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| Velozes & Furiosos 7 | Crítica

Posted in Ação, Aventura, Cinema, Críticas de 2015 with tags , , , , , , , , , , , on 4 de abril de 2015 by Lucas Nascimento

3.0

Furious7
One last ride: A despedida de Paul Walker

A reinvenção da franquia Velozes e Furiosos é uma das surpresas mas inesperadas do cinema hollywoodiano. São filmes longíssimos de serem perfeitos, mas que parecem ter finalmente entendido o propósito de sua existência: o over the top, os excessos durante as cenas de ação que enloqueceriam Isaac Newton e o humor canastrão que impede que qualquer coisa se leve a sério. Em sua sétima investida, a franquia parece mais surtada do que nunca, ainda que isso afaste alguns espectadores. Eu, por exemplo.

A trama começa logo depois do filme anterior, com Deckard Shaw (Jason Statham) surgindo para vingar o ataque a seu moribundo irmão, Owen (Luke Evans), tendo a equipe de Dom Toretto (Vin Diesel) como alvo principal. Paralelo a essa ameaça, Dom é contratado por uma misteriosa corporação, representada pelo Sr. Ninguém (Kurt Russell) para recuperar um poderoso artefato digital capaz de rastrear cidadãos em qualquer posição global.

São duas linhas narrativas que não parecem ter muito em comum, e o roteiro de Chris Morgan não faz a menor questão de construir uma relação lógica entre estas (o vilão de Statham brota magicamente quando a história necessita, mesmo que o salto geográfico seja de Los Angeles para Abu Dabhi). Mas tudo bem, não cobro lógica ao ver um filme de Velozes & Furiosos, já que qualquer linha de diálogo ou dispositivo narrativo é uma mera desculpa para termos carros tunados sendo lançados de aviões ou o Dwayne Johnson arrebentando um gesso com seus braços enormes.

O malaio James Wan (de Invocação do Mal) assume a função de Justin Lin e mostra-se eficaz no comando de diversas cenas de ação, ainda que eu o prefira no terror. Traz movimentos inventivos de câmera, especialmente nos combates de corpo a corpo (a luta entre Michelle Rodriguez e a lutadora de MMA Ronda Rousey é memorável) e em experimentos de estilo – como o excelente plano sequência que introduz o personagem de Statham -, porém os excessos podem tornar-se maçantes: não existe nenhum risco de perigo real, Vin Diesel não derruba uma gota de sangue mesmo durante capotamentos, batidas fatais ou porradas com chaves inglesas. O clímax é uma mistura louca de Exterminador do Futuro, Vingadores e Senhor dos Anéis, colocando até mesmo um drone na jogada. Muita diversão (as frases de efeito são impagáveis, e Dwayne Johnson é O Cara), mas pessoalmente encontrei-me entediado em certo ponto. Entretém, mas a artificialidade pesa.

E mesmo que o filme falhe vergonhosamente quando tenta oferecer um lado emocional à relação de Dom e Letty, é justamente esse lado que fornece aquela que é inegavelmente sua grande qualidade: a homenagem a Paul Walker. Como bem sabem, o ator faleceu tragicamente num acidente de carro no final de 2013, o que levou o estúdio a utilizar efeitos visuais e dublês corporais para finalizar as cenas com seu Brian O’Conner. É um efeito imperfeito que causa estranheza em alguns momentos, mas que podemos ignorar durante a linda cena em que o filme quebra sua 4ª Parede para homenagear o ator em uma sequência quase surreal, que certamente vai arrancar algumas lágrimas dos fãs mais fervorosos.

Velozes & Furiosos 7 é exagerado e completamente insano, podendo perder ou ganhar o espectador com tal recurso. Não é o melhor, nem o mais divertido filme da franquia, mas ganha créditos pela belíssima homenagem que presta à Paul Walker.

Obs: Se possível, evite o péssimo 3D convertido.

Leia esta crítica em inglês.

