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| Transformers: A Era da Extinção | Crítica

Posted in Ação, Aventura, Cinema, Críticas de 2014 with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 16 de julho de 2014 by Lucas Nascimento

1.5

TransformersAgeofExtinction
Calma, tem Jurassic Park ano que vem…

Juro que eu nem sei por onde começar.

Por uma série de motivos pessoais, não consumo nenhum tipo de substância intorpecente, seja álcool, ervas ou qualquer outro variante. Mas quando Optimus Prime surge cavalgando um dinossauro metálico cuspidor de fogo em Transformers: A Era da Extinção, eu desejei que pudesse magicamente ficar chapado. É a única maneira de suportar essa pérola do mestre Michael Bay.

A… Trama é novamente roteirizada por Ehren Kruger (responsável pelos dois últimos filmes da franquia), e traz a Humanidade se voltando contra todos os Transformers – Decepticons e Autobots – dadas as consequências da batalha de Chicago, que detonou toda a cidade e incontáveis vidas humanas em O Lado Oculto da Lua. Nesse cenário de caçadas, encontramos o inventor Cade Yaeger (Mark Wahlberg), que é surpreendido ao descobrir que o caminhão velho que adquiriu é na verdade o líder dos Autobots, Optimus Prime. A descoberta coloca ele, sua família e os robôns na mira da CIA, e também de um misterioso caçador de recompensas intergaláctico.

Isso é só o básico, porque la na metade de seus intermináveis 164 MINUTOS, Kruger continua enfiando mais e mais personagens, o que acaba gerando a aparição de novos antagonistas e – por consequência – batalhas e clímaxes atrás do outro, em um verdadeiro massacre que só o Sr. Bay é capaz de promover. Temos lá as corridas com explosões ao fundo, beijos em contra luz, pôr do sol o tempo todo, câmera lenta para capturar as embaraçosas caras de espanto do elenco e seu icônico plano contra plongé para retratar algum personagem saindo de um carro (e ele realmente vai fundo dessa vez, usando o movimento de câmera inúmeras vezes). Toda a escala da produção realmente impressiona, o que me faz pensar da onde o estúdio conseguiria tanto dinheiro para bancar uma porcaria dessas. Aí me deparo com inúmeros outdoors de grifes como Armani Exchange e Victoria’s Secret, inúmeras marcas chinesas para atrair o mercado asiático (sério, tem um gritante anúncio turístico para temporadas de 2015 em uma das batalhas) e até um close estuprador de um auto-falantes Beats. É um filme todo patrocinado, e nada sutil.

TransformersAgeofExtinction
Robôs gigantes transformistas? Ok. Mark Wahlberg “inventor”? Nope.

Tudo bem, não se dá pra esperar algo genial vindo daqui. Basta olhar para os filmes anteriores (eu gosto do primeiro, mas só), e perceber como nada, absolutamente nada muda. A decisão de trazer Mark Wahlberg para ser o novo protagonista até funciona, já que ele nitidamente mais herói de ação do que Shia LaBeouf, mas quando você me pede pra aturar a subtrama babaca de sua relação com a filha (Nicola Peltz) e os ciúmes em relação namorado desta (Jack Reynor), é forçar uma amizade que nem existe. E a cada filme, Bay consegue atrair mais atores renomados para serem ridicularizados: não bastasse Jon Torturro, John Malkovich e Frances McDormand, agora é a vez de Kelsey Grammer, John Goodman, Ken Watanabe e – coitado – Stanley Tucci de se juntarem ao show de horrores. Tucci, em especial, interpreta uma paródia de Steve Jobs (troque a maçã por uma pêra) e desconfio que este sim estava completamente chapado ao assinar ao contrato – não que sua performance histérica seja sóbria, muito pelo contrário.

