Arquivo para histórias

| Relatos Selvagens | Crítica

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2014, Drama with tags , , , , , , , on 27 de novembro de 2014 by Lucas Nascimento

4.0

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Eu queria que tivéssemos anualmente um filme como Relatos Selvagens.Me remete bastante a Além da Imaginação, mas aqui o sobrenatural dá lugar a algo ainda mais perigoso: a própria natureza humana.

Optando pelo formato de antologia, Damián Szifrón dirige e escreve seis histórias distintas e que jamais se encontram, tendo em comum apenas a selvageria humana descontrolada como tema. É algo que já fica claro nos minutos iniciais, com a curta “Pasternak”, que se concentra em um grupo de pessoas num avião que descobrem estar ali por um sinistro motivo em comum – resultando em um desfecho diabolicamente divertido. Aliás, a tensão e o humor caminham de mãos dadas durante toda a projeção; uma aliança incomum, mas que funciona surpreendentemente bem.

“Las Ratas” nos apresenta a um diner solitário em uma noite chuvosa, onde duas garçonetes (Julieta Zylberberg e Rita Cortese) conspiram o assassinato de um cliente, que seria um mafioso. É simples, belíssima do ponto de vista plástico e direta ao ponto, ainda que seja anticlimática e careça de elementos mais surpreendentes que os próximos segmentos trariam.

“El Más Fuerte” talvez seja o melhor segmento do filme, trazendo um sujeito (Leonardo Sbaraglia) que fica preso em uma estrada deserta após o pneu de seu luxuoso novo carro furar. No melhor estilo Encurralado e o próprio Além da Imaginação,, ele começa a ser ameaçado sem motivo por um misterioso viajante, resultando em um duelo mortal entre os dois; cuja brutalidade só é superada pelo espanto do espectador ao notar como toda a situação se agravou a partir do nada.

Seguindo a premissa da bola de neve, “Bombita” traz o astro Ricardo Darín como um engenheiro especialista em bombas que enfrenta um inferno com a burocracia do departamento de trânsito da cidade. Como se a profissão já não fosse o bastante, seu personagem tem o temperamento explosivo, o que o coloca em diversas situações interessantes e em um desfecho ácido que deve provocar muitas discussões.

“La Propuesta” é o mais dramático da narrativa, trazendo um patriarca () que estuda como reagir publicamente após seu filho ter acidentalmente atropelado e matado uma mulher grávida. O texto de Szifrón é habilidoso ao explorar as decisões do protagonista, que usa do dinheiro e de suas conexões para tentar abafar o caso, e também agrada por resolver questões pivotais visualmente (como a abertura, que traz a placa de um carro suja de sangue).

Já “Hasta que la Muerte Nos Separe” é de longe o mais desastroso dos segmentos. A trama é ambientada num casamento, que se descontrola quando a noiva (Erica Rivas) descobre que seu marido foi infiel, transformando a festa harmoniosa em um festival de atrocidades que vai de brigas, acidentes e muito escândalo até um clímax duvidoso. Faz sentido que Szifrón termine o filme com a história que certamente é a mais grandiosa, mas pessoalmente acho que esta seguiu um caminho exagerado demais e que destoa da simplicidade satisfatória das demais.

Relatos Selvagens é uma ótima coleção de histórias cativantes, povoadas por figuras divertidas e controversas. É um convite ao lado negro do ser humano, e quem diria que tal tema poderia render tanto humor.

| Sin City: A Dama Fatal | Crítica

Posted in Ação, Adaptações de Quadrinhos, Cinema, Críticas de 2014 with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 24 de setembro de 2014 by Lucas Nascimento

3.5

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Essa mulher é de morrer: Eva Green como a Dama Fatal do título

Quando assisti a Sin City: A Cidade do Pecado pela primeira vez, em uma reprise do filme de 2005 na televisão, sabia que estava diante de algo único. A técnica utilizada por Robert Rodriguez para adaptar a graphic novel homônima de Frank Miller foi impressionante, chegando até a ganhar um prêmio especial no Festival de Cannes pelo feito visual. Agora, nove anos depois, batata quente esfria e Sin City: A Dama Fatal não empolga como o primeiro, ainda que traga seus méritos.

