Arquivo para mixagem de som

| Frank | Crítica

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2015 with tags , , , , , , , , , , on 16 de abril de 2015 by Lucas Nascimento

4.0

Frank
Frank: Michael Fassbender em uma performance desafiadora

Olhe fixamente para aquela cabeça gigante acima. O que você vê? O que ela quer transmitir com sua expressão fixa de peixe morto? Bem, só sei que durante meses de antecipação para o lançamento de Frank nos cinemas nacionais, sua cabeçona se tornou um ícone dentro de meus círculos de amizades, uma resposta que simbolizaria o simples “what the fuck?”. Durante boa parte da projeção do filme do irlandês Lenny Abrahamson, é exatamente essa a sensação.

A trama começa quando o criativo, mas fracassado, Jon (Domhnall Gleeson) vai buscando oportunidades para fazer sua música. Em um show de bar, ele conhece o grupo liderado pelo enigmático Frank (Michael Fassbender), que chama a atenção por constantemente usar uma cabeça gigante que esconde seu rosto. Contratado para ser o novo tecladista, Jon logo vai se acostumando com as excentricidades do grupo, visando apresentá-los no festival musical South by Southwest.

Frank é um filme incomum. Demora para que o roteiro de Jon Ronson e Peter Straughan realmente engate e mostre a que veio, constantemente brincando com as expectativas do público (como um repentino suicídio que acaba acionando um mini road movie em pleno segundo ato) e testando sua paciência. Boa parte do segundo ato concentra-se na banda criando músicas mais experimentais na cabana de Frank, pouco avançando a história, mas divertindo imensamente por nos jogar no meio da interação daquelas diferentes figuras, construindo também um estudo interessante sobre elas.

Frank, por exemplo, revela-se uma mente fértil ao encontrar inspiração em praticamente tudo ao seu redor. A sequência em que uma porta de madeira rangendo vai lentamente transformando-se numa nova composição do grupo é inspiradora, mostrando a eficiência da montagem de Nathan Nugent e também do trabalho de mixagem de som. A criativade do adorável cabeção é sutilmente contrastada com a obsessão de Jon em ser um sucesso, já que o diretor Lenny Abrahamson aposta em eficientes passagens em que o protagonista luta para encontrar inspiração (a cena inicial, quando junta pequenos detalhes de estranhos na rua é um exemplo), quase como um impulso forçado – enquanto Frank parece criar música espontaneamente, e é revelador que seu trabalho tenha uma significativa queda de qualidade (“Frank’s Most Likeable Song Ever!”) quando o festival vai se aproximando, já que o cabeção claramente vê na música uma forma de pura expressão, não fama.

E quanto à “cabeça dentro da cabeça”, resta dizer que Michael Fassbender teve um trabalho extremamente desafiador aqui. Como criar uma boa performance, capaz de dizer e significar muito sem o recurso mais valioso de um ator: o rosto? Escondido 90% do filme atrás da cabeça inexpressiva, Fassbender dá vida à Frank ao adotar uma postura física encolhida e dura, enquanto sua voz alterna estranhamente entre monótona e feliz. Aliás, o diretor de fotografia James Mather merece aplausos não só pelo trabalho acertado nas paletas de cor, mas por sutilmente iluminar de diferentes formas – e ângulos – a cabeça de Frank, quase criando expressões diferentes na mesma; ainda que não haja nenhuma troca na peça durante o filme.

Frank é um filme que diverte por sua estranheza, e pelo fascinante estudo que oferece a seu excêntrico personagem-título. Revela-se também uma obra que explora com esperteza as dificuldades da criação artística, e o real significado desta.

ESPECIAL OSCAR 2015 Ou (Como Aprendi a Ignorar as Loucuras da Academia e Curtir o Show) | Volume Três | Sons & Música

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 16 de fevereiro de 2015 by Lucas Nascimento

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Hora de falar sobre as categorias sonoras…

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Birdman | Martín Hernández e Aaron Glascock

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Não sei se foi a sala que assisti, mas o trabalho de som em Birdman é absurdamente espetacular. Talvez a fim de capturar o ambiente de uma tomada contínua – e assim, de múltiplos ambientes em uma tomada contínua – Hernández e Glascock trazem o som do filme nítido, claro e explosivo nos momentos certos. O grande destaque certamente é a primeira aparição física do super-herói Birdman, que traz consigo um espetáculo de explosões, lasers, mísseis e até uma água robótica gigante.

  • MPSE – Edição de Música

Interestelar | Richard King

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Christopher Nolan foi para o espaço com Interestelar, mas nem por isso abaixou o volume. Temos perseguições de carro em meio a milharais, ondas colossais atacando espaçonaves e algumas súbitas explosões, e Richard King permanece eficáz ao lhe garantir o impacto necessário. O que mais fascina aqui, porém, são as cenas em que Nolan aposta no silêncio do espaço, deixando apenas a trilha de Hans Zimmer ou os diálogos dos personagens em primeiro plano: a fuga do Dr. Mann é um bom exemplo, onde uma sequência de quase 7 minutos de silêncio é abruptamente interrompida por uma assustadora explosão. Vale apontar também a cena da tempestade poeira e o design sonoro das naves espaciais (especialmente as vibrações provocadas por impactos no espaço).

Invencível | Becky Sullivan e Andrew DeCristofaro

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Não tendo despontado nas categorias principais, Invencível teve que se contentar com duas indicações nas categorias sonoras. E sinceramente, não sei se era alguma irregularidade do cinema em que assisti ao filme, mas o trabalho de edição de som não me impressionou muito. Um fato um tanto incomum considerando que temos grandes sequências envolvendo batalhas aéreas, metralhadoras e bombardeios. O grande destaque do departamento é quando Louie e seus amigos ficam presos em alto mar, dando espaço ao som de ondas e até ataques-surpresa de tubarões ferozes.

  • MPSE – Edição de Diálogo & ADR

O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos | Brent Burge e Jason Canovas

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Única indicação de A Batalha dos Cinco Exércitos ao Oscar (tornando-se o único filme da franquia da Terra Média a não ser indicado para Efeitos Visuais), o trabalho de som aqui faz o que se espera de um filme que promete uma gigantesca batalha. Temos lá exércitos de orcs, elfos, humanos e anões, além de criaturas que vão de águias até dragões cuspidores de fogo – cada um com suas respectivas armas (espadas, arcos, bastões de madeira). É uma vasta diversidade que a dupla equilibra bem, na medida que o espetáculo requer.

