Arquivo para jamie bell

| Expresso do Amanhã | Crítica

Posted in Ação, Cinema, Críticas de 2015, Drama, Ficção Científica with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 30 de agosto de 2015 by Lucas Nascimento

4.0

Snowpiercer
Multiverso: Chris Evans e Jamie Bell se aliam 

Alguns filmes lançados recentemente parecem ter sido feitos com um espírito dos anos 80, como se seus realizadores fossem apaixonados pelos divertidos e cults daquele período glorioso. Mad Max: Estrada da Fúria é um belíssimo exemplo visto este ano, assim como a pérola infinitamente adiada e mantida mofando na geladeira da Playarte Pictures: O Expresso do Amanhã, uma obra forte, empolgante e reflexiva.

A trama é adaptada da graphic novel francesa Perfura-Neve, de Jaques Lob, Benjamin Legrand e Jean -Marc Rochette, onde a Terra é condenada a uma segunda era do gelo após uma tentativa frustrada do governo em acabar com o aquecimento global. Nessa distopia congelante, os sobreviventes vivem num grande trem que roda toda a superfície do planeta: o Snowpiercer. Dentro, a luta de classes começa a incitar uma rebelião, liderada pelo idealista Curtis (Chris Evans).

É uma ideia fantástica que só fica melhor com a presença do diretor sul-coreano (que nação, que nação…) Joon-ho Bong, que já nos presenteou com Mother – A Busca pela VerdadeO Hospedeiro, agora embarcando em seu primeiro filme de língua inglesa. Bong também assina o roteiro ao lado de Kelly Masterson, tecendo uma narrativa intensa e fortemente baseada na sátira política, especialmente quanto à luta de classes que já se estabelece na divisão dos vagões do Snowpiercer: os pobres e operários viajam no último, enquanto os mais ricos e importantes vão habitando os dianteiros.

Dessa forma, Expresso do Amanhã é um filme completamente dependente do excepcional design de produção de Odrej Nekvasil, que fornece a cada compartimento do grande trem uma personalidade distinta, que também se reflete em cores, fotografia e arquitetura: o vagão dos operários é sujo e obscuro, enquanto a “escolinha” é colorida e vibrante, passando também por uma balada e um grande aquário. Visualmente, é maravilhoso, e revoltante que Nekvasil tenha sido completamente ignorado pela Academia.

Chris Evans também se sai muito bem no protagonismo da trama, criando um sujeito visionário e de intenções nobres, mas nem por isso menos violento e sanguinário; o confronto entre o grupo de Curtis e a segurança do trem num apertado corredor sombrio é memorável. Tilda Swinton surge irreconhecível como a burocrata Mason, abusando de cartunescos dentes falsos e perucas exageradas para criar uma debochada representante da alta classe, cujo figurino também contrasta radicalmente com o grupo de Curtis. Estruturalmente, o silencioso personagem de Kang-ho Song rende uma subtrama não muito envolvente  quanto a principal, mas que revela-se decisiva para o surpreendente clímax.

Expresso do Amanhã é uma empolgante e inteligente sátira política, digna de algumas das melhores distopias já apresentadas no cinema, com um forte espírito dos anos 80.

Obs: Sério, Playarte, como deixar esse filme atrasar tanto?

| Quarteto Fantástico | Crítica

Posted in Adaptações de Quadrinhos, Aventura, Cinema, Críticas de 2015, Ficção Científica with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 5 de agosto de 2015 by Lucas Nascimento

2.5

fant4stic
Jamie Bell, Michael B. Jordan, Miles Teller e Kate Mara são as novas caras (ou costas) do Quarteto

Há uma década atrás, a Fox lançava sua primeira tentativa blockbuster (o de Roger Corman é trash demais) de lançar o Quarteto Fantástico nos cinemas. Ainda que de qualidade bem duvidosa, os dois filmes dirigidos por Tim Story conseguiam divertir com seu humor pastelão e trama macarrônica num adorável guilty pleasure, mas foram incapazes de sustentar uma franquia duradoura. Agora, seguindo uma linha mais dark e realista, o grupo da Marvel tenta se reinventar pelas mãos de Josh Trank.

