Arquivo para guerra fria

| Ponte dos Espiões | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2015, Drama with tags , , , , , , , , , , , , on 21 de outubro de 2015 by Lucas Nascimento

4.5

BridgeofSpies
Estrada para a Perdição? Quase.

Ao longo de sua brilhante carreira, Steven Spielberg nos revelou que seu corpo e mente são habitado por duas entidades diferentes: o Spilba Divertido, que nos rendeu aventuras incomparáveis como TubarãoIndiana JonesJurassic Park, e o Spilba Sério, responsável por Amistad, A Lista de Schindler, Munique Lincoln. Em ambas as situações, temos uma maestria técnica indiscutível, já que o diretor é dono de um estilo único e que se manifesta independente do gênero. E mesmo que eu seja muito mais fã do Spilba da diversão, Ponte dos Espiões revela-se um dos mais afiados “filmes de gente grande” do diretor.

A trama é inspirada em eventos reais, nos transportando para o ano de 1957, no qual os EUA e a URSS estavam em plena tensão nuclear em decorrência de sua Guerra Fria. Entra o advogado de seguros James B. Donovan (Tom Hanks), que é escolhido pelo governo para auxiliar uma delicada troca de prisioneiros entre as nações inimigas: o espião russo Rudolf Abel (Mark Rylance) e o piloto americano Francis Gary Powers (Austin Stowell).

Isso é Spielberg clássico. O típico homem de família do bem que é jogado de sua rotina confortável para uma grande aventura que eventualmente o trará de volta para casa no final, para grande admiração de sua esposa e filhos. A diferença é que o cenário aqui é muito mais tenso e é retratado com uma seriedade maior do que aquele visto em, por exemplo, Contatos Imediatos do Terceiro Grau (não que Spielberg não leve a ficção científica a sério), dado o contexto político da trama. Logo em seus minutos iniciais, o diretor arrebenta com uma longa e muda sequência na qual somos colocados no meio de uma perseguição, mas sem saber exatamente quem persegue quem. Ajuda também a ausência da música que, pela primeira vez desde A Cor Púrpura, não traz a assinatura do mestre John Williams, deixando Thomas Newman com a responsabilidade, algo que o compositor faz muito bem.

E talvez fiquem surpresos, mas o roteiro é assinado por ninguém menos do que os irmãos Joel e Ethan Coen, que devem ter escrito o filme ao mesmo tempo em que cuidavam do texto de Invencível, dadas as ligeiras semelhanças entre ambos os filmes – prisioneiros de guerra, aviões de caça caindo do céu. Mas se no filme de Angelina Jolie não havia nada que lembrasse o estilo dos irmãos, aqui temos muitas sutilezas e tiradas que definitivamente vieram de suas mentes, como na sarcástica introdução de Donovan, cheia de verbarrogia em torno das frases “My guy, your guy”, ou o momento em que um personagem tem diversos telefones à sua mesa, atendendo o errado quando um deles toca. Mas não só isso, a prosa dos Coen e X é habilidosa ao lidar com pesadas quantidades de informações, jargar político e de Direito, de forma que não as torna incompreensível para o público, mas também não lhes sacrifica inteligência.

Tudo bem que o filme peca por sua longa duração, e por inevitáveis quebras de ritmo para servir de transição entre os acontecimentos principais, além de trazer a dipensável dramaticidade exagerada do Spilba Sério: mesmo que esteja na procura de um clima tenso para a tensão nuclear, mostrar crianças chorando na sala de aula enquanto assistem a imagens da bomba de Hiroshima me pareceu apelativo demais. E sendo um filme americano sobre a Guerra Fria, os EUA inevitavelmente assumirão o papel de mocinhos, mas o filme é eficiente na hora de dosar o patriotismo, não soando ofensivo ou propagandista como os desfiles militares de Michael Bay, afinal, isso fica evidente quando Donovan afirma para um representante russo que estes têm a chance de terem “um debate diplomático e neutro que suas nações são incapazes de realizar”, assumindo a posição de que o indivíduo aqui é mais importante – ou deveria dizer, mas sábio – do que a nação inteira.

