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| A Invenção de Hugo Cabret | A deliciosa aventura 3D de Martin Scorsese

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2012, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , , on 19 de fevereiro de 2012 by Lucas Nascimento

4.0


Asa Butterfield encarna o jovem Hugo Cabret

Martin Scorsese é um dos maiores diretores da História do Cinema, e um não pode ser chamado de cinéfilo sem ter visto alguma de suas obras-primas. Famoso por longas de gangsters e violência, ele explora território completamente novo em A Invenção de Hugo Cabret (pronuncia-se “Cabrê”), uma doce e inocente aventura infantil em 3D, onde o cineasta aprimora técnicas narrativas e ainda encontra espaço para homenagear a Sétima de Arte.

A trama é ambientada em uma Paris dos anos 30 cujo visual beira o fantástico (em um excelente trabalho do design de produção e efeitos visuais), onde encontramos o órfão Hugo Cabret (Asa Butterfield) morando entre as paredes do relógio de uma estação de trem. O jovem sobrevive por meio de furtos e escapadas, enquanto tenta consertar um enigmático autômato deixado por seu pai (Jude Law), e inicia uma amizade com Isabelle (Chloe Grace Moretz), que possui a chave para a resolução do mistério.

Assim como O Artista e Meia-Noite em Paris (ambos indicados para Melhor Filme no Oscar deste ano), Hugo é um ode ao passado, uma homenagem nostálgica sobre tempos mais simples e inesquecíveis. Escrito a partir do livro de Brian Selznick, o roteiro de John Logan é um texto maravilhoso que traz mensagens verdadeiramente inspiradoras em suas entrelinhas (especialmente na comparação feita por Hugo entre o mundo e uma máquina, e o conceito das peças extras) ao mesmo tempo em que traça histórias interessantes dentro desse mundo semi-fantasioso. Os diálogos fluem bem e sua trama é acessível para qualquer público, com um requisito claro: a paixão pelo cinema.

E Scorsese é um apaixonado por cinema. Ele usa o texto de Logan como guia e faz de Hugo algo propriamente pessoal, usando de velhas assinaturas (como a névoa, onipresente nos filmes do diretor, que ganha uma bela profundidade com o 3D) a passo que adota recursos mais modernos, como o ótimo travelling digital nos segundos iniciais – que oferecem uma imersão no cenário e na história como eu não via há muito tempo; eu realmente me senti dentro da estação de trem. A tal homenagem à Sétima Arte que você tanto tem ouvido falar é proporcionada, em sua maior parte, pela presença do icônico Georges Méliès (Ben Kingsley, ótimo); precursor no cinema de efeitos especiais, cuja vida e obra são relembradas aqui em uma sequência particularmente empolgante, (Viagem a Lua, longa mais famoso de sua filmografia tem um papel maior) que ainda conta com imagens dos filmes do próprio e de diversos outros (até de O Trem chegando na Estação, primeiro da História). É Scorsese e sua campanha para a preservação de películas em uma propaganda nada apelativa, muito pelo contrário, e sim convincente.

Todo o elenco também abraça o universo de Hugo Cabret. Asa Butterfield impressiona com seu carisma e dramaticidade ao viver o personagem-título, hipnotizando com seus olhos azuis da mesma forma que a sempre talentosa Chloe Grace Moretz esbanja um portentoso sotaque britânico, que cai bem com a empolgação inocente de sua personagem. Repleto de salientes coadjuvantes, Sacha Baron Cohen (o eterno Borat) talvez seja o melhor deles como o divertido inspetor da estação, cuja agressividade na perseguição a jovens órfãos é contrastada de forma dócil por sua timidez ao conversar com a florista Lisette (Emily Mortimer, de Ilha do Medo). Prestem atenção também à ligeira ponta de Martin Scorsese

A Invenção de Hugo Cabret é mais do que apenas o primeiro 3D de Martin Scorsese. É uma história sobre encontrarmos nossa função no mundo e como os sonhos podem ser capturados pela incomparável magia do cinema. É uma carta de amor para o cinéfilo dentro de todos nós.

Obs: A crítica já deve ter deixado bem claro mas, se possível, assista em 3D!

| Meia-Noite em Paris | História da Arte por Woody Allen

Posted in Comédia, Críticas de 2011, Indicados ao Oscar, Romance with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 27 de junho de 2011 by Lucas Nascimento


Fascinantes Anos 20: Owen Wilson acerta como Gil, apaixonado por Paris

O passado sempre parece mais interessante, enquanto o presente é – na visão de alguns – monótono e deprimente. Essa é uma questão muito bem abordada pelo cineasta e roteirista Woody Allen em seu novo filme, Meia Noite em Paris, que não é só um interessante estudo sobre a nostalgia do ser humano, como também um belíssimo atestado à Arte da Cidade da Luz.

Na trama, Gil é um frustrado roteirista de Hollywood que vai para Paris com sua noiva Inez. Apaixonado pela cidade da década de 20, ele experiencia uma misteriosa jornada pelo passado, onde encontra diversos artistas da época.

Confesso a vocês que não sou familiarizado com o cinema de Woody Allen (assisti apenas a Match Point e Noivo Neurótico, Noiva Nervosa), mas realmente gostei de Meia Noite em Paris. Com uma excelente assinatura também no roteiro (alguns dos melhores diálogos do ano estão aqui), o cineasta trata Paris com imenso carinho e paixão, apresentando belas paisagens na sequência de abertura, em uma bem-vinda forma de apresentar o cenário ao espectador e fazê-lo apaixonar-se pela cidade, da mesma forma como o protagonista Gil.

