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| O Grande Hotel Budapeste | Crítica

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2014 with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 3 de julho de 2014 by Lucas Nascimento

5.0

TheGrandBudapestHotel
Gerações: o ápice da carreira de Ralph Fiennes, a bela descoberta Tony Revolori

Foi com Moonrise Kingdom, em 2012, que adentrei no universo único e bizarro comandado pelo lorde Wes Anderson. De lá pra cá, pude conhecer melhor a carreira do diretor que inclui ainda Pura AdrenalinaTrês é Demais, Os Excêntricos Tenenbaums, A Vida Marinha com Steve Zissou, Viagem a Darjeeling e O Fantástico Sr. Raposo. Ainda me restam duas obras para conferir, mas duvido que estas possuam o charme indescritível de O Grande Hotel Budapeste.

A trama é inspirada nos trabalhos do autor austro-húngaro Stefan Zweig, e se concentra no outrora luxuoso e prestigiado hotel europeu do título. A história tem início quando um escritor (Jude Law) entrevista o atual dono do hotel (F. Murray Abraham), cujo discurso regressa à década de 30 para narrar uma história de roubo de arte decisiva para o destino do local.

Em primeiro lugar, você já deve ter parado pra olhar o pôster desse filme. Eu me pergunto: quantas vezes já vimos um elenco tão incrível, estrelado e talentoso como esse? Poucas, de fato. Falar sobre cada um dos intérpretes que dividem a tela levaria tempo, então limito-me a dizer que estão todos impecáveis, e Anderson é perfeitamente capaz de distribuir suas respectivas participações. Claro que o divertidíssimo concierge de Ralph Fiennes (naquela que é certamente a melhor performance de sua carreira) e o mensageiro vivido pelo estreante Tony Revolori dominam maior parte da narrativa, mas o estelar elenco “coadjuvante” é perfeitamente capaz de brilhar em seus pequenos momentos; o que inclui a turma habitual de Anderson, trinca formada por Bill Murray, Jason Schwartzman e Owen Wilson.

Se você comprou ingresso para um filme de Wes Anderson mas nunca ouviu falar no sujeito, saiba que o cara é um dos profissionais mais autorais da Sétima Arte. Sua obsessão milimétrica pela simetria visual surge fortíssima em O Grande Hotel Budapeste, mas dessa vez beneficiando-se do genial design de produção de Adam Stockhausen, que acerta na arquitetura quase monárquica do hotel, ao mesmo tempo em que preserva características cartunescas típicas da carreira de Anderson. Aliás, vale mencionar como o diretor e o fotógrafo Robert D. Yeoman se divertem ao brincar com as diferentes razões de aspecto da tela: desde o formato 4:3 (imagem menor, num formato quadrado) para as cenas na década de 30, até o glorioso cinemascope nas cenas mais contemporâneas. É quase uma aula sobre a evolução da câmera cinematográfica.

E mesmo com todo o perfeccionismo plástico, o roteiro de Anderson jamais deixa de fascinar com sua bizarra trama. Essencialmente uma comédia com tons de heist, investigação e até mesmo de fuga de prisão, e sempre nos surpreende por seus rumos inesperados e as diferentes e multifacetadas figuras que movem suas ações. Há de parabenizar o excepcional trabalho de montagem de Barney Pilling, que não só é eficiente ao exibir cortes e transições dinâmicas, mas também pela decisão de iniciar a projeção de forma descontínua, encontrando a justificativa nos segundos finais.

O Grande Hotel Budapeste é desde já um dos melhores trabalhos de 2014, e comprova que o invencionismo visual de Wes Anderson não atrapalha na condução de uma história que abraça o nonsense. Pelo contrário, ajuda e diverte.

Caramba, talvez seja um dos filmes mais divertidos que eu já vi na vida.

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| Walt nos Bastidores de Mary Poppins | As divergências entre fato e ficção, e o que faz um bom filme

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Drama with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 9 de março de 2014 by Lucas Nascimento

4.0

SavingMrBanks
Walt faz a Travers uma oferta irrecusável

Nos últimos 4 anos, Hollywood tem se mostrado fascinada em entregar produções sobre os bastidores de… outras produções. Seja por falta de ideias ou genuíno interesse pelas personalidades que se transformam em objetos de estudos por novos cineastas, o “gênero” nos trouxe, para citar exemplos recentes, obras como Sete Dias com Marilyn, A Garota, Hitchcock e agora Walt nos Bastidores de Mary Poppins, longa de John Lee Hancock (de Um Sonho Possível) que certamente se revela o melhor da safra.

