinho administrá-las com perfeição, fazendo uso de transições espertas (especialmente aquelas que respeitam a lógica visual das diferentes ambientações) e cortes com intensidade apropriada ao momento específico. Como deixar um trabalho desses de fora?

APOSTA: Argo

QUEM PODE VIRAR O JOGO: A Hora Mais Escura

MEU VOTO: Argo

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A menos que seja um filme pornográfico, os atores precisam de roupas; que variam de época, tamanho e estilo, adequando-se à sua narrativa e ao personagem. Os indicados são:

Anna Karenina | Jacqueline Durran

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Disparado como favorito da categoria, Jacqueline Durran veste as personagens em mais uma versão da clássica obra russa. Ambientando-se no período czarista, o trabalho da figurinista segue os padrões daquela época, porém – considerando o apelo mais “moderno” do diretor Joe Wright -, notam-se características mais contemporâneas (Durran disse ter se inspirado em modelos dos anos 50, por exemplo). A vaidade da personagem-título é bem representada por seus apurados vestidos e jóias; a maioria destes adotando um padrão de cores frio e com acessórios que suportem as baixas temperaturas da Rússia. Novamente, não vi o filme mas parece digno da vitória.

  • Costume Designers Guild – Filme de Época
  • BAFTA

Branca de Neve e o Caçador | Colleen Atwood

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A releitura dark/gótica para as clássicas personagens do conto dos irmãos Grimm (ou da animação da Disney, como preferir) é certamente uma das poucas qualidades de Branca de Neve o Caçador. Trazendo grande influência de seu trabalho com os últimos filmes de Tim Burton, Colleen Atwood acerta ao adicionar novas características aos personagens (como o traje do Caçador, que traz inúmeras machadinhas) e pelos espetaculares vestidos da Rainha Rowena, especialmente aquele que é formado por diversos corvos. Meu preferido dentre os indicados.

Espelho, Espelho Meu | Eiko Ishioka

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E a Academia entrou na febre da Branca de Neve, mas se o longa de Rupert Sanders apostava num visual mais sujo e que remetesse mais à obra dos Grimm, Espelho, Espelho Meu abraçou desvergonhadamente as cores e elementos alegres da versão Disney. Não assisti ao filme (e não pretendo, sinceramente), mas pela pesquisa de imagens que fiz, o maior acerto fica novamente com a antagonista da história, sempre trajando vestidos repletos de detalhes.

Lincoln | Joanna Johnston

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Em um vasto trabalho de pesquisa a bibliotecas e arquivos históricos, Joanna Johnston recriou com fidelidade os ternos e vestidos trajados por todos os políticos e familiares no período de Lincoln. Ambientado no final dos anos 1800, a figurinista acerta ao trazer quase todas as vestimentas em tons escuros e discretos, ao passo em que a Mary Todd Lincoln sempre aparece com cores radiantes e vestidos chamativos (o que traduz visualmente alguns aspectos de sua personalidade explosiva). Fora dos tribunais, Johnston também borda alguns dos uniformes utilizados em combate na Guerra Civil, separando os lados inimigos ao simplesmente trajá-los com cores diferentes.

Os Miseráveis | Paco Delgado

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Mais uma produção de época (compreendam, a Academia adora lembrar longas do tipo nessa categoria), Paco Delgado dá sua versão para as vestimentas do período da Revolução Francesa. Na saga musical de Victor Hugo, é importante notar como o figurino é essencial na representação da classe social das personagens, e como este vai se transformando à medida em que alguns ascendem (como Jean Valjean, que de condenado miserável sobe para nobre rico e elegante) e outros decaem (como a delicada Fantine, cujo rosa sensível é logo substituído por um vermelho berrante quando esta volta-se à prostituição). É de se admirar também o trabalho com as centenas de figurantes, a maioria deles trajando peças da baixa classe da sociedade.

