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| Ex Machina: Instinto Artificial | Crítica

Posted in Críticas de 2015, Drama, Ficção Científica, Home Video with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 26 de agosto de 2015 by Lucas Nascimento

4.5

ExMachina
Alicia Vikander estreia como a hipnotizante Eva

Escrevi em meu texto sobre Ela que as relações humanas vêm se transformando com o advento da tecnologia, seja no desenvolvimento de recursos quanto ao convívio do Homem em sociedade. O cinema de ficção científica vinha prevendo diversos tipos de distopias e utopias, e a inteligência artificial sempre esteve ligada a uma imagem mais antagonista, certamente um fruto da paranóia da Guerra Fria dos anos 50 ou a antecipação pelo Bug do Milênio no ano 2000. Mas numa época em que smartphones se transformaram nos nossos melhores amigos, o Cinema tem brincado com a ideia de uma relação afetiva entre Homem e máquina, notavelmente no romântico filme de Spike Jonze e agora no excelente Ex Machina: Instinto Artificial, imperdível sci-fi lançado diretamente para DVD.

A trama começa quando o programador Caleb (Domhnall Gleeson) é selecionado para trabalhar num projeto especial de sua empresa. Movido para a reclusa e luxuosa moradia do CEO Nathan (Oscar Isaac), Caleb descobre que seu chefe criou uma avançada forma de inteligência artificial: a andróide Eva (Alicia Vikander). Ali, o jovem deverá testar a capacidade da máquina de se passar por um humano (como no Teste de Turing) sendo lançado num perigoso jogo de duplas intenções.

Este é o filme de estreia do diretor Alex Garland, que já havia cuidado de roteiros como O ExtermínioSunshineNão Me Abandone JamaisDredd, além de também ser o responsável pelo texto original de Ex Machina. E é admirável ver uma ficção científica tão desafiadora em sua temática. As sessões entre Caleb e Eva são fascinantes de se observar, graças à habilidade de Eva de demonstrar ideias e pensamentos tão complexos para uma máquina, e vê-la subvertendo os papéis com o programador humano é instigante. A revelação de que Eva tem instalada em si uma certa sexualidade é o aspecto mais interessante (“Como um mágico que usa uma assistente gostosa para distrair o público?”, questiona Caleb para Nathan), e o que move a relação entre Caleb e a máquina para algo mais complexo. Se Ela era de fato um romance que abusava do lirismo para ilustrar o afeto do homem pela máquina, Ex Machina é ficção científica na veia, sendo muito mais eficiente na forma com que lida com o tema.

Garland cria imagens altamente memoráveis aqui, especialmente ao fazer robôs sensuais sem parecer que estamos assistindo a uma paródia pornô. A novata atriz sueca Alicia Vikander domina cada minuto de cena, não só por sua hipnotizante performance que traz os sutis indícios de humanidade, mas também pela construção de seu corpo; cuja mistura de materiais e ausência de membros indica uma criação ainda incompleta. O design de produção também acerta na criação da casa de Nathan, dominada pelo cinza e por uma arquitetura que parece sugerir mais um laboratório ilegal ou uma prisão experimental, literalmente confinando o confuso Caleb em suas paredes de vidro.

Outro grande destaque fica com Oscar Isaac, que vem rapidamente se mostrando como um dos atores mais talentosos da atualidade. Quando pensamos em um ricaço cientista inventor de robôs inteligentes, não é a imagem de um barbudo atlético e de fala jovinal como o Nathan de Isaac, que em sua primeira aparição já surge praticando boxe, revelando que o exercício físico é tão importante quanto o mental para Nathan. Seu alcoolismo também é lidado de forma sutil, como seu silêncio confuso quando Caleb pergunta “como teria sido a festa”, a fim de justificar a ressaca que tenta curar – além de ser um importante detalhe que servirá para uma das reviravoltas.

Ex Machina: Instinto Artificial é uma inteligente e questionadora ficção científica, capaz de iniciar um instigante debate sobre a evolução da inteligência artificial e sua relação com o Homem. Um baita começo para Alex Garland, que desde já mostra-se uma aposta promissora.