A trama é centrada na tentativa de Walt Disney (Tom Hanks, que casting genial) de convencer a escritora australiana P.L. Travers (Emma Thompson) a lhe ceder os direitos para a adaptação cinematográfica do cultuado “Mary Poppins”. Em meio às inúmeras divergências que Travers enfrenta com o produtor para garantir o tom apropriado ao filme, acompanhamos detalhes-chave de seu passado que a inspiraram a criar a história.

Para começar, vamos tirar o elefante da sala e falar sobre a tradução pavorosa que a Disney forneceu ao filme no Brasil… “Walt” “Nos” “Bastidores” “de” “Mary Poppins”. Compreendo o… er, apelo “comercial” que o título oferece, mas ele nem de longe faz jus à complexidades e significado que o original (“Saving Mr. Banks”, “Salvando o Sr. Banks”) confere à narrativa. Inicialmente, condenei a decisão do roteiro de Kelly Marcel e Sue Smith em persistir na trama paralela que se concentra no passado de Travers, mas graças à boa condução de Hancock e a montagem de Mark Livolsi, esta caminha com a mesma consistência da principal – e se complementam de forma belíssima, ainda que óbvia, ao resolver a questão do “Sr. Banks”.

Claro que há muita ficção aqui, muita. P.L. Travers tinha um filho (ao contrário do que o filme diz), já tinha concedido os direitos de adaptação quando chegou em LA (um dos grandes dilemas da narrativa é se Travers vai, ou não, concedê-los), não era tão caricatural quanto a divertida performance de Emma Thompson sugere e tampouco se agradou com o resultado final de Mary Poppins. Travers não saiu dançando de alegria com uma canção específica e nem teve a companhia do criador de Mickey Mouse na Disneylândia. Mas, mesmo que gritantemente impreciso em questões históricas, o filme de Hancock consegue agradar, oferecendo um catártico estudo de personagem sobre a Travers que suas roteiristas “inventaram”. Hancock tem a mão pesada, aposta em diversos momentos apelativos… e funciona, estranhamente. A tal sequência em que a escritora dança com os irmãos Sherman (Jason Schwartzman e B.J. Novak) é espetacular, de fazer o próprio espectador levantar e sair dançando.

Fidelidade aos fatos não faz de uma obra necessariamente ruim. Nem de longe é minha intenção comparar o grau de qualidade dos dois filmes, mas Amadeus também passava longe dos livros de História em pontos cruciais, algo que não afeta seu maravilhoso resultado final. E o mesmo se repete com Walt nos Bastidores de Mary Poppins.

Obs: Durante a segunda metade dos créditos finais, são exibidas algumas gravações da verdadeira P.L. Travers.

Obs II: De novo, mas que tradução tosca.

Insert Coin: Especial SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO

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Depois de passar pelo perigo de não estrear nos cinemas brasileiros, Scott Pilgrim contra o Mundo chegou, prometendo ser um dos grandes filmes do ano, mesmo que ninguém o veja. Acompanhe o especial.

Publicada em 6 volumes nos EUA e em 3 aqui no Brasil (o volume 2 está pra sair), a série Scott Pilgrim é uma das melhores HQs que já tive o prazer de ler; a trama é simplesmente… Uau! Contando com elementos de videogame, perfis no meio da história e onomatopeias malucas, percebe-se que o autor Bryan Lee O’Malley se divertiu muito desenvolvendo o gibi; e quem se diverte mais ainda é o leitor.

O traço e a coloração em preto e branco lembram um pouco mangá, mas não seguem a mesma estrutura narrativa.

Desde a finalização do primeiro volume da série (Scott Pilgrim’s Precious little life), já era existente o desejo de uma adaptação para o cinema. Apesar de discordar no início, Bryan O’ Malley apoiou o projeto, dando sugestões e anotações. Na época, o diretor Edgar Wright acabava de terminar Todo Mundo Quase Morto.

As filmagens começaram em Março de 2009, em Toronto no Canadá (onde se passa a trama no quadrinho) e terminaram em Agosto do mesmo ano. O trabalho foi a pós-produção, repleta de efeitos visuais. Assim como em Kick-Ass, a saga ainda não havia chegado ao fim, por isso o final do filme é diferente do da HQ.

O filme estreiou em Agosto nos EUA, tendo uma arrecadação muito fraca nas bilheterias, o que quase cancelou a estreia do longa no Brasil. Não fosse a mobilização no Twitter, provavelmente este especial não estaria aqui agora, muito menos o filme.

