Arquivo para nova york

O Ano Mais Violento | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2015, Drama with tags , , , , , , , , , , , , on 2 de abril de 2015 by Lucas Nascimento

3.0

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Oscar Isaac e Jessica Chastain

Eu já assisti a muitos filmes de gângsteres, e certamente o melhor tipo da variação no gênero é aquele em que o protagonista sucumbe ao caminho perigoso. Seja por lealdade a família, como retratada na imortal trilogia do Poderoso Chefão, a necessidade de sobrevivência e até auto satisfação, na excelente série Breaking Bad, ou pela simples diversão do negócio, vide o também imortal Os Bons Companheiros, é uma metamorfose das mais fascinantes. Então temos algo relativamente inédito: o “quase-gângster”, ao qual J.C. Chandor nos apresenta em O Ano Mais Violento.

Roteirizada pelo próprio Chandor, a trama gira em torno de Abel Morales (Oscar Isaac), um comerciante de gasolina que mantém seu negócio com a esposa Anna (Jessica Chastain) na Nova York de 1981. Ansioso por expandir seu negócio a níveis grandiosos, ele negocia a compra de uma propriedade judaica, justamente quando começa a ser atacado por criminosos e competidores, que almejam quebrá-lo financeiramente.

Primeiramente, aplausos a toda a equipe de Chandor pela construção visual absolutamente impecável. O design de produção recria com sutileza o início da década de 80, enquanto o figurino de Kasia Walicka-Maimone concentra-se na elegância (evitando o estilão mais bizarro, vulgo cabelos de Linda Hamilton) e na necessidade de proteger seus personagens do inverno pesado que assola Nova York. O diretor de fotografia Bradford Young vem se destacando (ele também é responsável pelo ótimo trabalho em Selma) como um profissional nato, adotando uma paleta de cor alaranjada que se aproxima muito do estilo de Gordon Wilis na trilogia do Poderoso Chefão, impressionando também com seu jogo de luz e os planos abertíssimos comandados por Chandor. Tecnicamente, é magnífico.

Meu problema com o filme é que a história simplesmente não empolga, e não traz muito de original. O Abel Morales de Isaac é um sujeito que luta para caminhar “no caminho certo”, como o próprio define, e é justamente o oposto que torna o gênero tão apetitoso. Chandor cria um jogo interessante entre Abel e a esposa, funcionando principalmente pelas excelentes performances de Isaac e Chastain, e sobre a resistência deste para não ceder “ao lado sombrio”, rendendo duas sequências inspiradas em que o personagem luta para controlar seus instintos violentos. Para um filme com um título desses, O Ano Mais Violento é surpreendentemente otimista.

Demora para encantar o espectador, mesmo que os personagens sejam bem representados. Até mesmo a decisão de ambientar o longa em 1981 (que como nos dizem as estatísticas, o ano mais violento da cidade de Nova York) surge desperdiçada, já que a narrativa fica presa a seu próprio mundo, sendo irrelevante qual o ano específico da história – ainda que seja interessante ver algumas locuções de rádio constantemente relatando crimes, como se este fosse uma espécie de fantasma que assombra o protagonista, tentando-o.

O Ano Mais Violento é um brilhante feito técnico e visual, trazendo boas metáforas e interpretações, mas que infelizmente não são o suficientes para carregar a trama arrastada e pouco estimulante que J.C. Chandor. Às vezes, o lado sombrio é o mais fascinante.

Leia esta crítica em inglês.

Primeiro trailer de A MOST VIOLENT YEAR

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , , on 18 de setembro de 2014 by Lucas Nascimento

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Guardem bem este nome: J.C. Chandor. É responsável por apenas dois filmes, Margin Call e Até o Fim, mas já se mostra um cineasta muito interessante. Seu novo projeto é A Most Violent Year, que traz Oscar Isaac e Jessica Chastain como um casal que tenta prosperar na Nova York de 1981, estatisticamente o ano mais violento da história da cidade. Confira o primeiro trailer:

A Most Violent Year estreia nos EUA em 31 de Dezembro.

Ficaremos de olho.

| De Olhos bem Fechados | O subestimado último filme de Stanley Kubrick

Posted in Cinema, Clássicos, Críticas de 2013, Drama, Suspense with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 31 de outubro de 2013 by Lucas Nascimento

4.5

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Nicole Kidman e Tom Cruise

A expectativa é um veneno mortal. Ainda pior quando tem os olhos voltados para o estágio final da carreira de um grande cineasta, culminando na subestimação de uma obra competente (e, por vezes, excepcional) simplesmente por esta entregar-nos ao traiçoeiro vício de esperar demais pelo resultado. De Olhos bem Fechados, último filme de Stanley Kubrick, é vítima do cenário descrito e ao redescobrir a obra na tela grande hoje, encontramos um filme impressionante que faz jus ao currículo de seu diretor.

