Arquivo para Michael Giacchino

| Divertida Mente | Crítica

Posted in Animação, Aventura, Cinema, Críticas de 2015 with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 18 de junho de 2015 by Lucas Nascimento

5.0

InsideOut
Raiva, Nojinho, Alegria, Medo e Tristeza

Ao escrever sobre Universidade Monstros em 2013, discorri sobre como a Pixar manteve uma inacreditável série de sucessos consecutivos que caiam nas graças do público e da crítica – geralmente com uma vitória no Oscar como último estágio. Sem entregar algo realmente digno de sua qualidade habitual desde Toy Story 3, em 2010, o estúdio de volta à boa forma com aquele que pode muito bem ser seu melhor trabalho: Divertida Mente.

A trama é concentrada nas emoções da jovem Riley: Alegria (Amy Poehler), Tristeza (Phyllis Smith), Nojinho (Mindy Kalling), Medo (Bill Hader) e Raiva (Lewis Black). Estas são responsáveis por controlar o humor, as memórias e a personalidade da garota, dentro de sua mente. Quando Riley enfrenta uma dura fase com uma mudança de cidade, nova escola e colegas, o grupo precisa evitar que esta sucumba a uma depressão.

Só pela premissa já é possível prever que a Pixar almeja por temas mais maduros aqui. Pete Docter (Monstros S.A. e Up: Altas Aventuras) e o co-diretor Ronaldo Del Carmen optam por uma animação com traços mais realistas e orgânicos para suas criações humanas (bem diferentes daqueles vistos em Os Incríveis, por exemplo), e o roteiro assinado por Docter, Meg LeFauve e Josh Cooley mergulha fundo na psique humana e cria um universo riquíssimo e original, onde ideias e memórias são representadas visualmente através de ilhas, labirintos e grandes desfiladeiros – trazendo à memória os trabalhos de David Lynch (como a brilhante sequência do pensamento abstrato), Tudo o que Você Sempre quis Saber sobre Sexo E tinha Medo de Perguntar (na própria representação de elementos emotivos como figuras físicas) e até A Origem (os labirintos, as grandes construções e o onírico).

Todo o sistema no qual os personagens interagem e se manifestam (até na distribuição de cores, com Raiva assumindo o vermelho e Alegria um forte tom de amarelo) funciona sem se perder na complexidade que certamente deixaria algumas crianças mais confusas. Logo na memorável primeira cena, aprendemos sem nenhuma linha de diálogo como cada emoção reveza a função na “Sala de Comando” e como os elementos inconscientes podem ser afetados por, por exemplo, a protagonista cair no sono – como o Trem do Pensamento. Também encontramos divertidas soluções dos roteiristas para fenômenos comum, tal como uma vinheta antiga que subitamente invade a memória e não sai dali ou a brilhante abordagem à produção de sonhos.

Mesmo que mais maduro do que poderíamos esperar, o filme ainda é uma aventura empolgante com emoções genuínas. É hilário quando necessita (muito se deve a um personagem colorido que prefiro deixar como surpresa) e também emocionante e catártico quando a história avança por terrenos mais complexos, de uma forma que há tempos o estúdio não era capaz de entregar. O inteligente roteiro também é ousado por manter Alegria e Tristeza juntos a maior parte do tempo, ilustrando de uma forma honesta e simples como as duas precisam uma da outra para coexistir, e não numa relação de antagonismo; residindo aí o grande trunfo da produção. E vale apontar que, depois do razoável Tomorrowland e do esquecível Jurassic World, Michael Giacchino enfim traz um grande trabalho este ano com a maravilhosa trilha sonora.

Engraçado, poderoso e completamente imaginativo, Divertida Mente representa o renascimento da Pixar de suas cinzas, finalmente recuperando seu alto posto com uma narrativa corajosa e envolvente. Ah, como é bom estar de volta…

Obs: Fique durante os créditos finais, vale muito a pena.

