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| Ninfomaníaca: Volume 2 | O eficiente desfecho da saga erótica de Lars Von Trier

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Drama with tags , , , , , , , , , , , , on 15 de março de 2014 by Lucas Nascimento

4.0

Nymphomaniac
Charlotte Gainsbourg domina a tela como Joe

Dada puramente por motivos mercadológicos, Ninfomaníaca foi dividido em duas partes para cobrir a extensa duração de 5 horas de material obtidos pelo cineasta Lars Von Trier. Já fica claro a continuidade direta com o Volume 1 desde o início, que começa imediatamente após o final deste. Nesta segunda metade, o dinamarquês mergulha ainda mais em sua análise sobre a sexualidade, mantendo também a apurada inventividade visual.

A trama apresenta os três últimos capítulos da história de Joe (Charlotte Gainsbourg): A Igreja do Oriente e do Ocidente (O Pato Silencioso), O Espelho e A Arma.

De cara, o segundo volume já se diferencia tematicamente do anterior por apostar em situações mais absurdas. Se antes o caso amoroso de Joe e Jerôme (Shia LaBeouf) dominava a cena, aqui Trier traz personagens secundários assustadoramente interessantes. Temos lá um olhar denso sobre o sadomasoquismo na forma do misterioso K de Jamie Bell (papel que o ator faz muitíssimo bem ao retratá-lo quase como um psicopata, dando ênfase ao profissionalismo e à precisão cirúrgica de seu método) e uma bizarra “agência” liderada por Willem Dafoe. Esta última é certamente interessante, mas não faz o menor sentido dentro da proposta da narrativa (extorsão? Espionagem?), ainda que Trier tente trazer elementos como a literatura de Ian Fleming para sustentá-la. Por falar em não fazer sentido, é difícil de acreditar que Stacy Martin tenha se transformado em Charlotte Gainsbourgh num espaço de míseros 3 anos…

Problemas à parte, o filme ganha o espectador novamente com suas profundas reflexões e a acertada dinâmica entre Joe e Seligman (Stellan Skarsgard, que aqui tem a chance de revelar novas facetas de seu não tão ingênuo personagem), sempre marcada pelas divertidas digressões do solitário solteirão – de alpinistas até o Paradoxo de Zeno. Além dos novos temas já mencionados acima, o roteiro de Trier surpreende por trazer a tentativa de Joe de sustentar uma família com Jerôme (onde quase, quase se repete uma cena-chave de Anticristo, e por circunstâncias idênticas) e um argumento muito interessante, e inevitavelmente polêmico, onde a protagonista analisa as hipocrisias da sociedade e os impulsos que movem um pedófilo – chegando a uma conclusão de alcance universal, ainda que seja um território bem delicado.

No geral, Ninfomaníaca é uma experiência eficiente – ainda que seu final seja um tanto contraditório – que funcionaria de forma mais impactante com uma sessão dupla de ambos os volumes. Do início ao fim, o fascinante estudo de personagem oferecido por Lars Von Trier convence e agrada pela inventividade temática e audiovisual (com exceção da fotografia de Iphone) de seu realizador.

| Ninfomaníaca: Volume 1 | Uma satisfatória aliança técnica-narrativa

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Drama with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 10 de janeiro de 2014 by Lucas Nascimento

4.0

nYMPH
Stacy Martin tem maior tempo em tela na pele da jovem Joe

Fiquei muito impressionado com o interesse popular que se criou ao redor do novo filme do dinamarquês Lars Von Trier. Não só pela inteligente campanha de marketing da produção, mas pelo tema que atrai universalmente todo tipo de pessoa: sexo. Com Ninfomaníaca (o primeiro volume), Trier parte para mais uma de suas peculiares análises psicológicas – que certamente afastarão muitos – mas acaba se saindo melhor quando oferece uma série de metáforas para suas questões.

A trama começa quando o solitário Seligman (Stellan Skarsgard) encontra Joe (Charlotte Gainsbourgh) ferida e largada em uma rua próxima à sua casa. Acolhendo-a, ela começa a contar a longa história de sua autodiagnosticada ninfomania. O volume 1 traz os cinco primeiros capítulos da história.

