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Os Mestres do Oscar 2014| Volume IV: Categorias Principais

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 27 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

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Chegamos à parte final do meu especial sobre o Oscar 2014! Aqui, analisaremos as categorias principais, passando pelos Roteiros, Diretores e, claro, os 9 filmes indicados. Vamos lá:

OBSERVAÇÕES:

  • Clique nos nomes de cada profissional para conferir seu histórico de indicações ao Oscar
  • Abaixo de cada perfil estão os prêmios que cada filme já garantiu na respectiva categoria
  • Nas categorias de ROTEIRO ORIGINAL e ROTEIRO ADAPTADO, clique nos títulos de cada filme para seu o roteiro completo em inglês (curiosamente, a Sony não liberou nenhum de seus 5 roteiros indicados)

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Qual é o parasita mais resistente? Uma ideia. Uma ideia completamente original é muito difícil de ser encontrada atualmente, mas de vez em quando, algumas muito boas aparecem em determinados roteiros. Os indicados são:

Blue Jasmine | Woody Allen

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Como um iniciante na vasta carreira de Woody Allen (não assisti a nem metade de seus 49 filmes), fui surpreendido por seu Blue Jasmine. Depois de 3 comédias leves, Allen aposta em uma densa tragédia de humor negro, que balança mais para o lado dramático do que o de humor, servindo como um poderoso estudo de personagem. Jasmine é a alma do projeto, sua irremediável e inevitável autodestruição, algo que o roteiro acerta ao colocá-la em situações que testam sua paciência e promovem um confronto de ideias/opiniões (vide sua irmã, o namorado desta, etc). Mas minha característica preferida aqui é o uso de digressões temporais (flashbacks) bem posicionados para revelar, aos poucos, os elementos que resultaram na queda de Jasmine da alta classe – deixando o surpreendente estopim para o final.

Quotação Memorável: “Quando a Jasmine não quer saber de alguma coisa, ela tem o hábito de olhar pro outro lado” – Ginger

Clube de Compras Dallas | Craig Borten e Melisa Wallack

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Por anos na conceituada “Black List” dos roteiros americanos, o roteiro de Clube de Compras Dallas é assinado pelos estreantes Craig Borten e Melisa Wallack, que adaptam o período da vida real do eletricista Ron Woodroof quando este descobre ser vítima do mortal vírus da AIDS – passando a contrabandear medicamentos ilegais. O texto da dupla é eficaz ao apresentar diversas críticas sobre temas como homofobia, burocracia farmacêutica, entre outros; mas é de se impressionar com o bem-vindo senso de humor excepcionalmente bem colocado na trama pesada. Sendo um filme centrado em seus personagens, é de se admirar com a eficiente construção das relações entre estes: como opiniões colidem, visões mudam e atitudes são modificadas.

Quotação Memorável: “Cuidado com o que vocês comem e quem vocês comem” – Ron Woodroof

Ela | Spike Jonze

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O mérito do roteiro de Spike Jonze já pode ser encontrado em sua fascinante premissa, que traz um sujeito depressivo apaixonado pelo sistema operacional de seu computador. Passado o choque inicial da ideia, Ela transforma-se em um estudo sensível e delicado a respeito do amor e a forma como a tecnologia pode influenciar as relações humanas – e o quão interessante pode ser a noção de uma máquina adquirir sentimentos e consciência própria. Jonze sutilmente coloca elementos de ficção científica na trama, mas se concentra principalmente em seus personagens, que protagonizam fabulosos diálogos e situações completamente inusitadas (a ideia mais inspirada certamente é o “avatar” utilizado por Samantha no mundo real, coisa de gênio). Ela traz muitas questões em suas palavras, e Jonze ganhou praticamente tudo o que é preciso ganhar para garantir uma vitória aqui. Absolutamente merecido.

Quotação Memorável: “O coração não é como uma caixa que você pode preencher; ele expande seu tamanho à medida em que você ama. Eu sou diferente de você. Mas isso não me faz te amar menos. Na verdade, me faz te amar mais ainda” – Samantha

  • WGA – Roteiro Original
  • Globo de Ouro
  • Critics Choice Awards

Nebraska |Bob Nelson

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Em seu primeiro trabalho no cinema, Bob Nelson já descolou uma indicação ao Oscar. Nada mal e merecido, já que seu texto em Nebraska é divertido e bem desenvolvido, apresentando um acertado mix de diversos temas diferentes. Há a saga de auto-satisfação do protagonista Woody Grant, as problemáticas relações familiares (pai e filho, marido e mulher, irmão e irmão), a cobiça, valores do passado e outros pequenos elementos que se complementam com eficiência ao longo da narrativa centrada. É interessante como Nelson aposta na lentidão (o que geralmente é um problema) para situar e contextualizar alguns dos personagens (especialmente a família do irmão de Woody, mergulhada na monotonia) para gerar situações engraçadas, seja através de figuras caricatas (os irmãos Bart e Cole, por exemplo) ou situações absurdas (dois “mascarados” esperando para executar um ataque). Uma história simples, mas com ótimo desenrolar.

Quotação Memorável:

“- Por que você e a mamãe tiveram filhos?
– Porque eu gostava de trepar. E a sua mãe é Católica, então já sabe” – David Grant, Woody Grant

Trapaça | Eric Singer e David O. Russell

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Nos segundos iniciais de Trapaça, um divertido letreiro alerta que “alguns desses eventos até aconteceram mesmo”. Enquanto é difícil identificar o que aconteceu e o que é pura ficção (ou se é tudo ficção, quem sabe), deve-se apontar a bipolaridade presente no texto de David O. Russell e Eric Singer. Sugeri na minha crítica que a dupla teria dividido suas funções, com Russell se dedicando mais à parte de relações pessoais (o que funciona, mas graças ao elenco) e Singer ficando a par dos elementos voltados à golpes, trapaças e dois canos fume… Não, filme errado. No fim, o roteiro de Trapaça comete o erro de tentar complicar sua trama – que é mais simples do que aparenta – e dar voltas, ao repetir frases como “Todo mundo trapaceia para sobreviver” ou diversas outras versões alternativas. O humor e os diálogos são bem acertados, porém.

Quotação Memorável: “Eu sou como um vietcongue. Estou dentro, estou fora, mas você não me vê ali.” – Irving Rosenfeld

  • BAFTA

APOSTA: Ela

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Trapaça

MEU VOTO: Ela

FICOU DE FORA: Short Term 12

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Você provavelmente nunca ouviu falar em Short Term 12, o que é uma pena. A produção indie do novato Destin Cretton é de uma qualidade fantástica, pegando a batida temática de jovens disfuncionais e oferecendo um tratamento poderoso graças à força de seus personagens e a sutileza de suas subtramas. Não está disponível no Brasil, e acho difícil que esteja tão cedo.

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Quando uma ideia completamente original está em falta, resta recorrer à livros, artigos, peças ou desenvolver continuações; podendo simplesmente adaptá-la à tela grande, ou criar algo novo a partir de seu argumento. Os indicados são:

12 Anos de Escravidão |John Ridley, baseado no livro “12 Anos de Escravidão” de Solomon Northup

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John Ridley tinha uma extraordinária história de sobrevivência em mãos. A jornada de escravidão de Solomon Northup não é uma história para os fracos de coração, e Ridley certifica-se de manter os elementos mais cruéis e brutais desta, em um retrato que mantém o foco exclusivamente em seus personagens durante os 12 anos do título. O que me chama a atenção, é a construção de seu protagonista: um homem livre desacostumado em obedecer ordens brutas e ser atacado com insultos baixos, o que leva Northup a travar diálogos excepcionalmente bem escritos com seus diferentes mestres – fator que o diferencia dentro do gênero. Toda a execução da narrativa funciona, seja na linha do protagonista ou nas subtramas (como aquela envolvendo o fazendeiro Epps e a escrava Patsey). O roteiro de Ridley é forte.

Quotação Memorável: “Eu não quero sobreviver. Eu quero viver” – Solomon

  • Critics Choice Awards
  • USC Scripter

Antes da Meia-Noite | Julie Delpy, Ethan Hawke e Richard Linklater, baseado nos personagens de Richard Linklater

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Fico triste pela ausência de Antes da Meia-Noite em mais categorias, mas ao menos seu impecável roteiro foi lembrado pela Academia. Escrito por Richard Linklater e preenchido com diversas improvisações de Ethan Hawke e Julie Delpy, a terceira parte da trilogia romântica se diferencia radicalmente dos anteriores por apresentar uma trama mais “sombria”, explorando os problemas de relacionamento entre Jesse e Celine, 18 anos após seu primeiro encontro. Elegantemente destrói a ideia de “felizes para sempre”, contando com as habituais longas conversas teatrais e aqui com mais personagens que obtém tempo de cena. Algo que, se tira o foco do casal por alguns instantes, oferece interessantes paralelos e reflexões a respeito da relação de Jesse e Celine. E outra, eu assistira facilmente ao filme que Jesse elabora brevemente.

Quotação Memorável: “Eu fodi a minha vida toda por causa do jeito que você canta” – Jesse

Capitão Phillips | Billy Ray, baseado no livro “Dever de Capitão” de Richard Phillips

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Paul Greengrass é conhecido por seu desejo de reproduzir fatos reais com fidelidade quase documental (vide seu trabalho excepcional em Voo United 93). Agora, se o roteiro de Billy Ray segue à risca todos os eventos envolvendo o sequestro do Capitão Richard Phillips é outra história, mas o que importa aqui é que seu texto cumpre o serviço; sendo capaz de prender o espectador na história – que se concentra quase que inteiramente na situação de risco do protagonista. O mais interessante, porém, foi a admirável decisão de Ray em apresentar tanto Phillips como o Muse (líder dos piratas) como seres multifacetados: em nenhum momento o líder dos piratas é visto como um vilão arquétipo, nem Phillips (ou a Marinha) como um símbolo de soberania estadunidense (uma bobagem que algumas pessoas conseguiram encontrar no filme). No fim, é o poder do choque sobre um ser humano seguro (e as ações que o despedaçam) que prevalece.

Quotação Memorável: “Eu sou o capitão agora” – Muse

  • WGA – Roteiro Adaptado

O Lobo de Wall Street | Terence Winter, baseado no livro “O Lobo de Wall Street” de Jordan Belfort

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Em cerca de 3 horas de duração, o roteiro do estreante (em cinema) Terrence Winter é eficaz ao reunir diversos eventos importantes da vida do corretor Jordan Belfort. Como leitor do livro, parabenizo Winter pelo ótimo trabalho de adaptação ao tomar liberdades criativas com a história, ao pegar diferentes elementos da história e costurá-los em um único grande evento; causando maior impacto cinematograficamente. Mas adaptações à parte, a prosa de Winter é excepcional ao trazer diálogos inteligentes (a forma delicada de como se desenrola aquele entre Jordan e um agente do FBI é tão empolgante como um duelo de armas de fogo), engraçados e completamente situados no mundo das ações de Wall Street. As digressões de seu protagonista (seja em narrações em off ou em quebras de 4ª parede) são divertidíssimas e envolventes.

Quotação Memorável: “Às vezes quando se vai bancar o vilão de James Bond, precisa estar à altura do papel” – Jordan Belfort

Philomena | Steve Coogan e Jeff Pope, baseado no livro “Philomena: A Mother, Her Son, and a Fifty-Year Search”, de Martin Sixmith

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E mais uma história real (impressionante, não? 6 dos 10 indicados de ambas as categorias são baseados em fatos verídicos) é reconhecida pela Academia, o consistente roteiro de Philomena. Seu grande mérito certamente reside nos diálogos entre os protagonistas, especialmente os divertidos choques de opiniões entre os dois; o que leva o texto de Pope e Coogan a abrir algumas discussões a respeito de religião, a repreensão de instinto sexuais, mídia e uma sombria revelação que coloca em xeque algumas práticas da antiga Igreja Católica. Mas no fim, Philomena agrada pelo tom leve e o eficiente equilíbrio entre humor e drama.

Quotação Memorável: “Nunca estive no México, mas imagino que seja adorável. Com exceção dos sequestros” – Philomena

  • BAFTA
  • Festival de Veneza

APOSTA: 12 Anos de Escravidão

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Capitão Phillips

MEU VOTO: Antes da Meia-Noite

FICOU DE FORA: The Spectacular Now | Scott Neustadter e Michael H. Weber, baseado no livro “The Spectacular Now”, de Tim Tharp

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Ainda sem previsão de lançamento em Home Video no Brasil (no cinema, muito menos), The Spectacular Now passou despercebido por diversas premiações. Uma pena, já que a adaptação de Scott Neustadter e Michael H. Weber (dupla responsável por (500) Dias com Ela) para o romance de Tim Tharp surge como uma das mais honestas, divertidas e bem feitas obras sobre amadurecimento pós-colegial, aquele drama todo. A dupla encontra na complexa figura do protagonista Sutter Keely uma oportunidade de traçar um envolvente estudo de personagem, com uma subtrama amorosa que agrada pela espontaniedade. Assistam.

diretor

Já vimos dezenas de categorias nas quatro partes deste especial. Mas apenas uma pessoa pode ter o controle absoluto sobre ela, mudar o que quiser e comandar para atingir o resultado desejado: o diretor. Os indicados são:

Alfonso Cuarón | Gravidade

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Assim como James Cameron fez em Avatar, Alfonso Cuarón desenvolveu novas tecnologias e câmeras para contar sua história em Gravidade – costumo brincar ao dizer que este dirigiu o filme numa caixa. Mas atrevo-me a dizer que o resultado alcançado pelo diretor mexicano tenha sido ainda mais fascinante do que aquele visto em 2009: Cuarón aposta em longuíssimos planos sequência onde a câmera passeia pelo ambiente e seus personagens, garantindo uma imersão completa – com belo uso do 3D – dentro da experiência. Em uma premissa limitada (dois astronautas perdidos no espaço), Cuarón realizou um dos filmes mais emocionantes de 2013.

  • DGA
  • BAFTA
  • Globo de Ouro
  • Critics Choice Awards

Steve McQueen | 12 Anos de Escravidão

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Responsável pelos excepcionais Hunger e Shame, o britânico Steve McQueen enfim parece ter entrado no radar da Academia com seu pesado e dramático 12 Anos de Escravidão. Seu trabalho ganha força por sua decisão em retratar com visceralidade todos os abusos psicológicos e físicos a que eram submetidos os escravos durante o sombrio período do século XIX, o que faz McQueen apostar em longas tomadas de açoitamentos e agressões (e algumas imagens gráficas). Mas o diretor também é extramamente competente nos quesitos técnicos, mantendo seus habituais longos takes (que aqui geram tensão ou simbolizam sutilmente uma longa passagem de tempo) e um cuidado visual detalhista.

Alexander Payne | Nebraska

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Indicado surpresa da categoria (na teoria, a vaga deveria ser de Paul Greengrass), Alexander Payne é lembrado novamente por seu tragicômico Nebraska. A começar pela decisão do diretor em gravar o filme em preto e branco, o que rendeu um tom absolutamente único para a narrativa, que conta com seu comando de forma contida, mas igualmente efetiva. Payne aposta na lentidão de cenas e diálogos para balancear um humor divertido e diversos subtemas poderosos, sendo explorados por completo meramente por mise em scènes simples ou planos detalhados.

David O. Russell | Trapaça

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Em sua terceira indicação ao Oscar na categoria, por seu terceiro filme consecutivo, David O. Russell já vai assumindo um status invejado em Hollywood. Aprecio seu trabalho, mas sua indicação por Trapaça revela um trabalho muito mais contido e centrado em seu elenco (que, repito mais uma vez, é o grande mérito da produção); não é por acaso que os planos de Russell sejam sempre mais fechados, com raríssimas tomadas abertas e movimentos de câmera que se limitam a circular entre os diálogos dos personagens. Russell aproveita o elenco e, aqui e ali, surge inspirado com algumas tomadas musicais (o destaque aqui fica com “Live and Let Die”), mas nada que eu considere espetacular a ponto de uma indicação.

Martin Scorsese | O Lobo de Wall Street

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Martin Scorsese é um monstro sagrado do Cinema, e aos 71 anos de idade recebe sua 9ª indicação na categoria, pela selvagem e frenética condução de O Lobo de Wall Street. A cinebiografia de Jordan Belfort transporta o diretor para seu território de mestre, um no qual não pisava os pés desde a década de 90, em obras como Os Bons Companheiros e Cassino (sem contar o flerte com o gênero em Os Infiltrados). Aliado de um excelente roteiro, uma poderosa atuação central e sua inseparável montadora, Scorsese traça uma narrativa repleta de elementos dinâmicos (quebra de quarta parede, narrações em off, recortes e até confusões mentais de seu protagonista), humor negro afiado e muita segurança ao abusar do conteúdo de sexo e drogas – mas nunca glorificando seu objeto de estudo. Scorsese como não víamos há tempos.

APOSTA: Alfonso Cuarón

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Steve McQueen

MEU VOTO: Alfonso Cuarón

FICOU DE FORA: Paul Greengrass | Capitão Phillips

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Paul Greengrass, como Tom Hanks, parecia uma aposta certeira para uma vaga no Oscar de direção. É uma pena que Greengrass tenha ficado de fora, já que seu comando no intenso Capitão Phillips é seguro, quase documental e de manter o espectador vidrado na cadeira. Câmera incessante, close ups em seus atores e algumas cenas de ação em alto-mar muito bem executadas.