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| Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros | Crítica

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2015 with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 11 de junho de 2015 by Lucas Nascimento

2.0

JurassicWorldd
Chris Pratt e seu parça (é) velociraptor

Quando eu era criança, Jurassic Park e seus dinossauros foram parte essencial de meu crescimento como cinéfilo. Lembro até hoje da empolgação em ver o T-Rex pela primeira vez ou minha imensa decepção quando fora barrado no cinema ao tentar ver Jurassic Park 3, em meus longínquos 5 anos de idade. Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros veio abruptamente e eu mal podia acreditar que realmente veríamos um retorno à Ilha Nublar e seus habitantes pré-históricos. A verdade? Assim como os personagens de Lost, não precisávamos ter voltado.

A trama se passa 22 anos após o primeiro filme, ignorando (ou não fazendo menção alguma) aos eventos de O Mundo Perdido e do segundo filme. Aqui, o sonho de John Hammond é realizado e o parque temático com dinossauros criados geneticamente está completamente funcional e atraindo milhares de visitantes. Buscando novas formas de garantir patrocínio e impressionar a clientela, o grupo cria o primeiro dinossauro híbrido: o Idominus Rex. Como não deve ser nenhuma surpresa, o caos reina quando a criatura revela-se mais inteligente do que o esperado.

Ainda que com algumas mudanças significantes, o roteiro assinado por Rick Jaffa, Amanda Silver (dupla responsável pelo ótimo reboot de Planeta dos Macacos), Derek Connolly e o diretor Colin Trevorrow – repararam em quantas pessoas diferentes aqui? Então – é uma repetição de toda a fórmula do primeiro filme. Desde o maravilhamento inicial, passando pelas crianças em perigo até o status icônico garantido ao T-Rex, não é difícil encontrar referências gritantes, perdidas em meio às diversas subtramas que o roteiro tenta comportar, resultando em uma misturânea que acaba desencontrada e sem um foco específico – militarismo, natureza vs homem, guerra dos sexos (brega, brega), aproximamento entre irmãos… Uma enxurrada de elementos possíveis de se sentir na arrastada projeção de 124 minutos.

E Colin Trevorrow (do eficiente indie Sem Segurança Nenhuma) passa longe de ser um Steven Spielberg. As sequências de tensão pecam pela repetição; pelo menos três vezes temos uma situação em que algum personagem fica imóvel e escondido enquanto algum dinossauro o procura, e a ação é pouco imaginativa (o elemento da girosfera é uma exceção) e danificada por um excesso de CGI notável. Por incrível que pareça, a combinação de animatronics de Stan Winston com efeitos digitais no filme de 1993 surge muito mais verossímel do que as criaturas vistas em Jurassic World. E outra: não sei qual dos 5 roteiristas achou que domesticar e “fofotizar” velociraptors era uma boa ideia, muito menos transformá-los nos bichinhos de estimação de Chris Pratt, além de uma inesperada reviravolta no finalzinho que remete bastante à proposta do último Godzilla.

De dinossauros novos, o aquático Mosassauro impressiona pelo tamanho e sua relevância divertida para o clímax, enquanto o mutante Indominus Rex parece mais uma versão genérica do T-Rex (até o Espinossauro do terceiro filme tinha mais “carisma”), ainda que seu modus operandi seja interessante. Já o lado humano fica preso à estereótipos forçados, que incluem o caçador machão/afetivo de Chris Pratt (que o ator consegue tornar interessante, graças à boa performance) a executiva fria e altamente sexualizada de Bryce Dallas Howard e o militar inescrupuloso de Vincent D’Onofrio.

Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros é uma triste decepção que se perde num roteiro ruim e na ausência do encantamento que marcou o original de Steven Spielberg, destacando-se como o pior filme da série.