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Análise Blu-ray | O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA 2: A AMEAÇA DE ELECTRO

Posted in Análise Blu-ray with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 3 de setembro de 2014 by Lucas Nascimento

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Uau, faz muito tempo que não apareço com um Análise Blu-ray por aqui… Pra tirar o atraso, resolvi falar sobre o último filme a adentrar minha coleção: O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro. Não só é o mais recente lançamento, mas também é um filme que ganhei num sorteio, e eu NUNCA ganho esse tipo de coisa. Por isso, a atenção. Vamos lá:

O Filme

3.5

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Bem, vocês que leem o blog sabem que achei o novo filme uma bela bagunça. Não acho que Marc Webb seja o diretor ideal para tocar a franquia, o ritmo e tom se misturam entre o cartunesco, com o Electro bobalhão de Jamie Foxx, e o drama, envolvendo a chatice da subtrama dos pais de Peter Parker ou a própria decisão de tornar o Aranha mais descolado, menos nerd. Mas mesmo assim, em meio ao caos é possível encontrar boas coisas: humor acertado, o elenco é carismático, a ação melhora em relação ao anterior e a tão esperada cena com Gwen Stacy cumpre as expectativas. No fim, é um bom filme, mas o personagem pode – e merece – um tratamento melhor. Crítica Completa.

Comentário em Áudio dos Realizadores

3.5

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Sem a presença do diretor Marc Webb, a faixa solo de comentários em áudio (com legendas em português) traz os produtores Avi Arad e Matt Tolamch, e os roteiristas Alex Kurtzman e Jeff Pinkner (Roberto Orci também assina o roteiro, mas não está aqui). É interessante para aprender alguns detalhes sobre os bastidores de cenas mais difíceis ou até mesmo algumas que tenham ficado de fora. O problema, é que Arad é um sujeito orgulhoso e narcisista, insistindo em puxar o saco do filme e da equipe todo momento, como se fosse responsável pela realização de Lawrence da Arábia. Basicamente quer esquecer o bom trabalho que fez com Sam Raimi na trilogia original.

Cenas Excluídas e Estendidas

4.5

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Os fãs sedentos por mais vão adorar: 25 minutos de material inédito do filme (13 cenas no total), todo ele com comentário de Marc Webb. A cena mais polêmica envolve o encontro de Peter com seu pai, presumidamente morto, em um final alternativo que foi descartado. Pessoalmente, me chama mais atenção a longa cena que traz Harry apresentando Felicia (Felicity Jones, que tem um pouquinho mais destaque no material inédito) a Peter, já plantando um futuro envolvimento entre o Aranha e a Gata Negra. Temos também mais tomadas com os vilões, incluindo algumas não completadas do Duende Verde. Sem menção às cenas com Mary Jane que foram filmadas com Shailene Woodley, mas é um material sólido.

A Recompensa do Heroísmo: Produzindo O Espetacular Homem-Aranha 2

5.0

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Documentário de 1h40 dividido em seis partes que mergulha no processo de criação, desenvolvimento e produção de O Espetacular Homem-Aranha 2 – também podemos chamá-lo de making of. É denso e bem detalhado, e particularmente me chamou a atenção a influência do ator e acrobata Buster Keaton para Webb e o instrutor de combate durante as cenas que ilustram as manobras do Aranha. O doc ainda fala sobre os rumos da história, os efeitos visuais, os vilões, a maciça construção de uma Times Square digital e em estúdio, a pós-produção e o futuro da saga, contando até com depoimentos em que Webb admite ter aprendido com diversos erros do filme anterior. Muito bom e informativo.

A música de O Espetacular Homem-Aranha 2 por Marc Webb

4.0

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O extra anterior já dedica um bom tempo ao processo da trilha sonora do filme, mas esta ganha ainda mais um featurette, dessa vez enfocando aa decisões de Marc Webb. A trilha é assinada por Hans Zimmer, em conjunto com Pharrell Williams, Johnny Marr e outros, no conjunto batizado de The Magnificent Six. Ponto alto definitivo do departamento, é o tema de Electro (“My Enemy”) que tem o processo de criação mais detalhado.

