Arquivo para invocação do mal

| Annabelle | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Terror with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 10 de outubro de 2014 by Lucas Nascimento

3.0

Annabelle
A infame boneca Annabelle

Dirigido com uma inteligência e estilo inexistente nas produções recentes do gênero, Invocação do Mal foi uma maravilhosa (e tenebrosa) surpresa no ano passado, sobressaindo-se por sua capacidade de dar medo, e não apenas se limitar aos sustos baratos. Quando Annabelle, derivado de um dos elementos do longa de James Wan foi anunciado, fiquei com medo de não ter medo do resultado. E no fim, mesmo que traga seus méritos, é mais do mesmo.

A trama é ambientada 1 ano antes dos acontecimentos principais de Invocação do Mal, apresentando-nos ao casal Mia (Annabelle Wallis, sério) e John (Ward Horton), que aguardam ansiosamente pela chegada de seu primeiro filho. Para comemorar a ocasião, John presenteia Mia com uma rara boneca de porcelana de coleção. Certa noite, o casal é atacado por dois membros de um culto satânico, transformando a tal boneca em um hospedeiro de algo maligno.

Sai James Wan (ocupado com a direção do sétimo Velozes e Furiosos), entra seu diretor de fotografia preferido: John R. Leonetti. Nessa função, Leonetti é mais do que eficiente, tendo sido responsável pela fotografia de Sobrenatural e do próprio Invocação do Mal, mas como diretor, ele é o cara que fez Efeito Borboleta 2. O currículo não inspira confiança, mas fico feliz em ver que Leonetti aprendeu bem com Wan como movimentar a câmera a serviço do suspense: temos planos sequências e tomadas longas inspiradas que passeiam por dentro de cômodos (ora revelando elementos assustadores sutilmente), além de enquadramentos malucos que fornecem um dinamismo quase expressionista ao filme.

Os sustos funcionam, mas isso porque a equipe de efeitos sonoros abraça todos os clichês que o gênero vem trazendo (ver o recente A Marca do Medo), e o máximo que é alcançado aqui é um certo desconforto – enquanto Invocação era uma pesadíssima atmosfera de pavor. Aqui, Leonetti se diverte ao tomar diversas referências do clássico O Bebê de Rosemary, seja na própria temática da maternidade ou em aparições de figuras demoníacas perturbadoras. A imagem da própria boneca Annabelle também é aproveitada, especialmente em uma cena-chave que certamente ficará na cabeça de todo mundo após o término da sessão.

O que realmente estraga Annabelle são dois elementos cruciais: o roteiro e seu elenco. O primeiro é assinado por Gary Dauberman, e ao dar uma breve averiguada em sua página do IMDb, encontrei pérolas como Aranhas Assassinas e um filme que traz como ameaça um grupo de chimpanzés canibais. Brilhantismo não será encontrado aqui, mas Dauberman traz soluções tão absurdas, diálogos completamente anacrônicos (estamos nos anos 70, poxa) e é previsível do início ao fim. Só merece méritos por trazer referências à notória organização de Charles Manson, o que já traz certa verossimilhança à trama.

Se Patrick Wilson e Vera Farmiga já eram interessantes meramente pela química em cena em Invocação do Mal, o casal aqui jamais convence.O único motivo para que a estreante Annabelle Wallis tenha sido escalada seria a ironia dos produtores com seu primeiro nome, já que a atriz não se mostra nem boa de grito, e muito menos como uma mãe protetora. O marido de Ward Horton é inexpressivo e caricato, mas aponto o dedo para Alfre Woodard, em uma performance completamente desligada e incapaz até mesmo de chegar no nível “estereótipo”, na pele de uma vendedora que revela-se mais importante do que o esperado. É.

Pessoalmente, esperava bem menos de Annabelle. É clichê e sem graça durante boa parte de sua projeção, mas acerta na condução do suspense e certamente irá arrancar diversos sustos da audiência. Poderia ser mais, claro.

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Confira o novo trailer de ANNABELLE

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , on 21 de agosto de 2014 by Lucas Nascimento

ANNABELLE

Depois do breve teaser, o spin off de Invocação do Mal, Annabelle, ganha agora seu primeiro trailer completo. Ainda não detalha completamente a história (o que é bom), mas revela mais alguns momentos de terror e sustos (não tão bom, quero guardar as surpresas). Enfim, confira:

Annabelle estreia em 9 de Outubro no Brasil.

Confira o primeiro trailer de ANNABELLE

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , on 17 de julho de 2014 by Lucas Nascimento

Conjuring-Inline

Um dos melhores filmes de terror dos últimos anos, Invocação do Mal foi um sucesso de público e crítica. Claro que isso coloca o filme de James Wan na necessidade gerar continuações, e um dos projetos relacionados é Annabelle, um derivado que se concentra na sinistra boneca que aparece brevemente no filme. Wan não voltou para dirigir, mas permanece como produtor, cedendo o cargo principal para o diretor de fotografia John R. Leonetti.

