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| Tropa de Elite 2 | Obra-Prima Nacional

Posted in Ação, Cinema, Críticas de 2010 with tags , , , , , , , , , , , on 9 de outubro de 2010 by Lucas Nascimento

     O Último grande herói: Wagner Moura encarna com perfeição o icônico Nascimento

O cinema nacional está melhorando, não há dúvida disso. Apesar de caminhar, basicamente, pelos mesmos gêneros, está se aperfeiçoando. Tropa de Elite 2 – O Inimigo agora é Outro é um marco na história do cinema nacional; não apenas supera seu antecessor, como alcança um novo nível de maturidade e novas técnicas narrativas, além de um roteiro espetacular, que equilibra perfeitamente todos os seus temas.

Mantendo o mesmo clima realista e pesado do original, a sequência merece parabéns pelo trabalho no roteiro; não preocupado em apenas criar bordões (apesar de eles existirem e serem divertidos), o texto se aprofunda na crítica social e política – retratando esquemas complexos de corrupção e as milícias – e na trajetória de seu personagem principal: Roberto Nascimento, agora coronel do BOPE enfrenta dramas familiares e no seu trabalho e Wagner Moura personifica-o de maneira genial; de um lado, a brutalidade do policial em serviço, do outro, a fragilidade que tem perto de sua família. Grande performance.

Algumas caras conhecidas do primeiro filme retornam, como André Ramiro que continua impecável como André Matias, agora capitão do BOPE. Apesar de pouco tempo em cena, o ator faz um ótimo trabalho. Milhem Cortaz apresenta um novo Capitão Fábio, Mariana Ribeiro acrescenta mais drama à ex-esposa de Nascimento, Rosanne e Irandhir Santos está ótimo como o deputado Fraga.

A direção de José Padilha continua ousada. Merece aplausos pela inquietante e longa tomada sobre Brasília, nos momentos finais do longa. O lado técnico também é ótimo: as cenas de ação são superiores – percebe-se como o orçamento deve ter aumentado – e bem orquestradas (o uso constante da câmera inquieta é impactante); o montador Daniel Rezende realiza um trabalho expepcional ao controlar tais sequências, com destaque à rebelião na prisão Bangu I, momento tenso que conta com a participação de Seu Jorge. A fotografia continua eficaz e a trilha sonora tempera cada cena de modo necessário.

Com defeitos mínusculos (em sua maioria, um ou dois personagens caricatos), Tropa de Elite 2 é um filme memorável, provavelmente o melhor longa nacional da década. Com um elenco perfeito, roteiro excepcional, a direção admirável de Padilha e a reflexão sobre a situação no país, o filme é uma obra-prima nacional.