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| A Invenção de Hugo Cabret | A deliciosa aventura 3D de Martin Scorsese

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2012, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , , on 19 de fevereiro de 2012 by Lucas Nascimento

4.0


Asa Butterfield encarna o jovem Hugo Cabret

Martin Scorsese é um dos maiores diretores da História do Cinema, e um não pode ser chamado de cinéfilo sem ter visto alguma de suas obras-primas. Famoso por longas de gangsters e violência, ele explora território completamente novo em A Invenção de Hugo Cabret (pronuncia-se “Cabrê”), uma doce e inocente aventura infantil em 3D, onde o cineasta aprimora técnicas narrativas e ainda encontra espaço para homenagear a Sétima de Arte.

A trama é ambientada em uma Paris dos anos 30 cujo visual beira o fantástico (em um excelente trabalho do design de produção e efeitos visuais), onde encontramos o órfão Hugo Cabret (Asa Butterfield) morando entre as paredes do relógio de uma estação de trem. O jovem sobrevive por meio de furtos e escapadas, enquanto tenta consertar um enigmático autômato deixado por seu pai (Jude Law), e inicia uma amizade com Isabelle (Chloe Grace Moretz), que possui a chave para a resolução do mistério.

Assim como O Artista e Meia-Noite em Paris (ambos indicados para Melhor Filme no Oscar deste ano), Hugo é um ode ao passado, uma homenagem nostálgica sobre tempos mais simples e inesquecíveis. Escrito a partir do livro de Brian Selznick, o roteiro de John Logan é um texto maravilhoso que traz mensagens verdadeiramente inspiradoras em suas entrelinhas (especialmente na comparação feita por Hugo entre o mundo e uma máquina, e o conceito das peças extras) ao mesmo tempo em que traça histórias interessantes dentro desse mundo semi-fantasioso. Os diálogos fluem bem e sua trama é acessível para qualquer público, com um requisito claro: a paixão pelo cinema.

E Scorsese é um apaixonado por cinema. Ele usa o texto de Logan como guia e faz de Hugo algo propriamente pessoal, usando de velhas assinaturas (como a névoa, onipresente nos filmes do diretor, que ganha uma bela profundidade com o 3D) a passo que adota recursos mais modernos, como o ótimo travelling digital nos segundos iniciais – que oferecem uma imersão no cenário e na história como eu não via há muito tempo; eu realmente me senti dentro da estação de trem. A tal homenagem à Sétima Arte que você tanto tem ouvido falar é proporcionada, em sua maior parte, pela presença do icônico Georges Méliès (Ben Kingsley, ótimo); precursor no cinema de efeitos especiais, cuja vida e obra são relembradas aqui em uma sequência particularmente empolgante, (Viagem a Lua, longa mais famoso de sua filmografia tem um papel maior) que ainda conta com imagens dos filmes do próprio e de diversos outros (até de O Trem chegando na Estação, primeiro da História). É Scorsese e sua campanha para a preservação de películas em uma propaganda nada apelativa, muito pelo contrário, e sim convincente.

Todo o elenco também abraça o universo de Hugo Cabret. Asa Butterfield impressiona com seu carisma e dramaticidade ao viver o personagem-título, hipnotizando com seus olhos azuis da mesma forma que a sempre talentosa Chloe Grace Moretz esbanja um portentoso sotaque britânico, que cai bem com a empolgação inocente de sua personagem. Repleto de salientes coadjuvantes, Sacha Baron Cohen (o eterno Borat) talvez seja o melhor deles como o divertido inspetor da estação, cuja agressividade na perseguição a jovens órfãos é contrastada de forma dócil por sua timidez ao conversar com a florista Lisette (Emily Mortimer, de Ilha do Medo). Prestem atenção também à ligeira ponta de Martin Scorsese

A Invenção de Hugo Cabret é mais do que apenas o primeiro 3D de Martin Scorsese. É uma história sobre encontrarmos nossa função no mundo e como os sonhos podem ser capturados pela incomparável magia do cinema. É uma carta de amor para o cinéfilo dentro de todos nós.

Obs: A crítica já deve ter deixado bem claro mas, se possível, assista em 3D!

Chloe Moretz e Keanu Reeves recriam TAXI DRIVER

Posted in Notícias with tags , , , , , , , , on 12 de outubro de 2011 by Lucas Nascimento


Chloe Moretz no papel que fora de Jodie Foster

O mais recente longa de Martin Scorsese, A Invenção de Hugo Cabret, foi exibido em uma sessão teste no Festival de Cinema de Nova York. O resultado foi bastante positivo e para celebrar a ocasião, a Bazaar organizou um portfolio com diversas cenas dos filmes do diretor recriadas por outros atores.