Clipe Musical “It’s On Again” – Alicia Keys

3.5

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Nada além do videoclipe para uma das músicas-tema do filme: “It’s On Again”, assinada por Alicia Keys. Gosto da música e da direção do clipe, que traz trechos do filme e diversas participações, incluindo Pharrell Williams e Hans Zimmer. Not bad.

Nota Geral: 4.0

O blu-ray simples de O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro está definitivamente acima da média, com muito mais material extra do que a maioria dos lançamentos do tipo. Se eu que não sou o maior admirador do filme e fiquei muito satisfeito, os fãs mais apaixonados vão adorar.

Preço: R$ 69,90

Só lembrando que também estão disponíveis versões em 3D e com DVD.

Trailer internacional de THE DISAPPEARANCE OF ELEANOR RIGBY

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , , , , , on 14 de agosto de 2014 by Lucas Nascimento

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Há uns meses atrás falei aqui sobre The Disappearance of Eleanor Rigby, um curioso projeto que oferecia três filmes para a mesma história: um deles sob o ponto de vista da personagem de Jessica Chastain (Her), o outro sob o de James McAvoy (Him) e o último sendo uma junção dos dois (Them). O novo trailer que foi produzido para o mercado chinês ilustra melhor essa ideia, e é interessante reparar em como a mesma cena (em tela dividida, no vídeo) é a filmada, fotografada e colorida de forma diferente. Confira:

Acho isso muito, muito bacana. Só fica a dúvida de como as distribuidoras vão se virar pra lançar o filme. As três versões? Apenas a versão Them, com um possível lançamento em home video da Her e Him? Fica o mistério.

The Disappearance of Eleanor Rigby (acredito que a versão Them) estreia em 12 de Setembro nos EUA.

| Homem-Aranha 2 | Crítica de 10 Anos

Posted in Adaptações de Quadrinhos, Aniversário, Aventura, Críticas de 2014 with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 2 de julho de 2014 by Lucas Nascimento

5.0

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Ah, Julho de 2004. Ainda me lembro da empolgação em apanhar o jornal na porta do apartamento e decidir com meu tio qual sessão de Homem-Aranha 2 iríamos encarar; afinal, era estreia do filme e a compra de ingressos antecipados pela internet era uma mera utopia na época. Eram tempos mais simples. Eu até sinto falta das longas filas em pé para a entrada da sala, do mistério em torno da trama (Spoilers? Mas que conceito primitivo era esse?) do bom e velho blockbuster em 2D…

Sinto falta também de filmes como Homem-Aranha 2, um verdadeiro marco para o gênero de super-heróis. Não só um grande épico de ação e aventura, mas também um inteligente e emocionante estudo de personagem, cujo resultado é algo que as atuais produtoras – com algumas exceções, claro – simplesmente parecem ter desaprendido.

O filme de 2004 é a segunda investida de Sam Raimi na franquia do aracnídeo criado por Stan Lee e Steve Ditko, e trazia Peter Parker (Tobey Maguire) sofrendo para balancear sua vida acadêmica, profissional e amorosa com a responsabilidade de ser o Homem-Aranha. Entra em cena o ainda fascinante vilão Dr. Octopus (Alfred Molina) para aumentar a dor de cabeça do protagonista, e o palco está armado para um espetáculo de verdade (toma essa Marc Webb).

Bem, não é minha intenção passar todo o texto simplesmente afirmando como este filme é infinitamente superior ao reboot com Andrew Garfield iniciado em 2012 (pra quê martelar o óbvio, certo?), mas sim apontar e celebrar os motivos que tornam o filme aniversariante um grande feito.

A começar que é o número 2. Em adaptações de quadrinhos, costuma ser um presságio de boa sorte (X2, O Cavaleiro das Trevas) e também geralmente é o ponto em que os realizadores podem de fato brincar com o personagem. A história de origem já foi, os personagens principais foram devidamente introduzidos e a trama agora pode desenvolver-se para qualquer direção possível. O que o roteiro de Alvin Sargent (oscarizado por Júlia e Gente como a Gente) faz, no entanto, é seguir a consequência natural de um adolescente que se vê dotado de imensa responsabilidade: um embate consigo mesmo. Ver cenas como o herói usando seus poderes para entregar pizza não são apenas divertidíssimas, como também revelam que Parker também lida com situações cotidianas, não é um ricaço como Bruce Wayne.

