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O Incógnito Oscar 2013 | Volume IV: Categorias Principais

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 21 de fevereiro de 2013 by Lucas Nascimento

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Chegamos à parte final do meu especial sobre o Oscar 2013! Aqui, analisaremos as categorias principais, passando pelos Roteiros, Diretores e, claro, os 9 filmes indicados. Vamos lá:

OBSERVAÇÕES:

  • Clique nos nomes de cada profissional para conferir seu histórico de indicações ao Oscar
  • Abaixo de cada perfil estão os prêmios que cada filme já garantiu na respectiva categoria
  • Nas categorias de ROTEIRO ORIGINAL e ROTEIRO ADAPTADO, clique nos títulos de cada filme para seu o roteiro completo (em inglês)

roteirooriginal

Qual é o parasita mais resistente? Uma ideia. Uma ideia completamente original é muito difícil de ser encontrada atualmente, mas de vez em quando, algumas muito boas aparecem em determinados roteiros. Os indicados são:

Amor | Michael Haneke

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Assim como aconteceu com A Separação no ano passado, a indicação de Amor nestas categorias principais automaticamente garante sua vitória em Filme Estrangeiro. Já o texto de Michael Haneke em si, não é meu preferido dentre os indicados… Acho a maior parte dos diálogos monótonos e que raramente trazem temas envolventes (um exemplo raro, é quando vamos percebendo aos poucos a identidade de um ex-aluno), sendo essencialmente cotidianos. O que admiro no roteiro de Haneke são ideias que funcionam melhor visualmente, como a cama de flores ou a genial metáfora da pomba invasora. E, claro, sua chocante reviravolta.

Quotação Memorável:
“- O que você diria se ninguém aparecesse no seu funeral?
– Nada, provavelmente” – Anne, Georges

Django Livre | Quentin Tarantino

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Eu ja disse antes e repito: não há ninguém que seja capaz de escrever diálogos como Quentin Tarantino. Sua investida no gênero de faroeste ( só que aqui, a designação mais apropriada é “farosul”) preserva todos os elementos típicos de sua escrita, desde os longos e caprichados diálogos até os personagens absurdos (como o bandido que cita a Bíblia e cola páginas desta no corpo enquanto chicoteia escravos). É certo que Django Livre é uma narrativa imperfeita, visto que sofre com um leve problema estrutural próximo a seu desfecho – onde a projeção se extende após o tiroteio em Candyland. Mas mesmo assim, o longa merece a vitória graças à habilidade e inteligência de Tarantino na construção dos diálogos, sendo mestre em prolongar as interações entre personagens e trabalhar a ascenção de tensão. Personagens e situações dignos do talento do cineasta, já está bom demais.

Quotação Memorável:Senhores, já tinham minha curiosidade. Mas agora têm minha atenção” – Calvin Candie

  • Globo de Ouro
  • BAFTA
  • Critics Choice Awards – Roteiro Original

A Hora Mais Escura | Mark Boal

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Mark Boal era um jornalista freelancer antes de se converter a roteirista vencedor do Oscar. E percebe-se a marca de sua profissão anterior aqui, já que o colaborador de Kathryn Bigelow enche A Hora Mais Escura de nomes, eventos e datas; visando um retrato quase que documental da busca por Osama Bin Laden. E ainda assim, certamente há muita ficção aqui, como a teatrilidade que eu pessoalmente duvido que a agente Maya demonstrava (como sua insatisfação ao marcar uma contagem de dias na janela de seu chefe), mas não é nada sensacionalista ou evasivo. Tendo seu final reescrito durante as filmagens, o roteiro do filme traz bons diálogos e situações, mas exausta por sua vasta quantidade de informações.

Quotação Memorável: “Eu sou a ‘motherfucker’ que achou esse lugar, senhor” – Maya

  • WGA – Roteiro Original

Moonrise Kingdom | Wes Anderson e Roman Coppola

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Moonrise Kingdom foi o primeiro filme de Wes Anderson que vi na vida, e acho que a narrativa cômica e quase caricata deve se aplicar à maioria dos trabalhos do diretor/roteirista. Aliado a Roman Coppola (isso mesmo, ele é filho do grande Francis Ford), Anderson traça uma fábula inocente e dócil sobre a própria perda desta; um jovem casal que se apaixona e resolve fugir da cidade, atravessando situações divertidas, simbólicas (o gesto de “furar a orelha”, por exemplo, é revelador) e personagens excêntricos. Não vejo grandes diálogos aqui, mas traz muitas ideias que funcionam visualmente.

Quotação Memorável: “Estarei lá no fundo. Vou procurar uma árvore pra cortar.” – Sr. Bishop

O Voo | John Gatins

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A premissa elaborada por John Gatins em O Voo é muito instigante, e funciona admiravelmente bem na primeira metade da projeção. O problema é que Gatins sente a necessidade de estender a narrativa desnecessariamente, e acaba adicionando elementos comoletamente descartáveis, como a viciada em drogas Nicole. Além disso, o roteirista resolve analisar a fundo o problema de alcoolismo de seu protagonista com uma série de clichês (está lá a velha cena de despejar as bebidas no ralo da pia) que só funcionam graças à performance de Denzel Washington. Se houvessem mais cenas sobre a investigação da perícia (ou apenas elas), seria mais interessante.

