Arquivo para moonrise kingdom

| O Grande Hotel Budapeste | Crítica

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2014 with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 3 de julho de 2014 by Lucas Nascimento

5.0

TheGrandBudapestHotel
Gerações: o ápice da carreira de Ralph Fiennes, a bela descoberta Tony Revolori

Foi com Moonrise Kingdom, em 2012, que adentrei no universo único e bizarro comandado pelo lorde Wes Anderson. De lá pra cá, pude conhecer melhor a carreira do diretor que inclui ainda Pura AdrenalinaTrês é Demais, Os Excêntricos Tenenbaums, A Vida Marinha com Steve Zissou, Viagem a Darjeeling e O Fantástico Sr. Raposo. Ainda me restam duas obras para conferir, mas duvido que estas possuam o charme indescritível de O Grande Hotel Budapeste.

A trama é inspirada nos trabalhos do autor austro-húngaro Stefan Zweig, e se concentra no outrora luxuoso e prestigiado hotel europeu do título. A história tem início quando um escritor (Jude Law) entrevista o atual dono do hotel (F. Murray Abraham), cujo discurso regressa à década de 30 para narrar uma história de roubo de arte decisiva para o destino do local.

Em primeiro lugar, você já deve ter parado pra olhar o pôster desse filme. Eu me pergunto: quantas vezes já vimos um elenco tão incrível, estrelado e talentoso como esse? Poucas, de fato. Falar sobre cada um dos intérpretes que dividem a tela levaria tempo, então limito-me a dizer que estão todos impecáveis, e Anderson é perfeitamente capaz de distribuir suas respectivas participações. Claro que o divertidíssimo concierge de Ralph Fiennes (naquela que é certamente a melhor performance de sua carreira) e o mensageiro vivido pelo estreante Tony Revolori dominam maior parte da narrativa, mas o estelar elenco “coadjuvante” é perfeitamente capaz de brilhar em seus pequenos momentos; o que inclui a turma habitual de Anderson, trinca formada por Bill Murray, Jason Schwartzman e Owen Wilson.

Se você comprou ingresso para um filme de Wes Anderson mas nunca ouviu falar no sujeito, saiba que o cara é um dos profissionais mais autorais da Sétima Arte. Sua obsessão milimétrica pela simetria visual surge fortíssima em O Grande Hotel Budapeste, mas dessa vez beneficiando-se do genial design de produção de Adam Stockhausen, que acerta na arquitetura quase monárquica do hotel, ao mesmo tempo em que preserva características cartunescas típicas da carreira de Anderson. Aliás, vale mencionar como o diretor e o fotógrafo Robert D. Yeoman se divertem ao brincar com as diferentes razões de aspecto da tela: desde o formato 4:3 (imagem menor, num formato quadrado) para as cenas na década de 30, até o glorioso cinemascope nas cenas mais contemporâneas. É quase uma aula sobre a evolução da câmera cinematográfica.

E mesmo com todo o perfeccionismo plástico, o roteiro de Anderson jamais deixa de fascinar com sua bizarra trama. Essencialmente uma comédia com tons de heist, investigação e até mesmo de fuga de prisão, e sempre nos surpreende por seus rumos inesperados e as diferentes e multifacetadas figuras que movem suas ações. Há de parabenizar o excepcional trabalho de montagem de Barney Pilling, que não só é eficiente ao exibir cortes e transições dinâmicas, mas também pela decisão de iniciar a projeção de forma descontínua, encontrando a justificativa nos segundos finais.

O Grande Hotel Budapeste é desde já um dos melhores trabalhos de 2014, e comprova que o invencionismo visual de Wes Anderson não atrapalha na condução de uma história que abraça o nonsense. Pelo contrário, ajuda e diverte.

Caramba, talvez seja um dos filmes mais divertidos que eu já vi na vida.

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O Incógnito Oscar 2013 | Volume IV: Categorias Principais

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 21 de fevereiro de 2013 by Lucas Nascimento

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Chegamos à parte final do meu especial sobre o Oscar 2013! Aqui, analisaremos as categorias principais, passando pelos Roteiros, Diretores e, claro, os 9 filmes indicados. Vamos lá:

OBSERVAÇÕES:

  • Clique nos nomes de cada profissional para conferir seu histórico de indicações ao Oscar
  • Abaixo de cada perfil estão os prêmios que cada filme já garantiu na respectiva categoria
  • Nas categorias de ROTEIRO ORIGINAL e ROTEIRO ADAPTADO, clique nos títulos de cada filme para seu o roteiro completo (em inglês)

roteirooriginal

Qual é o parasita mais resistente? Uma ideia. Uma ideia completamente original é muito difícil de ser encontrada atualmente, mas de vez em quando, algumas muito boas aparecem em determinados roteiros. Os indicados são:

Amor | Michael Haneke

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Assim como aconteceu com A Separação no ano passado, a indicação de Amor nestas categorias principais automaticamente garante sua vitória em Filme Estrangeiro. Já o texto de Michael Haneke em si, não é meu preferido dentre os indicados… Acho a maior parte dos diálogos monótonos e que raramente trazem temas envolventes (um exemplo raro, é quando vamos percebendo aos poucos a identidade de um ex-aluno), sendo essencialmente cotidianos. O que admiro no roteiro de Haneke são ideias que funcionam melhor visualmente, como a cama de flores ou a genial metáfora da pomba invasora. E, claro, sua chocante reviravolta.

Quotação Memorável:
“- O que você diria se ninguém aparecesse no seu funeral?
– Nada, provavelmente” – Anne, Georges

Django Livre | Quentin Tarantino

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Eu ja disse antes e repito: não há ninguém que seja capaz de escrever diálogos como Quentin Tarantino. Sua investida no gênero de faroeste ( só que aqui, a designação mais apropriada é “farosul”) preserva todos os elementos típicos de sua escrita, desde os longos e caprichados diálogos até os personagens absurdos (como o bandido que cita a Bíblia e cola páginas desta no corpo enquanto chicoteia escravos). É certo que Django Livre é uma narrativa imperfeita, visto que sofre com um leve problema estrutural próximo a seu desfecho – onde a projeção se extende após o tiroteio em Candyland. Mas mesmo assim, o longa merece a vitória graças à habilidade e inteligência de Tarantino na construção dos diálogos, sendo mestre em prolongar as interações entre personagens e trabalhar a ascenção de tensão. Personagens e situações dignos do talento do cineasta, já está bom demais.

Quotação Memorável:Senhores, já tinham minha curiosidade. Mas agora têm minha atenção” – Calvin Candie

  • Globo de Ouro
  • BAFTA
  • Critics Choice Awards – Roteiro Original

A Hora Mais Escura | Mark Boal

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Mark Boal era um jornalista freelancer antes de se converter a roteirista vencedor do Oscar. E percebe-se a marca de sua profissão anterior aqui, já que o colaborador de Kathryn Bigelow enche A Hora Mais Escura de nomes, eventos e datas; visando um retrato quase que documental da busca por Osama Bin Laden. E ainda assim, certamente há muita ficção aqui, como a teatrilidade que eu pessoalmente duvido que a agente Maya demonstrava (como sua insatisfação ao marcar uma contagem de dias na janela de seu chefe), mas não é nada sensacionalista ou evasivo. Tendo seu final reescrito durante as filmagens, o roteiro do filme traz bons diálogos e situações, mas exausta por sua vasta quantidade de informações.

