Arquivo para Matt Damon

| Perdido em Marte | Crítica

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2015, Ficção Científica with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 1 de outubro de 2015 by Lucas Nascimento

4.0

TheMartian
Matt Damon é Mark Watney

No início de sua carreira, Ridley Scott fez duas das maiores contribuições para o gênero da ficção científica, além de permanecerem como seus melhores trabalhos: Alien – O Oitavo Passageiro e Blade Runner: O Caçador de Andróides. Scott só retornou ao espaço com Prometheus, e agora com Perdido em Marte, filme que definitivamente não vai mudar o gênero ou o mundo, mas vai garantir entretenimento de primeira.

Adaptada do livro homônimo de Andy Weir, a trama começa com uma missão tripulada para o planeta Marte, contando com os astronautas Mark Watney (Matt Damon), Melissa Lewis (Jessica Chastain), Rick Martinez (Michael Peña), Beth Johanssen (Kate Mara), Alex Vogel (Aksel Hennie) e Chris Beck (Sebastian Stan). Após uma violenta tempestade, Watney é deixado para trás e dado como morto, enquanto a tripulação retorna para a Terra. Bom, surpresa, Watney está vivo e precisará encontrar um jeito de sobreviver sozinho no planeta até que a NASA possa resgatá-lo.

É mais uma história solitária e desesperada de sobrevivência, só que não. O roteiro de Drew Goddard não foca-se apenas na situação de Mark, e este não é o sujeito mais desesperado que estamos acostumado. Watney é um botanista otimista e que procura manter o bom humor (ainda que em diversos momentos, o desespero bata à porta), e Goddard traz soluções críveis para as muitas adversidades enfrentadas pelo protagonista, desde uma improvisada plantação de batatas com um fertilizante naturalíssimo ou o uso de um alfabeto nerd para estabelecer uma lenta comunicação. Claro, a narrativa depende de muitos Deus Ex Machina para funcionar, principalmente quanto à aparição quase súbita de sondas e módulos terrestres que já estavam em Marte, mas a boa atuação de Damon faz valer os eventuais exageros.

As cenas na Terra não têm o mesmo ânimo das do protagonista marciano, mas funcionam pela abordagem delicada dos cientistas e executivos. Jeff Daniels se sai bem como o diretor da NASA, sujeito linha dura e que não se incomoda em mentir a fim de alcançar um objetivo (como ocultar da tripulação a notícia da sobrevivência de Mark), mas que revela um limite moral ao se recusar a arriscar a segurança da tripulação, quando lhe é proposto que esta retorne para salvar Mark. O elenco estelar desempenha bem seus papéis, ainda que poucos tenham a chance de realmente se destacar a nível de prêmios, com Donald Glover e Chiwetel Ejifor tendo os personagens mais adoráveis. A tripulação não tem muita personalidade, com Michael Peña fazendo o obrigatório alívio cômico e Jessica Chastain cria uma comandante forte, mas não muito desenvolvida. E me disseram que Kristen Wiig estava no filme, mas só a vi umas duas vezes…

Tecnicamente, é um longa impecável. A fotografia de Darius Wolski captura a beleza das paisagens marcianas, fazendo também um belo uso do 3D, graças a planos bem abertos que garantem profundidade e um uso acertado dos efeitos visuais: a tempestade que assola os personagens no primeiro ato fornece uma imersão impressionante. E ainda que o filme tenha um ritmo divertido e vívido (benefícios da ótima montagem de Pietro Scalia e da trilha musical com disco music), Scott nos lembra dos velhos tempos ao trazer um ou outro momento mais intenso, como uma auto-cirurgia e o espetacular clímax. E que coma a primeira batata marciana quem não se arrepiou quando as letras do título sumiram ao estilo Alien…

Perdido em Marte é um filme que surpreende pelo otimismo e o bom humor, e que deve despertar o interesse de muitos em exploração espacial. Ridley Scott pode errar bastante, mas compensa esperar por um projeto certeiro como este.

Obs: Reforço, o 3D vale muito a pena. 

Novo trailer de PERDIDO EM MARTE

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , , , , , on 19 de agosto de 2015 by Lucas Nascimento

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O aguardado Perdido em Marte, que estrela Matt Damon sob a direção de Riddley Scott, ganhou um excelente novo trailer. Embalado por um mix bacana de “All Along the Watchtower”, de Jimi Hendrix, o vídeo promete um filme muito mais empolgante do que o primeiro trailer.

