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Análise Blu-ray | BRAVURA INDÔMITA

Posted in Análise Blu-ray with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 24 de junho de 2011 by Lucas Nascimento

O Filme

O faroeste dos irmãos Coen é um dos melhores filmes de sua impecável filmografia. Com um elenco arrasador, uma trama empolgante e com ritmo frenético, Bravura Indômita é uma aventura genuína e divertida como poucas. Em Blu-ray, tudo fica ainda melhor (especialmente a ótima fotografia de Roger Deakins). Um dos melhores filmes do ano. Crítica

Extras

A Bravura Indômita de Mattie

Em apenas cinco minutos, vemos alguns detalhes sobre a escolha da talentosa Hailee Steinfeld para o papel de Mattie Ross. A animada atriz fala sobre a escalação, o trabalho atencioso dos Coen e as habilidades que teve que aprender (tais como andar a cavalo, atirar, entre outros). Pena que é curto, poderia ser mais aprofundado.

From Bustles to Buckskin – Vestimentas de 1880

Com orientação da figurinista Mary Zophers, acompanhamos o processo de confecção das vestimentas do filme – com direito a alguns desenhos de produção. Diversos estilos, que variam de personagem e lugar, e também referência Histórica, que procura representar adequadamente à época de faroestes, mas com um toque mais realista. Muito bom, mas bem que podiam falar alguma coisa sobre a roupa de urso…

Colts, Winchesters & Remingtons: As armas de um Faroeste Pós-Guerra Civil

Como o próprio título explica, nesse extra vemos um pouco das armas de fogo utilizadas no filme e a dificuldade em encontrar réplicas decentes que representassem bem a época e adequassem à seus personagens (como por exemplo, a arma de Ned Sortudo). Curto e direto ao ponto, muito eficiente.

Re-Criando Fort Smith

Certamente o aspecto mais complicado da produção: a criação e desenvolvimento dos cenários, principalmente a antiga Fort Smith em clima de inverno. Com aproximadamente 10 minutos, acompanhamos a construção de alguns monumentos, carroças e lojas de época – tudo em uma cidade no Texas. Bacana.

O Elenco

Nesse extra, temos entrevistas com todo o elenco principal (Jeff Bridges, Matt Damon, Hailee Steinfeld, Josh Brolin e Barry Pepper), que comentam seus personagens e a interação com os outros atores. Chovem (merecidos) elogios para as geniais performances de Bridges e Steinfeld. 

Charles Portis: O Maior escritor de quem você nunca ouviu falar

O mais extenso dos extras, apresenta uma mini-biografia sobre o escritor Charles Portis que escreveu, dentre outras elogiadas obras, o livro que originou Bravura Indômita. Há depoimentos de jornalistas, escritores e amigos do reservado autor, que tem aqui registrada uma aparição em um prêmio honorário. Muito bom, desperta curiosidade pelas obras de Portis.

A Fotografia de Bravura Indômita

A belíssima fotografia de Roger Deakins ganha atenção especial nesse minúsculo extra. Vemos entrevistas com o cinematógrafo, que explica a importância de seu trabalho e como ele aplicou-se ao faroeste de Bravura Indômita. Genial, mas realmente precisaria de mais tempo para que o profissional apresentasse mais detalhes.

Nota Geral:

Bravura Indômita é um excelente blu-ray, com qualidade de imagem e de som altíssimas (o som, principalmente) e perfeitas, além de possuir extras bacanas que pecam apenas em serem muito curtos, mas que desempenham muito bem sua função. Obrigatório.

Preço: 89,90

Imagens: Blu-ray.com

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Especial Dia Internacional da Mulher 2011

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , on 8 de março de 2011 by Lucas Nascimento

Em homenagem ao dia internacional da mulher, selecionei 7 personagens femininas do cinema. Não as mais famosas, e com certeza me esqueci de algumas, mas essas são as que me vieram a mente agora. Confira:

Lisa Freemont – Janela Indiscreta

“Se tem uma coisa que eu sei fazer, é usar roupas adequadas”

Ten. Ripley – Antologia Alien

“Larga ela, sua vadia!”

Juno MacGuff – Juno

“Você devia ter ido pra China, ouvi dizer que eles distribuem bebês de graça lá que nem Ipods.”