Logo em seus segundos iniciais, Lars Von Trier quebra a cara daqueles que esperam simplesmente por pornografia, ao trazer uma longa introdução que primeiro aposta num fundo preto para depois lentamente apresentar detalhes do cenário onde a ação se desenrolará. Passado o “choque” inicial, a narrativa começa de forma eficiente ao trazer “Führe Mich”, da banda de metal alemã Rammstein, como tema principal da produção e apresentação de sua complexa protagonista. Ao longo dos primeiros cinco capítulos que este primeiro volume abrange, Lars Von Trier oferece diferentes metáforas e associações (as quais não entrarei muito em detalhe) a respeito do sexo. Seja na pescaria, geometria (é) ou na composição musical de Bach, as escolhas do diretor são acertadas e bem acompanhadas por uma série de digressões do inconsciente (como clipes de peixes mordendo iscas ou um “placar” que traz a pontuação de uma curiosa competição) que sempre complementam a ideia oferecida pela reflexão de Trier.

Pode soar mais como um exercício de estilo do que uma reflexão propriamente dita, mas impossível não se entreter pela excepcional montagem de Molly Marlene Stensgaard, que não só oferece as digressões em seus momentos corretos, mas também oferece muito mais dinanismo visual à Ninfomaníaca. Stensgaard, aliada pela metáfora de Trier e por uma composição de Bach, faz um dos usos mais belos e geniais de tela dividida que já vi; onde acompanhamos a mais elaborada metáfora da narrativa, um feito técnico maravilhoso – além de servir também como bem colocado artifício de humor negro. Ainda sobre o bem sucedido uso da técnica como narrativa, Trier diminui a razão de aspecto da tela (transformando-a em um pequeno quadrado) ao trazer o segmento centrado na personagem de Uma Thurman, uma decisão que mostra-se acertada levando em consideração o teor intimista e sufocante deste.

Mas ainda que seja possível conferir Ninfomaníaca meramente por sua competência técnica, a pergunta que não quer calar é: e as cenas de sexo? Foi divulgado publicamente que o diretor usaria dublês de corpos para as cenas mais pesadas, substituindo os rostos pelo de seus atores digitalmente. A verdade é que tais cenas não são polêmicas como a divulgação prometeu (a menos a claro, que a verdadeira sujeira esteja guardada para o Volume 2) e servem seu propósito narrativo eficientemente, raramente soando como um excesso ou quebra de ritmo (ao contrário da polêmica cena envolvendo Azul é a Cor Mais Quente, para efeito de comparação tola). Vemos lá os corpos de Shia LaBeouf, Stacy Martin (um achado) e uma colagem de fotos de pênis que deixaria Tyler Durden com inveja e, sim, é explícito para o espectador habitual, mas longe de ser um pornô à la XVideos como muitos imaginavam.

Ninfomaníaca – Volume 1 é uma experiência satisfatória. Impressionante pela competência narrativa e os elementos audiovisuais que seu diretor contou para apresentar suas ideias (ainda que estas não impactem com a mesma proporção da forma com que foram exibidas). Deixa a polêmica de lado e enxergue o filme como um competente exercício. Agora, resta esperar por seu desfecho.

Obs: Durante os créditos finais, são exibidos alguns clipes do Volume 2, que estreia em Março.

Confira o primeiro trailer completo de NINFOMANÍACA

Posted in Trailers with tags , , , , , , on 22 de novembro de 2013 by Lucas Nascimento

ninfo

Após ter alguns clipes divulgados nos últimos meses, o novo filme do polêmico Lars Von Trier ganhou seu primeiro trailer completo. Ninfomaníaca traz uma narrativa de 5 horas que será dividida em dois filmes, uma coletânea de histórias envolvendo sexo e a personagem de Charlotte Gainsbourg. Confira, mas evite ver no trabalho…

A primeira parte de Ninfomaníaca estreia em 10 de Janeiro no Brasil, e a segunda deve chegar ainda no primeiro semestre de 2014.

Próximo da Fila: Lars Von Trier (I)

Posted in Próximo da Fila with tags , , , , , , on 24 de abril de 2011 by Lucas Nascimento

O controverso cineasta dinamarquês Lars Von Trier promete mais um filme marcante, cujo tema principal será a destruição da Terra (um planeta gigante está em rota de colisão com o nosso) e a relação dramática entre duas irmãs diante dessa catástrofe.


Kirsten Dunst encara seu papel mais polêmico

Com exibição marcada no Festival de Cannes, Melancholia traz Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg (de Anticristo) no papel das duas irmãs, enquanto Kiefer Sutherland, Stellan Skarsgaard e John Hurt ficam como coadjuvantes.

Melancholia não tem estreia confirmada no Brasil, mas deve chegar aqui em por volta de Agosto. Aguardemos.