Arquivo para Meryl Streep

ESPECIAL OSCAR 2015 Ou (Como Aprendi a Ignorar as Loucuras da Academia e Curtir o Show) | Volume Um | Atuações

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 13 de fevereiro de 2015 by Lucas Nascimento

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Chegou a hora do Oscar 2015, uma corrida estranha que promete trazer algumas surpresas, apesar de – pra variar – muita coisa já estar indubitavelmente previsível. Vamos lá:

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Steve Carell | Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo

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Papel: John du Pont

É uma grande mudança para Steve Carell, o que ele faz aqui em Foxcatcher. Na pele do milionário esquizofrênico que torna-se obcecado em ganhar a medalha de ouro para seu time de luta olímpíca, o comediante se transforma em uma figura assombrosa e imprevisível, e não apenas pelas próteses faciais. John du Pont fala baixo, devagar e mantém sempre um olhar fixo quando trava em um diálogo, e Carell é bem-sucedido ao não fazer do personagem uma caricatura, controlando até mesmo sua respiração a favor da performance. Nunca esperaria algo assim do ator.

Bradley Cooper | Sniper Americano

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Papel: Chris Kyle

Terceira indicação ao Oscar consecutiva de Bradley Cooper, o ator meio que entrou de intruso por sua forte performance em Sniper Americano (na teoria, esta seria a vaga de Jake Gyllenhaal, por O Abutre). A real é que Cooper realmente se destaca no filme, ainda mais por seu absurdo ganho de massa muscular, que o transformam em um brutamontes, e o sotaque texano que o ajuda a entrar na pele de Chris Kyle. Mas sinceramente? Não acho digno de uma indicação.

Benedict Cumberbatch | O Jogo da Imitação

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Papel: Alan Turing

Um dos mais simpáticos e talentosos atores de nossa geração, Benedict Cumberbatch conquista sua primeira indicação ao Oscar naquele que certamente é seu papel mais desafiador. Em O Jogo da Imitação, o ator dá vida ao matemático Alan Turing, um sujeito tímido, introvertido e inadvertidamente arrogante, escondendo também sua homossexualidade em uma época difícil. Cumberbatch está excelente ao assumir os trejeitos de Turing sem transformá-lo em uma caricatura, expressando sua inteligência e insegurança em uma performance intensa e comovente.

Michael Keaton | Birdman

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Papel: Riggan Thomson

O Cavaleiro das Trevas ressurge! Michael Keaton literalmente nasceu para vivier o personagem principal de Birdman, já que ele é praticamente uma paródia de si mesmo. O ator esquecido pelo público após desistir de viver um popular super-herói no cinema, agora tentando se reiventar no comando de uma ousada peça de teatro, no qual também é o protagonista. O Riggan Thomson de Keaton é ambicioso e até egocêntrico, mas o ator acerta ao sempre deixar a vulnerabilidade de Thomson em evidência, especialmente quando o vemos contracenar com um ator mais capaz (o Mike Shiner de Edward Norton) ou quando tenta reparar relações com sua filha, Sam. Há ainda espaços para elementos mais cômicos, como o sorriso sádico que Riggan esboça invariavelmente ou suas crises alucinógenas com o fantasma de Birdman.

  • Globo de Ouro – Musical/Comédia
  • Critics Choice Awards

Eddie Redmayne | A Teoria de Tudo

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Papel: Stephen Hawking

Eddie Redmayne em A Teoria de Tudo pode soar como “cota de ator interpretando deficiente” da Academia, mas a verdade é que realmente é um trabalho impecável. Obviamente, é um trabalho que exige um comprometimento físico assustador, e Redmayne surpreende ao trazer cada aspecto da doença de Stephen Hawking à tona de forma convicente e pesada, mas sem cair para uma caricatura exagerada. O ator consegue criar nuances sutis dentro do limitado estado da paralisia, seja em um levantar de sobrancelha, uma piscada ou leve tentativa de sorrir, somos capazes de encontrar ali o senso de humor de Hawking, e também seu afeto.

  • SAG
  • BAFTA
  • Globo de Ouro – Drama

APOSTA: Eddie Redmayne

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Michael Keaton

MEU VOTO: Eddie Redmayne

FICOU DE FORA: Jake Gyllenhaal | O Abutre

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Jake Gyllenhaal está cada vez melhor. Já tendo impressionado este ano com seu trabalho incrível em O Homem Duplicado, o ator se transforma fisicamente e mentalmente para viver o perturbado protagonista de O Abutre. Um homem calculista, obcecado e aparentemente incapaz de sentir afeto ou se preocupar com as consequências morais de seus atos, Lou Bloom é um dos personagens mais detestáveis e fascinantes dos últimos tempos, e Gyllenhaal acerta ao se perder completamente neste difícil papel. Trabalho de mestre, e estupidez sem tamanho da Academia não reconhecê-lo, já que ele está melhor do que qualquer um dos indicados…

Menção Honrosa: David Oyelowo | Selma

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Marion Cotillard | Dois Dias, Uma Noite

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Grande surpresa da categoria, Marion Cotillard recebeu sua segunda indicação ao Oscar, 7 anos após sua vitória pelo inebriante Piaf: Um Hino ao Amor. Não assisti a Dois Dias, Uma Noite ainda, mas vale apontar que é uma performance toda em francês (assim como sua vitória por Piaf), algo difícil de ser reconhecido pela Academia.

Felicity Jones | A Teoria de Tudo

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Papel: Jane Hawking

Após assistir A Teoria de Tudo, sinto que quero casar com Felicity Jones e fugir para um chalé nas florestas da Alemanha. Não só por sua beleza radiante e seu sotaque britânico delicioso, mas também pela doçura e determinação que a atriz demonstra no papel de Jane, a incansável esposa de Stephen Hawking. Jones começa como uma jovem apaixonada e delicada, e a doença de Stephen logo testa seus limites, revelando sua força e o iminente desgaste, o que prova que Jane é apenas um ser humano, e não uma super mulher. Ótima performance.

Julianne Moore | Para Sempre Alice

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Papel: Dra. Alice Howland

Eu achei difícil de acreditar que Julianne Moore ainda não tinha um Oscar na estante, mas ela sem dúvida garantirá um com seu trabalho em Para Sempre Alice. É a história real de uma professora universitária que se viu vítima de Alzheimer, e a doença dá a Moore o desafio de representá-la fielmente nas telas.

  • SAG
  • BAFTA
  • Globo de Ouro – Drama
  • Critics Choice Awards

Rosamund Pike | Garota Exemplar

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Papel: Amy Elliot Dunne

David Fincher precisava de uma atriz muito boa para interpretar Amy Elliot Dunne, a enigmática protagonista de Garota Exemplar. A escolha foi certeira com Rosamund Pike, aquela atriz que você avistou uma vez ou outra em algum papel coadjuvante, que aqui domina cada segundo de cena com uma presença sensual, duvidosa e selvagem. É um papel que exige dedicação e ambiguidade, e Pike nos estimula do primeiro até o último frame da projeção. Sem falar que ela manda muito bem em uma das cenas mais sangrentas que eu já vi na vida.