Sniper Americano | Alan Robert Murray e Bub Asman

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Outro tipo de trabalho que a Academia adora premiar: filmes de guerra. E no quesito de tiros, explosões e rajadas de vento, Sniper Americano não decepciona. As sequências que envolvem o silêncio do protagonista antes de um disparo letal são primorosas, especialmente quando a bala explode em um bang sutil e suave. Vale destacar também a cena em que o pelotão de Chris Kyle é surpreendido por uma feroz tempestade de areia, que torna praticamente todo diálogo inaudível.

  • MPSE – Efeitos Sonoros & Foley

APOSTA: Sniper Americano

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Invencível

MEU VOTO: Interestelar

FICOU DE FORA: Corações de Ferro

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Em um filme onde tanques de guerra são um elemento central, é de se imaginar que o som será algo absurdo. E Corações de Ferro jamais decepciona nesse quesito, trazendo belas cenas de tiroteios, explosões e até uma intensa batalha entre dois tanques ferozes. O design de som também é esforçado, já que os protagonistas passam boa parte do filme dentro da barriga de ferro que é o tanque Fury, criando também um bom ambiente sonoro.

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Birdman | Jon Taylor, Frank A. Montaño e Thomas Varga

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Uma das grandes injustiças deste Oscar reside na ausência da trilha sonora de Antonio Sanchez para Birdman. Sua música toda em percussão jazzística é composta por baterias e tambores, traduzindo com excelência o estado de espírito dos personagens e os pontos de viradas da história, encaixando-se muitíssimo bem com os demais elementos sonoros do filme. A narrativa mentalinguística até brinca com tais elementos, como quando Riggan pede que “música toque”, preenchendo todo campo sonoro com uma peça musical não-diegética, mas que torna-se diegética na imaginação do personagem. Mas meu elemento preferido certamente é o batimento de um relógio que sutilmente preenche o camarim do protagonista, de forma a lembrá-lo que a hora final se aproxima.

  • Cinema Audio Society

Interestelar | Gary A. Rizzo, Gregg Landaker e Mark Weingarten

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OK, essa é uma indicação polêmica. Para aqueles que não sabem, Interestelar sofreu diversas reclamações do público americano quanto à sua mixagem de som, atestando que a música era tão alta que os diálogos tornavam-se inaudíveis. O próprio Christopher Nolan teve que vir a público defender o trabalho – mixado do jeito que queria – , que chamou de “experimental”. Bem, realmente certas cenas sofrem desse problema (a perseguição no milharal é o melhor exemplo, já que o diálogo de Cooper é quase inaudível), mas confesso que o barulho ajudou muito na experiência sensorial do filme. A trilha de Hans Zimmer subindo, a tensão crescendo nas ações paralelas e as reviravoltas todas realmente me pegaram. Momentos como quando Cooper ouve sons da natureza na nave ou o próprio silêncio do espaço e sua revelação no mítico Tesseract também são dignos de nota.

Invencível | Jon Taylor, Frank A. Montaño e David Lee

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Como já discuti acima, Invencível traz uma série de situações que testam o protagonista, e que também oferecem espaço para que a equipe de mixagem de som explore suas oportunidades. Não acho a trilha de Alexandre Desplat particularmente memorável aqui, mas o filme até consegue se sobressair em cenas como quando Louie corre uma maratona, e a paisagem sonora é dominada por sons de respiração, passos no chão e transmissões de rádio.

Sniper Americano | John Reitz, Gregg Rudloff e Walt Martin

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Não há muita música em Sniper Americano, mas a trinca acima faz um ótimo trabalho ao criar sequências de múltiplas ações, cujos sons se misturam com habilidade. O primeiro encontro com o terrorista “Açogueiro” e o sniper inimigo rende uma das cenas mais intensas do longa, e o som que traduz o desespero das vítimas e a urgência do tiroteio é sobrenatural. Outro elemento muito interessante são as cenas em que Chris Kyle está de volta em sua casa, mas os sons de helicópteros e tiros continuam invadindo sutilmente seu cotidiano (a tomada da televisão desligada é genial, por exemplo). Ótimo trabalho.

Whiplash: Em Busca da Perfeição | Craig Mann, Ben Wilkins e Thomas Curley

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Em um filme onde a música é um dos principais componentes da história, a mixagem de som é fundamental. E a equipe representada pela trinca acima acerta ao colocar a platéia dentro dos grupos musicais ali. A cacofonia sonora durante o preparo dos instrumentos (sendo afinados, testados) é impecável, transportando a platéia diretamente para a escola Shaffer (com os gritos de Terence Fletcher quase superando a bateria insana), o minúsculo apartamento de Andrew ou a magnitude do Carnegie Hall de Nova York. Números musicais como “Caravan” e “Whiplash” se destacam pela diversidade sonora. A mixagem de som de Whiplash – Em Busca da Perfeição é, realmente, a de uma música.

  • BAFTA

APOSTA: Whiplash

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Birdman

MEU VOTO: Birdman

FICOU DE FORA: Garota Exemplar

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Os filmes de David Fincher são impecáveis e minuciosos em todos os departamentos, e o de mixagem de som é um dos mais importantes. Tendo a trilha sonora atmosférica de Trent Reznor e Atticus Ross em seu pano de fundo, Garota Exemplar é composto por diversos voice overs e cenas em que a ação fica completamente muda, dando espaço à música e alguns efeitos sonoros-chave (como a sequência da “garota descolada” em que Amy revela suas reais intenções ou a antológica cena em que o personagem de Neil Patrick Harris se encontra numa situação inesperada). Não é um trabalho que grita por atenção, mas eficaz em sua sutilidade.

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O Grande Hotel Budapeste | Alexandre Desplat

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É um grande ano para Alexandre Desplat. Além da dupla indicação por O Grande Hotel Budapeste e O Jogo da Imitação (chegaremos nesse em alguns instantes), o compositor francês também trouxe ótimos trabalhos em Caçadores de Obras-Primas, Godzilla e Invencível. Em sua mais recente contribuição com Wes Anderson, Desplat cria a trilha musical mais divertida do ano ao tomar inspiração da musicalidade do Leste Europeu, dando vida aos mais diferentes tipos de personagens (“Mr. Moustafa”, “The Family Desgoffe und Taxis”, “M. Ivan”) e às situações mais loucas (“The Cold Blooded Murder of Deputy Vilmos Kovacs”, “Canto at Gabelmeister’s Peak”). Talvez seja o melhor trabalho de Desplat até hoje.