Confira:

O elenco estelar ainda conta com Jessica Chastain, Jeff Bridges, Kate Mara, Sean Bean, Chiwetel Ejifor, Kate Mara, Kristen Wiig, Sebastian Stan, Donald Glover e Michael Peña.

Perdido em Marte estreia em 1º de Outubro no Brasil.

Primeiro trailer de PERDIDO EM MARTE

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , , , on 8 de junho de 2015 by Lucas Nascimento


Antes que perguntem: não, não é um spinoff de Interestelar, mesmo que tenhamos Matt Damon perdido sozinho em um planeta desolado. No caso, Marte, como nos revela o primeiro trailer do filme de Ridley Scott.

Confira:

O elenco traz ainda Jessica Chastain, Jeff Daniels, Kate Mara, Kristen Wiig, Donald Glover e Michael Peña.

Perdido em Marte estreia em 25 de Novembro nos EUA.

| Caçadores de Obras Primas | Tropa artística de George Clooney passa longe do status

Posted in Aventura, Cinema, Comédia, Críticas de 2014 with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 17 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

2.5

TheMonumentsMen
Matt Damon e Cate Blanchett

Caçadores de Obras-Primas, quarto trabalho de George Clooney na direção, levanta um tema muito, mas muito interessante. Não me recordo de ter encontrado outro filme que relate as buscas pelo exército americano por obras de arte roubadas e destruídas por nazistas na Segunda Guerra Mundial, uma premissa deliciosa que, infelizmente, não tem seu potencial inteiramente aproveitado pelos realizadores.

A trama, baseada em fatos reais, é ambientada no final da Guerra e traz o tenente Frank Stokes (Clooney) reunindo uma tropa especial formada por pintores, arquitetos e escultores para ajudar a preservar e recuperar obras de arte ameaçadas pelos nazistas.

Some a premissa tentadora com um elenco estelar e o resultado não tem como dar errado… Em teoria, pelo menos. O grande problema de Caçadores de Obras-Primas é sua péssima estrutura narrativa, que se manifesta brutalmente quando os personagens são forçados a se separarem (algo que acontece logo no primeiro ato, sem spoilers). Temos o protagonista de Clooney aqui, as duplas formadas por John Goodman & Jean Dujardin e Bill Murray & Bob Balaban ali e o pobre Matt Damon jogado na subtrama mais desinteressante possível, onde contracena com Cate Blanchett. Nenhum dos intérpretes faz um trabalho menos do que excelente (especialmente Blanchett, que abraça o estereótipo da “bibliotecária” com charme), mas a montagem de Stephen Mirrione não oferece um encadeamento lógico para as diferentes linhas – o que torna a estrutura do filme praticamente limitada a cenas/momentos isolados.

Uma pena, já que o roteiro de Clooney e o frequente colaborador Grant Heslov acerta em determinados diálogos e passagens, principalmente ao oferecer um longo discurso que justifica a importância da cultura para a Humanidade, mesmo diante da perda de vidas humanas. Já Clooney como diretor… Não deve existir termo mais apropriado do que “piegas” (talvez até tendenciosa) para definir o comando do ator/diretor. Fazendo uso pesado da trilha sonora de Alexandre Desplat (que aposta em uma melodia dramática até mesmo num momento PURAMENTE CÔMICO) em praticamente 100% da projeção, demonstrando falta de confiança em seu próprio trabalho. Sem falar no epílogo completamente descartável e apelativo, e que surge como um dos maiores embaraços já testemunhados no gênero; com um propósito tolo e até risível (um personagem responder a uma pergunta retórica que lhe fora feita 30 anos atrás? Por favor…).

Dado o talento dos envolvidos, fica claro que Caçadores de Obras-Primas poderia ter sido muito mais. A projeção se desenrola agradavelmente com boas doses de humor, mas beira o insuportável quando seu diretor insiste em uma condução apelativa e… piegas. Realmente lastimável. O material poderia render muito mais.

Obs: O compositor Alexandre Desplat tem uma participação consideravelmente longa no filme.

| Elysium | Não faltam boas ideias ao diretor de Distrito 9. Falta organização

Posted in Ação, Cinema, Críticas de 2013, Ficção Científica with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 19 de setembro de 2013 by Lucas Nascimento

3.0

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Ouvi dizer que o Homem de Ferro está em Elysium…

Em 2009, o diretor sul-africano Neil Blomkamp surpreendeu o mundo com seu Distrito 9. Bem pensada e repleta de comentários sociais, a ficção científica de orçamento modesto foi indicada ao Oscar de Melhor Filme e garantiu ao diretor a oportunidade de nos impressionar novamente com suas ideias; agora com muito mais dinheiro. O problema com Elysium certamente não é a falta de ideias, mas a abundância destas.