Quotação Memorável: “Eu sou a ‘motherfucker’ que achou esse lugar, senhor” – Maya

  • WGA – Roteiro Original

Moonrise Kingdom | Wes Anderson e Roman Coppola

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Moonrise Kingdom foi o primeiro filme de Wes Anderson que vi na vida, e acho que a narrativa cômica e quase caricata deve se aplicar à maioria dos trabalhos do diretor/roteirista. Aliado a Roman Coppola (isso mesmo, ele é filho do grande Francis Ford), Anderson traça uma fábula inocente e dócil sobre a própria perda desta; um jovem casal que se apaixona e resolve fugir da cidade, atravessando situações divertidas, simbólicas (o gesto de “furar a orelha”, por exemplo, é revelador) e personagens excêntricos. Não vejo grandes diálogos aqui, mas traz muitas ideias que funcionam visualmente.

Quotação Memorável: “Estarei lá no fundo. Vou procurar uma árvore pra cortar.” – Sr. Bishop

O Voo | John Gatins

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A premissa elaborada por John Gatins em O Voo é muito instigante, e funciona admiravelmente bem na primeira metade da projeção. O problema é que Gatins sente a necessidade de estender a narrativa desnecessariamente, e acaba adicionando elementos comoletamente descartáveis, como a viciada em drogas Nicole. Além disso, o roteirista resolve analisar a fundo o problema de alcoolismo de seu protagonista com uma série de clichês (está lá a velha cena de despejar as bebidas no ralo da pia) que só funcionam graças à performance de Denzel Washington. Se houvessem mais cenas sobre a investigação da perícia (ou apenas elas), seria mais interessante.

Quotação Memorável: “Ninguém poderia ter aterrissado aquele avião como eu. Ninguém” – Whip

FICOU DE FORA: Looper: Assassinos do Futuro | Rian Johnson

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Em uma época em que Hollywood aposta em continuações, adaptações e remakes de tudo quanto é coisa, eis que brota Rian Johnson e oferece uma aventura de ficção científica muito competente na forma de Looper: Assassinos do Futuro. Partindo da criativa premissa em que assassinos são contratados para eliminar alvos do futuro, Johnson explora com eficiência os conceitos e leis desse universo que criou, não se preocupando em oferecer uma explicação mega-científica para realidades alternativas e viagens no tempo. Um bom roteiro, que só peca pela presença desnecessária de poderes telecinéticos…

Quotação Memorável:Eu não quero falar de viagem no tempo, porque se começarmos vamos acabar ficando o dia todo aqui, fazendo diagramas com canudinhos” – Joe do Futuro

APOSTA: Django Livre

QUEM PODE VIRAR O JOGO: A Hora Mais Escura

MEU VOTO: Django Livre

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Quando uma ideia completamente original está em falta, resta recorrer à livros, artigos, peças ou fazer continuações; podendo simplesmente adaptá-la à tela grande, ou criar algo novo a partir de seu argumento. Os indicados são:

Argo | Chris Terrio, baseado no artigo Escape from Theran: How the CIA used a Fake Sci-Fi Flick to Rescue Americans from Iran de Joshuah Bearman

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Adaptado de um artigo que relata uma história real “que só poderia ser coisa de filme”, o roteiro de Argo deveria ser o sonho de qualquer cineasta. Escrito por Chris Terrio, este faz um ótimo trabalho ao trazer diálogos inteligentes e divertidos (nesse quesito, todas as cenas que envolvem Hollywood), gerando não apenas um eficiente thriller de espionagem, mas também um filme sobre se fazer filmes. Além da inusitada mistura, Terrio ainda traz um tema que se mantém atual e proporciona uma abordagem sem julgamentos pró-EUA. Claro que com um grupo de americanos a serem resgatados no Irã, os árabes recebem um tratamento antagonista, mas nunca chega a ser algo ufanista. E em tempos pós-11 de Setembro e Primavera Árabe, isso já é motivo para parabenizá-lo. Sem falar que criou o bordão mais legal dos últimos anos: “Argofuck yourself!”.

Quotação Memorável: “Se eu vou fazer um filme de mentira, vai ser um sucesso de mentira!” – Lester Siegel

  • WGA – Roteiro Adaptado
  • BAFTA

As Aventuras de Pi | David Magee baseado no livro A Vida de Pi de Yann Martel

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Muitos julgavam Life of Pi de Yann Martel uma obra infilmável (e enquanto termino o livro, reconheço que seja uma adaptação difícil), mas o roteiro de David Magee conseguiu dar conta do recado. Adotando a clássica estrutura do sujeito que compartilha suas histórias fantásticas para um terceiro, tal recurso compensa pela ausência de diálogos e também para envolver melhor o espectador da narrativa – afinal, Pi está nos contando a história. Mas ainda que Magee traga bons momentos de humor e reviravoltas  (a maioria destes na forma de baleias e peixes voadores) em um ambiente limitado, o texto erra no mesmo ponto do livro: a demasiada exposição sobre os conceitos de diversas religiões. Probleminhas à parte, é uma adaptação eficiente e bom entretenimento, conseguindo preservar a bela mensagem sobre o desapego da vida e a presença do simbolismo no embate realidade x ficção.

Quotação Memorável: “Eu acho que no fim, a vida toda torna-se um ato de desapego, mas o que sempre me entristece é não ter um momento para se despedir”. – Pi Patel

Indomável Sonhadora | Lucy Alibar e Benh Zeitlin baseado na peça Juicy and Delicious de Lucy Alibar

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Em breve, texto em progresso!

O Lado Bom da Vida | David O. Russell, baseado no livro The Silver Linnings Playbook de Matthew Quick

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David O. Russell assume a dupla função de diretor e roteirista, e sua habilidade com as palavras e tão formidável como a que este demonstra atrás das câmeras. O diretor adapta o livro de Matthew Quick (que não li, ainda) e oferece um tratamento leve e divertido a temas delicados como transtornos psicológicos e depressão – ambos favorecidos pelos excelentes diálogos entre os carismáticos personagens -, ainda que não os transforme totalmente em uma piada. Do meio pro fim, O Lado Bom da Vida se rende a algumas decisões previsíveis e até a elementos fantásticos (como a presença de “zica” em partidas de futebol americano), mas isso não prejudica por completo o bom trabalho de O. Russell.

Quotação Memorável: É, mande o Ernest Hemingway nos ligar e pedir desculpas também!” – Pat, Sr.

Lincoln | Tony Kushner, baseado parcialmente no livro Team of Rivals: The Political Genius of Abraham Lincoln de Doris Kearns Goodwin

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Já tendo trabalhado com Steven Spielberg em Munique (que também lhe garantiu uma indicação nesta categoria, em 2006), Tony Kushner traz os eventos mais relevantes de Team of Rivals para tratar um perfil dos últimos meses da vida de Abraham Lincoln. O que me incomoda no roteiro de Lincoln é que a narrativa prefere se concentrar nas politicagens e quebra-paus acerca do processo de validação da 13a emenda (e nas práticas maquiavélicas para conseguí-la) do que no homem que nomeia o título. Mesmo que traga bons diálogos nas cenas do Congresso (especialmente as rebatidas de Tommy Lee Jones), é a relação de Lincoln com sua família que me despertou maior interesse, e esta é – infelizmente – pouco explorada.