Quotação Memorável: “Ninguém poderia ter aterrissado aquele avião como eu. Ninguém” – Whip

FICOU DE FORA: Looper: Assassinos do Futuro | Rian Johnson

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Em uma época em que Hollywood aposta em continuações, adaptações e remakes de tudo quanto é coisa, eis que brota Rian Johnson e oferece uma aventura de ficção científica muito competente na forma de Looper: Assassinos do Futuro. Partindo da criativa premissa em que assassinos são contratados para eliminar alvos do futuro, Johnson explora com eficiência os conceitos e leis desse universo que criou, não se preocupando em oferecer uma explicação mega-científica para realidades alternativas e viagens no tempo. Um bom roteiro, que só peca pela presença desnecessária de poderes telecinéticos…

Quotação Memorável:Eu não quero falar de viagem no tempo, porque se começarmos vamos acabar ficando o dia todo aqui, fazendo diagramas com canudinhos” – Joe do Futuro

APOSTA: Django Livre

QUEM PODE VIRAR O JOGO: A Hora Mais Escura

MEU VOTO: Django Livre

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Quando uma ideia completamente original está em falta, resta recorrer à livros, artigos, peças ou fazer continuações; podendo simplesmente adaptá-la à tela grande, ou criar algo novo a partir de seu argumento. Os indicados são:

Argo | Chris Terrio, baseado no artigo Escape from Theran: How the CIA used a Fake Sci-Fi Flick to Rescue Americans from Iran de Joshuah Bearman

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Adaptado de um artigo que relata uma história real “que só poderia ser coisa de filme”, o roteiro de Argo deveria ser o sonho de qualquer cineasta. Escrito por Chris Terrio, este faz um ótimo trabalho ao trazer diálogos inteligentes e divertidos (nesse quesito, todas as cenas que envolvem Hollywood), gerando não apenas um eficiente thriller de espionagem, mas também um filme sobre se fazer filmes. Além da inusitada mistura, Terrio ainda traz um tema que se mantém atual e proporciona uma abordagem sem julgamentos pró-EUA. Claro que com um grupo de americanos a serem resgatados no Irã, os árabes recebem um tratamento antagonista, mas nunca chega a ser algo ufanista. E em tempos pós-11 de Setembro e Primavera Árabe, isso já é motivo para parabenizá-lo. Sem falar que criou o bordão mais legal dos últimos anos: “Argofuck yourself!”.

Quotação Memorável: “Se eu vou fazer um filme de mentira, vai ser um sucesso de mentira!” – Lester Siegel

  • WGA – Roteiro Adaptado
  • BAFTA

As Aventuras de Pi | David Magee baseado no livro A Vida de Pi de Yann Martel

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Muitos julgavam Life of Pi de Yann Martel uma obra infilmável (e enquanto termino o livro, reconheço que seja uma adaptação difícil), mas o roteiro de David Magee conseguiu dar conta do recado. Adotando a clássica estrutura do sujeito que compartilha suas histórias fantásticas para um terceiro, tal recurso compensa pela ausência de diálogos e também para envolver melhor o espectador da narrativa – afinal, Pi está nos contando a história. Mas ainda que Magee traga bons momentos de humor e reviravoltas  (a maioria destes na forma de baleias e peixes voadores) em um ambiente limitado, o texto erra no mesmo ponto do livro: a demasiada exposição sobre os conceitos de diversas religiões. Probleminhas à parte, é uma adaptação eficiente e bom entretenimento, conseguindo preservar a bela mensagem sobre o desapego da vida e a presença do simbolismo no embate realidade x ficção.

Quotação Memorável: “Eu acho que no fim, a vida toda torna-se um ato de desapego, mas o que sempre me entristece é não ter um momento para se despedir”. – Pi Patel

Indomável Sonhadora | Lucy Alibar e Benh Zeitlin baseado na peça Juicy and Delicious de Lucy Alibar

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Em breve, texto em progresso!

O Lado Bom da Vida | David O. Russell, baseado no livro The Silver Linnings Playbook de Matthew Quick

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David O. Russell assume a dupla função de diretor e roteirista, e sua habilidade com as palavras e tão formidável como a que este demonstra atrás das câmeras. O diretor adapta o livro de Matthew Quick (que não li, ainda) e oferece um tratamento leve e divertido a temas delicados como transtornos psicológicos e depressão – ambos favorecidos pelos excelentes diálogos entre os carismáticos personagens -, ainda que não os transforme totalmente em uma piada. Do meio pro fim, O Lado Bom da Vida se rende a algumas decisões previsíveis e até a elementos fantásticos (como a presença de “zica” em partidas de futebol americano), mas isso não prejudica por completo o bom trabalho de O. Russell.

Quotação Memorável: É, mande o Ernest Hemingway nos ligar e pedir desculpas também!” – Pat, Sr.