A trama é ambientada na Los Angeles de 2154, onde os humanos estão divididos em duas classes: os menos afortunados vivem em uma desolada e morimbunda Terra, já os ricos e poderosos habitam a estação espacial que dá nome ao filme. Nesse cenário, o pacato Max (Matt Damon, sempre carismático) é forçado a invadir o local para encontrar a salvação, após ser exposto a uma radiação mortal que lhe tirará a vida em 5 dias.

É sempre bom quando um blockbuster resolve trazer um pouco de conteúdo em meio a explosões e efeitos visuais. Da mesma forma como elaborou uma criativa alegoria com o Apartheid em seu longa anterior, Blomkamp acerta ao trazer a questão sócio-econômica para um contexto de ficção científica que lhe permite brincar com diferentes situações e visuais: o design de produção acerta ao diferenciar a tecnologia clean e “estilo Apple” dos armamentos, próteses e aparelhos quase orgânicos que encontramos nas favelas terrestres. Os efeitos visuais também são de uma qualidade ímpar e que funcionam muitíssimo bem para gerar paisagens (a vista da Terra em Elysium é linda) ou para dar vida aos ciborgues que funcionam como uma espécie de polícia do planeta.

O problema é o excesso. O primeiro ato do filme é intrigante por nos apresentar a diversos elementos narrativos e, após tantos cortes e flashbacks intrusivos, o espectador se pergunta qual será o tratamento para lidar com essas histórias tão diferentes. Temos lá o dilema de Max, as intrigas internas dentro da administração de Elysium (onde sua chefe militar ganha um retrato impecável de Jodie Foster e de seu trabalhado sotaque francês), um clichê completamente descartável que envolve uma mãe (Alice Braga, cada vez mais habituada ao idioma e o gênero) lutando para salvar a filha doente e um vilão homicida com segundas intenções no meio. Quando vai chegando o fim, tudo se colide de forma absurda e cansativa – e a montagem de Julian Clarke e Lee Smith até tenta, mas não impede que o filme tenha a sensação de ser muito mais longo do que realmente é (quase não acreditei quando olhei no relógio e percebi que haviam se passado apenas 110 minutos).

Tamanhos esses problemas que fico triste ao ver as coisas excelentes do filme e desejar que o projeto tivesse um destino melhor. Os brasileiros certamente estão curiosos quanto ao desempenho de Wagner Moura e basta dizer que o intérprete do Capitão Nascimento está completamente surtado na pele do contrabandista Spider (cujo andar manco e perna robótica quase o tornam um “pirata espacial”). Mas quem rouba o filme todo é o Kruger de Sharlto Copley, um dos antagonistas mais fascinantes dos últimos anos: robô, espada samurai, metralhadora, armadura, pode falar que ele tem… A cada piração do personagem em cena, a vontade é de abraçar Blomkamp e Copley por essa criação maleficamente inspirada. O único problema é que suas cenas de luta com Max são prejudicadas pela câmera incompreensível e os cortes excessivos.

É triste ver Elysium alcançando um resultado mediano. Com ideias excelentes, elenco de primeira e uma produção impecável, o filme de Neil Blomkamp tinha potencial para se tornar um grande filme. Vamos torcer para que o diretor mude o quadro em seu próximo projeto.

Confira o primeiro trailer de THE MONUMENTS MEN

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , , , , on 8 de agosto de 2013 by Lucas Nascimento

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Então, veja bem: George Clooney dirige e estrela um filme inspirado na história real de um pelotão da Segunda Guerra Mundial encabido de recuperar obras de artes valiosas antes de serem destruídas/roubadas pelos nazistas. Quer mais? O elenco traz Matt Damon, Bill Murray, John Goodman, Jean DuJardin e Cate Blanchett. Ainda não está convencido? Então assista logo abaixo o primeiro trailer de The Monuments Men:

A música no trailer é “Kiss the Sky”, da Shawn Lee’s Ping Pong Orchestra.

The Monuments Men estreia no Brasil em 17 de Janeiro. Oscar, hein.