Melhor Faixa: “The Family Desgoffe und Taxis”

  • BAFTA
  • Grammy

Interestelar | Hans Zimmer

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Já disse inúmeras vezes aqui o quanto admiro Hans Zimmer. É sem dúvida o compositor mais talentoso trabalhando atualmente, e seu trabalho para o épico sci fi de Christopher Nolan é um dos maiores feitos de sua carreira. Adotando o órgão de igreja como principal instrumento, Zimmer teça uma música intimista e que traduz sonoramente a relação pai e filha entre Cooper e Murph (“Stay”, “Day One”) ao mesmo tempo em que almeja a grandiosidade (“No Time For Caution”), o terror do misterioso (“The Wormhole”), a tensão (“Mountains”, “Imperfect Lock”) e coisas simplesmente belíssimas (“Cornfield Chase”, “Where We’re Going”). Ouvir a trilha de Interestelar é uma experiência quase religiosa, catártica.

Melhor Faixa: “Coward”

O Jogo da Imitação | Alexandre Desplat

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Segunda indicação de Desplat na noite! E sua trilha mais cerebral para O Jogo da Imitação é mais uma chance de garantir a tão merecida estatueta. Dentro do âmbio da Segunda Guerra Mundial e da Guerra Fria, Desplat oferece uma música mais delicada e intimista, usando mais do piano para sugerir o alto intelecto do protagonista Alan Turing (“The Imitation Game”, “Decrypting” e “Crosswords”). Já quando se entrega ao drama mais pesado (“Christopher Is Dead”, “The Apple”) Desplat usa algo mais tradicional, e óbvio. Entre esta e O Grande Hotel Budapeste, fico com Wes Anderson.

Melhor Faixa: “Decrypting”

Sr. Turner | Gary Yershon

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Mais uma indicação surpresa para Sr. Turner, que conseguiu ter sua trilha sonora lembrada aqui. Não era familiarizado com o trabalho de Gary Yershon, mas gostei muito do que ouvi aqui. Mesmo sem ter assistido ao filme, a trilha de Yershon funciona bem e consegue transmitir a obsessão de seu protagonista através de um longo e distorcido violino, mas sem deixar uma elegante orquestra de fora. É um misto de terror, perfeição e drama; diferente de qualquer um dos outros indicados. Yershon é uma grande revelação.

Melhor Faixa: “Action Paiting”

A Teoria de Tudo | Jóhann Jóhannsson

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Nascido na Islândia, Jóhann Jóhannsson desponta com a trilha sonora de A Teoria de Tudo, adotando o piano como seu melhor amigo para contar a história de Stephen Hawking e sua esposa, Jane. A verdade é que há pouco de realmente original no trabalho de Jóhannsson, já que este é centrado em pianos, violinos de forma a fazer o espectador se emocionar o tempo todo (diga-se, fazer chorar). Algumas faixas são realmente bonitas (“Cambridge, 1963” e “Domestic Pressures”, por exemplo), e gosto quando a música se concentra na inteligência de Hawking (“Chalkboard”, “Camping”), mas no geral é um trabalho água com açúcar.

Melhor Faixa: “Cambridge, 1963”

  • Globo de Ouro

APOSTA: O Grande Hotel Budapeste

QUEM PODE VIRAR O JOGO: A Teoria de Tudo

MEU VOTO: Interestelar

FICOU DE FORA: Garota Exemplar | Trent Reznor & Atticus Ross

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David Fincher e a dupla Trent Reznor & Atticus Ross são um caso de compatibilidade sem igual: a dupla entende perfeitamente o tom e o clima dos filmes do diretor, e não foi diferente com o suspense Garota Exemplar, que exigiu uma música mais sutil, mas ao mesmo tempo abstrata (“The Way He Looks at Me”), radical (“Technically, Missing”) e assustadora (“What Have We Done with Each Other?”). Tem até espaço para a fofura, ainda que levemente distorcida (“Sugar Storm”). A Academia só lembrou deles uma vez, infelizmente.

Melhor Faixa: Technically, Missing

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“Everything is Awesome” | Uma Aventura Lego | Shawn Patterson

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Ainda não consigo entender como Uma Aventura Lego não conseguiu uma indicação a Melhor Animação… De verdade, acredito ser puro exibicionismo da Academia. Mas a canção irritante/adorável que povoa o mundo dos personagens foi lembrada. “Everything is Awesome” (ou “Tudo é Incrível” na versão BR) é uma música divertida e ainda mais viciante do que a vencedora do ano passado (“Let it Go”, claro). É uma letra bobinha que valoriza a amizade e o trabalho em equipe, mas serve bem à temática do filme.

LETRA

Everything is awesome
Everything is cool when you’re part of a team
Everything is awesome when we’re living our dreamEverything is better when we stick together
Side by side, you and I gonna win forever, let’s party forever
We’re the same, I’m like you, you’re like me, we’re all working in harmonyEverything is awesome
Everything is cool when you’re part of a team
Everything is awesome when we’re living our dream(Wooo)
3, 2, 1. GoHave you heard the news, everyone’s talking
Life is good ‘cause everything’s awesome
Lost my job, it’s a new opportunity
More free time for my awesome communityI feel more awesome than an awesome possum
Dip my body in chocolate frostin’
Three years later, wash off the frostin’
Smellin’ like a blossom, everything is awesome
Stepped in mud, got new brown shoes
It’s awesome to win, and it’s awesome to lose (it’s awesome to lose)Everything is better when we stick together
Side by side, you and I, gonna win forever, let’s party forever
We’re the same, I’m like you, you’re like me, we’re all working in harmonyEverything is awesome
Everything is cool when you’re part of a team
Everything is awesome when we’re living our dreamBlue skies, bouncy springs
We just named two awesome things
A Nobel prize, a piece of string
You know what’s awesome? EVERYTHING!

Dogs with fleas, allergies,
A book of Greek antiquities
Brand new pants, a very old vest
Awesome items are the best

Trees, frogs, clogs
They’re awesome
Rocks, clocks, and socks
They’re awesome
Figs, and jigs, and twigs
That’s awesome
Everything you see, or think, or say
Is awesome

Everything is awesome
Everything is cool when you’re part of a team
Everything is awesome when we’re living our dream

“Glory” | Selma – Uma Luta por Igualdade | John Stephens (John Legend) e Lonnie Lynn (Common)

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Grande favorito da categoria, “Glory” é a inusitada segunda indicação de Selma no Oscar deste ano. A música de John Legend e Common mistura gospel e hip hop para homenagear não apenas a figura de Martin Luther King, mas toda a luta de classes e de raças, trazendo até espertas referências aos incidentes de Ferguson. Pessoalmente, o coro forte de Legend me atrai mais do que a proclamação firme de Common, mas é uma bela música com uma poderosa mensagem.