Muito bacana, mas o que me chamou mais a atenção, é o trabalho de Keanu Reeves e Chloe Moretz na homenagem à obra-prima suprema de Scorsese, Taxi Driver. Confira abaixo:


Chloe Moretz e Keanu Reeves

Para ver todas as fotos da Bazaar, clique aqui.

A Invenção de Hugo Cabret estreia no Brasil em 20 de Janeiro.

Globo de Ouro 2011 – Transmissão ao Vivo

Posted in Prêmios, Transmissão ao Vivo with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 16 de janeiro de 2011 by Lucas Nascimento

Vamos nessa, acompanhe aqui a transmissão ao vivo do Globo de Ouro 2011:

23:01h – Cheguei em cima da hora. Ricky Gervais apresentando a festa de novo e cheio das piadas; o cara é demais.

23:03h – Mais uma vez: Ricky Gervais é demais; sacaneando Charlie Sheen e Sex and the City.

23:05h – E vem aí a linda Scarlett Johanssom para apresentar Melhor Ator Coadjuvante. Christian Bale deve levar essa fácil.

23:06h – Aí está: Christian Bale ganha Melhor Ator Coadjuvante, por O Vencedor.

23:08h –  Que barba não, sr. Wayne?

23:10h – Não vejo muitas séries de TV, mas vem aí Melhor Série de TV Dramática.

23:12h – E ganha Kate Sagal, por Sons of Anarchy. Desconheço a série, mas lembro da atriz pelo ótimo Married with Children.

23:13h –  Intervalo comercial, bom pra respirar. Blogar, twittar e assistir ao evento ao mesmo tempo não é fácil…

23:16h –  E voltamos, com Juliane Moore e Kevin Spacey, apresentando Melhor Minissérie ou Telefilme.

23:18h – Ganha Carlos, que tem quase 6 horas de duração e foi exibido no Festival do Rio ano passado.

23:19h – Estou pensando em ver esse Carlos, a repercussão crítica foi muito boa…

23:21h – E vem aí “o pai do Ashton Kutcher”, Bruce Willis para apresentar seu filme, RED – Aposentados e Perigosos.

23:22h – Não assisti RED, mas acho que Kick-Ass ou Scott Pilgrim deveria levar ter levado a indicação.

23:23h –  Agora, Melhor Ator Coadjuvante em Telefilme ou Minissérie.

23:24h – Chris Collfer, por Glee.

23:26h –  Intervalo comercial.

23:30h – Voltou o Globo de Ouro.

23:31h –  Digo mais uma vez: Alice não merecia essa indicação.

23:33h – Vem aí Milla Jovovich e Kevin Bacon para apresentar Melhor Ator em Série Dramática. Assisti só o piloto do Boardwalk Empire, mas acho que Steve Buscemi merece.

23:35h – Boa! Steve Buscemi leva Melhor Ator em Série Dramática, por Boardwalk Empire.

23:37h – Agora, o de Melhor Série Dramática.

23:38h –  E ganhou Boardwalk Empire. Acho que é merecido, mas queria que o The Walking Dead ganhasse.

23:40h –  E mais intervalos comerciais, perfeito pra descansar.

23:43h –  Voltamos, com Andrew Garfield apresentando A Rede Social, grande favorito da noite.

23:45h – Alec Baldwin e Jennifer Lopez (lindíssima) apresentando Canção Original. Sinceramente, não ouvi nenhuma dos indicados.

23:47h –  E leva “You Haven’t seen the last of me”, da Cher do filme Burlesque.

23:48h –  Agora, Trilha Sonora! Torço furiosamente por A Origem que é sensacional.

23:50h –  E Trent Reznor e Atticus Ross ganham por A Rede Social. A trilha é ótima, mas Hans Zimmer é superior.

23:51h – Mais intervalos comerciais.

23:53h – A Origem infelizmente não vai levar nada… Injusto.

23:55h –  E a transmissão continua!