Como no filme de 2005, a narrativa consiste em múltiplas histórias. A principal delas é centrada em Dwight McCarthy (Josh Brolin), um fotógrafo que volta a cair nas garras de sua manipuladora ex-namorada, Ava Lord (Eva Green). Temos também uma curta, “Just Another Saturday Night”, que traz Marv (Mickey Rourke) lembrando-se dos eventos de uma noite violenta e duas histórias criadas especialmente para o filme: “The Long Bad Night” traz o aventureiro jogador de pôquer Johnny (Joseph Gordon Levitt), que desafia o notório senador Roark (Powers Boothe) para uma partida mortal, enquanto “Nancy’s Last Dance” traz a dançarina Nancy Callahan (Jessica Alba) buscando vingança pela morte de seu amado Hartigan (Bruce Willis).

O tempo foi um dos grandes inimigos de A Dama Fatal. A continuação aconteceu tarde demais para acompanhar o embalo do primeiro filme, e cedo demais se procurava usar a nostalgia a seu favor. O frescor do original não se manifesta com tanta intensidade aqui, tendo apenas alguns bons efeitos que o 3D é pontualmente capaz de oferecer e o visual, ainda que permaneça belo como há 9 anos atrás, não procura se inovar. Mas tudo bem, eu realmente não esperava que Rodriguez mudasse o look do filme; se fosse mais do mesmo, que ao menos fosse bom. E aqui e ali, o diretor ainda é capaz de impressionar ao trazer os maneirismos visuais cartunescos noir que funcionaram tão bem no primeiro. Especialmente em torno da Ava Lord de Eva Green, que Rodriguez sempre fotografa como uma mulher perigosíssima, quase transformando-a em um animal selvagem, um predador – e a decisão de preservar o verde de seus olhos em meio ao preto e branco, é impactante.

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Joseph Gordon Levitt é um destaque entre as novas adições

Frank Miller é o problema. Ainda que um genial autor de quadrinhos, todos podemos concordar que a experiência de Miller com o cinema não é lá das mais inspiradoras (preciso mesmo trazer The Spirit –  O Filme à mesa?), e seu crédito de co-diretor é atribuído principalmente porque Rodriguez utiliza as HQs de Sin City como guia definitivo. Responsável pelo roteiro das quatro histórias, merece aplausos por aquela que é definitivamente a melhor e mais complexa trama do filme, A Dama Fatal, mas mostra-se simplesmente incapaz de preencher as três histórias restantes com conteúdo o suficiente. São rápidas, vazias e empalidecem diante da trama central, e pior: acabam ficando repetitivas em estrutura. A invasão de Nancy e Marv à mansão de Roark em “Nancy’s Last Dance” é praticamente uma cópia daquela vista em “A Dama Fatal”, o que acaba tornando a ação e os múltiplos desmembramentos genéricos e até entediantes.

Ao menos o elenco consegue ser preservado. Disparado, Eva Green consegue roubar mais um projeto (ela é a única coisa que presta em 300: A Ascensão do Império), seja por sua performance marcada por momentos ambíguos, misteriosos ou por sua figura absolutamente hipnotizante. Jessica Alba também ganha muito mais o que fazer do que meramente dançar aqui, e sua personagem tem um dos arcos mais interessantes. Josh Brolin agrada com sua competente versão de Dwight, criando um retrato próprio ao mesmo tempo em que respeita a performance de Clive Owen no original. Como protagoniza a menos envolvente das histórias, fica nas mãos de Joseph Gordon Levitt sustentá-la toda com seu carisma, algo que o ator é capaz de fazer muitíssimo bem. E preciso ao menos mencionar a curta participação de Christopher Lloyd, que surge com um personagem divertidíssimo.

Efetivamente, Sin City: A Dama Fatal consegue preservar o tom noir e divertido do primeiro filme, ainda que não traga material bom o suficiente para sustentar os rápidos 102 minutos. Mas olha, Eva Green vem realmente provando que é uma mulher pelo qual se mataria.

Obs: Robert Rodriguez e Frank Miller têm duas participações especiais no filme. Fique de olho.

Novo trailer de SIN CITY: A DAMA FATAL

Posted in Trailers with tags , , , , , , , on 11 de junho de 2014 by Lucas Nascimento

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Agora é de verdade. Um novo trailer de Sin City: A Dama Fatal acaba de ser divulgado, explorando melhor as três histórias distintas que o filme de Robert Rodriguez, e como estas talvez se cruzem. O visual parece bem melhor trabalhado do que no trailer anterior, e nem precisa dizer que – assim como tudo em que apareceu esse ano – Eva Green rouba a cena como a dama do título. Confira:

O filme ainda conta com Jessica Alba, Mickey Rourke, Josh Brolin, Joseph Gordon-Levitt e Rosario Dawson.