A trama é ambientada em uma Nova York repleta de decorações natalinas e clima de festa, tendo em foco o casal composto por Bill (Tom Cruise) e Alice Harford (Nicole Kidman). Quando a esposa revela que um dia já pensara em traí-lo e abandonar o casamento, Bill sai pelas ruas na madrugada e acaba embarcando em uma odisseia que o coloca de frente com uma misteriosa sociedade secreta de culto ao sexo.

O filme de 1999 traz uma história muito simples, mas que espanta pelo desenrolar bizarro e repleto de situações inesperadas. Ajuda o fato de que o roteiro assinado por Kubrick e Frederic Raphael (com base em um livro de Arthur Schnitzler) aposte em uma narrativa que abranja um curto período de tempo, o que facilita para que o espectador esteja praticamente ao lado do personagem de Tom Cruise. Pela longa madrugada, encontramos diversos eventos que não necessariamente precisam estar lá (como as cenas que envolvem a filha do vendedor de fantasia com dois chineses), mas que contribuem para a criação de um universo sujo e pervertido, escondido no coração de uma grande cidade. Nesse quesito, não existe melhor representante do que a orgia mascarada (uma mais sinistra do que a outra) descoberta por Bill, que rende uma das mais hipnotizantes cenas da carreira de Kubrick, ao trazer figurantes envoltos em atos sexuais explícitos ao som das provocantes composições de Jocelyn Pook – além das supostas referências Iluminatti que sempre rendem controvérsias e artigos muito interessantes a respeito da imensa simbologia presente no filme.

Assim como em todo filme do diretor, há um excepcional cuidado técnico na produção. A começar pela magistral fotografia de Larry Smith, que constantemente fotografa ambientes com uma coloração quente, contrastando com os tons azuis vindos de janelas; vide a espetacular discussão do casal formado por Kidman e Cruise (ambos ótimos, diga-se de passagem), onde a sobreposição das personagens banhadas por luzes alaranjadas sobre o tom azul do banheiro é belíssima, além de exacerbar o calor da situação. E com exceção de O Iluminado (que, afinal, é uma obra feita para assustar), Kubrick nunca foi tão eficiente ao construir o suspense quanto aqui, mérito de seus longos planos e da minimalista composição “Musica Ricercata II”, de György Ligeti, que invade a projeção em seus momentos mais inquietantes.

Alguns dizem que Kubrick ficou insatisfeito com o resultado final de De Olhos bem Fechados, outros dizem que ele considerou esta sua maior contribuição para o cinema. Não acho que seja nenhum nem outro, mas o filme certamente merece muito mais louvor do que o recebido durante sua época de estreia, já que permanece uma obra madura, intrigante e digna de encerrar a carreira de um dos melhores diretores da História.

Obs: Além de uma ponta do diretor, há diversos easter eggs referentes à carreira do próprio. O mais divertido? A máscara usada por Tom Cruise é um molde do ator Ryan O’Neal, de Barry Lyndon. Nice.

Obs II: Crítica feita após uma exibição do filme durante a Mostra de cinema de São Paulo. Infelizmente, não haverão mais exibições do filme.

| Tão Forte e Tão Perto | Tão dramático, mas tão apelativo

Posted in Cinema, Críticas de 2012, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , on 24 de fevereiro de 2012 by Lucas Nascimento


O ótimo Max von Sydow e o estreante Thomas Horn

O diretor Stephen Daldry realiza um feito notável com Tão Forte e Tão Perto. É seu quarto filme a ser indicado ao Oscar principal, sendo que seus três longas anteriores também marcaram presença na maior premiação do Cinema, o que mostra que Daldry sabe todos os elementos de um filme de Oscar. Sua adaptação para o livro de Jonathan Safran Foer não perdoa: é bonito e bem filmado, mas também apelativo e melodramático além da conta.

A trama se passa na Nova York pós-11 de Setembro, com o jovem Oskar (Thomas Horn) sofrendo com a morte de seu pai (Tom Hanks), presente em uma das torres do atentado terrorista que abalou os EUA. Sempre encorajado a seguir em expedições – consequência de sua síndrome de Asperger – o garoto parte em busca de uma fechadura para a chave que encontra no armário de seu pai, cruzando toda a cidade para desvendar seu segredo.