Confira o primeiro trailer:

Annabelle estreia em 3 de Outubro nos EUA. No Brasil, na semana seguinte, no dia 9.

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| O Espelho | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Suspense, Terror with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 6 de julho de 2014 by Lucas Nascimento

3.5

Oculus
Espelho, espelho meu: Karen Gillan encara o passado

Inteligente não é a denominação que normalmente se espera de um filme de terror, já que seu propósito é justamente fugir do racional e perturbar a plateia com sustos um atrás do outro, mas realmente não vejo como classificar O Espelho de outra forma. Vai certamente decepcionar quem esperava um terror mais tradicional ou óbvio, mas os interessados em uma história mais complexa vão se prender.

A trama acompanha os irmãos Kaylie e Tim (Karen Gillan e Brenton Thwaites, competentes) que lidam com a tragédia da morte de seus pais, sendo o pai responsável pelo assassinato da esposa e o irmão mais novo pelo de seu pai, em uma medida desesperada para impedi-lo de matar sua irmã. Anos depois, Tim é libertado de um reformatório juvenil e sua irmã tenta convencê-lo a ajudá-la a destruir um misterioso espelho, onde ela acredita viver uma entidade sobrenatural que teria influenciado seu pai a cometer as atrocidades.

O gênero do terror é – ao lado da comédia – o mais difícil de se acertar. No ano passado, o sucesso surpreendente de Invocação do Mal, uma obra eficiente e bem sucedida ao explorar com maestria os elementos do terror, deu gás a o cada vez mais esgotado gênero. O Espelho não é um filme impactante quanto o de James Wan, mas surpreende justamente por colocar os sustos em segundo plano, dando força ao bom roteiro de Jeff Howard e do diretor Mike Flanagan (que já havia comandado um curta-metragem sobre o mesmo assunto) e servindo mais como um suspense psicológico; ainda que os elementos sobrenaturais cumpram seu papel de arrancar calafrios.

O aspecto mais forte aqui certamente é o brilhante trabalho de montagem de Flanagan, que oferece um jogo narrativo inteligente e que raramente encontraríamos em um longa do gênero. Tendo como plano de fundo duas histórias em espaços temporais distintos, a montagem brinca com as mais diversas elipses e transições, chegando até mesmo ao ponto de compartilharem o mesmo espaço: a versão adulta e jovem de Kaylie e Tim “interagem” diversas vezes, quase transformando o passado no verdadeiro antagonista – um fantasma, por assim dizer. E como o espelho é um objeto central, não deixa de fascinar como as duas tramas vão cada vez mais se assemelhando, quase como um reflexo uma da outra. A fotografia digital de Michael Fimognari contribui nesse quesito ao tornar o ambiente mais ameaçador nas cenas do passado, mas sem jamais alterar paleta de cores para algo muito irreal.

Contando também com um desfecho em aberto que provavelmente irritará grande parcela do público, O Espelho talvez seja um dos filmes de terror mais inteligentes dos últimos tempos, ainda que leve na categoria de realmente assustar. É mais uma obra que incomoda pela atmosfera pesada, que explora as expectativas e surpreende ao revelar-se algo mais complexo do que o prometido.

Bom ver que o mais gasto dos gêneros ainda é capaz de surpreender.

2013: Os Melhores dos Melhores

Posted in Melhores do Ano with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 23 de dezembro de 2013 by Lucas Nascimento

melhore

Chegou aquela hora do ano novamente… Junte-se a mim enquanto escolho os melhores filmes de 2013, mas atenção aos critérios abaixo:

  • A lista contém apenas filmes lançados no Brasil COMERCIALMENTE (logo, filmes de 2011 que chegaram este ano nos cinemas ou home video marcam presença aqui) e alguns lançamentos estrangeiros ficaram de fora (como Trapaça, Inside Llewyn Davis, 12 Anos de Escravidão, entre muitos outros).
  • Se  não concordar com minha opinião (e isso certamente vai acontecer), fique à vontade para comentar e apresentar sua própria seleção, mas seja educado, porque comentários grosseiros serão reprovados.

TOP 10

10. O Mestre

4.0

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“Pontuado nos momentos certos pela abstrata trilha sonora de Jonny Greenwood, O Mestre é uma obra poderosa que consegue expandir sua premissa a níveis universais, sobre o Homem questionando o papel de um líder ou de uma organização; e como estes podem alterar seus instintos mais básicos.”

9. Azul é a Cor Mais Quente

4.0

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Azul é a Cor Mais Quente é uma bela experiência que conta com incríveis performances, responsáveis por fazer deste um dos mais sinceros e humanos trabalhos sobre o tema. Um filme que deve ser lembrado não por sua polêmica, mas simplesmente por sua abordagem sincera ao que realmente importa: o amor.”