Lincoln | Tony Kushner, baseado parcialmente no livro Team of Rivals: The Political Genius of Abraham Lincoln de Doris Kearns Goodwin

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Já tendo trabalhado com Steven Spielberg em Munique (que também lhe garantiu uma indicação nesta categoria, em 2006), Tony Kushner traz os eventos mais relevantes de Team of Rivals para tratar um perfil dos últimos meses da vida de Abraham Lincoln. O que me incomoda no roteiro de Lincoln é que a narrativa prefere se concentrar nas politicagens e quebra-paus acerca do processo de validação da 13a emenda (e nas práticas maquiavélicas para conseguí-la) do que no homem que nomeia o título. Mesmo que traga bons diálogos nas cenas do Congresso (especialmente as rebatidas de Tommy Lee Jones), é a relação de Lincoln com sua família que me despertou maior interesse, e esta é – infelizmente – pouco explorada.

Quotação Memorável: “Eu poderia escrever sermões mais curtos, mas quando começo tenho preguiça de parar.”

  • Critics Choice Awards – Roteiro Adaptado

FICOU DE FORA: As Vantagens de Ser Invisível | Stephen Chbosky

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É muito interessante quando o autor de um livro sai para adaptar ele próprio sua obra. No caso de Stephen Chbosky, ele não só assina o roteiro de As Vantagens de ser Invisível, mas também a direção do longa; o que lhe da o direito de fazer todas as alterações que bem entender, sem sacrificar a obra original. Na crônica de Charlie e sua entrada no ensino médio, temos aqui diálogos maravilhosos, personagens muito carismáticos e também um tratamento muito delicado e original a temas como abuso sexual, problemas psicológicos e homofobia. Mas mais do que isso, é uma bela história sobre encontrar a si mesmo.

Quotação Memorável: “Nós estamos vivos agora mesmo, e nesse momento eu juro que somos infinitos” – Charlie

APOSTA: Argo

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Lincoln

MEU VOTO: Argo

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Já vimos dezenas de categorias nas quatro partes deste especial. Mas apenas uma pessoa pode ter o controle absoluto sobre ela, mudar o que quiser e comandar para atingir o resultado desejado: o diretor. Os indicados são:

Michael Haneke | Amor

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Cineasta de currículo impecável (que conta com Caché, os dois Violência Gratuita e A Fita Branca), é de se espantar que essa seja apenas a primeira indicação de Michael Haneke. Como discuti em minha crítica, o austríaco confere um tom com grande lentidão e calmaria (a ausência de música e a presença de longos planos sem cortes ajudam nesse quesito) ao longo das 2 horas de Amor e isto é essencial para que o clímax funcione tão bem, e destrua toda esse tom como uma bomba atômica. O trabalho de Haneke é muito inteligente, mas requer muita paciência de seu espectador.

Ang Lee | As Aventuras de Pi

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Seguindo os passos de James Cameron e Martin Scorsese, Ang Lee é o novo reconhecido da Academia pelo uso da tecnologia 3D. Não que esta seja algo espetacular, mas o taiwanês traz recursos visuais muito interessantes em sua adaptação de As Aventuras de Pi, como mudar a proporação da imagem – alternando entre 16:9 e 4:3 em momentos chaves – a fim de conferir efeitos tridimensionais que, literalmente, “saltam” da tela. A direção de Ang Lee é criativa e este ajuda a criar uma narrativa competente que se sustenta com lindas imagens.

David O. Russell | O Lado Bom da Vida

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Eu tinha birra com David O. Russell desde sua indicação por O Vencedor, mas agora é tudo water under the bridge após seu trabalho seguro em O Lado Bom da Vida. Sua câmera é habilidosa ao circular todos os personagens em uma cena com diversos movimentos de mão e até bruscos, servindo para salientar ora a tensão, ora o humor (o zoom que este confere a um momento chave é acertadíssimo). Acho particularmente interessante como ele usa o recurso da câmera em primeira pessoa no flashback de Pat, que não só nos coloca na pele do personagem, como também adiciona um elemento de surpresa ao desfecho da cena. Meu trabalho favorito – quem diria – entre os indicados, parabéns sr. Russell.

Steven Spielberg | Lincoln

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De todos os filmes de Steven Spielberg que já vi, Lincoln traz sua direção mais contida. O diretor acerta ao reunir um ótimo elenco e lhes proporcionar um espaço eficiente que lhes permita trabalhar bem (sua câmera é sempre bem fixa e centrada nos intérpretes) e também ao aproveitar seu gordo valor de produção com planos abertos. Não seria justo taxá-lo como “piloto-automático”, já que o diretor cria belos planos que preservam a figura icônica do presidente, mas ainda que saiba como despertar emoções genuínas nos momentos certos (como a aprovação da 13ª emenda), desmerece a vitória por decidir mostrar a morte de Abraham Lincoln de forma melodramática; ainda mais porque poderia ter encerrado o filme minutos antes, com uma bela cena que mostra o protagonista caminhando em direção à luz. Spielberg precisa voltar ao espetáculo.

