Arquivo para Kathryn Bigelow

| Sniper Americano | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2015, Drama, Guerra with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 17 de fevereiro de 2015 by Lucas Nascimento

3.0

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Bradley Cooper é Chris Kyle, o sniper americano

Projeto que seria tocado por Steven Spielberg, Sniper Americano foi parar nas hábeis e versáteis mãos de Clint Eastwood, que conseguiu transformá-lo em um dos 8 indicados ao Oscar de Melhor Filme deste ano. O longa também gerou polêmica nas diferentes visões políticas do público americano, que acusaram-no de glorificar feitos violentos de um “psicopata”, enquanto outros defendem que é um retrato fiel de um verdadeiro herói de guerra. Bem…

A trama se dedica a contar toda a trajetória de Chris Kyle (Bradley Cooper) pelo exército americano dos SEAL. Motivado a defender seu país após os ataques do 11 de Setembro, Kyle vai se tornando o atirador de elite mais eficiente do pelotão, ao mesmo tempo em que constrói uma família ao lado de Taya (Sienna Miller) em seu distante lar.

Vamos tirar o elefante da mesa: Sniper Americano é ultranacionalista. Eu realmente não vejo isso em outros filmes do Oscar que sofreram tais críticas (como Guerra ao Terror, Argo ou A Hora Mais Escura, por motivos óbvios), mas o filme de Eastwood está constantemente gritando seu amor à bandeira dos EUA, e é algo que seja a incomodar mais do que a propaganda descarada que Michael Bay faz da Marinha em seus Transformers. Esse elemento tanto prejudica quanto acrescenta à narrativa: a paixão de Kyle por sua pátria o coloca em conflito com suas responsabilidades familiares (“Eu odeio os SEALs”, clama a esposa), mas quando vemos uma reação ultradramática com zoom ins de Kyle observando ataques terroristas na televisão, é difícil não enxergar o aspecto propagantista do filme.

São raros os momentos em que realmente vemos como a guerra mudou Kyle, e que infelizmente não trazem a sutileza que Kathryn Bigelow empregou em Guerra ao Terror (a equipe de mixagem de som merece aplausos por inserir efeitos sonoros de batalha escondidos no cotidiano de Kyle, como um alucinógeno). Como personagem, Bradley Cooper faz o possível para tornar Kyle uma figura carismática – sua transformação física e sotaque texano ajudam na caracterização -, ainda que não fique claro exatamente o quê o move? Puro patriotismo? É a necessidade de ajudar pessoas? É uma figura altamente idealizada, mesmo que Eastwood traga bons momentos de hesitação quando Kyle está com o dedo no gatilho, e seu nada discreto desconforto ao estar eliminando vidas.

Aliás, Eastwood é competente ao criar sequências de pura tensão, como o primeiro encontro de Kyle com um terrorista conhecido como “Açogueiro” e o misterioso sniper inimigo que estaria à sua caça. Aliada à montagem nervosa de Joel Cox e Gary Roach, é uma das cenas mais impactantes do ano. Mas ao mesmo tempo, o diretor vai lá e me traz uma vergonhosa e artificial cena com um tiro em câmera lenta, que parece ter saído de um projeto experimental de – novamente – Michael Bay. Ah, sem falar no já viralizado bebê vergonhosamente falso que Kyle segura em certo momento.

Sniper Americano traz seus bons momentos de tensão e pirotecnicas, mas é arrastado, longo e prejudicado pelo retrato idealista e nacionalista de seu protagonista. Quem diria que, num ano em que Eastwood lança um musical de coro e um filme sobre um atirador, o longa cantado seria melhor?

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O Incógnito Oscar 2013 | Volume IV: Categorias Principais

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 21 de fevereiro de 2013 by Lucas Nascimento

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Chegamos à parte final do meu especial sobre o Oscar 2013! Aqui, analisaremos as categorias principais, passando pelos Roteiros, Diretores e, claro, os 9 filmes indicados. Vamos lá:

OBSERVAÇÕES:

  • Clique nos nomes de cada profissional para conferir seu histórico de indicações ao Oscar
  • Abaixo de cada perfil estão os prêmios que cada filme já garantiu na respectiva categoria
  • Nas categorias de ROTEIRO ORIGINAL e ROTEIRO ADAPTADO, clique nos títulos de cada filme para seu o roteiro completo (em inglês)

roteirooriginal

Qual é o parasita mais resistente? Uma ideia. Uma ideia completamente original é muito difícil de ser encontrada atualmente, mas de vez em quando, algumas muito boas aparecem em determinados roteiros. Os indicados são:

Amor | Michael Haneke

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Assim como aconteceu com A Separação no ano passado, a indicação de Amor nestas categorias principais automaticamente garante sua vitória em Filme Estrangeiro. Já o texto de Michael Haneke em si, não é meu preferido dentre os indicados… Acho a maior parte dos diálogos monótonos e que raramente trazem temas envolventes (um exemplo raro, é quando vamos percebendo aos poucos a identidade de um ex-aluno), sendo essencialmente cotidianos. O que admiro no roteiro de Haneke são ideias que funcionam melhor visualmente, como a cama de flores ou a genial metáfora da pomba invasora. E, claro, sua chocante reviravolta.

Quotação Memorável:
“- O que você diria se ninguém aparecesse no seu funeral?
– Nada, provavelmente” – Anne, Georges

Django Livre | Quentin Tarantino

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Eu ja disse antes e repito: não há ninguém que seja capaz de escrever diálogos como Quentin Tarantino. Sua investida no gênero de faroeste ( só que aqui, a designação mais apropriada é “farosul”) preserva todos os elementos típicos de sua escrita, desde os longos e caprichados diálogos até os personagens absurdos (como o bandido que cita a Bíblia e cola páginas desta no corpo enquanto chicoteia escravos). É certo que Django Livre é uma narrativa imperfeita, visto que sofre com um leve problema estrutural próximo a seu desfecho – onde a projeção se extende após o tiroteio em Candyland. Mas mesmo assim, o longa merece a vitória graças à habilidade e inteligência de Tarantino na construção dos diálogos, sendo mestre em prolongar as interações entre personagens e trabalhar a ascenção de tensão. Personagens e situações dignos do talento do cineasta, já está bom demais.

