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| Caçadores de Obras Primas | Tropa artística de George Clooney passa longe do status

Posted in Aventura, Cinema, Comédia, Críticas de 2014 with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 17 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

2.5

TheMonumentsMen
Matt Damon e Cate Blanchett

Caçadores de Obras-Primas, quarto trabalho de George Clooney na direção, levanta um tema muito, mas muito interessante. Não me recordo de ter encontrado outro filme que relate as buscas pelo exército americano por obras de arte roubadas e destruídas por nazistas na Segunda Guerra Mundial, uma premissa deliciosa que, infelizmente, não tem seu potencial inteiramente aproveitado pelos realizadores.

A trama, baseada em fatos reais, é ambientada no final da Guerra e traz o tenente Frank Stokes (Clooney) reunindo uma tropa especial formada por pintores, arquitetos e escultores para ajudar a preservar e recuperar obras de arte ameaçadas pelos nazistas.

Some a premissa tentadora com um elenco estelar e o resultado não tem como dar errado… Em teoria, pelo menos. O grande problema de Caçadores de Obras-Primas é sua péssima estrutura narrativa, que se manifesta brutalmente quando os personagens são forçados a se separarem (algo que acontece logo no primeiro ato, sem spoilers). Temos o protagonista de Clooney aqui, as duplas formadas por John Goodman & Jean Dujardin e Bill Murray & Bob Balaban ali e o pobre Matt Damon jogado na subtrama mais desinteressante possível, onde contracena com Cate Blanchett. Nenhum dos intérpretes faz um trabalho menos do que excelente (especialmente Blanchett, que abraça o estereótipo da “bibliotecária” com charme), mas a montagem de Stephen Mirrione não oferece um encadeamento lógico para as diferentes linhas – o que torna a estrutura do filme praticamente limitada a cenas/momentos isolados.

Uma pena, já que o roteiro de Clooney e o frequente colaborador Grant Heslov acerta em determinados diálogos e passagens, principalmente ao oferecer um longo discurso que justifica a importância da cultura para a Humanidade, mesmo diante da perda de vidas humanas. Já Clooney como diretor… Não deve existir termo mais apropriado do que “piegas” (talvez até tendenciosa) para definir o comando do ator/diretor. Fazendo uso pesado da trilha sonora de Alexandre Desplat (que aposta em uma melodia dramática até mesmo num momento PURAMENTE CÔMICO) em praticamente 100% da projeção, demonstrando falta de confiança em seu próprio trabalho. Sem falar no epílogo completamente descartável e apelativo, e que surge como um dos maiores embaraços já testemunhados no gênero; com um propósito tolo e até risível (um personagem responder a uma pergunta retórica que lhe fora feita 30 anos atrás? Por favor…).

Dado o talento dos envolvidos, fica claro que Caçadores de Obras-Primas poderia ter sido muito mais. A projeção se desenrola agradavelmente com boas doses de humor, mas beira o insuportável quando seu diretor insiste em uma condução apelativa e… piegas. Realmente lastimável. O material poderia render muito mais.

Obs: O compositor Alexandre Desplat tem uma participação consideravelmente longa no filme.

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Confira o primeiro trailer de THE MONUMENTS MEN

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , , , , on 8 de agosto de 2013 by Lucas Nascimento

monu

Então, veja bem: George Clooney dirige e estrela um filme inspirado na história real de um pelotão da Segunda Guerra Mundial encabido de recuperar obras de artes valiosas antes de serem destruídas/roubadas pelos nazistas. Quer mais? O elenco traz Matt Damon, Bill Murray, John Goodman, Jean DuJardin e Cate Blanchett. Ainda não está convencido? Então assista logo abaixo o primeiro trailer de The Monuments Men:

A música no trailer é “Kiss the Sky”, da Shawn Lee’s Ping Pong Orchestra.

The Monuments Men estreia no Brasil em 17 de Janeiro. Oscar, hein.