  • Globo de Ouro
  • Critics Choice Awards

LETRA

One day when the glory comes
It will be ours, it will be ours
Oh one day when the war is won
We will be sure, we will be sure
Oh glory (Glory, glory)
Oh (Glory, glory)

Hands to the Heavens, no man, no weapon
Formed against, yes glory is destined
Every day women and men become legends
Sins that go against our skin become blessings
The movement is a rhythm to us
Freedom is like religion to us
Justice is juxtapositionin’ us
Justice for all just ain’t specific enough
One son died, his spirit is revisitin’ us
Truant livin’ livin’ in us, resistance is us
That’s why Rosa sat on the bus
That’s why we walk through Ferguson with our hands up
When it go down we woman and man up
They say, “Stay down”, and we stand up
Shots, we on the ground, the camera panned up
King pointed to the mountain top and we ran up

One day when the glory comes
It will be ours, it will be ours
Oh one day when the war is won
We will be sure, we will be sure
Oh glory (Glory, glory)
Oh (Glory, glory)

Now the war is not over, victory isn’t won
And we’ll fight on to the finish, then when it’s all done
We’ll cry glory, oh glory (Glory, glory)
Oh (Glory, glory)
We’ll cry glory, oh glory (Glory, glory)
Oh (Glory, glory)

Selma’s now for every man, woman and child
Even Jesus got his crown in front of a crowd
They marched with the torch, we gon’ run with it now
Never look back, we done gone hundreds of miles
From dark roads he rose, to become a hero
Facin’ the league of justice, his power was the people
Enemy is lethal, a king became regal
Saw the face of Jim Crow under a bald eagle
The biggest weapon is to stay peaceful
We sing, our music is the cuts that we bleed through
Somewhere in the dream we had an epiphany
Now we right the wrongs in history
No one can win the war individually
It takes the wisdom of the elders and young people’s energy
Welcome to the story we call victory
The comin’ of the Lord, my eyes have seen the glory

One day when the glory comes
It will be ours, it will be ours
Oh one day when the war is won
We will be sure, we will be sure
Oh glory (Glory, glory)
Oh (Glory, glory)
Oh glory (Glory, glory)
Hey (Glory, glory)

When the war is won, when it’s all said and done
We’ll cry glory (Glory, glory)
Oh (Glory, glory)

“Grateful” | Além das Luzes | Diane Warren

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Diane Warren (AKA Rita Ora) abocanha sua sétima indicação na categoria, tendo emprestado sua voz para canções-tema de filmes de ação como Armageddon e Con Air. Agora, ela fornece “Grateful” para o longa musical Além das Luzes (é, também nunca ouvi falar), sobre o romance entre uma aspirante a cantora e um policial. É uma boa música, mas não me parece muito diferente das milhares de músicas pops que encontramos nas rádios americanas.

LETRA

There were a lot of tears I had to cry through
A lot of battles left me battered and bruised
And I was shattered, had my heart ripped in two
I was broken, I was broken
There were a lot of times I stumbled and crashed
When I was on the edge, down to my last chance
So many times when I was so convinced that
I was over, I was over
But I had to fall yeah
To rise above it all

I’m grateful for the storm
Made me appreciate the sun
I’m grateful for the wrong ones
Made me appreciate the right ones
I’m grateful for the pain
For everything that made me break
I’m thankful for all my scars
‘Cause they only make my heart
Grateful, grateful, grateful, grateful, grateful
Grateful

I was sinking, I was drowning in doubt
The weight all of the pain was weighing me down
Pulled it together and I pulled myself out
Learned a lesson, learned a lesson
That there’s a lot you gotta go through, hell yes
But that’s what got me strong, I got no regrets
And I’ve got only love, got no bitterness
Count my blessings, count my blessings, yeah
I’m proud of every tear, yeah
‘Cause they got me here

I’m grateful for the storm
Made me appreciate the sun
I’m grateful for the wrong ones
Made me appreciate the right ones
I’m grateful for the pain
For everything that made me break
I’m thankful for all my scars
‘Cause they only make my heart
Grateful, grateful, grateful, grateful, grateful
Grateful

There is nothing I would change
That even one mistake I made
I got lost, found myself, found my way

I’m grateful for the storm
Made me appreciate the sun
I’m grateful for the wrong ones
Made me appreciate the right ones
I’m grateful for the pain
For everything that made me break
I’m thankful for all my scars
‘Cause they only make my heart
Grateful, grateful, grateful, grateful, grateful, oh
Grateful

You know that I’m grateful
You know that I care
No time for the wrong ones
I’ll always be there
Grateful
Woah (Grateful, grateful, grateful)
I’m grateful, oh yeah (Grateful, grateful)
Oh, I’m grateful, yeah

“I’m Not Gonna Miss You” | Glenn Campbell… I’ll Be Me | Glen Campbell e Julian Raymond

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Eu nunca tinha ouvido falar em Glen Campbell até sua indicação ao Oscar pelo documentário Glenn Campbell… I’ll Be Me. Acontece que Campbell é um cantor country que agora sofre de Alzheimer, e o longa em questão nos leva aos bastidores de seu último show. “I’m Not Gonna Miss You” é bonita e se beneficia de tocar durante uma cena com lembranças de arquivo da vida de Campbell.

LETRA

I’m still here, but yet I’m gone
I don’t play guitar or sing my songs
They never defined who I am
The man that loves you ‘til the end

You’re the last person I will love
You’re the last face I will recall
And best of all, I’m not gonna miss you
Not gonna miss you

I’m never gonna hold you like I did
Or say I love you to the kids
You’re never gonna see it in my eyes
It’s not gonna hurt me when you cry

I’m never gonna know what you go through
All the things I say or do
All the hurt and all the pain
One thing selfishly remains

I’m not gonna miss you
I’m not gonna miss you

“Lost Stars” | Mesmo Se Nada Der Certo | Gregg Alexander e Danielle Brisebois

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Um dos sucessos-surpresa do ano passado, Mesmo Se Nada Der Certo é um romance indie centrado em músicos aspirantes, então faz muito sentido que o filme tenha sido lembrado aqui. “Lost Stars” é uma agradável e linda balada de rock indie, que no filme é cantada por Adam Levine. Na cena em questão, o filme quase se transforma num videoclipe, quando começa a intercalar cenas do show ao vivo de Dave com a reação de Gretta, que logo sai para andar de bicicleta pela cidade.