Menções Honrosas:

Joel e Ethan Coen | Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum

Ron Howard | Rush: No Limite da Emoção

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Um homem livre escravizado, um capitão da marinha sequestrado, sistemas operacionais sedutores, astronautas perdidos, corretores da bolsa anárquicos, um pai obcecado com uma fortuna, uma mãe em busca de seu filho e um grupo de golpistas trapaceiros estão entre os indicados a Melhor Filme no Oscar 2014. Vejamos:

12 Anos de Escravidão | Brad Pitt, Dede Gardner, Jeremy Kleiner, Steve McQueen e Anthony Katagas

4.5

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“Excepcional também em seus valores de produção, 12 Anos de Escravidão é uma experiência difícil e pesada. Corajosamente pega um dos gêneros mais delicados do cinema norte-americano e oferece um tratamento visceral e que certamente será lembrado por anos, não só por sua brutalidade, mas também pela força de seu impecável protagonista e o emocionante desfecho de sua dura jornada.”

  • Producers Guild Awards (Empate)
  • Globo de Ouro – Drama
  • Critics Choice Awards
  • BAFTA

Capitão Phillips | Scott Rudin, Dana Brunetti e Michael De Luca

4.5

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Capitão Phillips é intenso do início ao fim, você sabendo ou não o desfecho da história. Tecnicamente impecável e com atuações verossímeis a ponto de nos esquecermos de que isto são apenas imagens fictícias projetadas em tela, Paul Greengrass fez aqui um dos trabalhos mais memoráveis de 2013. Filmaço.”

Clube de Compras Dallas | Robbie Brenner e Rachel Winter

3.5

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“Ao fim, Clube de Compras Dallas é uma história cativante sobre um sujeito interessante, sendo favorecida pelas esforçadas performances de seu elenco principal. O resultado seria melhor com alguns minutos a menos, mas felizmente Matthew Conaughey é bem sucedido ao carregar o filme todo nas costas.”

Ela | Megan Ellison, Spike Jonze e Vincent Landay

4.0

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“Durante suas duas horas de duração, Ela traz conceitos fascinantes e o poder de despertar as mais variadas discussões envoltas em sua narrativa. Seja na presença onipresente de tecnologia ou em sua abordagem moderna e inovadora sobre o Amor, o filme de Spike Jonze é uma obra importante, pontualmente divertida e sensível, que merece múltiplas visitas e análises mais profundas do que uma mera crítica cinematográfica.”

Gravidade | Alfonso Cuarón e David Heyman

4.5

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“Uma das melhores experiências cinematográficas de 2013, Gravidade é uma trama muito intimista e simples narrada com alguns dos recursos mais grandiloquentes que o cinema já viu. Tenso e emocionante a ponto de dar nó na garganta, Gravidade pode ser visto como o 2001: Uma Odisseia no Espaço da nossa geração, pela forma com que retrata o espaço sideral. Algo especial foi criado aqui.”

  • Producers Guild Awards (Empate)
  • Directors Guild Awards
  • BAFTA – Filme Britânico
  • Critics Choice Awards – Ficção Científica

O Lobo de Wall Street | Leonardo DiCaprio, Emma Tillinger Koskoff, Joey McFarland e Martin Scorsese

5.0

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“Com o mais inspirado uso de trilha sonora incidental em sua carreira em anos, O Lobo de Wall Street é uma frenética e implacável tragédia grega do mundo das finanças. Pode muito bem ser considerado o Bons Companheiros do gênero, mais uma fantástica adição para a carreira de Martin Scorsese. E mesmo que alguns tenham a equivocada visão de que o longa glorifica as ações repreensíveis de seu protagonista, basta observar com atenção a última tomada do filme – onde a câmera de Scorsese aponta para as reais vítimas da história. Um trabalho de mestre. Obrigado, Scorsese. Obrigado, Leo.”

Nebraska | Albert Berger e Ron Yerxa

4.0

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“No fim, é interessante observar Nebraska como uma obra sobre a auto-satisfação, mesmo que seja pautada em mentiras. Seja no suposto prêmio do protagonista, que logo desperta interesses alheios, ou em diversos momentos do último ato, o filme de Alexander Payne acerta ao analisar essa temática de forma bem-humorada e até tocante. Mas se a satisfação dos personagens aqui é fraudulenta, a do espectador diante do filme é verdadeiramente genuína.”

Philomena | Gabrielle Tana, Steve Coogan e Tracey Seaward

3.5

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“Mesmo que, aqui e ali, Frears pese a mão para arrancar algumas lágrimas, Philomena é um belo filme que encontra sustento em suas carismáticas performances centrais e o tratamento simples a temas delicados e complexos. Não é uma grande obra que será lembrada durante anos e anos, mas sem dúvidas rende um bom programa.”

Trapaça | Charles Roven, Richard Suckle, Megan Ellison e Jonathan Gordon

3.0

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“No fundo, Trapaça surge mais como uma boa oportunidade de reunir um grande elenco do que uma experiência narrativa concreta, falhando na agridoce elaboração de seu roteiro. Aqui e ali David O. Russell tenta brincar de Scorsese, mas seu grande mérito reside na liberdade que fornece a seu dream team.”

  • Globo de Ouro – Musical ou Comédia
  • SAG – Melhor Elenco
  • Critics Choice Awards – Melhor Comédia

APOSTA: 12 Anos de Escravidão

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Gravidade

MEU VOTO: O Lobo de Wall Street

FICOU DE FORA: Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum

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“Servindo como um curioso estudo de personagem que leva seu objeto do nada ao nada, Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum é uma experiência única, proporcionada por duas das maiores mentes do cinema contemporâneo. Seja em sua maestria técnica, narrativa ou em sua vibrante trilha sonora folk, o filme é tragicômico no melhor sentido da palavra.”

Menções Honrosas (porque 2013 foi foda)

Rush: No Limite da Emoção

Short Term 12

Antes da Meia-Noite

Bem, é isso! O Oscar 2014 acontece já nesse domingo de Carnaval (2), então façam suas apostas e voltem aqui para mais cobertura. Até!

Os Mestres do Oscar 2014 | Volume II: Categorias Técnicas

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 25 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

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Oscar não é só sobre as estrelas, é também para premiar o esforçado trabalho de dezenas (e até centenas) de pessoas que se dedicam às categorias técnicas de um filme. E elas são muito mais interessantes de se analisar, vamos ao segundo volume do especial:

fotografia

Ajudando a transformar a visão do diretor em realidade, o diretor de fotografia possui um dos mais importantes cargos, analisando luzes, cores, sombras, mise en scène, entre muitos outros… Os indicados são:

O Grande Mestre | Philippe Le Sourd

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Indicado surpresa da categoria, o filme de ação chinês O Grande Mestre ainda não tem previsão de estreia no país (o longa foi exibido na Mostra de São Paulo do ano passado, mas só fui descobrir agora…), portanto é difícil analisar o trabalho de Phillippe Le Sourd de uma forma que não seja puramente baseada no visual. E se esse fosse o único aspecto, uau. Só pelo trailer, as lindíssimas imagens preenchidas com névoa, chuva pesada e lutas em slow motion deixaram-me salivando. Infelizmente, só posso dizer que as imagens são espetaculares.

Razão de Aspecto: 2:35:1

Formato: 35 mm

Câmeras: Arricam LT, Cooke S4 e Lentes Angenieux Optimo
Arricam ST, Cooke S4 e Lentes Angenieux Optimo
Arriflex 435 Xtreme, Cooke S4 e Lentes Angenieux Optimo Lenses
Phantom Flex, Lentes Cooke S4 (tomadas de alta velocidade)

Gravidade | Emmanuel Lubezki

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E pertence a Gravidade o posto de representante da fotografia digital do ano, e muito provavelmente o vencedor da categoria, já que os últimos dois vencedores em Fotografia (As Aventuras de Pi e A Invenção de Hugo Cabret) contavam com o formato, além de um caprichado uso de 3D. E o resultado é realmente espetacular… Mesmo rodado inteiramente quase que inteiramente em greenscreen, o cinematógrafo Emmanuel Lubezki acerta ao talentosamente controlar a fonte do luz (em sua maioria, o sol na imensidão do espaço) sob os rostos dos atores e ao contribuir para a criação de imagens vívidas e espetaculares. Sem falar que Lubezki ainda teve que acompanhar o diretor Alfonso Cuarón na criação de planos-sequência e requintados movimentos/dispositvos de câmera – como aquele que traz Sandra Bullock rodopiando em primeiro plano.

Razão de Aspecto: 2:35:1

Formato: 65mm

Câmeras: Arri Alexa M
Arri Alexa, Panavision Primo e Lentes Zeiss Master Prime
Arriflex 765, Lentes Zeiss 765

  • American Scociety of Cinematographers
  • Critics Choice Awards
  • BAFTA

Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum | Bruno Delbonnel

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Bruno Delbonnel é dono de um estilo único. Só de se assistir a um trailer de algum trabalho que o traga na função de diretor de fotografia, é possível perceber seus marcantes traços visuais, demarcados por seus filtros de luz (até mesmo no sexto Harry Potter, que se diferencia visualmente de TODOS os outros filmes da franquia). Com a odisseia folk tragicômica de Inside Llewyn Davis, Delbonnel cria um mundo cinzento e melancólico, envolto por trevas e sombras profundas. Seus filtros também são impecáveis ao retratar um inverno verdadeiramente frio, de uma atmosfera quase onírica (especialmente nas sombrias tomadas ambientadas em estradas e em pequenos bares). A fotografia de Gravidade nos leva até o espaço, mas o trabalho de Delbonnel é coisa de outro mundo.

Razão de Aspecto: 1:85:1

Formato: 35 mm

Câmeras: Arricam LT, Lentes Cooke S4 Lenses; Arricam ST, Lentes Cooke S4

Nebraska | Phedon Papamichael

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A Academia não resiste a uma boa fotografia em preto-e-branco. Mas diferentemente dos últimos indicados do tipo (O Artista e A Fita Branca), Phedon Papamichael não dispensa as cores para simular um formato antigo, e sim para transmitir a melancolia presente na trama de Nebraska. E é impressionante a capacidade de Papamichael em capturar imagens belíssimas, comprovando como o formato preto-e-branco está longe de ser esquecido. Seja em seu bom olho para paisagens de estradas interioranas (com um céu predominantemente nublado, acentuado pelo cinza) ou sua habilidade de brincar com luzes e sombras nos momentos apropriados – remetendo constantemente ao noir – a fotografia de Nebraska me faz desejar que a Academia voltasse a dividir a categoria entre Preto e Branco e Colorido.

Razão de Aspecto: 2:35 : 1

Formato: 35 mm

Câmeras: Arri Alexa M,Lentes Panavision C-Series
Arri Alexa Plus 4:3, Panavision C-Series, Lentes ATZ e AWZ2

Os Suspeitos | Roger Deakins

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Atmosfera. Essa é a palavra-chave para definir o trabalho do veterano Roger Deakins (ainda sem Oscar) no suspense Os Suspeitos (outro filme que também merecia mais amor da Academia). Dominado por paletas de cor frias e sem vida, o visual do filme de Denis Villenueve é aterrador e perfeito para o tenso desenrolar da história. Ajuda também que Deakins capture diversas imagens dominada pelas trevas, chuvas, neve, chuvas mescladas com neve (!) e um clima predominantemente frio e cinzento. É quase como se fôssemos capazes de mergulhar naquele universo, de tão palpável (a razão de aspecto mais ampla ajuda nesse quesito). Perfeito para um dia de inverno.

Razão de Aspecto: 1.85 : 1

Formato: 35 mm

Câmeras: Arri Alexa Plus, Lentes Zeiss Master Prime
Arri Alexa Studio, Lentes Zeiss Master Prime

APOSTA: Gravidade

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Vitória certa de Gravidade aqui, mas nunca esqueçam de Deakins.

MEU VOTO: Inside Llewyn Davis

FICOU DE FORA: Só Deus Perdoa | Larry Smith

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Em muitos aspectos, Só Deus Perdoa me decepcionou bastante. História vazia, personagens opacos e uma narrativa de associação livre (há quem goste, não é meu caso) tornaram maçante a experiência do último filme de Nicolas Winding Refn; especialmente após o excepcional Drive. Mas se há um quesito excepcional na saga criminosa tailandesa é a fotografia vibrante de Larry Smith, que aposta na predominância do vermelho, trevas e as luzes de neon da cidade. É um deleite visual.

BÔNUS: Vídeo Análise

Não sou nenhum profissional na área da Fotografia, mas o autor deste belo vídeo do Fandom certamente é. Assista aqui a eficiente edição onde o comentarista analisa pequenos detalhes de cada um dos filmes indicados. Muito, muito bom:

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Para povoar a história de personagens e situações, cenários – sejam digitais ou construídos – são essenciais, assim como a equipe que os desenha/projeta antes de lhes dar vida. Os indicados são:

12 Anos de Escravidão | Adam Stockhausen & Alice Baker

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Ambientado no sul dos EUA no século XIX, o design de produção de 12 Anos de Escravidão concentra-se principalmente no visual e estrutura das plantações de algodão da época. É um trabalho notável de reconstituição de época e, além das ambientações de natureza rural, também temos flashbacks ambientados em ruas de Nova York e portos de cidades no sul. McQueen aproveita bem o trabalho de sua equipe, que jamais soa exagerado, mantendo-se fiel à História.

Ela | K.K. Barrett & Gene Serdena

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Em uma Los Angeles futurista, o design de produção de K.K. Barrett impressiona por sua sutileza e aparente simplicidade. Os cenários, objetos e prédios apresentados no romance de ficção científica Ela acertam ao trazer um design moderno que certamente os situam no futuro, mas sem exagerar a ponto de parecer uma realidade distante. Seja em detalhes simples como slides de flores em um elevador, o predomínio de cores azuis e vermelhas em paredes e vidros ou a arquitetura moderna dos edifícios (as tomadas externas inteligentemente foram gravadas em Xangai, simulando LA), o design do filme perfeitamente situa a história – sem chamar muita atenção para si, mas também sem passar despercebido.

  • Art Directors Guild – Filme Contemporâneo

O Grande Gatsby | Catherine Martin & Beverley Dunn

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Criados a partir de uma mistura eficiente entre efeitos práticos e computadorizados, os cenários e ambientes que criam a Nova York dos anos 20 de O Grande Gatsby fazem jus à grandiosidade do período. É importante observar a diferença socioeconômica é preservada nos diferentes cenários: a faraônica mansão de Gatsby, suas festas colossais e um luxuoso apartamento que acertadamente é dominado pelo vermelho – já que este é usado apenas para o adultério – que se sobressaem diante de lugares mais humildes, como o cinzento Vale das Cinzas e a pequena oficina mecânica de um dos personagens. Tudo isso servindo à visão exuberante de Baz Luhrmann.

  • Art Directors Guild – Filme de Época
  • Critics Choice Awards
  • BAFTA

Gravidade | Andy Nicholson, Rosie Goodwin & Joanne Woollard

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Quando se pensa no design de produção em Gravidade, a primeira reação é: espaço sideral. Mas então nos damos conta que, além das deslumbrantes imagens da Terra, a produção traz ainda duas estações espaciais distintas na narrativa. Seus exteriores (que incluem para-quedas, satélites e uma mecânica verossímil) impressionam, assim como as sutis diferenças e detalhes que diferenciam seus interiores; uma é russa, outra é chinesa, é divertido encontrar objetos como raquetes de ping pong (chinesa) ou fotografias espalhadas pelas paredes. O design dos veículos espaciais (como a Explorer americana, ou a sequência de despreendimentos na re-entrada) também convence, o que certamente rendeu um vasto trabalho de pesquisa por parte de Andy Nicholson e Rosie Goodwin.

  • Art Directors Guild – Filme de Fantasia

Trapaça | Judy Becker & Heather Loeffler

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Como é possível observar na montagem acima, os cenários de Trapaça são todos construídos (sem retoques aparentes com computação gráfica) e fiéis ao estilo de arquitetura da década de 70 – especialmente nas cores e na decoração de set. É um belo trabalho e que jamais soa inverossímil, mas quem deve ter se beneficiado mais do trabalho foi o elenco, já que o diretor David O. Russell não oferece planos para que admiremos o trabalho de sua equipe (uma money shot, como é conhecida), já que mantém sempre o plano fechado em seus intérpretes. Uma reconstrução de época eficiente.

APOSTA: O Grande Gatsby

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Ela

MEU VOTO: Ela

FICOU DE FORA: O Hobbit: A Desolação de Smaug | Dan Hennah, Ra Vincent e Simon Bright

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Quem acompanha o blog sabe da minha resistência à trilogia Hobbit de Peter Jackson, mas a ausência de A Desolação de Smaug na categoria é um absurdo, especialmente considerando que o trabalho aqui é muito superior àquele visto no filme anterior (indicado aqui no ano passado). A segunda aventura se destaca por trazer cenários digitais muito mais fascinantes e belos, começando pelo reino dos Elfos da floresta, até a espetacular Cidade do Lago (que surge como uma mistura de Veneza medieval com Absolutismo francês) e o confronto com o magnífico dragão Smaug em montanhas de moedas douradas. Sem falar que muitos destes cenários foram de fato construídos…

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A menos que estejamos nos referindo a uma produção pornográfica, os atores precisam de roupas; que variam de época, tamanho e estilo, adequando-se à sua narrativa e ao personagem. Os indicados são:

12 Anos de Escravidão | Patricia Norris

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A veterana Patricia Norris é a responsável pelas vestimentas dos EUA do século XIX, no drama 12 Anos de Escravidão. Não só a figurinista é eficaz ao evidenciar as óbvias diferenças sociais entre homens brancos e escravos (cujas roupas são predominantemente tecidos gastados e velhos), mas também ao separar diferentes fazendeiros. Por exemplo, o vivido por Benedict Cumberbatch é mais nobre do que a maioria de seus colegas, trajando roupas mais elegantes e bem cuidadas, diferenciando-se radicalmente daquele vivido por Michael Fassbender, cujas roupas trazem um aspecto mais desleixado e que adequam-se com sua personalidade explosiva e viciosa. Norris já foi indicada 7 vezes e nunca ganhou, acho que a hora é agora…

Costume Designers Guild – Filme de Época

O Grande Gatsby | Catherine Martin

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Ame ou odeie os filmes de Baz Luhrmann (eu estou bem aqui, no meio-termo), não como negar a beleza exótica de suas produções, em especial os figurinos concebidos por sua onipresente colaboradora (e esposa) Catherine Martin. Já tendo embarcado em períodos de época em produções como Moulin Rouge! (a virada do século XX) e Austrália (pré-Segunda Guerra), Martin embarca no sonho de todo figurinista: os ferozes anos 20. Responsável por vestimentas de centenas de figurantes, Martin mistura a pesquisa histórica do elegante período com o toque excêntrico de Luhrmann – rendendo divertidas criações. Vale apontar seu cuidado com as cores, também: Daisy, por exemplo, surje sempre em tons delicados de branco e rosa, enquanto a personagem de Myrtle (adúltera) é dominada pelo vermelho – rendendo um poderoso contraste com sua moradia cinzenta.