Benh Zeitlin | Indomável Sonhadora

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Sua estreia na direção de longa-metragens e Benh Zeitlin já garantiu sua primeira indicação Oscar: que belo começo de carreira. Assumindo-se como “essencialmente indie”, o diretor faz uso de uma câmera sempre incessante e com diversos planos e close-ups que retratem a precariedade do ambiente principal de Indomável Sonhadora (preservando com habilidade o ótimo trabalho do design de produção sem recursos grandiloquentes). Mas felizmente Zeitlin não apega-se à melancolia ou a maniqueísmos em tais momentos, conseguindo tirar situações divertidas dos cenários mais improváveis e sobressaindo-se na direção de elenco. Vamos ver se, com seu próximo projeto, não foi sorte de principiante.

FICOU DE FORA: Quentin Tarantino | Django Livre

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Ben Affleck, Kathryn Bigelow e Paul Thomas Anderson foram incríveis ausências nesta categoria. Os três diretores fizeram trabalhos incríveis em seus respectivos filmes, mas senti mais ainda a falta de Quentin Tarantino entre os 5 indicados, já que seu comando no faroeste (sul) de Django Livre é excelente. Cheio de referências e jogadas visuais, o diretor homenageia uma série de filmes do gênero (e também de outros, como Taxi Driver e … E o Vento Levou) e utiliza de um recurso de câmera divertidíssimo: o zoom rápido. Além de manter a narrativa sempre divertida, Tarantino também separa com inteligência a “violencia cômica” da “violência séria” ao alternar a forma com que retrata ambas. Não é o melhor trabalho do diretor, mas nada menos do que digno de indicação.

APOSTA: Steven Spielberg

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Ang Lee

MEU VOTO: David O. Russell

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Um casal de idosos testando seu amor, espiões cinéfilos, um indiano náufrago, um escravo recém-libertado, uma agente obcecada, uma jovem sonhadora, um popular presidente americano e um grupo de miseráveis cantores estão entre os indicados ao Oscar de Melhor Filme deste ano. Vejamos:

Amor

4.0

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“Então o filme só para idosos? Não, mas requer uma experiência de vida (especialmente àquelas baseadas no sentimento-título) que um jovem à beira da maioridade ainda desconhece por completo. Fui comovido pelas ótimas performances de seu elenco e pelo tratamento que Michael Haneke fornece ao longa, mas acho que levará alguns anos para Amor me acertar em cheio.” Crítica Completa

  • Palma de Ouro – Festival de Cannes
  • Globo de Ouro – Filme Estrangeiro
  • BAFTA – Filme Estrangeiro
  • Critics Choice Awards – Filme Estrangeiro

Argo

4.5

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“Um filme sobre um resgate americano em território iraniano renderia uma propaganda ufanista e exagerada nas mãos de um diretor “Michaelbayano”, mas o diretor-ator merece aplausos por apresentar uma relativa neutralidade diante da questão abordada – questionando tanto a incapacibilidade da CIA diante do sequestro quanto a violência executada pelos revolucionários. Argo é uma ótima dramatização de um inusitado capítulo da história da CIA, tratando seus temas de forma aprofundada e acessível, além de mostrar que Ben Affleck não é só um bom diretor, mas sim um ótimo cineasta.” Crítica Completa

  • Producers Guild Awards
  • Globo de Ouro – Drama
  • Directors Guild Awards
  • BAFTA
  • Critics Choice Awards

As Aventuras de Pi

4.0

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“Competente em seu ritmo de narração e interação entre a história contada e aqueles que contam a mesma (no caso, o ótimo Irrfan Khan), As Aventuras de Pi é uma linda realização visual e também uma bela mensagem sobre o desapego da vida. Não o achei poderoso em suas manifestações divinas, mas entre o caminho racional e o fantástico proposto pelo protagonista e pelo pai deste, fico com “a do tigre”.” Crítica Completa

Django Livre

4.5

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“Movendo-se com um bom ritmo até uma conclusão um tanto exagerada, Django Livre é mais um ótimo trabalho de Quentin Tarantino, e ainda que não alcance a perfeição de Bastardos Inglórios ou Pulp Fiction, comprova a facilidade do diretor em navegar com seu estilo único através de diferentes gêneros. Vejamos o que ele vai aprontar a seguir…” Crítica Completa

A Hora Mais Escura

4.0

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“Não tenho dúvidas de que há muita ficção em A Hora Mais Escura. Mas mesmo que alguns fatos apresentados tragam uma veracidade questionável, funcionam eficientemente bem como peça de entretenimento e não do tipo que vangloria uma nação. Ao invés de comemorar euforicamente a morte de Osama Bin Laden, o filme traz de volta a questão Maquiavélica e ainda deixa no ar uma ainda mais complexa: ” e agora?” A reação ambígua de Maya, que com olhos lacrimejados e a noção de que havia concluído uma tarefa que lhe custara 12 anos de sua vida, é a prova de que o filme vai além de sua proposta.” Crítica Completa

Indomável Sonhadora

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Com diversas passagens protagonizadas por criaturas pré-históricas que marcam presença simbólica (creio eu), Indomável Sonhadora explora de forma criativa e apropriada a relação de “causa e efeito” dentro de um ecossistema, enfatizando como cada pequeno elemento pode gerar consequências devastadoras, e também como as relações familiares podem ser comparadas com tal. É o grande indie da temporada de prêmios.

