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| Se Eu Ficar | Crítica

Posted in Críticas de 2014, Drama, DVD, Romance with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 18 de dezembro de 2014 by Lucas Nascimento

1.0

IfIStay
Chloe Grace Moretz corre pelo hospital. Muito.

O que reside além da vida é o mistério definitivo desta. Só de se pensar nas infinitas possibilidades e as questões éticas, morais, metafísicas e sobrenaturais já é empolgante. Como o assunto consegue ser tão entediante e sub como este Se Eu Ficar, é algo digno de reconhecimento.

A trama é baseada no livro homônimo de Gayle Forman, centrando-se na vida de Mia Hall (Chloe Grace Moretz), uma jovem aprendiz que sonha em ser uma grande violocentista. Quando um acidente de carro a coloca em um coma, seu espírito vagueia pelas lembranças de sua vida, relações amorosas e familiares – enquanto decide se seguirá em frente ou permanecerá no mundo mortal.

É uma premissa que já vimos inúmeras vezes, a diferença é que no filme de RJ. Cutter é muito mais sem graça e sem inspiração. Os eventos que a jovem protagonista enfrenta são todos clichês (“devo ir à faculdade ou ficar com o namorado? Ele gosta de rock, eu de música clássica…”), idealizados e com apego barato ao espectador, que é forçado a engolir uma história de amor patética e sonolenta. O roteiro de Shauna Cross até consegue ser pontualmente envolvente quando traz referências musicais interessantes, mas falha ao fornecer força à sua mensagem: nos enche de frases feitas e recorre à colagens de flashbacks da família de Mia, só para atingir uma catarse que falha em decorrência de sua abrupta cena final.

E Chloe Grace Moretz, outrora tão promissora em filmes como Kick-Ass: Quebrando Tudo e Deixe-me Entrar parece estar se acomodando ao ordinário. Sua performance como Mia é boa e tem seus momentos – e a jovem realmente parece ter aprendido a tocar violoncelo, o que é impressionante – mas nada realmente incrível, além de ficar correndo o tempo todo por corredores do hospital. Outra que também prometia muito, Liana Liberato sai de sua performance corajosa e memorável em Confiar para a “melhor amiga” mais desinteressante da História. Só se salva Mireille Enos (da série The Killing), atriz cada vez mais forte em personagens coadjuvantes (você deve tê-la visto como “a esposa” em Guerra Mundial ZCaça aos Gângsteres) e que precisa urgentemente ganhar um papel de protagonista no cinema.

Se Eu Ficar é um drama melancólico, sem graça e tão sem vida quanto sua protagonista desinteressante. Constantemente tenta provocar uma catarse no espectador, mas a única reflexão que me fez enquanto assistia ao filme é se eu iria aguentar ficar até o final.

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| Confiar | Um perturbador aviso e um ótimo filme

Posted in Cinema, Críticas de 2011, Drama, Suspense with tags , , , , , , , , , , on 24 de setembro de 2011 by Lucas Nascimento


A estreante Liana Liberato encara um papel dificílimo

David Schwimmer iniciou sua carreira como diretor de forma pouco estimulante e nada promissora (que eu me recorde, seu único filme foi a comédia Maratona de Amor). Pois bem, o eterno Ross de Friends evolui de maneira impressionante no perturbador drama Confiar que, além de um ótimo filme, é um poderoso alerta.

Na trama, a jovem Annie ganha um novo notebook em seu aniversário de 14 anos. Comunicando-se pela internet, ela conhece Charlie, com quem passa a conversar todo dia e desenvolve um tipo de ligação. Não demora até que um encontro entre os dois seja marcado e o sujeito revele-se um predador sexual.

Partindo de um conceito aparentemente simples (e que infelizmente ocorre com cada vez mais frequência nos dias de hoje), o roteiro assinado por Andy Beling e Robert Festinger oferece uma visita ao tema completamente diferente das já mostradas em outros longas, conseguindo entrar na mente da protagonista adolescente e explorar seus confusos (e complexos, diga-se de passagem) sentimentos sem o uso de clichês, mas sim com honestidade.

O que é tão perturbador quanto ao filme é a forma como o tema é retratado. Sem preocupar-se em amenizar o tom, Schwimmer coloca cenas fortes e sufocantes (que eu prefiro não revelar para não estragar a experiência), abordando o problema de pedofilia na internet do jeito que este ocorre e com uma direção segura e delicada, que aposta no talento de seu ótimo elenco.

A começar pela estreante Liana Liberato, que aguenta os pesados requisitos de sua personagem em uma atuação memorável e extrema. A atriz consegue passar os sentimentos – outrora confusos, noutrora profundos – sobre a situação em que se encontra (a cena em que finalmente se da conta da gravidade do problema é poderosíssima) acreditando que sua vida nunca mais seria a mesma. É um trabalho difícil para uma atriz tão jovem, mas Liberato acerta e merece reconhecimento na temporada de prêmios.

Também vale destaque seu pai Will, vivido por um Clive Owen que eu ainda não conhecia. Ao interpretar o desesperado pai de Annie, o ator entrega sua melhor performance desde Closer – Perto demais, caracterizando bem o sentimento de vingança e obsessão pela captura do criminoso (que em certo ponto chega a ser maior do que o desejo de conforto de sua filha), assim como sua fragilidade, e a culpa por ter falhado em proteger sua filha. Catherine Keener faz um bom trabalho também, tendo boa química com o elenco, mas o roteiro não parece preocupar-se em dar-lhe mais tempo em cena.

Confiar é uma das experiências mais perturbadoras e assustadoras do ano. Retrata um tema atual de forma real e sombria, explorando suas consequências psicológicas na vida da adolescente com maestria e muito drama. O fato de uma ferramenta criada para ajudar-nos servir de arma para criminosos sexuais e que a cada dia mais jovens caem em suas garras é preocupante.

E não vai ter filme mais assustador em 2011 do que este.

Ficha Técnica