Certamente o” intruso” do Oscar deste ano, Tão Forte e Tão Perto não merece sua indicação. Mesmo trazendo uma direção habilidosa e muito inteligente (adoro os planos de Daldry, especialmente aqueles que retratam os maneirismos de Oskar, tais como as batidas na parede e o arranhar do carpete), o roteiro de Eric Roth é artificial e desgastante, apoiando-se em clichês e exageros em sua trama; sempre interrompida por desnecessários flashbacks. O roteirista de Forrest Gump e Benjamin Button é muito obcecado em arrancar lágrimas do público (reparem como quase todos os seus trabalhos terminam da mesma forma, com uma conclusão emocional envolvendo diversos personagens) e mesmo que seus diálogos sejam bem elaborados – o excesso de curiosidades aumenta o entretenimento -, o foco narrativo muitas vezes é perdido, tal como nos encontros de Oskar com os Blacks, que não apresentam nenhuma naturalidade e soam sempre artificiais e improdutivos; mas ao menos a montadora Claire Simpson os ritmiza de forma a não torná-los cansativos.

Um dos grandes acertos é como Daldry retrata a cidade de Nova York como um lugar imenso, com sua câmera sempre elevando seus planos e perspectivas (principalmente ao capturar os arranha-céus) e deixá-la completamente sob ponto de vista de seu protagonista. No entanto, o estreante Thomas Horn é falho ao mostrar Oskar como um personagem agradável, tendo surtos exageradíssimos (em uma caricatura de Asperger nada convicente) e narrações em off irritantes. Se há um elemento que realmente vale a pena é o ótimo Max von Sydow que, sem dizer uma única sílaba o filme todo, se destaca dentre todo o elenco a todo fotograma que aparece; conseguindo até tornar suas cenas com Horn mais apreciáveis.

Trazendo uma calorosa trilha sonora de Alexandre Desplat, Tão Forte e Tão Perto mostra o desespero para se receber indicações ao Oscar (Oskar, alguém?). Stephen Daldry acerta no visual e na ambientação de sua trama, mas não consegue evitar seus inúmeros clichês e situações desnecessárias, além de carecer por um protagonista mais talentoso. Um título melhor seria Tão Dramático e Tão Apelativo

Brincando com Fogo | Especial MILLENNIUM: OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES

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O novo filme de David Fincher. A nova versão da espetacular trilogia de Stieg Larsson. O filme mais esperado de 2011. MILLENNIUM: Os Homens que Não Amavam as Mulheres vai se aproximando de sua estreia nos cinemas (internacionais), com direito a um especial gigante aqui no blog. Aproveitem:

Se você não conhece a trilogia de Stieg Larsson, aí vai um breve sumário sobre a história de Os Homens que Não Amavam as Mulheres:

Suécia, Estocolmo


Henrik Vanger (Christopher Plummer) e Mikael Blomkvist (Daniel Craig)

O jornalista Mikael Blomkvist acaba de perder uma batalha judicial contra o poderoso empresário Hans Eric-Wennerström, sendo senteciado a três meses de cadeia. Co-editor da revista Millennium, o golpe faz com ele retire-se temporariamente de seu cargo. Paralelamente, a problemática hacker Lisbeth Salander é contratada para realizar uma investigação sobre o passado de Blomkvist, mergulhando fundo em sua vida pessoal e profissional.

Por trás da investigação de Salander encontra-se Dirch Fode, empregado pessoal e confidente de Henrik Vanger, um aposentado idoso e patriarca de uma das famílias mais influentes da Suécia. Vanger oferece a Mikael Blomkvist um trabalho perigosíssimo e quase impossível: o mistério do desaparecimento de sua sobrinha Harriet, há 40 anos atrás.

O Mistério de Harriet Vanger


A última aparição de Harriet Vanger (Moa Garpendal)
antes de seu desaparecimento

Em 24 de Setembro de 1963, todos os membros da família Vanger reuníram-se na propriedade de Henrik, enquanto Harriet e suas amigas saíam para assistir ao desfile do Dia das Crianças no centro da cidade, em Hedeby. Paralelamente, um terrível acidente de carro ocorre na ponte que liga a ilha de Hedestad com o resto do país,  isolando o local. Entre resgates e auxílio aos envolvidos, a jovem de 16 anos desaparece misteriosamente, sem deixar vestígios que revelem seu destino. Homícido é logo apontado como a explicação para o sumiço de Harriet, mesmo que não tenham sido encontradas provas ou evidências.

Somado a tragédia, Henrik começa a receber anualmente uma flor emoldurada (presente que sua sobrinha sempre o enviara como presente de aniversário), sem remetente ou endereço de envio. As suspeitas do idoso apontam que o assassino de Harriet esteja por trás das enigmáticas entregas, em uma tentativa de enlouquecê-lo.