Primeiro trailer de ELYSIUM, novo filme do diretor de DISTRITO 9

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , on 9 de abril de 2013 by Lucas Nascimento

elysium

Lembram daquela maravilha que foi Distrito 9? Pois é, o diretor Neil Blomkamp promete mais uma ficção científica original e repleta de comentários sociais, Elysium. A trama retrata um futuro em que os humanos bem-sucedidos vivem em outro planeta (Elysium) deixando os pobres em uma decadente Terra. Nesse cenário, um homem (Matt Damon) tentará invadir Elysium e… Não se sabe muito mais além disso, e o trailer divulgado agora a pouco não vai além.

O que é bom, que as surpresas fiquem para o promissor filme. Confira (e reparem na participação do grande Wagner Moura):

Elysium estreia no Brasil em 20 de Setembro.

| O Legado Bourne | Jeremy Renner corre e briga só para chegar à farmácia

Posted in Ação, Cinema, Críticas de 2012 with tags , , , , , , , , , , , on 7 de setembro de 2012 by Lucas Nascimento


Jeremy Renner assume o legado de Jason Bourne como Aaron Cross

Iniciada por Doug Liman em 2002, e completada por Paul Greengrass em 2007 a trilogia Bourne conseguiu se estabelecer com sucesso em Hollywood e dar nova cara ao gênero de espionagem – provocando mudanças até mesmo no concorrente 007. Com a saída do protagonista Matt Damon, entra Jeremy Renner para assumir O Legado Bourne, uma “sequência independente” que acerta em manter a chama acesa, mas falha na escolha de seu herói.

A trama tem início durante os eventos finais de O Ultimato Bourne e nos apresenta ao agente Aaron Cross (Renner), outra vítima do programa governamental responsável pela criação de super-humanos, como Jason Bourne. Agora que a tal corporação rapidamente tenta exterminar todas as “cobaias”, Cross deverá lutar por sua vida e… Só.

O que move Aaron Cross? O principal problema com O Legado Bourne é a ausência de uma motivação convincente para seu protagonista. Se o Jason Bourne de Matt Damon procurava encontrar respostas sobre seu passado e, então, expor as atrocidades do programa Outcome, a única coisa que me pareceu clara quanto a Cross é sua obsessão em encontrar uns medicamentos. Isso mesmo, a missão do super-agente que escala prédios e pula de telhados é viajar meio mundo para que os comprimidos que garantem seus “poderes” estejam novamente em sua posse.

Difícil acreditar que o competente Tony Gilroy, responsável pelo roteiro dos longas anteriores – e que aqui assume também a direção, tenha criado uma história tão desinteressante para este quarto filme. Ainda que acerte ao manter a linearidade com a trilogia (o nome de Jason Bourne, assim como seu rosto, é visto diversas vezes durante a projeção), Gilroy não encontra um personagem à altura daquele que carrega o nome da franquia, e talvez até o encontraria se mergulhasse mais fundo no tal Cross. Sempre carismático, Jeremy Renner segura o filme com sua boa performance, mas como o personagem nunca ganha uma camada emocional eficiente, o trabalho é gravemente prejudicado.

No lugar de Cross, o longa dá espaço a diversas cenas envolvendo os bastidores da Outcome, que desesperadamente tenta controlar a situação. Há a vantagem de se ter o ótimo Edward Norton, mas o roteiro de Gilroy promove uma série de diálogos expositivos (“Você é o presidente da Agência Central de Inteligência, controle-se!”) e que comprovam a insegurança dos realizadores em promover um jogo inteligente (não é por coincidência que diversos personagens repitam frases como “Você está pensando demais” ou “Pare de pensar!”). Paradoxalmente, o filme se confunde tanto em suas próprias ambições e ações paralelas que até se esquece de algumas delas – e aquele avião que Cross é visto pilotando em certo momento?

Nem ao menos no quesito cenas de ação Gilroy acerta. Seu estilo de câmera inquieta mescla-se de forma horrorosa com os cortes incessantes de John Gilroy, o que torna as cenas de luta praticamente incompreensíveis. Aaron Cross também é infalível sabe sempre pra onde ir ou onde encontrar quem procura e, sem propósito narrativo algum, saca um par de óculos escuros durante uma perseguição de motos (claro que isso é um artifício nada sutil para facilitar o uso de dublês).