Reese Witherspoon | Livre

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Papel: Cheryl Strayed

Depois de sua vitória em 2006 por Johnny & June, Reese Witherspoon volta à cerimônia na pele de mais uma mulher esforçada. Cheryl Strayed embarcou num exaustivo walkabout após a morte de sua mãe, caminhando incessavelmente por trilhas especializadas nos EUA. Whiterspoon surge muito bem em cena, sem qualquer luxo ou maquiagem elaborada: suja, suada, arrancando unhas do pé e reações realistas diante de sua jornada: é uma mulher forte e feminista, mas que se assusta ao encontrar uma cobra no meio do deserto – como qualquer um faria.

APOSTA: Julianne Moore

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Esse é o ano dela.

MEU VOTO: Rosamund Pike

FICOU DE FORA: Sarah Snook | O Predestinado

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Papel: A Mãe Solteira

Nem em um milhão de anos eu esperaria que o trabalho de Sarah Snook no pouco conhecido O Predestinado fosse lembrado pela Academia. O que é uma pena, já que Snook teve um dos papéis mais desafiadores do ano passado, na pela da misteriosa Mãe Solteira, uma jovem que é enganada, tem o coração partido e acaba em uma estranha jornada transexual, colocando-a de frente com o Agente Temporal de Ethan Hawke. Snook é simplesmente impecável.

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Robert Duvall | O Juiz

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Achei impressionante a Academia ter lembrado desse filminho mediano que é O Juiz, representado aqui pela performance do veterano Robert Duvall. O ator interpreta o personagem-título, um renomado juiz que é acusado de homícido, ao mesmo tempo em que lida com a morte de sua esposa, a complicada relação com o filho e um câncer letal. Fórmula perfeita para que Duvall entregue uma boa atuação, mas nada realmente espetacular: é uma indicação apenas para celebrar a carreira deste grande ator.

Ethan Hawke | Boyhood: Da Infância à Juventude

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Papel: Mason Evans Sr.

Como é bom ver Ethan Hawke ser indicado como ator novamente. Em Boyhood, ele meio que reprisa boa parte de seu papel na trilogia de Antes do Amanhecer, fazendo o típico sujeito boa praça e que se dá bem com os filhos, mesmo que seja um adulto irresponsável e não tão bem sucedido. Como o próprio protagonista, Hawke vai amadurecendo e mudando ao longo da narrativa de 12 anos, começando como o arquétipo do sonhador/irresponsável até chegar a um nivel mais estável, representado também por sua mudança fisionômica.

Edward Norton | Birdman

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Papel: Mike Shiner

Que alegria é ver Edward Norton em um papel que lhe permita explorar seu imenso talento. Em Birdman, Norton da vida a um obsessivo ator de Método que trava diversos confrontos com Riggan Thomson, sempre deixando claro como suas capacidades de atuação são melhores, esbanjando egocentrismo. Mas Mike Shiner também é vulnerável como Thomson, especialmente quando se revela incapaz de ter uma ereção, ao menos que esteja no palco. É um retrato de um artista que se perdeu dentro de seu comprometimento obsessivo por viver outras pessoas, e Norton está impecável – e também muito engraçado, nos momentos em que o papel requer.

Mark Ruffalo | Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo

ruffalo

Papel: David Schultz

De todos os personagens em Foxcatcher, o David Schultz de Mark Ruffalo é sem dúvida o mais admirável, correto e generoso. Lutador olímpico mais eficiente do que seu irmão Mark, ele não mede esforços pada ajudá-lo no treinamento, e também sempre prioriza sua família. Ruffalo é eficiente ao fazer de Schultz um “cara bacana” e também uma alma verdadeiramente boa, sem arrogância ou ataques de raiva – mesmo que não se entenda com John du Pont, ele nunca perde sua postura.

J.K. Simmons | Whiplash: Em Busca da Perfeição

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Papel: Terence Fletcher

J.K. Simmons consegue aqui sua chance para brilhar em um papel poderoso e inesquecível. Terence Fletcher é o obcecado professor de jazz que acredita em métodos pouco ortodoxos para extrair a melhor performances de seus músicos aprendizes, não poupando nos gritos, esculachos e insultos homofóbicos e racistas. Simmons é impecável ao criar uma figura assustadora, mas também é genial ao não fazer deste uma mera caricatura malvada, dando vida a um personagem enigmático e capaz de nos fazer compreender seus motivos.

  • SAG
  • BAFTA
  • Globo de Ouro
  • Critics Choice Awards

APOSTA: J.K. Simmons

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Esse Oscar ninguém tira dele.

MEU VOTO: J.K. Simmons

FICOU DE FORA: Josh Brolin | Vício Inerente

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Papel: Detetive Christian “Bigfoot” Bjornsen

Olha, nem assisti a Vício Inerente (valeu, Warner!) mas só pelo trailer é possível ver o quão divertido Josh Brolin parece estar. Sei que uma suposição por peça de marketing não é o bastante para julgar se ele merecia ou não ser indicado (ele garantiu uma vaga no Critics Choice), mas a cena de seu personagem gritando em chinês já é antológica.

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Patricia Arquette | Boyhood: Da Infância à Juventude

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Papel: Olivia

Boyhood é todo sobre o jovem Mason, mas o que é um jovem sem sua mãe? Patricia Arquette é certamente uma das grandes presenças no épico indie de Richard Linklater, sendo uma personagem que enfrenta grandes mudanças e diversas fases diferentes ao longo dos 12 anos de produção. É uma mãe solteira forte, confusa e que amadurece à medida em que vai aprendendo a cuidar de seus filhos. A grande redenção, porém, é em sua inesquecível cena final, que discute a finitude da vida.

  • SAG
  • BAFTA
  • Globo de Ouro
  • Critics Choice Awards

Laura Dern | Livre

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Papel: Bobbi

De todas as indicações ao Oscar deste ano, esta é a que faz menos sentido. Pra começar que Laura Dern não tem pouco tempo em cena como a mãe de Cheryl Strayed, aparecendo em curtos flashbacks. Tais momentos revelam uma mulher sonhadora, ingênua e que tenta olhar a vida com otimismo, mesmo quando um câncer ameaça sua saúde. É uma performance eficiente, mas que não traz impacto ou afeto o suficiente para justificar a indicação (não é como Viola Davis em Dúvida, por exemplo), que parece ter acontecido por puro charme.

Keira Knightley | O Jogo da Imitação

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Papel: Joan Clarke

A única mulher que tem um destaque considerável em O Jogo da Imitação, Joan Clarke se mostra tão inteligente quanto o matemático Alan Turing, e Keira Knightley se sai bem ao construir uma personagem adorável e praticamente o oposto do protagonista. Enquanto Turing é um sujeito inadvertidamente arrogante e antissocial, Clarke é carismática e parece tratar suas habilidades matemáticas como uma brincadeira, criando um contraste interessante com Turing.

Emma Stone | Birdman

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Papel: Sam Thomson

Era uma questão de tempo até Emma Stone ter seu talento reconhecido pela Academia. Ela já havia explodido de carisma no subestimado A Mentira, mas em Birdman ela brilha em seu primeiro papel dramático, na pele da filha ex-viciada em drogas de Riggan Thomson. Stone surge emburrada e sarcástica durante a maior parte da projeção, mas é quando ela tem a chance de soltar sua opinião e emoções fortemente que sua performance realmente vem à tona (o esculacho que Sam dá a seu pai certamente é o melhor exemplo). Também é interessante observar como Stone constrói uma dinâmica diferente com o Mike Shiner de Edward Norton, primeiro personagem a realmente entender quem Sam é.

