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| Os Oito Odiados | Crítica

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2016, Drama with tags , , , , , , , , , , , , on 1 de janeiro de 2016 by Lucas Nascimento

4.0

h8
Jennifer Jason Leigh é Daisy Domergue: a mais suja entre mal lavados

Filmes de Quentin Tarantino são praticamente um evento cinematográfico. O diretor e roteirista certamente tem ciência disso, afinal durante os créditos iniciais somos alertados de que trata-se de seu “oitavo filme”, o que não deixa de ser uma ironia que trata-se de algo batizado como Os Oito Odiados. Novamente se aventurando no faroeste, após o bem-sucedido Django Livre, Tarantino demonstra maturidade e surpreende, ainda que longe da perfeição.

A trama se passa uns dois anos após a Guerra Civil americana, no final dos anos 1800. Em uma forte nevasca, o caçador de recompensas Major Marquis Warren (Samuel L. Jackson) é acolhido por outro colega de profissão, John Ruth “O Carrasco” (Kurt Russell), que leva acorrentado consigo a prisioneira Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh) para ser enforcada na cidade mais próxima. Em decorrência do clima opressor, eles são forçados a ser refugiar em uma estalagem, onde também residem Chris Mannix (Walton Goggins), o novo xerife de Red Rock, o carrasco Oswaldo Mobray (Tim Roth), o mexicano Bob (Demián Bichir), o confederado Sandy Smithers (Bruce Dern) e o vaqueiro Joe Gage (Michael Madsen).

Pelo estabelecimento da trama em um único local, e uma série de intrigas criadas entre seus personagens, é bem evidente que a premissa de Os Oito Odiados se aproxima bastante da do primeiro filme de Tarantino, Cães de Aluguel. Claro, com um orçamento maior e ambições maiores, a trama do faroeste é muito mais complexa e interessante do que vemos à primeira vista. À medida em que passam os capítulos da divisão habitual de Tarantino, descobrimos mais detalhes sobre o passado dos jogadores e o real contexto da história. É muito divertido como  a atmosfera da trama remete bastante a um jogo de tabuleiro, como Detetive, quando descobrimos que alguém ali pode ou não ter intenções letais.

O elenco é fantástico nesse quesito. Em mais uma colaboração com Tarantino, Samuel L. Jackson demonstra muita segurança e experiência na pele de um veterano de guerra, e um medo muito bem mascarado: “Você não sabe como é ser um negro nos EUA”, alerta Warris, que também mostra-se sombrio e perigoso; seu desempenho ao relatar um certo evento para o personagem de Bruce Dern é fabuloso, assim como a reação do veterano ator. Tim Roth e Michael Madsen eram dois atores que não davam as caras em um filme do diretor há um tempo, e se saem muito bem. Roth acerta em sua postura cortês e no sotaque britânico carregado (em muitas maneiras, ele preenche os sapatos de Christoph Waltz), enquanto Madsen mantém seu estilo misterioso e “cool”.

Kurt Russell também retoma a parceria após À Prova de Morte, fazendo de Ruth um sujeito extremamente escandaloso e paranóico, já que toma todas as medidas possíveis para garantir que ninguém lhe passe a perna na captura de Domergue (basta nos lembrarmos que ele está ACORRENTADO a ela). Mas é mesmo Jennifer Jason Leigh quem rouba a cena. Ainda que não fique claro no começo, ela é a personagem quem mais merece o título de “odiado” do título, jamais perdendo força ou charme, mesmo sendo esmurrada e estapeada por Russell durante quase toda a projeção. Suja até os pés de sangue e com os dentes quebrados, o discurso que a protagonista durante o último ato deve se destacar como um dos melhores momentos da carreira de Tarantino.