Quotação Memorável: “Eu poderia escrever sermões mais curtos, mas quando começo tenho preguiça de parar.”

  • Critics Choice Awards – Roteiro Adaptado

FICOU DE FORA: As Vantagens de Ser Invisível | Stephen Chbosky

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É muito interessante quando o autor de um livro sai para adaptar ele próprio sua obra. No caso de Stephen Chbosky, ele não só assina o roteiro de As Vantagens de ser Invisível, mas também a direção do longa; o que lhe da o direito de fazer todas as alterações que bem entender, sem sacrificar a obra original. Na crônica de Charlie e sua entrada no ensino médio, temos aqui diálogos maravilhosos, personagens muito carismáticos e também um tratamento muito delicado e original a temas como abuso sexual, problemas psicológicos e homofobia. Mas mais do que isso, é uma bela história sobre encontrar a si mesmo.

Quotação Memorável: “Nós estamos vivos agora mesmo, e nesse momento eu juro que somos infinitos” – Charlie

APOSTA: Argo

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Lincoln

MEU VOTO: Argo

diretor

Já vimos dezenas de categorias nas quatro partes deste especial. Mas apenas uma pessoa pode ter o controle absoluto sobre ela, mudar o que quiser e comandar para atingir o resultado desejado: o diretor. Os indicados são:

Michael Haneke | Amor

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Cineasta de currículo impecável (que conta com Caché, os dois Violência Gratuita e A Fita Branca), é de se espantar que essa seja apenas a primeira indicação de Michael Haneke. Como discuti em minha crítica, o austríaco confere um tom com grande lentidão e calmaria (a ausência de música e a presença de longos planos sem cortes ajudam nesse quesito) ao longo das 2 horas de Amor e isto é essencial para que o clímax funcione tão bem, e destrua toda esse tom como uma bomba atômica. O trabalho de Haneke é muito inteligente, mas requer muita paciência de seu espectador.

Ang Lee | As Aventuras de Pi

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Seguindo os passos de James Cameron e Martin Scorsese, Ang Lee é o novo reconhecido da Academia pelo uso da tecnologia 3D. Não que esta seja algo espetacular, mas o taiwanês traz recursos visuais muito interessantes em sua adaptação de As Aventuras de Pi, como mudar a proporação da imagem – alternando entre 16:9 e 4:3 em momentos chaves – a fim de conferir efeitos tridimensionais que, literalmente, “saltam” da tela. A direção de Ang Lee é criativa e este ajuda a criar uma narrativa competente que se sustenta com lindas imagens.

David O. Russell | O Lado Bom da Vida

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Eu tinha birra com David O. Russell desde sua indicação por O Vencedor, mas agora é tudo water under the bridge após seu trabalho seguro em O Lado Bom da Vida. Sua câmera é habilidosa ao circular todos os personagens em uma cena com diversos movimentos de mão e até bruscos, servindo para salientar ora a tensão, ora o humor (o zoom que este confere a um momento chave é acertadíssimo). Acho particularmente interessante como ele usa o recurso da câmera em primeira pessoa no flashback de Pat, que não só nos coloca na pele do personagem, como também adiciona um elemento de surpresa ao desfecho da cena. Meu trabalho favorito – quem diria – entre os indicados, parabéns sr. Russell.

Steven Spielberg | Lincoln

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De todos os filmes de Steven Spielberg que já vi, Lincoln traz sua direção mais contida. O diretor acerta ao reunir um ótimo elenco e lhes proporcionar um espaço eficiente que lhes permita trabalhar bem (sua câmera é sempre bem fixa e centrada nos intérpretes) e também ao aproveitar seu gordo valor de produção com planos abertos. Não seria justo taxá-lo como “piloto-automático”, já que o diretor cria belos planos que preservam a figura icônica do presidente, mas ainda que saiba como despertar emoções genuínas nos momentos certos (como a aprovação da 13ª emenda), desmerece a vitória por decidir mostrar a morte de Abraham Lincoln de forma melodramática; ainda mais porque poderia ter encerrado o filme minutos antes, com uma bela cena que mostra o protagonista caminhando em direção à luz. Spielberg precisa voltar ao espetáculo.

Benh Zeitlin | Indomável Sonhadora

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Sua estreia na direção de longa-metragens e Benh Zeitlin já garantiu sua primeira indicação Oscar: que belo começo de carreira. Assumindo-se como “essencialmente indie”, o diretor faz uso de uma câmera sempre incessante e com diversos planos e close-ups que retratem a precariedade do ambiente principal de Indomável Sonhadora (preservando com habilidade o ótimo trabalho do design de produção sem recursos grandiloquentes). Mas felizmente Zeitlin não apega-se à melancolia ou a maniqueísmos em tais momentos, conseguindo tirar situações divertidas dos cenários mais improváveis e sobressaindo-se na direção de elenco. Vamos ver se, com seu próximo projeto, não foi sorte de principiante.

FICOU DE FORA: Quentin Tarantino | Django Livre

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Ben Affleck, Kathryn Bigelow e Paul Thomas Anderson foram incríveis ausências nesta categoria. Os três diretores fizeram trabalhos incríveis em seus respectivos filmes, mas senti mais ainda a falta de Quentin Tarantino entre os 5 indicados, já que seu comando no faroeste (sul) de Django Livre é excelente. Cheio de referências e jogadas visuais, o diretor homenageia uma série de filmes do gênero (e também de outros, como Taxi Driver e … E o Vento Levou) e utiliza de um recurso de câmera divertidíssimo: o zoom rápido. Além de manter a narrativa sempre divertida, Tarantino também separa com inteligência a “violencia cômica” da “violência séria” ao alternar a forma com que retrata ambas. Não é o melhor trabalho do diretor, mas nada menos do que digno de indicação.

APOSTA: Steven Spielberg

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Ang Lee

MEU VOTO: David O. Russell

filme

Um casal de idosos testando seu amor, espiões cinéfilos, um indiano náufrago, um escravo recém-libertado, uma agente obcecada, uma jovem sonhadora, um popular presidente americano e um grupo de miseráveis cantores estão entre os indicados ao Oscar de Melhor Filme deste ano. Vejamos:

Amor

4.0

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“Então o filme só para idosos? Não, mas requer uma experiência de vida (especialmente àquelas baseadas no sentimento-título) que um jovem à beira da maioridade ainda desconhece por completo. Fui comovido pelas ótimas performances de seu elenco e pelo tratamento que Michael Haneke fornece ao longa, mas acho que levará alguns anos para Amor me acertar em cheio.” Crítica Completa

  • Palma de Ouro – Festival de Cannes
  • Globo de Ouro – Filme Estrangeiro
  • BAFTA – Filme Estrangeiro
  • Critics Choice Awards – Filme Estrangeiro