Devo falar sobre o roteiro? OK. Eu admito que a presença de um vilão mais independente torna a trama ligeiramente mais interessante, já que evita a esgotada fórmula de Autobots vs. Decepticons, e também porque o tal Lockdown consegue se diferenciar da maioria de seus companheiros robóticos (a sempre competente equipe de efeitos visuais merece aplausos pelos minuciosos detalhes faciais nos personagens. Já o fato de este fazer uma aliança com um agente secreto é curioso, e me faz pensar como tais acordos aconteceram. Ou quem sabe a aparição dos icônicos Dinobots, que simplesmente surgem de uma nave espacial e a justificativa de Optimus para que estes se juntem à sua causa é genial, simplesmente genial: “Nós te damos liberdade! Ajudem-nos, ou vocês morrerão!”. É, grande líder mesmo. Ah, e um dos personagens usa uma bola de futebol americano em uma briga, só queria falar isso. E Kruger claramente acha que só por que você mora na China, é perito em artes marciais, como nos revela a constrangedora cena em que um sujeito PACATO E SEM RELAÇÃO ALGUMA COM A TRAMA larga suas compras e ENCHE UM DOS BANDIDOS DE PORRADA. E NUNCA MAIS APARECE NO FILME!

Sério, chega.

Transformers: A Era da Extinção representa tudo o que existe de pior em Hollywood. É barulhento, estereotipado, merchanizado e mais ligado a intenções empresariais do que Cinema de verdade. E o pior é que tudo funciona, aparentemente, tendo em vista que o filme já arrecadou meio bilhão de dólares nas bilheterias mundiais e já garantiu mais continuações.

Infelizmente, a extinção está longe de acontecer.

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| Caçadores de Obras Primas | Tropa artística de George Clooney passa longe do status

Posted in Aventura, Cinema, Comédia, Críticas de 2014 with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 17 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

2.5

TheMonumentsMen
Matt Damon e Cate Blanchett

Caçadores de Obras-Primas, quarto trabalho de George Clooney na direção, levanta um tema muito, mas muito interessante. Não me recordo de ter encontrado outro filme que relate as buscas pelo exército americano por obras de arte roubadas e destruídas por nazistas na Segunda Guerra Mundial, uma premissa deliciosa que, infelizmente, não tem seu potencial inteiramente aproveitado pelos realizadores.

A trama, baseada em fatos reais, é ambientada no final da Guerra e traz o tenente Frank Stokes (Clooney) reunindo uma tropa especial formada por pintores, arquitetos e escultores para ajudar a preservar e recuperar obras de arte ameaçadas pelos nazistas.

Some a premissa tentadora com um elenco estelar e o resultado não tem como dar errado… Em teoria, pelo menos. O grande problema de Caçadores de Obras-Primas é sua péssima estrutura narrativa, que se manifesta brutalmente quando os personagens são forçados a se separarem (algo que acontece logo no primeiro ato, sem spoilers). Temos o protagonista de Clooney aqui, as duplas formadas por John Goodman & Jean Dujardin e Bill Murray & Bob Balaban ali e o pobre Matt Damon jogado na subtrama mais desinteressante possível, onde contracena com Cate Blanchett. Nenhum dos intérpretes faz um trabalho menos do que excelente (especialmente Blanchett, que abraça o estereótipo da “bibliotecária” com charme), mas a montagem de Stephen Mirrione não oferece um encadeamento lógico para as diferentes linhas – o que torna a estrutura do filme praticamente limitada a cenas/momentos isolados.

Uma pena, já que o roteiro de Clooney e o frequente colaborador Grant Heslov acerta em determinados diálogos e passagens, principalmente ao oferecer um longo discurso que justifica a importância da cultura para a Humanidade, mesmo diante da perda de vidas humanas. Já Clooney como diretor… Não deve existir termo mais apropriado do que “piegas” (talvez até tendenciosa) para definir o comando do ator/diretor. Fazendo uso pesado da trilha sonora de Alexandre Desplat (que aposta em uma melodia dramática até mesmo num momento PURAMENTE CÔMICO) em praticamente 100% da projeção, demonstrando falta de confiança em seu próprio trabalho. Sem falar no epílogo completamente descartável e apelativo, e que surge como um dos maiores embaraços já testemunhados no gênero; com um propósito tolo e até risível (um personagem responder a uma pergunta retórica que lhe fora feita 30 anos atrás? Por favor…).

Dado o talento dos envolvidos, fica claro que Caçadores de Obras-Primas poderia ter sido muito mais. A projeção se desenrola agradavelmente com boas doses de humor, mas beira o insuportável quando seu diretor insiste em uma condução apelativa e… piegas. Realmente lastimável. O material poderia render muito mais.

Obs: O compositor Alexandre Desplat tem uma participação consideravelmente longa no filme.