Para seu segundo faroeste, Tarantino apostou pesado. Aliado ao diretor de fotografia Robert Richardson, rodou o longa em película Ultra 70 mm, que permite uma razão de aspecto mais extensa e, assim, uma visão de campo muito mais estreita e vasta horizontalmente. As paisagens geladas de montanhas de neve ganham muito com o formato, que também revela-se curioso pela decisão de Tarantino de manter a trama toda em um único espaço. Visualmente, garante muito mais detalhes e ainda valoriza o trabalho do designer de produção de Richard L. Johnson na criação da estalagem, cuja decoração e objetos de cena revelam-se essenciais para algumas das pistas descobertas pelos personagens. A trilha sonora original de Ennio Morricone é outra valiosa adição, que ajuda o espectador a imergir em um clima de mistério e antecipação, dando pouco espaço para uma trilha sonora incidental pop (há apenas uma ocasião, com White Stripes).

Talvez o único problema seja o ritmo. Com quase 3 horas de duração, percebe-se que muito poderia ser reduzido se o montador Fred Raskin fosse mais habilidoso. Depois do “interlúdio” que separa o longa (que é inserido no melhor momento possível, palmas), o ritmo torna-se perigosamente lento, incluindo aí um capítulo em flashback que acaba se alongando muito mais do que o necessário. A conclusão também nos traz um Tarantino mais tímido, mas agrada pela quase inédita preocupação em abordar uma questão social relevante da história dos EUA.

Os Oito Odiados é mais um acerto para Quentin Tarantino, que realiza aqui um de seus experimentos mais maduros e desafiadores. Não atinge a perfeição de seus trabalhos anteriores, mas merece créditos pelo excepcional elenco reunido aqui.

Obs: Será um desafio para as salas de cinema conseguirem projetar com perfeição a película. Boa sorte.

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O primeiro trailer de OS 8 ODIADOS

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , , , , on 12 de agosto de 2015 by Lucas Nascimento


Não por coincidência, o oitavo filme de Quentin Tarantino é o faroeste Os 8 Odiados, que acaba de ganhar seu primeiro trailer. Ele nos apresenta aos coloridos personagens de Kurt Russell, Jennifer Jason Leigh, Samuel L. Jackson, Michael Madsen, Tim Roth, Bruce Dern, Walton Goggins e Damian Bechir.

Além disso, é possível notar no uso do Super Cinemascope, lentes que oferecerão uma razão de aspecto maior (o mesmo padrão do clássico Ben-Hur).

Confira:

Os 8 Odiados estreia em 25 de Dezembro nos EUA. No Brasil, em Janeiro.

Quentin Tarantino retoma THE HATEFUL EIGHT

Posted in Notícias with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 27 de maio de 2014 by Lucas Nascimento

the-hateful-eight-poster

Depois de toda a polêmica do roteiro vazado e da elogiada leitura ao vivo, Quentin Tarantino resolveu retomar The Hateful Eight, seu novo projeto que voltará ao gênero do faroeste. O diretor anunciou que estaria reescrevendo parte do roteiro.

De acordo com o Showbiz 411, as filmagens começarão em Novembro e incluirá todos o elenco da leitura do roteiro, que traz Bruce Dern, Samuel L. Jackson, Michael Madsen, Kurt Russell, James Remar, Amber Tamblyn, Walton Goggins e Zoë Bell. Tim Roth também estava no evento, mas não foi confirmado no filme.

E não, Christoph Waltz não foi confirmado 😦

Ambientada em uma Wyooming pós-Guerra Civil, a trama do filme envolve 8 estranhos que se refugiam em um saloon durante uma nevasca pesada. Li um resumo da leitura ao vivo, e a estrutura remete bastante à de Cães de Aluguel, já que aposta em uma narrativa pesada em flashbacks e ambientes fechados.

Vamos aguardar por mais novidades!

Kurt Russell, James Remar, Amber Tamblyn, Walton Goggins, and Zoe Bell
Read more at http://collider.com/the-hateful-eight-filming-cast/#SFkEKwFIzGFV9wSz.99
Kurt Russell, James Remar, Amber Tamblyn, Walton Goggins, and Zoe Bell
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Kurt Russell, James Remar, Amber Tamblyn, Walton Goggins, and Zoe Bell
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Kurt Russell, James Remar, Amber Tamblyn, Walton Goggins, and Zoe Bell
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