Arquivo para jean marc-vallée

| Livre | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2015, Drama with tags , , , , , , , , , , , , on 16 de janeiro de 2015 by Lucas Nascimento

3.5

Wild
Reese Witherspoon é Cheryl Strayed

O walkabout, ou a jornada movida a fim de uma epifania espiritual, é tema de diversas obras notáveis, tanto no cinema quanto na televisão, literatura, quadrinhos… You name it. Nos últimos anos, Na Natureza Selvagem certamente é um dos mais poderosos nesse quesito, e Livre segue de perto a fórmula do filme de Sean Penn.

A trama nos apresenta a Cheryl Strayed (Reese Witherspoon) em meio a uma longa trilha pela Pacific Crest Trail, dos EUA. Em meio a diversos lapsos e flashbacks, vamos aprendendo sobre seu passado sombrio, a relação com a mãe (Laura Dern) e as tragédias pessoais que a colocaram nessa súbita jornada para redescobrir a si mesma.

A estrutura quebrada (outra possível influência de Na Natureza Selvagem) é ao mesmo tempo a melhor e a pior coisa de Livre. É bom pois o roteiro poético de Nick Hornby é elegante ao nos revelar com cuidado o passado de Cheryl (deixando pistas aqui e ali, provocando mistério, antecipação) e também para fugir de uma narrativa mais convencional. Dessa forma, a montagem de Martin Pensa e John Mac McMuprhy (pseudônimo do diretor Jean-Marc Vallée) é ágil e eficiente ao transformar o longa em uma colagem de memórias, rápidos cortes que traduzem os pensamentos da protagonista e até repetições de cenas para pesar seu significado. Bem dinâmico, mas também torna a experiência um tanto inconsistente; eu achei, pelo menos, que as sessões do filme em que ele se fixava em um único espaço temporal eram superiores aos lapsos mais inconscientes de Cheryl. Pessoalmente, achei cansativo.

Felizmente, Valleé tem bom olho para capturar lindas paisagens e também no comando da história. Reese Witherspoon segura o filme e entrega uma excelente performance na pele de Strayed, sabendo dosar sua força com suas fraquezas: não é nenhuma princesinha mimada (ela repudia ser chamada de “Rainha” por um colega), mas também não é a Sarah Connor das trilhas, trazendo à tona seus traumas e as dificuldades físicas em sua jornada – sua luta inicial contra a gigantesca mochila é um bom exemplo. Já Laura Dern está adorável e simpatizante como a mãe ingênua e sonhadora, mas sua indicação ao Oscar é algo que sou incapaz de compreender.

Mais desafiador do que se poderia esperar da premissa, Livre é uma experiência interessante que traz boas atuações e uma narrativa ousada. Pode perder alguns espectadores no caminho (eu incluso), mas não deixa de ser um feito notável.

Obs: Durante os créditos, fotos da Cheryl Strayed real são exibidas. Além disso, ela tem uma pequena participação no filme.

Anúncios

Amy Adams será Janis Joplin nos cinemas

Posted in Notícias with tags , , , , , , on 21 de novembro de 2014 by Lucas Nascimento

aa

Acaba de sair a confirmação de que o cineasta Jean-Marc Vallée (de Clube de Compras Dallas e Livre) vai dirigir Amy Adams em um biopic sobre a roqueira Janis Joplin. O projeto passou por Fernando Meirelles e Lee Daniels antes de chegar a Vallée, que deve começar a produção no ano que vem.

Promissor. Vallée sempre consegue arrancar performances exemplares (Matthew McConaughey, Jared Leto, Reese Whiterspoon e por aí vai), e fico curioso para ver como Amy Adams vai se sair.

| Clube de Compras Dallas | Matthew McConaughey é o novo rei do mundo

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 23 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

3.5

DallasBuyersClub

A incrível transformação de Matthew McConaughey

Há uns 10 anos atrás, nunca pensaríamos em Matthew McConaughey como um profissional a ser levado a sério. Protagonista de inúmeras comédias românticas encharcadas de clichês e filmes de ação de qualidade duvidosa (quem lembra de Sahara, hein?), o ator repentinamente deu início a uma série de performances eficientes em ótimas produções (incluindo também a excelente série True Detective), culminando em sua primeira indicação ao Oscar com Clube de Compras Dallas; um bom filme, mas cujo mérito reside na força de seu protagonisga

A trama é inspirada na vida real de Ron Woodroof, um eletricista que descobre ter contraído o vírus da AIDS em 1985, período em que a doença ainda era lidada com preconceitos e métodos pouco eficientes. Tendo os dias contados, Woodroof acaba experimentando medicamentos ilegais nos EUA e, notando resultados superiores aos obtidos pelo tratamento convencional, inicia uma organização a fim de tratar pacientes com AIDS pelo uso de drogas clandestinas.

Dirigido com firmeza pelo canadense Jean Marc-Vallée, Clube de Compras Dallas claramente não traz um tema fácil. A AIDS até hoje permanece uma questão delicada, e o roteiro da black-list (seleção dos melhores roteiros não produzidos) assinado por Craig Borten e Melisa Wallack acertadamente traz críticas a respeito da burocracia governamental da época, o despreparo do sistema médico, a homofobia e o preconceito – temas distintos amarrados através de diálogos eficientes e até mesmo um senso de humor bem colocado. O elemento inesperado surge da curiosa relação entre o protagonista e a travesti Rayon, vivido com maestria pelo favorito ao Oscar Jared Leto: Woodroof é machista e homofóbico, enquanto Leto faz do personagem transexual uma figura energética, divertida e trágica, impressionando também por sua pesada caracterização.

Mas em termos de performance e caracterização, é mesmo Matthew McConaughey quem toma o show para si. Com uma perda de peso visível e chocante, o ator mergulha fundo na pele de Ron Woodroof e consolida de vez sua nova fase como ator dramático. Seja nas diferentes relações com Leto, Jennifer Garner ou o policial vivido por Steve Zahn, McConaughey segura o filme até mesmo quando este perde o fôlego; algo que acontece quando a projeção atinge sua meia hora final, que se desenrola de forma lenta e que certamente fluiria melhor caso os montadores Martin Pensa e o diretor Vallée chegassem direto ao ponto – algo que realizam tão bem ao cobrir as passagens de tempo nas sequências em que Woodroof obtém e distribui as drogas experimentais.

Ao fim, Clube de Compras Dallas é uma história cativante sobre um sujeito interessante, sendo favorecida pelas esforçadas performances de seu elenco principal. O resultado seria melhor com alguns minutos a menos, mas felizmente Matthew McConaughey é bem sucedido ao carregar o filme todo nas costas.