FICOU DE FORA: Django Livre

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Da mesma forma que teve seu trabalho inexplicavelmente esnobado em Bastardos Inglórios, a segunda investida histórica de Quentin Tarantino foi esquecida. Acertando ao retratar a superioridade financeira de personagens como King Schultz e Calvin Candie (que trajam elegantes ternos e casacos), a figurinista xx ainda traz vestimentas típicas de faroeste (como a usada por Django na imagem acima) e também pelas “brincadeiras”, como a roupa inspirada na pintura The Blue Boy que o protagonista escolhe usar no início do filme.

APOSTA: Anna Karenina

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Lincoln

MEU VOTO: Branca de Neve e o Caçador

maquiagem

A arte de enfeitar e disfarçar um artista, resultando em uma transformação do personagem, seja para envelhece-lo ou transformá-lo em um monstro. Os indicados são:

Hitchcock | Howard Berger, Peter Montagna & Martin Samuel

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Anthony Hopkins está muito parecido com Alfred Hitchcock (até as mesmas iniciais eles compartilham!). É realmente incrível o trabalho da equipe em transformar o ator no Mestre do Suspense (um muito superior a aquele do telefilme A Garota, com Toby Jones), especialmente se o olharmos de perfil. Como Hitchcock ainda não estreiou no Brasil, fica difícil saber como as próteses faciais são utilizadas e se elas favorecem o trabalho de Hopkins. Mas visualmente falando, está impecável.

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada | Peter King, Rick Findlater & Tami Lane

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Assim como o design de produção e os efeitos visuais (que veremos logo a seguir) de O Hobbit ajudam a criar a monstros fantásticos, a maquiagem desempenha um papel tão importante quanto para alcançar esse feito. Isso porque o trabalho na composição visual de hobbits, anões e outras criaturas cujo nome me escapam à memória é quase todo real, sem computação gráfica. O destaque de Uma Jornada Inesperada fica mesmo com os 13 anões do filme, figuras que – mesmo aparentemente idênticas à distância – trazem diferentes detalhes em seus acessórios, barbas e penteados.

Os Miseráveis | Lisa Westcott & Julie Dartnell

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No trabalho de maquiagem de Os Miseráveis, o truque não foi criar monstros ou recriar diretores famosos, mas sim deixar pessoas elegantes como Hugh Jackman e Anne Hathaway em um estado decadente. A começar pelo ator, que já surge em cena com os cabelos raspados de forma brusca, com uma longa barba e até dentes podres (imagem acima). E enquanto seu Jean Valjean cresce socialmente, a Fantine de Hathaway vai pelo caminho oposto e acaba com os cabelos arrancados e com os dentes quebrados, destruindo a beleza da atriz. São boas transformações, mas é o longa menos impressionante entre os indicados.

  • BAFTA

FICOU DE FORA: A Viagem

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Quando vi pela primeira vez o elenco de A Viagem disfarçado para encarnar diversos personagens no grandioso projeto dos irmãos Wachowksi e Tom Tykwer, já apostei em sua vitória no Oscar. Imaginem minha decepção (e a de muitos outros, certamente) ao não encontrar o trabalho de maquiagem do filme entre os indicados deste ano… Homens viram mulheres, negros viram caucasianos, ocidentais viram orientais e todo o resultado é impressionante, servindo com impecável propósito à narrativa. Vai entender a ausência…

APOSTA: O Hobbit

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Os Miseráveis

MEU VOTO: Hitchcock

efeitosvisuais

Dando vida ao que não existe, a equipe de efeitos visuais trabalha para criar personagens e ambientes digitais, buscando o realismo perfeito. Os indicados são:

As Aventuras de Pi

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Muito bem, vou ser honesto: não acho os efeitos visuais de As Aventuras de Pi perfeitos. As cenas em que a água do mar apresenta uma fosforescência durante a noite (especialmente no salto da baleia) soaram berrantemente artificiais para mim. Mas dane-se. O filme merece o prêmio aqui pelo trabalho espetacular na criação do tigre Richard Parker, uma das criaturas digitais mais realistas e expressivas que já vi na vida. Os movimentos, transformações físicas (o animal emagrece ao longo da trama) e interação com o ator Suraj Sharma são perfeitas, e seria muito fácil confundir o trabalho da Rhythm & Hues (empresa que faliu recentemente) com um tigre real, já que este é absolutamente foto-realista. O greenscreen também é muito eficiente e jamais soa falso.