O Lado Bom da Vida

4.0

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“Com uma admirável química entre os dois protagonistas e um ritmo eficiente que fazem as 2 horas de filme parecerem minutos, O Lado Bom da Vida só peca ao recorrer a clichês típicos do gênero em sua conclusão (como uma série de coincidências e elementos supersticiosos). Mas como o próprio Pat diz ao reclamar de Adeus às Armas de Hemingway: ‘a vida já é dura como é, seria pedir demais por um final feliz?’ No caso deste belo filme, é aceitável.”  Crítica Completa

Lincoln

3.0

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“Em um de seus trabalhos mais contidos e livres de maneirismos (não que isso seja uma qualidade aqui) Steven Spielberg faz de Lincoln uma aula de História americana de quase três horas. Mas mesmo com valores de produção e elenco espetaculares, o “professor” carece de um bom material didático que nos ajude a entender melhor o Lincoln Homem, e restringe seu maior impacto emocional ao povo americano.” Crítica Completa

Os Miseráveis

3.5

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“Com 168 minutos que se movem com notável lentidão, Os Miseráveis apresenta uma ótima história e um elenco espetacular, mas que é ofuscada em meio ao excesso de canções. O novo método escolhido por Tom Hooper favoreceu aos intérpretes, que dão o seu melhor em apresentações intensas, mas rendeu uma experiência difícil de se acompanhar. Nas palavras do comediante Jerry Seinfeld: ‘Não gosto desses musicais, não entendo por que cantar, quem canta? Se tem alguma coisa pra dizer, diga!'” Crítica Completa

  • Globo de Ouro – Musical/Comédia

FICOU DE FORA: O Mestre

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“Pontuado nos momentos certos pela abstrata trilha sonora de Jonny Greenwood, O Mestre é uma obra poderosa que consegue expandir sua premissa a níveis universais, sobre o Homem questionando o papel de um líder ou de uma organização; e como estes podem alterar seus instintos mais básicos. Desculpem pelo trocadilho, mas é um trabalho de Mestre.” Crítica Completa

APOSTA: Argo

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Lincoln

MEU VOTO: Argo ou Django Livre

Bem, esse foi o especial Oscar 2013, não esqueçam de fazerem suas apostas. E só pra lembrar, no dia da cerimônia (domingo, 24) estarei aqui comentando o evento ao vivo, então apareçam!

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| Amor | Michael Haneke testa os limites e as ramificações do sentimento-título

Posted in Cinema, Críticas de 2013, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , on 7 de fevereiro de 2013 by Lucas Nascimento

4.0

Amour
Jean-Louis Trintignan examina Emmanuelle Riva

Eu não estava preparado para Amor. Com pouco menos de duas décadas de existência, não havia em mim a experiência necessária para absorver completamente os temas e carga do novo filme de Michael Haneke (um dos 9 indicados ao Oscar de Melhor Filme deste ano). Não me refiro à falta de conhecimento sobre a Sétima Arte (ainda que, neste quesito, ainda me falte muita coisa), mas sim sobre a vida.

Particularmente sobre o fim desta, que é o momento em que encontramos o casal Anne (Emmanuelle Riva) e Georges (Jean-Louis Trintignant), professores de música aposentados que estão juntos a anos e dividem um pequeno apartamento em Paris. Quando Anne é subitamente vítima de um derrame, seu marido promete ajudá-la à medida em que a doença vai se intensificando.

Não é fácil para mim identificar-me 100% com o núcleo central do longa, e também com a dedicação sobrehumana com que Georges trata sua adoecida esposa. Sem confundir esta dificuldade com uma impassibilidade emocional, já que a narrativa adotada por Haneke opta por um ritmo demorado e com longos planos, onde são travados diálogos comuns e cotidianos; em um exemplo de a Arte copiando a vida, recurso que contribue para atribuir verocidade aos personagens e torná-los mais realistas. Mas em contrapartida, essas longas conversas (assim como a ausência de música) resultam em uma execução lenta e quase cansativa que se extende durante suas 2 horas de duração.

Mas aí o filme vai chegando ao fim, e você entende que essa decisão foi tomada por Haneke para aumentar o impacto do que viria a seguir.

A chocante decisão tomada por Georges ao fim da projeção é um ato cruel, mas, acima de tudo, uma manifestação complexa de seu grande amor por Anne (e também uma consequência da promessa que esta a fez tomar no início do longa). A cena em questão é assustadora por sua aparição inesperada e também pela quebra brusca no ritmo lento que a narrativa vinha adotando desde seu primórdio. E é interessante como toda a situação e o dilema enfrentado por Georges pode ser muitíssimo bem metaforizado pela já famosa “cena da pomba”, onde o esforço de aprisionar o animal (para depois libertá-lo) é equivalente ao de manter Anne viva, gerando consequências similares.

Então o filme só para idosos? Não, mas requer uma experiência de vida (especialmente àquelas baseadas no sentimento-título) que um jovem à beira da maioridade ainda desconhece por completo. Fui comovido pelas ótimas performances de seu elenco e pelo tratamento que Michael Haneke fornece ao longa, mas acho que levará alguns anos para Amor me acertar em cheio.

Globo de Ouro 2013: Transmissão ao Vivo

Posted in Prêmios, Transmissão ao Vivo with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 13 de janeiro de 2013 by Lucas Nascimento

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Acompanhem aqui meus comentários em tempo real (é só ir atualizando a página) sobre o Globo de Ouro 2013!

23:00 Boa noite! A 70ª cerimônia do Globo de Ouro está começando.

23:02 – Tina Fey e Amy Poehler são as apresentadoras. Como já era de se esperar, estão cheias de piadas ácidas.

23:03 – “Quando o assunto é tortura, nada melhor do que a mulher que era casada com James Cameron”. Uau, hehe.

23:05 – Muito engraçado, seguindo a linha de Ricky Gervais.

23:08 – Bradley Cooper e Kate Hudson no palco para entregar o prêmio de Ator Coadjuvante. Tommy Lee Jones ou Phillip Seymour Hoffman?

23:10 – Uau! Christoph Waltz leva o prêmio por Django Livre!

23:11 – Agora, Kerry Washington e Dennis Quaid apresentam Melhor Atriz Coadjuvante em Série, Mini-série ou Filme de TV.

23:12 – Maggie Smith, por Downton Abbey. Desconheço, estou completamente por fora de assuntos de televisão, heeh.

23:13 – Comerciais. O prêmio está num ritmo bem rápido, nem mostram os clipes com atuações dos atores.

23:17 – E voltamos, com Don Cheadle apresentando Melhor Mini-Série ou Telefilme.

23:18 – Game Change é o vencedor.

23:20 – Agora vai Melhor Atriz em Mini-série ou Telefilme.

23:21 – Julianne Moore por Game Change. O Don Cheadle deu uma “trollada” épica, hahaha.

23:23 – Catherine Zeta-Jones apresenta Os Miseráveis.

23:24 – Mais um intervalo.

23:28 – E voltamos, com mais piadas das apresentadoras.

23:30 – Rosario Dawson sobe ao palco para apresentar O Exótico Hotel Marigold.

23:31 – Salma Hyek e Paul Rudd apresentam Melhor Ator em Série de Drama.

23:32 – Damian Lewis por Homeland.

23:34 – E agora, o prêmio de Melhor Série de Drama.

23:35 – Homeland é o vencedor. Nunca vi nenhuma das indicadas, apenas The Newsroom (que adoro).

23:37 – Pessoal fala muito bem dessa Homeland, assistirei quando tiver tempo.

23:38 – Mais um intervalo…

23:42 – John Goodman e Tony Mendez (o agente da CIA) apresentam Argo.

23:43 – Sr. Mendez, o microfone é mais pra esquerda…

23:44 – Jennifer Lopez e Jason Statham para Melhor Trilha Sonora!

23:45 – As Aventuras de Pi, por Mychael Danna é o vencedor.

23:46 – A trilha do Pi é bonitinha, mas Anna Karenina, Lincoln e Cloud Atlas são outro nível…

23:47 – Agora, Melhor Canção original. VAI SKYFALL!

23:48 – Fuck yeah! “Skyfall” de 007 – Operação Skyfall é o vencedor. Adele recebe o prêmio.

23:50 – E mais intervalos.

23:54 – Voltamos com Kiefer Sutherland e Jessica Alba para dar o prêmio de Melhor Ator em Mini-série ou Telefilme. Torço por Benedict Cumberbatch!

23:56 – Não foi dessa vez, Sherlock ‘-‘ Kevin Costner vence por Hastfields & McCoys.

23:58 – E o ex-presidente Bill Clinton sobe ao palco para apresentar Lincoln.

00:01 – Agora, Will Ferrell e Kristen Wiig apresentam Melhor Atriz em Filme de Comédia ou Musical.

00:05 – Apresentaram as indicadas duas vezes, nossa.

00:06 – E como já era de se esperar, Jennifer Lawrence vence por O Lado Bom da Vida.

00:07 – E bora pra mais intervalos.

00:12 – Voltamos, com Melhor Ator Coadjuvante em Série, Mini-série ou Telefilme.

00:13 – Ed Harris por Game Change é o vencedor.

00:14 – E sobe Jamie Foxx para apresentar o ótimo Django Livre.

00:15 – Jonah Hill (está engordando novamente, isso!) e Megan Fox vão apresentar o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante. Vai dar Hathaway!

00:15 – Anne Hathaway por Os Miseráveis. Ela parece estar ótima no papel.

00:17 – Não curto esse cabelo “Harry Potter” da Hathaway. Mas ela é linda.

00:18 – Mais um brake.

00:22 – Voltamos. Robert Pattinson e Amanda Seyfried apresentam Melhor Roteiro!

00:23 – E o vencedor é Quentin Tarantino por Django Livre!

00:25 – Curti. Django já tem 2 prêmios na estante…

00:27 – Agora, Melhor Ator em Série de Comédia.

00:28 – Don Cheadle vence por House of Lies.

00:29 – E mais um intervalo.

00:33 – Voltamos. Aí é demais, Schwarzenegger e Stallone no palco pra apresentar Melhor Filme Estrangeiro.

00:34 – E Amor é o vencedor, claro. Michael Haneke recebe o prêmio.