Esse é Mesmo o Oscar 2012? | VOLUME I: Atuações

Posted in Especiais, Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 21 de fevereiro de 2012 by Lucas Nascimento

Quando a lista dos indicados à 84ª edição dos Academy Awards foi finalmente divulgada, foi um misto de decepção e felicidade. Mesmo satisfeito com alguns longas presentes, o sentimento agridoce foi maior devido às imensas injustiças cometidas pelo Oscar em 2012… Por isso, o especial em quatro partes recebe o título acima.

Mas enfim, nem promete ser desgraça no Oscar deste ano!  Comecemos com a primeira parte do especial com os indicados nas categorias de atuações:

Demián Bichir | Uma Vida Melhor

Personagem: Carlos Galindo

Até a indicação ao Oscar, eu não tinha nem ouvido falar de Uma Vida Melhor. O filme certamente passará longe dos cinemas brasileiros, então é difícil comentar a performance de Demián Bichi na pele do jardineiro Carlos Galindo, que luta para proteger seu filho da influência de gangues e tenta dar-lhe uma vida melhor.

George Clooney | Os Descendentes

Personagem: Matt King

George Clooney entrega uma das melhores performances de sua carreira no retrato sensível e delicado de Matt King, um pai de família que se vê metido em uma série de eventos desafortunados. Ao longo de Os Descendentes, esquecemos da imagem de galã do ator e observamos sua impressionante expressividade, em uma mistura curiosa de drama e humor.

Jean Dujardin | O Artista

Personagem: George Valentin

Muito popular na França, Jean Dujardin está no páreo para levar a estatueta de Melhor Ator. Premiado no Festival de Cannes, sua performance muda do astro George Valentin é estupenda, sustentando-se na grande expressividade facial do ator (como o constante sorrisinho) que fala no lugar de palavras. A grande felicidade de Valentin é ofuscada pela entrada do cinema falado, levando o personagem a uma tristeza de partir o coração e Dujardin é bem-sucedido ao retratar essa mudança, sem também apelar para caricaturas. Grande ator.

Gary Oldman | O Espião que Sabia Demais

Personagem: George Smiley

É díficil de acreditar que esta seja só a primeira indicação ao Oscar de Gary Oldman. Excelente ator, ele finalmente é reconhecido por seu delicado retrato do espião George Smiley. Homem de poucas palavras, usa o rosto e gestos de mãos como maior forma de expressão, alcançando um resultado sutil e bem trabalhado – escondendo suas emoções na maior parte do longa, o que torna Smiley um personagem típico do labiríntico mundo da espionagem.

Brad Pitt | O Homem que Mudou o Jogo

Personagem: Billy Beane

Mostrando-se cada vez mais talentoso e sedento por variados papeis, Brad Pitt beira a perfeição no retrato do técnico de beisebol Billy Beane. Nunca apelando para o caricato ou exagerando nos momentos dramáticos, impressiona por sempre estar com aparente bom humor e confiança (a mordida nos lábios, usado adotado pelo ator constantemente, serve quase como identidade do personagem), ganhando admiração do público. É uma das três melhores performances de Pitt.

FICOU DE FORA: Ryan Gosling | Tudo pelo Poder ou Drive

Personagem: Stephen Morris/Motorista

Ryan Gosling vem ganhando cada vez mais destaque em Hollywood. Com dois ótimos papéis dramáticos (além de sua divertida participação em Amor a Toda Prova), ele surpreende com o acessor político Stephen em Tudo pelo Poder – especialmente no lado sombrio do personagem, que transforma-se ao longo da projeção – e com o Motorista de Drive, uma performance bem mais silenciosa e concentrada. Gosling poderia ter sido indicado por qualquer um desses dois filmes.

APOSTA: Jean Dujardin

QUEM PODE VIRAR O JOGO: George Clooney

Glenn Close | Albert Nobbs

Personagem: Albert Nobbs

O papel de Glenn Close como o personagem-título é realmente desafiador, considerando que a atriz interpreta uma mulher que se passa por homem. Close acerta na timidez do personagem, em seus gestos peculiares e na voz leve e fraca.