A Noiva – Kill Bill

“Eu e você temos negócios a terminar”

Norma Desmond – Crepúsculo dos Deuses

“Eu ainda sou grande. Os filmes é que ficaram pequenos”

Holly Golightly – Bonequinha de Luxo

“Realmente, eu sou louca por diamantes”

Mattie Ross – Bravura Indômita

“Eu não ligo para armas, se ligasse teria uma que funcionasse”

Batalha pelo Oscar 2011 | Parte I | Atuações

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 21 de fevereiro de 2011 by Lucas Nascimento

Bem-vindos à Parte I do Especial do Oscar 2011! Nesse post, veremos todos os indicados nas categorias de atuações, assim como os que foram esquecidos pela Academia… Vamos lá:

Javier Bardem | Biutiful

Personagem: Uxbal

Infelizmente, foi impossível para mim assistir à Biutiful (que também concorre em Filme Estrangeiro) e julgar se Javier Bardem merece ou não a indicação, mas gosto do ator e confio no seu talento, que certamente é aproveitado em um papel tão complicado.

Jeff Bridges | Bravura Indômita

Personagem: Rooster Cogburn

Provando que se dá bem em qualquer papel, Bridges interpreta o excêntrico Cogburn com muita energia e sotaque (além de uma pequena dose do The Dude), tornando o personagem divertidíssimo e admirável. Sempre com uma piada na ponta da língua, é imprevisível e bravo, tendo ótimos momentos com os demais personagens.

Jesse Eisenberg | A Rede Social

Personagem: Mark Zuckerberg

Na pele do criador do Facebook, Jesse Eisenberg surpreende em uma performance única, traçando uma personalidade muito peculiar a Zuckerberg: a de alguém isolado, tímido e tão emocianalmentei incapaz, que é rude com amigos sem perceber. Sempre com uma expressão séria, Eisenberg acerta por raramente transmitir o que se passa na cabeça do personagem, o que o torna imprevisível e até perigoso.

James Franco | 127 Horas

Personagem: Aron Ralston

Segurando o filme inteiro sozinho, Franco apresenta uma grande carga dramática e um carisma indiscutível. É impressionante como seu personagem resiste à sua situação, raramente apelando à melancolia. Seu talento é bem utilizado na cena em que fala sozinho em um “talk show” que, de tão boa, já ganha o espectador.

Colin Firth | O Discurso do Rei

Personagem: Rei George VI

Favorito disparado, Firth já levou praticamente todos os prêmios de Ator de cinema até aqui, deixando clara sua vitória. E, realmente, ele merece; sua performance como o rei que sofre de gaguice é memorável, intensa e, mais importante, o ator nunca se deixa levar pelo caricato –  traçando um retrato autêntico de seu problema, que poderia facilmente ser vítima de piadas, mas acaba por ser assombroso.

Ficou de fora: Leonardo DiCaprio | A Origem

Personagem: Dom Cobb

Naquele que é provavelmente o melhor ano de sua carreira, o talentoso Leonardo DiCaprio encarou dois grandes papeis: o do policial Teddy em Ilha do Medo e do Extrator Cobb em A Origem. Seu carisma e peso dramático estão mais evidentes no segundo filme, com uma performance forte e expressiva. A Academia ataca novamente…

APOSTA: Colin Firth | O Discurso do Rei

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Ninguém rouba o prêmio de Firth desta vez.

Annette Bening Minhas Mães e meu Pai

Personagem: Nic

Pois é, infelizmente não consegui assistir Minhas Mães e Meu Pai (na época de lançamento, nem dei bola pro filme…), então fica difícil analisar a performance de Annette Bening. Mas uma coisa é certa: é um papel ousado e polêmico, e parece ser bem realizado pela atriz. Se Portman não vencer (o que é improvável), talvez ela ganhe.

Jennifer Lawrence | Inverno da Alma

Personagem: Ree Dolly

A performance de Lawrence é o grande destaque do pesado Inverno da Alma. A atriz é um talento promissor, apresenta uma personagem forte que não se deixa intimidar por nada, a não ser as preocupações com sua família, que mostra-se como seu único ponto fraco.

Nicole Kidman | Reencontrando a Felicidade

Personagem: Becca

Reencontrando a Felicidade infelizmente não estreará nos cinemas brasileiros a tempo do Oscar, então falar de Nicole Kidman será impossível. Mas é bom ver a atriz sendo indicada novamente, após uma fase dura no cinema.

Natalie Portman | Cisne Negro

Personagem: Nina Sayers

A performance de Natalie Portman é realmente extraordinária. Exibindo uma vulnerabilidade partircularmente frágil ao longo do primeiro ato, a personagem parece estar a ponto de se desmoronar a qualquer instante e transformar-se radicalmente em uma pessoa agressiva e sensual, ao decorrer da trama. Nas palavras da personagem “Foi perfeita”.