A trama faz algumas mudanças na história original, trazendo os personagens da fase adulta para adolescente. Reed Richards (Miles Teller) trabalha com o amigo Ben Grimm (Jamie Bell) numa teoria para tornar possível o teletransporte e viagens interdimensionais. Com a ajuda de uma equipe formada pelos irmãos Sue (Kate Mara) e Johnny Storm (Michael B. Jordan) e o desconfiado Victor Von Doom (Toby Kebbell), o grupo consegue acesso a outra dimensão, onde ganham poderes bizarros que mudam suas vidas.

Depois de Josh Trank ter dirigido o ótimo Poder Sem Limites e um elenco realmente fantástico ter sido escolhido, é difícil de acreditar que este novo Quarteto consiga ser tão burocrático. O roteiro de Simon Kinberg, Jeremy Slater e o do próprio Trank empolga por se debruçar em uma abordagem mais científica do assunto, tanto que sua eficiente primeira metade funciona bem como uma ficção científica e até impressiona por algumas decisões visuais: o primeiro vislumbre dos poderes é quase amedrontador, com a imagem de um Johnny aparentemente morto sendo engolido por chamas ou o corpo de Reed sendo esticado à força em uma mesa cirúrgica. Porém, são apenas bons momentos encontrados numa narrativa sem vida, que pouco empolga e arrisca.

As relações entre cada membro do Quarteto falham ao provocar autenticidade, como se não houvesse química entre o elenco. Miles Teller se sai bem porque seu personagem tem o maior destaque, mas sua amizade com Jamie Bell é forçadíssima (aliás, o ator surge com uma imutável expressão cansada durante toda a projeção, e seu Coisa digital não é dos mais expressivos) e o pseudo romance com Kate Mara, nada convincente. Poxa, nem o carismático Michael B. Jordan tem a chance de brilhar aqui, já que seu Johnny é constantemente jogado em segundo plano, e me ficou a impressão de que o ator realmente se esforçava – mas parecia forçado a ficar no piloto automático. E mesmo que o Doom de Toby Kebbell seja muitíssimo bem introduzido e explorado, sua transição para vilão megalomaníaco é risível, e um dos grandes fatores que expõem os problemas de bastidores que assombraram seu pré-lançamento.

Se levar em conta o que vemos em tela, certamente a Fox teve problemas para concluir o filme, e não ficaria surpreso se os rumores de refilmagens fossem reais. Trank começa a narrativa muito bem, mas raramente vemos ali o mesmo cara que impressionou com a crueza e espetáculo em Poder sem Limites, trazendo cenas de ação tediosas (o clímax com o Dr. Destino é um dos mais apressados e sem energia que já vi na vida) e até uma montagem problemática que parece unir cenas desconexas: um tempo maior de silêncio entre um momento tenso para outro seria necessário aqui e ali, e é um claro sinal de problemas quando a trama salta 1 ano num momento crítico, ignorando desenvolvimento de personagens e a relação destes com seus poderes. A unica exceção é quando Dr. Destino acorda pela primeira vez, e seu violento e sangrento ataque ajuda a acordar o espectador.

Nos quesitos técnicos, é competente, ainda que nada muito espetacular. É interessante observar como as chamas digitais cobrem com detalhes o uniforme do Tocha Humana, assim como o detalhe de preencher o traje do Sr. Fantástico de argolas e do Coisa surgir numa espécie de casulo de pedra. Aliás, as justificativas para cada um dos poderes são verossímeis, como as rochas que entram na cápsula de Ben ou o fogo que invade a de Johnny durante o teletransporte de ambos, e até o visual do próprio Destino; quase como um A Mosca mais controlado.

Mesmo que surja com nomes talentosos e boas intenções, o novo Quarteto Fantástico é um filme esquecível e que infelizmente não consegue fazer muito além do básico, se perdendo numa trama sem graça com personagens pouco carismáticos.

E aí Fox, quarta vez é a da sorte?

Obs: Esse filme não é em 3D. Glória, pelo menos isso.

Confira o novo trailer de QUARTETO FANTÁSTICO

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , on 19 de abril de 2015 by Lucas Nascimento

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Não tava bom Star Wars: O Despertar da Força e Batman vs Superman? Beleza, tomaí o novo trailer do reboot de Quarteto Fantástico! A prévia traz muitas cenas inéditas e explora melhor os poderes da equipe formada por Miles Teller, Kate Mara, Michael B. Jordan e Jamie Bell – além do primeiro vislumbre do Dr. Destino.