Digo, como reagir quando um dos próprios personagens quebra a quarta parede em uma piadinha ao dizer como “o primeiro parque era irado de verdade” e que “não precisava de híbridos genéticos”?

| Tomorrowland: Um Lugar Onde Nada é Impossível | Crítica

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2015, Ficção Científica with tags , , , , , , , , , , , , , , on 4 de junho de 2015 by Lucas Nascimento

3.5

Tomorrowland
A ótima Britt Roberston é Casey Newton

Quando fiquei sabendo do conceito de Tomorrowland: Um Lugar Onde Nada é Impossível (ufa, título longo) pela primeira vez, logo bateu uma fadiga. Mais uma aventura – Disney – fantasiosa que gira em torno de um lugar mágico que só pode ser acessado por um jovem idealista e corajoso… Blá blá blá. Não fosse a presença do grande Brad Bird na direção, eu provavelmente o teria evitado.

A trama começa quando o jovem Frank Walker (Thomas Robinson, e George Clooney em fase adulta) descobre a utópica Tomorrowland em uma convenção para inventores na, claro, Disneyland. Anos depois, a jovem prodígio Casey Newton (Britt Roberston) começa a receber pistas da existência do local, graças a um pin que lhe foi concedido pela misteriosa Athena (Raffey Cassidy). Curiosa, Britt recorre ao velho Frank a fim de encontrar uma forma de retornar.

Este é o segundo filme live action de Brad Bird, que já havia comandado o ótimo Missão: Impossível – Protocolo Fantasma e as exemplares animações O Gigante de FerroRatatouilleOs Incríveis. Fica evidente que o cara tem talento, e este mesmo que consegue transformar boa parte de Tomorrowland em um filme muito agradável. Bird tem uma câmera inventiva e comanda sequências de ação que sabem muito bem como explorar o humor e objetos de cena (a fuga da casa de Frank é um grande exemplo de uso de props), chegando a impressionar quando embarca em um longo plano sequência que acompanha a primeira visita de Casey em Tomorrowland. Ah, agradeça também à trilha fantástica de Michael Giacchino.

Bird também co-assina o roteiro com Damon Lindelof, e é aí que as coisas começam a desandar. A forte presença simbólica de grandes gênios como Thomas Edison, Nikola Tesla e até o próprio Walt Disney são interessantes, explicando que estes teriam se unido para criar a utopia que da nome ao filme. É uma moral bonita e inspiradora, a de que o futuro pode sim ser otimista e que está nas mãos daqueles que ousarem sonhar com algo diferente, mas acaba tornando-se idealista demais (a sequência de cenas em que Casey desesperadamente tenta chamar a atenção de seus professores pessimistas é digna de um desenho animado, de tão caricata), além de diversas vezes me parecer como se os executivos da Disney estivessem testando ideias para novas atrações de seus parques temáticos.

E se você tremeu quando ouviu o nome de Lindelof, sinto dizer-lhes que ele ataca novamente. O roteirista certamente é muito bom para criar premissas instigantes (“Inventaram algo que não deveriam”, promete o clima de suspense durante a primeira metade do longa), mas decepcionante quando nos revela as respostas. Aqui, todas as boas realizações de Bird são estragadas em um terceiro ato risível que encontra num desperdiçado Hugh Laurie seu antagonista, e seus motivos (e pior, a solução dos heróis) confusos e vazios – ainda que soem minimamente interessantes no papel. E nada legal tentar explorar a capacidade de um robô de amar logo no final do filme, mesmo que a jovem Raffey Cassidy seja imensamente carismática; assim como Britt Roberston, que rouba completamente a cena de George Clooney, mesmo que este surja bem como de costume.

Pensar que Brad Bird trocou o novo Star Wars para fazer Tomorrowland: Um Lugar Onde Nada é Impossível é espantoso, porém compreensível. Temos aqui uma obra capaz de divertir e até provocar um efeito positivo, mas que é prejudicada por excesso de confiança e moralismo, desabando em sua errática conclusão.

Obs: Falei de Star Wars? Bird praticamente dirige uma cena do novo filme ao trazer diversos brinquedos da saga de forma NADA sutil em uma sequência de briga.