Tendo as cenas iniciais no Alaska como ponto alto, O Legado Bourne tenta manter o espírito dos longas anteriores, mas carece de um protagonista comovente como Jason Bourne. Quem sabe a coisa melhore com um encontro entre Jeremy Renner e Matt Damon?

2011: Os Melhores dos Melhores

Posted in Melhores do Ano with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 24 de dezembro de 2011 by Lucas Nascimento

Este ano, o post dos melhores filmes do ano vai ser diferente. Enquanto nos últimos três anos a seleção se deu por ranking, os longas lançados em 2011 serão avaliados através de categorias. Antes de conferir, algumas observações:

  • A lista contém apenas filmes lançados no Brasil COMERCIALMENTE (logo, filmes de 2010 que chegaram este ano nos cinemas ou home video marcam presença aqui) e alguns lançamentos estrangeiros ficaram de fora (como O Espião que Sabia Demais, Shame, Drive, entre muitos outros).
  • Se  não concorda com minha opinião (e isso certamente vai acontecer), fique a vontade para comentar e apresentar sua própria seleção, mas seja educado, porque comentários grosseiros serão reprovados.
  • MILLENNIUM: Os Homens que Não Amavam as Mulheres ainda não estreiou no Brasil, mas marcou presença na lista em 2 categorias, mas sua presença é justificável.

Melhor Filme: Meia-Noite em Paris

Sem dúvida o feel-good movie de 2011, uma deliciosa experiência cinematográfica que traz Woody Allen em ótima forma em sua primeira visita a Paris. O desenrolar da trama acontece de forma mágica, flertando com elementos fantásticos ao mesmo tempo em que nos presenteia com alguns dos melhores diálogos do ano e uma mensagem verdadeiramente inspiradora – que me atingiu em cheio. O elenco também é ótimo, de Owen Wilson altamente expressivo a Adrien Brody divertidíssimo em uma antológica participação especial. Crítica completa.

Outros destaques (em ordem de preferência)

Cisne Negro

Deixe-me Entrar

X-Men: Primeira Classe

Bravura Indômita

O Palhaço

Missão: Impossível – Protocolo Fantasma

Tudo pelo Poder

A Pele que Habito

Super 8

Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2

Planeta dos Macacos: A Origem

Melhor Diretor: Selton Mello | O Palhaço

Selton Mello realmente surpreendeu com O Palhaço. Desempenhando diversos papéis na produção (incluindo o de protagonista do longa), o sucesso do filme é fruto de sua habilidosa direção. Escolhendo lindos planos e enquadramentos, mostra-se um talentoso diretor de atores e também usa com inteligência a subjetividade. Diversas cenas funcionam justamente por sua complexo trabalho visual; às vezes é o olhar de um personagem, seu gesto com as mãos, cabeça… E não são necessárias palavras para compreender o que se passa.

Melhor Comédia: Amizade Colorida

Depois do divertido A Mentira, Will Gluck assume a direção e créditos como co-roteirista nessa excelente comédia romântica. Tomando como base um assunto já conhecido – a relação puramente sexual entre dois amigos – Amizade Colorida é um filme surpreendente, já que apresenta um roteiro com alguns dos melhores diálogos do ano, mensagens inspiradoras e um elenco arrasador; com destaque para a ótima química entre Justin Timberlake e Mila Kunis. Anseio pelo próximo trabalho de Gluck.

Melhor Filme de Ação: Missão: Impossível – Protocolo Fantasma

Um dos melhores e mais empolgantes filmes do ano. O diretor Brad Bird, responsável por grandes animações da Pixar, dá vida nova à franquia do agente Ethan Hunt, promovendo um espetáculo com ótimas cenas de ação (a escalada ao Burj Dubai já é antológica) e um ritmo narrativo muito agradável e divertido. O elenco é bem entrosado e muito talentoso, e Tom Cruise mostra que ainda tem fôlego para mais continuações – e eu espero que elas aconteçam.

Melhor Ator: Andy Serkis | Planeta dos Macacos: A Origem

Especialista em personagens digitais, Andy Serkis é o rei do motion-capture. No prequel que mostra a origem do Planeta dos Macacos, o ator empresta sua expressividade imensa ao macaco Cesar, líder de uma revolução de símios de grandes proporções. O talento de Serkis é perceptível em cada pixel do rosto do personagem e certamente merece atenção no Oscar (o cara interpretou um macaco!).