Argo

4.5

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“Um filme sobre um resgate americano em território iraniano renderia uma propaganda ufanista e exagerada nas mãos de um diretor “Michaelbayano”, mas o diretor-ator merece aplausos por apresentar uma relativa neutralidade diante da questão abordada – questionando tanto a incapacibilidade da CIA diante do sequestro quanto a violência executada pelos revolucionários. Argo é uma ótima dramatização de um inusitado capítulo da história da CIA, tratando seus temas de forma aprofundada e acessível, além de mostrar que Ben Affleck não é só um bom diretor, mas sim um ótimo cineasta.” Crítica Completa

  • Producers Guild Awards
  • Globo de Ouro – Drama
  • Directors Guild Awards
  • BAFTA
  • Critics Choice Awards

As Aventuras de Pi

4.0

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“Competente em seu ritmo de narração e interação entre a história contada e aqueles que contam a mesma (no caso, o ótimo Irrfan Khan), As Aventuras de Pi é uma linda realização visual e também uma bela mensagem sobre o desapego da vida. Não o achei poderoso em suas manifestações divinas, mas entre o caminho racional e o fantástico proposto pelo protagonista e pelo pai deste, fico com “a do tigre”.” Crítica Completa

Django Livre

4.5

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“Movendo-se com um bom ritmo até uma conclusão um tanto exagerada, Django Livre é mais um ótimo trabalho de Quentin Tarantino, e ainda que não alcance a perfeição de Bastardos Inglórios ou Pulp Fiction, comprova a facilidade do diretor em navegar com seu estilo único através de diferentes gêneros. Vejamos o que ele vai aprontar a seguir…” Crítica Completa

A Hora Mais Escura

4.0

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“Não tenho dúvidas de que há muita ficção em A Hora Mais Escura. Mas mesmo que alguns fatos apresentados tragam uma veracidade questionável, funcionam eficientemente bem como peça de entretenimento e não do tipo que vangloria uma nação. Ao invés de comemorar euforicamente a morte de Osama Bin Laden, o filme traz de volta a questão Maquiavélica e ainda deixa no ar uma ainda mais complexa: ” e agora?” A reação ambígua de Maya, que com olhos lacrimejados e a noção de que havia concluído uma tarefa que lhe custara 12 anos de sua vida, é a prova de que o filme vai além de sua proposta.” Crítica Completa

Indomável Sonhadora

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Com diversas passagens protagonizadas por criaturas pré-históricas que marcam presença simbólica (creio eu), Indomável Sonhadora explora de forma criativa e apropriada a relação de “causa e efeito” dentro de um ecossistema, enfatizando como cada pequeno elemento pode gerar consequências devastadoras, e também como as relações familiares podem ser comparadas com tal. É o grande indie da temporada de prêmios.

O Lado Bom da Vida

4.0

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“Com uma admirável química entre os dois protagonistas e um ritmo eficiente que fazem as 2 horas de filme parecerem minutos, O Lado Bom da Vida só peca ao recorrer a clichês típicos do gênero em sua conclusão (como uma série de coincidências e elementos supersticiosos). Mas como o próprio Pat diz ao reclamar de Adeus às Armas de Hemingway: ‘a vida já é dura como é, seria pedir demais por um final feliz?’ No caso deste belo filme, é aceitável.”  Crítica Completa

Lincoln

3.0

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“Em um de seus trabalhos mais contidos e livres de maneirismos (não que isso seja uma qualidade aqui) Steven Spielberg faz de Lincoln uma aula de História americana de quase três horas. Mas mesmo com valores de produção e elenco espetaculares, o “professor” carece de um bom material didático que nos ajude a entender melhor o Lincoln Homem, e restringe seu maior impacto emocional ao povo americano.” Crítica Completa

Os Miseráveis

3.5

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“Com 168 minutos que se movem com notável lentidão, Os Miseráveis apresenta uma ótima história e um elenco espetacular, mas que é ofuscada em meio ao excesso de canções. O novo método escolhido por Tom Hooper favoreceu aos intérpretes, que dão o seu melhor em apresentações intensas, mas rendeu uma experiência difícil de se acompanhar. Nas palavras do comediante Jerry Seinfeld: ‘Não gosto desses musicais, não entendo por que cantar, quem canta? Se tem alguma coisa pra dizer, diga!'” Crítica Completa

  • Globo de Ouro – Musical/Comédia

FICOU DE FORA: O Mestre

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“Pontuado nos momentos certos pela abstrata trilha sonora de Jonny Greenwood, O Mestre é uma obra poderosa que consegue expandir sua premissa a níveis universais, sobre o Homem questionando o papel de um líder ou de uma organização; e como estes podem alterar seus instintos mais básicos. Desculpem pelo trocadilho, mas é um trabalho de Mestre.” Crítica Completa

APOSTA: Argo

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Lincoln

MEU VOTO: Argo ou Django Livre

Bem, esse foi o especial Oscar 2013, não esqueçam de fazerem suas apostas. E só pra lembrar, no dia da cerimônia (domingo, 24) estarei aqui comentando o evento ao vivo, então apareçam!

Os indicados ao OSCAR 2013

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 10 de janeiro de 2013 by Lucas Nascimento

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E a Academia de Artes e Ciências de Hollywood enfim divulgou os indicados ao maior prêmio do Cinema! Confira:

MELHOR FILME

Amor

Argo

As Aventuras de Pi

Django Livre

A Hora mais Escura

Indomável Sonhadora

O Lado Bom da Vida

Lincoln

Os Miseráveis

MELHOR DIRETOR

Michael Haneke – Amor

Ang Lee – As Aventuras de Pi

David O. Russell – O Lado Bom da Vida

Steven Spielberg – Lincoln

Benh Zeitlin – Indomável Sonhadora

MELHOR ATOR

Bradley Cooper – O Lado Bom da Vida

Daniel Day-Lewis – Lincoln

Hugh Jackman – Os Miseráveis

Joaquin Phoenix – O Mestre

Denzel Washington – O Voo

MELHOR ATRIZ

Jessica Chastain – A Hora Mais Escura

Jennifer Lawrence – O Lado Bom da Vida

Emmanuelle Riva – Amor

Quvenzhané Wallis – Indomável Sonhadora

Naomi Watts – O Impossível

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Alan Arkin – Argo

Robert DeNiro – O Lado Bom da Vida

Tommy Lee Jones – Lincoln

Phillip Seymour Hoffman – O Mestre

Christoph Waltz – Django Livre

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Amy Adams – O Mestre

Sally Field – Lincoln

Anne Hathaway – Os Miseráveis

Helen Hunt – As Sessões

Jacki Weaver – O Lado Bom da Vida

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Amor

Django Livre

A Hora Mais Escura

Moonrise Kingdom

O Voo

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Argo

As Aventuras de Pi

Indomável Sonhadora

O Lado Bom da Vida

Lincoln

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

O Amante da Rainha

Amor

Kon-Tiki

No

War Witch

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO

Detona Ralph

Frankenweenie

ParaNorman

Piratas Pirados!