Mikael Blomkvist (Daniel Craig) e Lisbeth Salander (Rooney Mara)

A missão faz com que Blomkvist mude-se para a ilha de Hedestad, em uma estadia aproximada de um ano. Durante esse período, ele investigará o vasto passado da família Vanger e todos os seus mais obscuros segredos – que vão de corrupção até nazismo. Em meio a tanta informação, ele recebe a ajuda da mesma pessoa que anteriormente o havia investigado: Lisbeth Salander, com quem inicia uma curiosa parceiria no intuito de descobrir o que realmente aconteceu com Harriet Vanger.

E o quão longe eles poderão chegar…

Abertura (do show)


A capa do roteiro de Steven Zaillian

O sucesso da trilogia literária sueca escrita por Stieg Larsson há alguns anos atrás certamente chamaria a atenção de Hollywood. Mesmo com uma bem-sucedida franquia dirigida por Niels Arden Opley e Daniel Alfredson, a indústria norte-americana lançou seu olhar sobre o material e deu sinal verde para uma nova versão.

Com a Sony em domínio dos direitos da história, os produtores logo chamaram David Fincher – que trabalhou com a produtora em A Rede Social – para dirigir o primeiro capítulo de uma (possível) trilogia. Sobre retornar ao gênero que o tornou conhecido, ele diz: “Quando o projeto apareceu, eu pensei ‘não, eu não posso fazer outro filme sobre serial killer. Preciso parar com isso’. Mas pelo lado do estúdio nasceu essa ideia de que poderia existir… Eu tinha uma esperança de que pudesse existir uma franquia de filmes para adultos. E eu pensei ‘eu trabalhei muito por 20 anos, esperando que alguém dissesse algo desse tipo’. Quando você tem uma oportunidade dessas, é ótimo.

Quem não gostou nada dessa ideia de nova versão foi o diretor da franquia sueca, que declarou sua opinião sobre o assunto: “A única coisa que me irrita é a máquina da Sony tentar colocar a Lisbeth Salander deles como a Lisbeth Salander real. É injusto, porque Noomi incorporou o papel e deveria sempre ser apenas ela. É seu legado de um modo em que eu não vejo ninguém competindo com ela. Espero que ela seja indicada ao Oscar. Sei que vários membros da Academia viram o filme e gostaram, porque sempre vêm falar comigo sobre meu filme. Até em Hollywood parece existir uma aversão ao tal remake, do tipo, ‘ porque eles vão fazer o remake de um filme quando eles podem assistir o original’. O que você preferiria, a versão francesa de La Femme Nikita ou a americana? Espera-se que Fincher faça um trabalho melhor”. Opley tem todo o direiro de discordar, mas é de David Fincher que estamos falando…

O diretor norte-americano aliás, elogiou o trabalho de Opley na adaptação sueca da trilogia, dizendo ter se impressionado com o resultado (levando em consideração o orçamento limitado da produção europeia).


De Bond a Blomkvist: Daniel Craig no set

O produtor Scott Rudin foi quem convidou Fincher para a direção, informando-o que o roteiro estava sendo escrito e que seria bom que ele lesse o livro. Fincher leu o livro e surpreendeu-se com o fato de algo tão pesado quanto a literatura de Larsson tivesse alcançado o grande público (leia a trilogia, e você entenderá o motivo de tanto sucesso), complementando também que Dragon Tattoo apresenta tanto características positivas quanto negativas.

O roteiro foi escrito por Steven Zaillian (A Lista de Schindler, Gangues de Nova York), que deve voltar caso a Sony aprove as continuações, e promete algumas diferenças do livro, assim como um final completamente diferente. E, então, o longo processo de escalação de elenco teve início. Para o jornalista Mikael Blomkivst, Johnny Depp, Brad Pitt, George Clooney e Viggo Mortensen foram considerados, mas quem acabou ficando com o papel foi Daniel Craig (uma ótima escolha, devo acrescentar) que quase recusou a oferta em decorrência de seus compromissos com 007 – Skyfall.

Em entrevista ao site Omelete, o ator comenta os motivos que o levaram a interpretar Blomkvist no filme de Fincher: “Eu queria trabalhar com David há muito tempo. Eu conhecia os livros mas não tinha assistido à versão sueca do filme. Aí eles me mandaram o roteiro, que eu achei fantástico. Steven Zaillian fez um ótimo trabalho e foi isso que realmente definiu minha decisão – eu disse sim logo de cara.” e também: “Uma das razões pela qual eu escolhi fazer Millennium é que é um filme impróprio para menores. A franquia já é um sucesso e espero que o filme incentive outros estúdios a se envolverem com projetos como esse. Tomara que comecem a fazer filmes decentes, para adultos.”