23:56h – Hailee Steinfeld e o babaca Justin Bieber apresentam Melhor Filme de Animação. Obviamente, Toy Story 3 vai levar.

23:57h – Toy Story 3 ganha merecidamente. Ótima animação, Pixar é imbatível.

23:59h – Robert Downey Jr. arrasando no palco.

00:02h –  Agora Melhor Atriz em Filme de Comédia ou Musical. É da Annette Bening, certeza.

00:03h –  Annette Bening ganha, por Minhas Mães e Meu Pai.

 00:o5h – Preciso ver esse filme né…

00:06h – Brake!

00:09h – Voltamos!

00:10h – Ironicamente, Sylvester Stallone apresenta O Vencedor.

00:11h – Agora, Melhor  Ator em Telefilme ou Minissérie. Al Pacino, claro né?

00:12h – Al Pacino, por You Don’t Know Jack.

00:15h – Agora, Melhor Atriz em Telefilme ou Minissérie.

00:16h – Claire Danes, por Temple Gardin.

00:18h – Mais intervalos.

00:23h – De volta!

00:24h –  Zac Efron apresenta Minhas Mães e Meu Pai.

00:26h –  Steve Carrell e Tina Fey vão apresentar Melhor Roteiro. A Rede Social vai levar, com certeza. O texto do Aaron Sorkin é impecável.

00:27h – A Rede Social ganha Melhor Roteiro.

00:28h – A Rede Social de fato merece esse prêmio.

00:30h – Capitão America e Thor apresentam Melhor Atriz em Série, Minissérie e Telefilme. Jane Lynch ganhou, por Glee.

oo:31h – Mais intervalos comerciais.

00:35h – E voltamos mais uma vez! Agora teremos mais categorias de cinema, que é o foco do blog, afinal…

00:36h –  Robert Pattinson e Olivia Wilde apresentam Melhor Filme Estrangeiro.

00:37h – In a Better World ganha Melhor Filme Estrangeiro. Não conheço, realmente preciso ver mais filmes europeus…

00:39h – Helen Mirren apresenta O Discurso do Rei. Irônico (mais uma vez), já que ela interpretou a Rainha Elizabeth em A Rainha. Ganhou o Oscar, aliás.

00:40h – Agora, Melhor Atriz em Série de Comédia. Será que a Tina Fey ganha de novo?

00:42h – Laura Liney, por The Big C. A série parece boa, estou pensando em assistir… Ah, intervalos!

00:46h – De volta. Com Jane Fonda apresentando Burlesque. Passo longe desse aí…

00:47h – Agora, Melhor Ator em Série de Tv de Comédia. Alec Baldwin vai ganhar de novo? Ou o cara do Glee?

00:49h – Opa, Jim Parsons ganha MERECIDAMENTE pelo seu sensacional trabalho em The Big Bang Theory.

00:50h – Agora, Melhor Atriz Coadjuvante em Cinema. Melissa Leo, acho…

00:51h –  Melissa Leo, por O Vencedor.

00:53h – Brake mais uma vez!

00:58h – Voltamos. Com Matt Damon entregando Prêmio Especial para Robert DeNiro.

01:00h – Robert DeNiro se destaca em O Poderoso Chefão 2 e Taxi Driver. Grandes filmes…

01:04h – Essa homenagem ao DeNiro foi espetacular. O cara é foda.

01:08h – Mais um intervalo comercial.

01:13h – Estamos de volta… A linda Megan Fox vai apresentar O Turista.

01:14h – Annette Bening apresentando Melhor Diretor. Fincher ganha, mas Nolan merecia DEMAIS!

01:15h –  David Fincher ganha Melhor Diretor, por A Rede Social.

01:16h – Um diretor excepcional que nem o Christopher Nolan ainda vai ganhar o seu… Muito em breve.

01:18h –  Agora, Melhor Série de Comédia. Glee, certo?

01:19h –  Isso aí, Glee ganha Melhor Série de Comédia.

01:20h – Brake time!

01:23h – Voltamos, com Alicia Keys apresentando Cisne Negro.

01:25h – Halle Berry apresentando Melhor Ator em Comédia ou Musical. Johnny Depp ou Jonnhy Depp?