Obs II: Bird, obrigado por não nos fazer engolir um 3D convertido.

| Planeta dos Macacos: O Confronto | Crítica

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2014, Drama, Ficção Científica with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 18 de julho de 2014 by Lucas Nascimento

4.0

DawnApes
Malcom e Cesar

Se já é difícil fazer um reboot funcionar, imagina então a continuação de um reboot. Eu pessoalmente nem consigo acreditar que a Fox tenha acertado em cheio com Planeta dos Macacos: A Origem em 2011, sendo uma das grandes surpresas daquele ano e uma das mais eficientes retomadas de franquias até o momento. E se o trabalho de Rupert Wyatt já era competente o bastante, Matt Reeeves elegantemente eleva o nível da série com Planeta dos Macacos: O Confronto.

A trama se passa 10 anos após os eventos do anterior, com a humanidade praticamente devastada após a epidemia da Gripe Símia. Nos arredores do que um dia foi São Francisco, encontramos um grupo de humanos liderados por Dreyfus (Gary Oldman) lutando para sobreviver e obter novas fontes de energia. A solução é dada na forma de uma antiga represa hidrelétrica, que pode vir a reabastecer a eletricidade do grupo, mas no caminho está uma imensa colônia de macacos inteligentes liderada por Cesar (Andy Serkis). A fim de manter uma trégua, Malcom (Jason Clarke) e sua família são enviados para negociar.

Para um blockbuster de verão americano, Planeta dos Macacos: O Confronto é muito mais inteligente do que se poderia esperar. Compará-lo com uma obra como Transformers: A Era da Extinção, por exemplo, é um caso revelador: o filme de Michael Bay preocupa-se puramente em fazer rios de dinheiros com seu espetáculo de merchandising e emburrecer o espectador com sua ação retardada, enquanto o de Matt Reeves surpreende por oferecer um cuidado maior a seu roteiro e seus personagens. O texto de Mark Bomback, Rick Jaffa e Amanda Silver é simples em estrutura e temática, aprofundando-se sobre os frágeis laços que humanos e macacos tentam formar a fim de coexistir, mas a História nos ensina que é uma situação quase impossível de se manter de forma estável. O trio engenhosamente equilibra os pontos de vistas de humanos e símios, e até cria belos paralelos entre as posturas de César e Malcom (ambos evitam conflito, lidam com companheiros radicais que o provocam e são pais).

E o roteiro ganha ainda mais força graças à direção precisa de Matt Reeves. Já percebi que o cara era talentoso em Deixe-me Entrar (mas por ser remake, as pessoas tendem a esquecer), e aqui ele tem a chance de brilhar em um filme que provavelmente será visto por muitos. Com uma razão de aspecto maior (1:85:1) a fotografia de Michael Seresin é certeira ao criar um mundo pós-apocalíptico crível, sempre apostando em tons frios e azulados – e  também as luzes alaranjadas que Reeves adora – garantindo um clima incômodo à produção, que também se beneficia de uma belíssima direção de arte. E mesmo que Reeves seja capaz de criar alguns dos mais lindos momentos do ano (que incluem pequenos gestos e ações entre humanos e macacos), ele logo nos lembra do real status da situação: uma cena silenciosa e contemplativa do filho de Malcom (Kodi Smith-McPhee, como cresceu o moleque) lendo com um orangotango é brutalmente cortada por uma onde dois humanos praticam artilharia com metralhadoras, em um exemplo da tensão existente entre os dois lados.

É um trabalho tão consistente e profundo, que confesso ter ficado um tanto desinteressado quando a ação enfim chega. Digo, os efeitos visuais de motion capture são absolutamente perfeitos, conferindo expressão e emoções a seus personagens símios (e Reeves é corajoso ao apostar em diversos momentos em que estes comunicam-se apenas por sinais), além de oferecer mais uma chance de Andy Serkis mostrar seu incomparável carisma. O que reclamo, é que as batalhas não me comoveram tanto quanto os eventos que culminam nestas, ainda que Reeves consiga tornar a invasão símia à base humana uma cena tensa, bem montada e temperada com a ótima trilha sonora de Michael Giacchino – que aqui se inspira claramente no trabalho de Jerry Goldsmith, responsável pela música do filme de 1968.