Quotação Memorável:Senhores, já tinham minha curiosidade. Mas agora têm minha atenção” – Calvin Candie

  • Globo de Ouro
  • BAFTA
  • Critics Choice Awards – Roteiro Original

A Hora Mais Escura | Mark Boal

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Mark Boal era um jornalista freelancer antes de se converter a roteirista vencedor do Oscar. E percebe-se a marca de sua profissão anterior aqui, já que o colaborador de Kathryn Bigelow enche A Hora Mais Escura de nomes, eventos e datas; visando um retrato quase que documental da busca por Osama Bin Laden. E ainda assim, certamente há muita ficção aqui, como a teatrilidade que eu pessoalmente duvido que a agente Maya demonstrava (como sua insatisfação ao marcar uma contagem de dias na janela de seu chefe), mas não é nada sensacionalista ou evasivo. Tendo seu final reescrito durante as filmagens, o roteiro do filme traz bons diálogos e situações, mas exausta por sua vasta quantidade de informações.

Quotação Memorável: “Eu sou a ‘motherfucker’ que achou esse lugar, senhor” – Maya

  • WGA – Roteiro Original

Moonrise Kingdom | Wes Anderson e Roman Coppola

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Moonrise Kingdom foi o primeiro filme de Wes Anderson que vi na vida, e acho que a narrativa cômica e quase caricata deve se aplicar à maioria dos trabalhos do diretor/roteirista. Aliado a Roman Coppola (isso mesmo, ele é filho do grande Francis Ford), Anderson traça uma fábula inocente e dócil sobre a própria perda desta; um jovem casal que se apaixona e resolve fugir da cidade, atravessando situações divertidas, simbólicas (o gesto de “furar a orelha”, por exemplo, é revelador) e personagens excêntricos. Não vejo grandes diálogos aqui, mas traz muitas ideias que funcionam visualmente.

Quotação Memorável: “Estarei lá no fundo. Vou procurar uma árvore pra cortar.” – Sr. Bishop

O Voo | John Gatins

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A premissa elaborada por John Gatins em O Voo é muito instigante, e funciona admiravelmente bem na primeira metade da projeção. O problema é que Gatins sente a necessidade de estender a narrativa desnecessariamente, e acaba adicionando elementos comoletamente descartáveis, como a viciada em drogas Nicole. Além disso, o roteirista resolve analisar a fundo o problema de alcoolismo de seu protagonista com uma série de clichês (está lá a velha cena de despejar as bebidas no ralo da pia) que só funcionam graças à performance de Denzel Washington. Se houvessem mais cenas sobre a investigação da perícia (ou apenas elas), seria mais interessante.

Quotação Memorável: “Ninguém poderia ter aterrissado aquele avião como eu. Ninguém” – Whip

FICOU DE FORA: Looper: Assassinos do Futuro | Rian Johnson

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Em uma época em que Hollywood aposta em continuações, adaptações e remakes de tudo quanto é coisa, eis que brota Rian Johnson e oferece uma aventura de ficção científica muito competente na forma de Looper: Assassinos do Futuro. Partindo da criativa premissa em que assassinos são contratados para eliminar alvos do futuro, Johnson explora com eficiência os conceitos e leis desse universo que criou, não se preocupando em oferecer uma explicação mega-científica para realidades alternativas e viagens no tempo. Um bom roteiro, que só peca pela presença desnecessária de poderes telecinéticos…

Quotação Memorável:Eu não quero falar de viagem no tempo, porque se começarmos vamos acabar ficando o dia todo aqui, fazendo diagramas com canudinhos” – Joe do Futuro

APOSTA: Django Livre

QUEM PODE VIRAR O JOGO: A Hora Mais Escura

MEU VOTO: Django Livre

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Quando uma ideia completamente original está em falta, resta recorrer à livros, artigos, peças ou fazer continuações; podendo simplesmente adaptá-la à tela grande, ou criar algo novo a partir de seu argumento. Os indicados são:

Argo | Chris Terrio, baseado no artigo Escape from Theran: How the CIA used a Fake Sci-Fi Flick to Rescue Americans from Iran de Joshuah Bearman

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Adaptado de um artigo que relata uma história real “que só poderia ser coisa de filme”, o roteiro de Argo deveria ser o sonho de qualquer cineasta. Escrito por Chris Terrio, este faz um ótimo trabalho ao trazer diálogos inteligentes e divertidos (nesse quesito, todas as cenas que envolvem Hollywood), gerando não apenas um eficiente thriller de espionagem, mas também um filme sobre se fazer filmes. Além da inusitada mistura, Terrio ainda traz um tema que se mantém atual e proporciona uma abordagem sem julgamentos pró-EUA. Claro que com um grupo de americanos a serem resgatados no Irã, os árabes recebem um tratamento antagonista, mas nunca chega a ser algo ufanista. E em tempos pós-11 de Setembro e Primavera Árabe, isso já é motivo para parabenizá-lo. Sem falar que criou o bordão mais legal dos últimos anos: “Argofuck yourself!”.

Quotação Memorável: “Se eu vou fazer um filme de mentira, vai ser um sucesso de mentira!” – Lester Siegel

  • WGA – Roteiro Adaptado
  • BAFTA

As Aventuras de Pi | David Magee baseado no livro A Vida de Pi de Yann Martel

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Muitos julgavam Life of Pi de Yann Martel uma obra infilmável (e enquanto termino o livro, reconheço que seja uma adaptação difícil), mas o roteiro de David Magee conseguiu dar conta do recado. Adotando a clássica estrutura do sujeito que compartilha suas histórias fantásticas para um terceiro, tal recurso compensa pela ausência de diálogos e também para envolver melhor o espectador da narrativa – afinal, Pi está nos contando a história. Mas ainda que Magee traga bons momentos de humor e reviravoltas  (a maioria destes na forma de baleias e peixes voadores) em um ambiente limitado, o texto erra no mesmo ponto do livro: a demasiada exposição sobre os conceitos de diversas religiões. Probleminhas à parte, é uma adaptação eficiente e bom entretenimento, conseguindo preservar a bela mensagem sobre o desapego da vida e a presença do simbolismo no embate realidade x ficção.