Valente

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

Anna Karenina

As Aventuras de Pi

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

Lincoln

Os Miseráveis

MELHOR FOTOGRAFIA

007 – Operação Skyfall

Anna Karenina

As Aventuras de Pi

Django Livre

Lincoln

MELHOR FIGURINO

Anna Karenina

Branca de Neve e o Caçador

Espelho, Espelho Meu

Lincoln

Os Miseráveis

MELHOR MONTAGEM

Argo

As Aventuras de Pi

A Hora Mais Escura

O Lado Bom da Vida

Lincoln

MELHOR MAQUIAGEM

Hitchcock

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

Os Miseráveis

MELHORES EFEITOS VISUAIS

As Aventuras de Pi

Branca de Neve e o Caçador

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

Prometheus

Os Vingadores

MELHOR EDIÇÃO DE SOM

007 – Operação Skyfall

Argo

As Aventuras de Pi

Django Livre

A Hora Mais Escura

MELHOR MIXAGEM DE SOM

007 – Operação Skyfall

Argo

As Aventuras de Pi

Lincoln

Os Miseráveis

MELHOR TRILHA SONORA

007 – Operação Skyfall

Anna Karenina

Argo

As Aventuras de Pi

Lincoln

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

“Before my time” – Chasing Ice

“Everybody needs a best friend” – Ted

“Pi’s Lullaby” – As Aventuras de Pi

“Skyfall” – 007 – Operação Skyfall

“Suddenly” – Os Miseráveis

MELHOR DOCUMENTÁRIO

5 Broken Cameras

The Gatekeepers

How to survive a Plague

The Invisible War

Searching for Sugar Man

MELHOR DOCUMENTÁRIO CURTA-METRAGEM

Inocente

King’s Point

Mondays at Racine

Open Heart

Redemption

MELHOR CURTA-METRAGEM

Asad

Buzkashi Boys

Curfew

Death of a Shadow

Henry

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO

Adam Dog

Avião de Papel

Fresh Guacamole

Head Over Heels

Maggie Simpson in the Longest Daycare

A cerimônia do Oscar acontecerá em 24 de Fevereiro. Aguardem, pois até lá teremos críticas dos indicados e especiais sobre as categorias aqui. Até lá!

Indicados ao Producers Guild of America 2013

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , on 2 de janeiro de 2013 by Lucas Nascimento

PGA

O sindicato dos Produtores da América divulgou hoje seus indicados. Lembrando que o vencedor deste prêmio geralmente leva o Oscar de Melhor Filme, então é bom nos atentarmos à lista. Os indicados:

FILME

007 – Operação Skyfall

Argo

As Aventuras de Pi

Django Livre

A Hora Mais Escura

Indomável Sonhadora

O Lado Bom da Vida

Lincoln

Os Miseráveis

Moonrise Kingdom

ANIMAÇÃO

Detona Ralph

Frankenweenie

Paranormal

A Origem dos Guardiões

Valente

Skyfall na lista? Adorei. Os vencedores serão anunciados em 26 de Janeiro.

2012: Os Melhores dos Melhores

Posted in Melhores do Ano with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 24 de dezembro de 2012 by Lucas Nascimento

bests2012

Chegou aquela hora do ano novamente… Junte-se a mim enquanto escolho os melhores filmes de 2012, mas atenção aos critérios abaixo:

  • A lista contém apenas filmes lançados no Brasil COMERCIALMENTE (logo, filmes de 2011 que chegaram este ano nos cinemas ou home video marcam presença aqui) e alguns lançamentos estrangeiros ficaram de fora (como A Hora Mais Escura, Lincoln, Django Livre, entre muitos outros).
  • Se  não concordar com minha opinião (e isso certamente vai acontecer), fique a vontade para comentar e apresentar sua própria seleção, mas seja educado, porque comentários grosseiros serão reprovados.
  • Ainda não assisti As Aventuras de Pi (acreditem, uma verdadeira odisseia me vê-lo impediu três vezes), mas atualizarei este post (ou não, vai saber) com o filme, ainda este ano.

MELHOR FILME

10. Prometheus

10

“Prometheus é um épica e respeitosa nova entrada no universo de Alien, e também o início (?) de uma promissora nova franquia de ficção científica. Scott e seus roteiristas brincam com a ideia da criação da vida e entregam um longa do gênero que traz suspense e gore (a cena do parto, o que foi aquilo?!) como há muito não se via.”

9.  Moonrise Kingdom

mk

“Trazendo um impecável elenco cheio de rostos conhecidos (dentre os quais, Edward Norton e Bruce Willis se destacam), Moonrise Kingdom oferece uma bela reflexão e uma experiência única e difícil de se rotular. Humor e drama se misturam em uma narrativa dinâmica e fora do comum, características que devem se aplicar a todos os trabalhos de Wes Anderson.

Bem, ele acaba de ganhar mais um admirador de seu trabalho.”

8. A Invenção de Hugo Cabret

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“A Invenção de Hugo Cabret é mais do que apenas o primeiro 3D de Martin Scorsese. É uma história sobre encontrarmos nossa função no mundo e como os sonhos podem ser capturados pela incomparável magia do cinema. É uma carta de amor para o cinéfilo dentro de todos nós.”

7. Looper: Assassinos do Futuro

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“Tecnicamente satisfatório e surpreendente em suas decisões, Looper: Assassinos do Futuro é uma grande surpresa em um ano que carece de ideias originais. Explora ao extremo o conceito de viagem no tempo e promete consolidar a carreira de Rian Johnson, um nome que promete trazer boas contribuições à Sétima Arte. E o Cinema anda precisando de profissionais assim…”

6. O Artista

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“O Artista é um deleite para amantes da Sétima Arte. Não posso ser o maior especialista em cinema, mas sei que Michel Hazanavicius fez aqui uma homenagem muito especial aos primórdios da indústria cinematográfica. Uma verdadeira obra-prima.”

5. Shame

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“Shame é uma das experiências mais poderosas e devastadoras do ano. Traz um tema adulto sob o cargo de um cineasta talentoso e maduro, que explora com inteligência (e sem vergonha) as possibilidades de sua premissa e a força de seu ótimo elenco.”

4. Argo

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“Argo é uma ótima dramatização de um inusitado capítulo da história da CIA, tratando seus temas de forma aprofundada e acessível, além de mostrar que Ben Affleck não é só um bom diretor, mas também um ótimo cineasta.”

3. 007 – Operação Skyfall

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“007 – Operação Skyfall é uma bela homenagem aos 50 anos da série e também um filme maduro, bem executado e com potencial de agradar os mais variados fãs do personagem. Sua conclusão inicia uma nova era para James Bond, e o futuro parece muito promissor.”

2. Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres

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“Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres oferece tudo que a franquia literária merece, provindo um longa adulto e envolvente, catapultando a talentosa Rooney Mara ao estrelato e oferecendo, em uma rara ocasião, uma franquia blockbuster adulta.”

1. Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

FILME

Após o sucesso esmagador de seu anterior, que serviu para inspirar toda uma linhagem de longas hollywoodianos com sua abordagem “realista”, é de se admirar que Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge tenha sido realmente feito, sem soar como um caça-níquel. Explorando as conseqüências do filme de 2008 até suas possibilidades mais extremas, Christopher Nolan completa sua trilogia sobre o Homem-Morcego de forma épica e dramática, resultando em uma experiência monstruosa e que testa os limites do super-herói e a psicologia que o faz agir, ao mesmo tempo em que promove um espetáculo de cenas de ação e atuações excepcionais. Completa-se magistralmente uma trilogia que agora entra para a História.