LETRA

Please don’t see just a boy caught up in dreams and fantasies
Please see me reaching out for someone I can’t see
Take my hand let’s see where we wake up tomorrow
Best laid plans sometimes are just a one night stand
I’d be damned Cupid’s demanding back his arrow
So let’s get drunk on our tears and

God, tell us the reason youth is wasted on the young
It’s hunting season and the lambs are on the run
Searching for meaning
But are we all lost stars, trying to light up the dark?

Who are we? Just a speck of dust within the galaxy?
Woe is me, if we’re not careful turns into reality
Don’t you dare let our best memories bring you sorrow
Yesterday I saw a lion kiss a deer
Turn the page maybe we’ll find a brand new ending
Where we’re dancing in our tears and

God, tell us the reason youth is wasted on the young
It’s hunting season and the lambs are on the run
Searching for meaning
But are we all lost stars, trying to light up the dark?

I thought I saw you out there crying
I thought I heard you call my name
I thought I heard you out there crying
Just the same

God, give us the reason youth is wasted on the young
It’s hunting season and this lamb is on the run
Searching for meaning
But are we all lost stars, trying to light up the dark?

I thought I saw you out there crying
I thought I heard you call my name
I thought I heard you out there crying

But are we all lost stars, trying to light up the dark?
But are we all lost stars, trying to light up the dark?

APOSTA: Glory

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Difícil, mas talvez I’m Not Gonna Miss You

MEU VOTO: Lost Stars

FICOU DE FORA: “Immortals” | Operação Big Hero | Fallout Boy

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Operação Big Hero é uma animação bem bacanuda, mas quando “Immortals” invade o longa durante a sequência de treinamento da equipe recém-formada, ele ameaça de se tornar algo realmente especial. A composição do grupo Fallout Boy mistura com elegância acordes japoneses com um rock pop, em total sincronia com o tema principal do filme, que envolve uma metrópole que mistura São Francisco e Tóquio.

LETRA

They say we are what we are
But we don’t have to be
I’m glad to hate you but I do it in the best way
I’ll be the watcher of the eternal flame
I’ll be the guard dog of all your fever dreams

I am the sand in the bottom half of the hourglass (glass, glass)
I try to picture me without you but I can’t
‘Cause we could be immortals, immortals
Just not for long, for long

If we meet forever now, you pull the blackout curtains down
Just not for long, for long
We could be immor-immortals, immor-immortals
Immor-immortals, immor-immortals
Immortals

Sometimes the only payoff for having any faith
Is when it’s tested again and again everyday
I’m still comparing your past to my future
It might be over, but they’re not sutures

I am the sand in the bottom half of the hourglass (glass, glass)
I try to picture me without you but I can’t
‘Cause we could be immortals, immortals
Just not for long, for long

If we meet forever now, you pull the blackout curtains down
Just not for long, for long
We could be immor-immortals, immor-immortals
Immortals

If we meet forever now, pull the blackout curtains down
We could be immor-immortals, immor-immortals
Just not for long, for long
We could be immor-immortals, immor-immortals
Immor-immortals, immor-immortals
Immortals

A última parte, sobre as categorias principais, sairá até o final da semana.

CINEMA AUDIO SOCIETY 2015: Os vencedores

Posted in Prêmios with tags , , , , , on 15 de fevereiro de 2015 by Lucas Nascimento

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A Cinema Audio Society selecionou os melhores trabalhos de Mixagem de Som no cinema do ano passado. Confira:

LONGA-METRAGEM

Birdman

ANIMAÇÃO

Operação Big Hero

CINEMA AUDIO SOCIETY AWARDS 2015: Os Indicados

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , on 13 de janeiro de 2015 by Lucas Nascimento

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Honrando o trabalho do pessoal da Mixagem de Som, o Cinema Audio Society escolheu seus finalistas para o prêmio do sindicato. Confira:

LONGA-METRAGEM

Birdman

Guardiões da Galáxia

Interestelar

Invencível

Sniper Americano

LONGA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO

Uma Aventura LEGO

Os Boxtrolls

Como Treinar o seu Dragão 2

Os Pinguins de Madagascar

Operação Big Hero

Curioso encontrar Interestelar entre os indicados, já que sua mixagem de som foi fortemente criticada nos EUA.

Os vencedores serão anunciados em 14 de Fevereiro.

Os Mestres do Oscar 2014 | Volume III: Sons & Música

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 26 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

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E chegamos ao volume 3 do especial Oscar 2013. Aqui, analisaremos as categorias de som e as musicais. Vamos nessa:

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Uma explosão não é uma explosão se ela não tiver um som ensurdecedor, certo? Manipular o som criado ou capturado é uma tarefa complicada, mas o resultado pode ser impactante. Os indicados são:

Até o Fim | Steve Boeddeker and Richard Hymns

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Deixando a performance de Robert Redford e a trilha sonora de Alex Ebert (que venceu o Globo de Ouro), a Academia deixou uma indicação de “consolo” para Até o Fim na categoria de edição de som. Ainda não assisti ao filme de J.C. Chandor (a estreia está prevista para 7 de Março, apenas), mas de longe já da pra perceber que a produção aposta em sequências de tempestades e ondas furiosas – o que sempre funciona bem em tela, especialmente quando a equipe sonora sabe o que faz (e Richard Hymns é um mestre).

Capitão Phillips | Oliver Tarney

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Mesmo que seja mais um thriller em natureza, Capitão Phillips oferece algumas cenas de ação impressionantes – e o trabalho de som nestas é impecável. O grande destaque certamente fica com as duas tentativas de invasão dos Somali ao Maersk Alabama, sendo que a segunda contou com diversas pirotecnias (jatos d’água, sinalizadores e metralhadoras) em alto mar.

  • Motion Picture Sound Editors – Edição de Diálogos e ADR

O Grande Herói | Wylie Stateman

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Filme que se tornou um queridinho por alguns críticos, O Grande Herói também não chegou às telas brasileiras ainda. Mas assim como minha análise subjetiva a Até o Fim, o filme estrelado por Mark Whalberg certamente faz um bom trabalho com suas sequências de ação, que envolvem tiroteios, explosões e quedas de helicópteros.

Gravidade | Glenn Freemantle

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O som não se propaga no vácuo, mas a equipe responsável pela sonoplastia de Gravidade encontrou formas inteligentes de não transformar o filme de Alfonso Cuarón em uma produção muda. Os efeitos sonoros são reduzidos ao mínimo e, mais importante, geralmente são exibidos de acordo com a percepção dos personagens principais: toques abafados, batidas opacas, etc, todos sob a perspectiva de alguém com capacete. Não é só cientificamente apurado, mas também é muito assustador observar os desastres espaciais sem efeitos sonoros.