01:26h –  Ufa, nenhum dos dois: Paul Giamatti, por Barney’s Version.

01:28h – Mais um intervalo. Isso mesmo, MAIS um.

01:32h – Voltamos com Joseph Gordon Levitt apresentando o melhor filme de 2010: A Origem.

01:33h – O boa-praça Jeff Bridges apresenta Melhor Atriz em Filme de Drama. Vai Portman!

01:34h –  YES! Natalie Portman ganha Melhor Atriz em Drama, por Cisne Negro.

01:38h – Com muito sarcasmo, Ricky Gervais recebe Tom Hanks e Tim Allen, que apresentarão Melhor Filme de Comédia ou Musical.

01:40h – E O vencedor é… Minhas Mães e Meu Pai.

01:42h – Faltando apenas 2 categorias, intervalos comerciais.

01:46h – Voltamos, Sandra Bullock vai apresentar Melhor Ator em Filme de Drama. Colin Firth, óbvio.

01:47h – Aí está: Colin Firth ganha, por O Discurso do Rei.

01:50h –  Só falta UMA categoria e colocam intervalo comercial? Tudo bem que está bem na cara, mas…

01:54h – Voltamos, com Michael Douglas (que venceu o câncer) apresenta Melhor Filme de Drama. A Rede Social né…

01:56h – Melhor Filme de Drama, A Rede Social.

01:58h – Bem, chegamos ao fim. A Rede Social levou quase tudo e promete ser o grande filme do Oscar 2011, apesar de A Origem ser superior, mais ousado e original. David Fincher merece o prêmio pelo ótimo filme que dirigiu, mas também pela sua carreira impecável (exclua Alien 3) e tenho certeza de que Christopher Nolan ainda vai ganhar seus merecidos prêmios – já deu pra perceber que sou fã do sujeito…

02:00h – Ainda não vi O Discurso do Rei, Cisne Negro e o Vencedor, mas aposto na qualidade de suas performances. Resta aguardar pelos próximos prêmios.

Agradeço a todos que acompanharam a transmissão aqui no blog e, aguardem, porque no Oscar vou fazer a mesma coisa. Até mais e boa-noite…

Remakes: Reconstruindo ou destruindo o cinema?

Posted in Artigos with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 13 de setembro de 2010 by Lucas Nascimento

Em pleno Festival de Toronto, estão sendo exibidos filmes que eu antecipo muito. Um deles, é o remake de Deixa Ela Entrar, Let Me In, dirigido por Matt Reeves. Surpreendentemente, as primeiras críticas sobre o longa são muito boas (alguns chegam a preferir o remake ao original), o que é raro para um remake, principalmente de um filme tão prestigiado.

Remakes aliás, são muito mais comuns agora do que antigamente. Sua existência é mesmo justificada pela oportunidade de apresentar uma nova “visão” sobre o filme? Ou seria a falta de ideias originais? Vale a pena dar uma olhada na qualidade e nos tipos de refilmagens que já tivemos.

A Nova Visão

Alguns remakes até que conseguem entregar o que realmente prometem: uma nova visão sobre o filme original. Muitos não sem bem-sucedidos, mas é possível encontrar produções recentes nessa categoria. Geralmente, não é um “remake oficial”, apenas a premissa é aproveitada, mas ela pode caminhar de modos diferentes e se passar em épocas diferentes. O melhor exemplo? Paranóia, claramente baseado em Janela Indiscreta.

Atualizando o suspense da década de 50 para os dias de hoje e o fotógrafo de perna quebrada para um adolescente cumprindo prisão domiciliar, o longa é bem produzido, cativante e, mais importante, não tenta se igualar ao magnífico filme de Alfred Hitchcock, criando sua própria estrutura e voltando-se especificamente ao público mais jovem; isso é ótimo, o remake pode servir como passagem para o original, uma maneira de descobri-lo.

Nem tudo dá certo, claro. O que me vêm a cabeça agora, é O Dia em que a Terra parou, que ousou refilmar o clássico da década de 50, trocando a discussão sobre a Guerra Fria e o perigo iminente de destruição nuclear por uma trama ecológica (que poderia ter funcionado) com argumentação muito fraca. Únicos pontos positivos residem na boa atuação de Keanu Reeves e no novo visual do GORT.

