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| Super 8 | Nostálgica e deliciosa ficção cientifica

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2011, Ficção Científica with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 13 de agosto de 2011 by Lucas Nascimento

 


Ninguém tem um DVD aí?

Bons tempos aqueles em que Steven Spielberg era um mestre da ficção científica e promovia uma serie de espetáculos nas décadas de setenta e oitenta. Aprendendo com o mestre, o diretor e roteirista J.J. Abrams presenteia os fãs do genero com uma aventura deliciosa e nostalgica, que faz lembrar o significado de entretenimento e bom cinema.

A trama se passa na decada de oitenta, girando em volta de um grupo de jovens cineastas que, ao gravarem uma cena em uma estação de trem, presenciam a chegada de um misterioso ser que passa a aterrorizar a pequena cidade onde vivem.

O misterio em torno de Super 8 se dá desde o período de sua genial campanha de marketing (que incluiu sites falsos, panfletos e muita discrição quanto ao monstro que antagoniza o longa), e ele permanece de forma brilhante ao longo do filme. Provando-se cada vez mais estiloso, Abrams acerta na direção e em seus ótimos enquadramentos – sempre com sua habitual luz de neon, fornecendo à trama um bem-vindo toque da série Lost (especialmente os efeitos sonoros que remetem à presença da criatura) e diversas referências temáticas e visuais ao trabalho de Spielberg.


Elle Fanning e Joel Courtney são ótimas revelações

E o que os filmes de Spielberg (incluo aí também os produzidos por ele) tambem acertavam, era no elenco juvenil. Bem entrosados e talentosos ao nível Goonies, são liderados pelo estreante Joel Courtney, que apresenta bastante carisma e a fragilidade emocional que o personagem requere (chegaremos nesse ponto em alguns instantes). Temos divertidos alívios comicos (como Riley Griffith, que faz o diretor Charles, e Ryan Lee, uma espécie de jovem Michael Bay afeccionado por pirotecnia), mas quem realmente se sobressai aqui é Elle Fanning (isso mesmo, irmã da Dakota), que surpreende pela força fornecida à personagem.

No que diz respeito à temática do filme, ela passa longe de se prevalecer contatos extraterrestres acima  da relação pai-filho. Joel e seu pai (Kyle Chandler) são bem capturados pela câmera de Abrams, que oferece mise en scènes maravilhosos – como aquele em que o jovem, vestido como militar, enfrenta seu pai e busca certa autoridade por suas ações – e um ótimo desenvolvimento de personagens. Ao longo da projeção, podemos observar uma série de detalhes que simbolizam a infância e a busca pela maturidade; seja com Elle Fanning dirigindo um carro ou tanques de guerra atravessando por cima de playgrounds. Bastante conteúdo para os mais observadores.

Mais uma vez embalado pela trilha sonora de Michael Giacchino (o compositor ja trabalhou em 3 filmes de Abrams), o vencedor do Oscar oferece um trabalho sensacional que equilibra o suspense (característica que ele explorou bem em Deixe-me Entrar) e acordes mais fantásticos (aí temos um pouquinho de Star Trek) em uma criação impecável. Enquanto isso, montagem de Maryann Brando e Mary Jo Markey preenche o filme de ritmo (principalmente no espetacular acidente de trem) e a fotografia de Larry Fong retrata bem a época e a cidade, assim como esconde com habilidade a criatura misteriosa, cuja revelação é tao bem apresentada quanto ao monstro de Tubarão (a cena do posto de gasolina… Sem palavras).

Decepcionando apenas nas ambições da criatura, Super 8 é uma deliciosa experiência que remete ao bom cinema oitentista, sendo carregado de temas de paternidade e amadurecimento, mas também com muita diversão e misterio. Um dos melhores filmes do ano.

PS: Durante os créditos finais, é exibido o filme caseiro que o grupo de amigos produzia. Nao deixe de conferí-lo.

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| Percy Jackson e o Ladrão de Raios | Mitologia grega retardada

Posted in Aventura, Críticas de 2010, DVD with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 2 de junho de 2010 by Lucas Nascimento

  Poseidon: Percy Jackson solta sua magia nos céus de Nova York

É quase clichê falar que os estúdios de Hollywood procuram e se debruçam em livros infanto-juvenil, na esperança de encontrar, desesperadamente, um substituto para Harry Potter. Não foi com a péssima aventura que mescla mitologia grega, road movies e (acredite) bebedeira em Las Vegas. Mas pior que isso, não parece haver ator que tenha o carisma de Daniel Radcliffe para segurar uma franquia dessas.

Na trama, o jovem Percy Jackson descobre ser filho de Poseidon, e embarca em uma jornada para encontrar o Ladrão de Raios, que planeja causar uma guerra entre os deuses do Olímpio.

Só porque Chris Columbus iniciou a franquia Harry Potter em 2002, não quer dizer que (sem trocadilhos) o raio caiu duas vezes no mesmo lugar. O problema de Percy Jackson é sua trama, que simplesmente não convence, não empolga e é absurdamente estúpida, atualizar a mitologia grega para a geração “teen” não funciona, o resultado é constrangedor (sem comentários para Uma Thurman e a ridícula cena em Las Vegas).

Logan Lerman também não ajuda… Assim como Sam Worthington em Fúria de Titãs, o jovem ator não tem um pingo de carisma ou preocupação com seu personagem, que parece mais perdido em cena que o pessoal do Lost. O elenco todo é péssimo, só se salvam Sean Bean como Zeus e Brandon T. Jackson como o “amigo engraçadinho”.

Percy Jackson e o Ladrão de Raios praticamente grita que quer ser o novo Harry Potter, mas não consegue chegar nem aos pés da saga do bruxo adolescente. Um filme esquecível, constrangedor, mal escrito e sem ânimo. Fique com Fúria de Titãs, ao menos diverte.