  • Critics Choice Awards
  • BAFTA

O Grande Mestre | William Chang

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Segunda categoria que o inédito O Grande Mestre conta na premiação, é na confecção de William Chang para um figurino que reconstitua com fidelidade o período da China na década de 30. Bem, como o filme ainda não estreou, fica difícil avaliar o trabalho de Chang (já que nem muitas imagens de divulgação consegui encontrar).

The Invisible Woman | Michael O’Connor

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E o que seria da categoria de Melhor Figurino sem um candidato centrado nas vestimentas européias do século XIX? O especialista Michael O’Connor é o responsável por vestir os personagens do inédito The Invisible Woman (ainda sem previsão de estreia no Brasil), filme dirigido por Ralph Fiennes que o coloca na pele de um apaixonado Charles Dickens, que acaba por manter uma paixão escondida no auge de sua carreira. Bem, a reconstituição de época parece acertada (Connor já levou a estatueta por um trabalho similar, em A Duquesa), mas análises mais detalhadas só são possíveis após conferir o filme.

Trapaça | Michael Wilkinson

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Anos 20 são de matar, mas não deixemos de lado a psicodélica moda dos anos 70, representada muitíssimo bem em Trapaça. Pra começar que o figurino tem um papel importante dentro da história, já que Irving Rosenfeld é dono de uma tinturaria e preenche seu guardarroupas com casacos e paletós deixados para trás. Michael Wilkinson ainda confere uma vasta variedade de vestimentas, acertando especilamente naqueles vestidos por suas atrizes: a personagem de Amy Adams surge sempre com blusas e vestidos dotados de um decote hipnotizante, enquanto a de Jennifer Lawrence tem importante ajuda dos figurinos para demarcar sua idade e persona – no caso, a de dona-de-casa.

APOSTA: 12 Anos de Escravidão

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Grande Gatsby

MEU VOTO: O Grande Gatsby

FICOU DE FORA: Jogos Vorazes: Em Chamas | Trish Summerville

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A franquia Jogos Vorazes é notória pelo visual cartunesco e bizarro de seus personagens, em um exarcebamento distópico das modas “coloridas” que antigem certos grupos sociais. No primeiro filme esse aspecto já era interessante, mas com a entrada de Trish Summerville (que trabalhou em Hollywood ao vestir os personagens de Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres) as vestimentas de Em Chamas ganham maior personalidade e apostam em estilos distintos e que conseguem até uma certa lógica; não é só colorido e espalhafatoso, Summervile consegue tecer um padrão de moda para o futuro distópico de Panem.

montagem

Se há um departamento que é essencial – e também um dos meus preferidos – é a montagem. É preciso habilidade para montar o filme, lhe fornecer o ritmo e tom apropriado e, claro, eliminar cenas desnecessárias. Os indicados são:

12 Anos de Escravidão | Joe Walker

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Tendo uma narrativa ambientada em 12 anos de duração, o montador Joe Walker é o responsável por manter os eventos mais relevantes (escolhidos dentro do roteiro de John Ridley) e oferecer o ritmo apropriado à trama dramática do filme de Steve McQueen. Vale apontar o uso controlado de flashbacks a respeito da vida do protagonista, especialmente em seu cotidiano e ao explicitar a forma como sua captura se deu. Estrutura narrativa à parte, Walker é eficaz também ao fornecer a intensidade necessária em determinadas sequências, ausentando cortes (McQueen gosta de longas tomadas) ou reduzindo-os ao mínimo, o que garante fluidez às cenas. Mas meu exemplo favorito aqui é um longo plano que traz Solomon de frente à câmera, em um eficiente recurso de passagem do tempo.

Capitão Phillips | Christopher Rouse

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Frequente colaborador de Paul Greengrass, Christopher Rouse mantém seu tradicional estilo (presente em todos os filmes do diretor) em Capitão Phillips: o excesso de cortes, que se manifestam quase que suavemente graças à direção marcada pela técnica “câmera na mão”. Desnecessário dizer que seja uma aliança de artíficios que consegue eficientemente criar uma áurea constante de tensão. Rouse sempre mantém o foco na trama central de Richard Phillips, evitando o excesso de cenas que revelam a intervenção dos militares no sequestro.

  • ACE Eddie Awards – Drama

Clube de Compras Dallas | Jean-Marc Vallée e Martin Pensa

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Indicado supresa da categoria, o trabalho de montagem de Clube de Compras Dallas é eficaz ao fornecer velocidade e energia às sequências de passagem do tempo. O grande destaque vai para as sequências que envolvem as viagens do protagonista para obter medicamentos ilegais, impecavelmente organizada com cortes rápidos e transições que resumem ações de dias em poucos segundos – habilidosamente entrecortando com as subtramas da nardativa. Vale apontar também o uso de legendas como “dia 1”, “dia 2” e “três meses depois” para delimitar espaços de tempo maiores. No geral, o filme tem um bom ritmo, mas poderia acabar bem antes do que realmente o faz.

Gravidade | Alfonso Cuarón e Mark Sanger

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O segredo da montagem de Gravidade é sua aparente ausência. A começar pelo magistral plano sequência de 15 minutos que abre a narrativa, onde a impressão é de que a cena foi executada sem um único corte, mas certamente houveram diversas intervenções sutis da parte de Mark Sanger e Alfonso Cuarón ali – não só por sua dificuldade, mas pela natureza técnica da produção. A curta narrativa é composta por diversos momentos assim, e é de se admirar a competência sublime da dupla ao simular o efeito de uma tomada contínua (um bom exemplo é a cena em que a câmera se aproxima da personagem de Sandra Bullock até entrar em seu capacete e oferecer um dinâmico POV, algo impossível de se realizar manualmente). Em seus cortes “convencionais”, o trabalho também é eficaz e serve para manter o ritmo – considerando também que é uma narrativa quase que em tempo real, com pouquíssimas elipses.

  • Critics Choice Awards

Trapaça | Alan Baumgarten, Jay Cassidy e Crispin Struthers

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É no mínimo curioso que a de montagem de Trapaça tenha sido lembrada, e não o de Thelma Schoonmaker em O Lobo de Wall Street. Isso porque Alan Baumgarten, Jay Cassidy e Crispin Struther devem muito ao trabalho da habitual colaboradora de Martin Scorsese, especialmente em Os Bons Companheiros e Cassino. A montagem do trio preserva a tensão e ritmo entre cada interação dos personagens, ousando mais quando aposta em algumas rápidas digressões temporais a fim de obter um certo humor negro (uma opção falha, já que oferce informações repetidas) ou apresentar os protagonistas – a transição rápida que traz uma foto de Jeremy Renner em uma festa para uma parede do FBI é inspirada. O grande mérito talvez seja quando oferece velocidade a ações efetuadas em múltiplos dias (vide os diversos flagrantes de DiMasio que são resumidos em poucos segundos).

  • ACE Eddie Awards – Musical/Comédia

APOSTA: Capitão Phillips

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Gravidade

MEU VOTO: Capitão Phillips

FICOU DE FORA: O Lobo de Wall Street | Thelma Schoonmaker

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Ah, Thelma. Inubitavelmente uma das melhores profissionais do ramo em atividade, a colaboradora onipresente de Martin Scorsese empresta novamente sua magia de montagem ao frenético O Lobo de Wall Street. E se o filme sobre a vida de Jordan Belfort frequentemente remete a Os Bons Companheiros, o trabalho de Schoonmaker é um dos principais fatores: estão lá os rápidos cortes para indicar ações, as apresentações de personagens e até alguns ocasionais saltos/regressos temporais. A montadora também é eficaz ao manter tensão durante certos diálogos ou deixar a ação fluir sem interferência perceptível. Vale apontar também o uso de colagens durante a narrativa, como comerciais de TV da época, fotos ou vídeos dentro da história. Em suas 3 horas de duração, Schoonmaker jamais deixa o ritmo morrer.

– Menção (muy) Honrosa: Rush: No Limite da Emoção

maquiagem

A arte de enfeitar e disfarçar um artista, resultando em uma transformação do personagem, seja para envelhecê-lo ou transformá-lo em outras pessoas, ou até monstros. Os indicados são:

O Cavaleiro Solitário | Joel Harlow e Gloria Pasqua Casny

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Ao me dar conta da indicação de O Cavaleiro Solitário na categoria (fracasso de bilheteria e crítica, mas ainda encontrou amor na Academia), me veio à mente apenas a pintura facial de Johnny Depp como Tonto. Só depois fui ver que o personagem surge envelhecido graças a um espantoso trabalho de próteses e aplicações da equipe de maquiagem, que deixaram o ator realmente irreconhecível.

Clube de Compras Dallas | Adruitha Lee e Robin Mathews

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O menos impressionante dos trabalhos indicados (mas ainda assim, digno de reconhecimento), o que chama a atenção na maquiagem de Clube de Compras Dallas é a transformação de Jared Leto no travesti Rayon. A meu ver, o ator merece o maior mérito (já que sua assustadora perda de peso é o que torna o personagem marcante), mas a equipe de Adruitha Lee e Robin Mathews acerta ao encher seu rosto com pesada maquiagem feminina. E como a categoria é “Maquiagem & Cabelo”, destaque também para as inúmeras perucas que Leto usa durante a projeção.

Jackass Apresenta: Vovô sem Vergonha | Steve Prouty

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Quem diria que viveríamos para ver o dia em que um filme do Jackass fosse indicado a um Oscar. Não sou um grande admirador do grupo, mas admito o competente trabalho da equipe de Stephen Prouty para transformar Johnny Knoxville no idoso do título. Não assisti ao filme, mas só o resultado expressivo do Vovô sem Vergonha comprova o talento da equipe, que deixou o ator irreconhecível para as inúmeras pegadinhas que o longa apresenta.

APOSTA: Clube de Compras Dallas

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Cavaleiro Solitário

MEU VOTO: O Cavaleiro Solitário

FICOU DE FORA: A Morte do Demônio

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Se tem uma categoria que a cada ano fica mais em graça é a de maquiagem. Tragam os monstros de volta! Rick Baker, pode me ouvir? Enfim, o mais próximo que chegamos disso em 2013 (do que eu assisti, pelo menos) foi o trabalho de transformar lindas jovens como Jane Levy em horrendos e sanguinários demônios automutiladores no remake de A Morte do Demônio. São mudanças simples (como lentes de contato amarelas e próteses dentárias), mas cujo efeito em cena é impressionante; merecendo mérito também por optar por efeitos práticos a CG.

efeitosvisuais

Dando vida ao que não existe, a equipe de efeitos visuais trabalha para criar personagens e ambientes digitais, buscando o realismo perfeito. Os indicados são:

Além da Escuridão – Star Trek

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Com o novo Star Trek, a equipe de J.J. Abrams teve novos mundos fantásticos para dar vida e diversas cenas de ação mais elaboradas do que a do filme anterior. Vale apontar que Além da Escuridão jamais usa seus efeitos visuais de maneira excessiva, servindo sempre a um propósito narrativo e soando elegante em cena – especialmente nas cores nas sequências da Enterprise viajando em velocidade da luz. Já as cenas de ação mais elaboradas contam com uma perfeita combinação de efeitos práticos (como os atores interagindo com um set) e computação gráfica, que eleva as cenas práticas a níveis espetaculares.

O Cavaleiro Solitário

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Grande surpresa entre os indicados (e responsável por roubar a vaga de Círculo de Fogo), O Cavaleiro Solitário conta com uma série de excelentes efeitos visuais de apoio – seja em green screen ou correções digitais de cenário. O grande destaque é a espetacular sequência de ação na locomotiva, que mistura todos esses efeitos sutis em uma cena complicada e empolgante – não vi o filme, mas só esse clipe foi o suficiente para me fazer reconsiderar.

  • Visual Effects Society – Efeitos Visuais de Apoio

Gravidade

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Desde muito antes de as indicações ao Oscar serem anunciadas, um fator já era uma certeza absoluta: Gravidade seria o vencedor na categoria de Efeitos Visuais. E mesmo diante da qualidade impressionante dos outros concorrentes, a vitória do filme de Alfonso Cuarón é mais do que merecida – da mesma forma como foram Avatar e As Aventuras de Pi. Gravidade se beneficia de um pesado trabalho com green screens e novas tecnologias desenvolvidas especialmente para o filme. Com os dois atores principais atuando em meio ao nada, o resultado oferece perfeita interação entre personagens e ambientes, um visual realista e belo e a sensação de que aquilo poderia realmente ser o espaço. Merecidíssimo.

  • BAFTA
  • Critics Choice Awards
  • 6 vitórias no Visual Effects Society
  • É indicado a Melhor Filme (tem uma zica rolando desde 1978, onde a produção indicada a Melhor Filme sempre leva a estatueta de Efeitos Visuais, se indicada)

O Hobbit: A Desolação de Smaug

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Se o primeiro filme (assim como quase toda a trilogia do Anel) já valhiam o louvor a seus efeitos visuais graças ao Gollum de Andy Serkis, o segundo filme da trilogia O Hobbit repete a dose com o Smaug de Benedict Cumberbatch. A Weta criou aqui aquele que provavelmente é o maior e mais carismático dragão já criado nas telas de Cinema, que surge incrivelmente verossímil e carismático graças ao eficiente trabalho de computação gráfica e captura de performance. Não bastasse a magistral criatura, A Desolação de Smaug ainda se beneficia de inúmeros personagens digitais, belos cenários em green screen, a sutil tecnologia capaz de diminuir o elenco e as câmeras de mapeamento digital popularizadas com Avatar.

  • Visual Effects Society – Melhor Personagem Digital

Homem de Ferro 3

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Com a indicação de Homem de Ferro 3 aqui, já é a quarta vez que o herói de Robert Downey Jr. tem seus efeitos digitais reconhecidos. Mesmo que o filme em si seja incrivelmente decepcionante, é inegável que o trabalho da Digital Domain e Industrial Light & Magic (entre muitas outras) seja decente, especialmente na confecção das armaduras e na interação destas com o elenco. O grande destaque, porém, está na excelente cena em que o Força Aérea Um é atacado, e o vingador dourado parte para resgatar a tripulação em queda livre.

APOSTA: Gravidade

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Ninguém.

MEU VOTO: Gravidade

FICOU DE FORA: Elysium

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Eu sei, eu sei. Círculo de Fogo foi uma grande esnobada da Academia (eu podia jurar que estaria entre os indicados), tendo em vista o extraordinário trabalho de CG encarado pela Industrial Light & Magic com seus robôs e monstros gigantes. Mas se eu pudesse escolher, certamente meu voto iria iria para Elysium, que novamente comprova a habilidade do diretor Neil Blomkamp em usar efeitos visuais de forma orgânica e crua. O destaque da produção fica com a polícia andróide, em perfeita interação com elenco de carne e osso.

– Menção Honrosa: Círculo de Fogo

Por hoje é só, mas volte amanhã para a terceira parte, onde discutiremos as categorias de Sons & Músicas!

Leia também: Volume 1 – Atuações

Os Mestres do Oscar 2014 | Volume I: Atuações

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 24 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

Oscar

Foi no ano passado que batizei o respectivo especial do Oscar de “incógnito”, mas estava errado. Ainda que a edição de 2013 contasse com suas surpresas, a deste ano é verdadeiramente incógnita: tivemos empates inéditos em prêmios da temporada, divergências em círculos de críticos e candidatos tão bons (ou será que não?) que diversas obras excepcionais acabaram ficando de fora. É um Oscar para grandes nomes, mestres. Vamos começar, como sempre, pelo bloco de atuações:

OBSERVAÇÕES:

  • Clique nos nomes de cada profissional para conferir seu histórico de indicações ao Oscar
  • Abaixo de cada perfil estão os prêmios que cada ator/atriz já garantiu na respectiva categoria

ator

Christian Bale | Trapaça

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Papel: Irving Rosenfeld

Famoso por sua pesada imersão física em seus papéis, Christian Bale engordou quase 20 quilos para entrar na pele do golpista Irving Rosenfeld, o personagem central de Trapaça. O personagem tem grande presença em cena graças à sua caracterização visual marcante (cabelo, óculos e ternos setentistas), e Bale acerta ao manter Irving sempre com um tom de voz baixo e cansado – provavelmente resultado de anos de serviços sujos e seus problemas do coração. Uma ótima performance, mas nada que justifique a indicação ao Oscar do ator; que só aconteceu para que Trapaça repetisse o feito de O Lado Bom da Vida em abocanhar indicações nas 4 categorias de atuação.