  • BAFTA
  • Critics Choice Awards
  • Motion Picture Sound Editors – Melhor Foley e Edição de Efeitos Sonoros

O Hobbit: A Desolação de Smaug | Brent Burge

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Como havia comentado no volume anterior, na sessão de efeitos visuais, um dragão fez toda a diferença neste segundo Hobbit. Não só pelas poderosas cuspidas de seu lança-chamas ou seus passos largos, mas especialmente pelo excelente trabalho de Brent Burge ao modificar sutilmente a voz de Benedict Cumberbatch (já grave por natureza) a fim de tornar o dragão Smaug ainda mais ameaçador. Só a criatura nórdica já é o suficiente para a indicação, mas A Desolação de Smaug se beneficia ainda de diversas outras cenas de ação, que trazem belos efeitos sonoros de flechadas, barris, ursos e aranhas gigantes. Pena ter que bater de frente com Gravidade…

APOSTA: Gravidade

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Hobbit, talvez

MEU VOTO: Gravidade

FICOU DE FORA: Círculo de Fogo

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Quando vemos pela primeira vez os robôs colossais partindo para sair na mão com criaturas igualmente colossais em Círculo de Fogo, o espetáculo visual não é o suficiente: o design de som da equipe de Guillermo Del Toro faz jus aos confrontos violentos e monumentais, seja para retratar os elementos tecnológicos dos Jaegers, os rugidos fantásticos dos kaijus ou o rastro de destruição deixados por seus embates, o filme é daqueles que oferecem uma imersão sonora total – especialmente no IMAX.

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Ok, o filme está pronto, editado, os efeitos visuais estão finalizados e os sons no lugar. Agora vem o grande desafio da pós-produção: juntar todos os efeitos sonoros com a trilha sonora, dando espaço a cada um deles de forma apropriada. Os indicados são:

Capitão Phillips | Chris Burdon, Mark Taylor, Mike Prestwood Smith e Chris Munro

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A mixagem de Capitão Phillips colabora perfeitamente tanto com a direção quanto com a montagem, ambas intensas. No caso das camadas sonoras, o destaque fica para os diversos personagens que falam e gritam simultaneamente – especialmente no primeiro contato que o personagem de Hanks tem com os piratas, que surgem gritando em outro idioma ao passo em que a tripulação tenta acalmá-los. O exemplo comprova a busca do filme de Paul Greengrass pelo realismo quase documental, praticamente jogando o espectador dentro da ação.

O Grande Herói | Andy Koyama, Beau Borders e David Brownlow

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Repito o que disse sobre O Grande Herói na seção de Edição de Som: ainda não estreou, mas deve impressionar por suas cenas de ação.

Gravidade | Skip Lievsay, Niv Adiri, Christopher Benstead e Chris Munro

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Tendo em vista que Gravidade retrata o espaço sem som, é relativamente mais fácil para a equipe de mixadores combinar suas faixas sonoras. Aliás, em diversos momentos a trilha sonora de Steven Prince se encaixa tão bem que quase atua como um efeito sonoro diegético (mérito de sua natureza abstrata, discutiremos isso em instantes) nas cenas ambientadas no vácuo espacial, ganhando ainda mais impacto quando estas retratam os intensos acidentes com destroços – com nada, apenas a trilha e as vozes no rádio de George Clooney e Sandra Bullock como guia. É uma fórmula que se mantem ao decorrer da produção; e funciona. Maravilhosamente bem.

Cinema Audio Society

O Hobbit: A Desolação de Smaug | Christopher Boyes, Michael Hedges, Michael Semanick e Tony Johnson

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Como já havia explicitado na sessão de Edição de Som, A Desolação de Smaug oferece muito mais cenas de ação do que o antecessor, e estas são mais elaboradas e apostam também em eventos paralelos. Um exemplo de maravilha sonora é a sequência da fuga dos anões em barris: não só temos camadas de som com a água, madeira e os gritos do personagens, mas logo depois entram em cena os orcs com seus bastões e os elfos com seus arcos – sem falar na trilha sonora de Howard Shore, temperando a sequência apropriadamente.

Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum | Skip Lievsay, Greg Orloff e Peter F. Kurland

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Sempre espere um filme musical (ou com elementos do tipo) marcar presença na categoria de Mixagem de Som. O esquecido Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum se concentra na jornada de Oscar Isaac para se tornar um astro da música folk, premissa que rende diversas sequências baseadas em canções: a que traz “Please, Mr. Kennedy” é particularmente mais complicada em termos de mixagem, já que envolve três cantores simultâneos que emitem diferentes versos da letra e “efeitos sonoros” com suas bocas.

APOSTA: Gravidade

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Inside Llewyn Davis

MEU VOTO: Gravidade

FICOU DE FORA: Rush: No Limite da Emoção

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Tudo bem, eu meio que já esperava a ausência de Rush: No Limite da Emoção nas categorias principais, mas é um absurdo que o filme de Ron Howard não tenha conseguido nem uma indicação por seu eficaz trabalho de som. A área da mixagem é especialmente atraenta, graças ao belo uso da trilha sonora de Hans Zimmer durante as cenas que envolvem corridas em alta velocidades e narrações de comentaristas esportivos. Diversas faixas de áudio que combinam-se perfeitamente bem.

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Um longa-metragem não funciona da mesma maneira sem música. A trilha sonora ajuda a criar o tom, manter o ritmo e encher o espectador de emoção, complementando o que está na tela. Os indicados são:

Ela | Will Butler & Owen Pallett

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Will Butler representa a banda Arcade Fire ao lado do compositor canadense Owen Pallett para a trilha sonora de Ela. Predominantemente sutil, o trabalho da dupla aposta em acordes eletrônicos (gosto como “Milk and Honey” surge no início como preparação de terreno) e faz do piano seu principal instrumento. Como o filme em si, é uma trilha delicada e sensível, apostando principalmente no romance (“Photograph” e “Song on the Beach” são muito bonitas) e na melancolia que persegue o protagonista (“Owl“). Depois de Trent Reznor, Daft Punk, Chemichal Brothers e agora o Arcade Fire, fica a noção de que bandas andam acertando bastante em trilhas cinematográficas.