Planeta dos Macacos: O Confronto é um dos melhores filmes da franquia, corajosamente apostando em momentos intimistas e em uma longa construção atmosférica. Os efeitos estão melhores do que nunca, e é revelador notar que estes chegam a empalidecer diante daquele que é o grande triunfo do longa: o coração.

Certamente é uma evolução do blockbuster americano.

Obs: O 3D, mesmo que “nativo” é decente, mas não acrescenta muita coisa.

| Os Incríveis | Crítica de 10 Anos

Posted in Aniversário, Aventura, Críticas de 2014 with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 20 de março de 2014 by Lucas Nascimento

5.0

TheIncredibles
Flecha, Violet, Sr. Incrível, Mulher-Elástica e Zezé

Com o anúncio de que a Pixar está desenvolvendo com Brad Bird uma continuação para o sucesso Os Incríveis, resolvi revisitar o filme pela primeira vez em aproximadamente 6 anos. E, contagiado pela absurda dose de energia e emoção desta sensacional animação, minha única alternativa para contê-la – além de repetir o filme algumas vezes e não calar a boca sobre entre colegas – foi escrever esta breve crítica.

A trama é ambientada em um mundo onde os super-heróis, após inúmeras questões legais com a população, foram proibidos e escondidos pelo governo. Nesse cenário, o aposentado Robert Perr (voz original de Craig T. Nelson) sustenta uma família de três crianças com a esposa Helen (Helen Hunt), e é constantemente assombrado pela nostalgia dos tempos de glória. Quando um misterioso empregador requisita seus serviços, ele resolve voltar à ação.

Qualquer um com um mínimo conhecimento de quadrinhos pode reconhecer a influência esmagadora de Watchmen, lendária graphic novel de Alan Moore que seria adaptada para o cinema 5 anos após o filme da Pixar. E não deixa de ser irônico como Brad Bird conseguiu fazer melhor uso do material do que o próprio Zack Snyder em seu longa de 2009, já que seu foco de estudo reside em sua humanidade – ainda que seus personagens sejam seres fantásticos e enfrentem situações absurdas. Seja uma mãe que se faz como escudo em uma desesperada tentativa de salvar seus filhos de uma explosão, uma jovem abraçando os poderes que sempre recusou para proteger seu irmão caçula de uma rajada de balas ou um vilão buscando um mero reconhecimento após uma incrível rejeição na infância. Bird se sai bem melhor do que Snyder nesse quesito, que fez seu Watchmen mais centrado para a ação.

Não que Os Incríveis abra a mão do espetáculo, elemento que Bird domina magistralmente ao longo da projeção; algo que também exploraria bem no live action com o eficiente Missão: Impossível – Protocolo Fantasma. Ao som da espetacular trilha sonora de Michael Giacchino, a cena em que o caçula Flecha protagoniza uma eletrizante perseguição em alta-velocidade permanece uma das mais antológicas cenas de ação dos últimos anos, enquanto a batalha final contra o “Omnidroide” em um centro urbano é um ótimo exemplo de como se organizar uma sequência do tipo (palmas para o montador Stephen Schaffer) e distribuir diferentes funções para explorar as habilidades dos personagens.

Sem falar também que o filme é divertido pra cacete. As piadas com os clichês do gênero (monólogos do vilão, o problema das capas) são perfeitamente bem inseridas (É, Marvel Studios, você mesmo) e garantem um tom agradável para todas as idades. Ah, e Edna Moda (dublada pelo próprio Bird), como não ao menos mencionar a hilária estilista.