A Garota (com a Tatuagem de Dragão)


Rooney Mara na pele de Lisbeth Salander

Mas o grande desafio era encontrar a intérprete perfeita para a grande personagem da série: a hacker Lisbeth Salander. Interpretada brilhantemente por Noomi Rapace na versão sueca da trilogia, a atriz foi apoiada por uma forte campanha – apadrinhada pelo lendário crítico Roger Ebert – para retornar ao papel na nova adaptação. A campanha foi tão bem-sucedida, que Fincher a convidou, mas ela recusou, afirmando que – depois de três anos na personagem –  não seria capaz de repetir o papel nas mesmas histórias.

E a busca pela nova Lisbeth Salander continua. As candidatas incluíram Carey Mulligan, Ellen Page, Emily Browning, Kristen Stewart, Keira Knightley, Mia Wasikowska, Anne Hathaway, Olivia Thirby, Jennifer Lawrence, Eva Green, Scarlett Johansson, Natalie Portman, Sophie Lowe, Sarah Snooke, Katie Jarvis, Emma Watson, Evan Rachel Wood e Rooney Mara. Dentre elas, os estúdios reduziram as opções a Johansson (que mesmo tendo um ótimo teste, foi considerada sexy demais para o papel), Portman (que recusou devido a exaustidão), Lawrence (que foi considerada alta demais) e Mara, que acabou ganhando o cobiçado papel.

Assim que ganhou o papel, a atriz fez algumas declarações sobre o trabalho para a revista W: “Antes de ler o livro, não achei que eu conseguiria. Eu me tranquei em um quarto por uma semana e li os três livros, e eu decidi que queria mesmo ser Lisbeth. Mas achei que não tinha a menor chance”. A sorte sorriu para Mara, já que Fincher a apontou como a escolha ideal, afirmando que “Haviam muitas diferentes versões de Salander, mas quem tinha mais camadas dela era Rooney. Eu pensei, essa é uma pessoa pra seguir” .

“Eu senti que havia algo no núcleo da Lisbeth que também tinha no meu. Eu posso me identificar com isso, eu não sou muito uma pessoa de grupo, ou time. Quando ele [David Fincher] me ofereceu o papel, ele explicou que esse filme tinha potencial para mudar a minha vida, não necessariamente pra melhor.” – TotalFilm

“Haviam certas coisas das quais eu tinha medo de fazer, mas nunca achei que não estava a par do desafio. O lance da motocicleta era a coisa que eu realmente não queria fazer. Sabe, você vai ser estuprada, aparecer nua… Mas logo que ele disse ‘você vai ter que andar de moto’, eu fiquei tipo ‘ai, sério?’ – Entertainment Weekly

Eu pessoalmente acho que a personagem esteja melhor representada (visualmente) por Rooney Mara do que por Noomi Rapace, mas veremos se sua interpretação vai poder se equiparar à de sua antecessora.


A alienação de Lisbeth Salander

No que diz respeito à personalidade da personagem, Fincher deu um bom depoimento à Revista Empire: “Houveram discussões onde as pessoas diziam coisas do tipo ‘ela é uma super-heroína!’ aí você diz ‘não, ela não é. Super-heróis vivem num mundo de bom e mau, e ela é bem mais complexa do que um super-herói. Ela esteve compromissada. Ela foi subjulgada. Ela foi marginalizada. Ela foi jogada no esgoto e ela teve uma parte nele. Ela se veste que nem lixo porque ela é alguém que foi traída e machucada de forma tão pesada, por forças além de seu controle, que simplesmente decidiu se fechar. Ela pode se sentar onde quiser no ônibus, porque ninguém quer nada com ela.

A fidelidade na composição de Salander não reside apenas no talento de sua intérprete ou seus traços psicológicos, mas também no impactante visual da personagem. A figurinista Trish Summervile comenta em entrevista para a revista W sobre o trabalho na composição de Salander: “Eu acho que Salander tem um pouquinho da síndrome de Aspberg: ela tem sua própria rotina e regime. Até mesmo o designer de produção Don Burt- que é um gênio – a forma que ele fez o apartamento dela, [parece que] ela nunca joga nada fora, ela é um roedor compulsivo, mas de alguma forma você sabe que ela sabe onde tudo está guardado, mesmo que mais ninguém saiba. Eu tentei encaixar a personagem nesse ambiente.

Sobre os figurinos e vestimentas, ela completa: “Uma das coisas que eu descobri é esta insana loja de roupas usadas na Suécia, que foi no que eu tentei basear a maioria das roupas dela. Você pode comprar ótimas peças de roupa por preços bem acessíveis e em perfeitas condições. Além disso, porque [Rooney] Mara é bem magrinha e pequena, nós desenhamos jaquetas e mandamos fazer. Ela tem dois casaquinhos principais no filme, um de uma empresa chamada Cerre e o outro foi feito por uma mulher chamada Agatha Blois. Ela trabalha com isso há uns 20, 25 anos. A história de fundo na minha cabeça é que ela tem esses dois casacos de couro por anos, são bem confortáveis pra ela. Já que ela é tão isolada e não tem muita interação com o mundo, esses são os escudos dela. E ela se sente confortável com eles. São como a casa dela quando ela sai de casa.”