Quotação Memorável: “Eu acho que no fim, a vida toda torna-se um ato de desapego, mas o que sempre me entristece é não ter um momento para se despedir”. – Pi Patel

Indomável Sonhadora | Lucy Alibar e Benh Zeitlin baseado na peça Juicy and Delicious de Lucy Alibar

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Em breve, texto em progresso!

O Lado Bom da Vida | David O. Russell, baseado no livro The Silver Linnings Playbook de Matthew Quick

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David O. Russell assume a dupla função de diretor e roteirista, e sua habilidade com as palavras e tão formidável como a que este demonstra atrás das câmeras. O diretor adapta o livro de Matthew Quick (que não li, ainda) e oferece um tratamento leve e divertido a temas delicados como transtornos psicológicos e depressão – ambos favorecidos pelos excelentes diálogos entre os carismáticos personagens -, ainda que não os transforme totalmente em uma piada. Do meio pro fim, O Lado Bom da Vida se rende a algumas decisões previsíveis e até a elementos fantásticos (como a presença de “zica” em partidas de futebol americano), mas isso não prejudica por completo o bom trabalho de O. Russell.

Quotação Memorável: É, mande o Ernest Hemingway nos ligar e pedir desculpas também!” – Pat, Sr.

Lincoln | Tony Kushner, baseado parcialmente no livro Team of Rivals: The Political Genius of Abraham Lincoln de Doris Kearns Goodwin

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Já tendo trabalhado com Steven Spielberg em Munique (que também lhe garantiu uma indicação nesta categoria, em 2006), Tony Kushner traz os eventos mais relevantes de Team of Rivals para tratar um perfil dos últimos meses da vida de Abraham Lincoln. O que me incomoda no roteiro de Lincoln é que a narrativa prefere se concentrar nas politicagens e quebra-paus acerca do processo de validação da 13a emenda (e nas práticas maquiavélicas para conseguí-la) do que no homem que nomeia o título. Mesmo que traga bons diálogos nas cenas do Congresso (especialmente as rebatidas de Tommy Lee Jones), é a relação de Lincoln com sua família que me despertou maior interesse, e esta é – infelizmente – pouco explorada.

Quotação Memorável: “Eu poderia escrever sermões mais curtos, mas quando começo tenho preguiça de parar.”

  • Critics Choice Awards – Roteiro Adaptado

FICOU DE FORA: As Vantagens de Ser Invisível | Stephen Chbosky

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É muito interessante quando o autor de um livro sai para adaptar ele próprio sua obra. No caso de Stephen Chbosky, ele não só assina o roteiro de As Vantagens de ser Invisível, mas também a direção do longa; o que lhe da o direito de fazer todas as alterações que bem entender, sem sacrificar a obra original. Na crônica de Charlie e sua entrada no ensino médio, temos aqui diálogos maravilhosos, personagens muito carismáticos e também um tratamento muito delicado e original a temas como abuso sexual, problemas psicológicos e homofobia. Mas mais do que isso, é uma bela história sobre encontrar a si mesmo.

Quotação Memorável: “Nós estamos vivos agora mesmo, e nesse momento eu juro que somos infinitos” – Charlie

APOSTA: Argo

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Lincoln

MEU VOTO: Argo

diretor

Já vimos dezenas de categorias nas quatro partes deste especial. Mas apenas uma pessoa pode ter o controle absoluto sobre ela, mudar o que quiser e comandar para atingir o resultado desejado: o diretor. Os indicados são:

Michael Haneke | Amor

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Cineasta de currículo impecável (que conta com Caché, os dois Violência Gratuita e A Fita Branca), é de se espantar que essa seja apenas a primeira indicação de Michael Haneke. Como discuti em minha crítica, o austríaco confere um tom com grande lentidão e calmaria (a ausência de música e a presença de longos planos sem cortes ajudam nesse quesito) ao longo das 2 horas de Amor e isto é essencial para que o clímax funcione tão bem, e destrua toda esse tom como uma bomba atômica. O trabalho de Haneke é muito inteligente, mas requer muita paciência de seu espectador.

Ang Lee | As Aventuras de Pi

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Seguindo os passos de James Cameron e Martin Scorsese, Ang Lee é o novo reconhecido da Academia pelo uso da tecnologia 3D. Não que esta seja algo espetacular, mas o taiwanês traz recursos visuais muito interessantes em sua adaptação de As Aventuras de Pi, como mudar a proporação da imagem – alternando entre 16:9 e 4:3 em momentos chaves – a fim de conferir efeitos tridimensionais que, literalmente, “saltam” da tela. A direção de Ang Lee é criativa e este ajuda a criar uma narrativa competente que se sustenta com lindas imagens.

David O. Russell | O Lado Bom da Vida

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Eu tinha birra com David O. Russell desde sua indicação por O Vencedor, mas agora é tudo water under the bridge após seu trabalho seguro em O Lado Bom da Vida. Sua câmera é habilidosa ao circular todos os personagens em uma cena com diversos movimentos de mão e até bruscos, servindo para salientar ora a tensão, ora o humor (o zoom que este confere a um momento chave é acertadíssimo). Acho particularmente interessante como ele usa o recurso da câmera em primeira pessoa no flashback de Pat, que não só nos coloca na pele do personagem, como também adiciona um elemento de surpresa ao desfecho da cena. Meu trabalho favorito – quem diria – entre os indicados, parabéns sr. Russell.

Steven Spielberg | Lincoln

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De todos os filmes de Steven Spielberg que já vi, Lincoln traz sua direção mais contida. O diretor acerta ao reunir um ótimo elenco e lhes proporcionar um espaço eficiente que lhes permita trabalhar bem (sua câmera é sempre bem fixa e centrada nos intérpretes) e também ao aproveitar seu gordo valor de produção com planos abertos. Não seria justo taxá-lo como “piloto-automático”, já que o diretor cria belos planos que preservam a figura icônica do presidente, mas ainda que saiba como despertar emoções genuínas nos momentos certos (como a aprovação da 13ª emenda), desmerece a vitória por decidir mostrar a morte de Abraham Lincoln de forma melodramática; ainda mais porque poderia ter encerrado o filme minutos antes, com uma bela cena que mostra o protagonista caminhando em direção à luz. Spielberg precisa voltar ao espetáculo.

Benh Zeitlin | Indomável Sonhadora

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Sua estreia na direção de longa-metragens e Benh Zeitlin já garantiu sua primeira indicação Oscar: que belo começo de carreira. Assumindo-se como “essencialmente indie”, o diretor faz uso de uma câmera sempre incessante e com diversos planos e close-ups que retratem a precariedade do ambiente principal de Indomável Sonhadora (preservando com habilidade o ótimo trabalho do design de produção sem recursos grandiloquentes). Mas felizmente Zeitlin não apega-se à melancolia ou a maniqueísmos em tais momentos, conseguindo tirar situações divertidas dos cenários mais improváveis e sobressaindo-se na direção de elenco. Vamos ver se, com seu próximo projeto, não foi sorte de principiante.

FICOU DE FORA: Quentin Tarantino | Django Livre

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Ben Affleck, Kathryn Bigelow e Paul Thomas Anderson foram incríveis ausências nesta categoria. Os três diretores fizeram trabalhos incríveis em seus respectivos filmes, mas senti mais ainda a falta de Quentin Tarantino entre os 5 indicados, já que seu comando no faroeste (sul) de Django Livre é excelente. Cheio de referências e jogadas visuais, o diretor homenageia uma série de filmes do gênero (e também de outros, como Taxi Driver e … E o Vento Levou) e utiliza de um recurso de câmera divertidíssimo: o zoom rápido. Além de manter a narrativa sempre divertida, Tarantino também separa com inteligência a “violencia cômica” da “violência séria” ao alternar a forma com que retrata ambas. Não é o melhor trabalho do diretor, mas nada menos do que digno de indicação.

APOSTA: Steven Spielberg

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Ang Lee

MEU VOTO: David O. Russell

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Um casal de idosos testando seu amor, espiões cinéfilos, um indiano náufrago, um escravo recém-libertado, uma agente obcecada, uma jovem sonhadora, um popular presidente americano e um grupo de miseráveis cantores estão entre os indicados ao Oscar de Melhor Filme deste ano. Vejamos:

Amor

4.0

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“Então o filme só para idosos? Não, mas requer uma experiência de vida (especialmente àquelas baseadas no sentimento-título) que um jovem à beira da maioridade ainda desconhece por completo. Fui comovido pelas ótimas performances de seu elenco e pelo tratamento que Michael Haneke fornece ao longa, mas acho que levará alguns anos para Amor me acertar em cheio.” Crítica Completa

  • Palma de Ouro – Festival de Cannes
  • Globo de Ouro – Filme Estrangeiro
  • BAFTA – Filme Estrangeiro
  • Critics Choice Awards – Filme Estrangeiro

Argo

4.5

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“Um filme sobre um resgate americano em território iraniano renderia uma propaganda ufanista e exagerada nas mãos de um diretor “Michaelbayano”, mas o diretor-ator merece aplausos por apresentar uma relativa neutralidade diante da questão abordada – questionando tanto a incapacibilidade da CIA diante do sequestro quanto a violência executada pelos revolucionários. Argo é uma ótima dramatização de um inusitado capítulo da história da CIA, tratando seus temas de forma aprofundada e acessível, além de mostrar que Ben Affleck não é só um bom diretor, mas sim um ótimo cineasta.” Crítica Completa

  • Producers Guild Awards
  • Globo de Ouro – Drama
  • Directors Guild Awards
  • BAFTA
  • Critics Choice Awards

As Aventuras de Pi

4.0

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“Competente em seu ritmo de narração e interação entre a história contada e aqueles que contam a mesma (no caso, o ótimo Irrfan Khan), As Aventuras de Pi é uma linda realização visual e também uma bela mensagem sobre o desapego da vida. Não o achei poderoso em suas manifestações divinas, mas entre o caminho racional e o fantástico proposto pelo protagonista e pelo pai deste, fico com “a do tigre”.” Crítica Completa

Django Livre

4.5

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“Movendo-se com um bom ritmo até uma conclusão um tanto exagerada, Django Livre é mais um ótimo trabalho de Quentin Tarantino, e ainda que não alcance a perfeição de Bastardos Inglórios ou Pulp Fiction, comprova a facilidade do diretor em navegar com seu estilo único através de diferentes gêneros. Vejamos o que ele vai aprontar a seguir…” Crítica Completa

A Hora Mais Escura

4.0

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“Não tenho dúvidas de que há muita ficção em A Hora Mais Escura. Mas mesmo que alguns fatos apresentados tragam uma veracidade questionável, funcionam eficientemente bem como peça de entretenimento e não do tipo que vangloria uma nação. Ao invés de comemorar euforicamente a morte de Osama Bin Laden, o filme traz de volta a questão Maquiavélica e ainda deixa no ar uma ainda mais complexa: ” e agora?” A reação ambígua de Maya, que com olhos lacrimejados e a noção de que havia concluído uma tarefa que lhe custara 12 anos de sua vida, é a prova de que o filme vai além de sua proposta.” Crítica Completa

Indomável Sonhadora

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Com diversas passagens protagonizadas por criaturas pré-históricas que marcam presença simbólica (creio eu), Indomável Sonhadora explora de forma criativa e apropriada a relação de “causa e efeito” dentro de um ecossistema, enfatizando como cada pequeno elemento pode gerar consequências devastadoras, e também como as relações familiares podem ser comparadas com tal. É o grande indie da temporada de prêmios.

O Lado Bom da Vida

4.0

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“Com uma admirável química entre os dois protagonistas e um ritmo eficiente que fazem as 2 horas de filme parecerem minutos, O Lado Bom da Vida só peca ao recorrer a clichês típicos do gênero em sua conclusão (como uma série de coincidências e elementos supersticiosos). Mas como o próprio Pat diz ao reclamar de Adeus às Armas de Hemingway: ‘a vida já é dura como é, seria pedir demais por um final feliz?’ No caso deste belo filme, é aceitável.”  Crítica Completa

Lincoln

3.0

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“Em um de seus trabalhos mais contidos e livres de maneirismos (não que isso seja uma qualidade aqui) Steven Spielberg faz de Lincoln uma aula de História americana de quase três horas. Mas mesmo com valores de produção e elenco espetaculares, o “professor” carece de um bom material didático que nos ajude a entender melhor o Lincoln Homem, e restringe seu maior impacto emocional ao povo americano.” Crítica Completa

Os Miseráveis

3.5

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“Com 168 minutos que se movem com notável lentidão, Os Miseráveis apresenta uma ótima história e um elenco espetacular, mas que é ofuscada em meio ao excesso de canções. O novo método escolhido por Tom Hooper favoreceu aos intérpretes, que dão o seu melhor em apresentações intensas, mas rendeu uma experiência difícil de se acompanhar. Nas palavras do comediante Jerry Seinfeld: ‘Não gosto desses musicais, não entendo por que cantar, quem canta? Se tem alguma coisa pra dizer, diga!'” Crítica Completa

  • Globo de Ouro – Musical/Comédia

FICOU DE FORA: O Mestre

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“Pontuado nos momentos certos pela abstrata trilha sonora de Jonny Greenwood, O Mestre é uma obra poderosa que consegue expandir sua premissa a níveis universais, sobre o Homem questionando o papel de um líder ou de uma organização; e como estes podem alterar seus instintos mais básicos. Desculpem pelo trocadilho, mas é um trabalho de Mestre.” Crítica Completa

APOSTA: Argo

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Lincoln

MEU VOTO: Argo ou Django Livre

Bem, esse foi o especial Oscar 2013, não esqueçam de fazerem suas apostas. E só pra lembrar, no dia da cerimônia (domingo, 24) estarei aqui comentando o evento ao vivo, então apareçam!

| A Hora Mais Escura | Kathryn Bigelow disseca a caçada pelo terrorista mais procurado do mundo

Posted in Ação, Cinema, Críticas de 2013, Drama, Guerra, Indicados ao Oscar, Suspense with tags , , , , , , , , , , , , on 15 de fevereiro de 2013 by Lucas Nascimento

4.0

ZeroDarkThirty Jessica Chastain é a forte e determinada Maya

Quando Osama Bin Laden foi declarado morto pelo governo dos EUA em 1 de Maio de 2011, eu estava na escola. Envolto em programas de informática e embebido pelo sono provocado pela aula das 7, foi um dos poucos momentos em minha vida que senti estar presenciando a História sendo feita – para bem, ou para mal. E mesmo condenando diversas práticas adotadas em parte dos EUA nessa questão, o ataque da Al-Qaeda em 11 de Setembro é um dos mais abomináveis e cruéis dos últimos tempos.

Mas deixando de lado minha visão política, A Hora Mais Escura faz um ótimo trabalho ao abordar esse tema tão controverso de forma corajosa e que não surja como uma propaganda pró EUA. Isso porque a diretora Kathryn Bigelow não é Michael Bay. A única mulher oscarizada no cargo (vitória adquirida com Guerra ao Terror, em 2010) oferece um tratamento quase documental, certamente fruto da experiência do roteirista Mark Boal como jornalista, e traz uma narrativa repleta de eventos e nomes; tendo início em 2003 e culminando na operação de 2011. E Bigelow felizmente não cai na alternativa de glorificar os soldados americanos e colocá-los caminhando em câmera lenta ao som de uma melodia patriota.

A primeira metade do filme é centrada na tortura. Práticas hediondas que a diretora retrata na mera função de comprovar sua existência na busca pelo terrorista – ao contrário das críticas que o filme sofreu, que o acusaram de glamourizá-la inapropriadamente – a diretora claramente as taxa como um “mal necessário” (ainda mais se levarmos em conta os minutos iniciais que trazem gravações do 11 de Setembro, em uma forma de aplicar o pensamento de que “os fins justificam os meios”) e de forma alguma as julga como positivas. Sua câmera é sempre inquieta e constante, causando um senso de tensão ao longo da projeção – mesmo que tenha escritórios da CIA e salas de reuniões como ambientes principais. E ainda que a montagem de William Goldenberg e Dylan Tichenor seja eficiente ao organizar todas as informações que levarão ao terrorista, é Jessica Chastain que carrega nas costas esse bloco inicial.

Interpretando a versão fictícia de uma agente real (mas cuja identidade é mantida em sigilo, já que esta ainda encontra-se em atividade), Chastain impressiona e provoca grande admiração por sua indestrutível persistência. Durona e não deixando sua beleza ficar à frente de sua integridade (“Eu sou a ‘motherfucker’ que achou a casa”, diz ela a seus superiores), a atriz demonstra bem o cansaço através dos olhos pesados e os cabelos bagunçados de Maya; mas que também jamais perde seu foco em completar sua tarefa (e sua insistência ao marcar um certo número de dias diariamente na janela de seu chefe é uma bela evidência de sua insatisfação).

ZeroDark30A “hora mais escura” que nomeia o filme

E quando chega a “hora mais escura” que todos estavam esperando para ver, o filme se transforma. Tendo o roteiro modificado durante as filmagens (já que a produção começara em um período anterior à morte de Bin Laden), a mudança de ritmo é notável e gera uma melhora significativa ao filme. Mesmo que já saibamos o desfecho, a cena da invasão é de um nível cinematográfico excepcional graças à forte condução de Bigelow (que aposta na ausência de música e em momentos de violência gráfica e duvidosa) e a fotografia de Greig Fraser; cujo uso da escuridão e de visões noturnas chega a causar arrepios.

Não tenho dúvidas de que há muita ficção em A Hora Mais Escura. Mas mesmo que alguns fatos apresentados tragam uma veracidade questionável, funcionam eficientemente bem como peça de entretenimento e não do tipo que vangloria uma nação. Ao invés de comemorar euforicamente a morte de Osama Bin Laden, o filme traz de volta a questão Maquiavélica e ainda deixa no ar uma ainda mais complexa: ” e agora?” A reação ambígua de Maya, que com olhos lacrimejados e a noção de que havia concluído uma tarefa que lhe custara 12 anos de sua vida, é a prova de que o filme vai além de sua proposta.

Os indicados ao DIRECTORS GUILD AWARDS 2013

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , on 8 de janeiro de 2013 by Lucas Nascimento

DGA

Último grande prêmio de sindicato a divulgar seus indicados, o Directors Guild of America escolheu seus 5 candidatos para 2013. Confira:

Ben Affleck – Argo

Kathryn Bigelow – A Hora Mais Escura

Tom Hooper – Os Miseráveis

Ang Lee – As Aventuras dePi

Steven Spielberg – Lincoln

Os vencedores serão anunciados em 2 de Fevereiro.

E o Oscar vai para…(Parte IV): Categorias principais

Posted in Especiais, Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 5 de março de 2010 by Lucas Nascimento

Para a última parte do especial, deixei as principais categorias: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Original e Adaptado. Confira:

Melhor Roteiro Original

Bastardos Inglórios – Quentin Tarantino

Por algum motivo insano, Bastardos não foi indicado no Sindicato dos Roteiristas, mas tenho quase certeza de que a Academia não vai ignorar um dos mais originais roteiros dos últimos anos. Com uma estrutura excepcional, que apresenta o filme dividido em atos (como em uma peça de teatro), somos introduzidos a excelentes personagens, diálogos afiadíssimos, frases marcantes e uma versão completamente diferente da Segunda Guerra. Quentin Tarantino TÊM que levar, no mínimo, essa estatueta.

Frase Memorável: – Eu adoro rumores! Fatos podem ser enganosos, enquanto rumores, verdadeiros ou falsos, geralmente são reveladores. – Cel. Hans Landa

Guerra ao Terror – Mark Boal

O roteiro de Mark Boal possui uma premissa interessante: acompanhar o dia-a-dia de uma equipe do exército especializada em desarmar bombas. Possui frases de efeito muito bacanas e dramáticas, mas não possui nenhum elemento arrebatador e genial, como todos os críticos parecem acreditar. Se ganhar, ficarei arrasado, porque ele não merece ganhar de Tarantino.

Frase Memorável: “Se eu vou morrer, vou morrer confortável.” – Sargento James.

 Um Homem Sério – Joel Coen & Ethan Coen

O humor negro e irônico dos irmãos Coen não passou despercebido para os votantes da Academia. Apesar de seu ritmo lento, parado e às vezes cansativo, Um Homem Sério mostra o amadurecimento dos Coen, que desenvolvem de maneira dramática e bizarra seu protagonista, mas infelizmente, faltam surpresas bombásticas, como as vistas em Fargo e Queime depois de Ler, o que mostra que os Irmãos perderam coragem.

Frase Memorável: “Eu não pedi por Santana Abraxas, eu não ouvi a Santana Abraxas, eu não fiz nada!” – Larry Gopnik

O Mensageiro – Alessandro Camon & Oren Moverman

Eu não assisti a O Mensageiro, mas a premissa é muito interessante: acompanhar os soldados do Exército que tem a função de avisar a familia de um soldado morto em combate. Até aí me chama a atenção, mas, pelo trailer, é possível ver que o protagonista começa um caso com uma viúva; caminho que já um pouco esperado.

Frase Memorável: “Você não vai falar com ninguém exceto o parente mais próximo. Nenhum vizinho, amigo ou amante.” – Capitão Tony Stone

Up – Altas Aventuras – Bob Peterson & Pete Docter

A Obra-Prima da Pixar foi um dos melhores filmes de 2009 e trouxe uma combinação que poucos filmes trouxeram ano passado: aventura e emoção, muita emoção. Com um roteiro repleto de diálogos ágeis e muito divertidos, reviravoltas emocionantes e muita aventura, é difícil errar. Mas não será esse ano que uma animação ganhará essa estatueta.

Frase Memorável: Meu nome é Dug. Eu acabei de te conhecer e eu te amo! – Dug

Melhor Roteiro Adaptado

Amor sem Escalas – Jason Reitman & Sheldon Turner

Bem, Amor sem Escalas é o favorito da categoria. Eu gostei do roteiro, ele é muito bem escrito e possuí comentários sobre o desemprego e como sobreviver em um aeroporto que são realmente excepcionais. Mas as vezes somos jogados dentro do filme e não sabemos exatamente para onde ele quer nos levar, ou mostrar. Mas o roteiro conserta esse erro mais para o fim.

Frase Memorável: “Todo mundo que já construiu um império, ou mudou o mundo, sentou onde você está agora. E é Porque eles sentaram aí, que foram capazes de fazê-lo. – Ryan Bingham

Distrito 9 – Neil Blomkamp & Terri Tatchell

Distrito 9 é sem dúvida um dos mais originais e o mais realista filme de alienígenas já feito. Possui muitos elementos políticos, uma relação com o Apartheid envolvendo aliens e a arrebatadora transformação do protagonista. Possui muitos personagens arquétipos – como o militar durão, o sogro malvado – mas é um bom roteiro.

Frase Memorável: Vai ser rápido. Vai ser limpo. E o melhor de tudo… Vai ser discreto.” – Koobus Venter

Educação – Nick Hornby

É. Educação não merecia estar nessa categoria, do mesmo modo que Avatar, injustamente, não foi indicado para Melhor Roteiro Original. Tudo o que vemos em Educação já vimos antes, apesar de alguns bons diálogos e cenas bem escritas, como o primeiro encontro de Jenny com David e o genial personagem de Alfred Molina. Só isso.

Frase Memorável: “Eu sempre me sinto no meu próprio funeral quando ouço música clássica. Isso era música clássica, certo?” – Helen

In the Loop – Jesse Armstrong & Simon Blackwell & Armando Ianucci & Tony Roche

Quando li pela primeira vez a lista dos indicados a Melhor Roteiro Adaptado, a primeira coisa que pensei foi: “Whatta fuck is In the Loop?”. Não dei importância para o filme, mas ao assistir ao trailer, dei muitas risadas, principalmente com a frase abaixo. Sobre a trama, ela é bem interessante e chamativa; ponho fé em comédias inglesas.

Frase Memorável: “Você parece uma Julie Andrews nazista!” – Malcom Tucker

Preciosa – Uma História de Esperança – Geofrey Fletcher

 

O roteiro de Preciosa é muito bem escrito. Possui diálogos bem montados, escritos e desenvolve de maneira esperta seus personagens. No entanto, algumas passagens do roteiro são muito depressivas, tornando o filme desconfortável. Há também os personagens secundários arquétipos, mas fora isso é um roteiro bem escrito.

Frase Memorável: “Ás vezes eu queria que estivesse morta. Eu ficarei bem, eu acho. Porque eu fico olhando pra cima, esperando alguma coisa cair… Uma mesa, sofá, TV… Minha mãe talvez. – Clareece Precious Jones.

Melhor Diretor

James Cameron – Avatar

12 anos depois de sua vitória por Titanic, James Cameron é um dos favoritos para roubar o Oscar novamente com sua aventura futurista. Introduziu uma nova maneira de fazer filmes e ressucitou o cinema 3D de maneira impressionante. Já levou o Globo de Ouro de Melhor Diretor, mas suas chances contra Kathryn Bigelow não são tão grandes. O próprio Cameron já declarou que torce pela vitória de Bigelow. Se alguém quiser lembrar do mico que Cameron pagou gritando uma frase de Titanic, veja aqui.

Indicações ao Oscar: 3 Vitórias por Titanic como co-editor, co-produtor e Diretor. 3 indicações por Avatar como Co-editor, co-produtor e Diretor.

Quentin Tarantino – Bastardos Inglórios

Quentin Tarantino foi indicado, injustamente, apenas uma vez ao Oscar por seu melhor trabalho, Pulp Fiction, mas todos sabem que o gênio cinéfilo merecia outras indicações. Bastardos Inglórios é um dos melhores trabalhos do diretor e do cinema recente. Se dependesse de mim, Tarantino levaria o Oscar de Melhor Diretor fácil.

Indicações ao Oscar: 1 Vitória por Pulp Fiction como Co-Roteirista, 1 indicação por Pulp Fiction como Diretor ; 2 Indicações por Bastardos Inglórios como Diretor e Roteirista.

Jason Reitman – Amor sem Escalas

Jovem e promissor cineasta, Jason Reitman impressionou novamente com um filme complexo e maduro. Sempre confiante, aposta o charme do filme em seu maravilhoso elenco e acerta, mas esse ano, as chances de Reitman ir para casa com a estatueta de Diretor são remotas, mas tem grande chance como roteirista. E é bom que Reitman vá treinando sua cara de derrotado feliz, porque ele não pareceu nem um pouco feliz quando Avatar levou o Globo de Ouro…

Indicações ao Oscar: 1 Indicação por Juno como Diretor e 2 indicações por Amor sem Escalas como Diretor e Roteirista.

Kathyrin Bigelow – Guerra ao Terror

Kathryn Bigelow vai se tornar a primeira mulher a ganhar o Oscar de Melhor Diretor. É um trabalho notável; com a câmera na mão, Bigelow retrata de perto a ação dos soldados, seus momentos mais dramáticos e o ajuste na sociedade. Já levou o DGA, o PGA e o BAFTA e o único obstáculo em seu caminho é seu ex-marido, James Cameron. Mas a cineasta parece estar por cima.

Indicações ao Oscar: 1 Indicação por Guerra ao Terror como Diretora.

Lee Daniels – Preciosa – Uma História de Esperança

Devo dizer, a direção ousada e talentosa de Lee Daniels foi um dos grandes trunfos de Preciosa. Filmado com câmera tradicional, o diretor não tem medo de mostrar cenas fortes, pesadas e têm bastante controle sobre seu talentoso elenco. Gostei muito de seu trabalho.

Indicações ao Oscar: 1 Indicação por Preciosa – Uma História de Esperança como Diretor. 

Melhor Filme

Depois do óbvio e sem surpresas Oscar do ano passado, teremos um que, apesar de ter alguns favoritos, continua uma incógntia quem será o vencedor da categoria máxima. Avatar levou o Globo, Guerra ao terror o PGA e o DGA.

Amor sem Escalas

O terceiro filme do promissor Jason Reitman é sua obra mais complexa e madura, tendo sua mensagem não entendida por muitos. Bem escrito e cativante, o filme fala, principalmente, sobre relações e seus fins. Sejam relações de trabalho ou amorosas, e como nem sempre tudo dá certo na vida real. Sem rumo no início, mas sempre entretendo, é um bom filme. Crítica completa.

Avatar

Eu realmente não esperava muita coisa de Avatar quando vi o primeiro trailer. Mas o ambicioso projeto de James Cameron é a prova de que ainda existem boas ficções científicas, e que podem até chegar no nível de Star Wars, criando mundos inteiros e raças alienígenas. Tudo bem que a idéia do agente infiltrado que se encanta com o mundo que deve destruir não é tão original, mas o que importa, é a maneira como o filme conta sua história, que não falha em emoção, efeitos visuais e uma mensagem de responsabilidade ambiental. Outra grande força de Avatar, é sua bilionária bilheteria, atualmente a maior da História. Crítica completa.

Bastardos Inglórios

Se vocês tem acompanhado o blog nos últimos meses, sabem muito bem que, na minha opinião, Bastardos Inglórios é o melhor filme concorrendo e se dependesse de mim, levava o Oscar fácil. Um filme mais que original, divertido, com personagens memoráveis e uma alucinada versão alternativa da História. Pode até ser a Obra-Prima de Quentin Tarantino; um filme de ficar na memória e ver mais de uma vez. Realmente, uma grande injustiça o Oscar não dar o prêmio máximo para o filme que realmente merece. Um filme que já nasceu um clássico. Crítica completa.

Distrito 9

Um dos mais realistas filme de alienígenas já feito. Isso é um fato. Uma grande surpresa do ano, que saiu de um desconhecido diretor sul-africano (mas produzido por Peter Jackson), Distrito 9 mostra os alienígenas sofrendo um tipo de Apartheid, sendo isolados em uma favela. É muito original, possui efeitos visuais caprichados e um clima documental que chega a ser um tanto perturbador, mas eu acho que o clímax de batalha, com armas alienígenas foi um tanto exagerado. Mas ainda assim um ótimo filme. Crítica completa.

Educação

Dentre todos os indicados, Educação talvez seja o que menos merece a vaga. Sua história é previsível, com poucas surpresas e com um clímax esperado, mas ao menos temos um ótimo elenco, que liderados pela ótima Carey Mulligan, tornam o filme assistível. Ok, senhor crítico, e quanto a Avatar, já não vimos a mesma estrutura de história antes? Sim, mas o que importa, é que a ficção de James Cameron possui mais emoção e é melhor contada. A indicação só ocorreu porque é um tipo de filme que a Academia adora: filme inglês independente que fez sucesso em festivais.E mais, o excelente (500) Dias com Ela poderia ter assumido com justiça a vaga. Crítica Completa.

Guerra ao Terror

Por toda a parte, críticos falavam: Guerra ao Terror é um dos melhores filmes da década. Quando o assisti pela primeira vez, não achei nada além de um bom filme de ação com pinceladas de drama e muita tensão. Ao reassistí-lo, comecei a perceber melhor o que o filme queria mostrar, qual era seu objetivo e a explicação para o título The Hurt Locker. Minha opinião em torno do filme mudou, mas, mesmo assim, ainda não acho que seja esse o filme que merece ganhar o Oscar máximo e nem que seja tão genial e brilhante como todos dizem. É o filme superestimado da noite. Crítica completa.

Um Homem sério

A obra mais complexa e madura dos Irmãos Coen. O filme critica, com humor negro afiado, temas complicados e tenta passar uma interessante mensagem. Possui um ritmo bem lento e poucas surpresas, mas é um trabalho brilhante e muito inteligente, cujas idéias não podem ser captadas em apenas uma visita. Crítica Completa.

Preciosa – Uma história de Esperança

Preciosa tem como principal acerto, mostrar sem medo ou pudores, os abusos que a protagonista sofre de seus pais. Cheio de drama e tensão, o filme é muito bom, mas seu clima depressivo e forte, pode se tornar muito desconfortável de se assistir. O elenco se sai muito melhor, e acho que é por esse fator que o filme deva ser lembrado. Crítica Completa.

Um Sonho Possível

O filme dramático de Sandra Bullock foi uma das grandes surpresas entre os indicados. Eu esperava Star Trek ou Invictus, mas quem levou a vaga foi Um Sonho Possível. Ainda não assisti, mas ao julgar pelo trailer, ou a própria sinopse, me parece mais um dramalhão com a mensagem de superação no final. O típico “feel good movie”. O filme tem estreia prometida para semana que vem aqui no Brasil.

Up – Altas Aventuras

Uma animação na categoria de Melhor Filme? Isso mesmo, a Pixar já vinha merecendo há alguns anos a merecida indicação e ela veio com o excelente Up, na minha opinião a melhor animação já feita. Original, divertido e carregado com uma camada emocional inexistente em muitos filmes de hoje em dia. Sem sombra de dúvida leva na de Melhor Animação, mas suas chances em Melhor Filme são menores. Crítica completa.

 

Bem, é sensato dizer que Avatar e Guerra ao Terror são os que tem mais chance levar a estauteta dourada para casa. Eu já dei meu voto, agora é com vocês! Vote abaixo e não deixe de conferir o Oscar nesse domingo. Espero que tenham gostado!

Vencedores do BAFTA

Posted in Notícias, Prêmios with tags , , , , , , , , , on 21 de fevereiro de 2010 by Lucas Nascimento

Hoje o BAFTA, uma éspecie de Oscar britânico revelou seus vencedores. Concordo com alguns, mas não consigo suportar o fato de Guerra ao Terror levar tantos prêmios desmerecidos, como fotografia e Filme. Mas ainda mais frustrante, é ver este levar o prêmio de Roteiro Original no lugar de Tarantino!! Veja os vencedores abaixo:

Melhor Filme

Guerra ao Terror

Melhor Filme britânico

Fish Tank

Melhor Diretor (Prêmio David Lean)

Kathryn Bigelow – Guerra ao Terror

Melhor Ator

Colin Firth – Direito de Amar

Melhor Atriz

Carey Mulligan – Educação

Melhor Ator Coadjuvante

Christoph Waltz – Bastardos Inglórios

Melhor Atriz Coadjuvante

Mo’Nique – Preciosa – Uma História de Esperança

Melhor Roteiro Original

Guerra ao Terror

Melhor Roteiro Adaptado

Amor sem Escalas

Melhor Fotografia

Guerra ao Terror

Melhor Montagem

Guerra ao Terror

Melhor Design de Produção

Avatar

Melhor Figurino

The Young Victoria

Melhor Trilha Sonora

Up – Altas Aventuras

Melhor Maquiagem/cabelo

The Young Victoria

Melhor Som

Guerra ao Terror

Melhores Efeitos Visuais

Avatar

Melhor Filme não-inglês

Un Prophète

Melhor Animação

Up – Altas Aventuras

Estrela em Ascenção

Kristen Stewart

Novato mais Promissor

Duncan Jones – Diretor de Lunar

Melhor Curta de Animação

Mother of Many

Melhor Curta Metragem

I do Air

Katrhyn Bigelow leva o DGA

Posted in Prêmios with tags , , on 31 de janeiro de 2010 by Lucas Nascimento

Ontem, outro dos mais importantes prêmios pré-oscar foi entregue, o DGA (Sindicato dos Diretores). Quem levou o prêmio por direção em cinema foi Kathryn Bigelow por Guerra ao Terror, vencendo James Cameron. Não achei merecido, Tarantino era o que mais merecia o prêmio em minha opinião, mas o bacana é que Katryn Bigelow é a primeira mulher a levar o DGA. Agora é esperar pelo Oscar. Confira abaixo a lista completa de vencedores:

Direção em Cinema

Kathryn Bigelow – Guerra ao Terror

Direção em Documentário

 Louie Psihoyos – The Cove

Direção em Série Dramática

Lesli Linka Glatter – Mad Men

Direção em Série Cômica

Jason Winer – Modern Family

Direção em Telefilme

Ross Katz – Taking Chance

Direção Musical

Don Mischer – We Are One: The Obama Inaugural Celebration at the Lincoln Memorial