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| Busca Implacável 3 | Crítica

Posted in Ação, Críticas de 2015, Home Video with tags , , , , , , , , , , , , , , on 18 de abril de 2015 by Lucas Nascimento

2.0

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Liam Neeson é Bryan Mills

“Nem sei quantas vezes já disse que sinto muito”, desabafa o herói Bryan Mills (Liam Neeson) para sua filha Kim (Maggie Grace), antes de partir para mais uma cruzada desenfreada contra bandidões gringos genéricos. Confesso que ri, já que a frase inadvertidamente satiriza o descontrole que o apenas eficiente Busca Implacável gerou, expandindo loucamente seu conceito simplista.

A trama começa quando o agente Bryan Mills é incriminado e acusado de assassinar sua ex-esposa, Lenore (Famke Janssen). O marido desta, Stuart St. John (Dougray Scott) então coloca o policial Franck Dotzler (Forest Whitaker) para caçar o acusado. Enquanto isso, Mills corre contra o tempo para descobrir quem é o responsável pela armação.

Imagino que a ideia para o roteiro de Busca Implacável 3 tenha sido enquanto Luc Besson e Robert Mark Kamen tomavam umas durante uma exibição de O Fugitivo na televisão, já que a premissa deste filme é descaradamente idêntica à daquele protagonizado por Harrison Ford. A diferença é que pouco faz sentido aqui, desde as reviravoltas absurdas até a gritante obviedade quanto à identidade do antagonista (olha, dá pra sacar em 10 minutos de filme sem dificuldade alguma), que revela a intenção dos realizadores em criar uma plot que envolva toda a família – se no primeiro Mills era um vingador solitário, aqui é um programa dominical para Mills e seus amigos.

Pior: se a trama é indiferente, e uma mera desculpa para que possamos  ver Liam Neeson quebrando tudo e protagonizando cenas de ação, que estas sequências sejam, no mínimo, estimulantes. Olivier Megaton (responsável também pelo fraco segundo filme) revela-se um mestre na arte de cenas de ação incompreensível, adotando uma câmera incessante e retardada (alguém consegue decupar a perseguição de carro na rodovia e me explicar passo a passo o que diabos acontece ali?), enquanto os montadores Audrey Simonaud e Nicolas Trembasiewicz merecem um prêmio por serem incapazes de manter um plano com mais de 10 segundos, exagerando nos cortes rápidos, mesmo que seja uma simples conversa entre dois personagens imóveis.

Mas ainda entretém ver a intensidade de Liam Neeson durante a correria e a pancadaria. Tudo bem que soa cômico e bem menos impactante ver um herói de ação gritando “você matou minha ex-esposa!”, mas o ator consegue render bons momentos com Maggie Grace, onde Mills libera seu lado mais suave. Diverte também ver como a franquia percebeu a capacidade de brincar com elementos “iconizados” no primeiro filme, como quando Mills ameaça: “Quando você sair, eu vou te encontrar… E nós sabemos o que eu vou fazer” ou a ironia de trazê-lo terminando uma ligação de telefone com “Boa sorte”, tal como o sequestrador no filme de 2008.

Busca Implacável 3 fracassa como espetáculo de ação e também na tentativa de elaborar uma trama mais esperta do que poderia ser, salvando-se apenas a presença de Liam Neeson e um ou dois bons momentos. Já é hora de aposentar Bryan Mills.

| Lucy | Crítica

Posted in Ação, Cinema, Críticas de 2014 with tags , , , , , , , , , , , , , , on 2 de setembro de 2014 by Lucas Nascimento

3.5

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Lucy

Scarlett Johansson já nos provou que, por trás da beleza estonteante e o talento competente, tem a capacidade para chutar bundas. Ela marca presença como a Viúva Negra no universo cinematográfico da Marvel Studios e sobreviveu a um filme de Michael Bay, A Ilha. Agora com Lucy, a atriz fecha um ótimo ano com a ficção científica de ação amalucada de Luc Besson, que, de tão idiota, é imperdível.

A trama começa quando a jovem Lucy (Scarlett Johansson) é enganada por seu namorado em Taiwan, e obrigada a entregar uma misteriosa maleta para o gangster Sr. Jang (Mink-sik Choi). O conteúdo é uma droga experimental que será contrabandeada para a Europa, permitindo que o usuário acesse 100% do potencial de seu cérebro. As coisas dão errado e Lucy acaba infectada com a droga, transformando-se em um superhumano extremamente letal.

Mesmo que esse mito de que os humanos só usem uma pequena porcentagem da capacidade cerebral seja pura balela (já foi refutado, googlem aí), é uma premissa que sempre soa interessante. Funcionou moderadamente bem em Sem Limites (parando pra pensar, ambas as premissas são bem parecidas, hein) e encontra melhor espaço aqui, já que Luc Besson é um talentosíssimo diretor de ação. Não só com perseguições de carro e tiroteios elaborados, Besson também é um cara que encontra estilo em coisas simples: como não arrepiar com a imagem de Lucy andando em câmera lenta por um corredor lindamente fotografado por Thierry Arbogast (fotógrafo onipresente do cineasta) e ao som da “Requiem”, de Mozart? Ou o grande Mink-sik Choi, imortalizado pelo sul-coreano Oldboy, surgindo ameaçador como o vilão só com sua mera presença, já introduzida perfeitamente quando aparece lavando as mãos de sangue? Besson tem estilo.

Claro, a trama consegue trilhar para alguns caminhos absurdos demais, mesmo diante da natureza fantasiosa da narrativa. Eu por exemplo, acho difícil que um ser humano seria capaz de adquirir habilidades como telecinese ou manipulação de matéria simplesmente pelo poder cerebral, e Besson aposta em certas soluções visuais que beiram o cafona – como a reação de Lucy ao ingerir uma bebida alcóolica. Em alguns momentos, chega a parecer uma cópia do recente Transcendence – A Revolução (tem até o Morgan Freeman praticamente repetindo o mesmo papel que fez no longa de Wally Pfister).

Mas no fim, esse apelo ao exagerado beneficia o filme. Se muitas das produções do gênero geralmente acabariam com um tiroteio genérico uma mera troca de socos, Besson vai além. É bem ambicioso com as imagens e as decisões que toma no espetacular clímax da narrativa, chegando a um ponto em que eu não conseguiria imaginar aonde o diretor iria chegar com sua orquestra de imagens e sons. Prefiro não entrar em detalhes, mas é algo realmente estrondoso.

Às vezes, um filme como Lucy é bem necessário. Não se leva tão a sério como filme de ação, mas tampouco transforma sua trama num espetáculo de piadinhas e galhofa, rendendo uma experiência estimulante e agradável. E não deixa de ser irônico que um filme sobre valorização do potencial do cérebro precise de justamente o oposto para funcionar.