  • 3 Vitórias no Visual Effects Society
  • BAFTA
  • Critics Choice Awards

Branca de Neve e o Caçador

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Assim como a direção de arte e o figurino têm forte influência de Alice no País das Maravilhas de Tim Burton, o trabalho de efeitos visuais de Branca de Neve o Caçador também bebe da mesma fonte. Grande parte do trabalho digital aqui visa preencher o vazio do greenscreen e transformá-lo em cenários fantásticos que ainda trazem diversas criaturas igualmente computadorizadas. Ao passo que o filme de Burton aumentava a cabeça de Helena Bonham Carter, a equipe dese novo filme faz um eficiente trabalho de substituição de cabeças para a criação dos anões, e “diminui” atores  como Ian McShane e Nick Frost.

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

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Em todas as suas viagens à Terra Média, Peter Jackson levou de brinde um Oscar nesta categoria para sua equipe da Weta. 10 anos após o fim da trilogia Senhor dos Anéis, O Hobbit traz novas tecnologias de efeitos especiais (como a câmera que diminui o tamanho dos atores a fim e transformá-los em anões, permitindo também que interagissem com outros em tamanho normal, separadamente ou não) e aprimorou diversas, como a captura de performance que o sempre talentoso Andy Serkis sempre faz bom uso; retornando aqui com o icônico Gollum. Os efeitos da Weta acertam na criação de criaturas e cenários digitais e não fosse a vitória quase certa de As Aventuras de Pi aqui, garantiria mais um trófeu para a saga de J.R.R. Tolkien.

  • Visual Effects Society – Fotografia Virtual

Prometheus

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33 anos após seu Alien – O Oitavo Passageiro vencer nesta categoria, Ridley Scott retorna à cerimônia com O “meio-que-prelúdio” do filme que o catapultou à fama, trazendo mais um elegante trabalho com efeitos visuais. A maior parte dos efeitos de Prometheus surgem aqui como o tipo que não se manifesta de forma primária, surgindo mais como greenscreen (que serve de criação para todo o planeta LV-223 e os hologramas das diferentes espaçonaves do longa) e também para realçar objetos reais. Exemplo, a desintegração do Engenheiro na cena inicial, onde a equipe recriou o ator digitalmente apenas para acertar a trajetória do líquido preto que corrói seu corpo. Os efeitos do filme são, realmente, muito eficazes.

Os Vingadores – The Avengers

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Finalmente acertaram no visual do Hulk no cinema. Após dois trabalhos que traziam efeitos visuais medíocres, enfim o Gigante Esmeralda ganha um trabalho digital decente (e que preserva com eficiência as feições de seu intérprete) em Os Vingadores. Só esse feito já seria o suficiente para indicar o longa, mas a Industrial Light & Magic também capricha com a grandiosidade de suas batalhas (que trazem diversos ambientes e personagens digitais) e na manifestação dos poderes dos heróis.

  • Visual Effects Society – Miniatura

APOSTA: As Aventuras de Pi

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Hobbit

MEU VOTO: As Aventuras de Pi

FICOU DE FORA: Ted

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Criado a partir de captura de performance (cujo dublê foi o próprio Seth McFarlane, diretor, roteirista e dublador do filme), o ursinho boca-suja de Ted traz um eficiente trabalho com efeitos visuais, e se estes não fossem perfeitos, o longa não funcionaria. E, de fato, a criatura surje bem carismática e realista, tendo ótima interação com o ambiente e elenco.

Fizeram as apostas? Gostaram? Comentem! Amanhã tem mais análise dos indicados com o volume dedicado às categorias de Sons e Músicas. Até lá!