Scott Pilgrim (Michael Cera)

Canadense de 20 e poucos anos, vida boa, baixista de uma banda de garagem e que passa a maior parte do tempo jogando videogames. Tudo muda quando Scott conhece Ramona Flowers, mas para ficar com ela, ele deve derrotar seus 7 Ex-Namorados do Mal.

Ramona Flowers (Mary Elizabeth Winstead)

Misteriosa americana que acaba de se mudar para o Canadá, trabalha como entregadora da Amazon e logo desperta a atenção de Scott. Ela dá informações sobre seus ex-namorados.

Wallace Wells (Kieran Culkin)

Colega de quarto gay de Scott (e um dos mais divertidos personagens da saga), Wallace dá conselhos e ajuda a seu amigo, enquanto suporta seu vício em festas e videogames.

Knives Chau (Ellen Wong)

Antes de conhecer Ramona, Scott teve um pequeno namoro com a colegial Knives Chau, que se apaixonou por ele após ver um ensaio de sua banda. Quando Scott termina o namoro, tudo o que ela quer é vingança.

A Liga dos Sete Ex-Namorados do Mal

1. Matthew Patel (Satya Bhabha) : O namoro de Patel com Ramona começou no colégio, durando apenas uma semana. Ameaçando Scott, o sujeito conta com alguns poderes místicos.

2. Lucas Lee (Chris Evans): Skatista no colégio, Lee tornou-se astro de filmes de ação, sempre sucessos de bilheteria. Na luta contra Scott, conta com sua força bruta e equipe de dublês.

3. Todd Ingram (Brandon Routh): Baixista de uma banda de rock, Ingram possui poderes sobrenaturais graças a sua dieta Vegan (“ele fez academia vegan e tudo mais…”). É meio leigo.

4. Roxanne “Roxy” Ritchie (Mae Whitman): A única mulher da Liga, a meia-ninja Roxy foi parte de uma experiência “bi-curiosa” de Ramona.

5. e 6. Kyle & Ken Katayanagi (Shota Saito & Keita Saito): Gêmeos japoneses e famosos músicos, Ramona namorou os dois ao mesmo tempo.

7. Gideon Graves (Jason Schwartzman): Gênio maléfico, Gideon comanda a Liga dos Ex-Namorados e possui habilidades de luta avançadas.

Alguns memoráveis personagens nerds do cinema (e um grupo indispensável da TV).

McLovin

McLovin! Já virou ícone do século XXI, um dos mais divertidos e engraçados personagens que eu já vi. Armado com sua identida falsa e timidez, o adolescente se solta no fim do filme e, mesmo que sejam só alguns segundos, é o único que se dá bem.

George McFly

Um dos nerds mais bem caracterizados no cinema, o pai do herói Marty McFly, George, teve a sorte de conhecer uma bela moça e cresceu nerd (uma atuação excelente de Crispin Glover). Sua radical mudança, provocada por seu filho ao voltar no tempo, é inspiradora e real.

Dave Lizewski

O que faz um personagem recente e muito pouco conhecido aqui? Dave Lizewski, desengonçado e nerd não ficou apenas fantasiando com histórias de super-heróis; ele foi à luta!

Sheldon Cooper

Pela primeira vez no blog, uma homenagem a um personagem da televisão! Apesar de The Big Bang Theory não ser lá essas coisas, o intelectual arrogante Sheldon vale a visita. Sempre expondo sua opinião e a lógica dos eventos, é muito divertido e nerd de carteirinha. Ah, é claro, Bazzinga!

Scott Pilgrim teve que enfrentar 7 Ex-Namorados. O que mais os “romeus” do cinema já encararam, em nome do amor?

Quem vai Ficar com Mary?

Além de enfrentar diversos pretendentes (incluindo seu melhor amigo), o personagem de Ben Stiller sofre. É preso e confundido com um assassino, gasta muito dinheiro em pscicólogos e prende o zíper naquele santo lugar… Espartano esse cara.

Como se fosse a Primeira Vez

Realmente, ter que lembrar a garota que você namora todo dia de que eles se conhecem é real… Adam Sandler e Drew Barrymore lideram a agradável comédia, que é muito divertida.

Bem, o especial acaba aqui, mas não deixe de conferir a crítica de Scott Pilgrim contra o Mundo na Sexta-Feira. Até mais!

ATUALIZAÇÃO: A estreia do filme foi mudada para o dia 05/11 em SP.