Meryl Streep | Caminhos da Floresta

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Papel: A Bruxa

E com Caminhos da Floresta, Meryl Streep chega a 19 indicações ao Oscar em toda a sua carreira. Sua Bruxa no filme de Rob Marshall, apesar de ser listada aqui como coadjuvante, é a personagem que liga todos os demais. É uma mãe amaldiçoada que desesperadamente luta para quebrar um feitiço, ao mesmo tempo em que tenta ajudar o humilde casal de James Corden e Emily Blunt. Streep sabe como ser assustadora, mas também comovente – como fica claro no número musical que protagoniza ao lado de Rapunzel – o que a torna a personagem mais complexa da produção. É uma ótima performance de Streep, pra variar.

APOSTA: Patricia Arquette

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Esse Oscar ninguém tira dela.

MEU VOTO: Emma Stone

FICOU DE FORA: Jessica Chastain | O Ano Mais Violento

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Papel: Ana Morales

Caramba, essa mulher não pára de trabalhar… E eu agradeço! Jessica Chastain atuou em 4 filmes em 2014, e nenhuma de suas performances foi lembrada no Oscar. Não assisti a O Ano Mais Violento, mas a crítica elogiou muito a destemida Ana Morales de Chastain, e eu tenho certeza que a atriz está no mínimo melhor do que Laura Dern… Pena.

O Volume Dois, com as categorias técnicas sairá amanhã!

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SAG AWARDS 2015: Os indicados

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 10 de dezembro de 2014 by Lucas Nascimento

SAG

O primeiro GRANDE prêmio da temporada! O Screen Actors Guild of America divulgou os indicados para o prêmio de 2015. Confira abaixo as categorias de cinema:

MELHOR ELENCO

Birdman

Boyhood: Da Infância à Juventude

O Grande Hotel Budapeste

O Jogo da Imitação

A Teoria de Tudo

MELHOR ATOR

Steve Carell | Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo

Benedict Cumberbatch | O Jogo da Imitação

Jake Gyllenhaal | O Abutre

Michael Keaton | Birdman

Eddie Redmayne | A Teoria de Tudo

MELHOR ATRIZ

Jennifer Aniston | Cake

Felicity Jones | A Teoria de Tudo

Julianne Moore | Para Sempre Alice

Rosamund Pike | Garota Exemplar

Reese Witherspoon | Livre

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Robert Duvall | O Juiz

Ethan Hawke | Boyhood: Da Infância à Juventude

Edward Norton | Birdman

Mark Ruffalo | Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo

J.K. Simmons | Whiplash: Em Busca da Perfeição

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Patricia Arquette | Boyhood: Da Infância à Juventude

Keira Knightley | O Jogo da Imitação

Emma Stone | Birdman

Meryl Streep | Caminhos da Floresta

Naomi Watts | St. Vincent

MELHOR EQUIPE DE DUBLÊS

Corações de Ferro

O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos

Invencível

James Brown

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

Os vencedores serão anunciados em 25 de Janeiro.

Os Mestres do Oscar 2014 | Volume I: Atuações

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 24 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

Oscar

Foi no ano passado que batizei o respectivo especial do Oscar de “incógnito”, mas estava errado. Ainda que a edição de 2013 contasse com suas surpresas, a deste ano é verdadeiramente incógnita: tivemos empates inéditos em prêmios da temporada, divergências em círculos de críticos e candidatos tão bons (ou será que não?) que diversas obras excepcionais acabaram ficando de fora. É um Oscar para grandes nomes, mestres. Vamos começar, como sempre, pelo bloco de atuações:

OBSERVAÇÕES:

  • Clique nos nomes de cada profissional para conferir seu histórico de indicações ao Oscar
  • Abaixo de cada perfil estão os prêmios que cada ator/atriz já garantiu na respectiva categoria

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Christian Bale | Trapaça

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Papel: Irving Rosenfeld

Famoso por sua pesada imersão física em seus papéis, Christian Bale engordou quase 20 quilos para entrar na pele do golpista Irving Rosenfeld, o personagem central de Trapaça. O personagem tem grande presença em cena graças à sua caracterização visual marcante (cabelo, óculos e ternos setentistas), e Bale acerta ao manter Irving sempre com um tom de voz baixo e cansado – provavelmente resultado de anos de serviços sujos e seus problemas do coração. Uma ótima performance, mas nada que justifique a indicação ao Oscar do ator; que só aconteceu para que Trapaça repetisse o feito de O Lado Bom da Vida em abocanhar indicações nas 4 categorias de atuação.

Bruce Dern | Nebraska

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Papel: Woody Grant

O veterano Bruce Dern conquista aqui só sua segunda indicação ao Oscar, e a primeira como protagonista, na pele do tragicômico protagonista de Nebraska. Woody Grant está à beira da senilidade e carrega nas costas uma vida infeliz, problemas com bebida e relações não muito harmoniosas com sua família. Diversas características pesadas que Dern absorve com naturalidade, dando vida a um sujeito palpável e real, especialmente quando aposta em um andar manco para demonstrar a velhice de Woody ou expressões confusas e ingênuas na maior parte do tempo. Incrível como Bruce Dern chega e dá uma performance dessa, depois de muito tempo sem estampar nos holofotes.

  • Festival de Cannes – Melhor Ator

Leonardo DiCaprio | O Lobo de Wall Street

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Papel: Jordan Belfort

Com forte resistência da Academia há um bom tempo, Leonardo DiCaprio (enfim) retorna à premiação; 7 anos após sua indicação por Diamante de Sangue. Em sua 5ª (e melhor) colaboração com Martin Scorsese, o ator entrega uma performance insanamente carismática e expressiva na pele do magnata corrupto de Wall Street, Jordan Belfort. Seja nas cenas em que dialoga simpaticamente com a câmera, ou quando retrata o vício em drogas de Belfort (rendendo uma sequência incrível que revela um até então desconhecido talento para “comédia” física) intensamente, DiCaprio jamais sai do personagem – absorvendo cada uma de suas camadas inteiramente. Está entre um dos melhores trabalhos de sua carreira.

  • Globo de Ouro – Musical ou Comédia
  • Critics Choice Awards (Comédia)

Chiwetel Ejiofor | 12 Anos de Escravidão

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Papel: Solomon Northup

Já tendo aparecido aqui e ali em pequenas e grandes produções (como Filhos da Esperança e 2012), Chiwetel Ejifor explode em cena na pele do protagonista de 12 Anos de Escravidão. Sendo um homem livre injustamente sequestrado e escravizado, Solomon Northup é uma figura ímpar nesse sombrio cenário: é determinado, forte e não hesita em questionar as ordens irracionais de seus ferozes capatazes. Ejifor passa todas essas características em cena, chamando a atenção por sua eloquência vocal correta (diferenciando-o dos outros escravos) e sua expressiva luta contra o desespero.