Viola Davis | Histórias Cruzadas

Personagem: Aibileen Clark

Depois de ter sido indicada por sua pequena (mas devastadora) participação em Dúvida, Viola Davis mostra todo o seu talento como a empregada doméstica Aibileen. A personagem fala e age de forma contida durante grande parte da projeção, demonstrando timidez e medo em sua voz, enquanto trata a filha de sua patroa com um ar maternal irresistível e age de forma mais descontraída com as colegas Miny e Skeeter. Suas cenas finais são explosivas, onde Davis surpreende com sua feroz expressividade. Merece.

Rooney Mara | Millennium: Os Homens que não Amavam as Mulheres

Personagem: Lisbeth Salander

Rooney Mara é o rosto de uma das mais fascinantes personagens a surgir nos últimos anos. Mesmo já tendo sido bem representada por Noomi Rapace, Mara toma Lisbeth Salander para si e mergulha na mente da personagem, adotando seu físico e seu psicológico em uma performance inesquecível. Com pesado sotaque sueco e um olhar penetrante em todas as cenas em que aparece, a atriz faz de Salander uma personagem marcante e enigmática. Difícil comentar, só vendo pra entender.

Meryl Streep | A Dama de Ferro

Ainda não assisti ADama de Ferro (e pra ser sincero, não assistiria se não estivesse indicado ao Oscar), mas não é de se admirar que Meryl Streep esteja indicada por seu retrato de Margaret Thatcher. Fisicamente não há o que reclamar (o pessoal da maquiagem também merece aplausos), e pelo que tenho visto nos trailers e clipes do filme, Streep arranca mais uma performance impecável e adota os trajetos da 1ª Ministra Britânica com perfeição. Claro que ainda vou assistir o filme…

Personagem: Margaret Thatcher

Michelle Williams | Sete Dias com Marilyn

Personagem: Marilyn Monroe

Infelizmente, a Imagem Filmes ferrou sua programação de estreias e Sete Dias com Marilyn ficou apenas para 23 de Março (uma pena, porque eu estou MUITO ansioso para ver Michelle Williams em ação). Quando o filme estrear, faço uma atualização aqui.

FICOU DE FORA: Kirsten Dunst | Melancolia

Personagem: Justine

Não é nenhuma surpresa ver Kirsten Dunst fora do Oscar por sua excelente performance em Melancolia. Isso porque seu nome praticamente isentou-se muitas outras premiações (com excessão do Festival de Cannes, onde ela levou o prêmio de Melhor Atriz) e também porque o diretor Lars Von Trier não é muito querido pela Academia… Uma pena, já que Dunst deixa de lado seu lado cômico e abraça a depressão e tristeza de Justine, em um trabalho memorável.

APOSTA: Viola Davis

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Meryl Streep

Kenneth Branagh | Sete Dias com Marilyn

Personagem: Laurence Olivier

Já sabe né? Sete Dias com Marilyn só estreia no dia 23 de Março.

Jonah Hill | O Homem que Mudou o Jogo

Personagem: Peter Brandt

É muito legal ver Jonah Hill indicado. Em seu primeiro papel voltado para o drama, vemos que o ator tem o carisma necessário para o gênero, e fez de Peter Brandt um personagem real e sem estereótipos (considerando que Brandt é um analista de sistemas, seria muito fácil apelar para o tipo “nerd”, mas Hill vai além ao representar como este vai se interessando pelo espírito do beisebol). Já é hora de Hill deixar de ficar conhecido apenas como “o gordinho do Superbad“.

Nick Nolte | Guerreiro

Personagem: Paddy Conlon

Há 13 anos sem ser indicado (a anterior fora por Temporada de Caça, em 1999), Nick Nolte é lembrado pela Academia como o técnico de MMA Paddy Conlon, treinador e pai dos dois protagonistas do filme. Ainda não assisti Guerreiro (ele atualmente encontra-se disponível em algumas locadoras), mas pretendo para ver se Nolte merece os elogios que tem recebido.