A performance de Tobey Maguire é importantíssima nesse sentido, já que revela um sujeito que, mesmo tendo portas fechadas na cara, tenta manter seu admirável otimismo. É um loser tal como aquele dos quadrinhos clássicos, e mesmo que algumas de suas composições beirem o caricato (como suas infames caretas que já viraram memes ou o visual estereótipo geek), o drama pelo qual passa é bem real. É genial também a decisão de Sargent em fazer os poderes de Parker serem afetados por sua depressão, que ainda inclui a notícia de que sua amada Mary Jane (Kirsten Dunst) está de casamento marcado com outro sujeito e que se melhor amigo Harry Osborn (James Franco) se distancia cada vez mais. Basicamente, é como se o Homem-Aranha resolvesse sentar no divã de Freud.

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Doc Ock e a cena do trem: uma pancadaria pra se nunca esquecer

Mas não se enganem, mesmo com toda essa áurea sombria e melancólica, Homem-Aranha 2 é um dos filmes mais divertidos imensamente divertido. Em algo que a Marvel Studios apanha muito pra aprender, Sam Raimi equilibra a trama com as piadas, sem nunca perder o foco ou deixar que uma tirada aqui e ali roube o foco (que saudades do impagável J. Jonah Jameson de J.K. Simmons) da história. E também, estamos nos referindo a um blockbuster lançado em meio ao verão americano, então a presença de cenas de ação é praticamente obrigatória. Mas ao contrário de um Michael Bay da vida, Raimi é um mago na direção de tais sequências, que se beneficiam do excelente vilão principal, efeitos visuais premiados com o Oscar e a inesquecível trilha sonora de Danny Elfman.

A famosa sequência do trem é uma das coisas mais extraordinárias que já vi no cinema – e ela jamais perde o impacto, mesmo quando a revejo em razão letterbox em uma das inúmeras reprises televisivas. Começando pela intensidade da coreografia da luta entre o Aranha e Octopus, perfeitamente executada e organizada pela montagem de Bob Murawski até o momento em que o herói quase dá sua vida para fazer o trem descontrolado parar antes do fim dos trilhos. É pura magia.

Homem-Aranha 2 é lindo. É um nível de qualidade desconhecido pela franquia comandada por Marc Webb, e também um símbolo de tempos mais simples para o cinema de quadrinhos. Não importava 3D, nem a crescente mania de universos compartilhados e spin offs infinitos. Importava apenas uma boa história, e um diretor verdadeiramente talentoso no comando.

Obrigado, só posso realmente agradecer por um filme que provoca em mim hoje a mesma empolgação que provocava na criança de 9 anos que o viu pela primeira vez, dez anos trás.

| Os Incríveis | Crítica de 10 Anos

Posted in Aniversário, Aventura, Críticas de 2014 with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 20 de março de 2014 by Lucas Nascimento

5.0

TheIncredibles
Flecha, Violet, Sr. Incrível, Mulher-Elástica e Zezé

Com o anúncio de que a Pixar está desenvolvendo com Brad Bird uma continuação para o sucesso Os Incríveis, resolvi revisitar o filme pela primeira vez em aproximadamente 6 anos. E, contagiado pela absurda dose de energia e emoção desta sensacional animação, minha única alternativa para contê-la – além de repetir o filme algumas vezes e não calar a boca sobre entre colegas – foi escrever esta breve crítica.

A trama é ambientada em um mundo onde os super-heróis, após inúmeras questões legais com a população, foram proibidos e escondidos pelo governo. Nesse cenário, o aposentado Robert Perr (voz original de Craig T. Nelson) sustenta uma família de três crianças com a esposa Helen (Helen Hunt), e é constantemente assombrado pela nostalgia dos tempos de glória. Quando um misterioso empregador requisita seus serviços, ele resolve voltar à ação.