Vivido por Owen Wilson com um carisma fresco e teor cômico apropriado, Gil acredita que seria mais feliz na Paris dos anos 20, onde escritores e artistas andavam pelas ruas, cafés e festas. De casamento marcado com a irritante Inez (Rachel McAdams, agradável como de costume), a situação se complica quando ela desvia muita atenção para o historiador Paul (Michael Sheen, o impagável “homem de chuveiros”), enquanto ele sente-se inseguro quanto a qualidade do romance que escreve. A partir daí o protagonista embarca em uma surreal viagem ao passado, que além de divertida é um verdadeiro passeio cultural.

É genial como Allen retrata a época. Optando por uma fotografia mais nostálgica e brilhante, acerta na medida em que somos maravilhados com participações antológicas de celebridades da época, como o escritor Ernest Hemingway (Corey Stoll, ótimo), Gertrude Stein (Kathy Bates, na medida certa) e do excêntrico pintor surrealista Salvador Dalí, que ganha uma versão divertidíssima do excelente Adrien Brody, que só pelo diálogo dos rinocerontes merecia uma indicação ao Oscar. E, felizmente, o cineasta jamais preocupa-se em explicar a jornada surreal de Gil, podendo ser resultado de um devaneio do protagonista ou um elemento fantástico. É isso que torna a experiência onírica do personagem tão única.

Mais do que isso, é interessante a mensagem que o diretor consegue transmitir quanto ao desejo de Gil de viver no passado. Maravilhado com a surreal possibilidade de conhecer seus ídolos, ele descobre por meio de uma amante de Picasso chamada Adriana (Marion Cotillard, eficáz e belíssima) que seus habitantes não são tão satisfeitos em relação à época quanto ele. Allen sugere subjetivamente que o passado é sempre mais interessante porque não o vivemos, ao passo que o presente é simplesmente tedioso – levando a uma brilhante reviravolta envolvendo Adriana -, mas que talvez ele seja visto com outros olhos futuramente, sendo atraente para um indivíduo em um incessante efeito dominó…

Divertidíssimo e com roteiro fabuloso, Meia Noite em Paris é um belíssimo atestado à Cidade da Luz e seus artistas, também apresentando um elenco equilibrado e uma bela mensagem sobre a valorização do presente e o poder que o tempo possuí sobre a arte. Algo que certamente Woody Allen compreende bem…

| Inverno da Alma | Fria realidade de uma família disfuncional

Posted in Cinema, Críticas de 2011, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , on 28 de janeiro de 2011 by Lucas Nascimento

Vencedor do prêmio máximo no Festival de Sundance e indicado a 4 Oscars (incluindo Melhor Filme), Inverno da Alma é um filme difícil. Frio e realista, mostra a triste história de uma família disfuncional, que vive na miséria e é sustentada pela filha mais velha de 17 anos, Ree vivida pela estreante Jennifer Lawrence com vivacidade impressionante.

Ree sustenta sozinha seu irmão e irmã mais novos e sua mãe doente, vivendo em uma pequena fazenda no Sul dos Estados Unidos. A situação vai de mal a pior quando seu pai – ligado a atividades criminosas – desaparece às vésperas de uma audiência legal, colocando em risco a casa de sua família. Ree então, parte para encontrá-lo.

Nas mãos de outro diretor, o longa poderia ter virado um épico de ação descerebrada, mas felizmente a cineasta Debra Granik assumiu projeto, compondo-o como um drama pesado e silencioso, sendo reforçado pela fotografia fria, os enquadramentos espertos da diretora e a trilha sonora quase que ausente. Mesmo que o primeiro ato mova-se com uma certa lentidão, a novata Jennifer Lawrence vale cada segundo.

Além de possuir uma beleza incontestável, a atriz encarna Ree como uma personagem forte; uma garota que foi obrigada a crescer mais rápido do que deveria, a fim de cuidar de sua família e desistir de seus sonhos; como seu desejo de se alistar no exército. É magnífico como a persona durona da personagem não é afetada quando ela é ameaçada de morte, mas sim quando conversa com sua mãe ou quando encontra seu pai, provando que a família é sua única fraqueza.

Escrito de forma competente, o longa também traz uma eficaz mensagem ambiental e uma conclusão memorável que compensa pelos erros da trama e emociona por seu plano final, que mostra a miséria que muitos enfrentam diaramente.

Refletindo o trailer de Atividade Paranormal 2

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , , on 1 de julho de 2010 by Lucas Nascimento

     A mulher na porta é a mesma do primeiro filme?
É, não achei a prévia de Atividade Paranormal 2 tão empolgante ou assustadora (acredite, reclamaram tanto de seu nível de terror que ele não será exibido junto às cópias de Eclipse), mas algumas pistas já são identificáveis.

Se você assistir o vídeo no site oficial, uma imagem congelada aparecerá após o fim da exibição. Essa aqui:

Reparem em duas coisas: o berço está vazio, mas pelo reflexo do espelho, é possível ver a criança. Segundo, há uma mensagem escrita em letras pouco amigáveis no chão; mais uma vez, ela só aparece no reflexo do espelho.

Eu não consigo ler coisa alguma, mas algumas pessoas me disseram que está escrito: “WHAT IS  HAPPENING TO HUNTER?”. Hunter certamente é um nome próprio e eu aposto que seja do cachorro. Só espero que não seja algo similar ao sofrível filme protagonizado por Kiefer Sutherland, Espelhos do medo

Admito que Atividade Paranormal 2 está começando a me chamar mais atenção, bem, ao menos muito mais do que seu antecessor. Esperar para ver, o filme estreia em 22 de Outubro nos EUA.