Os Incríveis é meu filme preferido da Pixar, e sem dúvidas um dos melhores filmes de super-heróis já feitos. Revisitando-o uma década após seu lançamento, vejo que ainda há muito o que se aprender dentro do gênero, e como este – salvas algumas belas exceções – tem se tornado cada vez mais complicado. Só espero que Brad Bird faça jus à seu trabalho genial na vindoura sequência.

| Missão: Impossível – Protocolo Fantasma | A arte do bom entretenimento

Posted in Ação, Aventura, Cinema, Críticas de 2011 with tags , , , , , , , , , , , , , , on 22 de dezembro de 2011 by Lucas Nascimento


Toma essa Peter Parker!

Como é boa a sensação de ser completamente entretido dentro do cinema, ainda mais de um filme cujas expectativas nem eram tão altas. Missão: Impossível – Protocolo Fantasma marca a estreia do talentoso Brad Bird (responsável por Os Incríveis e Ratatouille) na direção de longas live action, alcançando um resultado espetacular e muito além da maioria dos filmes do gênero.

A trama acompanha Tom Cruise como o agente Ethan Hunt pela quarta vez, mostrando a  agência do mesmo – a IMF – ser dissolvida após uma atentado a uma base russa. Sem apoio do governo, a equipe do protagonista precisa encontrar o responsável pelos ataques e impedir seu plano de causar uma guerra nuclear.

Depois de três bons filmes da franquia (com destaque maior para o terceiro, de J.J. Abrams), os roteiristas Josh Appelbaum e André Nemec introduzem o Protocolo Fantasma, cuja ideia em si já é inteligente por servir como recomeço para a série – já que o IMF, supostamente, passará por uma transformação. E capturando todos os bons elementos de espionagem, a dupla teça uma trama repleta de rumos inesperados e reviravoltas (mesmo que algumas não fazem tanto sentido, nem são tão bem explicadas), sempre mantendo a história empolgante.

Mas é de se admirar o excepcional trabalho de Bird na direção. Depois de mostrar que ratos podem ser cozinheiros e que super-heróis também sustentem família, ele empresta sua imaginação à composição das cenas de ação mais espetaculares do ano, que vão de escaladas ao prédio mais alto do mundo até perseguições em furiosas tempestades de areia. O cineasta compreende a estrutura de uma boa narrativa e, dosando de muito bom humor, consegue manter o ritmo alucinado do primeiro minuto até seus momentos finais, capturando o espectador e envolvendo-o completamente em seus conceitos e ideias; não importando o quão bizarras ou impossíveis elas sejam (alguns gadgets vistos aqui são tão malucos que remetem até a Agente 86, passando por câmeras no olho até locais improváveis para centros do IMF).

Agora, falando sobre maluquices e cenas de ação, aplaudo de pé o desempenho de Tom Cruise aqui. Além de apresentar seu carisma habitual ao personagem, o ator mostra total disposição aos momentos mais perigosos do filme, soando a camisa em perseguições e ao corajosamente escalar o Burj Khalifa em Dubai (para aqueles que não sabem, Cruise dispensou dublês na tal cena) e render uma das mais bem elaboradas e sensacionais sequências do ano – se possível, veja em IMAX. O elenco coadjuvante também mostra-se bem confortável em cena, ao começar pelo sempre divertido Simon Pegg, que interpreta aqui Benji, mais especializado em tecnologia e elaboração de planos. Paula Patton combina com eficiência sensualidade e dureza com a agente Jane enquanto o sempre ótimo Jeremy Renner mostra que seria um bom substituto para Cruise no futuro… (mas calma que o cara já tem Bourne pro ano que vem!)

Eficáz também na montagem e na trilha sonora de Michael Giacchino, que em conjunto dão ainda mais força às cenas mais intensas, Missão: Impossível – Protocolo Fantasma é um dos melhores filmes do ano. Passa longe de se preocupar com a realidade para dar atenção ao que realmente importa em um blockbuster: bom entretenimento.