Outros destaques:

Selton Mello – O Palhaço

Michael Fassbender – X-Men: Primeira Classe

Ryan Gosling – Tudo pelo Poder

James Franco – 127 Horas

Melhor Atriz: Emma Stone | A Mentira

Eu simplesmente adoro Emma Stone em A Mentira. Ao encarar seu primeiro papel como protagonista, a atriz fornece uma das performances mais divertidas, carismáticas e honestas que eu já vi. É boa nas caretas, nas vozes e irradia uma energia impressionante que pega o espectador de surpresa. Mesmo sendo uma comédia (um preconceito estúpido dentro de premiações), merecia indicação ao Oscar.

Natalie Portman – Cisne Negro

Mélanie Laurent – Toda Forma de Amor

Kirsten Dunst – Melancolia

Mila Kunis – Amizade Colorida

Melhor Ator Coadjuvante: Christopher Plummer | Toda Forma de Amor

Na pele de um idoso na casa dos 70 que abraça sua homossexualidade, Christopher Plummer dá um show. Apresenta muito carisma e expressividade, divertido e emocionando na medida certa, assim como uma química muito natural com Ewan McGregor (que interpreta seu filho). O ator certamente será indicado ao Oscar por essa performance, e eu não me surpreenderia se ele saísse vencedor.

Alan Rickman – Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2

Tom Hiddleston – Thor

Corey Stoll – Meia-Noite em Paris

Colin Farell – A Hora do Espanto

Melhor Atriz Coadjuvante: Elle Fanning | Super 8

Irmã mais nova de Dakota Fanning, Elle Fanning brilha na deliciosa aventura oitentista de JJ Abrams. Personificando a “garota desejada por todos da escola”, a atriz mostra imenso talento e carisma e, em diversos momentos, um senso de autoridade diante do restante do elenco (afinal, sua personagem é mais velha). A cena em que atua como zumbi é antológica.

Cate Blanchett – Hanna

Evan Rachel Wood – Tudo pelo Poder

Amy Adams – O Vencedor

Marion Cottilard – Meia-Noite em Paris

Melhor Roteiro Original: Meia-Noite em Paris | Woody Allen

Sempre afiado em seus maravilhosos diálogos, Woody Allen apresenta uma verdadeira aula de história da arte em Meia-Noite em Paris. A ideia central é genial em si, com o nostálgico Gil retornando ao passado magicamente – e ao não explorar o que é essa viagem no tempo, o texto fica mais misterioso – e encontrando diversos artistas da época. Todos os diálogos são inspiradíssimos, alguns até antológicos.

Melhor Roteiro Adaptado: X-Men: Primeira Classe | Jamie Moss, Josh Schwartz, Zack Stentz, Jane Goldman e Matthew Vaughn

Depois de Batman – O Cavaleiro das Trevas, o nível das adaptações de quadrinhos de super-heróis aumentou, e as histórias amadureceram muito. Mas apenas o roteiro de X-Men: Primeira Classe escrito por Ashley Miller, Zack Stentz, Jane Goldman e Matthew Vaughn, fez jus ao trabalho de Christopher Nolan. Na aventura que ambienta-se na Guerra Fria, as origens dos X-Men são apresentadas com maestria e inteligência, tomando como base ótimos diálogos, diversos níveis de história e sempre uma atenção excepcional a seus personagens.

Melhor Fotografia: Bravura Indômita | Roger Deakins

Indicada ao Oscar do ano passado, a direção de fotografia de Roger Deakins para Bravura Indômita é uma das melhores de sua carreira. Trabalhando novamente com os irmãos Coen, o fotógrafo captura com maestria as paisagens do Velho Oeste dos EUA, sempre usando uma boa iluminação (o frame inicial, que revela a morte de um dos personagens é soberbo) e cores vivas. Um deleite visual, não teve filme em 2011 com trabalho melhor.

Melhor Montagem: Contágio | Stephen Mirrione

Contágio aborda diversos personagens em diferentes cantos do planeta. O alastramento da doença mortal que move a trama é sempre acompanhanda com legendas (como dia 3, 4, etc) e até o uso da tela dividida, elementos que o montador Stephen Mirrione certamente tem domínio. Mirrione consegue equilibrar com ritmo as diversas tramas paralelas do longa, dando espaço para todos os personagens. Outra sacada genial é iniciar o longa com o 2º dia da contaminação, criando um final chocante ao revelar a causa da pandemia.