8. Blue Jasmine

4.0

jas

“Ainda que seja um trabalho imperfeito (por melhor que esteja, Louis CK soa simplesmente como um intruso na trama), Blue Jasmine me revelou uma faceta que eu até então desconhecia de Woody Allen. Sua habilidade para analisar a destruição de um indivíduo, assim como as fúteis tentativas de remediá-lo, é tão eficáz quanto a de divertir platéias e proporcionar risadas. Claro, mas isso é apenas alguém que ainda não assistiu a todos os seus filmes.”

7. Django Livre

4.0

dj

“Movendo-se com um bom ritmo até uma conclusão um tanto exagerada, Django Livre é mais um ótimo trabalho de Quentin Tarantino, e ainda que não alcance a perfeição de Bastardos Inglórios ou Pulp Fiction, comprova a facilidade do diretor em navegar com seu estilo através de diferentes gêneros. Vejamos o que ele vai aprontar a seguir…”

6. Os Suspeitos

4.5

pris

Os Suspeitos não vai mudar a história do gênero, tampouco se destacará como um marco nele, mas segue as regras com competência e extrai o melhor de sua proposta, sendo capaz de mandar o espectador para casa ainda brincando com as peças do quebra-cabeças. E convenhamos, não é esse o tipo de thriller de investigação que vale o nosso dinheiro?”

5. Segredos de Sangue

4.5

5

Segredos de Sangue é uma narrativa ousada e que se beneficia pela inteligência de sua equipe. Fica claro que é uma obra sobre amadurecimento, algo que certamente falta a seu roteirista; mas que é ao menos capaz de manter o espectador preso à poltrona.”

4. Antes da Meia-Noite

4.5

b4

Antes da Meia-Noite vem para contestar que mesmo as mais perfeitas relações amorosas se deparam com inevitáveis desgastes e divergências. Jesse e Celine já não têm mais aquela áurea de contos de fadas, e Richard Linklater os transporta para um mundo mais real e com o qual certamente muitos podem se identificar . E aí, será que em nove anos encontraremos essas figuras apaixonantes novamente?”

3. Capitão Phillips

4.5

phil

Capitão Phillips é intenso do início ao fim, você sabendo ou não o desfecho da história. Tecnicamente impecável e com atuações verossímeis a ponto de nos esquecermos de que isto são apenas imagens fictícias projetadas em tela, Paul Greengrass fez aqui um dos trabalhos mais memoráveis de 2013. Filmaço.”

2. Rush: No Limite da Emoção

4.5

2

“Temperado pela bela trilha sonora do sempre genial Hans Zimmer, Rush: No Limite da Emoção é uma excelente adição ao gênero esportivo. Envolvente como longa de ação e emocionante ao retratar os conflitos entre seus personagens, o filme agrada também por oferecer um significado interessante ao conceito de rivalidade – e a importância desta.”

1. Gravidade

5.0

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“Uma das melhores experiências cinematográficas de 2013, Gravidade é uma trama muito intimista e simples narrada com alguns dos recursos mais grandiloquentes que o cinema já viu. Tenso e emocionante a ponto de dar nó na garganta, Gravidade pode ser visto como o 2001: Uma Odisseia no Espaço da nossa geração. Algo muito especial foi criado aqui.”

DIRETOR DO ANO

Alfonso Cuarón | Gravidade

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Assim como James Cameron fez em Avatar, Alfonso Cuarón desenvolveu novas tecnologias e câmeras para contar sua história em Gravidade. Mas atrevo-me a dizer que o resultado alcançado pelo diretor mexicano tenha sido ainda mais fascinante do que aquele visto em 2009: Cuarón aposta em longuíssimos planos sequência onde a câmera passeia pelo ambiente e seus personagens e garante uma imersão completa – fazendo belo uso do 3D – dentro da experiência.

Chan-wook Park | Segredos de Sangue

Ron Howard | Rush : No Limite da Emoção

Quentin Tarantino | Django Livre

James Wan | Invocação do Mal

ATOR DO ANO

Tom Hanks | Capitão Phillips

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Que prazer ver Tom Hanks atuando de verdade. Depois de participações esquecíveis em projetos que nem sempre faziam jus a seu talento, o ator volta para nos surpreender com uma incrível performance no intenso Capitão Phillips. O grande mérito do ator está em sua construção meticulosa para o personagem-título e é fascinante (e até perturbador) ver essa construção sendo lentamente despedaçada ao passo em que Phillips vai ficando cada vez mais à mercê dos piratas. Que Hanks continue nos presenteando com trabalhos assim.

