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| Poltergeist: O Fenômeno | Crítica

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2015, Terror with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 21 de maio de 2015 by Lucas Nascimento

2.0

Poltergeist
Kennedi Clements assume o papel icônico de Heather O’Rourke

Quando parei para assistir ao Poltergeist original de 1982, me surpreendi com a capacidade do filme em combinar com maestria o gênero do terror com um de aventura para toda a família. O filme dirigido por Tobe Hooper e co-escrito por Steven Spielberg era uma pérola oitentista, detentora de um clima único daquele período saudoso. Infelizmente, o novo Poltergeist: O Fenômeno falha feio ao se mostrar relevante.

A trama é exatamente igual a do filme original (e de 80% dos filmes do gênero), começando quando a família Bowen (Sam Rockwell, Rosemarie DeWitt, Saxon Sharbino, Kyle Catlett e Kennedi Clements) se muda para uma nova casa, graças a dificuldades financeiras. Estranhos acontecimentos passam a ocorrer, especialmente com a caçula Madison, que acaba sendo transportada por espíritos para uma outra dimensão, acessível por aparelhos eletrônicos. Desesperada, a família recorre a investigadores paranormais.

Durante toda a projeção, só pensava numa coisa: já vi isso, e já vi melhor. Não só pela óbvia comparação ao filme de 1982, mas também em perceber como esse Poltergeist empalidece diante dos melhores exemplares contemporâneos do gênero, especialmente os filmes de James Wan ou até mesmo o sólido remake de A Morte do Demônio, que adotava o espírito e atualizava a técnica. Aqui, o diretor Gil Kenan (estreando no live action após A Casa Monstro e Cidade das Sombras) demonstra domínio de alguns travellings digitais inventivos e bons movimentos de câmera, mas não sabe se dirige um terror ou uma comédia – as piadinhas são tão óbvias, que olha…

Nem o terror é acertado, já que Kenan abusa do design de som para criar jump scares artificiais provocados por ações comuns, como uma mão no ombro ou inocentes batidas em portas. Já quando se arrisca a recriar duas das ameaças mais icônicas do original (o galho de árvore e o palhaço sinistro), o diretor parece não saber o que faz, trazendo efeitos digitais sem graça e uma “briga” entre o garoto e o palhaço que chega a ser risível. Mas admito que o diretor acerta na elaboração visual da dimensão “poltergeist” durante o clímax (composta por incontáveis “zumbis fantasmas” que impressionam em seu design), que também funciona muito bem em 3D.

O tom fica no balanço entre humor e terror, mas o espírito aventureiro para toda a família do original é esquecido, já que nenhum dos personagens tem o mínimo de carisma para criar um interesse por parte do espectador. Sam Rockwell é um bom ator que funciona bem no piloto automático, mas a esposa vivida por Rosemarie DeWitt é desinteressante e todos os três filhos não convencem (com exceção da jovem Kennedi Clements, que assume com competência o papel da falecida Heather O’Rourke). Só Jared Harris que consegue acrescentar um pouco de charme a seu investigador Carrigan Burke, ainda que o personagem seja só mais um arquétipo batido do gênero. Poxa, o original tinha uma caça-fantasmas anã, sem falar na poderosa crítica ao preconceito ianque contra os nativo-americanos. Este aqui? Nada de inovador, a não ser um bocado de aparelhos da Apple.

Poltergeist: O Fenômeno é uma obra que não parece se decidir entre o terror e o humor, falhando miseravelmente em ambos. Pode até trazer um visual elaborado, mas não há nada aqui que justifique a visita ou sua existência, ainda mais quando o original está aí e envelheceu tão bem.

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| A Marca do Medo | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Terror with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 12 de julho de 2014 by Lucas Nascimento

2.0

TheQuietOnes
Jared Harris e a novata Olivia Cooke

É curioso que logo após a estreia de O Espelho, terror psicológico eficiente e inteligente em sua proposta ligeiramente inovadora, surja uma obra que faça justamente o oposto. Novamente, sou forçado a repetir: terror, como a comédia, é um gênero pessoal, assusta um mas pode não provocar o menor efeito em outro. Uma coisa, no entanto, é universal, e é a de que existe uma diferença sutil entre causar medo e dar susto. Se O Espelho era um bom representante da primeira, A Marca do Medo é um fiel da segunda.

Alegadamente inspirada em fatos reais (hoje em dia, que terror não é?), a trama tecida por Craig Rosenberg, Oren Moverman e o diretor John Pogue – que também é baseada em um roteiro de Tom de Ville – viaja para 1974 para relatar experimentos que o professor Joseph Coupland (Jared Harris) mantinha com um grupo de alunos, visando provar que fenômenos sobrenaturais seriam nada menos do que manifestações do subconsciente, provocados por doenças mentais. A paciente em questão é a suicida Jane Harper (Olivia Cooke), que carrega consigo um mal desconhecido.

 De primeira, o filme de John Pogue instiga pela abordagem científica, elemento sempre válido no gênero. Adicionando a ambientação de época dos anos 70, que o designer de produção Matt Brant é eficaz ao recriar em seus discretos interiores, parecia uma oportunidade válida para replicar o sucesso do recente Invocação do Mal (outra obra ambientada no período), brincando também com a nova mania da narrativa found footage, já que o filme traz diversas cenas com formato e resolução de imagem menores – simulando as câmeras da época.

No entanto, Pogue opta pela saída mais fácil. Ao invés de cuidadosamente criar uma atmosfera perturbadora que lentamente vai crescendo até o ponto do terror verdadeiro, o diretor prefere sacanear a platéia com os típicos jump scares que surgem abruptamente durante toda a projeção: mesmo que seja uma simples batida na porta ou um objeto insignificante caindo no chão. E eu realmente fiquei interessado em saber que tipo de aparelhagem audiovisual de 1974 é capaz de capturar “sons de sustos” em alta definição, mesmo que as demais vozes e efeitos surjam com um ruído característico. Aparentemente os fantasmas já tinham THX.

Mas nem ligaria pra isso se pelo menos tivessemos personagens interessantes o suficiente para nos importarmos, outro elemento ausente. Jared Harris até se garante com sua forte presença de cena, sugerindo uma áurea sinistra a seu personagem (não esqueça, ele é o cara que entregou aquele Moriarty genial em Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras), mas nem Sam Claflin (de Jogos Vorazes: Em Chamas) nem nehum outro dos estúpidos arquétipos cujos nomes não me interessam, são capazes de se identificar com o espectador. Reconheço, pelo menos, a talentosa Olivia Cooke, que tem o papel mais difícil e exigente fisicamente; tarefa que a jovem cumpre bem ao trabalhar seu olhar e ao constantemente sugerir que Jane estaria possuída em momentos diferentes.

Bem, convenhamos: todo mundo leva susto. É inevitável. Podemos até prever quando um deles surgirá, mas é uma reação natural do sistema nervoso dar um pulo na cadeira ou um leve arrepio quando este surge. Se A Marca do Medo se contenta em simplesmente arrancar essas reações efêmeras do público, tudo bem: funciona. Agora, quem estiver buscando um horror genuíno, construindo com cuidado e capaz de se estender engenhosamente por toda a projeção, sugiro procurar outra opção.

Obs: Durante os créditos são exibidas algumas imagens reais da história.