Faixa preferida: Dimensions

Gravidade | Steven Price

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Durante diversos momentos da produção, confundi a trilha sonora de Steven Price com efeitos sonoros. Só ouvindo separadamente pude perceber que tais momentos faziam parte de uma criação abstrata e incomum, responsável por definir toda a atmosfera claustrofóbica e aterrorizante do vácuo espacial em Gravidade. A música de Price assume um caráter inteiramente orgânico, assumindo tons eletrônicos distorcidos (Debris), leves notas de piano para momentos mais dramáticos (Aurora Borealis) e quando o emocionante clímax se aproxima, suas composições abraçam tons de superação (Shenzou) e o “epicamente épico” (Gravity). Ótima revelação, vamos ficar de olho em Steven Price.

Faixa preferida: Shenzou

  • BAFTA
  • Critics Choice Awards

A Menina que Roubava Livros | John Williams

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O homem onipresente na categoria… novamente é indicado e, dessa vez, em uma rara colaboração com alguém que não seja Steven Spielberg. Em sua 49ª indicação (!!), John Williams se aventura novamente no período da Segunda Guerra Mundial com a adaptação do best seller A Menina que Roubava Livros. Não assisti ao filme (e, sinceramente, meu interesse no mesmo é mínimo), mas só o tema e as poucas faixas de Williams que ouvi no Youtube comprovam: é mais um trabalho dramático e melancólico do mestre, cheio de piano e violino para traduzir musicalmente uma história pesada e triste. Que venha logo Star Wars: Episódio VII.

Faixa Preferida: One Small Fact

Philomena | Alexandre Desplat

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Após fornecer acordes mais sombrios em produções como Argo e A Hora Mais Escura, o francês Alexandre Desplat retorna à trilhas adoráveis e delicadas (como, por exemplo, a de O Discurso do Rei e Moonrise Kingdom) com a dramédia Philomena. É um trabalho energético e belo, sendo interessante observar as percussões que se assemelham a uma valsa (Philomena), as que fornecem um apropriado tom de mistério (Reminiscence), humor (Drives to Roscrea) e um pesado drama (No Thought of Ireland). O melhor trabalho de Desplat em anos.

Faixa preferida: Philomena

Walt nos Bastidores de Mary Poppins | Thomas Newman

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Surgindo como um concorrente considerável nos primórdios da corrida pelo Oscar, Walt nos Bastidores de Mary Poppins ficou só com uma indicação pela trilha sonora, assinada pelo talentoso Thomas Newman. E diante da ausência do filme em categorias principais, sua estreia no país foi adiada para 7 de Março. Tendo ouvido apenas a trilha isoladamente, nota-se a intenção de Newman em realizar um trabalho energético e que remeta à produções da Disney. Leve de se ouvir e inventiva.

Faixa Preferida: Jollification

APOSTA: Gravidade

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Walt nos Bastidores de Mary Poppins

MEU VOTO: Philomena

FICOU DE FORA: Qualquer Coisa do Hans Zimmer

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Hans Zimmer teve um dos melhores anos de sua impecável carreira em 2013. Muitos apontavam para a indicação de sua investida dramática em 12 Anos de Escravidão, mas o compositor alemão acabou ficando de fora. Além do belo trabalho rejeitado, Zimmer ainda proveu faixas memoráveis para a trilha sonora movida a guitarra de Rush: No Limite da Emoção e foi responsável por criar um novo tema para o Superman, tendo a sombra de John Williams para superar – algo que fez muitíssimo bem em O Homem de Aço.

canção

Aqui, temos as canções que são criadas especialmente para filmes, seja em longa-metragem, animação ou documentário. Confira:

“Happy” – Meu Malvado Favorito 2 | Pharrell Williams

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Ok, muita gente gosta mas eu simplesmente detesto “Happy”, de Pharrell Williams. Tampouco sou fã da franquia Meu Malvado Favorito, e nem assisti ao segundo filme – ouvi a música indicada separadamente. Não me agrada muito a letra, nem o ritmo da canção. Poderíamos ter muita coisa melhor no lugar.

LETRA

It might seem crazy what I’m ‘bout to say
Sunshine she’s here, you can take a break
Mama – hot air balloon that could go to space
With the air like I don’t care, baby, by the way

Because I’m happy…
Come along if you feel like a room without a roof
Because I’m happy…
Clap along if you feel like happiness is the truth
Because I’m happy…
Clap along if you know what happiness is to you
Because I’m happy…
Clap along if you feel like that’s what you want to do
Here comes bad news, talkin’ this and that
But give me all you’ve got, and don’t hold it back
Well, I should probably warn you, I’ll be just fine
No offense to you, don’t waste your time, here’s why…
Bring me down… can’t nothing…
Bring me down… your love is too high…
Bring me down… can’t nothing…
Bring me down, I said (let me tell you now)
Bring me down… can’t nothing…
Bring me down… your love is too high…
Bring me down… can’t nothing…
Bring me down, I said… Bring me down… can’t nothing…
Bring me down… your love is too high…
Bring me down… can’t nothing…
Bring me down, I said (let me tell you now)
http://www.youtube.com/watch?v=y6Sxv-sUYtM

“Let it Go” – Frozen: Uma Aventura Congelante | Robert Lopez & Kristen Anderson-Lopez

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Não assisti à animação Frozen: Uma Aventura Congelante, mas seria preciso viver dentro de uma caverna para não ter ao menos ouvido falar da canção “Let it Go”, que na versão original do filme é cantada pela dubladora Idina Menzel. A cena em questão (liberada pela Disney no Youtube) representa um momento importante para a protagonista e, como mero admirador, devo dizer que é uma bela canção – e que a letra composta por Robert Lopez & Kristen Anderson-Lopez é muito bonita. É a favorita, e deve ganhar.

  • Critics Choice Awards

LETRA

The snow glows white on the mountain tonight,
not a footprint to be seen.
A kingdom of isolation and it looks like I’m the queen.
The wind is howling like this swirling storm inside.
Couldn’t keep it in, Heaven knows I tried.
Don’t let them in, don’t let them see.
Be the good girl you always have to be.
Conceal don’t feel, don’t let them know.
Well, now they know!

Let it go, let it go.
Can’t hold it back anymore.
Let it go, let it go.
Turn away and slam the door.
I don’t care what they’re going to say.
Let the storm rage on.
The cold never bothered me anyway.
It’s funny how some distance,
makes everything seem small.
And the fears that once controlled me, can’t get to me at all
It’s time to see what I can do,
to test the limits and break through.
No right, no wrong, no rules for me. I’m free!

Let it go, let it go.
I am the one with the wind and sky.
Let it go, let it go.
You’ll never see me cry.
Here I stand, and here I’ll stay.
Let the storm rage on.