Christopher Plummer | Toda Forma de Amor

Personagem: Hal Fields

Christopher Plummer já é ator a meio século e, curiosamente, só agora parece estar tendo destaque durante a temporada de prêmios. Favorito disparado (ganhou Globo de Ouro e SAG), o veterano ator abraça com firmeza o viúvo que decide sair do armário em plena meia-idade, divertindo com seus acessos de felicidade e na honestidade do personagem, sem apelar para o caricato do “gayzaço”. É fato que Hal aparece muito pouco em Toda Forma de Amor, mas é um dos pontos altos do longa.

Max von Sydow | Tão Forte e Tão Perto

Personagem: O Inquilino

O veterano Max von Sydow fatura a segunda indicação ao Oscar de sua carreira (a anterior, por Pelle, O Conquistador em 1987) como o misterioso Inquilino de Tão Forte e Tão Perto. Após assistir ao filme, o personagem é o que mais permanece na memória e de longe o melhor atrativo do longa de Stephen Daldry, isso graças ao ótimo trabalho do ator, que permanece mudo em todas as suas cenas e expressa-se através de anotações.

FICOU DE FORA: Stellan Skarsgard | Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Personagem: Martin Vanger

Sempre um coadjuvante de luxo, o sueco Stellan Skarsgard faz de Martin Vanger um personagem absolutamente inesquecível na versão de David Fincher para Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Se você assistiu ao filme, sabe sobre o lado mais “peculiar” do personagem, que o ator captura com perfeição e delicadeza, demonstrando a paciência, calma e até ironia do irmão da desaparecida da história. Genial.

APOSTA: Christopher Plummer

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Max von Sydow

Bérénice Bejo | O Artista

Personagem: Peppy Miller

Estou apaixonado por Bérénice Bejo. Com seu sorriso e andar graciosos, a atriz argentina faz de Peppy Miller uma personagem adorável, fazendo uso de todo seu carisma e expressões faciais (da mesma forma que seu colega de cena, Jean Dujardin). E Bejo também sofre uma transformação similar à do personagem de Dujardin, só que ela torna-se mais bem-sucedida e, mesmo assim, nunca deixa sua inocência e bondade de lado. A melhor entre as indicadas (isso porque a atriz não merece ser indicada como coadjuvante, e sim protagonista).

Jessica Chastain | Histórias Cruzadas

Personagem: Celia Foote

2011 também foi muito agitado para Jessica Chastain. A atriz começa a ganhar espaço no circuito, tendo estrelado um total de seis filmes (um mais diferente do outro) e foi lembrada aqui por sua sorridente Celia Foote em Histórias Cruzadas. Praticamente a”gêmea do bem” de Bryce Dallas Howard – considerando a semelhança física das duas – Chastain faz de Foote uma mulher adorável e fofa, conseguindo mostrar a euforia (que às vezes é até exagerada e bobinha) e carinho de sua personagem através de uma voz dócil e leve, que ainda conta com o bem trabalhado sotaque sulista.

Melissa McCarthy | Missão Madrinha de Casamento

Personagem: Megan

É muito legal ver a Academia prestigiando atuações cômicas. Desde a indicação de Robert Downey Jr. por seu brilhante trabalho em Trovão Tropical não víamos algo do gênero, até que Melissa McCarthy tem sua Megan lembrada pelos votantes, o que é justo se considerarmos o quanto ela contibue para que Missão Madrinha de Casamento arranque algumas risadas. Durona, cara-de-pau, mas também uma ótima conselheira, a atriz diverte na personagem e se destaca no filme.

Janet McTeer | Albert Nobbs

Personagem: Hubert Page

Uma das melhores entre as indicadas, Janet McTeer consegue roubar Albert Nobbs em todas as cenas em que aparece, conseguindo até ofuscar Glenn Close. Seu Hubert Page também uma mulher travestida de homem, mas McTeer se sai melhor ao fornecer uma aura mais “macho” para a personagem, destacando seu ótimo sotaque irlandês.

Octavia Spencer | Histórias Cruzadas

Personagem: Minny Jackson

Octavia Spencer é favorita disparada na categoria (levou o Globo de Ouro e o SAG, e continua avançando de forma similar à Christpher Plummer). A atriz faz de Minny uma espécie de alívio cômico da trama, preenchendo-a de maneirismos físicos e com uma voz sempre alarmante com o sotaque sulista afiado. Tudo bem que ela soa meio caricata em alguns momentos (principalmente nos chiliques), mas é impossível não gostar dela. Não é melhor do que Bejo, mas não é ruim ver a estatueta em suas mãos.

FICOU DE FORA: Chloe Grace Moretz | A Invenção de Hugo Cabret

Personagem: Isabelle

A sempre ótima Chloe Grace Moretz continua surpreendendo. Em seu papel mais “inocente”, ela interpreta a jovem Isabelle, que ajuda o protagonista Hugo Cabret em sua busca por respostas. Com um delicioso sotaque britânico (um desafio para a atriz, já que ela é americana) e um espírito aventureiro bem evidente, Moretz está excelente.

APOSTA: Octavia Spencer

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Bérénice Bejo (ou pelo menos merecia)

É só isso por hoje. Fiquem ligados que as restantes categorias aparecerão ainda essa semana, antes do Oscar.

| O Artista | O filme mudo que tem dado o que falar

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2012, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , on 11 de fevereiro de 2012 by Lucas Nascimento

4.5


Os ótimos Jean Dujardin e Bérénice Bejo

É impressionante quando um filme consegue te fazer voltar no tempo, ainda mais quando é nostálgico como O Artista. Filme francês mudo e em preto-e-branco dirigido por Michel Hazanavicius, é disparado o favorito ao Oscar e certamente merece suas 10 indicações ao prêmio, sendo uma linda homenagem ao cinema dos anos 30.

A trama acompanha um dos momentos mais revolucionários da História do cinema: a chegada do som em um ambiente dominado por produções mudas, e como a inovação resultou no colapso de inúmeras estrelas. Nesse cenário, temos George Valentin (o ótimo Jean Dujardin) como um artista mudo que entra em decandência, a passo que a novata Peppy Miller (a apaixonante Bérénice Bejo) vai ascendendo como atriz do cinema falado.

É preciso muita ousadia fazer um filme mudo em pleno século XXI. Em tempos em que a indústria cinematográfica é sustentada, em sua maioria, por computação gráfica e conversões em 3D, eis que surge um pequeno grande filme que é bem sucedido justamente por retroceder às origens do cinema. O Artista parece e sente como um longa dos anos 20; desde sua apresentação (com os créditos antes do filme) até a montagem habilidosa e repleta de transições típicas da época. Eu não sou especialista no cinema mudo, mas percebe-se que o espírito de tais produções era o que é visto aqui: a grande expressividade dos atores que dá lugar às palavras (Dujardin e Bejo, assim como todo o elenco, são espetaculares) e o uso constante da trilha musical, no caso as ótimas composições de Ludovic Bource.

Hazanavicius entende o espírito da coisa e entusiastadamente usa-se de diversas referências. Há um pouco de Crepúsculo dos Deuses (não só pelo tema de transição, mas uma situação que remete bastante à de Norma Desmond no filme de Billy Wilder), Cantando na Chuva (que, curiosamente, é mais um exemplar do tema) e uma espetacular cena de sapateado digna de Fred Astaire. E mesmo assim, ele faz do filme algo seu e mostra-se criativo em suas composições visuais, como a ascenção de Peppy, que é brilhantemente retratada na cena de sua “subida” nos créditos de elenco e pela rima temática que traz Valentin saindo de um cinema lotado  durante a estreia de seu filme, conhecendo Peppy, apenas para posteriormente os papéis se inverterem e o astro mudo se tornar mais um na plateia, enquanto o nome de sua colega agora surge imponentemente no mesmo cinema. Genial.

O Artista é um deleite para amantes da Sétima Arte. Não posso ser o maior especialista em cinema, mas sei que Michel Hazanavicius fez aqui uma homenagem muito especial aos primórdios da indústria cinematográfica, e nem mesmo um Oscar é grande o suficiente para o filme. Uma verdadeira obra-prima.

Vencedores do SAG Awards 2012

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , on 30 de janeiro de 2012 by Lucas Nascimento

Sem muitas surpresas né? Vencedores do Screen Actors Guild Awards (cinema, apenas):

MELHOR ELENCO DE DUBLÊS

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Octavia Spencer – Histórias Cruzadas

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Christopher Plummer – Toda Forma de Amor

MELHOR ATRIZ

Viola Davis – Histórias Cruzadas

MELHOR ATOR

Jean Dujardin – O Artista

MELHOR ELENCO

Histórias Cruzadas

O Que Esperar do Oscar 2012?

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 28 de agosto de 2011 by Lucas Nascimento

Já estamos quase em Setembro e, tendo chegado nessa época, já da pra prever alguns dos filmes que têm grande chance de concorrer ao Oscar do ano que vem. Vamos analisar alguns possíveis candidatos:

The Ides of March

Dirigido e estrelado por George Clooney, parece o típico “filme-feito-para-Oscar”, com um tom bem político e baseado em uma história real. Promete boas performances de Clooney e Ryan Gosling e a trama é bem interessante.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (George Clooney e Ryan Gosling), Ator Coadjuvante (Paul Giamatti) e Roteiro Adaptado.

Cavalo de Guerra

Steven Spielberg voltando ao cinema-espetáculo que o consagrou nos anos recentes. A trama é uma história de amizade na Primeira Guerra Mundial, fórmula ideal para agradar a todos os públicos, e a produção parece caprichada.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Adaptado, Direção de Arte, Fotografia, Montagem, Figurino, Efeitos Visuais, Edição de Som e Mixagem de Som.

A Árvore da Vida

O complexo filme de Terrence Malick agradou muitos críticos e ganhou a Palma de Ouro em Cannes, o que o torna um forte candidato. A Árvore não vai vencer – por ser muito fora dos padrões da Academia – mas eu acredito fortemente na vitória de Malick como melhor diretor; ele merece, mesmo eu não curtindo muito o resultado final do filme.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Original, Ator (Brad Pitt), Fotografia, Montagem, Trilha Sonora, Efeitos Visuais e Mixagem de Som.

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2

O quê? Harry Potter? Isso mesmo. Com o último capítulo da bem-sucedida franquia do jovem bruxo ganhando um sinal positivo quase que universalmente, uma indicação para Melhor Filme entre os dez candidatos parece quase certa. Isso também porque a Academia fez feio ao menosprezar os filmes anteriores, então é hora de compensar – isso porque o filme em si é ótimo.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Direção de Arte, Fotografia e Efeitos Visuais.

J. Edgar

Será que chegou a hora do Oscar de Leonardo DiCaprio? Eu diria que o novo filme de Clint Eastwood tem as características que formam um bom filme (e as mesmas que a Academia adora), incluindo ambientação de época, figuras polêmicas e fatos reais. O estilo lembra bastante A Troca (também de Eastwood), que teve a performance de Angelina Jolie indicada. Mas esperemos que J.Edgar faça melhor…

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Leonardo DiCaprio), Roteiro Original, Direção de Arte, Figurino e Fotografia.
Atualização: Depois de sua recepção fraca nos EUA, acho que o longa perdeu sua vaga entre os indicados para Melhor Filme, Diretor e Roteiro.

Meia-Noite em Paris

Woody Allen promete voltar aos tempos do Oscar com sua deliciosa fábula parisiense. É muito precoce, mas – além de prováveis indicações que o filme pode ter – eu apostaria numa vitória de Melhor Roteiro Original, simplesmente porque as referências e os diálogos são excepcionais.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Atriz Coadjuvante (Marion Cottilard), Roteiro Original e Direção de Arte.

Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres

David Fincher voltando ao gênero de serial killers e adaptando (mais uma vez) a brilhante trilogia de Stieg Larsson. Pronto.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Atriz (Rooney Mara), Roteiro Adaptado, Direção de Arte, Fotografia, Figurino, Montagem, Trilha Sonora, Edição de Som e Mixagem de Som.

O Espião que sabia Demais

Aí sim. O diretor Tomas Alfredson (Deixa ela Entrar) promete um thriller de espionagem à moda antiga ao adaptar o famoso livro de John Le Carré sobre a Guerra Fria (que já havia sido adaptado anos atrás, estrelado por Alec Guiness). Com um ótimo elenco liderado por Gary Oldman – que promete ficar no mano a mano com DiCaprio e Clooney pelo Oscar de Ator – o filme promete.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Gary Oldman), Ator Coadjuvante (Colin Firth), Roteiro Adaptado, Fotografia, Direção de Arte, Figurino e Montagem.

My Week with Marilyn

Só pela notícia de um filme sobre Marilyn Monroe, começam especulações de Oscar. O que chama a atenção é a presença da ótima Michelle Williams no papel da diva, prometendo uma performance daquelas que só acontecem uma vez na carreira…

Possíveis Indicações: Melhor Atriz (Michelle Williams), Ator Coadjuvante (Kenneth Branagh), Roteiro Adaptado, Direção de Arte e Figurino.

Carnage

O novo de Roman Polanski promete uma furiosa batalha de interpretações de seus quatro ótimos atores. Jodie Foster, Kate Winslet, John C. Reilly e Christoph Waltz prometem dar o que falar, enquanto Polanski provavelmente será esquecido novamente pela Academia – em decorrência da polêmica em torno de sua vida pessoal.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Ator (Christoph Waltz, John C. Reilly), Atriz (Kate Winslet, Jodie Foster) e Roteiro Adaptado.

A Dama de Ferro

Meryl Streep interpretando a Primeira-Ministra Margaret Thatcher. Mais uma indicação para Streep, mas acho que não vai além disso.

Possíveis Indicações: Melhor Atriz (Meryl Streep), Direção de Arte, Figurino e Maquiagem.

50/50

A história real sobre um sujeito normal que descobre ter câncer é um dos filmes que eu mais antecipo. Joseph Gordon Levitt (cuja performance está sendo muito bem elogiada) e Seth Rogen prometem um tom bem-humorado ao complicado tema e, sem bem-sucedido, o resultado pode ser aprovação universal. Eu quero que esse filme dê certo.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Ator (Joseph Gordon-Levitt) e Roteiro Original.

A Invenção de Hugo Cabret

É, temos Martin Scorsese, mas acho que seu filme não tem potencial para entrar na concorrência de Melhor Filme. É um apelo bem mais infantil e, sejamos francos, se não fosse a direção de Scorsese e o bom elenco, ninguém estaria dando bola pro filme.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Adaptado, Fotografia, Melhor Atriz Coadjuvante (Chloe Moretz), Direção de Arte, Figurino e Mixagem de Som.
Atualização: Queimei a língua! Não esperava nada de Hugo Cabret, mas depois dos calorosos elogios e alguns prêmios (como Melhor do Ano no National Board Reviews), o filme sai na frente na disputa. Adicionei Melhor Filme, Diretor, Roteiro Adaptado e Fotografia às apostas.

The Artist

Sucesso em Cannes, o filme é em preto-e-branco e mudo, contando a ascenção e queda de um famoso artista de Hollywood. Jean Dujardin ganhou o prêmio de Melhor Ator no Festival e foi elogiadíssimo no mundo todo, durante exibições do filme. Bacana, voltar no tempo e fazer um longa assim é ousado.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Jean Dujardin), Roteiro Original, Direção de Arte, Fotografia, Figurino e Trilha Sonora.

Histórias Cruzadas

O filme estreiou há duas semanas nos EUA, contando a história de uma jovem que aspira ser escritora na década de 60. Os especilistas apontam a forte possibilidade de uma indicação para Viola Davis, mas acho que não passa disso.

Possíveis Indicações: Melhor Atriz Coadjuvante (Viola Davis), Direção de Arte e Figurino.

Drive

Mais um que veio de Cannes, Drive pode ser muito bem descrito como “Carga Explosiva com cérebro”. A trama é muito interessante, girando em torno de um dublê de Hollywood que faz trabalhos de fuga para criminosos durante a noite. Ganhou Prêmio de Melhor Diretor em no Festival e promete uma mistura empolgante de ação e thriller.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Ryan Gosling), Atriz Coadjuvante (Carey Mulligan), Roteiro Adaptado e Montagem.

Super 8

Como eu queria que Super 8 fosse indicado a algo que não envolvesse categorias técnicas… O excelente longa de J.J. Abrams é um dos melhores do ano, sendo um nostálgico atestado ao cinema de Spielberg dos anos 70-80. Acham que é demais esperar uma indicação pra Melhor Filme?

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Direção de Arte, Fotografia, Figurino, Montagem, Trilha Sonora, Edição de Som e Mixagem de Som.

Planeta dos Macacos: A Origem

O filme (infelizmente) não apresenta muita chance de estar na categoria principal, mas a Academia PRECISA reconhecer o magistral trabalho de Andy Serkis na composição do macaco Cesar. Essa pode ser a primeira vez na História em que uma performance digital pode ser indicada ao Oscar…

Possíveis Indicações: Melhor Ator Coadjuvante (Andy Serkis), Efeitos Visuais, Edição de Som e Mixagem de Som.

ATUALIZALÇÕES (02/12/11)

Os Descendentes

Novo filme de Alexander Payne, é um misto de drama e comédia que tem colecionado elogios em sua recepção nos EUA (muitos apontam como um dos melhores do ano). George Clooney é um dos favoritos para Melhor Ator.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Clooney), Roteiro Adaptado e Fotografia.

Shame

Polêmico por receber uma censura NC-17 (a mais alta para filmes não-pornográficos), o drama sobre vício em sexo é um filmes que eu mais anseio, prometendo um trabalho chocante e memorável. Isso sem mencionar a performance de Michael Fassbender, considerada a melhor de sua carreira e uma das melhores do ano.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Original, Ator (Michael Fassbender), Atriz (Carey Mulligan) e Fotografia.

É claro que podemos encontrar novas surpresas até Janeiro do ano que vem e eu possa estar completamente enganado sobre tudo escrito acima, mas não acho que o Oscar 2012 va ser tão diferente disso. Enfim, temos que esperar.

A ÁRVORE DA VIDA leva a Palma de Ouro no Festival de Cannes

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , on 22 de maio de 2011 by Lucas Nascimento

A 64ª edição do Festival de Cannes anuncia seus vencedores, tendo A Árvore da Vida de Terrence Malick como ganhador de seu prêmio máximo, a Palma de Ouro. Confira a lista completa abaixo:

Palma de Ouro: A Árvore da Vida

Melhor Atriz: Kirsten Dunst – Melancolia

Melhor Ator: Jean Dujardin – The Artist

Melhor Diretor: Nicolas Winding Refn – Drive

Melhor Roteiro: Footnote – Hearat Shulayim

Grande Prêmio: Garoto de bicicleta e Once upon a time in anatolia – Nuri Bilge Ceylan

Curta-Metragem: Cross Country – Marina Vroda

Prêmio Câmera de Ouro: Las Acacias – Pablo Giorgelli

Prêmio do Júri: Polisse – Maiwenn Le Besc