  • BAFTA

Matthew McConaughey | Clube de Compras Dallas

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Papel: Ron Woodroof

Com uma impressionante virada em sua carreira marcada por comédias românticas fracas e aventuras de gosto duvidoso, Matthew McConaughey traçou uma série de boas performances em filmes eficientes, culminando em seu notável desempenho – agora favorito ao prêmio da categoria – em Clube de Compras Dallas. Na pele do texano com AIDS que passa a transportar medicamentos ilegais para os EUA na década de 80, o ator segura o filme todo e impressiona com sua dedicação, carisma e assombrosa perda de peso. É interessante observar as relações com outros personagens, especialmente com o transexual de Jared Leto: Woodroof é homofóbico e machista, sendo divertido ver como o sujeito tem seus conceitos transformados – mas não suas atitudes. Agora é oficial: Matthew McConaughey é um nome pra se levar a sério.

  • SAG
  • Globo de Ouro – Drama
  • Critics Choice Awards

APOSTA: Matthew McConaughey

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Leonardo DiCaprio

MEU VOTO: Leonardo DiCaprio

FICOU DE FORA: Tom Hanks | Capitão Phillips

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Papel: Capitão Richard Phillips

A ausência de Tom Hanks surge como uma das grande surpresas deste Oscar. Presente em praticamente TODOS os prêmios pré-Oscar, o excepcional trabalho do ator foi deixado de lado aqui. O que impressiona em sua performance na pele do capitão Richard Phillips é o controle e calma que o ator tenta manter em meio às situações mais extremas; dialogando com seus captores, tentando até criar humor. Mas é mesmo quando Phillips é tomado pelo desespero (e o consequente choque, especialmente na cena final) que toda a construção de Hanks é destruída, fazendo com que seu trabalho cause mais impacto. Um dos grandes atores em atividade, bom saber que ainda está por aí.

atriz

Amy Adams | Trapaça

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Papel: Sydney Prosser

Sempre reconhecida como coadjuvante em ótimos papéis, Amy Adams consegue sua primeira indicação como protagonista na pele da golpista Sydney Prosser, amante do personagem de Christian Bale. E assim como seu companheiro de cena, não acho que o trabalho de Adams seja digno de premiações ainda que consiga maior destaque do que Bale. A atriz surge divertida e absolutamente sedutora em cena, agradando por seu sotaque britânico falso e a ambiguidade que sua personagem carrega ao longo da produção. Mas, convenhamos: uma atuação nível Oscar? Eu pelo menos não vi nada demais, Adams funciona melhor como parte de um todo do que individualmente (assim como todo o elenco de Trapaça).

  • Globo de Ouro – Musical ou Comédia

Cate Blanchett | Blue Jasmine

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Papel: Jasmine

Cate Blanchett é uma excelente atriz, certamente uma das mais talentosas da safra atual. E foi só pegar um papel bom e multifacetado em uma produção igualmente eficiente, que o resultado já desponta como uma das grandes certezas da cerimônia: a vitória da atriz por Blue Jasmine. Na pele da irremediável Jasmine de Woody Allen, Blanchett constrói uma performance centrada na autodestruição de sua personagem – com direito a crises nervosas, ataques de nervos e até um triste (não cômico, felizmente) distúrbio no qual fala consigo mesma. A vitória de Blanchett aqui é uma das certezas da noite, e muito merecida: talvez seja a melhor performance de sua excepcional carreira.

  • SAG
  • BAFTA
  • Critics Choice Awards
  • Globo de Ouro – Drama

Sandra Bullock | Gravidade

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Papel: Dra. Ryan Stone

Depois do inesperado primeiro Oscar (que muitos ainda apontam como uma vitória duvidosa), Sandra Bullock entrega um trabalho que mostra que Um Sonho Possível não foi acidente. Nas mãos do cineasta Alfonso Cuarón, a atriz precisou usar bastante sua imaginação e mente para lidar com todos os green screens e câmaras escuras com os quais contracenou em Gravidade. O resultado é uma esforçada e dedicada performance, que é responsável por segurar toda a projeção, e Bullock jamais decepciona. Destaque para a sensível cena em que a personagem tem um depressivo momento de reflexão.

Judi Dench | Philomena

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Papel: Philomena Lee

Completando 80 anos de idade em 2014, a inglesa Judi Dench entrega uma performance absolutamente adorável como a protagonista de Philomena, uma mãe que busca seu filho perdido há 50 anos. Como a personagem-título é irlandesa, Dench fornece um sotaque acertado e que jamais soa estereotipado, abraçando também sua personalidade carinhosa e ingênua; seja ao iniciar conversas com praticamente todos os funcionários de um hotel ou surgir alegremente espantada ao descobrir as mordomias de um avião. A atriz também balanceia esse lado divertido com a áurea dramática de Philomena, e a mistura funciona maravilhosamente bem em cena – Dench certamente fará cada um lembrar de uma avó, tia ou parente.

Meryl Streep | Álbum de Família

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Papel: Violet Weston

Já virou chavão elogiar Meryl Streep e dizer que ela é uma das melhores (ou melhor?) atriz em atividade. Mas cara***o, é de se impressionar com a performance ácida, irreverente e complicada de Streep em Álbum de Família. Violet Weston é a mãe da disfuncional família que povoa a narrativa, e é responsável por entregar os comentários mais irônicos, ofensivos e até divertidos quando provoca discussões com suas filhas. Streep é eficiente ao transformar Violet em uma megera, mas é igualmente bem-sucedida ao apresentar o lado trágico de sua personagem; assim como a doença – e o vício – que a prejudicam. Um de seus melhores trabalhos, facilmente.

APOSTA: Cate Blanchett

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Amy Adams, go figure.

MEU VOTO: Cate Blanchett

FICOU DE FORA: Adele Exarchopoulos | Azul é a Cor Mais Quente

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Papel: Adèle

Estreando como atriz aos 19 anos no francês Azul é a Cor Mais Quente, Adèle Exarchopoulos fornece uma performance arrebatadora no filme de Abdellatif Kechiche (que ficou de fora da premiação graças ao ministério da cultura francês). Não só merece créditos pelas desafiadoras cenas de sexo, mas por representar a protagonista sempre de forma espontânea, natural e convicente – como se não víssemos uma atriz interpretando um papel ali, mas sim um ser humano real e palpável.

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Barkhad Abdi | Capitão Phillips

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Papel: Muse

Revelação que chamou atenção universal na pele do antagonista principal de Capitão Phillips, o ator somálio Barkhad Abdi estreia como ator e já garante sua primeira indicação ao Oscar. Nada mal, e Abdi justifica sua presença aqui, já que consegue criar com seu Muse uma figura de presença ameaçadora (seu porte físico influencia bastante nesse quesito), mas também nada que se aproxime de uma caricatura maniqueísta. Ainda que surja forte e assustador enquanto ameaça Tom Hanks, o ator aqui e ali dá indícios de uma simpatia forjada (ao apelidar Phillips de “Irlandês” de forma quase amigável) e também de sua humanidade à medida em que o cerco vai se fechando a sua volta.