Especial Oscar 2013 Completo

Os indicados ao COSTUME DESIGNERS GUILD AWARDS 2013

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 17 de janeiro de 2013 by Lucas Nascimento

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Quem aí gosta de moda? O sindicato dos Figurinistas divulgou hoje seus indicados para 2013, confira:

FIGURINO EM FILME DE ÉPOCA

Anna Karenina

Argo

Lincoln

Os Miseráveis

Moonrise Kingdom

FIGURINO EM FILME DE FANTASIA

Branca de Neve e o Caçador

Espelho, Espelho Meu

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

Jogos Vorazes

A Viagem

FIGURINO EM FILME CONTEMPORÂNEO

007 – Operação Skyfall

O Exótico Hotel Marigold

A Hora Mais Escura

Indomável Sonhadora

O Lado Bom da Vida

Os vencedores serão anunciados em 19 de Fevereiro.

| Os Infratores | John Hillcoat explora a proibição no interior dos EUA

Posted in Cinema, Críticas de 2012, Drama with tags , , , , , , , , , on 17 de outubro de 2012 by Lucas Nascimento

Conflito entre irmãos: Shia LaBeouf se explica com Tom Hardy

A Lei Seca dos EUA nos anos 20 é um dos eventos que mais rendeu obras no cinema sobre o tema. Com a série da HBO Boardwalk Empire fazendo bonito com o gênero, Hollywood resolve voltar à época da proibição do álcool com Os Infratores, um eficiente thriller policial que coloca a caçada por Al Capone de lado e se concentra na relação de três irmãos envolvidos no contrabando.

Inspirada em eventos reais, a trama gira em torno dos irmãos Jack (Shia LaBeouf), Forrest (Tom Hardy) e Howard (Jason Clarke) Boundurant, trio que vai conquistando fama e fortuna em uma pequena cidade no interior dos EUA, através da venda ilegal de bebidas alcóolicas. Quando a polícia ganha um reforço na forma do implacável Charlie Rakes (Guy Pearce), os Boundurant deverão encontrar uma forma de se manterem no negócio.

Conduzido pelo eficiente John Hillcoat (que traz em seu currículo o drama pós-apocalíptico A Estrada e a comédia romântica A Proposta), Os Infratores não traz muitas novidades ao gênero. Sua ambientação – centrada em um negócio de família pequeno – é o grande destaque, e nesse quesito o design de produção Chris Kennedy acerta ao retratar a precariedade da locação e suas formidáveis adaptações à fabricação de bebida (vide o “laboratório” do jovem Cricket). Impossível também não reparar na fotografia de Benoit Delhomme, que opta por luzes fortes e uma coloração que se aproxima do sépia.

Tecnicamente impecável, o longa também se beneficia do ótimo elenco. Tom Hardy constrói o irmão do meio com serenidade, adotando uma voz calma (e com sotaque acertado) em suas cenas, o que – em contrapartida com sua brusca presença física – só parece tornar o personagem mais perigoso, como se uma fera estivesse enjaulada e louca para se libertar; o que é confirmado com sua chocante capacidade para a violência. De maneira semelhante, Guy Pearce faz de seu “ajudante especial” Rakes um dos vilões mais detestáveis do ano, abusando de uma caracterização que beira o caricato e contrasta com todos os personagens do filme.

Mas é inegável que este seja um filme de Shia LaBeouf. A jornada de seu Jack Boundarant é a alma do longa e, mesmo que abrace sem vergonha o arquétipo do “jovem menosprezado que tenta mostrar seu valor” e todos os clichês que o pacote traz consigo, o roteiro de Nick Cave desenvolve bem o personagem e o ator entrega uma performance competente, mas que peca em momentos mais dramáticos (sua reação ao descobrir a morte de um colega soa forçada e artificial). Vale notar o figurino de Jack: sempre com a barra da calça curta (em uma eficaz forma de caracterizá-lo com o caçula), ao longo de sua ascensão este passa a adotar trajes mais elegantes.

Perdendo a chance de explorar mais o interessantíssimo Floyd Banner de Gary Oldman (que desaparece do filme sem explicação), Os Infratores segue todas as regras de um bom filme policial sobre a Lei Seca. Apresenta bons intérpretes, caprichada produção e uma trama que entretém durante suas quase duas horas de duração.

Mas ainda é mais interessante acompanhar a implacável perseguição à Al Capone…