MELHOR DIRETOR

David Fincher | Millennium –  Os Homens que Não Amavam as Mulheres

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David Fincher é um dos melhores diretores da atualidade. Vê-lo em sua zona de conforto (um thriller pesado e com serial killers no meio) ao passo em que adapta uma excelente história de mistério é muito prazeroso. Demonstrando total controle na criação de uma atmosfera sombria e arrepiante, Fincher cria belos planos e mise em scènes muito inteligentes (veja uma análise mais detalhada aqui), nunca se deixando levar pelo estilo e mantendo sempre o foco em seus personagens. Não é seu melhor trabalho no gênero (Se7en, né gente?), mas ainda comprova seu imenso talento.

Ben Affleck | Argo

Steve McQueen | Shame

Christopher Nolan | Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Rian Johnson | Looper: Assassinos do Futuro

ATOR

Michael Fassbender | Shame

FASSB

Uma das grandes injustiças do Oscar deste ano foi a ausência de Michael Fassbender por seu desafiador papel em Shame. Na pele de um sujeito solitário e viciado em sexo, o ator irlandês se entregou completamente ao roteiro e às cenas pesadas que este exigia, e sua performance é simplesmente arrasadora; carrega um olhar triste (e malicioso) durante quase toda a projeção. Fassbender é um tremendo ator, e esta é sua melhor performance até o momento.

Andrew Garfield | O Espetacular Homem-Aranha

Joseph Gordon Levitt | Looper: Assassinos do Futuro

Daniel Craig | 007 – Operação Skyfall

Brad Pitt | O Homem que Mudou o Jogo

Jean Dujardin | O Artista

Menção Honrosa: A excelente dicção de Seth McFarlane em Ted.

ATRIZ

Rooney Mara | Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres

mara

Encabeçando um dos papéis mais desafiadores dos últimos anos, a pouco conhecida Rooney Mara explodiu como a Lisbeth Salander da versão de David Fincher para Os Homens que Não Amavam as Mulheres. A atriz surge completamente exposta em cenas pesadas de estupro e adota um visual peculiar, que reflete sua performance séria e concentrada. A Salander de Mara é ainda mais agressiva do que a da sueca Noomi Rapace, e mesmo por trás dos piercings, podemos ver que a jovem tem um coração.

Michelle Williams | Sete Dias com Marilyn

Noomi Rapace | Prometheus

Emma Stone | O Espetacular Homem-Aranha

Kara Hayward | Moonrise Kingdom

ATOR COADJUVANTE

Javier Bardem | 007 – Operação Skyfall

James Bond tem uma galeria de vilões impressionante que engloba 23 filmes em 50 anos. E não há como negar: Javier Bardem e seu Silva já se tornaram ícones da franquia e o resultado é um antagonista marcante e muito interessante. Silva é um sujeito afeminado e possivelmente homossexual, e Bardem se diverte com essas características ao dotar o personagem de muito sarcasmo e imprevisibilidade, além de um visual espalhafatoso. Há uma primeira vez pra tudo, certo?

Josh Brolin | MIB – Homens de Preto III

Michael Fassbender | Prometheus

Joseph Gordon Levitt | Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Ezra Miller | As Vantagens de ser Invisível

ATRIZ COADJUVANTE

Anne Hathaway | BatmanO Cavaleiro das Trevas Ressurge

Eu não sei vocês, mas fiquei muito desconfiado quando Christopher Nolan escalou Anne Hathaway para encarnar sua versão da Mulher-Gato no último filme do Batman. Todas as primeiras impressões desapareceram quando vi a atriz encarnando a personagem de forma brilhante em um dos pontos altos do filme: quando a ladra finge ser uma vítima em meio a um tiroteio iniciado por esta (usando o arquétipo de “donzela em perigo” a seu favor). Hathaway surpreende com as diferentes facetas que oferece à Selina Kyle, e ao fim, fica claro que estamos diante da melhor interpretação que a personagem já ganhou.

Berenice Bejo | O Artista

Eva Green | Sombras da Noite

Ellen Page | Para Roma, com Amor

Penelope Cruz | Para Roma, com Amor

ROTEIRO ORIGINAL

Looper: Assassinos do Futuro | Rian Johnson

ROT

Como é bom ver uma ideia original funcionando eficientemente nas telas… Depois de O Preço do Amanhã surgir com uma premissa sensacional no ano passado (e falhar miseravelmente em seu desenvolvimento), eis que Rian Johnson bola uma trama em que assassinos utilizam de viagem no tempo para eliminar suas vítimas. Em uma mistura interessante de De Volta para o Futuro e Exterminador do Futuro, Looper traz um envolvente estudo de personagem e rumos que fazem jus ao conceito de realidades alternativas e afins. Só acho que a presença de poderes telecinéticos era descartável…

Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres | Steven Zaillian, da obra de Stieg Larsson

rot

Adaptar a obra de Stieg Larsson para as telonas não é novidade, já que o livro já havia ganho uma versão sueca em 2009. Mas é inegável que o texto do experiente Steven Zaillian seja superior ao da versão escandinava, já que não só apenas traz ótimos diálogos que respeitem o material original, mas também por não ter medo de alterar o curso da história ou detalhes de seus personagens. A forma como a trama se desenrola é muito mais dinâmica do que

FOTOGRAFIA

007 – Operação Skyfall | Roger Deakins, A.S.C.

O que dizer sobre Roger Deakins? Inubitavelmente um dos cinematógrafos mais talentosos das últimas décadas, e sua reunião com o diretor Sam Mendes para a nova missão de 007 rendeu um dos filmes mais lindos do ano. Deakins trabalha muito bem as paletas de cor em diferentes locações do filme e fornece um tratamento de obra de arte na criação de duas sequências agora icônicas: Bond lutando contra um assassino em Hong Kong (com o desenho da água-viva holográfica preechendo a tela com hipnotizantes tons azulados) e o clímax na Escócia, onde as chamas transformam os personagens em silhuetas. Aí Academia, boa oportunidade pra premiar o cara, hein?

MONTAGEM

Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres | Kirk Baxter & Angus Wall

MONT

Kirk Baxter e Angus Wall manjam de montagem. A dupla já levou um par de Oscars duas vezes consecutivas, ambos por trabalhos com David Fincher: A Rede Social e agora com Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Seguindo a meticulosa estrutura do roteiro de Steven Zaillian, a montagem do filme consegue equilibrar com maestria as narrativas completamente opostas dos protagonistas, criando um ritmo rápido e intenso, até o ponto em que estes se encontram. Vale apontar também as ótimas transições passado-presente, como aquela demarcada pelo acendimento de um cigarro.

FIGURINO

Branca de Neve e o Caçador | Colleen Atwood

costume

Terminada a sessão de Branca de Neve e o Caçador, percebi que o único aspecto do filme que me impressionara positivamente foram os vestidos da Rainha Má. A figurinista Colleen Atwood é especialista quando o assunto é a vestimenta de um personagem fantástico (ela colabora frequentemente com Tim Burton) e sua contribuição para o fraco longa de Reuben Fleischer é um dos deleites visual do mesmo.