Melhor Direção de Arte: X-Men: Primeira Classe | Chris Seagers (Design de produção), Larry Bellantoni, Erin Boyd e Sonja Klaus (Decoração de set)

Recriando diversos cenários dos anos 60 (e até um campo de concentração em certo momento), a equipe responsável pelo design de produção de X-Men: Primeira Classe soube combinar o fantástico com o real. Um exemplo disso é o submarino do personagem de Kevin Bacon, que tem uma arquitetura clean e aparentemente comum, mas esconde uma sala rodeade de espelhos e luzes azuis. Ótimo trabalho, isso contando que muitos cenários foram levantados de verdade, usando o mínimo de CG possível.

Melhor Figurino: Thor | Alexandra Byrne

Eu sempre me interesso pelos figurinos em filmes de super-heróis. Ainda espero pelo dia em que a Academia reconheça (com pelo menos uma indicação) o trabalho em transportar personagens de quadrinhos para as telas. Na adaptação de Thor, a figurinista Alexandra Byrne acerta na composição das vestimentas de deuses nórdicos, misturando elementos clássicos (como a capa vermelha, as escamas no braço) com toques modernos.

Melhor Maquiagem: Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2

Ao longo da série de Harry Potter, o departamento de maquiagem sempre teve um papel fundamental na criação do universo de JK Rowling. Mas no oitavo e último filme da franquia, o trabalho é multiplicado na criação de dezenas de duendes para a cena do ataque ao banco de Gringotes. Foram cerca de 20 anões e muita criatividade na composição de cada criatura.

Melhores Efeitos Visuais: Planeta dos Macacos: A Origem

Depois de Avatar mudar o jogo com seus impressionantes efeitos visuais, Planeta dos Macacos – A Origem chega para aprimorar o que havia sido aprimorado. Com todos os símios (macacos, chimpanzés, gorilas, etc) criados digitalmente, com auxílio de captura de performance, o resultado é de encher os olhos, aproximando-se ao máximo da realidade. Se perder o Oscar, é marmelada.

Melhor Trilha Sonora: MILLENNIUM: Os Homens que Não Amavam as Mulheres | Trent Reznor & Atticus Ross

MILLENNIUM ainda não estreiou aqui no Brasil, mas a trilha sonora de Trent Reznor e Atticus Ross já está disponível online há mais de uma semana. Claro que, dessa forma, fica impossível saber se os oníricos sons criados pela dupla combinam com as imagens do filme, mas se considerar o trabalho musical isoladamente, ainda é superior a qualquer outro lançado este ano. Com cerca de 3 horas, o resultado é sensacional, tão bom quanto a trilha de A Rede Social.

Canção do Ano: “Immigrant Song” |Trent Reznor, Atticus Ross e Karen O | MILLENNIUM: Os Homens que não Amavam as Mulheres

Tava começando o primeiro teaser de MILLENNIUM: Os Homens que Não Amavam as Mulheres (uma versão pirata, vazada do próprio estúdio), e em meio a diversos cortes rápidos de cenas do filme, ecoava o selvagem cover de Karen O para a “Immigrant Song” de Led Zeppelin. Com Trent Reznor na instrumental e Atticus Ross como mixador, a música pesada é inesquecível e viciante, pontuando em cheio o tom do filme de David Fincher.

Melhor 3D: Transformers – O Lado Oculto da Lua

Mesmo sendo um dos piores filmes do ano, Transformers – O Lado Oculto da Lua tem um atrativo poderoso: seu genuíno 3D estereoscópico. O longa foi rodado com câmeras 3D e garante um resultado visual impressionante – especialmente ao retratar as crateras e rochas lunares na cena inicial – e uma profundidade maior nas cenas de ação. Pena que tanto esforço foi para um filme ruim.

Melhor cena de abertura: Melancolia

Lars Von Trier tem mostrado bastante talento na abertura de seus longas recentes. Primeiro, o sinistro prólogo em preto-e-branco e câmera lentíssma em Anticristo, agora ele apresenta sua visão do fim do mundo nos minutos iniciais de Melancolia, quando um planeta gigante colide com a Terra. Mantendo a câmera lenta, o diretor preenche a tela com imagens simbólicas e sem muita conexão (explícita) com a trama, alcançando um resultado arrasador.

Surpresa do ano: Amor a toda Prova

Amor a Toda Prova era tão irrelevante para mim, que não assisti nenhum trailer antes de conferir o filme sim. Talvez isso tenha influenciado no resultado, já que adorei o filme de Glenn Ficara e John Requa e fiquei completamente surpreso com sua história e as inúmeras reviravoltas nela. O elenco inteiro também se sai muito bem, com destaque para Ryan Gosling, que tem em 2011 o melhor ano de sua carreira.

Decepção do ano: O Preço do Amanhã

Eu já disse milhões de vezes, e repito: Andrew Niccol teve a melhor ideia do ano com O Preço do Amanhã. É um imenso desperdício que o diretor/roteirista tenha desenvolvido tão mal a sua ótima premissa e alcançado um resultado ordinário e simplório, recorrendo ao formulaico filme de ação. Não que o filme seja ruim, mas poderia ser muito mais.

Melhores Trailers

1. MILLENNIUM: Os Homens que Não Amavam as Mulheres – Teaser

2. Prometheus – Teaser

3. Shame – ‘New York, New York’ Trailer

Melhor Pôster: Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Bem, essa foi a retrospectiva de 2011. Diferente do ano passado, talvez eu continue com esse modelo de postagem ou quem sabe o ranking gigante voltará? Enfim, comentem e compartilhem suas opiniões sobre os lançamentos de 2011, e tenham um Feliz Natal!

| Compramos um Zoológico | Cameron Crowe retorna com um filme inspirador e divertido

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2011, Drama with tags , , , , , , , , on 18 de dezembro de 2011 by Lucas Nascimento


Eye of the tiger: Matt Damon em um momento de reflexão com o tigre Spar

O título de um filme é muito importante. A partir do mesmo, o espectador pode ser fisgado pela ideia central do longa e saber exatamente sobre o que se trata. Compramos um Zoológico é um exemplo desse caso; ostentando um título chamativo e interessante (até mesmo os personagens do longa adoram pronunciá-lo), é impossível não ser atraído pela maravilhosa premissa do novo trabalho de Cameron Crowe.

Inspirada em fatos reais, a trama acompanha a tentativa de Benjamin Mee (Matt Damon) em mudar de vida com seus filhos após a morte de sua esposa. Surpreendendo a todos – inclusive a si mesmo – ele resolve comprar um zoológico falido e transformá-lo na maior atração do verão.

Depois de praticamente sumir do cinema, Cameron Crowe retorna à direção depois de seis anos (seu último trabalho foi Tudo Acontece em Elizabethtown, em 2005) com um filme divertidíssimo e original. Partindo de seu ótimo conceito, o diretor também co-assina o roteiro  com Aline Brosh McKenna, adaptado do livro de Benjamin Mee, e proporciona diálogos memoráveis e naturais, especialmente na relação pai-filho entre o protagonista e sua filha Rosie (a excelente Maggie Elizabeth Jones). Toda a personalidade de Mee é maravilhosamente bem construída ao longo do primeiro ato (como clipes mostrando sua vida de aventureiro, restaurantes que este passa a evitar após a morte da esposa) e explorada com sucesso ao longo da projeção.

Matt Damon contribui muito para o sucesso do longa, já que sua performance é carismática e tridimensional, conseguindo equilibrar o bom humor do personagem ao embarcar em um negócio diferente com seu lado mais sério, principalmente na falta de comunicação com seu filho mais velho (Colin Ford, bem expressivo). O elenco coadjuvante também faz bem, com Scarlett Johansson confortável na pele de Kelly, Thomas Haden Church (que partilha de uma interessante relação quase paternal com Damon) como um divertido alívio cômico e Elle Fanning – em um papel mais curto – adorável como sempre.

O que nos leva à natural direção de Cameron Crowe. Optando por planos mais “tradicionais”, o cineasta retrata bem a natureza preservada do Zoológico Rosemoor (em diversos momentos suas câmeras capturam o comportamento de certos animais, em um convincente ode à preservação ambiental) e consegue fazer o espectador se importar com a situação. Gosto também de certo momento em que o protagonista observa fotos em que encontra-se com sua esposa e a cena ganha vida diante de seus olhos, comprovando o talento de Crowe em criar uma cena emocional sem recorrer ao melodrama.

Acertando também na escolha da trilha sonora incidental, Compramos um Zoológico é um dos filmes mais divertidos do ano. O tema abordado é ligeiramente incomum, mas ganha um tratamento realista (não é fácil comprar e administrar um zoológico!) e bem-humorado e ainda consegue abordar temas familiares com a mesma qualidade. Para toda a família.

Crítica publicada em 18/12, pré-estreia do filme em SP.