Sin City: A Dama Fatal estreia no Brasil em 11 de Setembro.

| Jobs | Ashton Kutcher se esforça na biografia de um ícone da informática

Posted in Cinema, Críticas de 2013, Drama with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 5 de setembro de 2013 by Lucas Nascimento

3.0

Jobs
Ashton Kutcher é Steve Jobs: casting acertadíssimo, mas compensador?

Não é preciso procurar muito por influências de Steve Jobs em nosso cotidiano. Por exemplo, a primeira coisa que fiz terminada a sessão de Jobs foi checar meu Iphone para novos emails ou mensagens. Claro, o smartphone não é um artefato exclusivo da poderosa Apple, mas sem dúvida alguma é o mais cobiçado e o que promove maior “status”. Mas deixando a informática de lado, resta dizer que a cinebiografia de Joshua Michael Stern é uma obra competente, ainda que longe da perfeição.

O roteiro de Matt Whiteley faz um apanhado geral sobre a vida de Jobs (Ashton Kutcher), partindo desde o momento em que este larga a faculdade para se dedicar à indústria de computadores, até a nova fase da Apple no mercado (iniciada em meados dos anos 90).

Confesso que não conheço muito a história de Steve Jobs (pra ser sincero, sou nulo em praticamente todas as biografias envolvendo empresas de internet), então fica díficil julgar o quanto no filme é fato e o que é ficção. Mas algo perceptível é o tratamento quase sagrado fornecido a Jobs: reparem como o diretor de fotografia Russell Carpenter constantemente joga a contra luz no rosto de Ashton Kutcher, proferindo-o uma imagem quase “divina”, característica associada mais ao lado mítico do que humano do personagem. Claro que Whiteley acerta ao trazer à tona diversas imperfeições de Jobs (como mentir o valor do pagamento por um serviço a seu amigo ou sua obsessão com design), mas nunca ocorre uma análise profunda às suas ações; Jobs é sempre a vítima, algo que a trilha sonora extremamente apelativa de John Debney faz questão de nos lembrar.

Mas, em um longa biográfico, todos os olhos se viram para a performance protagonista. Despertando a insegurança de muitos ao assumir o papel, eu pessoalmente fiquei impressionado com o trabalho de Ashton Kutcher e a competência do ator ao lidar com um papel dramático (porque para mim, ele sempre, sempre, será o Michael Kelso de That’ 70s Show) e até estabelecer maneirisimos que o ajudem a ilustrar a imagem do personagem – principalmente o andar relaxado que Kutcher opta por usar durante toda a projeção. Claro que é uma performance favorecida pela (incrível) semelhança física do ator com o fundador da Apple mas – mesmo que aqui e ali brote um overacting – é um trabalho notável e nitidamente esforçado.

Sobre o elenco de apoio, é incrivelmente piloto-automático. Salva-se o Steve Woz de Josh Gad, sócio e amigo pessoal de Jobs. O ator é introduzido como um péssimo alívio cômico que raramente funciona, mas que explode as expectativas ao protagonizar uma única cena que compensa toda a sua participação no longa (e é também uma das melhores da fita) e apresenta uma, até então, inexistente carga dramática. Você saberá exatamente de qual cena estou falando quando a ver.

Dirigido de forma contida e sem ousadias pelo novato Joshua Michael Stern, Jobs é um filme competente e que – mesmo não sendo 100% acurácio – é capaz de trazer o espectador para dentro de sua narrativa. Mas algo impactante como Steve Jobs merecia, no mínimo, uma obra no mesmo nível de A Rede Social.

E aí, que tal chamar Aaron Sorkin para O Legado Jobs?

Obs: Antes dos créditos finais há uma bela montagem de fotos que compara o elenco com seus respectivos personagens na vida real.

| Para Roma, com Amor | Woody Allen ataca de pizzaiolo

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2012, Romance with tags , , , , , , , , , , , , on 29 de junho de 2012 by Lucas Nascimento


Jesse Eisenberg e Ellen Page no melhor segmento do filme

Após uma grande quantidade de filmes abientados em Nova York, Woody Allen continua instalado na Europa. Depois do magnífico Meia-Noite em Paris no ano passado (que, confesso, foi o catalisador do meu interesse no cineasta), Allen ataca a capital italiana em Para Roma, com Amor, uma divertida coleção de histórias bem-humoradas.