O resultado certamente agradou a todos, já que Summerville lançou uma linha de roupas inspiradas nos figurinos de Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist para a H&M.

O (pesado) tom


David Fincher concentrado no set de MILLENNIUM

As filmagens começaram em Setembro de 2010, com locações congelantes em Estocolmo, na Suécia, e Zurich, na Suíça – ambientes extremamente importantes na opinião de Fincher para a construção da narrativa e do tom de “noir sueco”. A produção então, continuou nos estúdios da Sony e Paramount, Los Angeles. Praticamente toda a equipe de A Rede Social retorna: Jeff Cronenweth na direção de fotografia, Kirk Baxter e Angus Wall na montagem e Trent Reznor e Atticus Ross na trilha sonora, ainda mais sombria e inovadora do que a de seu trabalho anterior. Clique aqui para ouvir toda a trilha musical do filme.

E Fincher sendo Fincher, manteu seu habitual perfeccionismo e continuou com suas repetidas tomadas de uma única cena (em A Rede Social, o diálogo entre Mark e Erica teve 99 takes antes de ficar pronta) durante as filmagens de MILLENNIUM. O ator Stellan Skarsgard – intérprete de Martin Vanger – comentou sobre o estilo do diretor e elogiou seu trabalho: “David Fincher disse pra mim quando nos conhecemos, ‘Isso não vai ser divertido, porque às vezes eu faço uns 40 takes de cada cena’ e eu disse ‘é bom que seja divertido, e eu não me importo de fazer 40 takes, então vamos fazer 40 takes divertidos’. Eu gostei mesmo. Ele é muito completo, mas não é uma coisa anal. Você pode pode realmente fazer 40 takes que são 40 versões de uma cena, o que a traz a vida. Ele trabalha duro e rápido. o que significa que você filma o tempo todo. Você não senta e fica esperando, ou algo do gênero”.

Sobre o tom sombrio e adulto do longa, os envolvidos prometem que será autêntico. Em entrevista para a revista Esquire, Craig diz: “É tão adulto quanto pode ser. Isso é um drama adulto. Eu cresci, assim como todos nós, assistindo filmes como O Poderoso Chefão, que eram feitos para adultos. E este é um filme censura (16, 18 anos no Brasil) de orçamento de 100 milhões de dólares (pra se ter uma ideia, é o quadrúplo do orçamento dos três filmes da versão sueca da trilogia). Ninguém mais faz isso. E o Fincher, não está pegando leve. Eles deram carta branca pra ele. Recentemente ele me mostrou algumas cenas e eu, cobrindo a boca com a minha mão, disse ‘porra, você ta falando sério?'”.

Rooney Mara, entrevistada pela revista Entertainment Weekly, também comenta sobre o tom pesado do filme e a cena mais polêmica da história: “Foi incrivelmente intenso. Fizemos tudo em uma semana – do dia dos Namorados, estranhamente. Nós trabalhamos 16 horas por dia, e foi muito, muito desafiador, não só emocionalmente, mas também fisicamente. Mas é uma cena tão importante. Nós queríamos fazer o possível para acertar”. Se você leu o livro, sabe exatamente de qual cena ela está falando…

E o diretor, entrevistado pela revista francesa Le Monde, adverte: “Meu filme não é bonito, é brutal. E a violência dele faz todo o sentido na atmosfera imaculada da Suécia. Estamos tentando merecer a nossa censura R”.

Posteriormente, o longa recebeu uma pesada censura R por “Brutal violência incluindo tortura e estupro, nudez gráfica, forte sexualidade e linguagem”.

O (sensacional) marketing


O controverso pôster que traz Rooney Mara de topless (clique para ampliar)

David Fincher é muito sigiloso quanto ao marketing. Após as primeiras imagens de Rooney Mara caracterizada como Lisbeth serem divulgadas oficialmente na revista W, um trailer bootleg (filmado dentro de um cinema) caiu na rede. O curioso, é que o tal trailer possuía um áudio impecável e a conta que postou o vídeo no YouTube foi criada exatamente no dia em que o vídeo foi postado. Não há dúvidas de que foi a própria Sony que soltou o trailer, em uma curiosa jogada de marketing. Mas quanto ao trailer, é um dos melhores já feitos até hoje. Montado agressivamente e embalado com um remix de “Immigrant Song” de Led Zeppelin, o vídeo não revela nada da trama e ainda deixa com muita vontade de ver; todo trailer deveria ser desse jeito…

Pra aumentar a controvérsia, um polêmico cartaz que mostra Rooney Mara de topless foi divulgado na mesma semana. A arte em preto-e-branco é o primeiro da caprichada leva de pôsteres que o filme ganhou posteriormente – contrastando com a campanha de A Rede Social, que só apresentava duas artes.