TRILHA SONORA

Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge | Hans Zimmer

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Hans Zimmer é um monstro. O impacto que suas composições garantem às imagens conduzidas por Christopher Nolan é gigantesco, conseguindo-lhe proporcionar toda a dramaticidade e senso épico. Tudo bem que Zimmer traz de volta diversos temas que criara anteriormente com James Newton Howard (afinal, como deixar de fora o arrepiante tema que a dupla criou para o Batman?), mas só o uso do coral árabe para o personagem Bane já é a peça musical mais memorável do ano…

DIREÇÃO DE ARTE

A Invenção de Hugo Cabret | Dante Ferretti & Franscesca Lo Schiavo

art

Os habituais designers de Martin Scorsese mais uma vez impressionam com seus cenários incríveis – sendo eles reais ou digitais. Temos aqui uma recriação da Paris dos anos 20 e, ao mesmo tempo em que mantém uma fidelidade histórica (especialmente pela escala da estação de trem de Gare Montparnasse) confere apropriados toques fantásticos, como justificam a presença de enormes engrenagens de relógio e as cores com que a fotografia de Robert Richardson os conferem.

EFEITOS VISUAIS

Os Vingadores – The Avengers

EFEITOS

Em um ano onde efeitos visuais dominaram monstruosamente a maior parte das grandes produções, nenhum deles me impressionou como o de Os Vingadores. Além de verossímil nas demonstrações de poder dos personagens (seja nos voos do Homem-de-Ferro, nos raios do Thor ou nos exércitos inimigos), o longa se beneficia de trazer longas batalhas com muito green-screen e personagens digitais sem prejudicar a visão (vide os Transformers de Michael Bay) e por, enfim, trazer um Hulk digital convincente.

CANÇÃO DO ANO

“Skyfall” – 007 – Operação Skyfall | Adele

adele

Canções dos filmes de 007 são sempre um deleite a parte, e a melodia suave e profunda de Adele para Operação Skyfall é uma das melhores coisas que já aconteceu à franquia. Evocando tons mais clássicos e adequando suas letras ao clima de “encerramento” que o filme propõe, o resultado é inebriante e fica espetacular com a bela sequência de abertura. Quero ver a canção saindo vitoriosa no Oscar…

CRÉDITOS DE ABERTURA/ENCERRAMENTO

Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Uma das aberturas mais espetaculares que já vi na vida. Claramente inspirado pelas aberturas de 007 (será que foi a presença de Daniel Craig no elenco?) o Blur Studios cria uma sequência sombria e pegajosa, onde uma substância negra vai cobrindo a tela e apresentando todos os elementos marcantes da trilogia Millennium; desde seus personagens até cenas icônicas das três obras. E o eletrizante cover do “Immigrant Song” por Karen O faz toda a diferença.

USO DE 3D

A Invenção de Hugo Cabret

3d

Em sua primeira excursão pelo 3D, Martin Scorsese mostra que entende a função da tecnologia e a usa de maneira orgânica e competente. Assim como James Cameron fez em Avatar, o cinesta opta por planos em vasta profundidade e preenchimento, ao invés dos tradicionais efeitos que “atiram” objetos contra o espectador (algo divertido, convenhamos, mas mais apropriado a um parque de diversões do que uma sala de cinema).

Menção Honrosa: O 3D de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, que fica incrível graças aos 48 fps do longa.

SURPRESA DO ANO: Poder sem Limites

power

Quem diria que o subgênero do found-footage ainda teria surpresas na manga? Nas mãos do diretor Josh Trank, acompanhamos uma abordagem incrível para a tradicional premissa do “sujeito comum que ganha poderes extraordinários”, onde não só temos um exercício de estilo fascinante, mas também um estudo de personagens muito comovente. Pra mim, um filme que tinha tudo para dar errado, e acabou por tornar-se um dos melhores exemplares que o gênero já forneceu.

DECEPÇÃO DO ANO: Sombras da Noite

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Tim Burton + Johnny Depp + família sinistra com vampiros e lobisomens. Mas como é que isso deu errado? Uma fórmula perfeita foi completamente desperdiçada aqui, dando espaço a uma trama tediosa e cujas piadas limitam-se a “choques de geração” batidos do personagem principal. O elenco faz um trabalho razoável (com Eva Green, e não Depp, destacando-se), mas Burton prefere (novamente) se preocupar mais com o visual do que com a história que conta. Triste…

MELHORES TRAILERS

1. O Grande Gatsby

2. O Mestre

3. O Homem de Aço

MELHOR PÔSTER

Django Livre – Teaser Poster

DJANGO UNCHAINED

Os 5 FILMES MAIS AGUARDADOS (POR MIM) PARA 2013

Carrie – A Estranha

O Grande Gatsby

O Homem de Aço

Além da Escuridão – Star Trek

Kick-Ass 2

| Moonrise Kingdom | Wes Anderson e a ingênua perda da inocência

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2012, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , , on 12 de outubro de 2012 by Lucas Nascimento


Um Sonho de Liberdade: Na esperta referência, Edward Norton e seus escoteiros descobrem o sumiço de Sam

Nunca havia assistido a um filme de Wes Anderson antes deste Moonrise Kingdom. E só pela experiência deste longa sem título nacional, é possível notar no estilo único que o cineasta apresenta, como uma abordagem que beira o cartunesco em alguns momentos e  chama a atenção por sua bizarrice. Choque pela estética do diretor à parte, seu belo novo filme conseguiu surpreender a este que vos escreve.

A trama é ambientada em uma ilha da Nova Inglaterra em 1965, onde um jovem casal resolve fugir de suas famílias e abandonar as vidas infelizes que suportam. Em uma jornada por bosques e ilhas, eles descobrirão o amor verdadeiro.

Moonrise Kingdom não é um filme fácil de se vender. Levando em consideração a breve sinopse no parágrafo acima, não é de esperar grande (ou nova) coisa de tal premissa – afinal, já acompanhamos esse tipo de história incontáveis vezes. O diferencial é realmente o trabalho de Wes Anderson atrás das câmeras. Dotado de uma meticulosa estética visual, o diretor estabelece uma série de características que ajudam a tornar a trama interessante: longos travellings que apresentam os personagens, planos-detalhes que servem como sutil fonte de humor (reparem naquele que traz Bill Murray sentado à uma árvore) e outras gags com função dinamista – como a divertidíssima leitura de cartas.

É também de se observar as cores fortes que a fotografia de Robert D. Yeoman traz em grande parte da projeção. Dominada por tons ensolarados e suaves, a paleta confere verossimilhança ao universo criado a partir do roteiro de Roman Coppola e do próprio Anderson – repleto de casinhas com formas e cores bem definidas- e é justamente por estabelecer uma aura semi-infantil ao projeto que uma chocante concessão surge quando nos deparamos com um cão morto à flechadas, a chegada de uma assistente social (onde o tom quente é substituído por um mais azul mais frio) ou uma sequência consideravelmente forte envolvendo o casal protagonista.

O que nos leva ao principal tema abordado pelo longa: a perda da inocência. Sam e Suzy (os ótimos Jared Gilman e Kara Hayward, respectivamente) são duas crianças problemáticas nos quesitos de família e amizades e, envoltos em uma paixão inusitada, resolvem fugir, se esconder em uma floresta e se casar. Tudo isso, e ambos têm pouco mais de uma década de vida. Não é difícil encontrar as insinuações de descobrimento sexual aqui (Sam fura a orelha de Suzy com um anzol, e esta pede que faça o mesmo com a outra), mas essas são novamente bem camufladas pela direção de Anderson. Outro belo exemplo é o retrato do adultério, simbolizado aqui na forma de um cigarro.