Apesar de nunca se cruzarem, o desenrolar acontece de forma intrincada, característica narrativa que mostra-se tanto um pró como um contra do longa. Com apenas 102 minutos de projeção, a verdade é que com tantas reviravoltas e situações, o tempo parece passar mais devagar, ainda que a montagem do filme equilibre os momentos eficientemente e crie um bom ritmo.

A melhor das quatro tramas (ou pelo menos a que mais me chamou atenção) é a que traz o bem-sucedido arquiteto John (Alec Baldwin). Em uma inteligente parábola com o fato de Roma apresentar ruínas, o personagem resolve explorar suas próprias “ruínas” ao revisitar um antigo relacionamento, onde ganha as feições de Jesse Eisenberg e dialoga constantemente com sua versão jovem. Apaixonado pela melhor amiga de sua namorada (a ótima Ellen Page, que exala narcisismo a cada segundo), Eisenberg e Baldwin geram um estudo estimulante e roubam o filme.

Há também o retorno de Woody Allen à atuação, no mais engraçado segmento da trama. Aqui, um casal viaja a Roma para conhecer o noivo de sua filha e o personagem de Allen se surpreende ao descobrir que seu sogro é um impecável cantor de ópera, mas com um detalhe: apenas no chuveiro. Além de proporcionar muitas risadas (vide a solução absurda encontrada no clímax), traz o diretor/roteirista praticamente conversando com a plateia, afirmando que “a aposentadoria é o mesmo que a morte” e como estava “à frente de seu tempo” em diálogos bem construídos e irônicos (acontece que o sujeito que promete trazê-lo de volta ao trabalho é funcionário de uma funerária).

As outras duas não se mostram tão estimulantes como as descritas acima, mas trazem conceitos interessantes. Nesse quesito, a protagonizada por Roberto Benigni é a que se encaixa melhor, ao retratar um homem comum que transforma-se em uma celebridade do dia-pra-noite, sem um motivo aparente (“Você é famoso por ser famoso). Um ótimo cenário para que o roteiro de Allen critique e satirize as ações (e pessoas) estúpidas que vão ganhando fama diariamente. Por último e menos importante, a estonteante Penelope Cruz é o que faz valer o segmento que traz um casal certinho enfrentando testes de fidelidade e impulsos.

Para Roma, com Amor é bem melhor do que eu esperava e oferece uma das atrações mais divertidas do ano. O trocadilho é horrível, mas não resistirei: é uma pizza de variados sabores (comédia, romance, crítica social, o sentimento da nostalgia), que, ao fim, nos faz querer repetir o prato.

Esta semana nos cinemas… (20/08)

Posted in Esta Semana nos cinemas with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 19 de agosto de 2010 by Lucas Nascimento

Confira abaixo as principais estreias nos cinemas do Brasil:

Cabeça a Prêmio


Acima a capa do livro, não encontrei pôster algum do filme

Filme nacional, primeiro de Marco Ricca. Na trama, três histórias se entrecruzam numa paisagem desoladora de fronteira – fim de linha entre o Brasil, o Paraguai e a Bolívia, terra de personagens desgarrados, esquecidos, sem ilusões.  Censura: 14 anos

Coco Chanel & Igor Stravinsky

Mais um filme para a “saga” cinematográfica de Coco Chanel. Na trama, é mostrada a relação entre a estilista e o maestro Igor Stravinsky. Censura: 16 anos

A Epidemia

Remake de O Exército do Extermínio, filme de George A. Homero de 1973. Na trama, os habitantes de uma pequena cidade são aterrorizados por uma epidemia misteriosa que contamina suas vítimas com agressividade e desejo assassino. Censura: 16 anos

O Último Mestre do Ar

O primeiro trabalho adaptado de M. Night Shyamalan, baseado no desenho animado da Nickelodeon. Na trama, o Avatar Aang é o único capaz de manipular os quatro elementos da natureza, e deverá usar seus poderes para impedir uma guerra. Censura: 10 anos

Bem, essas são suas opções; escolha bem o seu filme e tenha uma ótima sessão.