Qualquer um com um mínimo conhecimento de quadrinhos pode reconhecer a influência esmagadora de Watchmen, lendária graphic novel de Alan Moore que seria adaptada para o cinema 5 anos após o filme da Pixar. E não deixa de ser irônico como Brad Bird conseguiu fazer melhor uso do material do que o próprio Zack Snyder em seu longa de 2009, já que seu foco de estudo reside em sua humanidade – ainda que seus personagens sejam seres fantásticos e enfrentem situações absurdas. Seja uma mãe que se faz como escudo em uma desesperada tentativa de salvar seus filhos de uma explosão, uma jovem abraçando os poderes que sempre recusou para proteger seu irmão caçula de uma rajada de balas ou um vilão buscando um mero reconhecimento após uma incrível rejeição na infância. Bird se sai bem melhor do que Snyder nesse quesito, que fez seu Watchmen mais centrado para a ação.

Não que Os Incríveis abra a mão do espetáculo, elemento que Bird domina magistralmente ao longo da projeção; algo que também exploraria bem no live action com o eficiente Missão: Impossível – Protocolo Fantasma. Ao som da espetacular trilha sonora de Michael Giacchino, a cena em que o caçula Flecha protagoniza uma eletrizante perseguição em alta-velocidade permanece uma das mais antológicas cenas de ação dos últimos anos, enquanto a batalha final contra o “Omnidroide” em um centro urbano é um ótimo exemplo de como se organizar uma sequência do tipo (palmas para o montador Stephen Schaffer) e distribuir diferentes funções para explorar as habilidades dos personagens.

Sem falar também que o filme é divertido pra cacete. As piadas com os clichês do gênero (monólogos do vilão, o problema das capas) são perfeitamente bem inseridas (É, Marvel Studios, você mesmo) e garantem um tom agradável para todas as idades. Ah, e Edna Moda (dublada pelo próprio Bird), como não ao menos mencionar a hilária estilista.

Os Incríveis é meu filme preferido da Pixar, e sem dúvidas um dos melhores filmes de super-heróis já feitos. Revisitando-o uma década após seu lançamento, vejo que ainda há muito o que se aprender dentro do gênero, e como este – salvas algumas belas exceções – tem se tornado cada vez mais complicado. Só espero que Brad Bird faça jus à seu trabalho genial na vindoura sequência.

Sam Mendes não volta para BOND 24

Posted in Notícias with tags , , , , , , , , , , , on 6 de março de 2013 by Lucas Nascimento

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Depois de 007 – Operação Skyfall ter arrecadado mais de 1 bilhão de dólares em bilheteria (sem uso do 3D, importantíssimo ressaltar) e diversos prêmios – que incluíram 2 Oscars este ano – muito se especulava sobre a volta do diretor Sam Mendes para mais uma aventura de 007.

E a especulação termina com a declaração oficial de que Mendes não assumirá o 24º filme de James Bond, já que encontra-se atarefado com duas produções teatrais. No entanto, o premiado diretor não descarta a possibilidade de retornar à franquia no futuro – e pessoalmente, espero vê-lo novamente.

Agora começa a busca por um novo diretor. John Logan (indicado ao Oscar por A Invenção de Hugo Cabret e co-roteirista de Skyfall) já trabalha no roteiro do novo filme (com boatos de que seria uma única história dividida em dois filmes, algo inédito para a franquia) e Daniel Craig, Ralph Fiennes, Ben Wishaw e Naomie Harris já estão confirmados para reprisar seus respectivos papéis.

O plano dos produtores Barbara Broccoli e Michael Wilson é lançar Bond 24 em 2014.

Torço apenas que o próximo diretor mantenha Thomas Newman na trilha sonora e Roger Deakins na direção de fotografia… Será que é sonhar demais?

Gritos vindo do Espaço | Especial PROMETHEUS

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 12 de junho de 2012 by Lucas Nascimento

Na última quinta-feira, tive a oportunidade de assistir a Prometheus e a crítica com minha opinião já está no ar. No entanto, estava preparando um especial sobre o filme e, depois de ter visto o filme, fiz algumas adaptações e espero que gostem.Vamos lá:

Aviso: Há alguns spoilers (mas relaxem, tem um aviso prévio quando se aproximarem de um)

Ao contrário dos outros especiais que escrevi (onde analisava todo o processo de produção do filme), serei um pouco mais objetivo este ano. Aqui, algumas perguntas que vêm rodeando Prometheus – e as respostas que você procura…

O que é Prometheus?