Joaquin Phoenix | O Mestre

Daniel Day-Lewis | Lincoln

Hugh Jackman | Os Miseráveis

Ernst Umhauer | Dentro da Casa

ATRIZ DO ANO

Cate Blanchett | Blue Jasmine

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Cate Blanchett é uma das melhores atrizes em atividade no cinema e encontra na problemática e autodestrutiva personagem-título de Woody Allen em Blue Jasmine a oportunidade de oferecer a melhor performance de sua carreira – e não estou usando a hipérbole à toa. Jasmine é um fascinante objeto de estudo, uma sólida reivenção do arquétipo de “mulher rica perde tudo, mulher rica aprende lições de humildade” e é graças à performance explosiva de Blanchett que o resultado funciona tão bem em tela. A atriz balanceia com perfeição sua persona socialite com distúrbios e ataques de nervos assustadoramente reais. Que venha o segundo Oscar.

Adéle Exarchopoulos | Azul é a Cor Mais Quente

Jennifer Lawrence | O Lado Bom da Vida

Sandra Bullock | Gravidade

Julie Delpy | Antes da Meia-Noite

ATOR COADJUVANTE

Leonardo DiCaprio | Django Livre

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Não é fácil escolher o melhor intérprete de Django Livre sem uma segunda exibição. Jamie Foxx em ótima forma, Christoph Waltz sensacional e um Samuel L. Jackson hilário e diferente de tudo o que já havíamos visto em sua vasta carreira. Mas em sua primeira incursão no “lado negro” dos vilões do cinema, Leonardo DiCaprio impressiona com seu cruel, poser de francófilo e nojento Calvin J. Candie. O tipo de antagonista que choca pelo brutal contraste entre seus gestos cavalheiros e suas explosões de violência – algo que DiCaprio compreende muito bem, e nos faz odiar a Academia por ignorá-lo mais uma vez.

Christoph Waltz | Django Livre

Barkhad Abdi | Capitão Phillips

Thomas Haden Church | Killer Joe – Matador de Aluguel

Jake Gyllenhaal | Os Suspeitos

Menção Honrosa: A monstruosa composição vocal de Benedict Cumberbatch para Smaug em O Hobbit: A Desolação de Smaug.

ATRIZ COADJUVANTE

Léa Seydoux | Azul é a Cor Mais Quente

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Depois de Azul é a Cor Mais Quente, Léa Seydoux afirmou publicamente que jamais trabalharia novamente com o diretor Abdellatif Kechiche. A experiência para a atriz pode até ter sido um inferno, mas é inegável que a mesma tenha sido responsável por lhe garantir uma performance bem trabalhda e consistente. Exibindo uma química radiante com Adèle Exarchopoulos, Seydoux é natural e espontânea, e o roteiro acerta ao exigir que sua personagem de cabelos azuis amadureça ao longo da narrativa – algo que só faz com que a atriz possa explorar mais áreas de sua caracterização.

Anne Hathaway | Os Miseráveis

Nicole Kidman | Segredos de Sangue

Vera Farmiga | Invocação do Mal

Cameron Diaz | O Conselheiro do Crime

ROTEIRO ADAPTADO

Antes da Meia-Noite | Richard Linklater, Ethan Hawke e Julie Delpy

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Depois de 9 anos, podemos novamente ser hipnotizados pelos maravilhosos diálogos protagonizados pelo casal Jesse e Celine. Construídos a partir de muita improvisão de Ethan Hawke e Julie Delpy, Antes da Meia-Noite segue a tradição dos filmes anteriores ao apostar em longas conversas sobre relacionamentos, a vida e uma variedade de assuntos que surgem a partir destes. Pela primeira vez, temos destaque para personagens coadjuvantes, algo que fortalece ainda mais a experiência e serve como parábola para o tema central da produção, que destrói com sutileza a ideia de “felizes para sempre”.

ROTEIRO ORIGINAL

Django Livre | Quentin Tarantino

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Quentin Tarantino é imbatível quando o assunto é escrever diálogos. Em sua investida no faroeste spaghetti Django Livre, Tarantino elabora uma eficiente trama de vingança que surge bem amarrada e povoada por personagens excêntricos típicos de sua carreira única. É interessante também observar uma rara preocupação social, já que a trama aborda do início ao fim o racismo e a escravidão que dominaram os EUA no século XIX – mas sem nunca soar didático ou apelar para maniqueísmos. Tenho meus problemas com o desenrolar da história, mas quando os personagens sentam e conversam por minutos em tela, é puro espetáculo.