Confira o primeiro trailer de THE MONUMENTS MEN

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , , , , on 8 de agosto de 2013 by Lucas Nascimento

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Então, veja bem: George Clooney dirige e estrela um filme inspirado na história real de um pelotão da Segunda Guerra Mundial encabido de recuperar obras de artes valiosas antes de serem destruídas/roubadas pelos nazistas. Quer mais? O elenco traz Matt Damon, Bill Murray, John Goodman, Jean DuJardin e Cate Blanchett. Ainda não está convencido? Então assista logo abaixo o primeiro trailer de The Monuments Men:

A música no trailer é “Kiss the Sky”, da Shawn Lee’s Ping Pong Orchestra.

The Monuments Men estreia no Brasil em 17 de Janeiro. Oscar, hein.

| Universidade Monstros | Primeiro prelúdio do estúdio fica aquém de sua gloriosa reputação

Posted in Animação, Cinema, Críticas de 2013 with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 23 de junho de 2013 by Lucas Nascimento

3.0

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Toga! Toga! Mike e Sully nos tempos de faculdade

A Pixar teve um período espetacular nos cinemas. De 2005 até 2010, o estúdio filiado pela Walt Disney foi responsável por alguns dos melhores filmes de animação de todos os tempos: Os Incríveis, Ratatouille, Wall-E, Up – Altas Aventuras e Toy Story 3 conquistaram não só o público infantil, mas também fez muitos adultos chorarem (eu ainda apanho dos 10 minutos iniciais de Up) e refletirem sobre os temas contidos nesses trabalhos – quase todos indicados ao Oscar, dois deles ao de Melhor Filme. A Era de Ouro da Pixar acabou com Carros 2 e Valente, filmes que- mesmo tendo sido bem recebidos – careciam do valor sentimental/maduro encontrado em seus trabalhos anteriores. Universidade Monstros chega para tentar reafirmar o posto absoluto do estúdio, mas não é nada além de um filme divertido.

A trama serve como prelúdio para o genial Monstros S.A., mostrando Mike Wazowski (voz de Billy Cristal na versão original) e James P. Sullivan (voz de John Goodman) se conhecendo na Universidade Monstros, uma faculdade especializada no ensino dos sustos e formadora de funcionários para a famosa empresa do filme anterior. Aqui, a dupla se alia a um grupo ridicularizado a fim de ganhar um torneio essencial para o curso de Assustadores.

Comandado pelo estreante Dan Scanlon (que também assina o roteiro ao lado de Robert L. Baird e Daniel Gerson), Universidade Monstros é eficiente ao trabalhar alguns elementos de sua empolgante proposta: como funcionaria uma instituição de ensino de monstros? Daí entra a esperteza do texto ao transportar todos os estereótipos de universidades norte-americanas (os esportistas, os nerds, os hippies e toda aquela divisão de fraternidades) ao universo de monstros nada assustadores, mas que continuam surpreendendo por suas composições inventivas (a personagem dublada por Helen Mirren, uma mistura de inseto com dragão, é particularmente interesssante). As melhores piadas funcionam pelos pequenos detalhes.

O que nos leva ao grande problema do filme. A história aqui é pautada em uma estrutura formulaica, prevísivel e que não parece ter nada muito significativo a dizer (além de uma óbvia valorização do trabalho em equipe). Claro, o público-alvo nesse tipo de produção é a faixa etária dos 10 anos, mas a Pixar sempre conseguia trazer algo além. Não temos aqui uma história emocionante como a do velhinho Carl, um amadurecimento profundo como o de Andy ou um antagonista complexo como o crítico gastronômico Ego. O prelúdio se sai bem como uma animação divertida e que entretém, mas não parece demonstrar a ambição por temas mais elaborados. Como fã de Monstros S.A., fico decepcionado por não ter sido bem explorada a relação entre Mike e a salamandra Randy Boggs (voz de Steve Buscemi); é revelado aqui que os dois eram amigos, mas o desmantelamento dessa amizade se dá por motivos rasos, jamais ganhando o foco necessário para justificar a vilania do personagem no primeiro filme.

Ainda estou esperando que a Pixar volte a me estapear com suas incríveis doses de sentimento e humor. Universidade Monstros é um bom filme, mas o estúdio pode (e está devendo) fazer muito melhor.

Obs: Há uma engraçadíssima cena pós-créditos.

Obs II: Como de costume nos filmes da Pixar, é exibido um curta-metragem antes do início do filme. “O Guarda-Chuva Azul” é bonitinho, mas nada espetacular.