De acordo com a mitologia grega, Prometheus foi o deus responsável por entregar o fogo – até então uma posse estritamente divina – aos humanos, tendo seu banimento (e uma tortura horrenda) como consequência. Já na ficção científica de Ridley Scott, Prometheus é o nome da nave principal, que tem como objetivo explorar os mais obscuros cantos do espaço, em busca daqueles que possam ser os criadores da vida na Terra.

Prometheus foi filmado em 3D?

Felizmente, sim. 3D e Câmeras RED Epic. O 3D do filme funciona de forma muito sutil, não se destaca mas também não prejudica a sessão.

Qual a ligação entre PrometheusAlien – O Oitavo Passageiro?


O Space Jockey enfim ganha uma explicação

Ainda não está clara, mas Scott afirma que os eventos mostrados em Prometheus antecedem os de Alien. Aliás, quem é fã da franquia somou facilmente o dois mais dois visto nos inúmeros trailers e comerciais de TV do filme, e é inegável que este filme serve de prelúdio para o filme de 1979. O observador mais atento notou que a empresa por trás da expedição espacial é a Weyland Corporation (mesma da frnaquia original) e reparou na presença do misterioso Space Jockey, um ser alienígena que apareceu repentinamente no longa original (quando a equipe da Nostromos descobre os ovos do Alien) e que provavelmente vai ganhar mais destaque aqui.

O texto acima foi escrito antes de eu ver o filme. Não vou entregar nada, mas aviso: fique de olho no Space Jockey…

O que a equipe da Prometheus descobriu? [SPOILER]


O salão com o obelisco gigante e os misteriosos vasos

Os roteiristas Damon Lindelof e Jon Spaiths já haviam comentado que a trama envolveria a origem da humanidade. Após assistir ao filme, é revelado que os cientistas Elizabeth Shaw e Charlie Holloway descobriram uma raça alienígena – que eles chamam de Engenheiros – que pisou na Terra durante o início dos tempos e acabou por criar a raça humana. Durante a viagem espacial, eles encontram o planeta LV-223, onde os tais criadores teriam estado pela última vez. Não falo mais nada!

O Alien Xenomorfo está em Prometheus? [SPOILER]


Um dos parasitas alienígenas encontrados em LV-223

SPOILER SPOILER; Ao longo de Prometheus, vamos conhecendo variados elementos alienígenas. Não vou entrar em detalhes, mas ao fim da projeção uma criatura muito (muito) similar ao alien xenomorfo perfura o peito de um Space Jockey.Então, pode-se dizer que o xenomorfo está sim no filme.

Prometheus terá continuações?

A julgar pelo final do filme, eu espero que sim! Mas antes, devemos aguardar pelo desempenho do filme nas bilheterias. Todavia, nenhum dos envolvidos tem contrato assinado para continuações.

Os principais personagens de Prometheus:

Dra. Elizabeth Shaw | Noomi Rapace

Obcecada pesquisadora e cientista, Elizabeth Shaw descobre junto com seu marido Holloway, pictogramas que ela acredita ser um convite de seres extraterrestres superiores (a quem ela se refere como “Engenheiros”). É forte e movida por fé e o desejo de conhecer seus criadores.

David | Michael Fassbender

A oitava versão de sua geração, David é um andróide de inteligência artificial que auxilia a equipe da Prometheus em sua jornada épica. Suas funções vão de pesquisa e tradução de línguas desconhecidas até análise medicinal de elementos alienígenas. Para saber mais sobre ele, assista ao vídeo na seção “Viral”, em alguns parágrafos abaixo.