  • BAFTA

Bradley Cooper | Trapaça

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Papel: Richie DiMasio

Dentre todos os indicados ao Oscar de Trapaça, Bradley Cooper foi o que me levantou mais suspeitas quanto à competência de sua performance. Talvez justamente por isso ele tenha sido o melhor intérprete da produção a meu ver, incorporando um esquentado agente do FBI que mora com a mãe e usa bobes no cabelo. Cooper diverte ao constantemente retratar seu personagem bufando de raiva e um certo prazer em conhecer o outro lado da lei, conforme sua relação com Sydney se intensifica. Em um momento menor, mas inspirado, o ator tem a oportunidade de exibir sua melhor característica: mudanças bruscas de humor, aqui, quando imita as reações de um colega de trabalho (triste, rindo, triste, rindo, em rápidas mudanças). Surpreendeu.

Michael Fassbender | 12 Anos de Escravidão

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Papel: Edwin Epps

Finalmente Michael Fassbender recebe o devido reconhecimento! Em sua terceira parceria com o diretor Steve McQueen, o ator encarna um cruel e inescrupuloso fazendeiro, responsável por algumas das maiores dores de cabeça do protagonista. Não é apenas a fúria quase que possessa de Epps que assombra, mas sim os momentos em que Fassbender leva seu tempo para apresentar alguma reação (o que por si só o torna mais ameaçador), prendendo outros personagens com um olhar frio e direto. É de se cativar também a estranha obsessão que Epps cultiva pela escrava Patsey, que se mistura com uma forma de paixão e dominância.

Jonah Hill | O Lobo de Wall Street

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Papel: Donnie Azoff

Uma das grandes surpresas (positivas) entre os indicados, Jonah Hill fatura sua segunda indicação ao Oscar com o perturbado Donnie Azoff, braço direito de Jordan Belfort em O Lobo de Wall Street. Ao contrário de sua indicação anterior em O Homem que Mudou o Jogo, – onde dava vida a um personagem tímido e inseguro – Hill abraça o obsceno e o exagerado, acertando na dose do sotaque de Long Island e nos trajetos do sujeito – especialmente em seus muitos atos repreendíveis. Vale apontar também sua química com Leonardo DiCaprio, que surge no 220 na já mencionada sequência da infame droga de paralisia. Jonah Hill, também saído das comédias pesadas, promete um futuro brilhante pela frente.

Jared Leto | Clube de Compras Dallas

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Papel: Rayon

Favorito absoluto da categoria, o vocalista do 30 Seconds from Mars, Jared Leto, dá um tempo com a música e volta para mais uma transformação física na atuação. Tendo engordado aproximadamente 30quilos para Chapter 27, Leto agora perde 14 para se transformar em Rayon, transexual que é uma das figuras mais energéticas e fortes de Clube de Compras Dallas. O filme é todo de McConaughey, mas Leto implacavelmente incendia a tela como o carismático parceiro de negócios do protagonista. Leto surge como um bem-vindo alívio cômico, mas à medida em que conhecemos sua história, transforma-se em uma das figuras mais trágicas da produção – algo que o ator realiza muitíssimo bem.

  • SAG
  • Globo de Ouro
  • Critics Choice Awards

APOSTA: Jared Leto

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Ninguém segura Leto

MEU VOTO: Michael Fassbender

FICOU DE FORA: Daniel Bruhl | Rush: No Limite da Emoção

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Papel: Niki Lauda

Ah, Rush. Confesso que não esperava muita presença do filme de Ron Howard na premiação (o que é uma pena, já que o filme merecia), mas a ausência de Daniel Brühl assusta, já que o ator alemão esteve presente em praticamente todos os prêmios de críticos. O trabalho de Brühl já merece aplausos pelo simples fato de não se limitar a uma caricatura de Niki Lauda, e sim um personagem forte, crível e que consegue capturar (sem soar uma imitação forçada) a presença do real corredor da Fórmula 1. O ator domina o sotaque pesado, as próteses no rosto e toda a racionalidade (que flerta com a arrogância) que o papel requer.

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Sally Hawkins | Blue Jasmine

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Papel: Ginger

Na pele da irmã adotiva da Jasmine de Cate Blanchett, a sorridente Sally Hawkins é o oposto da protagonista. De origens mais humildes e menos bem-sucedidas do que a irmã, Ginger revela-se muito mais otimista e resistente do que a problemática Jasmine, traço que Hawkins exibe com eficiência durante toda a projeção. E mesmo diante suas esperançoso comportamento, a atriz acerta também ao trazer a personagem com diversas preocupações e medos a respeito de sua família, assumindo aquela que – certamente – é a personagem cuja bússola moral aponta para o norte.

Jennifer Lawrence | Trapaça

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Papel: Rosalyn Rosenfeld

Aos 23 anos de idade, a queridinha Jennifer Lawrence se torna a pessoa mais jovem da História a colecionar 3 indicações ao Oscar. E é irônico que Lawrence obtenha tal feito ao interpretar uma mulher mais velha, incorporando com sucesso o estereótipo da “dona-de-casa” mas adicionando seu habitual carisma no processo. Lawrence incendia a cena quando aparece (algo que não é tão frequente, infelizmente) e é responsável por alguns dos momentos mais divertidos (sua performance em “Live and Let Die” já justifica sua indicação, além de mostrar como a atriz se diverte em cena) e também impressiona pela humanidade de sua trambiqueira Rosalyn. Nem de longe se equipara à sua vitória anterior (Lado Bom da Vida), mas é uma eficiente adição a seu currículo.

  • Globo de Ouro
  • BAFTA

Lupita Nyong’o | 12 Anos de Escravidão

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Papel: Patsey

De origem quênia, a atriz Lupita Nyong’o faz sua estreia no cinema com 12 Anos de Escravidão e já é favorita para levar a estatueta. Sorte de principiante? Não, já que mesmo que sua participação no longa seja curta, ela garante alguns dos momentos mais intensos com sua esforçadíssima performance na pele da escrava Patsey. A personagem de Nyong’o representa tudo aquilo que o protagonista Solomon Northup luta para evitar: a submissão, o desejo da morte como única escapatória de sua condição, característica que a atriz absorve em uma performance frágil e poderosa. Mesmo que por tão pouco tempo.

  • SAG
  • Critics Choice Awards

Julia Roberts | Álbum de Família

roberts

Papel: Barbara Weston

Sem receber uma indicação desde 2001 (quando levou a estatueta por Erin Brokovich – Uma Mulher de Talento), Julia Roberts se sai muitíssimo bem na tarefa nada fácil de dividir cena com o monstro de talento que atende pelo nome de Meryl Streep. A atriz incorpora uma predominante postura irritada, fazendo a mais forte das irmãs Weston – sendo a única que realmente confronta as ofensas de sua mãe e batalha contra o vício em drogas da mesma. Roberts tem boa presença em cena, e mantém sua firme (e um tanto grosseira) postura até mesmo quando suas intenções são nobres.

June Squibb | Nebraska

squibb

Papel: Kate Grant

Pode parecer heresia o que vou falar, mas June Squibb rouba Nebraska de Bruce Dern. Não me entendam mal, o veterano ator está fantástico em cena, mas a atriz responsável por interpretar sua esposa é simplesmente um arraso: o alívio cômico mais sincero da produção, Kate Grant luta sem sucesso para manter o marido e o filho na linha. É incrível como sua postura e fisionomia de “vovó simpática” em nada se assemelha à personagem, que fala o que pensa sem hesitar, é escandalosa e a única que manda todo mundo se foder na hora H. Divertidíssima.