Confira:

Quarteto Fantástico estreia em 13 de Agosto.

Primeiro trailer do novo QUARTETO FANTÁSTICO!

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , , , on 27 de janeiro de 2015 by Lucas Nascimento

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FINALMENTE! Depois de meses e meses sem nenhum tipo de divulgação ou informação, o arriscado reboot de Quarteto Fantástico que Josh Trank dirige para a Fox ganhou seu primeiro trailer. A atmosfera é sombria e dramática, e brevemente nos apresenta ao elenco formado por Miles Teller, Michael B. Jordan, Kate Mara e Jamie Bell.

Confira:

Quarteto Fantástico estreia em 6 deAgosto.

| Ninfomaníaca: Volume 2 | O eficiente desfecho da saga erótica de Lars Von Trier

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Drama with tags , , , , , , , , , , , , on 15 de março de 2014 by Lucas Nascimento

4.0

Nymphomaniac
Charlotte Gainsbourg domina a tela como Joe

Dada puramente por motivos mercadológicos, Ninfomaníaca foi dividido em duas partes para cobrir a extensa duração de 5 horas de material obtidos pelo cineasta Lars Von Trier. Já fica claro a continuidade direta com o Volume 1 desde o início, que começa imediatamente após o final deste. Nesta segunda metade, o dinamarquês mergulha ainda mais em sua análise sobre a sexualidade, mantendo também a apurada inventividade visual.

A trama apresenta os três últimos capítulos da história de Joe (Charlotte Gainsbourg): A Igreja do Oriente e do Ocidente (O Pato Silencioso), O Espelho e A Arma.

De cara, o segundo volume já se diferencia tematicamente do anterior por apostar em situações mais absurdas. Se antes o caso amoroso de Joe e Jerôme (Shia LaBeouf) dominava a cena, aqui Trier traz personagens secundários assustadoramente interessantes. Temos lá um olhar denso sobre o sadomasoquismo na forma do misterioso K de Jamie Bell (papel que o ator faz muitíssimo bem ao retratá-lo quase como um psicopata, dando ênfase ao profissionalismo e à precisão cirúrgica de seu método) e uma bizarra “agência” liderada por Willem Dafoe. Esta última é certamente interessante, mas não faz o menor sentido dentro da proposta da narrativa (extorsão? Espionagem?), ainda que Trier tente trazer elementos como a literatura de Ian Fleming para sustentá-la. Por falar em não fazer sentido, é difícil de acreditar que Stacy Martin tenha se transformado em Charlotte Gainsbourgh num espaço de míseros 3 anos…

Problemas à parte, o filme ganha o espectador novamente com suas profundas reflexões e a acertada dinâmica entre Joe e Seligman (Stellan Skarsgard, que aqui tem a chance de revelar novas facetas de seu não tão ingênuo personagem), sempre marcada pelas divertidas digressões do solitário solteirão – de alpinistas até o Paradoxo de Zeno. Além dos novos temas já mencionados acima, o roteiro de Trier surpreende por trazer a tentativa de Joe de sustentar uma família com Jerôme (onde quase, quase se repete uma cena-chave de Anticristo, e por circunstâncias idênticas) e um argumento muito interessante, e inevitavelmente polêmico, onde a protagonista analisa as hipocrisias da sociedade e os impulsos que movem um pedófilo – chegando a uma conclusão de alcance universal, ainda que seja um território bem delicado.

No geral, Ninfomaníaca é uma experiência eficiente – ainda que seu final seja um tanto contraditório – que funcionaria de forma mais impactante com uma sessão dupla de ambos os volumes. Do início ao fim, o fascinante estudo de personagem oferecido por Lars Von Trier convence e agrada pela inventividade temática e audiovisual (com exceção da fotografia de Iphone) de seu realizador.