Logan Marshall-Green | Charlie Holloway

Marido de Elizabeth, Holloway é um cientista mais aventureiro e que prefere expedições à bibiliotecas, arriscando-se ao extremo para obter as respostas que procura. Junto com sua mulher, formulou a teoria sobre os Engenheiros

Meredith Vickers | Charlize Theron

Funcionária da Companhia Weyland (e filha de seu president, Peter Weyland), Meredith Vickers é representante da mesma na tripulação da Prometheus. Por tomar uma postura mais burocrática (e sempre exigir que tudo saia a sua maneira), ela constantemente entra em conflito com a equipe; não se importando em cancelar a missão se a situação fuja do controle.

Peter Weyland | Guy Pearce

Ambicioso e poderoso, Peter Weyland é o presidente da Companhia Weyland, responsável por incomparáveis avanços tecnológicos e pela iniciativa de exploração espacial – principalmente na forma do Projeto Prometheus. Weyland vê a humanidade como deuses, e não medirá esforços para alcançar seu objetivo. No filme, encontra-se em idade avançada mas ainda esperançoso de seu objetivo.

As principais mentes responsáveis pela criação do alien xenomorfo.

O Roteirista


Dan O’Bannon: o homem que imaginou um alienígena estuprador

Visando uma ficção científica assustadora, os roteiristas Dan O’Bannon e Ronald Shusett trabalhavam no roteiro que viria a se tornar Alien – O Oitavo Passageiro. Idealizando a história e a criatura, O ‘Bannon queria que o alienígena se infiltrasse na espaçonave principal por meio de uma relação sexual com um dos tripulantes – elemento que, sendo melhor desenvolvido posteriormente, daria origem à famosa cena do chestburster (perfura-peito).

Tendo seu complexo ciclo de vida terminado, a criatura de Alien foi concebida como uma analogia ao estupro, e o roteiro assinado por Dan O’Bannon fora completado.

O Surrealista


O artista H. R. Giger e sua sinistra criação

Enquanto estava na França auxiliando o diretor Alejandro Jodorowsky com um projeto conhecido como Dune, Dan O’Bannon conheceu um dos responsáveis pelo design de produção: o artista surrealista suíço H. R. Giger. Impressionado com seu trabalho, que traz imagens sombrias e com forte presença sexual, Giger foi logo sinalizado para o estúdio da Fox.

Com Ridley Scott contratado para a direção do filme, o novato cineasta logo se encantou pelo trabalho de Giger, recrutando-o imediatamente – contra a vontade do estúdio, que considerava seu trabalho pornográfico – para definir a aparência do xenomorfo. A principal inspiração para a criatura alienígena foi a obra Necronom IV, que Giger pegou e adaptou-a até chegar no visual final da criatura. De acordo com o artista, seus desenhos dessa coleção são baseados em seus pesadelos.


Necronom IV: A inspiração decisiva para o visual do xenomorfo

A contribuição do surrealista para Alien – O Oitavo Passageiro ficaria apenas na fisionomia da criatura, mas no fim ele deu vida à criatura, os ovos, o facehugger, o design do planeta alienígena (batizado de LV-426) e também o do Space Jockey. Giger, de fato, tem uma criatividade perversamente genial.

H. R. Giger também contribuiu para o visual de alguns elementos de Prometheus.


Uma das artes conceituais finais do Xenomorfo

Uma análise breve sobre o complexo ciclo de vida do Alien:

1. Ovo: Produzidos pela Rainha Alien, os ovos ficam protegidos por uma névoa com sensor de movimentos. Assim, qualquer forma de vida que atravessá-lo, dá um alerta para que o ovo se abra.

2. Facehugger (“Abraça-Rosto”): De dentro do ovo sai o facehugger, estágio inicial da criatura alienígena. O bicho gruda no ser (independendo se for humano ou não, já que o alien é um xenomorfo) e fica plantado lá por um bom tempo, plantando uma espécie de “semente” em seu hospedeiro; portando também de um sistema de defesa baseado na expelição de ácido. Após tal processo, ele é descartado.

3. Chestburster (“Perfura-Peito”): Após a semente do facehugger se desenvolver, o pequeno alien perfura o peito de seu hospedeiro e começa seu acelererado desenvolvimento para a fase adulta. Vamos relembrar essa fase com a clássica cena do primeiro filme, onde vemos o chestburster pela primeira vez. Aqui.

4. O “Cachorro”: Quando o Alien usa um cachorro como hospedeiro, a criatura assume uma forma quadrúpede – similar ao da forma adulta a seguir.

5. Fase Adulta: Adulto, o alien é uma máquina de matar implacável. Usando como arma sua afiada cauda ou a “segunda boca” para perfurar suas vítimas ou oponentes, ele ainda conta com o mecanismo de defesa ácido.

6. Rainha: Estágio mais desenvolvido da criatura, apresenta um considerável aumento de tamanho em sua estrutura, assim como mutações na cabeça. A rainha é mais forte e também é capaz de botar os ovos, que reiniciam o ciclo.

ANOMALIAS

Híbrido

Visto em Alien: A Ressurreição, a criatura híbrida nasceu após o DNA do xenomorfo ter sido combinado com o de um clone de Ripley. É, em minha opinião, o bicho mais sinistro de toda a franquia…

Predalien

Na medonha franquia Alien vs. Predador (que muitos, eu incluso, não consideram como parte da mitologia original de ambos os personagens), um facehugger escolhe um predador como hospedeiro, e o resultado é o chamado “Predalien. A criatura traz características de ambos os alienígenas, e mostra-se ainda mais perigosa e mortal. Seu fim é dado pelas mãos de um solitário Predador em Alien Vs. Predador 2.

Alien – O Oitavo Passageiro (1979)

Marco absoluto no cinema de ficção científica (e também no de terror, inubitavelmente), Alien lançou o talento de Ridley Scott e o belo rosto de Sigourney Weaver para Hollywood. Silencioso e até um pouco parado, o longa trabalha minuciosamente a criação do suspense e da claustrofobia, partindo de um bom roteiro e um elenco competente. Um clássico, sem falar que criou um dos alienígenas mais icônicos do cinema.

Aliens – O Resgate (1986)

Um dos melhores exemplos de sequência “maior e melhor”, James Cameron abraça a mitologia introduzida por Ridley Scott em O Oitavo Passageiro e substitui o terror claustrobófico por épicas batalhas entre humanos e alienígenas. Em um espetáculo de efeitos visuais e práticos (a Rainha Alien, projetada pelo falecido Stan Winston, é o ponto alto nesse quesito), Aliens – O Resgate é o meu preferido da série.

Alien³ (1992)

Estreia de David Fincher na direção cinematográfica, o terceiro Alien é uma decepção perto do épico de James Cameron. Com um roteiro confuso, sem cuidado com sua narrativa ou personagens (inúmeras desavenças entre estúdio e diretor sacrificaram a boa premissa do longa, que nos apresenta a um planeta-prisão), o que se salva aqui é o belo visual – que vai desde o uso inteligente de sombras até a imagem marcante de Ripley careca.

Alien – A Ressurreição (1997)

Ambientando-se 200 (!) anos após o anterior, Alien – A Ressurreição realmente não precisava ter sido feito. É exagerado, estranho e não apresenta quase nenhuma similaridade com os outros filmes, apesar de trazer algumas boas ideias (como o uso do Alien como arma biológica e a criatura híbrida). Sigourney Weaver faz uma Ripley diferente e muito menos admirável do que a original.

Alien vs Predador (2004-2008)

Trazendo outro monstro sagrado da Fox, o Predador, o embate entre os dois alienígenas prometia muito. No entanto, ambos os filmes são de qualidade ruim e muito abaixo do potencial dos personagens, sendo apenas um feito técnico (no primeiro filme). O primeiro de Paul W. S. Anderson é até assistível, mas a continuação de Colin e Greg Strause é um dos piores filmes que já assisti. Tamanha bagunça, que tanto Predadores (retomada do personagem, de 2010) quanto Prometheus ignoram os eventos de AVP.

Abaixo, reuni alguns vídeos de viral do filme (acredite, eles complementam muito a experiência).

Peter Weyland discursa na TED 2023

Conheça David 8

Pedido de financiamento da Dra. Elizabeth Shaw

Gostaram? Espero que sim. Prometheus estreia no Brasil nesta Sexta. Leia a crítica do filme aqui.