Bruce Dern | Nebraska

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Papel: Woody Grant

O veterano Bruce Dern conquista aqui só sua segunda indicação ao Oscar, e a primeira como protagonista, na pele do tragicômico protagonista de Nebraska. Woody Grant está à beira da senilidade e carrega nas costas uma vida infeliz, problemas com bebida e relações não muito harmoniosas com sua família. Diversas características pesadas que Dern absorve com naturalidade, dando vida a um sujeito palpável e real, especialmente quando aposta em um andar manco para demonstrar a velhice de Woody ou expressões confusas e ingênuas na maior parte do tempo. Incrível como Bruce Dern chega e dá uma performance dessa, depois de muito tempo sem estampar nos holofotes.

  • Festival de Cannes – Melhor Ator

Leonardo DiCaprio | O Lobo de Wall Street

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Papel: Jordan Belfort

Com forte resistência da Academia há um bom tempo, Leonardo DiCaprio (enfim) retorna à premiação; 7 anos após sua indicação por Diamante de Sangue. Em sua 5ª (e melhor) colaboração com Martin Scorsese, o ator entrega uma performance insanamente carismática e expressiva na pele do magnata corrupto de Wall Street, Jordan Belfort. Seja nas cenas em que dialoga simpaticamente com a câmera, ou quando retrata o vício em drogas de Belfort (rendendo uma sequência incrível que revela um até então desconhecido talento para “comédia” física) intensamente, DiCaprio jamais sai do personagem – absorvendo cada uma de suas camadas inteiramente. Está entre um dos melhores trabalhos de sua carreira.

  • Globo de Ouro – Musical ou Comédia
  • Critics Choice Awards (Comédia)

Chiwetel Ejiofor | 12 Anos de Escravidão

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Papel: Solomon Northup

Já tendo aparecido aqui e ali em pequenas e grandes produções (como Filhos da Esperança e 2012), Chiwetel Ejifor explode em cena na pele do protagonista de 12 Anos de Escravidão. Sendo um homem livre injustamente sequestrado e escravizado, Solomon Northup é uma figura ímpar nesse sombrio cenário: é determinado, forte e não hesita em questionar as ordens irracionais de seus ferozes capatazes. Ejifor passa todas essas características em cena, chamando a atenção por sua eloquência vocal correta (diferenciando-o dos outros escravos) e sua expressiva luta contra o desespero.

  • BAFTA

Matthew McConaughey | Clube de Compras Dallas

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Papel: Ron Woodroof

Com uma impressionante virada em sua carreira marcada por comédias românticas fracas e aventuras de gosto duvidoso, Matthew McConaughey traçou uma série de boas performances em filmes eficientes, culminando em seu notável desempenho – agora favorito ao prêmio da categoria – em Clube de Compras Dallas. Na pele do texano com AIDS que passa a transportar medicamentos ilegais para os EUA na década de 80, o ator segura o filme todo e impressiona com sua dedicação, carisma e assombrosa perda de peso. É interessante observar as relações com outros personagens, especialmente com o transexual de Jared Leto: Woodroof é homofóbico e machista, sendo divertido ver como o sujeito tem seus conceitos transformados – mas não suas atitudes. Agora é oficial: Matthew McConaughey é um nome pra se levar a sério.

  • SAG
  • Globo de Ouro – Drama
  • Critics Choice Awards

APOSTA: Matthew McConaughey

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Leonardo DiCaprio

MEU VOTO: Leonardo DiCaprio

FICOU DE FORA: Tom Hanks | Capitão Phillips

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Papel: Capitão Richard Phillips

A ausência de Tom Hanks surge como uma das grande surpresas deste Oscar. Presente em praticamente TODOS os prêmios pré-Oscar, o excepcional trabalho do ator foi deixado de lado aqui. O que impressiona em sua performance na pele do capitão Richard Phillips é o controle e calma que o ator tenta manter em meio às situações mais extremas; dialogando com seus captores, tentando até criar humor. Mas é mesmo quando Phillips é tomado pelo desespero (e o consequente choque, especialmente na cena final) que toda a construção de Hanks é destruída, fazendo com que seu trabalho cause mais impacto. Um dos grandes atores em atividade, bom saber que ainda está por aí.

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Amy Adams | Trapaça

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Papel: Sydney Prosser

Sempre reconhecida como coadjuvante em ótimos papéis, Amy Adams consegue sua primeira indicação como protagonista na pele da golpista Sydney Prosser, amante do personagem de Christian Bale. E assim como seu companheiro de cena, não acho que o trabalho de Adams seja digno de premiações ainda que consiga maior destaque do que Bale. A atriz surge divertida e absolutamente sedutora em cena, agradando por seu sotaque britânico falso e a ambiguidade que sua personagem carrega ao longo da produção. Mas, convenhamos: uma atuação nível Oscar? Eu pelo menos não vi nada demais, Adams funciona melhor como parte de um todo do que individualmente (assim como todo o elenco de Trapaça).

  • Globo de Ouro – Musical ou Comédia

Cate Blanchett | Blue Jasmine

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Papel: Jasmine

Cate Blanchett é uma excelente atriz, certamente uma das mais talentosas da safra atual. E foi só pegar um papel bom e multifacetado em uma produção igualmente eficiente, que o resultado já desponta como uma das grandes certezas da cerimônia: a vitória da atriz por Blue Jasmine. Na pele da irremediável Jasmine de Woody Allen, Blanchett constrói uma performance centrada na autodestruição de sua personagem – com direito a crises nervosas, ataques de nervos e até um triste (não cômico, felizmente) distúrbio no qual fala consigo mesma. A vitória de Blanchett aqui é uma das certezas da noite, e muito merecida: talvez seja a melhor performance de sua excepcional carreira.

  • SAG
  • BAFTA
  • Critics Choice Awards
  • Globo de Ouro – Drama

Sandra Bullock | Gravidade

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Papel: Dra. Ryan Stone

Depois do inesperado primeiro Oscar (que muitos ainda apontam como uma vitória duvidosa), Sandra Bullock entrega um trabalho que mostra que Um Sonho Possível não foi acidente. Nas mãos do cineasta Alfonso Cuarón, a atriz precisou usar bastante sua imaginação e mente para lidar com todos os green screens e câmaras escuras com os quais contracenou em Gravidade. O resultado é uma esforçada e dedicada performance, que é responsável por segurar toda a projeção, e Bullock jamais decepciona. Destaque para a sensível cena em que a personagem tem um depressivo momento de reflexão.

Judi Dench | Philomena

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Papel: Philomena Lee

Completando 80 anos de idade em 2014, a inglesa Judi Dench entrega uma performance absolutamente adorável como a protagonista de Philomena, uma mãe que busca seu filho perdido há 50 anos. Como a personagem-título é irlandesa, Dench fornece um sotaque acertado e que jamais soa estereotipado, abraçando também sua personalidade carinhosa e ingênua; seja ao iniciar conversas com praticamente todos os funcionários de um hotel ou surgir alegremente espantada ao descobrir as mordomias de um avião. A atriz também balanceia esse lado divertido com a áurea dramática de Philomena, e a mistura funciona maravilhosamente bem em cena – Dench certamente fará cada um lembrar de uma avó, tia ou parente.

Meryl Streep | Álbum de Família

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Papel: Violet Weston

Já virou chavão elogiar Meryl Streep e dizer que ela é uma das melhores (ou melhor?) atriz em atividade. Mas cara***o, é de se impressionar com a performance ácida, irreverente e complicada de Streep em Álbum de Família. Violet Weston é a mãe da disfuncional família que povoa a narrativa, e é responsável por entregar os comentários mais irônicos, ofensivos e até divertidos quando provoca discussões com suas filhas. Streep é eficiente ao transformar Violet em uma megera, mas é igualmente bem-sucedida ao apresentar o lado trágico de sua personagem; assim como a doença – e o vício – que a prejudicam. Um de seus melhores trabalhos, facilmente.

APOSTA: Cate Blanchett

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Amy Adams, go figure.

MEU VOTO: Cate Blanchett

FICOU DE FORA: Adele Exarchopoulos | Azul é a Cor Mais Quente

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Papel: Adèle

Estreando como atriz aos 19 anos no francês Azul é a Cor Mais Quente, Adèle Exarchopoulos fornece uma performance arrebatadora no filme de Abdellatif Kechiche (que ficou de fora da premiação graças ao ministério da cultura francês). Não só merece créditos pelas desafiadoras cenas de sexo, mas por representar a protagonista sempre de forma espontânea, natural e convicente – como se não víssemos uma atriz interpretando um papel ali, mas sim um ser humano real e palpável.

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Barkhad Abdi | Capitão Phillips

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Papel: Muse

Revelação que chamou atenção universal na pele do antagonista principal de Capitão Phillips, o ator somálio Barkhad Abdi estreia como ator e já garante sua primeira indicação ao Oscar. Nada mal, e Abdi justifica sua presença aqui, já que consegue criar com seu Muse uma figura de presença ameaçadora (seu porte físico influencia bastante nesse quesito), mas também nada que se aproxime de uma caricatura maniqueísta. Ainda que surja forte e assustador enquanto ameaça Tom Hanks, o ator aqui e ali dá indícios de uma simpatia forjada (ao apelidar Phillips de “Irlandês” de forma quase amigável) e também de sua humanidade à medida em que o cerco vai se fechando a sua volta.

  • BAFTA

Bradley Cooper | Trapaça

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Papel: Richie DiMasio

Dentre todos os indicados ao Oscar de Trapaça, Bradley Cooper foi o que me levantou mais suspeitas quanto à competência de sua performance. Talvez justamente por isso ele tenha sido o melhor intérprete da produção a meu ver, incorporando um esquentado agente do FBI que mora com a mãe e usa bobes no cabelo. Cooper diverte ao constantemente retratar seu personagem bufando de raiva e um certo prazer em conhecer o outro lado da lei, conforme sua relação com Sydney se intensifica. Em um momento menor, mas inspirado, o ator tem a oportunidade de exibir sua melhor característica: mudanças bruscas de humor, aqui, quando imita as reações de um colega de trabalho (triste, rindo, triste, rindo, em rápidas mudanças). Surpreendeu.

Michael Fassbender | 12 Anos de Escravidão

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Papel: Edwin Epps

Finalmente Michael Fassbender recebe o devido reconhecimento! Em sua terceira parceria com o diretor Steve McQueen, o ator encarna um cruel e inescrupuloso fazendeiro, responsável por algumas das maiores dores de cabeça do protagonista. Não é apenas a fúria quase que possessa de Epps que assombra, mas sim os momentos em que Fassbender leva seu tempo para apresentar alguma reação (o que por si só o torna mais ameaçador), prendendo outros personagens com um olhar frio e direto. É de se cativar também a estranha obsessão que Epps cultiva pela escrava Patsey, que se mistura com uma forma de paixão e dominância.

Jonah Hill | O Lobo de Wall Street

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Papel: Donnie Azoff

Uma das grandes surpresas (positivas) entre os indicados, Jonah Hill fatura sua segunda indicação ao Oscar com o perturbado Donnie Azoff, braço direito de Jordan Belfort em O Lobo de Wall Street. Ao contrário de sua indicação anterior em O Homem que Mudou o Jogo, – onde dava vida a um personagem tímido e inseguro – Hill abraça o obsceno e o exagerado, acertando na dose do sotaque de Long Island e nos trajetos do sujeito – especialmente em seus muitos atos repreendíveis. Vale apontar também sua química com Leonardo DiCaprio, que surge no 220 na já mencionada sequência da infame droga de paralisia. Jonah Hill, também saído das comédias pesadas, promete um futuro brilhante pela frente.

Jared Leto | Clube de Compras Dallas

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Papel: Rayon

Favorito absoluto da categoria, o vocalista do 30 Seconds from Mars, Jared Leto, dá um tempo com a música e volta para mais uma transformação física na atuação. Tendo engordado aproximadamente 30quilos para Chapter 27, Leto agora perde 14 para se transformar em Rayon, transexual que é uma das figuras mais energéticas e fortes de Clube de Compras Dallas. O filme é todo de McConaughey, mas Leto implacavelmente incendia a tela como o carismático parceiro de negócios do protagonista. Leto surge como um bem-vindo alívio cômico, mas à medida em que conhecemos sua história, transforma-se em uma das figuras mais trágicas da produção – algo que o ator realiza muitíssimo bem.

  • SAG
  • Globo de Ouro
  • Critics Choice Awards

APOSTA: Jared Leto

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Ninguém segura Leto

MEU VOTO: Michael Fassbender

FICOU DE FORA: Daniel Bruhl | Rush: No Limite da Emoção

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Papel: Niki Lauda

Ah, Rush. Confesso que não esperava muita presença do filme de Ron Howard na premiação (o que é uma pena, já que o filme merecia), mas a ausência de Daniel Brühl assusta, já que o ator alemão esteve presente em praticamente todos os prêmios de críticos. O trabalho de Brühl já merece aplausos pelo simples fato de não se limitar a uma caricatura de Niki Lauda, e sim um personagem forte, crível e que consegue capturar (sem soar uma imitação forçada) a presença do real corredor da Fórmula 1. O ator domina o sotaque pesado, as próteses no rosto e toda a racionalidade (que flerta com a arrogância) que o papel requer.

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Sally Hawkins | Blue Jasmine

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Papel: Ginger

Na pele da irmã adotiva da Jasmine de Cate Blanchett, a sorridente Sally Hawkins é o oposto da protagonista. De origens mais humildes e menos bem-sucedidas do que a irmã, Ginger revela-se muito mais otimista e resistente do que a problemática Jasmine, traço que Hawkins exibe com eficiência durante toda a projeção. E mesmo diante suas esperançoso comportamento, a atriz acerta também ao trazer a personagem com diversas preocupações e medos a respeito de sua família, assumindo aquela que – certamente – é a personagem cuja bússola moral aponta para o norte.

Jennifer Lawrence | Trapaça

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Papel: Rosalyn Rosenfeld

Aos 23 anos de idade, a queridinha Jennifer Lawrence se torna a pessoa mais jovem da História a colecionar 3 indicações ao Oscar. E é irônico que Lawrence obtenha tal feito ao interpretar uma mulher mais velha, incorporando com sucesso o estereótipo da “dona-de-casa” mas adicionando seu habitual carisma no processo. Lawrence incendia a cena quando aparece (algo que não é tão frequente, infelizmente) e é responsável por alguns dos momentos mais divertidos (sua performance em “Live and Let Die” já justifica sua indicação, além de mostrar como a atriz se diverte em cena) e também impressiona pela humanidade de sua trambiqueira Rosalyn. Nem de longe se equipara à sua vitória anterior (Lado Bom da Vida), mas é uma eficiente adição a seu currículo.

  • Globo de Ouro
  • BAFTA

Lupita Nyong’o | 12 Anos de Escravidão

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Papel: Patsey

De origem quênia, a atriz Lupita Nyong’o faz sua estreia no cinema com 12 Anos de Escravidão e já é favorita para levar a estatueta. Sorte de principiante? Não, já que mesmo que sua participação no longa seja curta, ela garante alguns dos momentos mais intensos com sua esforçadíssima performance na pele da escrava Patsey. A personagem de Nyong’o representa tudo aquilo que o protagonista Solomon Northup luta para evitar: a submissão, o desejo da morte como única escapatória de sua condição, característica que a atriz absorve em uma performance frágil e poderosa. Mesmo que por tão pouco tempo.

  • SAG
  • Critics Choice Awards

Julia Roberts | Álbum de Família

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Papel: Barbara Weston

Sem receber uma indicação desde 2001 (quando levou a estatueta por Erin Brokovich – Uma Mulher de Talento), Julia Roberts se sai muitíssimo bem na tarefa nada fácil de dividir cena com o monstro de talento que atende pelo nome de Meryl Streep. A atriz incorpora uma predominante postura irritada, fazendo a mais forte das irmãs Weston – sendo a única que realmente confronta as ofensas de sua mãe e batalha contra o vício em drogas da mesma. Roberts tem boa presença em cena, e mantém sua firme (e um tanto grosseira) postura até mesmo quando suas intenções são nobres.

June Squibb | Nebraska

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Papel: Kate Grant

Pode parecer heresia o que vou falar, mas June Squibb rouba Nebraska de Bruce Dern. Não me entendam mal, o veterano ator está fantástico em cena, mas a atriz responsável por interpretar sua esposa é simplesmente um arraso: o alívio cômico mais sincero da produção, Kate Grant luta sem sucesso para manter o marido e o filho na linha. É incrível como sua postura e fisionomia de “vovó simpática” em nada se assemelha à personagem, que fala o que pensa sem hesitar, é escandalosa e a única que manda todo mundo se foder na hora H. Divertidíssima.

APOSTA: Lupita Nyong’o

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Jennifer Lawrence

MEU VOTO: June Squibb

FICOU DE FORA: Margot Robbie | O Lobo de Wall Street

ROBBIE

Papel: Naomi Lapaglia

Assistindo a O Lobo de Wall Street, não foi só a beleza estonteante (mesmo) da atriz Margot Robbie que me chamou atenção, mas também sua eficiente performance como a esposa de Jordan Belfort. Naomi, vulgo “A Duquesa de Bay Ridge”, se destaca entre as figuras femininas do filme (que, em suma maioria, são meros objetos de desejo do protagonista) ao exibir certa influência e até manipulação em seu marido – seja através de intensos bate-bocas ou seu irresistível poder de sedução. Sem falar no sotaque de Brooklyn que a atriz australiana dominou muito bem.

E foi isso. Gostou? Detestou? Quer minha cabeça numa lança? Comente!