A Cópia

Quando um filme praticamente refaz quadro-a-quadro o original, não há muito o que discutir: Só existe porque provavelmente a obra é estrangeira e o diretor do remake só quer cortar algumas legendas… O melhor exemplo de um remake cópia que refaz o original exatamente como era, mas não o entende, é o medíocre Quarentena.

A trama segue exatamente o mesmo caminho, o cenário é idêntico ao do original, mas toda a simplicidade que resultava em um filme assustador é banalizada com maquiagens forçadas, cachorros infectados (o quê? Resident Evil?) e uma péssima protagonista. Se for pra fazer remake assim, não faça.

Por outro lado, alguns conseguem manter aqualidade do material original, refazendo-o quadro a quadro pelo mesmo diretor dos dois filmes, como por exemplo, o psicodélico Violência Gratuita de Michael Haneke, que simplesmente trocou o elenco alemão por um americano.

Ambos possuem o mesmo tom, os mesmos enquadramentos de cena e, basicamente, o mesmo roteiro. E devo admitir, se em Quarentena Jennifer Carpenter errou feio ao tentar se igualar à Manuela Velasco de [REC], Michael Pitt não só captou a persona de Frank Giering, mas entrega um trabalho tremendamente inspirado e até melhor, que por algum motivo insano como seu personagem, não recebeu nenhum prêmio.

A Homenagem

Basicamente, é aquele tipo de remake que faz ligeiras mudanças na história, ampliando-a e ganhando o toque pessoal do diretor. É o tipo mais comum de se encontrar e também o mais bem sucedido. Vale destacar dois filmes que, na minha opinião, ficaram melhores que o original.

A Fantástica Fábrica de Chocolate, por exemplo, teve seu remake dirigido por Tim Burton, que aperfeiçonou o original em todo aspecto possível. Têm mais estilo, é mais divertido, mais engraçado e o roteiro acrescenta informações interessantes, como um final mais elaborado e origens de alguns personagens. Claro, a canção dos oompa-loompas não se iguala a do original…

Podem me atacar e criticar a vontade, mas acho o blockbuster de Peter Jackson muito superior ao bem produzido longa de 1933. Além do óbvio avanço tecnológico, o remake é mais bonito, empolgante e tem muito mais coração do que o original.

O diretor recriou cenas clássicas, controlou um  elenco é espetacular (Naomi Watts, perfeita. Jack Black, excelente) e fez uma bela homenagem ao original, que já tinha ganho uma nova versão com Kurt Russel, mas é melhor parar por aqui…

O Reboot

Não confundam, remakes e reboots são coisas diferentes. Semelhantes, mas distintas. Um reboot significa recomeçar uma franquia de maneira diferente, como está sendo feito com Homem-Aranha e Quarteto Fantástico e como foi feito brilhantemente na nova franquia de Batman.

Não sei decidir se os novos filmes de Sexta-Feira 13 e A Hora do Pesadelo entram nessa categoria ou na anterior, já que recomeçam a franquia, recriam algumas cenas, mas não seguem exatamente a mesma estrutura… Se alguém puder, comente e dê sua opinião.

Let Me In

Voltando ao caso de Let Me In, já comentei minhas expectativas na Primeira Olhada do filme, mas acredito que, além de conter uma nova visão, irá prestar uma bela homenagem ao sueco Deixa ela Entrar. O filme estreia em 8 de Outubro nos EUA e está sendo exibido atualmente no Festival de Toronto.

O filme ainda não tem previsão de estreia no Brasil.

Trailers Memoráveis #22: Corpo Fechado

Posted in Sessão Trailers Memoráveis with tags , , , , , , , on 16 de julho de 2010 by Lucas Nascimento

Reassistindo a Corpo Fechado, possivelmente o melhor trabalho de M. Night Shyamalan (ok, empatado com O Sexto Sentido), pude recordar sobre como é bom o filme e como presta uma gigantestca homenagem aos quadrinhos de super-herói. O trailer teaser é inquietante e perturbador, fechando de maneira muito fria com a revelação de um super-herói no mundo real. Confira: