Arquivo para michelle monaghan

| Pixels | Crítica

Posted in Aventura, Cinema, Comédia, Críticas de 2015 with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 30 de julho de 2015 by Lucas Nascimento

1.5

pixels
Os “mini ghosts” encaram a ameaça de Pac-Man

Já faz muito tempo desde que, conscientemente, embarco num filme que traz em seu pôster o nome de Adam Sandler. Confesso que já me diverti bastante com as obras do ator quando criança, mas de uns tempos pra cá, Sandler foi transformando-se num ser insuportável e sem graça, assumindo que só trabalhava em alguns filmes “para viajar”, tendo até a própria Sony Pictures envergonhada de financiar seus projetos – como revelado no traumático leak do estúdio ano passado. Portanto, quando Adam Sandler é o fator mais suportável da aventura Pixels, sabemos que algo bem ruim nos aguarda.

A trama até parte de uma premissa interessante, quando uma raça alienígena misteriosa utiliza de figuras icônicas de videogames dos anos 80 para atacar a Terra. Em uma ação inesperada, o presidente dos EUA (Kevin James e não, isso não é uma piada mesmo) contata seu antigo amigo de infância (Adam Sandler) para liderar uma equipe especializada no assunto e salvar o planeta.

Parece muito o tipo de filme que sairia no final dos anos 80 ou começo dos 90, e confesso que esperava algo mais divertido de tal premissa. O roteiro de Tim Herlihy e Timothy Dowling adapta um curta-metragem homônimo de Patrick Jean, no qual Nova York era atacada por monstros em 8-bit. Infelizmente, o projeto caiu nas mãos da Happy Madison de Adam Sandler, que leva a história para uma direção infantilódie e povoada por piadas sem graça, machistas e apelativas: tudo bem se alguém acha engraçado o tipo de humor promovido por caras irritantes como Josh Gad e Kevin James – que basicamente só gritam como garotinhas e apostam em escatologias -, mas simplesmente não funciona para mim. Sandler não chega a perturbar, já que seu tipo é o mesmo em praticamente todas as suas produções e as piadas de seu personagem limitam-se a fazer referências pop (“Calado aí, Zack Efron”). Ha.

Pra piorar, enquanto seus personagens e situações são completamente ridículos (isso porque nem mencionei a pavorosa subtrama amorosa que envolve Michelle Monaghan), o longa inexplicavelmente tenta se levar a sério em seus momentos mais… Er, dramáticos? Ver Sandler perseguindo o Pac-Man num carro enquanto proclama para si mesmo num tom preocupante que “se falhar aqui, o mundo todo acaba” (eu juro que esperava um punch line) ou assumindo uma risível pose heróica num combate com o Donkey Kong inadvertivelmente transforma-se na piada mais inesperada de toda a produção. Porém, todas as subtramas que envolvem a relação de Sandler com o filho de Monaghan, a “discussão ética” sobre trapacear ou não e até discursos de amor verdadeiro, que envolvem a personagem Lady Lisa (é uma coisa tão idiota que senti voltade de xingar o roteirista em plena sessão), são igualmente hilários.

O diretor Chris Columbus até tenta trazer um pouco de ânimo com as cenas de ação, que chegam a ter certo dinamismo visual, com os planos mais unidimensionais durante o embate com Kong sendo eficientes na proposta de emular o estilo do videogame, mas não convencem quando temos protagonistas tão imbecis. Confesse, a única hora que é possível sentir algum ânimo é quando “We Will Rock You”, do Queen, começa a tocar.

Pixels começa com um conceito divertido, mas logo revela-se bobo demais para de fato funcionar, além de contar com um humor nada elegante de Adam Sandler e companhia.

Anúncios

| Contra o Tempo | Complexa e enigmática ficção científica

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2011, Ficção Científica with tags , , , , , , , , on 30 de setembro de 2011 by Lucas Nascimento


Stranger on a Train: Jake Gyllenhaal retorna diversas vezes no tempo

Eu sabia que valeria a pena prestar atenção em Duncan Jones. Filho de David Bowie, o diretor novato entregou no ano passado o excelente Lunar, e agora volta a flertar com a ficção científica com este Contra o Tempo. Partindo de um conceito muito interessante, o filme surpreende por suas decisões e seus complexos conceitos.

Na trama, o soldado do exército americano Colter Stevens é selecionado para participar em um programa conhecido como “código-fonte”, que lhe permite voltar nos últimos 8 minutos de vida de uma determinada pessoa. Com essa ferramenta, ele deve encontrar o responsável por um terrível ataque em um trem e qual será o próximo alvo do criminoso.

Realmente, quando você tem uma premissa tão empolgante quanto a desenvolvida pelo roteirista Ben Ripley (em seu primeiro trabalho para o cinema, veja só), é difícil que o resultado não saia decente. Os conceitos e ideias introduzidos por Ripley são muito interessantes e oferecem diversas e profundas discussões sobre os rumos tomados por estas – tanto científicas quanto filosóficas/morais. Um texto inteligente e com bons diálogos, mesmo que precise cair naquele momento autoexplicativo (algo que todos os filmes com ideias inovadoras são forçados a enfrentar, de fato) e alguns clichês quanto ao elemento amoroso da trama.

Com um elenco relativamente pequeno – mas muito talentoso – é fácil oferecer mais profundidade aos personagens. Jake Gyllenhaal aparece energético como nunca e cheio de expressão (gosto particularmente de seu olhar amedrontado e confuso), enquanto Michelle Monaghan aparece linda como sempre e com carisma de sobra. Como coadjuvante de luxo, Vera Farmiga acerta ao trazer um lado humano para a Oficial Goodwin.

Mas o que são bons jogadores sem um bom técnico? No caso, Duncan Jones é o responsável por capturar e dar forma, com eficiência, à complicada trama de Ripley. Dono de planos marcantes e estilosos movimentos de câmera, acerta ao repetir diversas vezes algumas cenas para quando Stevens retorna ao passado (algo no estilo de Feitiço do Tempo) e equilibrar bem a ação com o thriller. A montagem e a trilha sonora são ótimas, a passo que os efeitos visuais soam agressivamente imperfeitos.

Contando também com um enigmático final para a trama, Contra o Tempo é uma inteligente e empolgante ficção científica, marcando território em Hollywood para o talentoso diretor Duncan Jones.

É o mais perto que 2011 chegou de trazer um novo A Origem.