Michelle Williams | Namorados para Sempre

Personagem: Cindy

Namorados por Acaso infelizmente vai demorar para chegar no Brasil, por isso vai ficar difícil analisar o trabalho de Williams. Mas pelo que li, ela merece créditos: morou por alguns meses com o protagonista do filme – na esperança de criar um vínculo emocional maior. Há também, as polêmicas cenas de sexo, que quase garantiram um NC- 17 (a censura mais “punk” dos EUA) ao longa.

Ficou de fora: Chloe Moretz | Deixe-me Entrar

Personagem: Abby

Com uma promissora carreira pela frente, Chloe Moretz interpreta a vampira Abby com grande emoção, sempre escondendo suas intenções em seu ambígo olhar. Misteriosa e implacável, é uma maravilhosa composição que, atrevo-me a dizer, supera a do original sueco.

APOSTA: Natalie Portman | Cisne Negro

 QUEM PODE VIRAR O JOGO: Anette Bening | Minhas Mães e Meu Pai, mas é muito difícil…

Christian Bale | O Vencedor

Personagem: Dicky Eklund

Christian Bale é um monstro de ator. Sua performance como o viciado em crack Dicky Ward é espetacular e magnética, conseguindo o carinho do público mesmo com seus hábitos reprováveis. O personagem passa por uma transformação, movida pela afeição a seu irmão, contagiante e admirável. O ator merece o prêmio.

John Hawkes | Inverno da Alma

Personagem: Teardrop

Além de possuir o nome mais bacana entre os personagens, Hawkes compõe o personagem de forma perturbada, sempre com um olhar furioso, mas ao mesmo tempo com medo. É determinado e tem uma boa química com Jennifer Lawrence.

Jeremy Renner | Atração Perigosa

Personagem: James Coughlin

Renner mostra que não foi sorte de principiante em Guerra ao Terror. O cara tem talento e prova isso ao interpretar o encrenqueiro “Jem”, que é estressado e adora um bom crime. O ator enche-o de energia e torna-se o centro do apenas bom filme; suas cenas são as melhores e eu literalmente torci por ele no tenso clímax. Renner ainda vai dar o que falar…

Mark Ruffalo | Minhas Mães e Meu Pai

Personagem: Paul

Já estava na hora do talentoso Mark Ruffalo receber uma indicação ao Oscar. Infelizmente não assisti sua performance como o pai biológico das crianças de Minhas Mães e Meu Pai, mas percebe-se que é um papel complicado. Vi alguns clipes e o ator parece-me bem carismático.

Geoffrey Rush | O Discurso do Rei

Personagem: Lionel Logue

Colin Firth está espetacular como o protagonista de O Discurso do Rei, mas não seria a mesma coisa sem os momentos em que contracena com o ótimo Geoffrey Rush. Interpretando um terapeuta de fala, o ator preenche Logue com simpatia e humildade, complementando as cenas em que aparece com ótimo humor e inspira não só o personagem principal, mas também o público.

Ficou de Fora: Andrew Garfield | A Rede Social

Personagem: Eduardo Saverin

A grande carga emotiva de A Rede Social vem do carismático Andrew Garfield. Tem ótima química com Jesse Eisenberg e rende diálogos/discussões memoráveis, que vão ficando mais intensas, assim como a natureza do personagem que, de sua primeira aparição no quarto de Kirkland até seu confronto no Vale do Silício, impressiona pela criação de inimizade com o protagonista.

APOSTA: Christian Bale | O Vencedor

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Geoffrey Rush | O Discurso do Rei

Amy Adams | O Vencedor

Personagem: Charlene Fleming

Na pele da bartender Charlene, Adams não só está linda como sempre, mas continua explorando seu talento mais a fundo, compondo a personagem como alguém que perdeu todas as oportunidades; o olhar da atriz sempre expressa essa característica. Uma grande carga dramática.

Helena Bonham Carter | O Discurso do Rei

Personagem: Rainha Elizabeth

Mesmo aparecendo pouco no longa, Carter se destaca por fazer um papel mais “comum”, depois de tanto Harry Potter e Tim Burton. Sua versão da esposa de George VI é alegre e radiante, sempre recitando suas falas com elegância e dedicação.

Melissa Leo | O Vencedor

Personagem: Alice Ward

Grande favorita ao prêmio, Melissa Leo entrega uma performance forte como a controladora Alice, cujo caráter de “durona” é apenas enfraquecido por seu filho Dicky. Não acho que ela mereça o Oscar; é uma boa atuação, mas nada de espetacular como rotulavam os críticos. No entanto, a atriz perdeu grande força com campanhas de votação FYC inadequadas e preconceituosas.