00:36 – Agora, o prêmio de Melhor Atriz em Série de TV Dramática.

00:37 – Claire Danes, por Homeland, é a vencedora.

00:40 – A quantidade de intervalos me surpreende…

00:44 – Voltamos com Sacha Baron Cohen (como ele mesmo).

00:46 – Ele apresenta os indicados a Melhor Animação. Frankenweenie?

00:47 – E a Pixar vai ressurgindo… Valente leva o prêmio.

00:48 – Liev Schreiber apresenta As Aventuras de Pi.

00:50 – Jason Bateman carrega Aziz Ansari para apresentar Melhor Atriz em Série de Comédia.

00:51 – Lena Dunham vence por Girls.

00:54 – E mais um intervalo.

00:58 – Voltamos…

00:59 – Robert Downey Jr. entra para apresentar uma homenagem à Jodie Foster.

01:03 – Jodie Foster, excelente atriz. Inesquecível em Taxi Driver.

01:12 – Que discurso longo, nossa. Intervalos.

01:16 – Halle Berry vai apresentar Melhor Diretor!

01:17 – Ben Affleck vence por Argo!

01:17 – Vocês viram o Tarantino cuspindo a bebida????

01:18 – Affleck merece a vitória. E certamente merecia ter sido indicado ao Oscar…

01:20 – Josh Brolin apresenta o divertidíssimo Moonrise Kingdom.

01:21 – Jay Leno e Jimmy Fallon no palco para entregar o prêmio de Melhor Série de Comédia ou Musical.

01:22Girls, da HBO, é a vencedora.

01:25 – Intervalos novamente. Get on with it…

01:29 – O Batman Christian Bale sobe ao palco para apresentar O Lado Bom da Vida.

01:30 – Jennifer Garner sobe ao palco para apresentar Melhor Ator em Filme de Musical ou Comédia.

01:31 – Hugh Jackman leva por Os Miseráveis. O cara também deve estar cantando muito…

01:34 – Mais comerciais, já está acabando…

01:38 – Voltamos! Jeremy Renner vai ao palco apresentar A Hora Mais Escura.

01:39 – Dustin Hoffman para entregar o prêmio de Melhor Filme de Comédia ou Musical.

01:41 – Os Miseráveis leva o prêmio, o terceiro da noite.

01:42 – Intervalos de novo!

01:46 – George Clooney sobe ao palco para apresentar Melhor Atriz em Filme de Drama. Chastain, who else?

01:47 – É isso aí: Jessica Chastain vence por A Hora Mais Escura.

01:50 – E Clooney continua, apresentando agora para Melhor Ator em Filme de Drama. Quem será?

01:51 – Daniel Day Lewis vence por Lincoln.

01:53 – Nice, o Oscar já é dele. Intervalo final!

01:57 – Julia Roberts chega para entregar o prêmio de Melhor Filme – Drama.

01:58 – E o vencedor é Argo! Dos que eu vi (Argo, Pi e Django), é meu preferido entre os indicados. Vitória merecida!

02:00 – E por hoje é só, até a próxima!

LISTA DOS VENCEDORES:

Cinema:

MELHOR FILME – DRAMA

Argo

MELHOR FILME – MUSICAL OU COMÉDIA

Os Miseráveis

MELHOR ATOR – DRAMA

Daniel Day-Lewis | Lincoln

MELHOR ATOR – MUSICAL OU COMÉDIA

Hugh Jackman | Os Miseráveis

MELHOR ATRIZ – DRAMA

Jessica Chastain | A Hora Mais Escura

MELHOR ATRIZ – MUSICAL OU COMÉDIA

Jennifer Lawrence | O Lado Bom da Vida

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Christoph Waltz | Django Livre

MELHOR ATRIZ COADJVANTE

Anne Hathaway | Os Miseráveis

MELHOR DIRETOR

Ben Affleck | Argo

MELHOR ROTEIRO

Django Livre

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

“Skyfall” | 007 – Operação Skyfall

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL

As Aventuras de Pi

MELHOR ANIMAÇÃO

Valente

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Amor

TV:

MELHOR SÉRIE DE DRAMA

Homeland

MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA OU MUSICAL

Girls

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE DRAMA

Damian Lewis – Homeland

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA

Claire Danes – Homeland

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA OU MUSICAL

Don Cheadle – House of Lies

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA OU MUSICAL

Lena Dunham – Girls

MELHOR MINISSÉRIE OU TELEFILME

Game Change

MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE OU TELEFILME

Kevin Costner – Hatfields & McCoys

MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE OU TELEFILME

Julianne Moore – Game Change

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME

Ed Harris – Game Change

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME

Maggie Smith – Downton Abbey

Remakes: Reconstruindo ou destruindo o cinema?

Posted in Artigos with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 13 de setembro de 2010 by Lucas Nascimento

Em pleno Festival de Toronto, estão sendo exibidos filmes que eu antecipo muito. Um deles, é o remake de Deixa Ela Entrar, Let Me In, dirigido por Matt Reeves. Surpreendentemente, as primeiras críticas sobre o longa são muito boas (alguns chegam a preferir o remake ao original), o que é raro para um remake, principalmente de um filme tão prestigiado.