A sala de montagem do filme, fornecida pelo blog Mouth Taped Shut

Posteriormente, um blog chamado “Mouth Taped Shut” foi lançado na rede, trazendo diversas atualizações sobre a produção do longa, fotos do set e vídeos da edição do longa. Assim como o teaser bootleg, o tal blog também faz parte do marketing da Sony para o filme – e, devo acrescentar, que finalmente entendi o objetivo dessa campanha publicitária: considerando que MILLENNIUM envolve investigações e quebra de segurança, o efeito de informações “vazadas” (característica muito comum entre os protagonistas da trilogia) tenta ser reproduzido tanto pelo trailer filmado no cinema quanto pelo blog. Jogada inteligente, sem dúvidas.

De surpresa também, foi o lançamento de um novo trailer do filme no Festival de Toronto desse ano. Jornalistas de diversos sites e seguidores da conta @Mouthtapedshut no Twitter receberam uma dica via e-mail quanto a exibição do remake Sob o Domínio do Mal, dizendo que algo interessante seria mostrado antes do longa. Para o espanto geral, uma prévia de 8 minutos de MILLENNIUM foi exibida e, semanas depois um novo trailer de 3 minutos e meio foi divulgado na internet.

Ao longo em que o Mouth Taped Shut divulgava fotos da produção diaramente, um novo site viral foi descoberto através de uma das tais imagens. A nova peça em questão chama-se Comes Forth in the Thaw, uma página bem teaser que mostra alguns screenshots do último trailer sob uma camada de gelo, que vai derretendo-se e apresentando breves trechos de efeitos sonoros e diálogos do longa; além de novas faixas musicais compostas pela dupla Reznor-Ross.


Uma das flores emolduradas encontradas

Foram só alguns dias depois de “Thaw”, que a campanha ficou realmente agressiva. Em uma postagem do “Mouth-Taped”, foi divulgado um vídeo que mostrava cenas de um acidente de carro (uma peça-chave da trama), e nele haviam algumas surpresas. Sumarizando todo o tempo dedicado a resolução do mistério por alguns usuários, a gravação abria outro site, o “What is hidden in Snow”, que iniciou uma “caça ao tesouro”; na qual o prêmio era uma flor emoldurada , como as que aparecem no longa. Ao todo, foram 40 quadros espalhados pelo mundo (inclusive no Brasil, em São Paulo) – além de outros brindes, como o diário de Harriet Vanger e a jaqueta de couro de Salander.

A campanha viral terminou no dia 9 de Dezembro (veja todos os brindes encontrados aqui), culminando em exibições prévias do filme em cidades dos EUA, Canadá e Suécia. Realmente, ótimo marketing.

Milennium com (ou sem) Oscar?


A violência do filme pode impedi-lo de marcar presença no Oscar

Considerando que MILLENNIUM: Os Homens que Não Amavam as Mulheres é um filme de David Fincher, as especulações sobre prêmios e Oscar são inevitáveis. De fato, obervando pelo trailer, é inegável a beleza da direção de fotografia do filme e também a transformação de Rooney Mara para o papel principal (que muitos já apontam a uma indicação como Melhor Atriz). Mas o que Fincher, o diretor, tem a dizer?

“Acho que tem muito estupro anal pro Oscar. Realmente, não é esse tipo de filme.”

A Sony Pictures já se pronunciou e prometeu fazer campanha pela indicação do longa – e Fincher deixou claro que não vê problema nisso, já que com A Rede Social a enxurrada de prêmios e celebrações veio como surpresa, ele afirma. Só o tempo dirá.

A Equação (Fincher) para o sucesso de MILLENNIUM:

O tom pesado de serial killer de Se7en + a direção magistral de Clube da Luta + os travellings criativos de Quarto do Pânico + a habilidade em retratar longas investigações de Zodíaco + o visual belíssimo de O Curioso Caso de Benjamin Button + a espetacular direção de atores de A Rede Social = sucesso de MILLENNIUM: Os Homens que Não Amavam as Mulheres.

Finalização (da seção)

MILLENNIUM vai dar certo com David Fincher? Alcançará um público maior? Vai ser um grande filme? Tem tudo pra cumprir tudo isso e muito mais. Tenho completa confiança no cineasta e acho que vem coisa grande por aí. Mas nós brasileiros, teremos que esperar até Janeiro para ver o resultado…

Fonte das entrevistas: Revista Empire, Total Film The Hollywood Reporter, Revista W (2), Entertainment Weekly (2), Revista Esquire, Digital Spy, Collider e Omelete.