E meu amigo, isso é entretenimento de primeira.

| Super 8 | Nostálgica e deliciosa ficção cientifica

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2011, Ficção Científica with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 13 de agosto de 2011 by Lucas Nascimento

 


Ninguém tem um DVD aí?

Bons tempos aqueles em que Steven Spielberg era um mestre da ficção científica e promovia uma serie de espetáculos nas décadas de setenta e oitenta. Aprendendo com o mestre, o diretor e roteirista J.J. Abrams presenteia os fãs do genero com uma aventura deliciosa e nostalgica, que faz lembrar o significado de entretenimento e bom cinema.

A trama se passa na decada de oitenta, girando em volta de um grupo de jovens cineastas que, ao gravarem uma cena em uma estação de trem, presenciam a chegada de um misterioso ser que passa a aterrorizar a pequena cidade onde vivem.

O misterio em torno de Super 8 se dá desde o período de sua genial campanha de marketing (que incluiu sites falsos, panfletos e muita discrição quanto ao monstro que antagoniza o longa), e ele permanece de forma brilhante ao longo do filme. Provando-se cada vez mais estiloso, Abrams acerta na direção e em seus ótimos enquadramentos – sempre com sua habitual luz de neon, fornecendo à trama um bem-vindo toque da série Lost (especialmente os efeitos sonoros que remetem à presença da criatura) e diversas referências temáticas e visuais ao trabalho de Spielberg.


Elle Fanning e Joel Courtney são ótimas revelações

E o que os filmes de Spielberg (incluo aí também os produzidos por ele) tambem acertavam, era no elenco juvenil. Bem entrosados e talentosos ao nível Goonies, são liderados pelo estreante Joel Courtney, que apresenta bastante carisma e a fragilidade emocional que o personagem requere (chegaremos nesse ponto em alguns instantes). Temos divertidos alívios comicos (como Riley Griffith, que faz o diretor Charles, e Ryan Lee, uma espécie de jovem Michael Bay afeccionado por pirotecnia), mas quem realmente se sobressai aqui é Elle Fanning (isso mesmo, irmã da Dakota), que surpreende pela força fornecida à personagem.

No que diz respeito à temática do filme, ela passa longe de se prevalecer contatos extraterrestres acima  da relação pai-filho. Joel e seu pai (Kyle Chandler) são bem capturados pela câmera de Abrams, que oferece mise en scènes maravilhosos – como aquele em que o jovem, vestido como militar, enfrenta seu pai e busca certa autoridade por suas ações – e um ótimo desenvolvimento de personagens. Ao longo da projeção, podemos observar uma série de detalhes que simbolizam a infância e a busca pela maturidade; seja com Elle Fanning dirigindo um carro ou tanques de guerra atravessando por cima de playgrounds. Bastante conteúdo para os mais observadores.

Mais uma vez embalado pela trilha sonora de Michael Giacchino (o compositor ja trabalhou em 3 filmes de Abrams), o vencedor do Oscar oferece um trabalho sensacional que equilibra o suspense (característica que ele explorou bem em Deixe-me Entrar) e acordes mais fantásticos (aí temos um pouquinho de Star Trek) em uma criação impecável. Enquanto isso, montagem de Maryann Brando e Mary Jo Markey preenche o filme de ritmo (principalmente no espetacular acidente de trem) e a fotografia de Larry Fong retrata bem a época e a cidade, assim como esconde com habilidade a criatura misteriosa, cuja revelação é tao bem apresentada quanto ao monstro de Tubarão (a cena do posto de gasolina… Sem palavras).

Decepcionando apenas nas ambições da criatura, Super 8 é uma deliciosa experiência que remete ao bom cinema oitentista, sendo carregado de temas de paternidade e amadurecimento, mas também com muita diversão e misterio. Um dos melhores filmes do ano.

PS: Durante os créditos finais, é exibido o filme caseiro que o grupo de amigos produzia. Nao deixe de conferí-lo.