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| Quero Matar meu Chefe 2 | Crítica

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2014 with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 10 de dezembro de 2014 by Lucas Nascimento

3.5

HorribleBosses2
O trio sorri pro selfie

Uma grata surpresa de 2011 foi a comédia divertida Quero Matar meu Chefe, que se beneficiava de uma premissa inspirada e um elenco coadjuvante de peso. Grana aqui e boa recepção crítica ali, o filme ganha agora uma continuação, e você bem sabe que continuações para comédias não costumam ser grande coisa (Se Beber, Não Case! e o recente Debi & Lóide 2). Mas é também surpreso que relato aqui minha satisfação com Quero Matar meu Chefe 2, que cumpre a função de fazer rir e não simplesmente recicla o primeiro filme.

A trama nos traz de volta Nick (Jason Bateman), Dale (Charlie Day) e Kurt (Jason Sudekis), que agora têm a ambição de serem seus próprios chefes, apostando em uma invenção estupidamente eficiente produzida por um deles. Quando são enganados e falidos por um investidor inescrupuloso (Christoph Waltz), o trio resolve cobrir o prejuízo sequestrando seu filho (Chris Pine) e exigindo um resgate milionário.

A premissa é diferente, mas a fórmula permanece a mesma. Bateman continua fazendo o tipo sério, Sudekis o fanfarrão e Day continua absurdamente irritante em cena, conseguindo apenas ser pontualmente engraçado. A química dos três funciona e é divertido vê-los reagindo às situações que o roteiro de Sean Anders e John Morris lhes proporciona, que agora brinca com o planejamento e execução de um sequestro. A dupla oferece diversas reviravoltas e sabe muitíssimo bem dosar os elementos do filme anterior: Jamie Foxx, Kevin Spacey e Jennifer Aniston têm participações controladas e que servem à trama eficientemente, revelando um sólido trabalho de estrutura.

As novas adições também são interessantes. Chris Pine traz de volta o carisma cômico e imbecil que já demonstrou em algumas comédias românticas de seu passado não tão animador, criando um personagem que é um estereótipo ambulante, mas também capaz de surpreender. Christoph Waltz infelizmente sai desperdiçado, levando a sério demais um papel no qual caberia mais humor. Outra nova adição importante, o diretor Sean Anders se mostra tão competente quanto Seth Gordon (do primeiro filme), ao oferecer maior dinamismo visual, mesmo que a comédia seja centrada no roteiro: há time lapses eficientes, travellings divertidos e cortes que ajudam a manter o ritmo de certas piadas.

Quero Matar meu Chefe 2 vai agradar aos fãs do primeiro filme e também quem não se importa em ver um humor politicamente incorreto agressivo e até mesmo incômodo – racismo e machismo extrapolam um pouco. Tem um bom elenco entrosado e uma trama que envolve se o espectador permitir se entregar a ela.

Obs: Assim como no primeiro filme, os créditos finais trazem divertidíssimos erros de gravação.

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| Quero Matar meu Chefe | Diversão maliciosa e sem vergonha

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2011 with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 6 de agosto de 2011 by Lucas Nascimento


Com Jennifer Aniston como uma chefe tarada, não tem o que reclamar…

As comédias censura R (que no Brasil equivalem à 16 e 18 anos) vêm ganhando cada vez mais destaque desde o sucesso de Se Beber, Não Case! e assim também a liberdade de explorar piadas e situações mais constrangedoras. Quero Matar meu Chefe usa e abusa desses conceitos, rendendo título de melhor comédia do ano até agora.

A trama concentra-se em 3 amigos fracassados que têm suas vidas atormentadas por chefes horríveis. Tomando inspiração de Pacto Sinistro, eles resolvem matar seus chefes fazendo uma “troca” de assassinatos.

Não que essa seja a primeira comédia a utilizar a premissa do genial filme de Hitchcock (lembrando também que Jogue a Mamãe do Trem, que é mencionado aqui, fez a mesma brincadeira), mas certamente aproveita o material. Cheio de palavrões, mas que infelizmente são censurados pelas legendas (Ferra-Mãe é complicado…), o roteiro trabalha bem as piadas (logo nos primeiros segundos do filme já dei umas risadas) e também seus personagens.

Impossível não falar sobre a trinca perfeita de antagonistas que nomeiam o título (original). Kevin Spacey está maléfico ao extremo como Harken (o momento quando descobre o apelido da avó de um dos personagens é sensacional), Colin Farrell esquece a persona de bom moço para se dedicar ao rídiculo e estupidez como Bobby Pellit (um trabalho similar à transformação de Tom Cruise em Trovão Tropical) e Jennifer Aniston está completamente irresistível (e muito carismática) como a ninfomaníaca Julia.

O elenco principal está bem equilibrado, com o trio se dando bem em cena com bastante naturalidade. Jason Bateman e Jason Sudeikis principalmente, Charlie Day é divertido, mas muito exagerado (rende-se aos gritinhos). E como é possível que o personagem de Day consiga resistir às investidas de Jennifer Aniston?

O diretor Seth Gordon comanda bem o jogo e oferece bons planos e um controle perfeito do filme. As situações são divertidíssimas (sem comentários para a invasão à casa de Pellit e a vingança da escova de dentes) e constrangedoras (a ponta de Ioan Gruffudd é antológica), seguindo com ótimo ritmo e algumas reviravoltas interessantes, o defeito quanto a trama é seu final mal resolvido (especialmente o destino da ninfomaníaca).

Quero Matar meu Chefe é a melhor comédia de 2011 até agora. É sujo, sem vergonha e hilário, cujo grande acerto reside no talento de seu divertidíssimo elenco.