Conheça o novo QUARTETO FANTÁSTICO

Posted in Notícias with tags , , , , , , , , , , , on 20 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

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Miles Teller, Michael B. Jordan, Kate Mara e Jamie Bell

Depois de meses e meses de especulações e rumores, a Fox enfim lança o comunicado oficial para os protagonistas do novo Quarteto Fantástico, reboot que será comandado por Josh Trank (do ótimo Poder sem Limites). E os escolhidos são Miles Teller (The Spectacular Now), Michael B. Jordan (Fruitvale Station), Kate Mara (irmã da Rooney Mara, vista recentemente em House of Cards)  e Jamie Bell (As Aventuras de TintimNinfomaníaca) como, respectivamente, Sr. Fantástico, Tocha Humana, Mulher Invisível e Coisa (que será criado digitalmente).

Um ótimo elenco reunido, e que certamente surpreende por sua faixa etária (consideravelmente mais baixa do que a da versão anterior).

Quarteto Fantástico estreia em 19 de Junho de 2015.

 

| As Aventuras de Tintim | Spielberg reacende seu espírito aventureiro

Posted in Animação, Aventura, Cinema, Críticas de 2012, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , on 29 de janeiro de 2012 by Lucas Nascimento


Só falta o chapéu: Tintim e o Capitão Haddock descobrem uma pista

O primeiro contato do diretor Steven Spielberg com “Tintim” aconteceu quando este ainda divulgava um de seus melhores trabalhos, Os Caçadores da Arca Perdida. Lendo críticas em um jornal francês, ele não parava de ouvir o quanto seu filme apresentava o estilo aventureiro do personagem criado por Hergé, e o diretor logo correu atrás do material original e seu autor mas, infelizmente, tal encontro nunca se deu – já que o belga faleceu semanas depois. Anos depois, Spielberg lança o deliciosamente frenético As Aventuras de Tintim, que certamente deixaria seu criador orgulhoso.

Adaptando duas histórias diferentes do personagem em uma só, a trama mostra o jornalista Tintim (Jamie Bell) investigando o mistério em torno de uma réplica de um navio chamado Licorne. A busca leva ele e seu cão Milu a conhecerem o Capitão Haddock (Andy Serkis), e juntos precisam encontrar o segredo que a miniatura guarda antes do maléfico Rackham (Daniel Craig).

Há tempos que eu não via um Spielberg tão inspirado. Seus últimos longas certamente apresentam qualidade (Cavalo de Guerra, inclusive), mas não o mesmo tom enlouquecidamente agitado de Tintim; o filme não pára em segundo algum, sua trama vai se desenrolando com grande velocidade e espetaculares cenas de ação vão brotando de todos os cantos. Claro, fica difícil desenvolver os personagens em meio a tanta adrenalina e esse talvez seja o único defeito do longa – a parceria entre Tintim e Hadock, por exemplo, se dá de forma brusca e sem muito tempo para o que os dois conheçam um ao outro a ponto de arriscarem suas vidas.

Em compensação, somos contagiados por um visual belíssimo (que honra a obra de Hergé, principalmente na adaptação dos personagens), que apresenta locações exóticas que logo servem de palco para inúmeras perseguições de carro – o já famoso plano-sequência da moto em Marrocos é tudo o que dizem mesmo – e sequências divertidas, como a que traz o divertidíssimo cãozinho Milu como protagonista. Ainda fica melhor com a excelente trilha sonora de John Williams (seu melhor trabalho desde Prenda-me se for Capaz), que traz ecos de suas composições em Indiana Jones, ao mesmo tempo, cria acordes empolgantes que conseguem capturar vigorosamente a aura da trama.

A captura de performance que traz o longa à vida também é impressionante. Talvez o melhor uso da tecnologia até hoje (até mais interessante do que a de Avatar ou Planeta dos Macacos), aqui foi possível criar um personagem completamente digital sem esquecer da performance de seu intérprete, e todo o elenco merece aplausos por seu desempenho. Jamie Bell traça Tintim cheio de inocência e sede de aventura, a passo que Daniel Craig cria um vilão memorável com seu Rackham (sempre com muita malícia em sua voz e andar) e Andy Serkis mostra mais uma vez sua imensa expressividade no retrato do bêbado Haddock.

As Aventuras de Tintim não é para os fracos. Ritmo intenso e sem descanso, o longa mistura ação e humor na medida certa e traz um Spielberg confortável e seguro na direção. Não é Caçadores da Arca Perdida (afinal, o que é?), mas certamente traz boas lembranças. Que venha a continuação!