Trazendo um impecável elenco cheio de rostos conhecidos (dentre os quais, Edward Norton e Bruce Willis se destacam), Moonrise Kingdom oferece uma bela reflexão e uma experiência única e difícil de se rotular. Humor e drama se misturam em uma narrativa dinâmica e fora do comum, características que devem se aplicar a todos os trabalhos de Wes Anderson.

Bem, ele acaba de ganhar mais um admirador de seu trabalho.

Especulando sobre o Oscar 2013

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 30 de setembro de 2012 by Lucas Nascimento

E novamente nos encontramos naquele período de especulações para o Oscar 2013! Vamos apontar aqui alguns dos principais filmes que podem, ou não, entrar na lista dos indicados para o prêmio do ano que vem. Here we go:

Argo

Terceiro filme dirigido por Ben Affleck, Argo foi elogiadíssimo no Festival de Toronto e muitos o veem como uma aposta certeira entre os cinco indicados. A trama acompanha um grupo da CIA que é enviado ao Irã para resgatar reféns, disfarçando-se de equipe de filmagem de um falso longa-metragem para infiltrar-se no território.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Adaptado, Direção de Arte, Fotografia, Montagem, Figurino, Trilha Sonora, Edição de Som e Mixagem de Som.

O Mestre

Paul Thomas Anderson traz um enigmático filme sobre a Cientologia após um intervalo de 5 anos afastado das telas – tendo realizado o sublime Sangue Negro. O filme tem sido elogiado pela maioria, enfatizando a intensidade do elenco (premiado no Festival de Veneza).

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Joaquin Phoenix), Ator Coadjuvante (Philip Seymour Hoffman), Roteiro Original, Fotografia, Trilha Sonora, Montagem, Edição de Som e Mixagem de Som.

As Aventuras de Pi

Fantasia 3D de Ang Lee, As Aventuras de Pi começou a ser exibido em alguns festivais dos EUA recentemente, e a calorosa recepção ao filme imediatamente o cotam para o Oscar. O longa adapta o best-seller de Yann Martel, trazendo um jovem que fica preso em alto mar com um tigre.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Fotografia, Direção de Arte, Montagem, Efeitos Visuais, Edição de Som, Mixagem de Som e Trilha Sonora.

A Viagem

Ambicioso projeto dos irmãos Andy e (agora) Lana Wachowski em parceria com o diretor Tom Tykwer, tem dividido os críticos que o assistiram em duas categorias: aqueles que amaram e aqueles que odiaram. É de se espantar com a gradiosidade de Cloud Atlas, que apresenta seis épocas diferentes e um elenco estelar que intepreta múltiplos personagens. Parece ousado demais para a Academia, mas quem sabe?

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Roteiro Adaptado, Fotografia, Direção de Arte, Figurino, Montagem, Maquiagem, Efeitos Visuais, Trilha Sonora, Edição de Som e Mixagem de Som

Django Livre

Novo filme do grande Quentin Tarantino, que agora ataca de faroeste sulista em (mais uma) trama de vingança e personagens excêntricos. O filme será lançado em 25 de dezembro.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Jamie Foxx, Christoph Waltz), Ator Coadjuvante (Leonardo DiCaprio), Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Figurino, Direção de Arte, Edição de Som e Mixagem de Som.

Silver Linings Playbook

Novo filme de David O. Russell (de O Vencedor), fez sucesso no festival de Toronto graças à sua inusitada mistura de humor e drama. O longa – cujo título sempre me escapa a memória – mostra a relação de um sujeito recém-retornado à casa de seus pais com uma mulher problemática.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Bradley Cooper), Atriz (Jennifer Lawrence), Ator Coadjuvante (Robert DeNiro) e Roteiro Original.

Lincoln

Cinebiografia do presidente americano Abraham Lincoln (dessa vez sem vampiros), só estreia em dezembro nas terras ianques, mas é carregado de expectativa desde sua gestação. Comandado por Steven Spielberg, o filme ainda se beneficia de trazer o monstro Daniel Day-Lewis como protagonista.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Daniel Day-Lewis), Fotografia, Direção de Arte, Montagem, Figurino, Maquiagem, Trilha Sonora, Edição de Som e Mixagem de Som.

Hitchcock

Mais um biopic promete marcar presença entre os indicados, este centrado no Mestre do Suspense e os bastidores da realização de seu mais famoso filme: Psicose. A trama é promissora e a escalação de Anthony Hopkins como “Hitch” promete tirar sua carreira do piloto-automático. No entanto, acho que o filme não vai muito longe disso e parece ser o Sete Dias com Marilyn do ano.

Possíveis Indicações: Melhor Ator (Anthony Hopkins), Atriz (Helen Mirren), Roteiro Adaptado, Fotografia e Trilha Sonora.

Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Aqui temos uma aposta arriscada. Pra falar sobre as chances do último capítulo da trilogia do Homem-Morcego comandada por Christopher Nolan, devemos voltar à 2009 e relembrarmos da importância de O Cavaleiro das Trevas. A ausência do filme entre os cinco indicados foi muito criticada e, no ano seguinte, o Oscar passa a aceitar dez filmes entre seus indicados; é evidente a influência do longa nessa mudança. Não é hora da Academia se redimir?

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Roteiro Adaptado, Fotografia, Direção de Arte, Efeitos Visuais, Trilha Sonora, Edição de Som e Mixagem de Som.

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

Retorno de Peter Jackson ao universo de J. R. R. Tolkien, a adaptação de O Hobbit será dividida em três partes. Dado o reconhecimento da Academia pela trilogia Senhor dos Anéis, acho que não seria exagero esperar que a “jornada inesperada” marque presença na festa.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Adaptado, Fotografia, Direção de Arte, Montagem, Figurino, Maquiagem, Efeitos Visuais (Smeagol is back, bitches), Trilha Sonora, Edição de Som e Mixagem de Som.

Moonrise Kingdom

Novo filme de Wes Anderson, abriu o Festival de Cannes deste ano e teve uma recepção positiva nos EUA, tanto de crítica quanto de público (o maior arrecadamento da carreira do diretor). A trama acompanha um grupo de escoteiros americanos às vésperas da Guerra do Vietnã.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Original, Fotografia, Figurino e Direção de Arte.

007 – Operação Skyfall

Nunca antes um filme de James Bond foi indicado a um Oscar fora das categorias técnicas. Sam Mendes comanda a 23ª missão do agente 007 e todos os envolvidos prometem o melhor filme da franquia, mirando em indicações ao Oscar. Quem sabe a Academia não honre o filme pelos 50 anos da série?

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Daniel Craig), Ator Coadjuvante (Javier Bardem), Roteiro Adaptado, Direção de Arte, Fotografia, Montagem, Trilha Sonora, Edição de Som e Mixagem de Som.

Outras apostas:

Prometheus – Ator Coadjuvante (Michael Fassbender), Direção de Arte, Maquiagem e Efeitos Visuais.

Os Vingadores – Efeitos Visuais

Branca de Neve e o Caçador – Figurino

MIB – Homens de Preto 3 – Melhor Direção de Arte e Maquiagem