E o Volume II sobre Categorias Técnicas sai amanhã mesmo! =]

| Nebraska | A divertida jornada pela fradulenta auto-satisfação

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2014, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 13 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

4.0

Nebraska
Bruce Dern é Woody Grant

Depois de um desmistificador olhar sobre a sociedade havaiana em Os Descendentes (que lhe rendeu um Oscar como corroteirista), o diretor Alexander Payne retorna com uma saudável mistura entre o humor e o drama com Nebraska, sucesso do Festival de Cannes que traz Payne e um talentoso time de volta à cerimônia da Academia deste ano.

A trama se concentra no idoso Woody Grant (Bruce Dern), que acredita ter ganhado 1 milhão de dólares em um sorteio e acaba por ficar obcecado em reclamar seu prêmio. Certo de que é apenas um golpe publicitário, seu filho David (Will Forte) promete levar o pai até o estado de Nebraska a fim de lhe garantir uma espécie de satisfação.

Em sua estreia como roteirista de cinema, Bob Nelson elabora uma narrativa muito simples e concentrada nas diferentes situações que ocorrem no caminho da jornada para Nebraska. O mais significativo deles, é certamente a visita de Woody, David e Kate (esposa do protagonista, vivida pela excelente June Squibb) à cidade natal do casal, onde acabam por encontrar parentes e colegas dos velhos tempos. Nelson acerta ao proporcionar os diálogos mais desinteressantes da face da Terra (especialmente aqueles entre a pacata família Grant), e Payne o segue com inteligência ao apostar em um ritmo lentíssimo e sem muitos cortes em tais cenas – mesmo que ocasionalmente maçante, é essencial para a criação de humor do filme. O diretor também agrada ao trazer planos divertidíssimos (como aquele em que dois sujeitos mascarados preparam-se para um ataque inesperado) e que funcionam com o timing de seu elenco – mesmo que completamente unidimensionais, é impossível não rir com os irmãos interpretados por Tim Driscoll e Devin Ratray.

Por outro lado, é interessante a decisão de Alexander Payne em rodar o filme em preto-e-branco, já que esta confere melancolia à saga de Woody Grant. Mesmo que pontualmente engraçado, o personagem do ótimo Bruce Dern é uma figura trágica (alcoólotra, solitário e ingênuo demais), e o veterano ator é eficaz ao dominar um andar manco e devagar; assim como expressões confusas e uma falha audição. E o diretor de fotografia Phedon Papamichael captura com seu inteligente jogo de luzes e sombras o tom apropriado para o longa, fazendo desejar que a Academia voltasse a dividir a categoria entre colorida e preto-e-branco, dada a incrível beleza das imagens capturadas. Além disso, a trilha sonora de Mark Orton contribui ao trazer uma curiosa mistura entre noir e country.

Novamente sobre Payne, devo apontar uma cena específica que traz uma mise em scène fabulosa e absolutamente simples, que comprova seu talento absoluto como cineasta de forma sutil. Logo após os dois filhos (Forte e Bob Odenkirk, da série Breaking Bad e a vindoura Better Call Saul) saírem do carro, Woody fica no banco de trás e sua esposa atrás do volante. Ao retornarem, não há outra decisão estética a não ser colocar Forte ao lado de Woody e Odenkirk ao lado da mãe, o que revela muito sobre seus personagens – e a qual dos pais cada um dos irmãos confere mais afeto. Um exemplo que revela um Payne mais contido, mas nem por isso menos eficiente.

No fim, é interessante observar Nebraska como uma obra sobre a auto-satisfação, mesmo que seja pautada em mentiras. Seja no suposto prêmio do protagonista, que logo desperta interesses alheios, ou em diversos momentos do último ato, o filme de Alexander Payne acerta ao analisar essa temática de forma bem-humorada e até tocante. Mas se a satisfação dos personagens aqui é pautada em elementos fraudulentos, a do espectador diante do filme é verdadeiramente genuína.

ACE EDDIE AWARDS 2014: Os indicados

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 10 de janeiro de 2014 by Lucas Nascimento

THE WOLF OF WALL STREET

Montagem! O ACE Eddie Awards costuma ser um termômetro bem confiável para o Oscar, e o sindicato divulgou hoje os indicados para seu prêmio de 2014. Confira:

(apostas em amarelo)

MONTAGEM EM FILME DE DRAMA

12 Anos de Escravidão | Joe Walker

Capitão Phillips | Christoper Rouse

Ela | Jeff Buchanan e Eric Zumbrunnen

Gravidade | Alfonso Cuarón e Mark Sanger

Walt nos Bastidores de Mary Poppins | Mark Livosi

MONTAGEM EM FILME DE MUSICAL/COMÉDIA

Álbum de Família | Stephen Mirrione

Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum | Roderyck Jaynes

O Lobo de Wall Street | Thelma Schoonmaker

Nebraska | Kevin Tent

Trapaça | Alan Baumgarten, Jay Cassidy e Crispin Struthers

MONTAGEM EM FILME DE ANIMAÇÃO

Frozen: Uma Aventura Congelante | Jeff Draheim

Meu Malvado Favorito 2 | Gregory Perler

Universidade Monstros | Greg Snyder

MONTAGEM EM DOCUMENTÁRIO

20 Feet from Stardoom | Douglas Blush, Kevin Klauber & Jason Zeldes

Blackfish | Eli Despres

Tim’s Vermeer | Patrick Sheffield

Agora, Rush: No Limite da Emoção ficar de fora não faz absolutamente o menor sentido...

Os vencedores serão anunciados em 7 de Fevereiro.

COSTUME DESIGNERS GUILD AWARDS 2014: Os indicados

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 9 de janeiro de 2014 by Lucas Nascimento

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Confira agora os indicados ao prêmio do Sindicato dos Figurinistas:

(apostas em amarelo)

FILME DE ÉPOCA

12 Anos de Escravidão | Patricia Norris

Clube de Compras Dallas | Kurt & Bart

O Grande Gatsby | Catherine Martin

Trapaça | Michael Wilkinson

Walt nos Bastidores de Mary Poppins | Daniel Orlandi

FILME DE FANTASIA

O Hobbit: A Desolação de Smaug | Ann Maskrey, Richard Taylor e Bob Buck

Jogos Vorazes: Em Chamas | Trish Summerville

Oz: Mágico e Poderoso | Gary Jones e Michael Kutsche

FILME CONTEMPORÂNEO

Blue Jasmine | Suzy Benzinger

Ela | Casey Storm

Nebraska | Wendy Chuck

Philomena | Consolata Boyle

A Vida Secreta de Walter Mitty | Sarah Edwards

Os vencedores serão anunciados em 22 de Fevereiro.

AMERICAN SOCIETY OF CINEMATOGRAPHERS 2014: Os indicados

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 8 de janeiro de 2014 by Lucas Nascimento

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Um dos meus sindicatos preferidos, o de Diretores de Fotografia, divulgou hoje seus 7 indicados para 2014. Mesmo que não seja um termômetro tão preciso para o Oscar, geralmente escolhe o melhor trabalho – ao contrário da Academia. Confira:

12 Anos de Escravidão | Sean Bobbitt

Capitão Phillips | Barry Ackroyd

The Grandmaster | Philippe Le Sourd

Gravidade | Emmanuel Lubezki

Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum | Bruno Delbonnel

Nebraska | Phedon Papamichael

Os Suspeitos | Roger Deakins

O ASC divulga o vencedor em 1º de Fevereiro.

Indicados ao WRITERS GUILD OF AMERICA 2014

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , on 2 de janeiro de 2014 by Lucas Nascimento

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Agora é o sindicato dos roteiristas (WGA) que divulga seus indicados para o prêmio de 2014. Lembrando sempre que muitos roteiristas renomados não fazem parte da associação, logo não participam (o exemplo da vez é a ausência de 12 Anos de Escravidão, que certamente marcará presença no Oscar). Confira:

ROTEIRO ORIGINAL

Blue Jasmine

Clube de Compras Dallas

Ela

Nebraska

Trapaça

ROTEIRO ADAPTADO

Álbum de Família

Antes da Meia-Noite

Capitão Phillips

O Lobo de Wall Street

Lone Survivor

ROTEIRO DE DOCUMENTÁRIO

Dirty Wars

Herblock – The Black & The White

No Place on Earth

Stories We Tell

We Steal Secrets: The Story of Wikileaks

Os vencedores do WGA serão anunciados em 2 de Fevereiro.

Confira os indicados ao PRODUCERS GUILD AWARDS 2014

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , on 2 de janeiro de 2014 by Lucas Nascimento

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E a temporada de Oscar vai ficando séria… Um dos mais importantes (senão THE mais importante) prêmio de sindicatos anunciou hoje seus 10 indicados: o Producers Guild Awards. Confira a lista, que carece de surpresas (o mais próximo disso é a presença de Blue Jasmine, mas…)

LONGA-METRAGEM

12 Anos de Escravidão

Blue Jasmine

Capitão Phillips

Dallas Buyers Club

Ela

Gravidade

O Lobo de Wall Street

Nebraska

Trapaça

Walt nos Bastidores de Mary Poppins

ANIMAÇÃO

Os Croods

Frozen: Uma Aventura Congelante

Meu Malvado Favorito 2

Reino Escondido

Universidade Monstros

O PGA anuncia seus vencedores em 19 de Janeiro.

Preview 2014 – Copa do Mundo pra quem precisa

Posted in Preview with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 2 de janeiro de 2014 by Lucas Nascimento

capa

Ano Novo, vida nova, filmes novos! 2014 promete trazer diversos ótimos lançamentos para as telas de cinema do Brasil. É ano de Copa do Mundo no país, sim, mas a concorrência vai ser dura. Mas LEMBREM-SE: AS DATAS DE LANÇAMENTOS SEMPRE ESTÃO SUJEITAS A ALTERAÇÕES. Você sabe, aquela velha história e, nesse caso, atualizarei o post frequentemente.

Let the games begin:

JANEIRO

Ajuste de Contas

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O que é: Parece surreal demais pra ser verdade: Rocky Balboa e Jake La Motta (de Touro Indomável) saem para resolver suas diferenças num ring de boxe. Sylvester Stallone e Robert DeNiro interpretam dois boxeadores consagrados que resolvem sair da aposentadoria para uma última luta.

Porque assistir: Balboa vs. La Motta… Vai ser no mínimo divertido, com certeza.

Desconfianças: Além da idade (Stallone dá pra confiar, já que ele ainda sai por aí explodindo as coisas com Os Mercenários), o filme de Peter Seagal não parece oferecer nada além de uma rápida curiosidade. E não fosse o elenco, ninguém se importaria.

Vontade de ver: 3/5

Estreia: 10 de Janeiro

Atividade Paranormal: Marcados pelo Mal

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O que é: E a franquia de terror que promete existir até os fim dos tempos lança mais um derivado, após a versão japonesa do primeiro filme. Aqui, uma estranha marca ligada à possessões demoníacas começa a aparecer em jovens na América Latina. A produção mantém a linha de found footage dos filmes anteriores.

Porque assistir: Pelo menos não estamos mais limitados àquela maldita família de Katie, Hunter e companhia…

Desconfianças: Já desisti dessa franquia, acho difícil que os realizadores consigam encontrar material novo; seja em história ou em técnica.

Vontade de ver: 1/5

Estreia: 10 de Janeiro

Ninfomaníaca

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O que é: Lars Von Trier ataca de cineasta pornô na história em 2 partes de uma mulher ninfomaníaca (Charlotte Rainsbourg), que conta a história de sua vida ao ser abrigada por um homem (Stellan Skarsgard).

Porque assistir: O diretor dinamarquês é um homem rodeado de polêmicas e controvérsias. E de todos os seus trabalhos, este promete ser seu mais ousado: conterá cenas de sexo reais e explícitas, envolvendo a protagonista, Shia LaBeouf e Uma Thurman.

Desconfianças: Esperamos que haja uma boa história por trás de tanta ousadia…

Vontade de ver: 4/5

Estreia: 10 de Janeiro (Volume 1), Março (Volume 2)

Virgínia

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O que é: Três anos. Três fuckin’ anos de atraso e o estranho novo filme de Francis Ford Coppola (Twixt, no original) finalmente chega às telonas brasileiras. Muitos já devem ter assistido no torrent (eu simplesmente me esqueci da existência do projeto) a história de um escritor (Val Kilmer) que é atormentado em seus sonhos pela figura misteriosa de Elle Fanning.

Porque assistir: Francis Ford Coppola. Seu nome já é o bastante para atrair qualquer cinéfilo que se preze. Fico curioso também em relação à Fanning, no que parece ser seu papel mais interessante.

Desconfianças: O filme foi massacrado quase que universalmente. E qual seria o motivo para um atraso de 3 anos?

Vontade de ver: 3/5

Estreia: 10 de Janeiro

Heróis de Ressaca

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O que é: A terceira parte da trilogia “Sangue e Sorvete” (ou ainda “trilogia do Cornetto”) de Edgar Wright e Simon Pegg traz um grupo de amigos que segue por uma trajetória de bebedeiras em inúmeros bares de uma pequena cidade na Inglaterra, ao mesmo tempo em que uma fatalidade extraterrestre condena a Terra.

Porque assistir: Todo Mundo Quase Morto e Chumbo Grosso são duas das comédias mais geniais que já vi e, agora atacando o gênero de fim do mundo, a dupla promete surpreender novamente.

Desconfianças: Nenhuma, confio totalmente em Edgar Wright e Simon Pegg.

Vontade de ver: 5/5

Estreia:  21 de Janeiro (DVD/Blu-ray)

Machete Kills

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O que é: Robert Rodriguez cumpre a promessa do final de seu Machete e traz de volta o anti-herói mexicano (Danny Trejo) em uma trama para impedir um super-vilão (Mel Gibson) de dominar o mundo.

Porque assistir: Analisando todas as informações divulgadas até aqui, parece que vai ser ainda mais trash e divertido do que o anterior. Mel Gibson é um vilão samurai, Charlie Sheen é o presidente dos EUA, Lady Gaga estreia nos cinemas… Imperdível.

Desconfianças: Machete é aquele tipo de personagem que funciona surpreendemente bem uma vez, será que a magia se repetirá?

Vontade de ver: 4/5

Estreia: 23 de Janeiro (DVD)

Frankenstein – Entre Anjos e Demônios

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O que é: Aaron Eckhart empresta suas feições a uma versão radical do monstro de Frakenstein (Frankenstein é o criador da criatura, aliás, só pra avisar…), onde este encontra-se no meio de uma guerra entre criaturas sangrentas que tomam a cidade durante a noite. Hum, te lembra alguma coisa?

Porque assistir: Sem dúvidas de que o design de produção e o de criaturas vai ser impecável.

Desconfianças: Tudo. Mal consegui terminar de ver o trailer diante da tamanha escrotice e uma intenção gritante de repetir o “sucesso” da franquia Anjos da Noite. Vergonha alheia.

Vontade de ver: 0/5

Estreia: 24 de Janeiro

O Lobo de Wall Street

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O que é: Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio se unem pela 5a vez, agora para a cinebiografia de Jordan Belfort, um corretor da Bolsa de Nova York que é acusado de participar de esquemas ilegais em Wall Street e até conexões com a Máfia.

Porque assistir: Scorsese mandou bem no gênero infantil com Hugo, mas agora ele está no gênero que entende como ninguém e trouxe um elenco estupendo (liderado pelo sempre ótimo DiCaprio) para acompanhá-lo. Me chamem de exagerado, mas pode até ser o Bons Companheiros do século XXI. Sem falar que promete ser um dos grandes filmes do Oscar 2014.

Desconfianças: Depois daquele trailer, será que dá pra dar errado?

Vontade de ver: 5/5

Estreia: 24 de Janeiro

Os 47 Ronins

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O que é: Primeira grande produção estrelada por Keanu Reeves desde o fracasso do remake O Dia em que a Terra Parou, de 2008. A trama traz Reeves na pele de um samurai que deve enfrentar um grupo de criaturas sobrenaturais no Japão.

Porque assistir: O trailer traz elementos visuais belíssimos, e efeitos visuais idem. E só.

Desconfianças: A menos que assumido como guilty pleasure, o filme de Carl Erik Rinsch traz “fracasso” escrito na testa. Além da produção conturbada que afastou o diretor da pós-produção (nunca, jamais um bom sinal), a história parece meio… boba.

Vontade de ver: 1/5

Estreia: 31 de Janeiro

Fruitvale Season – A Última Parada

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O que é: Dramatização de um evento real ocorrido na virada do ano de 2008 para 2009, quando Oscar Grant foi injustamente executado pela polícia norte americana enquanto tentava chegar às festividades de ano em São Francisco. O filme marca a estreia de Ryan Coogler na direção, recebendo grandes elogios por seu trabalho.

Porque assistir: Michael B. Jordan (você o viu no ótimo Poder Sem Limites) é um ator com incrível potencial, e pelo que as críticas estrangeiras apontaram ele o coloca em prática maravilhosamente bem.

Desconfianças: Nada muito específico, talvez a habilidade do roteirista em trazer eventos o suficiente para circular a trama central.

Vontade de ver: 4/5

Estreia: 31 de Janeiro

A Menina que Roubava Livros

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O que é: Adaptação do estrondoso best seller A Menina que Roubava Livros, de Markus Zusak, sobre uma garota que tenta se distrair dos horrores da Segunda Guerra Mundial ao roubar livros e distribuí-los para refugiados. Além da estreante Sophie Nélisse no papel principal, o elenco traz Geoffrey Rush e Emily Watson.

Porque assistir: Os fãs do livro certamente marcarão presença, e a produção realmente parece acertada em termos de reconstrução de época, figurino e elenco.