Remakes aliás, são muito mais comuns agora do que antigamente. Sua existência é mesmo justificada pela oportunidade de apresentar uma nova “visão” sobre o filme? Ou seria a falta de ideias originais? Vale a pena dar uma olhada na qualidade e nos tipos de refilmagens que já tivemos.

A Nova Visão

Alguns remakes até que conseguem entregar o que realmente prometem: uma nova visão sobre o filme original. Muitos não sem bem-sucedidos, mas é possível encontrar produções recentes nessa categoria. Geralmente, não é um “remake oficial”, apenas a premissa é aproveitada, mas ela pode caminhar de modos diferentes e se passar em épocas diferentes. O melhor exemplo? Paranóia, claramente baseado em Janela Indiscreta.

Atualizando o suspense da década de 50 para os dias de hoje e o fotógrafo de perna quebrada para um adolescente cumprindo prisão domiciliar, o longa é bem produzido, cativante e, mais importante, não tenta se igualar ao magnífico filme de Alfred Hitchcock, criando sua própria estrutura e voltando-se especificamente ao público mais jovem; isso é ótimo, o remake pode servir como passagem para o original, uma maneira de descobri-lo.

Nem tudo dá certo, claro. O que me vêm a cabeça agora, é O Dia em que a Terra parou, que ousou refilmar o clássico da década de 50, trocando a discussão sobre a Guerra Fria e o perigo iminente de destruição nuclear por uma trama ecológica (que poderia ter funcionado) com argumentação muito fraca. Únicos pontos positivos residem na boa atuação de Keanu Reeves e no novo visual do GORT.

A Cópia

Quando um filme praticamente refaz quadro-a-quadro o original, não há muito o que discutir: Só existe porque provavelmente a obra é estrangeira e o diretor do remake só quer cortar algumas legendas… O melhor exemplo de um remake cópia que refaz o original exatamente como era, mas não o entende, é o medíocre Quarentena.

A trama segue exatamente o mesmo caminho, o cenário é idêntico ao do original, mas toda a simplicidade que resultava em um filme assustador é banalizada com maquiagens forçadas, cachorros infectados (o quê? Resident Evil?) e uma péssima protagonista. Se for pra fazer remake assim, não faça.

Por outro lado, alguns conseguem manter aqualidade do material original, refazendo-o quadro a quadro pelo mesmo diretor dos dois filmes, como por exemplo, o psicodélico Violência Gratuita de Michael Haneke, que simplesmente trocou o elenco alemão por um americano.

Ambos possuem o mesmo tom, os mesmos enquadramentos de cena e, basicamente, o mesmo roteiro. E devo admitir, se em Quarentena Jennifer Carpenter errou feio ao tentar se igualar à Manuela Velasco de [REC], Michael Pitt não só captou a persona de Frank Giering, mas entrega um trabalho tremendamente inspirado e até melhor, que por algum motivo insano como seu personagem, não recebeu nenhum prêmio.

A Homenagem

Basicamente, é aquele tipo de remake que faz ligeiras mudanças na história, ampliando-a e ganhando o toque pessoal do diretor. É o tipo mais comum de se encontrar e também o mais bem sucedido. Vale destacar dois filmes que, na minha opinião, ficaram melhores que o original.

A Fantástica Fábrica de Chocolate, por exemplo, teve seu remake dirigido por Tim Burton, que aperfeiçonou o original em todo aspecto possível. Têm mais estilo, é mais divertido, mais engraçado e o roteiro acrescenta informações interessantes, como um final mais elaborado e origens de alguns personagens. Claro, a canção dos oompa-loompas não se iguala a do original…

Podem me atacar e criticar a vontade, mas acho o blockbuster de Peter Jackson muito superior ao bem produzido longa de 1933. Além do óbvio avanço tecnológico, o remake é mais bonito, empolgante e tem muito mais coração do que o original.

O diretor recriou cenas clássicas, controlou um  elenco é espetacular (Naomi Watts, perfeita. Jack Black, excelente) e fez uma bela homenagem ao original, que já tinha ganho uma nova versão com Kurt Russel, mas é melhor parar por aqui…

O Reboot

Não confundam, remakes e reboots são coisas diferentes. Semelhantes, mas distintas. Um reboot significa recomeçar uma franquia de maneira diferente, como está sendo feito com Homem-Aranha e Quarteto Fantástico e como foi feito brilhantemente na nova franquia de Batman.

Não sei decidir se os novos filmes de Sexta-Feira 13 e A Hora do Pesadelo entram nessa categoria ou na anterior, já que recomeçam a franquia, recriam algumas cenas, mas não seguem exatamente a mesma estrutura… Se alguém puder, comente e dê sua opinião.

Let Me In

Voltando ao caso de Let Me In, já comentei minhas expectativas na Primeira Olhada do filme, mas acredito que, além de conter uma nova visão, irá prestar uma bela homenagem ao sueco Deixa ela Entrar. O filme estreia em 8 de Outubro nos EUA e está sendo exibido atualmente no Festival de Toronto.

O filme ainda não tem previsão de estreia no Brasil.