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| O Tempo e o Vento | Lindo de morrer, entendiante de sofrer

Posted in Cinema, Críticas de 2013, Drama, Romance with tags , , , , , , , , , , , , on 30 de setembro de 2013 by Lucas Nascimento

2.5

OTempoeoVento
À frente do elenco: Thiago Lacerda diverte na pele do Capitão Rodrigo

Eu acredito no cinema nacional. Ou ao menos, quero acreditar. Não tenho dúvidas de que o melhor da nossa produção audiovisual esteja nos setores menores: curtas-metragens, animações ou até mesmo vídeos destinados à exibições na internet; reconsiderando, é um equívoco taxar esses meios como “menores”, já que o alcance ali pode ser assombroso. Infelizmente, não é em O Tempo e o Vento que é possível enxergar a competência da Sétima Arte no Brasil.

A trama traz a ambiciosa missão de adaptar a trilogia literária composta por O Continente, O Retrato e O Arquipélago de Érico Veríssimo. Extendendo-se por gerações de uma mesma família, a história é um retrato sobre a criação do estado do Rio Grande Sul, tendo em foco a guerra civil que assolou o país no final do século XIX.

Nunca li a obra na qual o filme de Jayme Monjardim se baseia, mas a opção de se achatar três livros em um único filme de 2 horas já é arriscada. E, realmente, não é fácil para o espectador absorver tantas narrativas separadas por anos e anos de transição sem tornar a experiência maçante: suas 2 horas de duração tem a sensação de 4. É o preço de se tentar resumir uma história gigante, que até consegue entreter em alguns momentos, mas isso é mérito das personagens, não da história (lembrem-se, meu julgamento é formado a partir do filme, não do livros).  Personagens bem retratadas por seus respectivos intérpretes, especialmente o caricato Capitão Rodrigo de Thiago Lacerda, cuja performance divertida se destaca dentre o bom elenco.

É lamentável que o roteiro de Tabajara Ruas e Letícia Wierzchowski falhe ao equilibrar suas narrativas, já que O Tempo e o Vento deve ser um dos mais belos filmes que o Brasil já produziu. Evocando constantemente paisagens ensolaradas e tomadas que emulem o pôr-do-sol icônico visto em … E o Vento Levou, a fotografia de Affonso Beato é simplesmente linda de morrer. Tão bonita que seu mérito é, também, sua ruína, mas aqui temos Monjardim a culpar: o diretor parece tão obcecado pelas imagens que insiste em inseri-las a praticamente toda transição de período/cena, o que contribui para o senso de repetição da narrativa (ou algo do tipo “chega dessas paisagens, isso não é um screen saver“) e revela a imaturidade do diretor. E fica ainda pior com a trilha sonora evocativa e sugestiva de Alexandre Guerra, que, novamente buscando inspiração no cinema épico, soa embaraçosa e novelesca.

Um final ingrato para um filme tão ambicioso e bem sucedido em suas conquistas técnicas. Mas fica aqui a preciosa lição que deve servir de exemplo a todos os cineastas do planeta: de nada vale o orçamento faraônico se não há um roteiro sólido que sustente suas estruturas.

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