Desconfianças: Sinto aquele cheiro de melancolia forçada no ar…

Vontade de ver: 3/5

Estreia: 31 de Janeiro

Quando eu era Vivo

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O que é: Um filme de terror nacional, vejam só que raridade. A trama gira em torno de um sujeito (Marat Descartes) que volta a morar com sua família após perder o emprego e a esposa. De volta ao antigo apartamento, ele descobre estranhos objetos e gravações que pertenceram à sua mãe, e sua obsessão faz com que este comece a questionar a realidade.

Porque assistir: Já chama a atenção um filme nacional que pelo menos tenta ser diferente da quantidade de comédias, dramas e outros filmes de cárater duvidoso lançados anualmente no país. Palmas por tentar diferenciar.

Desconfianças: Será que vai além das boas intenções? Afinal, estamos falando do gênero mais manjado de todos. E Sandy? Ok, ok.

Vontade de ver: 3/5

Estreia: 31 de Janeiro

FEVEREIRO

Uma Aventura Lego

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O que é: Depois da bem sucedida adaptação de Anjos da Lei (que também ganha continuação este ano), os diretores Phil Lord e Chris Miller trazem os famosos blocos de montar da Lego para o cinema. A trama envolve um “boneco” comum que acaba se aliando a diversas figuras populares (como Batman, Superman e a Liga da Justiça) para impedir um perigoso vilão.

Porque assistir: Miller e Lord têm bom teor cômico e reuniram um elenco popular para fornecer a dublagem. Sem falar que a Lego oferece uma variedade abundante de personagens para se aproveitar aqui; só pela presença de Batman e Superman já deve valer a pena.

Desconfianças: Mesmo com um universo vasto à disposição, raramente dá certo (com exceção da grana) quando Hollywood resolve levar brinquedos às telas.

Vontade de ver: 3.5/5

Estreia: 7 de Fevereiro

Grace: A Princesa de Mônaco

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O que é: Nicole Kidman protagoniza a cinebiografia da atriz Grace Kelly, uma das musas de Alfred Hitchcock, enquanto esta já se encontrava longe do Cinema, usando todo seu prestígio e influência para amenizar uma disputa política entre a França e Mônaco, em 1962.

Porque assistir: Nicole Kidman promete uma bela performance no papel central.

Desconfianças: Sei não, Nicole Kidman é linda e talentosa, mas só Grace Kelly é Grace Kelly, e acho que a trama seria mais interessante caso se concentrasse em sua carreira de atriz.

Vontade de ver: 3/5

Estreia: 7 de Fevereiro

Hércules 3D

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O que é: Preparem-se, esse ano temos dupla investida de Hércules nos cinemas. A primeira traz Kellan Lutz como uma versão mais jovem do herói grego e promete revelar sua origem, que envolve seu banimento do reino natal e sua consequente batalha para retornar.

Porque assistir: Acho bacana contar a origem do icônico personagem, não me lembro a última vez em que isso foi feito.

Desconfianças: Não que eu me interesse por nenhuma das duas versões, mas a protagonizada por The Rock parece melhor e mais grandiosa.

Vontade de ver: 2/5

Estreia: 7 de Fevereiro

Operação Sombra: Jack Ryan

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O que é: Não bastasse ser o novo capitão Kirk de Star Trek nos cinemas, Chris Pine agora é o terceiro ator a assumir a identidade do agente da CIA Jack Ryan nas telonas, após Alec Baldwin, Harrison Ford e Ben Affleck. A nova aventura é dirigida por Kenneth Branagh e traz Ryan em uma perigosa missão em Moscou.

Porque assistir: O elenco parece bom, mais uma chance para Chris Pine comprovar seu carisma como herói de ação.

Desconfianças: Ainda existe espaço pra mais um agente secreto no cinema com todos os Bonds, Bournes, Ethan Hunts e Jack Reachers da vida? Não me parece inédito.

Vontade de ver: 2/5

Estreia: 7 de Fevereiro

Trapaça

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O que é: Depois de ser indicado ao Oscar duas vezes consecutivas com O Vencedor e O Lado Bom da Vida, David O. Russell já pode ir preparando o tuxedo, pois seu Trapaça certamente vai ser um dos destaques da premiação de 2014. O diretor reuniu um elenco estelar (que mistura os melhores intérpretes de seus dois últimos filmes) em uma trama que envolve um agente do FBI (Bradley Cooper) colaborando com um grupo de trapaceiros liderado por Christian Bale.

Porque assistir: Russell vem se revelando um diretor cada vez melhor, e escolheu o elenco e gênero perfeitos para rebater mais um home run.

Desconfianças: Difícil hein, só espero que o filme saia um pouco do padrão típico do gênero.

Vontade de ver: 4/5

Estreia: 7 de Fevereiro

Os Caçadores de Obras-Primas

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O que é: Novo filme com George Clooney na direção, é centrado em um grupo de sujeitos que roubam (e protegem) valiosas obras de arte durante a Segunda Guerra Mundial. Deveria ter estreado no ano passado, mas o lançamento foi adiado para que os efeitos visuais pudessem ser finalizados.

Porque assistir: Clooney é um ótimo diretor e, além de ter reunido um elenco excelente que inclui Cate Blanchett, Bill Murray, Matt Damon, John Goodman e Jean Dujardin, o filme traz uma premissa muito, muito interessante.

Desconfianças: Por enquanto, nenhuma.

Vontade de ver: 4/5

Estreia: 14 de Fevereiro

Ela

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O que é: Spike Jonze volta à direção (e também assina o roteiro), dessa “dramédia” romântica de ficção científica, que traz o solitário personagem de Joaquin Phoenix apaixonado pela voz do novo sistema operacional de seu computador.

Porque assistir: Jonze tem ótimas ideias, e a premissa de Ela já é sedutora por oferecer uma boa reflexão acerca do apegamento humano à tecnologia.

Desconfianças: A ideia é boa, espero apenas que Jonze saiba desenvolvê-la com habilidade.

Vontade de ver: 5/5

Estreia: 14 de Fevereiro

Philomena

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O que é: Novo filme de Stephen Frears que promete levar Judi Dench ao Oscar mais uma vez. Aqui ela intepreta uma mulher que recebe auxílio de um jornalista (Steven Coogan) para encontrar seu filho perdido há anos.

Porque assistir: Pela performance de Dench, e também pela dinâmica que este promete estabelecer com Coogan, ator bem mais ligado à comédias.

Desconfianças: Tirando isso, é uma das premissas mais batidas da História.

Vontade de ver: 3/5

Estreia: 14 de Fevereiro

Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum

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O que é: O novo filme dos Irmãos Joel e Ethan Coen sobre Llewyn Davis, um artista fictício da música folk que viaja pelos Estados Unidos dos anos 60 em busca de reconhecimento.

Porque assistir: São os Coen, assisto até comercial de fraldas. Além disso, as músicas produzidas para o filme são muito divertidas e o elenco é de primeira: Oscar Isaac, Carey Mulligan, Justin Timberlake e John Goodman.

Desconfianças: Só um pouco assim com o fato de ser dedicado ao musical, mas confio totalmente nos Coen.

Vontade de ver: 5/5

Estreia: 21 de Fevereiro

12 Anos de Escravidão

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O que é: Elogiadíssimo novo filme de Steve McQueen e forte favorito ao Oscar deste ano, 12 Anos de Escravidão narra a história real de um homem livre (Chiwetel Ejifor) que é sequestrado e escravizado em uma fazenda, condição na qual permaneceu por mais de uma década. O filme também marca a terceira parceria do diretor com o ator Michael Fassbender, que aqui intepreta um cruel capataz.

Porque assistir: Steve McQueen tem se mostrado como um dos mais talentosos diretores da atualidade, vejo tudo o que ele fizer. Além disso, ele é mais um que promete retratar o tema da escravidão nos EUA de forma fiel. Melhor filme do ano à vista?

Desconfianças: Nenhuma, acho que é sucesso.

Vontade de ver: 5/5

Estreia: 21 de Fevereiro

Clube de Compras Dallas

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O que é: Mais uma sólida investida dramática do cada vez melhor Matthew McCoughney, Clube de Compras Dallas retrata a história real de um texano que contrai AIDS e, como esta ainda era um mistério na época, passa a contrabandear remédios para o país a fim de ajudar outros diagnosticados com a doença.

Porque assistir: Promete ser o grande papel da carreira de McCoughney até agora, e também de Jared Leto – ambos cotados para indicações (e quem sabe vitórias?) para o Oscar deste ano.

Desconfianças: Parece-me mais um filme de atores do que um “grande filme”.

Vontade de ver: 3/5

Estreia: 21 de Fevereiro

Mandela

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O que é: Nova caracterização cinematográfica de Nelson Mandela nas telonas, agora traz o ator Idris Elba em um retrato mais englobado (algo que não ocorreu em Invictus, focado apenas em um evento) da vida do ex-líder sul africano falecido no ano passado, incluindo sua prisão e posse de presidência.

Porque assistir: O excelente Idris Elba promete uma ótima performance no papel-título, é sua chance de roubar os holofotes.

Desconfianças: Mandela de novo?

Vontade de ver: 2/5

Estreia: 28 de Fevereiro

Nebraska

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O que é: Novo filme de Alexander Payne que aposta numa fotografia em preto-e-branco e na performance de Bruce Dern como um sujeito excêntrico que acredita ter ganho 1 milhão de dólares repentinamente. Ao lado de seu filho (Will forte), ele parte em uma viagem para reclamar seu suposto prêmio em Nebraska. #Oscar2014

Porque assistir: Os ianques (e não só eles) falaram muito bem sobre o filme, e a premissa oferece aquele tipo de situação simples daonde é possível arrancar momentos divertidos.

Desconfianças: Boa premissa, sim. Vamos esperar que o roteirista Bob Nelson tenha preenchido-a com eficiência.

Vontade de ver: 4/5

Estreia: 14 de Fevereiro

Pompeia

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O que é: Aventura em 3D que cria uma história de romance em meio a erupção do Vesúvio: o Jon Snow de Game of Thrones, Kit Harrington, interpreta um escravo que luta para fugir do cativeiro em um navio de guerra e salvar sua amada. O de sempre, com vulcões.

Porque assistir: Não sei vocês, mas eu encaro essa pra ver a linda da Emily Browning em 3D IMAX.

Desconfianças: A história até parece interessante, mas não dá pra confiar em Paul W.S. Anderson (de quase todos os Resident Evil e aquela versão estranha de Os Três Mosqueteiros).

Vontade de ver: 2/5

Estreia: 21 de Fevereiro

RoboCop

Joel Kinnaman

O que é: Remake comandado pelo brasileiro José Padilha para o icônico Policial do Futuro, o novo Robocop vai recontar a história de Alex Russell, que após ser vítima de um atentado letal, tem seu corpo fundido com uma máquina de inteligência artificial.

Porque assistir: Acho que é o primeiro blockbuster dirigido por um brasileiro em Hollywood, e o personagem certamente merece uma reinvenção. O original é bom, mas acho que pode ficar melhor.

Desconfianças: Eu quero que esse filme funcione, mas remake de Robocop (um ícone adorado pelo mundo todo) é difícil de ser lidado.

Vontade de ver: 4/5

Estreia: 21 de Fevereiro

Tudo por um Furo

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O que é: Continuação da aclamada comédia O Âncora: A Lenda de Ron Burgundy, a continuação (que curiosamente traz uma tradução que corta ligações com o filme original) traz de volta a redação formada por Will Ferrell, Paul Rudd, Steve Carell e David Koechner em uma trama que os traz tentando recuperar o prestígio.

Porque assistir: O primeiro filme é bem divertido, se manterem a mesma linha (o elenco todo retorna, já é um bom sinal) o resultado vai ser bom.

Desconfianças: Vejamos se as piadas vão funcionar, mesmo dez anos após o primeiro filme.

Vontade de ver: 3.5/5

Estreia: 28 de Fevereiro

MARÇO

300: A Ascensão do Império

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O que é: Visto tanto quanto prelúdio ou continuação, A Ascenção do Império é a nova investida ao universo de batalhas espartanas de Frank Miller. Com base na graphic novel Xerxes, o longa deve focar-se no general persa de Rodrigo Santoro e também em uma batalha paralela à do filme original: a de Artemisia.

Porque assistir: 300 foi uma ótima adaptação de quadrinhos – especialmente por sua abordagem radical à um evento histórico – e será ótimo ver seu lindo visual novamente. Isso sem falar no retorno do Xerxes de Santoro, o elemento mais interessante do longa de Zack Snyder. De bônus, temos Eva Green no elenco.

Desconfianças: Zack Snyder não é o diretor, e foi graças a seu estilo e apuro visual que o primeiro filme conseguiu se destacar tanto. O novo diretor parece simplesmente tentar copiar seu estilo, sem sucesso. E precisamos mesmo de uma continuação? E de um personagem genérico barbudo pra gritar?

Vontade de ver: 3/5

Estreia: 7 de Março

Até o Fim

Robert Redford

O que é: Elogiada produção de J. C. Chandor que vem colecionando diversas indicações pela performance de Robert Redford, que interpreta um experiente marinheiro que precisa lutar para sobreviver após seu veleiro ser danificado em uma colisão. Condições climáticas desfavoráveis, tempestades e tubarões entram na lista de desafios.

Porque assistir: Robert Redford promete uma excelente performance, e J.C. Chandor fez uma competente estreia como diretor em Margin Call – O Dia Antes do Fim.

Desconfianças: Não parece trazer novidades em relação ao gênero, soando mais como um espetáculo do ator.

Vontade de ver: 3/5

Estreia: 7 de Março

Tudo por Justiça

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O que é: Depois de garantir um Oscar a Jeff Bridges no eficiente Coração Louco, o diretor Scott Cooper agora traz Christian Bale como um homem que parte para fazer justiça com as próprias mãos após o misterioso desaparecimento de seu irmão. O elenco conta também com Woody Harelson, Zoe Saldana e Casey Affleck.

Porque assistir: Vem aí mais uma atuação forte de Bale.

Desconfianças: Com exceção do elenco, não parece ter muitos atrativos. Quero dizer, justiça com as próprias mãos de um homem comum? Batido.

Vontade de ver: 3/5

Estreia: 7 de Março

Walt nos Bastidores de Mary Poppins

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O que é: Uma dramatização sobre o período de 14 anos em que Walt Disney (interpretado por Tom Hanks) tentou convencer a escritora Pamela Lyndon Travers (aqui, Emma Thompson) a adaptar seu livro “Mary Poppins” para o cinema. Caso esteja se perguntando quem é o “sr. Banks” do título original, trata-se do banqueiro que é pai das crianças da história, e suas transformações como personagem.

Porque assistir: Tom Hanks de Walt Disney? Essa daí promete.

Desconfianças: John Lee Hancock (Um Sonho Possível) é o diretor, tomara que ele não transforme o filme em um melodrama.

Vontade de ver: 3.5/5

Estreia: 7 de Março

Need for Speed

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O que é: Então, no final de Breaking Bad, Jesse Pinkman largou a vida de traficante e resolveu se aventurar nas corridas em alta velocidade… Brincadeira, trata-se de uma adaptação do game Need For Speed, que traz o talentoso Aaron Paul na pele de um ex-presidiário que planeja uma vingança contra os responsáveis por sua prisão. Uma vingança em forma de corrida, claro.

Porque assistir: Pelo que pudemos observar nos trailers, as cenas de ação estão visualmente impressionantes, sem falar que Aaron Paul é um excelente ator e esta pode ser sua passagem para explodir no cinema mainstream.

Desconfianças: Infelizmente, Paul provavelmente será desperdiçado. Não temos nenhuma novidade aqui, parece meio inútil apostar em franquias de corrida quando Velozes e Furiosos domina totalmente o gênero e pra acrescentar, é um videogame. Aposta acirrada.

Vontade de ver: 3/5

Estreia: 14 de Março

Vampire Academy: O Beijo das Sombras

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O que é: Quando você pensa que não é possível que lancem mais obras relacionadas a vampiros, pense novamente. O filme é adaptado do romance de Richelle Mead, sobre uma (é, sem brincadeira) escola para vampiros… Nesse cenário, existem duas espécies diferentes em conflito: Moroi e Strigoi.

Porque assistir: Fãs do livro, manifestem-se. Não consigo encontrar motivos para assistir…

Desconfianças: Tudo. Eu pelo menos estou fora.

Vontade de ver: 0/5

Estreia: 14 de Março

Noé

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O que é: Darren Aronofsky comanda um épico inspirado em uma HQ de autoria própria, que por sua vez oferece uma pegada radical para o conhecido conto bíblico da Arca de Noé. Russell Crowe empresta suas feições ao homem escolhido por Deus para construir uma embarcação que abrigue sua família e diferentes espécies de animais enquanto um dilúvio é enviado para destruir o mundo.

Porque assistir: Aronofsky já se transformou naquele tipo de diretor que você acompanha independentemente do projeto…. E a escala prometida para Noé, assim como o elenco e abordagem épica, parecem fascinantes.

Desconfianças: Isso é completamente diferente de tudo o que Aronofsky já fez em sua carreira. E dizem as más línguas que o diretor e a Paramount não têm se entendido bem quanto ao resultado final da fita. Hum, que o estúdio não assuma o controle criativo.

Vontade de ver: 4/5

Estreia: 21 de Março

Os Muppets 2

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O que é: Os comediantes Ricky Gervais e Tina Fey entram na brincadeira que foi uma das mais lucrativas de 2011, agora em uma trama que envolve os Muppets lidando com situações cômicas enquanto promovem um tour pela Europa. Além da dupla citada, Christoph Waltz, Salma Hayek, Tom Hiddleston, Ray Liotta, Lady Gaga e mais uma penca de astros compõem o elenco.

Porque assistir: Parece aquele tipo de sequência “maior e melhor”, com potencial o bastante para agradar aos fãs dos personagens.