APOSTA: Lupita Nyong’o

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Jennifer Lawrence

MEU VOTO: June Squibb

FICOU DE FORA: Margot Robbie | O Lobo de Wall Street

ROBBIE

Papel: Naomi Lapaglia

Assistindo a O Lobo de Wall Street, não foi só a beleza estonteante (mesmo) da atriz Margot Robbie que me chamou atenção, mas também sua eficiente performance como a esposa de Jordan Belfort. Naomi, vulgo “A Duquesa de Bay Ridge”, se destaca entre as figuras femininas do filme (que, em suma maioria, são meros objetos de desejo do protagonista) ao exibir certa influência e até manipulação em seu marido – seja através de intensos bate-bocas ou seu irresistível poder de sedução. Sem falar no sotaque de Brooklyn que a atriz australiana dominou muito bem.

E foi isso. Gostou? Detestou? Quer minha cabeça numa lança? Comente!

E o Volume II sobre Categorias Técnicas sai amanhã mesmo! =]

| Álbum de Família | Um fascinante duelo verbal e de atuações

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2013, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 27 de dezembro de 2013 by Lucas Nascimento

3.5

Osage
Meryl Streep e Julia Roberts: Prováveis, e merecidas, indicadas ao Oscar

Caso a família Weston, de Álbum de Família, se submete-se a um daqueles programas televisivos na linha de Jerry Springer ou “Casos de Família”, o resultado seria uma tremenda dor de cabeça a seus “analisadores”. Ainda que longe de famílias disfuncionais como as de Massacre da Serra Elétrica ou Killer Joe – Matador de Aluguel, os Westons se aproximam muito mais de problemas do mundo real do que os exemplos mais extremos citados. Mas o grande valor aqui, são suas performances excepcionais.

Tracy Letts adapta a trama de sua peça homônima vencedora do Tony, que gira em torno da repentina morte de Bevery Weston (Sam Shepard), que acaba por deixar a esposa doente Violet (Meryl Streep) sob atenção de suas três filhas distintas: Barbara (Julia Roberts), Karen (Juliette Lewis) e Ivy (Julianne Nicholson). Além de terem de lidar com o temperamento explosivo da mãe, que é piorado graças ao vício dessa em medicamentos, as três vão descobrindo segredos polêmicos dentro de seu círculo.

É mais um exemplo de filme que depende inteiramente de seu roteiro – e por consequência, de seu elenco – para funcionar. O filme de John Wells (mais conhecido por seu trabalho em séries como E.R. e Shameless) assume um caráter teatral de cara, já que os melhores momentos da projeção são aqueles dedicados a retratar as ferozes e ácidas discussões, muitíssimo bem roteirizadas por Letts e eficientemente equilibradas pelo montador Stephen Morrione, entre os membros da família. Wells acerta ao criar planos bonitos que capturam a solidão das estradas do interior dos EUA (o condado de Osage, do título original), mas mantém sempre seu excelente elenco em foco.

A começar pela impressionante Meryl Streep. Já virou chavão reconhecer o quão fantástica a atriz é (e os 3 Oscars em sua estante falam por si só), mas seu retrato perturbado e escandaloso de Violet é sensacional. Dominada por roupas, ambientes e acessórios de cor preta, a atriz é reponsável por riscar o fósforo que incedia os duelos verbais entre as filhas (especialmente a interpretada por Julia Roberts, que surge intensa aqui) e oferecer comentários e “patadas” encharcadas de ironia – e até crueldade. E mesmo sendo uma criatura tão detestável, a atriz faz com que gostemos dela: seja por seu caráter anti-heroína, ou quando compreendemos os motivos que a tornam tão severa – e nesse sentido, é interessante observar como esta parece ser uma maldição rogada na família Weston, já que Roberts também mantém com sua filha adolescente (Abigail Breslin, crescida) uma relação tão disfuncional quanto.

O roteiro de Wells oferece bastante destaque aos coadjuvantes, tecendo diversas subtramas que se colidem da forma mais escandalosa possível. Ainda que algumas pudessem ser facilmente deixadas de fora na ilha de edição, vale a pena ver Chris Cooper em excelente forma ao reverter sua posição de alívio cômico em um dos maiores discursos dramáticos do filme ou ver Benedict Cumberbatch em um papel surpreendentemente vulnerável (ainda mais se levarmos em conta sua voz grave). Aqui e ali a projeção se estende além da conta (vale apontar a introdução desnecessariamente longa para o personagem de Cumberbatch), mas jamais perde o espectador.

Regado com altas doses de um bem-vindo humor negro, Álbum de Família é uma fascinante análise sobre os problemas que circulam uma família que não foge muito do padrão encontrado na sociedade atual. Traz excelentes atuações e uma conclusão pouco alentadora acerca de suas irremediáveis personagens, o que fornece ainda mais força à obra.

SAG 2014: Os Indicados

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 11 de dezembro de 2013 by Lucas Nascimento

sag

E o primeiro grande prêmio da temporada pré-Oscar divulga seus indicados hoje! Confira a lista do Screen Actors Guild of America:

MELHOR ELENCO

12 Anos de Escravidão

Álbum de Família

Clube de Compras Dallas

O Mordomo da Casa Branca

Trapaça

MELHOR ATOR

Bruce Dern | Nebraska

Chiwetel Ejiofor | 12 Anos de Escravidão

Tom Hanks | Capitão Phillips

Matthew McCoughney | Clube de Compras Dallas

Forest Whitaker | O Mordomo da Casa Branca

MELHOR ATRIZ

Cate Blanchett | Blue Jasmine

Sandra Bullock | Gravidade

Judi Dench | Philomena

Meryl Streep | Álbum de Família

Emma Thompson | Walt nos Bastidores de Mary Poppins

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Barkhad Abdi | Capitão Phillips

Daniel Brühl | Rush: No Limite da Emoção

Michael Fassbender | 12 Anos de Escravidão

James Gandolfini | À Procura do Amor

Jared Leto | Clube de Compras Dallas

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Jennifer Lawrence | Trapaça

Lupita Nyong’o | 12 Anos de Escravidão

Julia Roberts | Álbum de Família

June Squibb | Nebraska

Oprah Winfrey | O Mordomo da Casa Branca

MELHOR EQUIPE DE DUBLÊS

Até o Fim

O Grande Herói

Rush: No Limite da Emoção

Velozes & Furiosos 6

Wolverine – Imortal

Os vencedores serão anunciados em 18 de Janeiro.

Esse é Mesmo o Oscar 2012? | VOLUME I: Atuações

Posted in Especiais, Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 21 de fevereiro de 2012 by Lucas Nascimento

Quando a lista dos indicados à 84ª edição dos Academy Awards foi finalmente divulgada, foi um misto de decepção e felicidade. Mesmo satisfeito com alguns longas presentes, o sentimento agridoce foi maior devido às imensas injustiças cometidas pelo Oscar em 2012… Por isso, o especial em quatro partes recebe o título acima.

Mas enfim, nem promete ser desgraça no Oscar deste ano!  Comecemos com a primeira parte do especial com os indicados nas categorias de atuações:

Demián Bichir | Uma Vida Melhor

Personagem: Carlos Galindo

Até a indicação ao Oscar, eu não tinha nem ouvido falar de Uma Vida Melhor. O filme certamente passará longe dos cinemas brasileiros, então é difícil comentar a performance de Demián Bichi na pele do jardineiro Carlos Galindo, que luta para proteger seu filho da influência de gangues e tenta dar-lhe uma vida melhor.

George Clooney | Os Descendentes

Personagem: Matt King

George Clooney entrega uma das melhores performances de sua carreira no retrato sensível e delicado de Matt King, um pai de família que se vê metido em uma série de eventos desafortunados. Ao longo de Os Descendentes, esquecemos da imagem de galã do ator e observamos sua impressionante expressividade, em uma mistura curiosa de drama e humor.

Jean Dujardin | O Artista

Personagem: George Valentin

Muito popular na França, Jean Dujardin está no páreo para levar a estatueta de Melhor Ator. Premiado no Festival de Cannes, sua performance muda do astro George Valentin é estupenda, sustentando-se na grande expressividade facial do ator (como o constante sorrisinho) que fala no lugar de palavras. A grande felicidade de Valentin é ofuscada pela entrada do cinema falado, levando o personagem a uma tristeza de partir o coração e Dujardin é bem-sucedido ao retratar essa mudança, sem também apelar para caricaturas. Grande ator.

Gary Oldman | O Espião que Sabia Demais

Personagem: George Smiley

É díficil de acreditar que esta seja só a primeira indicação ao Oscar de Gary Oldman. Excelente ator, ele finalmente é reconhecido por seu delicado retrato do espião George Smiley. Homem de poucas palavras, usa o rosto e gestos de mãos como maior forma de expressão, alcançando um resultado sutil e bem trabalhado – escondendo suas emoções na maior parte do longa, o que torna Smiley um personagem típico do labiríntico mundo da espionagem.

Brad Pitt | O Homem que Mudou o Jogo

Personagem: Billy Beane

Mostrando-se cada vez mais talentoso e sedento por variados papeis, Brad Pitt beira a perfeição no retrato do técnico de beisebol Billy Beane. Nunca apelando para o caricato ou exagerando nos momentos dramáticos, impressiona por sempre estar com aparente bom humor e confiança (a mordida nos lábios, usado adotado pelo ator constantemente, serve quase como identidade do personagem), ganhando admiração do público. É uma das três melhores performances de Pitt.

FICOU DE FORA: Ryan Gosling | Tudo pelo Poder ou Drive

Personagem: Stephen Morris/Motorista

Ryan Gosling vem ganhando cada vez mais destaque em Hollywood. Com dois ótimos papéis dramáticos (além de sua divertida participação em Amor a Toda Prova), ele surpreende com o acessor político Stephen em Tudo pelo Poder – especialmente no lado sombrio do personagem, que transforma-se ao longo da projeção – e com o Motorista de Drive, uma performance bem mais silenciosa e concentrada. Gosling poderia ter sido indicado por qualquer um desses dois filmes.

APOSTA: Jean Dujardin

QUEM PODE VIRAR O JOGO: George Clooney

Glenn Close | Albert Nobbs

Personagem: Albert Nobbs

O papel de Glenn Close como o personagem-título é realmente desafiador, considerando que a atriz interpreta uma mulher que se passa por homem. Close acerta na timidez do personagem, em seus gestos peculiares e na voz leve e fraca.

Viola Davis | Histórias Cruzadas

Personagem: Aibileen Clark

Depois de ter sido indicada por sua pequena (mas devastadora) participação em Dúvida, Viola Davis mostra todo o seu talento como a empregada doméstica Aibileen. A personagem fala e age de forma contida durante grande parte da projeção, demonstrando timidez e medo em sua voz, enquanto trata a filha de sua patroa com um ar maternal irresistível e age de forma mais descontraída com as colegas Miny e Skeeter. Suas cenas finais são explosivas, onde Davis surpreende com sua feroz expressividade. Merece.

Rooney Mara | Millennium: Os Homens que não Amavam as Mulheres

Personagem: Lisbeth Salander

Rooney Mara é o rosto de uma das mais fascinantes personagens a surgir nos últimos anos. Mesmo já tendo sido bem representada por Noomi Rapace, Mara toma Lisbeth Salander para si e mergulha na mente da personagem, adotando seu físico e seu psicológico em uma performance inesquecível. Com pesado sotaque sueco e um olhar penetrante em todas as cenas em que aparece, a atriz faz de Salander uma personagem marcante e enigmática. Difícil comentar, só vendo pra entender.

Meryl Streep | A Dama de Ferro

Ainda não assisti ADama de Ferro (e pra ser sincero, não assistiria se não estivesse indicado ao Oscar), mas não é de se admirar que Meryl Streep esteja indicada por seu retrato de Margaret Thatcher. Fisicamente não há o que reclamar (o pessoal da maquiagem também merece aplausos), e pelo que tenho visto nos trailers e clipes do filme, Streep arranca mais uma performance impecável e adota os trajetos da 1ª Ministra Britânica com perfeição. Claro que ainda vou assistir o filme…

Personagem: Margaret Thatcher

Michelle Williams | Sete Dias com Marilyn

Personagem: Marilyn Monroe

Infelizmente, a Imagem Filmes ferrou sua programação de estreias e Sete Dias com Marilyn ficou apenas para 23 de Março (uma pena, porque eu estou MUITO ansioso para ver Michelle Williams em ação). Quando o filme estrear, faço uma atualização aqui.

FICOU DE FORA: Kirsten Dunst | Melancolia

Personagem: Justine

Não é nenhuma surpresa ver Kirsten Dunst fora do Oscar por sua excelente performance em Melancolia. Isso porque seu nome praticamente isentou-se muitas outras premiações (com excessão do Festival de Cannes, onde ela levou o prêmio de Melhor Atriz) e também porque o diretor Lars Von Trier não é muito querido pela Academia… Uma pena, já que Dunst deixa de lado seu lado cômico e abraça a depressão e tristeza de Justine, em um trabalho memorável.

APOSTA: Viola Davis

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Meryl Streep

Kenneth Branagh | Sete Dias com Marilyn

Personagem: Laurence Olivier

Já sabe né? Sete Dias com Marilyn só estreia no dia 23 de Março.

Jonah Hill | O Homem que Mudou o Jogo

Personagem: Peter Brandt

É muito legal ver Jonah Hill indicado. Em seu primeiro papel voltado para o drama, vemos que o ator tem o carisma necessário para o gênero, e fez de Peter Brandt um personagem real e sem estereótipos (considerando que Brandt é um analista de sistemas, seria muito fácil apelar para o tipo “nerd”, mas Hill vai além ao representar como este vai se interessando pelo espírito do beisebol). Já é hora de Hill deixar de ficar conhecido apenas como “o gordinho do Superbad“.

Nick Nolte | Guerreiro

Personagem: Paddy Conlon

Há 13 anos sem ser indicado (a anterior fora por Temporada de Caça, em 1999), Nick Nolte é lembrado pela Academia como o técnico de MMA Paddy Conlon, treinador e pai dos dois protagonistas do filme. Ainda não assisti Guerreiro (ele atualmente encontra-se disponível em algumas locadoras), mas pretendo para ver se Nolte merece os elogios que tem recebido.

Christopher Plummer | Toda Forma de Amor

Personagem: Hal Fields

Christopher Plummer já é ator a meio século e, curiosamente, só agora parece estar tendo destaque durante a temporada de prêmios. Favorito disparado (ganhou Globo de Ouro e SAG), o veterano ator abraça com firmeza o viúvo que decide sair do armário em plena meia-idade, divertindo com seus acessos de felicidade e na honestidade do personagem, sem apelar para o caricato do “gayzaço”. É fato que Hal aparece muito pouco em Toda Forma de Amor, mas é um dos pontos altos do longa.

Max von Sydow | Tão Forte e Tão Perto

Personagem: O Inquilino

O veterano Max von Sydow fatura a segunda indicação ao Oscar de sua carreira (a anterior, por Pelle, O Conquistador em 1987) como o misterioso Inquilino de Tão Forte e Tão Perto. Após assistir ao filme, o personagem é o que mais permanece na memória e de longe o melhor atrativo do longa de Stephen Daldry, isso graças ao ótimo trabalho do ator, que permanece mudo em todas as suas cenas e expressa-se através de anotações.

FICOU DE FORA: Stellan Skarsgard | Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Personagem: Martin Vanger

Sempre um coadjuvante de luxo, o sueco Stellan Skarsgard faz de Martin Vanger um personagem absolutamente inesquecível na versão de David Fincher para Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Se você assistiu ao filme, sabe sobre o lado mais “peculiar” do personagem, que o ator captura com perfeição e delicadeza, demonstrando a paciência, calma e até ironia do irmão da desaparecida da história. Genial.

APOSTA: Christopher Plummer

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Max von Sydow

Bérénice Bejo | O Artista

Personagem: Peppy Miller

Estou apaixonado por Bérénice Bejo. Com seu sorriso e andar graciosos, a atriz argentina faz de Peppy Miller uma personagem adorável, fazendo uso de todo seu carisma e expressões faciais (da mesma forma que seu colega de cena, Jean Dujardin). E Bejo também sofre uma transformação similar à do personagem de Dujardin, só que ela torna-se mais bem-sucedida e, mesmo assim, nunca deixa sua inocência e bondade de lado. A melhor entre as indicadas (isso porque a atriz não merece ser indicada como coadjuvante, e sim protagonista).

Jessica Chastain | Histórias Cruzadas

Personagem: Celia Foote

2011 também foi muito agitado para Jessica Chastain. A atriz começa a ganhar espaço no circuito, tendo estrelado um total de seis filmes (um mais diferente do outro) e foi lembrada aqui por sua sorridente Celia Foote em Histórias Cruzadas. Praticamente a”gêmea do bem” de Bryce Dallas Howard – considerando a semelhança física das duas – Chastain faz de Foote uma mulher adorável e fofa, conseguindo mostrar a euforia (que às vezes é até exagerada e bobinha) e carinho de sua personagem através de uma voz dócil e leve, que ainda conta com o bem trabalhado sotaque sulista.

Melissa McCarthy | Missão Madrinha de Casamento

Personagem: Megan

É muito legal ver a Academia prestigiando atuações cômicas. Desde a indicação de Robert Downey Jr. por seu brilhante trabalho em Trovão Tropical não víamos algo do gênero, até que Melissa McCarthy tem sua Megan lembrada pelos votantes, o que é justo se considerarmos o quanto ela contibue para que Missão Madrinha de Casamento arranque algumas risadas. Durona, cara-de-pau, mas também uma ótima conselheira, a atriz diverte na personagem e se destaca no filme.

Janet McTeer | Albert Nobbs

Personagem: Hubert Page

Uma das melhores entre as indicadas, Janet McTeer consegue roubar Albert Nobbs em todas as cenas em que aparece, conseguindo até ofuscar Glenn Close. Seu Hubert Page também uma mulher travestida de homem, mas McTeer se sai melhor ao fornecer uma aura mais “macho” para a personagem, destacando seu ótimo sotaque irlandês.

Octavia Spencer | Histórias Cruzadas

Personagem: Minny Jackson

Octavia Spencer é favorita disparada na categoria (levou o Globo de Ouro e o SAG, e continua avançando de forma similar à Christpher Plummer). A atriz faz de Minny uma espécie de alívio cômico da trama, preenchendo-a de maneirismos físicos e com uma voz sempre alarmante com o sotaque sulista afiado. Tudo bem que ela soa meio caricata em alguns momentos (principalmente nos chiliques), mas é impossível não gostar dela. Não é melhor do que Bejo, mas não é ruim ver a estatueta em suas mãos.

FICOU DE FORA: Chloe Grace Moretz | A Invenção de Hugo Cabret

Personagem: Isabelle

A sempre ótima Chloe Grace Moretz continua surpreendendo. Em seu papel mais “inocente”, ela interpreta a jovem Isabelle, que ajuda o protagonista Hugo Cabret em sua busca por respostas. Com um delicioso sotaque britânico (um desafio para a atriz, já que ela é americana) e um espírito aventureiro bem evidente, Moretz está excelente.

APOSTA: Octavia Spencer

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Bérénice Bejo (ou pelo menos merecia)

É só isso por hoje. Fiquem ligados que as restantes categorias aparecerão ainda essa semana, antes do Oscar.

| Simplesmente Complicado | Vale pela dupla principal

Posted in Comédia, Críticas de 2010, DVD, Romance with tags , , , , , , , , on 5 de julho de 2010 by Lucas Nascimento

   Os Normais: Alec Baldwin e Meryl Streep são o que o filme tem de melhor

Atualmente é difícil encontrar uma boa comédia romântica que não caia nos clichês ou que realmente faça divertir, especialmente vindo de Nancy Meyers. O que me atraiu para esse Simplesmente Complicado foram os muitos elogios que ouvi para Meryl Streep e Alec Baldwin que, de fato, são o grande atrativo do filme.

O roteiro é um tanto desleixado e previsível, apesar de conter algumas boas ideias, como a própria premissa: uma mulher que tem um caso com seu ex-marido; nas mãos apropriadas, o filme poderia ter se saido muito melhor. Os personagens principais são interessantes e seus intérpretes parecem estar muito a vontade (Mas isso não é uma surpresa, claro) e divertem. Do outro lado, Steve Martin está completamente deslocado e apagado da trama, parecendo estar no filme errado.

Quando não consegue inventar novos rumos à seus personagens, o filme simplesmente recorre ao ridículo e aí entram maconha, nudez, internet e outras besteiras sem graça, que aliás já foram utilizadas repetidas vezes e não entendo porque ainda são usadas.

Simplesmente Complicado é muito simples, previsível e, em certos momentos, cansativo. Faz bom uso de Meryl Streep e Alec Baldwin; ambos fantásticos e carismáticos, mas isso não é o suficiente para que ele seja recomendado.