FOTOGRAFIA

Os Suspeitos | Roger Deakins

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É, eu sou tiete do Roger Deakins. Mas fazer o que, o cara é um mestre no ramo da fotografia… Sei que a cada ano a fotografia digital vem criando algumas das imagens mais belas já vistas em tela (As Aventuras de Pi ano passado, Gravidade este ano), mas o old school da área é mais do que suficiente para me satisfazer. Enfim, o que realmente agrada no trabalho de fotografia do suspense Os Suspeitos é a eficiente criação de uma atmosfera perigosa e sufocante – sempre demarcada por tons frios, chuva e um céu predominantemente nublado. Perfeito para um dia de inverno…

DESIGN DE PRODUÇÃO

O Hobbit: A Desolação de Smaug | Dan Hennah & Ra Vincent

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A saga de Terra Média comandada por Peter Jackson sempre impressionou com seus requintados valores de produção. O que vemos em O Hobbit: A Desolação de Smaug é um cuidado minucioso para apresentar as mais diferentes locações e conceitos visuais dentro da mesma narrativa: florestas obscuras, reinos élficos e um salão dominado por montanhas de moedas douradas. O design de produção se sobressai ao apresentar a Cidade do Lago, que compartilha de sutis semelhanças com Viena e traz acertadíssimas inspirações do período absolutista da França. Vale notar também a evidente mistura de cenários digitais com sets construídos.

MONTAGEM

Segredos de Sangue | Nicolas De Toth

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Em sua vinda para o cinema ianque, o sul-coreano Chan-Wook Park contou com uma narrativa intrincada e que diversas vezes utiliza de pequenos flashbacks. A montagem de Nicolas De Toth em Segredos de Sangue é um trabalho excepcional não só por manter o ritmo tenso da narrativa de India Stoker, mas por intercalar diversas cenas diferentes para aumentar o suspense em uma série de cortes rápidos; também com inteligência, repetindo cenas e frames para evidenciar o estado de espírito de sua protagonista. Sem falar nas belíssimas transições (o cabelo virando uma floresta… Uau). Pena que o filme vai passar batido na Academia…

FIGURINO

Jogos Vorazes: Em Chamas | Trish Summerville

cham

No primeiro Jogos Vorazes, as vestimentas de seus personagens já chamavam nossa atenção por sua bizarrice, e agradavam, mas Em Chamas se beneficia de ter a ótima Trish Summervile (que estreou em Hollywood com o figurino de Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres), que preserva a bizarrice; mas lhe garante uma personalidade mais diversificada. Basta observar os detalhes em cada personagem, os cada vez mais extravagantes vestidos de Elfie (e aquele enfeitado com borboletas?) e toda a mistura de cores.

EFEITOS VISUAIS

Gravidade

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Nunca viajei ao espaço e, ao menos que uma revolução tecnológica exploda nos próximos 60 anos, nunca o farei. Mas as diversas equipes de efeitos visuais comandadas pelo visionário diretor Alfonso Cuarón certamente entregaram a coisa mais próxima de uma experiência fora da Terra que encontraremos numa tela de cinema durante um bom tempo. Rodado quase que todo em greenscreen, Gravidade apresenta imagens perfeitas e sempre verossímeis com a trama, armando o palco perfeito para o desenrolar desta.

MAQUIAGEM

A Morte do Demônio

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Simples: como você transforma a dócil e adorável Jane Levy (aqui) num demônio sangrento,”babarrento” e sinistro? É o que a equipe de maquiagem do remake de A Morte do Demônio é capaz de fazer, e sem precisar abraçar a monstruosidade por completo – olhos amarelos, grandes olheiras e muito sangue são o bastante. Sem falar nos prostéticos especiais que substituíram diversos efeitos de computação gráfica, como aquela que retrata uma mutilação na mandíbula de uma das personagens (é isso aí, maquiagem… Veja aqui). Mão na massa (literalmente) é sempre mais divertido.

TRILHA SONORA

Rush: No Limite da Emoção | Hans Zimmer

rush

Hans Zimmer teve um excelente ano. Além de reiventar a música do Superman (tendo de se equiparar ao icônico trabalho de John Williams) com eficiência em O Homem de Aço e adentrar em território dramático com o oscarizável 12 Anos de Escravidão, o compositor alemão forneceu uma das mais energéticas trilhas sonoras de sua carreira com Rush: No Limite da Emoção. Dominada por percussões de guitarra e violoncelo graves, a música de Zimmer para a saga dos competidores de fórmula 1 funciona tanto nas excelentes cenas de corrida (trazendo sons que evocam o interior de motores e a mecânica dos veículos) quanto nas de tragédia; além de não ser uma má opção para se ouvir enquanto você pega a estrada. Ouço até hoje.

Faixa Preferida: Car Trouble

+ 10 Faixas Memoráveis do Ano

“Able-Bodied Seaman”  – Jonny Greenwood | O Mestre

“London Calling” – Michael Giacchino | Além da Escuridão – Star Trek

“Flight” – Hans Zimmer | O Homem de Aço

“Whales” – Marco Beltrami | Guerra Mundial Z

“Mind over Matter” – Marco Beltrami | Carrie, A Estranha

“She is of the Heavens” – Dario Marianelli | Anna Karenina

“Gravity” – Steven Price | Gravidade

“All Boundries are Conventions” – Tom Tykwer, | A Viagem

“The Heist” – | Em Transe

“Wire to the Head” – Daniel Pemberton | O Conselheiro do Crime

CANÇÃO DO ANO

I See Fire – Ed Sheeran | O Hobbit: A Desolação de Smaug

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Não foi fácil escolher a melhor canção de 2013. Tivemos a bela “Atlas” de Coldplay tocada em Jogos Vorazes: Em Chamas, a perfeitamente dark “Becomes the Color” em Segredos de Sangue e praticamente todo o álbum de O Grande Gatsby (destaque para “Over the Love” e “Young & Beautiful”), mas fui completamente fisgado pela linda canção final de O Hobbit: A Desolação de Smaug. Tocada durante os créditos finais, “I See Fire”, de Ed Sheeran, surge quase como uma catarse após o espetacular clímax envolvendo anões, batalhas, dragões e, claro, fogo. Apropriadíssima.

MELHOR SEQUÊNCIA DE CRÉDITOS (ABERTURA OU ENCERRAMENTO)

Homem de Ferro 3

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Não estou exagerando quando digo que a sequência de créditos finais foi meu momento preferido de Homem de Ferro 3. Composta por uma habilidosa montagem de clipes dos filmes anteriores, efeitos que remetem diretamente à estética de histórias em quadrinhos e uma música acertadamente histérica de Bryan Tyler, a sequência foi ótima para relembrar o primeiro filme de Tony Stark, me fazendo perceber o quão decepcionante fora o resultado desse novo filme.

SURPRESA DO ANO

Invocação do Mal

surpresa

Parecia só mais um filme de terror sem graça e esquecível quando vimos o primeiro trailer. E talvez realmente o tivesse sido, não fosse o requintado roteiro, o elenco carismático liderado por Vera Farmiga e Patrick Wilson e a excepcional direção do malasiano James Wan, que é eficaz ao evocar nossos principais medos em uma narrativa tensa, provocadora e capaz de deixar o espectador horas acordado antes de dormir. Um terror de classe e à moda antiga, uma belíssima surpresa.

DECEPÇÃO DO ANO

Carrie, A Estranha

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A maioria das pessoas geralmente é completamente contra remakes. Eu pessoalmente não vejo problema, e fiquei extremamente empolgado quando Chloë Grace Moretz foi escalada para estrelar a nova adaptação de Carrie, A Estranha; pode olhar no post do ano passado: estava no meu top 5 de mais esperados para 2013. E o resultado foi realmente broxante e esquecível, ocasionadas por falta de novidades e a artificialidade com que tratou a consagrada história de Stephen King. Pior ainda foi ver a talentosa Moretz passando vexame com sua péssima performance, certamente o grande demérito da produção.

MENÇÃO (DES) HONROSA: O “vilão” de Ben Kingsley em Homem de Ferro 3.

USO DE 3D

O Grande Gatsby

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Eu gosto de 3D, mas o 3D de verdade; não aquela porcaria convertida (que raramente traz bons resultados) que os estúdios vendem para dobrar sua arrecadação. E além disso, é prazeroso quando seu diretor compreende o uso narrativo dessa elegante ferramenta, algo que certamente se aplica a Baz Luhrmann em sua adaptação para o clássico de Fitzgerald. Filmado com câmeras de 3D estereoscópico (como deve ser), Luhrmann cria lindas imagens que valorizam a sobreposição do elenco, o que só melhora graças a, ironicamente, um defeito: a artificialidade dos cenários em greenscreen exacerba o efeito de profundidade, tornando a experiência um colírio para os olhos. O melhor 3D desde Avatar, fácil.

MELHORES TRAILERS

1. O Lobo de Wall Street | Trailer 1

2. Interstellar | Teaser Trailer

3. O Hobbit: A Desolação de Smaug | Trailer Final

5 BELOS PÔSTERES

Ninfomaníaca

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Segredos de Sangue

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Jogos Vorazes: Em Chamas

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Nebraska

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O Grande Gatsby

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OS FILMES MAIS AGUARDADOS PELO AUTOR PARA 2014

Anjos da Lei 2

12 Anos de Escravidão

Interstellar

O Lobo de Wall Street

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

Indicados ao CRITICS CHOICE AWARDS 2014

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 16 de dezembro de 2013 by Lucas Nascimento

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Bora lá, agora quem divulgou sua lista indicados é o Critics Choice Awards, que – como o próprio nome já diz – traz os favoritos da critica americana. Confira:

MELHOR FILME

12 Anos de Escravidão

Capitão Phillips

Dallas Buyers Club

Ela

Gravidade

Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum

O Lobo de Wall Street

Nebraska

Trapaça

Walt nos Bastidores de Mary Poppins

MELHOR DIRETOR

Alfonso Cuaron | Gravidade

Paul Greengrass | Captão Phillips

Spike Jonze | Ela

Steve McQueen | 12 Anos de Escravidão

David O. Russell | Trapaça

Martin Scorsese | O Lobo de Wall Street

MELHOR ATOR

Christian Bale | Trapaça

Bruce Dern | Nebraska

Chiwetel Ejiofor | 12 Anos de Escravidão

Tom Hanks | Capitão Phillips

Matthew McConaughey | Dallas Buyers Club

Robert Redford | Até o Fim

MELHOR ATRIZ

Cate Blanchett | Blue Jasmine

Sandra Bullock | Gravidade

Judi Dench | Philomena

Brie Larson | Short Term 12

Meryl Streep | Álbum de Família

Emma Thompson | Walt nos Bastidores de Mary Poppins

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Barkhad Abdi | Capitão Phillips

Daniel Brühl | Rush: No Limite da Emoção

Bradley Cooper | Trapaça

Michael Fassbender | 12 Anos de Escravidão

James Gandolfini | À Procura do Amor

Jared Leto | Dallas Buyers Club

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Scarlett Johansson | Ela

Jennifer Lawrence | Trapaça

Lupita Nyong’o | 12 Anos de Escravidão

Julia Roberts | Álbum de Família

June Squibb | Nebraska

Oprah Winfrey | O Mordomo da Casa Branca

MELHOR ATOR/ATRIZ JOVEM

Asa Butterfield | Ender’s Game – O Jogo do Exterminador

Adele Exarchopoulos | Azul é a Cor Mais Quente

Liam James | The Way Way Back

Sophie Nelisse | A Menina que Roubava Livros

Tye Sheridan | Amor Bandido

MELHOR ELENCO

12 Anos de Escravidão

Álbum de Família

O Lobo de Wall Street

O Mordomo da Casa Branca

Nebraska

Trapaça

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Blue Jasmine | Woody Allen

Ela | Spike Jonze

Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum | Joel & Ethan Coen

Nebraska | Bob Nelson

Trapaça | Eric Singer & David O. Russell

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

12 Anos de Escravidão | John Ridley

Álbum de Família | Tracy Letts

Antes da Meia-Noite | Richard Linklater, Ethan Hawke e Julie Delpy

Capitão Phillips | Billy Ray

O Lobo de Wall Street | Terence Winter

Philomena | Steve Coogan & Jeff Pope

MELHOR FOTOGRAFIA

12 Anos de Escravidão

Gravidade

Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum

Nebraska

Os Suspeitos

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

12 Anos de Escravidão

Ela

O Grande Gatsby

Gravidade

O Hobbit: A Desolação de Smaug

MELHOR MONTAGEM

12 Anos de Escravidão

Capitão Phillips

Gravidade

O Lobo de Wall Street

Rush: No Limite da Emoção

Trapaça

MELHOR FIGURINO

12 Anos de Escravidão

O Grande Gatsby

O Hobbit: A Desolação de Smaug

Trapaça

Walt nos Bastidores de Mary Poppins

MELHOR MAQUIAGEM

12 Anos de Escravidão

O Hobbit: A Desolação de Smaug

O Mordomo da Casa Branca

Rush: No Limite da Emoção

Trapaça

MELHORES EFEITOS VISUAIS

Além da Escuridão – Star Trek

Círculo de Fogo

Gravidade

O Hobbit: A Desolação de Smaug

Homem de Ferro 3

MELHOR ANIMAÇÃO

Os Croods

Frozen – Uma Aventura Congelante

Meu Malvado Favorito 2

Universidade Monstros

O Vento está Soprando

MELHOR FILME DE AÇÃO

Além da Escuridão – Star Trek

Gravidade

Homem de Ferro 3

Jogos Vorazes: Em Chamas

Lone Survivor

Rush: No Limite da Emoção

MELHOR ATOR EM FILME DE AÇÃO

Henry Cavill | O Homem de Aço

Robert Downey Jr. | Homem de Ferro 3

Brad Pitt | Guerra Mundial Z

Mark Whalberg | Lone Survivor

MELHOR ATRIZ EM FILME DE AÇÃO

Sandra Bullock | Gravidade

Jennifer Lawrence | Jogos Vorazes: Em Chamas

Evangeline Lilly | O Hobbit: A Desolação de Smaug

Gwyneth Paltrow | Homem de Ferro 3

MELHOR COMÉDIA

À Procura do Amor

As Bem Armadas

É o Fim

Heróis de Ressaca

Trapaça

The Way Way Back

MELHOR ATOR EM FILME DE COMÉDIA

Christian Bale | Trapaça

Leonardo DiCaprio | O Lobo de Wall Street

James Gandolfini | À Procura do Amor

Simon Pegg | Heróis de Ressaca

Sam Rockwell | The Way Way Back

MELHOR ATRIZ EM FILME DE COMÉDIA

Amy Adams | Trapaça

Sandra Bullock | As Bem Armadas

Greta Gerwig | Frances Ha

Julia Louis-Dreyfus | À Procura do Amor

Melissa McCarthy | As Bem Armadas

MELHOR FICÇÃO CIENTÍFICA/TERROR

Além da Escuridão – Star Trek

Gravidade

Guerra Mundial Z

Invocação do Mal

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Azul é a Cor Mais Quente

A Caça

The Great Beauty

The Past

Wadjda

MELHOR DOCUMENTÁRIO

20 Feet from Stardom

The Act of Killing

Blackfish

Stories We Tell

Tim’s Vermeer

MELHOR CANÇÃO

“Atlas” – Jogos Vorazes: Em Chamas

“Happy” – Meu Malvado Favorito 2

“Let it Go” – Frozen – Uma Aventura Congelante

“Ordinary Love” – Mandela: Long Walk to Freedom

“Please Mr. Kennedy” – Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum

“Young & Beautiful” – O Grande Gatsby

MELHOR TRILHA SONORA

12 Anos de Escravidão

Ela

Gravidade

Walt nos Bastidores de Mary Poppins

Os vencedores serão anunciados em 16 de Janeiro.

| Invocação do Mal | Uma aula de como se fazer terror no cinema

Posted in Cinema, Críticas de 2013, Terror with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 13 de setembro de 2013 by Lucas Nascimento

4.0

TheConjuringWho you gonna call? Vera Farmiga e Patrick Wilson

Antes de entrar na sala para a sessão de Invocação do Mal, o bilheteiro do cinema olhou para o título do filme presente nos ingressos e soltou um apavorado “boa sorte” a mim e minha amiga. Primeira vez que encaro uma situação divertida como essa e, ao fim da projeção do longa, ressalto – ainda suando devido à tensão provocada por estes 110 minutos – que o funcionário não exagerara. Temos aqui um dos melhores filmes de terror dos últimos anos.

Na trama, uma família acaba de se mudar para uma casa enorme e misteriosa, mas não demora para que seja sentida a presença de entidades paranormais dentro do local (como sempre). O que faz a diferença é a presença do casal de demonólogos/investigadores/caça-fantasmas Ed e Lorraine Warren (Patrick Wilson e Vera Farmiga, ambos excelentes) que é contratado para analisar e tentar por um à sinistra situação. Tudo isso baseado em fatos reais – mas, claro, pode apostar que há muita ficção aqui.

Quando o gênero demanda fenômenos sobrenaturais, não tem como alterar muito a fórmula. O roteiro assinado por Chad e Carey Hayes mantém-se à tradicional premissa da “casa mal assombrada”, mas acerta ao trazer, de forma controlada e coesa, praticamente TODOS os elementos populares nas mais diferentes variações do gênero: espíritos, demônios, exorcismos, brinquedos sinistros, fotos borradas, câmeras dentro da história… Daria pra passar a madrugada inteira enumerando-os. Isso sem falar que a dupla acertadamente brinca com diversos “medos clássicos”, como a suspeita de aparições embaixo da cama ou no interior de armários – todos esses escapam do velho clichê do susto rápido, graças à competência de seu diretor.

Aliás, que revelação é James Wan. Saído de projetos medianos dentro do gênero (seu longa mais famoso é o primeiro Jogos Mortais, além de ter sido contratado para comandar o sétimo Velozes e Furiosos), Wan demonstra um talento invejável para causar medo – e não apenas sustos – no espectador. Optando por longos planos que exploram cada cômodo da residência em um cruel exercício de provocação, o diretor é hábil ao criar movimentos de câmera inteligentes e que contribuem na revelação de suas perturbadoras ameaças (e quando as vemos, o efeito é multiplicado). Além de comandar uma das mais poderosas (e até, veja só, emocionantes) cenas de exorcismo que já vi na vida, Wan mostra sua admiração pela escola Alfred Hitchcock de suspense ao trazer um súbito ataque de pássaros que atravessa janelas e uma lâmpada pendurada que alcança o efeito de iluminação em uma das cenas-chave de Psicose. Olha só…

Contando também com um trabalho de som espetacular, Invocação do Mal é uma grande surpresa. O terror não anda lá grande coisa nas terras ianques, mas é sempre bom encontrar uma obra decente em um gênero cada vez mais esgotado. A única decepção é o anúncio de que James Wan não dirigirá mais filmes de terror.

Obs: Uma curiosidade divertida: em determinado momento do filme, a personagem de Vera Farmiga menciona “um caso em Long Island”. Trata-se de uma referência ao famoso massacre de Amityville, episódio investigado pelo casal na vida real.

Clique aqui para ler esta crítica em inglês.