Desconfianças: Eu sinceramente não vejo graça nenhuma em Muppets. Achei o primeiro filme divertidinho, mas não me interesso pela continuação.

Vontade de ver: 2/5

Estreia: 27 de Março

A Imigrante

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O que é: Novo filme do subestimado diretor James Gray, traz Marion Cottilard na pele de uma imigrante polonesa recém-chegada na Nova York dos anos 20. Sem ter a quem recorrer, ela acaba nas mãos do cafetão vivido por Joaquin Phoenix, mas pode ter encontrado uma salvação quando o mágico Orlando (Jeremy Renner) entra em sua vida.

Porque assistir: Gray é um excelente diretor (assistam Amantes e Os Donos da Noite, seus dois últimos trabalhos) e reuniu um ótimo elenco a seu lado.

Desconfianças: Não fiquei interessado pela trama, soa clichê e vaga. Mas confio na capacidade de Gray de tirar algo bom daqui.

Vontade de ver: 4/5

Estreia: Março

ABRIL

The Grand Budapest Hotel

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O que é: Novo filme de Wes Anderson, promete ser um dos mais divertidos de 2014: a trama é ambientada no período das duas guerras mundiais, enfocando a relação do gerente de um prestigioso hotel (Ralph Fiennes) com seus empregados, hóspedes e situações que vão do roubo de famosas pinturas até transformações históricas.

Porque assistir: Disparado, o melhor elenco do ano (veja aqui o pôster pequeno demais para tantos nomes), vem aí mais uma galeria de personagens marcantes para carreira de Anderson. E a investida histórica pode ficar muito divertida na visão peculiar do diretor.

Desconfianças: Por enquanto, nada.

Vontade de ver: 4/5

Estreia: 4 de Abril

O Duplo

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O que é: Adaptação da obra homônima de Fiódor Dostoiévski, o filme de Richard Ayoade traz Jesse Eisenberg no papel de um homem assustado por encontrar um sujeito muito parecido consigo mesmo, podendo até mesmo ser uma sósia. Mia Wasikowska e Noah Taylor complementam o elenco.

Porque assistir: Boa premissa e bom material de fonte, além de parecer curiosa a a escolha de Ayoade em transformar o filme numa comédia de humor negro.

Desconfianças: Dostoiévski (ou Dosto, para os mais chegados) é um dos autores mais difícieis de se ser adaptados para o cinema.

Vontade de ver: 3.5/5

Estreia: 4 de Abril (Reino Unido)

Capitão América – O Soldado Invernal

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O que é: A Fase Dois do universo cinematográfico da Marvel Studios continua com a segunda aventura solo do Primeiro Vingador: Capitão América. Vivendo na Washington dos dias atuais, o herói de Chris Evans vai enfrentar a corrupção que parece vir de dentro da própria SHIELD, além de um inimigo misterioso conhecido como Soldado Invernal.

Porque assistir: A trama aqui parece muito mais interessante com toda essa questão de “conflito interno” da agência de Nick Fury. Já dizia outro famoso capitão da cultura pop que “o sistema é foda…” Sem falar que o uniforme do Capitão América é bem mais badass e não provoca risos como o anterior.

Desconfianças: Se for levar em consideração Homem de Ferro 3 e Thor – O Mundo Sombrio, a nova fase da Marvel não anda lá essas coisas. Espero que não pesem a mão no equilíbrio humor/drama (problema universal nos filmes do estúdio) e nem que acelerem a ação para o vindouro Vingadores: A Era de Ultron.

Vontade de ver: 4/5

Estreia: 11 de Abril

Oldboy – Dias de Vingança

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O que é: Nova adaptação do mangá Oldboy, que já havia sido adaptado majestosamente pelo sulcoreano Chan Wook Park em 2002. A trama segue um homem (Josh Brolin) que é misteriosamente sequestrado e mantido em cativeiro por 20 anos. Quando liberto, ele parte em uma saga de vingança para descobrir os responsáveis.

Porque assistir: Spike Lee é o responsável pela releitura e, além de ser um diretor talentoso, reuniu um ótimo elenco.

Desconfianças: Será que a versão americana vai manter todos os elementos chocantes e perturbadores do original? Vai trazer coisas novas?

Vontade de ver: 3.5/5

Estreia: Então, a estreia estava marcada originalmente para 6 de Janeiro, mas a Paris Filmes ainda não anunciou a nova data.

Only Lovers Left Alive

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O que é: Jim Jarmusch oferece sua versão acerca das criaturas sanguessugas (é, nunca vamos parar com isso agora) ao trazer um casal de vampiros que mantém uma duradoura relação de aproximadamente 200 anos. Tudo muda quando a irmã caçula da vampira começa a se intrometer em suas vidas.

Porque assistir: Parece uma abordagem original, já que o foco aparentemente reside não apenas no romance, mas nos séculos que o manteram. O elenco também ajuda: Tilda Swinton, Tom Hiddleston e Mia Wasikowska lideram.

Desconfianças: Jarmusch é dono de uma abordagem bastante pessoal, veremos como ela se aplicará ao tema.

Vontade de ver: 4/5

Estreia: 11 de Abril (EUA)

Divergente

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O que é: Novo fenômeno infanto-juvenil à vista? A trilogia de Veronica Roth aposta em mais um futuro distópico com regimes totalitários e heroínas adolescentes.

Porque assistir: A trama até chama a atenção, sem falar que o elenco (liderado pela sensacional Shailene Woodley) é de primeira.

Desconfianças: No fim, pode ser mais uma tentativa fracassada de se tornar a nova mania teen da vez. Dezesseis Luas, Instrumentos Mortais e mais um monte de sagas literárias que o digam.

Vontade de ver: 3.5/5

Estreia: 18 de Abril

Transcendence

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O que é: Estreia de Wally Pfister (diretor de fotografia habitual de Christopher Nolan), o filme traz Johnny Depp na pele de um cientista que, após sofrer um atentado letal, tem sua mente transferida para um computador. Com o passar do tempo, não demora para que sua consciência vá gradualmente tomando conta de outros aparelhos tecnológicos e assuma um caráter destrutivo.

Porque assistir: Parece sci-fi da boa, além de trazer Depp em um raro cenário onde este não se entregue completamente à papéis cartunescos/exagerados. 

Desconfianças: Que Pfister é um excelente cinematógrafo, é um fato. Veremos como ele sai na direção.

Vontade de ver: 4/5

Estreia: 18 de Abril

Refém da Paixão

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O que é: Jason Reitman (de Juno Amor sem Escalas) aposta no carisma de Kate Winslet e Josh Brolin em uma trama que traz a personagem da primeira tendo sua residência invadida por um fugitivo da prisão. A história se desenrola durante o Dia do Trabalho dos EUA (daí o título original).

Porque assistir: Reitman é muito talentoso, e desde Amor sem Escalas que não consegue fazer barulho (Jovens Adultos, alguém lembra que era dele?). Estamos confiando na história e nas performances centrais, que parecem excepcionais.

Desconfianças: Se uma história de amor se desenrolar em meio a essa premissa vai ser clichezaço, pra dizer o mínimo…

Vontade de ver: 3/5

Estreia: 24 de Abril

MAIO

O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro

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O que é: Marc Webb retorna para a continuação do reboot de 2012, trazendo Peter Parker naquela que promete ser sua maior dor de cabeça nas telas de cinema. Além do azulado Electro do título, seu alter-ego aracnídeo vai ter mais uma penca de vilões para enfrentar: o Rino quadrúpede de Paul Giammatti, o Duende Verde de Dane DeHaan (ou Chris Cooper, quem sabe) e toda a Oscorp, num sentido geral. E ainda tem sua Tia May desconfiando cada vez mais de sua identidade secreta. E o passado misterioso dos pais. E a Gwen Stacy. Cabe tudo num filme só?

Porque assistir: O filme parece muito mais grandioso do que seu mediano antecessor, e Jamie Foxx promete roubar a cena com seu aparentemente carismático Electro. E o Hans Zimmer vai fazer a trilha sonora, opa!

Desconfianças: Reparou na quantidade de elementos de história esse filme vai trazer? E quantos vilões? Então, todo mundo lembra o que deu da última vez… E espero que Webb tenha aprendido a fazer cenas de ação de verdade, e que os efeitos visuais horrorosos mostrados no trailer sejam apropriadamente melhorados até a data de lançamento…

Vontade de ver: 3/5

Estreia: 1º de Maio

Estreia: 2 de Maio (Reino Unido)

Godzilla

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O que é: 15 anos após o divertido (me julguem) filme de Roland Emmerich, o mais famoso monstro destruidor de cidades da cultura pop mundial ganha um reboot que promete lhe devolver os dias de glória. Pouco se sabe sobre a sinopse, mas o diretor Gareth Edwards confirmou que, além de arrebentar grandes cidades, o monstrão japonês vai enfrentar outras criaturas…

Porque assistir: A escala prometida para o filme é gigantesca, e o tom escolhido (Edwards compara a destruição e o impacto desta em seu filme com os ataques do 11 de Setembro) parece acertadíssimo. De brinde ainda temos a presença de Kick-Ass e Walter White na produção.

Desconfianças: Por mais que a ideia de ter Godzilla enfrentando outros monstros possa ser visualmente espetacular, tenho medo de que isso tire o fator humano de foco ou transforme o monstrão em alguma espécie de anti-herói.

Vontade de ver: 4/5

Estreia: 16 de Maio

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

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O que é: O mais ambicioso filme dos mutantes da Marvel/Fox até hoje. Dias de um Futuro Esquecido vai juntar as duas gerações já estabelecidas (a trilogia original de Bryan Singer/Brett Ratner e o Primeira Classe de Matthew Vaughn) em uma trama que envolve o Wolverine de Hugh Jackman voltando aos anos 70 para evitar uma catástrofe que coloca toda a raça mutante em risco.

Porque assistir: As versões jovens de Magneto e Xavier, Michael Fassbender e James McAvoy, foram sem dúvida alguma o maior acerto do estúdio em relação ao material, e vai ser muito interessante vê-los novamente – e também, o tão esperada continuação para as pontas soltas deixadas por X-Men: O Confronto Final. Sem falar que este é o retorno de Bryan Singer à direção da franquia. Acho que vem coisa boa.

Desconfianças: O problema é ver como a história vai se acertar na prometida complexidade de realidades alternativas e saltos temporais, e ainda teremos dezenas de personagens disputando tempo em tela. Eu só espero que o filme se concentre mais na ação com o elenco de Primeira Classe.

Vontade de ver: 5/5

Estreia: 23 de Maio

Pelé

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O que é: Para a alegria do eterno Chaves do Oito, ele finalmente poderá “assistir ao filme do Pelé”… A biografia hollywoodiana no mais popular jogador de futebol brasileiro de todos os tempos traz direção e roteiro dos irmãos Jeff e Michael Zimbalist, prometendo abranger desde a infância do jogador até a Copa do Mundo de 1958. O estreante Kevin de Paula viverá o ator na fase adulta.

Porque assistir: Fãs do esporte e do Pelé não vão perder.

Desconfianças: Mas eu não sou fã nem do esporte, nem do Pelé. Nada contra, também. Só acho curioso que o filme não tenha sido produzido no Brasil, e sim nos EUA (o investimento do projeto veio do presidente do Cosmos de Nova York, time em que Pelé jogou).

Vontade de ver: 2/5

Estreia: 28 de Maio

No Limite do Amanhã

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O que é: Tom Cruise não vai se aposentar da ação tão cedo… Agora ele estrela a ficção científica comandada por Doug Liman, onde a Humanidade encontra-se em meio a uma guerra contra alienígenas. O personagem de Cruise é morto em ação, mas misteriosamente acaba preso em um loop temporal que o faz repetir diversas vezes seu último dia de vida. Tipo Feitiço do Tempo.

Porque assistir: O conceito de loop temporal é fascinante, fico curioso pra ver como ele será utilizado aqui. Sem falar que vai ser interessante ver Emily Blunt em um exoesqueleto brutal arrebentando aliens.

Desconfianças: Veremos como os roteiristas vão brincar com o conceito, e se ele vai fazer sentido (ou pelo menos trazer alguma novidade).

Vontade de ver: 3/5

Estreia: 30 de Maio

Malévola

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O que é: Baseando-se no clássico conto da Bela Adormecida, o filme de Robert Stromberg (que estreia na direção após duas vitórias no Oscar graças a seu trabalho no departamento de efeitos visuais) concentra-se na vilã Malélova, e os acontecimentos que a fizeram tornar-se quem é.

Porque assistir: Só o visual macabro de Angelina Jolie já deve fazer valer a visita.

Desconfianças: Legal o visual da Jolie e tal, mas qual vai ser exatamente a graça dessa história?

Vontade de ver: 2/5

Estreia: 30 de Maio

A Million Ways to Die in the West

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O que é: Depois do sucesso de sua estreia no cinema com Ted, o diretor e roteirista Seth McFarlane leva suas piadas ácidas para o Velho Oeste. A trama acompanha um fazendeiro (McFarlane) que é abandonado por sua esposa e acaba por conhecer um destemido pistoleiro (Liam Neeson) que promete ajudá-lo a ser mais corajoso.

Porque assistir: Gosto do humor negro de McFarlane, e vai ser interessante ver como ele vai aplicá-lo em uma produção de época. Tarantino conseguiu fazer isso muitíssimo bem com Django Livre.

Desconfianças: Mas nem todo mundo é Tarantino, claro… Mesmo que soe interessante, McFarlane vai precisar se esforçar para acertar no tom e não transformar o filme no próximo As Loucas Aventuras de James West.

Vontade de ver: 3.5/5

Estreia: 30 de Maio

JUNHO

A Culpa é das Estrelas

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O que é: Adaptação da milionária obra literária de John Green, A Culpa é das Estrelas traz uma história de amor incomum entre uma menina (Shailene Woodley) com câncer e um ex-jogador de basquete (Ansel Elgort) com uma prótese mecânica.

Porque assistir: Shailene Woodley é uma excelente atriz (e Elgort foi uma das poucas boas surpresas do último Carrie), e enquanto não li o livro, aposto no talento dos roteiristas Scott Neustadter e Michael H. Weber; responsáveis por (500) Dias com Ela e The Spectacular Now.

Desconfianças: Não conheço John Green, então espero que ele não se revele um Nicholas Sparks…

Vontade de ver: 4/5

Estreia: 13 de Junho

Como Treinar o seu Dragão 2

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O que é: Sequência de uma das animações mais bem-sucedidas da DreamWorks, Como Não Treinar o seu Dragão 2 traz de volta Soluço e seu dragão Fúria da Noite em uma trama que os envolve descobrindo mais espécies de dragões e enfrentando um perigoso inimigo.

Porque assistir: Certamente parece mais um exemplo de sequência “maior e melhor”. E os roteiristas tiveram 4 anos de intervalo entre um filme e outro, tempo o suficiente para criar uma boa história.

Desconfianças: Não sei dizer, já que não vi o primeiro.

Vontade de ver: 3/5

Estreia: 19 de Junho

The Zero Theorem

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O que é: Novo filme de Terry Gilliam que aposta pesado em conceitos de ficção científica ao apresentar Christoph Waltz (sério, em quantos filmes o cara está neste ano??) na pele de um gênio da computação atormentado por questões existenciais. A trama se desenrola em um cenário futurista e cyberpunk, dominado por “homens-câmera” que vigiam o ambiente para uma misteriosa entidade.

Porque assistir: Christoph Waltz parece estar fantástico no papel, seria ótimo ver alguém que não seja Tarantino aproveitar de seu imenso talento.

Desconfianças: Acho confuso demais para funcionar, mas veremos.

Vontade de ver: 3/5

Estreia: 27 de Junho

JULHO

Anjos da Lei 2

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O que é: Continuação da excelente comédia de 2012, traz os policiais de Jonah Hill e Channing Tatum agora infiltrados em uma faculdade, onde devem prender mais um traficante de drogas.

Porque assistir: Sou fã absoluto do primeiro filme e da forma como a adaptação da série de TV foi feita. Anseio muito por mais desses personagens e também fico feliz pelo retorno dos diretores e roteiristas.

Desconfianças: Quantas continuações de comédias vocês conhecem que são tão boas quanto o original? Pois é, e ter uma premissa quase que idêntica à do primeiro (os dois são amigos, se infiltram e brotam divergências) não ajuda muito. Espero que me surpreenda.

Vontade de ver: 5/5

Estreia: 4 de Julho

Transformers – A Era da Extinção

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O que é: Salvem-se! Michael Bay e seus robôs transformistas gigantes estão de volta, e dessa vez nem o carisma de Shia LaBeouf ou as curvas de Megan Fox poderam salvá-lo! A trama desse quarto filme apresenta novos personagens humanos (liderados por Mark Whalberg) e deve trazer também os populares “dinobots”, robôs-dinossauro-transformistas. É, isso aí.

Porque assistir: Er, dinossauros robôs? Parece visualmente criativo.

Desconfianças: Michael Bay, Transformers… Essa franquia já morreu pra mim depois do eficiente primeiro filme. De lá pra cá, só ladeira abaixo e, mesmo o sr. Bay falando que esse vai ser melhor, não duvido que este sofrerá o mesmo resultado.

Vontade de ver: 2/5

Estreia: 18 de Julho

Planeta dos Macacos: O Confronto

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O que é: A Fox acertou em cheio ao confiar no potencial da então esquecida franquia Planeta dos Macacos com o reboot de 2011. Agora, Matt Reeves (responsável pelos ótimos Cloverfield e Deixe-me Entrar) eleva os riscos ao trazer a Humanidade em guerra contra os símios, liderados pelo macaco César.