Sendo uma produção de Spielberg, é tecnicamente impecável. Seu inseparável diretor de fotografia Janusz Kaminski retorna para trazer sua forte luz, chegando a literalmente cegar o espectador em alguns momentos (especialmente a cela de Abel, onde Donovan é praticamente uma figura divina), mas no geral sendo muito eficaz ao criar uma atmosfera sombria e perigosa. A cena em que Donovan é seguido por um estranho na chuva é excelente, e a presença de Hanks só ajuda que o breve momento nos remeta diretamente a Estrada da Perdição. O design de produção de Adam Stockhausen também acerta na reconstrução de época, especialmente nas cenas ambientadas na Alemanha Oriental, salientando as péssimas condições da pós-Segunda Guerra na região, e a câmera de Spielberg valoriza todos esses ambientes com planos abertos detalhadíssimos – vale apontar ser seu primeiro trabalho com lentes anamórficas desde Hook – A Volta do Capitão Gancho.

Navegando com perfeição por um tema delicado, Ponte dos Espiões surpreende por mostrar-se um trabalho de Steven Spielberg que consegue muito bem funcionar como um thriller de espionagem inteligente, sem deixar de lado a abordagem séria que o diretor vem buscando nos últimos anos.

| Ex Machina: Instinto Artificial | Crítica

Posted in Críticas de 2015, Drama, Ficção Científica, Home Video with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 26 de agosto de 2015 by Lucas Nascimento

4.5

ExMachina
Alicia Vikander estreia como a hipnotizante Eva

Escrevi em meu texto sobre Ela que as relações humanas vêm se transformando com o advento da tecnologia, seja no desenvolvimento de recursos quanto ao convívio do Homem em sociedade. O cinema de ficção científica vinha prevendo diversos tipos de distopias e utopias, e a inteligência artificial sempre esteve ligada a uma imagem mais antagonista, certamente um fruto da paranóia da Guerra Fria dos anos 50 ou a antecipação pelo Bug do Milênio no ano 2000. Mas numa época em que smartphones se transformaram nos nossos melhores amigos, o Cinema tem brincado com a ideia de uma relação afetiva entre Homem e máquina, notavelmente no romântico filme de Spike Jonze e agora no excelente Ex Machina: Instinto Artificial, imperdível sci-fi lançado diretamente para DVD.

A trama começa quando o programador Caleb (Domhnall Gleeson) é selecionado para trabalhar num projeto especial de sua empresa. Movido para a reclusa e luxuosa moradia do CEO Nathan (Oscar Isaac), Caleb descobre que seu chefe criou uma avançada forma de inteligência artificial: a andróide Eva (Alicia Vikander). Ali, o jovem deverá testar a capacidade da máquina de se passar por um humano (como no Teste de Turing) sendo lançado num perigoso jogo de duplas intenções.

Este é o filme de estreia do diretor Alex Garland, que já havia cuidado de roteiros como O ExtermínioSunshineNão Me Abandone JamaisDredd, além de também ser o responsável pelo texto original de Ex Machina. E é admirável ver uma ficção científica tão desafiadora em sua temática. As sessões entre Caleb e Eva são fascinantes de se observar, graças à habilidade de Eva de demonstrar ideias e pensamentos tão complexos para uma máquina, e vê-la subvertendo os papéis com o programador humano é instigante. A revelação de que Eva tem instalada em si uma certa sexualidade é o aspecto mais interessante (“Como um mágico que usa uma assistente gostosa para distrair o público?”, questiona Caleb para Nathan), e o que move a relação entre Caleb e a máquina para algo mais complexo. Se Ela era de fato um romance que abusava do lirismo para ilustrar o afeto do homem pela máquina, Ex Machina é ficção científica na veia, sendo muito mais eficiente na forma com que lida com o tema.

Garland cria imagens altamente memoráveis aqui, especialmente ao fazer robôs sensuais sem parecer que estamos assistindo a uma paródia pornô. A novata atriz sueca Alicia Vikander domina cada minuto de cena, não só por sua hipnotizante performance que traz os sutis indícios de humanidade, mas também pela construção de seu corpo; cuja mistura de materiais e ausência de membros indica uma criação ainda incompleta. O design de produção também acerta na criação da casa de Nathan, dominada pelo cinza e por uma arquitetura que parece sugerir mais um laboratório ilegal ou uma prisão experimental, literalmente confinando o confuso Caleb em suas paredes de vidro.

Outro grande destaque fica com Oscar Isaac, que vem rapidamente se mostrando como um dos atores mais talentosos da atualidade. Quando pensamos em um ricaço cientista inventor de robôs inteligentes, não é a imagem de um barbudo atlético e de fala jovinal como o Nathan de Isaac, que em sua primeira aparição já surge praticando boxe, revelando que o exercício físico é tão importante quanto o mental para Nathan. Seu alcoolismo também é lidado de forma sutil, como seu silêncio confuso quando Caleb pergunta “como teria sido a festa”, a fim de justificar a ressaca que tenta curar – além de ser um importante detalhe que servirá para uma das reviravoltas.

Ex Machina: Instinto Artificial é uma inteligente e questionadora ficção científica, capaz de iniciar um instigante debate sobre a evolução da inteligência artificial e sua relação com o Homem. Um baita começo para Alex Garland, que desde já mostra-se uma aposta promissora.

Primeiro trailer de PONTE DE ESPIÕES

Posted in Trailers with tags , , , , , , , on 5 de junho de 2015 by Lucas Nascimento

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Steven Spielberg e Tom Hanks retomam a parceria de O Resgate do Soldado Ryan, O Terminal e Prenda-me se for Capaz com o thriller de Guerra Fria Ponte de Espiões. O primeiro trailer acaba de sair, e nos apresenta ao advogado de Hanks lutando para sobreviver na paranóia do conflito entre EUA e URSS.

Confira:

Ponte de Espiões estreia em 22 de Outubro.

Primeiro trailer de O AGENTE DA U.N.C.L.E.

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , on 11 de fevereiro de 2015 by Lucas Nascimento

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Que engraçado. Cameron Crowe não lançava um filme desde 2011, e teve o trailer de seu novo projeto divulgado há minutos atrás. Agora, Guy Ritchie também não lançava um filme desde 2011… E seu novo projeto teve seu trailer lançado agora!

O Agente da U.N.C.L.E. é adaptação de uma série homônima de televisão, e traz Henry Cavill e Armie Hammer em uma trama de Guerra Fria onde um espião americano deve se aliar a um russo para deter uma trama misteriosa. Confira:

O Agente da U.N.C.L.E. estreia em 20 de Agosto no Brasil.

| 2001: Uma Odisseia no Espaço | Stanley Kubrick testa os limites da ficção científica

Posted in Clássicos, Críticas de 2012 with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 30 de outubro de 2012 by Lucas Nascimento

I am putting myself to the fullest possible use, which is all I think that any conscious entity can ever hope to do. – HAL 9000

The Dawn of  the Odissey

A ficção científica talvez seja o gênero mais ambicioso do cinema. Seus conceitos e rumos idealizados ultrapassam os limites da imaginação e do explicável, especialmente na busca por respostas às perguntas mais enigmáticas da História da humanidade: quem somos nós? De onde viemos? Para onde iremos? E, finalmente, estamos sozinhos no Universo?

Em uma época em que o gênero traduzia cinematograficamente a paranóia da Guerra Fria entre EUA e União Soviética (Guerra dos Mundos e O Dia em que a Terra Parou são apenas alguns exemplos de obras que batem na tecla da invasão norte-americana por uma força desconhecida e o perigo quanto ao uso da bomba atômica), o já controverso Stanley Kubrick se une com o escritor Arthur C. Clarke para adaptar às telas o romance 2001: Uma Odisseia no Espaço. 

Já tendo abordado o conflito russo-americano em 1965 com a ótima paródia Dr. Fantástico, Kubrick coloca as questões políticas do evento de lado e parte para responder as perguntas trazidas no início do texto. A trama de 2001 não é das mais fáceis de sumarizar – e muito menos de acompanhar. Seria simples classificá-la como uma história do homem explorando o espaço, mas o mais apropriado seria vê-la como uma história sobre o próprio Homem.

E tal História, cujo percurso levou incontáveis gerações e infinitas descobertas, Kubrick resume em um único corte. A famosa e mais longa transição de tempo já registrada no cinema, quando um dos primatas descobre a ferramenta – e, posteriormente, a arma – ocorre um salto temporal para o futuro, onde observamos um dispositivo nuclear no espaço (que muitos acreditavam tratar-se de uma espaçonave, mas a presença de um armamento faz mais sentido). Um dos recursos visuais que só a Sétima Arte oferece, e nas mãos de um de seus maiores mestres, torna-se uma elegante e sutil ferramenta narrativa.

Mission: Jupiter


I’m Sorry, Dave: HAL 9000 é um dos ícones da ficção científica

Como disse há alguns parágrafos acima, a trama de 2001 é complicada. Sua execução requer muita paciência do espectador por não adotar uma narrativa “tradicional”, trazendo poucos diálogos em seu roteiro, abraçando o silêncio (esse talvez seja o único longa do gênero que retrata a ausência de som no espaço, substituindo-o por lindas peças de música clássica) e uma incerteza quanto a seu protagonista. Em quase 1 hora de filme, já fomos apresentados a dois grupos distintos de personagens (os primatas e a equipe de expedição à Lua) e só a partir daí o longa encontra seu “protagonista” definitivo, o astronauta Dave Bowan.

Acompanhado de seu parceiro Frank Poole, Dave comanda a Missão Júpiter, que visa levar – pela primeira vez na História – o homem ao planeta que batiza a missão. Junto com os astronautas, há uma equipe de cientistas em estado de hibernação e uma inovadora unidade HAL 9000, um painel de computador com inteligência artifical e que administra todas as funções da nave. Isso mesmo, os controles, direções e praticamente tudo de relevante à missão é posto nas mãos de uma máquina.

E é essa a grande virada do filme: a revolta de HAL. Ainda que tenha apenas uma luz vermelha como representação física, a espetacular dicção de Doug Rain (intérprete vocal do computador) consegue propocionar ao personagem uma áurea assustadora (sua total inexpressividade ao declarar suas sentenças o tornam quase imprevisíveis) e, em contrapartida, emocional. Reformulo aqui o que havia dito no início do texto sobre a influência da Guerra Fria na produção, e enxergo que tal revolta é uma alegoria do avanço tecnológico – uma corrida armamentista, naquele período – e o perigo de responsabilizar importantes tarefas à criações artificiais. Um alerta atemporal, convenhamos.

To Infinity, and Beyond!


Uma nova aurora para o Homem?

Antes que me esqueça, temos o enigmático monolito. Sempre acompanhado da perturbadora “Requiem” de Ligeti (que bolaria uma composição igualmente brilhante para o último trabalho de Kubrick, De Olhos Bem Fechados), o objeto alienígena extraterrestre representa uma forma de inteligência superior; seria alienígena? Seria algo relacionado a Deus? A presença do obelisco assusta pela simplicidade de sua estrutura e pelo inexplicável fascínio que este causa, característica que Kubrick consegue transmitir através dos longos planos em que o monolito “encara” a câmera e os lindos closes em que a mão humana o toca.

E então chegamos àquele final. Aquela monstruosa conclusão que envolve o protagonista.

Não é claro para mim o destino de Dave em 2001. Talvez seja algum tipo de metamorfose ou a suprema forma de evolução, mas o próprio Stanley Kubrick afirmou que seu final não tem uma explicação coletiva; cada espectador tiraria suas próprias conclusões a respeito e formularia suas próprias teorias. Eu não preciso saber o que acontece ao final da projeção. Na minha visão, é algo tão belo e tão grandioso que dispensa explicações e não existem palavras que façam justiça às majestosa imagens que congelam até o mais cético dos espectadores.

É a beleza de 2001: Uma Odisseia no Espaço. Um filme homérico que dispensa explicações e impressiona com suas ideias, naquele que é, sem sombra de dúvida, o filme mais ambicioso do gênero.

Super Soldado: Especial CAPITÃO AMÉRICA – O PRIMEIRO VINGADOR

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 25 de julho de 2011 by Lucas Nascimento

Capitão América – O Primeiro Vingador chega aos cinemas brasileiros prometendo uma bela diversão e mais um capítulo da saga dos Vingadores. Aproveite o (pequeno e breve) especial:


E você achando que o filme de 2011 foi a primeira tentativa com o personagem…

A ideia de um filme sobre o bandeiroso super-herói Capitão América já existe há um bom tempo. Tanto que, antes de ser a mega-produção estrelada que estreia nesta Sexta-Feira, o personagem ganhou um  medíocre filme em 1990.

O longa, dirigido por Albert Pyun, conta a origem do capitão e sua batalha com um (rídiculo) Caveira Vermelha, sendo posteriormente congelado e depois acordando no mundo moderno. O filme foi recebido negativamente em sessões-teste e banido do circuito de salas de cinema, sendo lançado diretamente em vídeo. Quanto ao resultado, quem assistiu diz que é uma porcaria ao nível do primeiro Quarteto Fantástico (é, aquele de 1990 mesmo) e o bacana é que a MGM está relançando o filme em DVD, claramente acompanhando o lançamento do novo filme.

Agora ao negócio sério: Depois de resolver algumas complicações (como uma disputa pelos direitos do personagem) e a Marvel finalmente tornar-se um estúdio independente, o novo Capitão América começara a ganhar vida. A trama começou a ser desenvolvida e fora decidido que o longa manteria a origem do herói na Segunda Guerra Mundial (convenhamos, um cara vestido de bandeira norte-americana correndo por aí não é uma ideia tão facilmente aceitável atualmente…) e um lançamento em 2008.


O diretor Joe Johnston no set do filme

O responsável para comandar o projeto fora Jon Favreau, mas ele optou por trabalhar com outro personagem da Marvel – o Homem-de-Ferro -, deixando assim o caminho livre para uma série de cineastas que incluia, entre outros, o francês Louis Leterrier – este acabou dirigindo, veja só, O Incrível Hulk para a mesma empresa no mesmo ano. Eventualmente, o escolhido foi Joe Johnston (que dirigiu Jurassic Park 3 O Lobisomem), que apontou Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida como principal inspiração de tom.

Depois de muita controvérsia e desaprovação dos fãs, Chris Evans foi escalado para viver o Capitão América, assinando um contrato de nove filmes (que incluem uma trilogia do personagem, Os Vingadores e sabe-se lá o que mais) com a Marvel. Hugo Weaving (que trabalhara com Johnston em O Lobisomem) foi contratado para o papel do Caveira Vermelha – cuja maquiagem levava 2h e meia para ser aplicada – e Hayley Atwell, Stanley Tucci, Tommy Lee Jones, Sebastian Stan e Dominic Cooper preenchem a vaga de coadjuvantes.

As filmagens começaram em Junho do ano passado, passando por diversos locais do Reino Unido (que incluíram Liverpool, Manchester e Londres) que serviram como dublê para a Manhattan da década de 1940. Você já sabe, mas vamos lá: após o encerramento das gravações, o produtor Kevin Feige – o poderoso chefão da Marvel Studios – anunciou um lançamento em 3D convertido (assim como aconteceu com Thor).


Chris Evans digitalmente encolhido para interpretar Steve Rogers

Sobre os efeitos visuais, é interessante apontar a transformação física de Chris Evans. Enquanto o ator teve que ganhar uma pesada musculatura, seu personagem Steve Rogers é um menino magricela e fraco que posteriormente transforma-se no Capitão. Para esse efeito, foram utilizadas duas técnicas: um encolhimento digital do ator e a já conhecida substituição de cabeça (o mesmo efeito usado em O Curioso Caso de Benjamin Button). Finalizando a parte técnica, Alan Silvestri foi chamado para compor a trilha sonora.

Um problema curioso enfrentado pela divulgação do filme foi o título. Enquanto Capitão América – O Primeiro Vingador permanece na maior parte do mundo, na Rússia, Coréia do Sul e Ucrânia ele será conhecido apenas como O Primeiro Vingador, enquanto na China o longa nem vai dar as caras (por um motivo que inclui um limite anual de exibição de longas estrangeiros). O título é fácil de mudar, mas qual a relevância se o filme inteiro gira em torno de um personagem que veste a bandeira americana?

Resta saber se Capitão vai se sair melhor do que Thor e continuar a saga dos Vingadores no cinema e, mais importante do que isto, ser um bom filme.

Os principais personagens do longa:

Steve Rogers/Capitão América | Chris Evans

Steve Rogers era um garoto magricela e fraco, mas com muita coragem e desejo de ajudar seu país na Segunda Guerra Mundial. Suas virtudes psicológicas lhe garantem uma vaga no Programa SuperSoldado, onde é submetido a uma experiência que lhe garante agilidade e força descomunais. Sob o codinome Capitão América, ele lidera o grupo Comando Selvagem para combater nazistas.

Johann Schmidt/Caveira Vermelha | Hugo Weaving

Líder da organização nazista HYDRA, é especializado na exploração de novas tecnologias e armamentos que possam ajudar a vencer a Guerra. Implacável, um experimento mal-sucedido deformou seu rosto, deixando seu crânio exposto e com uma bizarra coloração vermelha. Seu objetivo é encontrar e tomar posse do Cubo Cósmico, um artefato místico que pode lhe garantir poder ilimitado.

Peggy Carter | Hayley Atwell

Durona e glamourosa, a oficial inglesa ajuda os americanos e torna-se interesse amoroso do Capitão América, auxilhando-o em seu treinamento e também em missões.

James ‘Bucky’ Barnes | Sebastian Stan

Órfão e amigo de Steve Rogers antes de este tornar-se um super-herói, ele vira seu parceiro quando o amigo é promovido à Capitão América e ajuda-o no Comando Selvagem.

Howard Stark | Dominic Cooper

Não tem filme da Marvel sem menção à família Stark… O empresário Howard Stark (pai do Tony) é um dos responsáveis pelo programa do SuperSoldado, tendo contribuido na construção e desenvolvimento do uniforme do Capitão América.

Algumas das mais bizarras reviravoltas cinematográficas que já aconteceram na Segunda Guerra Mundial.

Indiana Jones

Na mitologia do famoso arqueólogo, os nazistas renderam duas aventuras que envolviam objetos paranormais (Os Caçadores da Arca Perdida e A Última Cruzada), sendo eles a Arca da Aliança e o Santo Graal. Ambos com uma intenção maléfica e que visa dominar o mundo, mas o resultado sempre foi a favor de Jones. Lembram da abertura da Arca?

Hellboy

A participação dos nazistas no filme é breve, mas muito interessante. Usando uma espécie de portal, os alemães trazem o demônio Hellboy para a Terra, visando utilizá-lo para seus próprios fins. Claro que isso não acontece e o vermelhão trabalha ao lado dos humanos. Destaque para aquele oficial nazista com as facas…

Bastardos Inglórios

E claro, nada de sobrenatural aqui, apenas uma visão completamente doida dos eventos da Segunda Guerra Mundial. Entre os diálogos tarantinescos e muitos escalpos, o longa termina com todo o Terceiro Reich de Adolf Hitler sendo exterminado em uma sessão de cinema.

Alguns dos filmes mais patriotas dos últimos anos.

Independence Day

Pois bem, na ficção científica de Roland Emmerich, os alienígenas invadem o planeta e saem quebrando tudo em diversas regiões. Cabe então, ao exército norte-americano salvar a humanidade. Até aí tudo bem, mas tinha que ser bem no dia 4 de Julho?

Qualquer um do Michael Bay

Transformers, Armageddon, Pearl Harbor e por aí vai… Os filmes de Bay em certos momentos parecem até propaganda do exército (perceba na trilogia dos robôs gigantes a quantidade de tanques, helicópteros e soldados correndo em câmera lenta num cenário de pôr-do-sol).

Outros heróis dos quadrinhos que já se alistaram nas telonas:

Watchmen

Ambientado na Guerra Fria, a presença do Comediante e do Dr. Manhattan na Guerra do Vietnã é fundamental para a vitória dos americanos e acaba por mudar o curso da História. Ninguém foi páreo para o poder ilimitado de Manhattan

X-Men

Aqui fica incluso dois filmes da série dos mutantes: Origens: Wolverine (que mostra Hugh Jackman encarando a Guerra Civil, a Primeira e Segunda Guerra Mundial e a Guerra do Vietnã) e Primeira Classe (aqui, com os X-Men do Professor Xavier impedindo uma catástrofe nuclear na Crise dos Mísseis Cubanos).

Bem, o especial vai ficando por aqui. Perdoem a falta de ideias para o post, mas não deixem de ler a crítica de Capitão América na Sexta-Feira. Até mais!

| Transformers – O Lado Oculto da Lua | Michael Bay consegue se superar

Posted in Ação, Cinema, Críticas de 2011, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , , , , on 1 de julho de 2011 by Lucas Nascimento


Bumblebee na batalha de Chicago. É, esse eu sei que é o Bumblebee…

Quando Michael Bay admitiu que A Vingança dos Derrotados foi um filme ruim e que ele teria superado o trabalho com O Lado Escuro da Lua, eu realmente confiei no diretor. Bom, acho que algumas pessoas simplesmente não aprendem; o terceiro filme da saga dos robôs transformistas consegue ser ainda pior que seu antecessor.

Na trama, os Autobots e os Decepticons travam mais uma mortal batalha, dessa vez em decorrência de um segredo escondido na Lua desde os anos 60. O tal segredo é o robô Sentinel Prime, que pode trazer o planeta dos alienígenas de metal de volta, que acaba virando objeto de disputa de ambos os lados.

O massacre robótico começa no roteiro. O texto de Ehren Kruger até tenta criar uma certa coerência e lógica na trama – a ideia de envolver eventos da Guerra Fria e a Corrida Espacial era realmente interessante – mas falha ao estabelecer o mínimo de história possível para capturar a atenção do espectador, confundindo sub-tramas e enchendo-o de clichês e piadas idiotas. Isso sem mencionar o péssimo trabalho com os personagens, que nem apresentam justificativa para tanta atenção de cena.

Shia LaBeouf continua fazendo seu agradável piloto-automático – mesmo que ele precise rebaixar-se a gritinhos afeminados em diversos momentos da projeção -, mas ainda é incompreensível para mim, como seu personagem consegue mulheres do nível de Rosie Huntington-Whiteley. A modelo da Victoria’s Secret substitui Megan Fox como objeto sexual da trama (não fazendo feio, admito), mas sua personagem é tão vazia e inútil quanto a dos filmes anteriores. E sem comentários para os preciosos coadjuvantes: Frances McDormand, John Malkovich, Ken Jeong, todos prejudicados e desperdiçados…


Michael Bay detona a cidade de Chicago. Sim os efeitos são bons…

E o que nos leva à direção descontrolada do sr. Michael Bay. Explosão pra cá e socos de robôs gigantes pra lá, o diretor agora tem a tecnologia 3D para utilizar. De fato, é o melhor uso da tecnologia desde o Avatar de James Cameron; as cenas na Lua apresentam grande profundidade, mas é impossível acompanhar a selvageria das cenas de ação. Com exceção de um belo voo de wing-suits em uma Chicago sendo atacada e a destruição de um edifício, todas as sequências de pancadarias de robôs gigantes (cujas fisiologias são quse impossíveis de diferenciar) são irritantes e cansativas, com todas as habituais marcas de Bay: câmera lenta, patriotrismo e bordões imbecis.

Não que eu va assistir a um filme de máquinas gigantes se arrebentando e espere encontrar algum tipo de obra-prima, mas no mínimo eu espero algo divertido e que me entrentenha. Se um filme em que homens levantam submarinos e mulheres têm pele azul e transformam-se em outros indivíduos consegue apresentar conteúdo histórico e diversão na medida perfeita, porque não uma invasão alienígena de seres transformistas?

Transformers – O Lado Oculto da Lua é o pior filme do ano e um aviso perturbador sobre o que Hollywood pode fazer; juntando explosões, cenas de ação, efeitos visuais e 3D, na tentativa mais agressiva de conseguir o seu dinheiro.

Com uma porcaria dessas, é um assalto.

Obs: A nova lei sobre a conservação de óculos 3D já está sendo posta em prática. No Imax do Shopping Bourbon Pompeia, os óculos foram entregues higienizados e em uma embalagem plástica.