Hailee Steinfeld | Bravura Indômita

Personagem: Mattie Ross

Injustamente indicada como Coadjuvante, a Mattie Ross de Hailee Steinfeld é de longe a protagonista do filme, e a atriz de 14 anos faz um trabalho impecável e energético, parecendo uma jovem adulta em alguns momentos, mas sem se esquecer de seu lado infantil – como provam seus contagiantes gritos de vitória e sua constante persistência. É a melhor entre as indicadas.

Jacki Weaver | Reino Animal

Personagem: Janine Cody

Reino Animal não chegou (e provavelmente não chegará tão cedo) ao Brasil, por isso fica difícil analisar a performance de Weaver nesse filme australiano tão comentado.

Ficou de Fora: Mila Kunis | Cisne Negro

Personagem: Lily

Sensual e provocativa, Mila Kunis reproduz a versão dark de Natalie Portman com muita afeição, ao mostrar diferenças de personalidade e também de dança. Chama a atenção por seu olhar provocante e malicioso, que seduz o espectador e manipula os personagens do filme.

APOSTA: Melissa Leo | O Vencedor

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Hailee Steinfeld | Bravura Indômita

E a parte I do especial acaba aqui, mas aguardem pela Parte II (minha preferida), sobre as categorias técnicas da noite. Até lá.

| Bravura Indômita | Western dos Coen é mais uma Obra-prima

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2011, Indicados ao Oscar, Western with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 12 de fevereiro de 2011 by Lucas Nascimento


Era uma Vez no Oeste: Dois grandes personagens, duas grandes performances

Os irmãos Coen são conhecidos por diversos fatores, os predominantes sendo o constante cinismo na trama e a mistura de gêneros e subgêneros (é difícil “rotular” um longa da dupla), alcançando um resultado único. Esses fatores – mesmo que mais contidos – estão em Bravura Indômita, nova adaptação do livro de Charles Pottis, que joga o espectador em uma empolgante aventura à moda antiga.

Ambientada no Velho Oeste dos EUA, a trama acompanha a jovem de 14 anos Mattie Ross (Hailee Steinfeld) que pretende vingar a morte de seu pai, contratando o excêntrico federal Rooster Cogburn (Jeff Bridges) e inciando uma caçada ao assassino (Josh Brolin).

Mesmo que os fatores característicos, abordados no início do texto, não estejam em cena o tempo todo, ainda é um filme dos irmãos Coen. O humor negro e sarcástico é presente tanto no geniral roteiro (assinado pelos dois) quanto na direção, que inclue longos takes em silêncio e coadjuvantes bizarros (o que dizer do capanga que faz sons animalescos?); sempre levando à conclusão de que o filme não se leva a sério o tempo todo.

Assim como o federal Cogburn, a quem Jeff Bridges presta um trabalho sensacional; adotando um sotaque característico, o personagem é impagável e divertidíssimo, agindo quase como uma criança, mas com um toque de seriedade dentro de si. Sua presença em cena só é rivalizada pela verdadeira “criança” do filme, a jovem Hailee Steinfeld que preenche Mattie Ross com uma vivacidade e energia contagiantes, sempre apresentando determinação em suas falas; Melissa Leo (O Vencedor) come poeira perto da atriz mirim, que injustamente foi indicada ao Oscar como Atriz Coadjuvante, quando na verdade é a protagonista do filme.


O Oscar de Melhor Fotografia para Roger Deakins é obrigatório

Matt Damon também faz bem como o Texas Ranger LaBoeuf, rendendo boas discussões com Cogburn e diálogos de afeto com Mattie. Josh Brolin aparece pouco, mas compõe o assassino Tom Chaney com um ar de monstruosidade (ele até engrossa a voz) e impressiona.

Fotografado com talento pelo experiente Roger Deakins, o longa oferece uma paisagem mais sublime do que a outra, predominando tons pasteis e a luz do sol, apesar de as cenas noturnas serem igualmente caprichadas, dando força em especial ao inesquecível clímax. A estatueta já escapou de suas mãos 9 vezes, mas não vencer dessa vez seria injusto…

Bravura Indômita é uma grande diversão e uma aventura com emoção genuína, do tipo que Hollywood raramente consegue realizar. Os Coen focam-se na trama, sem se preocupar com em distorcer o gênero e acrescentam mais uma obra-prima à sua filmografia.

Leia esta crítica em inglês (english)