Porque assistir: O filme anterior foi surpreendentemente bom, e esse tem tudo para ser ainda melhor. Sem falar que Reeves é um diretor subestimado em Hollywood, essa pode ser sua chance de mostrar a que veio.

Desconfianças: Olha, acho que esse aqui é sucesso garantido… Pelo menos, espero.

Vontade de ver: 5/5

Estreia: 25 de Julho

AGOSTO

Guardiões da Galáxia

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O que é: Novo filme da Marvel Studios que aposta alto ao apresentar personagens completamente desconhecidos do grande público. Os Guardiões da Galáxia são formados por seres de diferentes raças alienígenas (e um humano), e enquanto não temos informações concretas sobre a trama, é certo apostar na presença do vilão Thanos e o Colecionador (que apareceram nos finais de, respectivamente, Os Vingadores e Thor – O Mundo Sombrio).

Porque assistir: É a Marvel apostando em novos personagens, universos e franquias. Vale pela curiosidade, e porque você provavelmente vai precisar disto para entender outros filmes do estúdio.

Desconfianças: Sinceramente, parece ridículo demais para funcionar no cinema. Espero estar enganado.

Vontade de ver: 3.5/5

Estreia: 1º de Agosto

O Destino de Júpiter

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O que é: Nova ficção científica de Andy e Lana Wachowkski, o primeiro trabalho original da dupla desde a trilogia Matrix (já que Speed Racer e A Viagem são adaptações), aposta em um cenário extremamente futurista e povoado por criaturas híbridas de humanos e animais. Aí encontramos o caçador vivido por Channing Tatum, responsável por localizar e proteger a faxineira interpretada por Mila Kunis, que estaria predestinada e mudar o curso do Universo.

Porque assistir: Os Wachowskis estão devendo um trabalho original desde 2003 e se Júpiter for tudo o que está prometendo, vai ser de explodir a cabeça. E ficções científicas originais sempre são bem-vindas.

Desconfianças: Mesmo que aprove originalidade, tenho medo de que o resultado abrace demais a bizarrice e leve para o caminho do ridículo.

Vontade de ver: 3.5/5

Estreia: 8 de Agosto

Magic in the Moonlight

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O que é: Novo filme de Woody Allen! Como de costume, não há sinopse ou dicas sobre o que se trata. Sabemos que a história se desenrola no sul da França e que o elenco é encabeçado por Emma Stone, Colin Firth e Marcia Gay Harden.

Porque assistir: Se você é fã do Woody Allen, vai estar lá. E eu sou. E também da Emma Stone, o que é um bônus.

Desconfianças: Acho que não sabemos muito o bastante ainda para apontar algo.

Vontade de ver: 4/5

Estreia: 15 de Agosto

Tartarugas Ninja

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O que é: Reboot que novamente tenta estabelecer uma franquia das Tartarugas Ninja nos cinemas, dessa vez em uma produção live action que vai apostar na tecnologia de motion capture para criar os protagonistas. Não se sabe muita coisa sobre a trama, que será uma história de origens, mas Megan Fox interpreta a jornalista April O’Neill e William Fichtner é o vilão Destruidor.

Porque assistir: Ah, tem a Megan Fox de calça leg pulando numa cama elástica… Brincadeiras à parte, me interesso meramente pra saber como ficará o visual das Tartarugas em motion capture. Mas isso posso ver num pôster, ou num trailer. No máximo.

Desconfianças: Pra começar que pessoalmente não vejo potencial nas Tartarugas Ninja pra funcionar eficientemente nos cinemas. Depois que a direção é do incompetente Jonathan Liebesman (de obras-primas como Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles e Fúria de Titãs 2), e pra finalizar… Michael Bay é o produtor. Sinto cheiro de fracasso.

Vontade de ver: 2/5

Estreia: 15 de agosto

Os Mercenários 3

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O que é: E os “tiozões” ainda aguentam mais uma aventura. O grupo mercenário liderado por Sylvester Stallone agora adiciona Harrison Ford, Antonio Banderas, Wesley Snipes, Kelsey Grammer, Kellan Lutz e um vilão na forma de Mel Gibson. Não temos informações sobre a trama, mas isso não é o que importa aqui, né?

Porque assistir: Harrison Ford entrou na brincadeira, só isso já vale a visita.

Desconfianças: A franquia entrega justamente aquilo que promete, a um público-alvo bem estabelecido. Não dá pra esperar muita coisa além do habitual.

Vontade de ver: 3/5

Estreia: 22 de Agosto

Big Eyes

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O que é: Tim Burton comanda uma comédia dramática autobiográfica sobre o casal de pintores Margaret e Walter Keane (vividos por Amy Adams e Christoph Waltz, não Johnny Depp), famosos por retratar imagens de crianças marcadas por olhos imensos. A trama explora como todo o crédito pela venda e arte produzidas iam somente para Walter, ofuscando o real talento de sua esposa.

Porque assistir: Vai ser muito bom ver Burton saindo um pouco dos gêneros fantasiosos (porque já fazem 7 anos que ele não entrega nada que preste), e as performances centrais de Waltz e Adams prometem. Lembram da última cinebiografia que Burton dirigiu? Foi Ed Wood, que permanece até hoje como seu melhor filme…

Desconfianças: Nada, por enquanto. Tenho o pé atrás com biopics, mas esse parece interessante.

Vontade de ver: 4/5

Estreia: Agosto

SETEMBRO

Hércules: The Thracian Wars

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O que é: O outro Hércules do ano, e também aquele que promete ser mais épico. Aqui, Brett Ratner dirige Dwayne “The Rock” Johnson no papel do semi-deus grego, que, após a conclusão de seus Doze Trabalhos, é convocado pelo rei da Trácia para treinar seu exército e transformá-los em uma impiedosa máquina de matar.

Porque assistir: A escala da produção promete ser grandiosamente épica, e esse talvez seja o papel que The Rock nasceu para interpretar. Schwarzenegger teve o Conan, ele tem o Hércules.

Desconfianças: Não me interesso muito por esse também, e me pergunto se o diretor Brett Ratner (cujo currículo é mais ligado a comédias) vai segurar uma produção desse tamanho.

Vontade de ver: 3/5

Estreia: 5 de Setembro

Maps to the Stars

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O que é: Novo filme de David Cronenberg que reúne John Cusack, Julianne Moore, Robert Pattinson, Mia Wasikowska, Carrie Fisher e grande elenco para analisar a sociedade de celebridades e famas em Hollywood, em uma trama que ainda envolveria a ascenção de dois atores mirins e incesto.

Porque assistir: Além do grande elenco, é sempre bom quando o cinema fala de si mesmo – especialmente ao apontar a sujeira de Hollywood.

Desconfianças: Só espero que Croneberg não repita a vibe de Cosmópolis, se é que vocês (zzz) me entendem.

Vontade de ver: 4/5

Estreia: 25 de Novembro (Holanda)

Sin City – A Dama Fatal

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O que é: Finalmente! (de novo) 8 anos do primeiro filme e um ano de adiamento depois, e será lançada a continuação de uma das melhores adaptações de quadrinhos da História. Assim como em A Cidade do Pecado, o novo filme vai trazer três histórias diferentes: uma delas é A Dama Fatal e as outras duas serão criações de Frank Miller exclusivas para o longa.

Porque assistir: Sin City! Quem não quer mais daquele visual arrebatador, a violência cartunesca e os personagens problemáticos (mas incríveis)? Estreie logo, por favor, e não seja adiado novamente!

Desconfianças: Uma história boa pelo menos já é garantia, vamos torcer para que Frank Miller (que não anda em sua melhor fase) faça bonito com as outras duas.

Vontade de ver: 5/5

Estreia: 26 de Setembro

OUTUBRO

Gone Girl

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O que é: Adaptação do best-seller de Gyllian Flynn, Garota Exemplar, comandado pelo grande David Fincher. A trama gira em torno de uma mulher casada que repentinamente desaparece. Enquanto tenta se livrar das acusações injustas lhe recaídas, o marido parte para descobrir a verdadeira história por trás da situação.

Porque assistir: David Fincher é um mestre, e o suspense é seu habitat natural.

Desconfianças: Fiquei sabendo que é uma obra difícil de se adaptar (e que há uma reviravolta igualmente difícil de ser lidada), então questiono se Gyllian Flynn vai saber adequar sua obra para um roteiro cinematográfico. Afinal, são mídias com linguagens diferentes.

Vontade de ver: 5/5

Estreia: 3 de Outubro

The Judge

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O que é: Raridade, raridade! Robert Downey Jr. em algo que não é um blockbuster (desde O Solista, em 2009). A trama envolve um advogado de muito sucesso que retorna à sua cidade natal para comparecer ao velório de sua mãe. Mas chegando lá, descobre que seu pai é acusado de um assassinato.

Porque assistir: Robert Downey Jr. em uma produção que não envolve super-heróis, detetives, explosões ou ambos. Já está ótimo pra ver o ator trabalhando seu potencial dramático – e pelo menos se livrar um pouco da imagem de brincalhão que Tony Stark irreversivelmente lhe garantiu. Por mais divertido que seja, o ator precisa explorar novos terrenos.

Desconfianças: Vamos torcer para não cair nos clichês.

Vontade de ver: 3.5/5

Estreia: 10 de Outubro (EUA)

Dracula Untold

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O que é: Nova incursão do vampiro mais famoso de todos os tempos, mas em uma trama que não envolve vampiros. Mais ou menos… Enfim, o filme de Gary Shore promete apostar as fichas na figura histórica que serviu de inspiração para Drácula, ao mesmo tempo em que, de alguma forma, vai incluir os sanguessugas no meio. Luke Evans, Dominc Cooper e Sarah Gordon estrelam.

Porque assistir: Pode ser interessante ver uma versão mais “fiel aos fatos” relacionada à Drácula. Minha memória me falha, mas não me lembro de nenhum filme sobre o assunto nos últimos anos.

Desconfianças: Ou um, ou outro: ou o filme se concentra nos fatos, ou traz as criaturas fictícias. Será complicado equilibrar ambas as ideias.

Vontade de ver: 3/5

Estreia: 17 de Outubro

Atividade Paranormal 5

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O que é: Mais um filme de Atividade Paranormal… Sabe-se lá qual vai ser a trama agora.

Porque assistir: Se você é fã da série, não vai querer perder.

Desconfianças: Convenhamos, Atividade Paranormal é o novo Jogos Mortais, com continuações infinitas que já não oferecem mais lógica à outrora interessante narrativa.

Vontade de ver: 1/5

Estreia: 24 de Outubro

Vício Inerente

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O que é: Novo filme do mestre Paul Thomas Anderson que adapta a obra homônima de Thomas Pynchon, onde um detetive maconheiro (vivido por Joaquin Phoenix) vaga as ruas da Los Angeles da década de 70 investigando o desaparecimento de sua ex-namorada (Katherine Waterson). O elenco de peso ainda traz Josh Brolin, Benicio Del Toro, Owen Wilson, Reese Whiterspoon e Jena Malone.

Porque assistir: PTA, Joaquin Phoenix, grande elenco, boa premissa, anos 70… Imperdível.

Desconfianças: Só acho improvável que o filme consiga chegar ao Brasil ainda em 2014…

Vontade de ver: 5/5

Estreia: Sem previsão, mas os filmes de PTA geralmente saem no fim do ano.

NOVEMBRO

Interestelar

interstellar

O que é: Novo filme de Christopher Nolan que promete uma escala monumental. Trata-se de uma ficção científica em que uma equipe de astronautas parte para investigar o aparecimento de um buraco de minhoca (wormhole) no espaço, e descobrir aonde a passagem os levará.

Porque assistir: Nolan é um diretor muito ambicioso e a premissa é suculenta. Sem falar na presença de Matthew McCoughney, Anne Hathaway, Jessica Chastain e Michael Caine (sempre). E o que mais? Hans Zimmer na trilha sonora, cenas gravadas em IMAX… É, já estou lá.

Desconfianças: Vamos torcer para que o diretor não se perca nessa grandiosidade – e complexidade.

Vontade de ver: 5/5

Estreia: 7 de Novembro

Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1

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O que é: Primeira parte do capítulo final da saga de Katniss Everdeen e os Jogos Vorazes de Panem. Aqui, além de acertar as pontas soltas do filme anterior, a jovem começa a colocar em prática o movimento revolucionário que visa acabar com o mandato ditatorial do cruel Presidente Snow. Vale destacar a entrada de Julianne Moore no elenco.

Porque assistir: A franquia surpreendeu com a eficiência de seu segundo capítulo, e a conclusão deste já preparou terreno para eventos muito mais impactantes. Parece que o melhor está por vir.

Desconfianças: Espero que o final desta primeira parte não seja tão “motherfucker” como o do antecessor e que o nível de qualidade se mantenha aqui, já que os roteiristas oscarizados de Em Chamas foram substituídos pelo novato (no cinema) Danny Strong.

Vontade de ver: 5/5

Estreia: 14 de Novembro

Debi & Lóide 2

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O que é: Depois de anos de especulações e um dos piores prelúdios da História do Cinema, a dupla Harry Dunne e Lloyd Christmas retorna para mais uma aventura cômica, novamente sob o comando dos irmãos Farelly.

Porque assistir: A dupla formada por Jim Carrey e Jeff Daniels foi uma das mais engraçadas da memória recente no gênero. Já vale pela reunião.

Desconfianças: Será que os Farelly vão acertar novamente? Porque eles já não têm mais aquele brilho apresentado no primeiro filme, e seus últimos trabalhos não foram aquela maravilha

Vontade de ver: 4/5

Estreia: 14 de Novembro

DEZEMBRO

Quero Matar meu Chefe 2

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O que é: Continuação do filme de 2011, traz o trio formado por Jason Bateman, Charlie Day e Jason Sudekis se unindo para sequestrar o filho (Chris Pine) de um investidor fradulento (Christoph Waltz). Também do primeiro filme, retornam Kevin Spacey, Jennifer Aniston e Jamie Foxx.

Porque assistir: O primeiro funciona graças à boa química entre seu elenco principal, e ver que quase todos estão de volta (além das boas adições de Pine e Waltz) é uma ótima notícia.

Desconfianças: Não acho que seja aquele tipo de filme que precise de uma continuação. E outra, eu odeio esse tagarela do Charlie Day…

Vontade de ver: 3/5

Estreia: 5 de Dezembro

O Hobbit: Lá e De Volta Outra Vez

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O que é: Conclusão da trilogia responsável por adaptar a obra de J.R.R. Tolkien para os cinemas, o filme vai encerrar as aventuras de Bilbo Baggins e amarrar as pontas soltas do anterior: o combate com o dragão Smaug, as descobertas de Gandalf e a famosa Batalha dos Cinco Exércitos.

Porque assistir: É o último filme, então vamos lá. Além do mais, o final desgraçado do anterior vai arrastar qualquer um até os cinemas. Qualquer coisa pra ver mais daquele dragão maravilhoso.

Desconfianças: Se forem mais 3 horas, haverá história o suficiente? Seria tedioso se o filme todo se concentrasse apenas na grande batalha final.

Vontade de ver: 4/5

Estreia: 19 de Dezembro

Exodus

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O que é: Pelo visto, épicos bíblicos prometem ser a nova mania de Hollywood… Agora é Ridley Scott que traz Christian Bale, Sigourney Weaver, Ben Kingsley e Aaron Paul, em uma trama que segue a história do Êxodo, onde o profeta Moisés (Bale) conduz os israelidas do Egito até o Monte Sinai, atravessando o deserto e o Mar Vermelho.

Porque assistir: Ridley Scott tem bom olho quando o gênero é o Épico, e reuniu um bom elenco para contar uma boa história que promete garantir momentos grandiosos em tela.

Desconfianças: Anda meio difícil confiar em Scott, mas…

Vontade de ver: 3/5

Estreia: 25 de Dezembro

Into the Woods

INTO THE WOODS

O que é: Rob Marshall (de Chicago, Nine e o último Piratas do Caribe) entra na onda dos contos de fada ao trazer Meryl Streep na pele de uma bruxa que cruza os caminhos de personagens como Chapeuzinho Vermelho, Cinderela e Rapunzel. O elenco traz também Johnny Depp, Emily Blunt, Anna Kendrick e Chris Pine.

Porque assistir: Olha essa Meryl Streep com visual loucona no meio da floresta! Não dá pra negar sua versatilidade , só essa imagem já desperta bastante interesse em ver como a atriz vai encarar o papel de uma bruxa fantasiosa.

Desconfianças: Não sou muito fã do Rob Marshall. Aposto que ele vai tentar enfiar um número musical em algum lugar…

Vontade de ver: 3/5

Estreia: 25 de Dezembro

Foxcatcher

foxcatcher

O que é: Bennett Miller, de Capote e O Homem que Mudou o Jogo, embarca novamente no mundo dos esportes para contar a trágica história real envolvendo um time de luta dos EUA. Nela, dois irmãos (Channing Tatum e Mark Rufallo) ascendem no esporte enquanto sofrem pressão de um esquizofrênico paranóico (Steve Carell), que acabou por assassinar um deles.

Porque assistir: Miller é um diretor muito competente, e se conseguiu transformar beisebol em um assunto interessante (e até levar Jonah Hill para o Oscar), certamente vai acertar aqui. O elenco é muito promissor também, será que Steve Carell finalmente vai descolar uma indicação?

Desconfianças: Por enquanto, nenhuma.

Vontade de ver: 4/5

Estreia: Sem previsão, mas deve sair no fim do ano.

Podem apostar que muitos, muitos filmes ainda serão lançados em 2014 (lembrem-se de que sempre aparecem aqueles filmes bons do nada). Espero que tenham gostado do guia e comentem sobre sugestões que ficaram de fora!