My power flurries through the air into the ground.
My soul is spiraling in frozen fractals all around
And one thought crystallizes like an icy blast
I’m never going back; the past is in the past!

Let it go, let it go.
And I’ll rise like the break of dawn.
Let it go, let it go
That perfect girl is gone
Here I stand, in the light of day.

Let the storm rage on!
The cold never bothered me anyway

“The Moon Song” – Ela | Karen O & Spike Jonze

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Vocalista do finado Yeah Yeah Yeahs, Karen O já surpreendia no cinema por nos presentear com um inesquecível cover de “Immigrant Song” com Trent Reznor para Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres, de David Fincher. Agora, ela se alia novamente com o cineasta (e ex-namorado) Spike Jonze para a sensível e suave “The Moon Song”, tema principal de Ela. É uma bela canção que captura a magia da relação dos protagonistas e  surge em dos mais bonitos momentos da trama, pelas vozes de Scarlett Johansson e Joaquin Phoenix.

LETRA

I’m lying on the moon
My dear, I’ll be there soon
It’s a quiet starry place
Time’s we’re swallowed up
In space we’re here a million miles away

There’s things I wish I knew
There’s no thing I’d keep from you
It’s a dark and shiny place
But with you my dear
I’m safe and we’re a million miles away

We’re lying on the moon
It’s a perfect afternoon
Your shadow follows me all day
Making sure that I’m
Okay and we’re a million miles away

“Ordinary Love” – Mandela | U2

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A popular banda U2 pode estar muito perto de faturar um Oscar com a canção-tema de Mandela (em inglês, com o subtítulo Long Walk to Freedom), cinebiografia com Idris Elba que foi praticamente esquecida pela Academia. Como o filme agora só chegará no Brasil em um lançamento direto para DVD, não sei em que momento a canção “Ordinary Love” aparece (mas aposto que seja nos créditos finais), mas posso dizer o quão bela e maravilhosa é de se ouvir. E olha que não sou nenhum obcecado com o grupo.

  • Globo de Ouro

LETRA

The sea wants to kiss the golden shore.
The sunlight warms your skin.
All the beauty that’s been lost before, wants to find us again.
I can’t fight you anymore; it’s you I’m fighting for.
The sea throws rocks together but time, leaves us polished stones.

We can’t fall any further if, we can’t feel ordinary love.
And we cannot reach any higher, if we can’t deal with ordinary love.

Birds fly high in the summer sky and rest on the breeze.
The same wind will take care of you and I, we’ll build our house in the trees.
Your heart is on my sleeve, did you put it there with a magic marker.
For years I would believe, that the world, couldn’t wash it away

Cause we can’t fall any further if, we can’t feel ordinary love.
And we cannot reach any higher, if we can’t deal with ordinary love.

Are we tough enough, for ordinary love?

We can’t fall any further if, we can’t feel ordinary love.
And we cannot reach any higher, if we can’t deal with ordinary love.

Are we tough enough, for ordinary love?
Are we tough enough, for ordinary love?
Are we tough enough, for ordinary love?

APOSTA: Let it Go

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Ordinary Love

MEU VOTO: The Moon Song

FICOU DE FORA: “I See Fire” – O Hobbit: A Desolação de Smaug | Ed Sheeran

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Um dos grandes atrativos do segundo capítulo da adaptação de O Hobbit, é a canção dos créditos executada pelo inglês Ed Sheeran. Peter Jackson sempre tem um bom gosto ao trazer artistas para compor canções baseadas em seus longas da Terra Média, e “I See Fire” sem dúvida é uma das melhores até agora. Não só traz uma temática completamente apropriada à trama de A Desolação de Smaug (fogo, dragões, pânico!), mas é simplesmente belíssima e o faz com elementos simples: vocal, violão e violino.

LETRA

Oh, misty eye of the mountain below
Keep careful watch of my brothers’ souls
And should the sky be filled with fire and smoke
Keep watching over Durin’s sons

If this is to end in fire
Then we shall burn together
Watch the flames climb higher into the night
Calling out father, oh, stand by and we will
Watch the flames burn on and on
The mountainside

And if we should die tonight
Then we should all die together
Raise a glass of wine for the last time
Calling out father, oh
Prepare as we will
Watch the flames burn on and on
The mountainside

Desolation comes upon the sky

Now I see fire
Inside the mountains
I see fire
Burning the trees
And I see fire
Hollowing souls
And I see fire
Burning the breeze
And I hope that you remember me

Oh, should my people fall then
Surely I’ll do the same
Confined in mountain halls
We got too close to the flame
Calling out father, oh
Hold fast and we will
Watch the flames burn on and on
The mountainside

Desolation comes upon the sky

Now I see fire
Inside the mountains
I see fire
Burning the trees
And I see fire
Hollowing souls
And I see fire
Burning the breeze
And I hope that you remember me

And if the night is burning
I will cover my eyes
For if the dark returns then
My brothers will die
And as the sky’s falling down
It crashed into this lonely town
And with that shadow upon the ground
I hear my people screaming out

Now I see fire
Inside the mountains
I see fire
Burning the trees
And I see fire
Hollowing souls
And I see fire
Burning the breeze

I see fire (oh you know I saw a city burning)
(Fire)
And I see fire (feel the heat upon my skin) (fire)
And I see fire (fire)
And I see fire (burn on and on the mountainside)

Menção Honrosa: Qualquer canção original de Inside Llewyn Davis.

Bem, e só nos resta mais um artigo antes da grande cerimônia… Voltem amanhã para o especial de Categorias Principais, com Roteiros, Diretores e, claro, os Filmes indicados.

Leia também:

CINEMA AUDIO SOCIETY 2014: E o vencedor é…

Posted in Prêmios with tags , , , , on 23 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

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O sindicato de Mixagem de Som (o Cinema Audio Society) divulgou hoje o vencedor de seu prêmio de 2014.

E foi Gravidade, filme que promete ser o papa-Oscars técnicos na cerimônia da Academia.

CINEMA AUDIO SOCIETY 2014: Os indicados

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , on 14 de janeiro de 2014 by Lucas Nascimento

GRAVITY

Agora é a vez do sindicato de Mixagem de Som, o Cinema Audio Society, soltar seus favoritos do ano. Confira:

LONGA-METRAGEM

Capitão Phillips

O Grande Herói

Gravidade

Homem de Ferro 3

Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum

LONGA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO

Os Croods

Frozen: Uma Aventura Congelante

Meu Malvado Favorito 2

Universidade Monstros

Os vencedores serão divulgados em 22 de Fevereiro.