As principais peças do quebra-cabeças de MILLENNIUM:

Mikael Blomkvist | Daniel Craig

Mikael Blomkvist

Jornalista dedicado e radical (especializado em expor corrupção no interior de grandes empresas, o que lhe garantiu o apelido “Super-Blomkvist”), Mikael Blomkvist é o fundador da revista Millennium e encontra-se em um péssimo momento quando é sentenciado à prisão por ameaçar o poderoso empresário Hans-Eric Wennerström, fazendo-o sair de seu cargo na revista por uns tempos. A situação muda quando ele é contratado pelo magnata Henrik Vanger para resolver um misterioso desaparecimento na isolada ilha de Hedestad, onde receberá a chance de revidar contra o golpe de Wennerström e conhecerá a pessoa mais peculiar de sua vida.

Lisbeth Salander | Rooney Mara

Lisbeth Salander

Antisocial, violenta, psicologicamente perturbada e com o corpo repleto de tatuagens e piercings, Lisbeth Salander é uma hacker genial e capaz de resolver qualquer problema. Em decorrência de um passado violento, ela necessita de um tutor legal que controle suas finanças – um grande ataque a sua privacidade, em sua opinião. Ela trabalha como investigadora na empresa Milton Security e, ao ser contratada para investigar Mikael Blomkvist, embarca mais fundo na vida do jornalista ao auxiliá-lo no trabalho proposto por Henrik Vanger.

Henrik Vanger | Christopher Plummer

Henrik Vanger

Um dos poucos membros da família Vanger que ainda lida com os negócios da empresa, Henrik é um bondoso e obcecado idoso. Durante 40 anos, ele tem procurado incessamente por sua sobrinha Harriet, além de receber misteriosas plantas emolduradas (uma lembrança a qual Harriet o presenteava anualmente) de um entregador desconhecido. Desesperado, ele resolve – antes que sua hora chegue – contratar o jornalista Mikael Blomkvist para dar conta do trabalho. Em troca, ele oferece uma recompensa milionária e vingança contra o empresário Wennerström.

Erika Berger | Robin Wright

Erika Berger

Melhor amiga de Mikael e também editora-chefe da revista Millennium, Erika é tão dedicada à profissão quanto seu colega, que ela conhece desde os tempos de faculdade. Ela é casada, mas mantém uma curiosa relação (essencialmente sexual) com Blomkvist – mesmo com a aprovação de seu marido. Com seu colega partindo para uma misteriosa missão na ilha de Hedestad, ela enfrenta problemas na editoria da revista.

Dirch Frode | Steven Berkoff

Dirch Frode

Frode tem sido durante anos, o assistente e advogado pessoal de Henrik Vanger. Leal e cuidadoso quanto à saúde de seu patrão e os negócios da empresa, é ele quem contrata Blomkvist para a missão de Henrik, servindo também de conselheiro para o jornalista durante sua estadia.

Martin Vanger | Stellan Skarsgard

Martin Vanger

O atual CEO das empresas Vanger, Martin é um dos poucos membros da família que, aparentemente, não apresenta alguma irregularidade ou segredo obscuro. Com passado marcado por diversos problemas com seu pai, ele recebe bem o jornalista Mikael Blomkvist, mas completamente isento de informações sobre o desaparecimento de sua irmã Harriet.

Dragan Armansky | Goran Visnjic

Dragan Armansky

Dragan Armansky é o CEO da Milton Security, uma empresa que oferece serviços de proteção, segurança e investigações para empresas e indivíduos. Ele é o patrão de Lisbeth Salander, e um dos únicos que conseguiu certa socialização com a jovem que ele considera sua investigadora mais brilhante, mas também uma das pessoas mais estranhas que conhece.

Holger Palmgren | Bengt Cw Carlsson

Holger Palmgren

Tutor legal de Lisbeth Salander, é o primeiro que consegue estabelecer uma boa relação com a jovem, garantindo-a um emprego na Milton Security e liberdade sobre seu dinheiro. Quando este sofre um derrame e é mandado para uma instituição médica, a vida de Salander mudará completamente.

Nils Bjurman | Yorick Van Wageningen

Nils Bjurman

Após o tutor legal de Lisbeth Salander, Holger Palmgrem, sofrer um derrame e ficar impossibilitado de continuar seu serviço, Nils Bjurman entra em seu lugar. Com total poder sobre a vida da jovem, ele promete não ser tão agradável quanto seu antecessor e passa a usar de seu poder para abusar de Salander.

Cecilia Vanger | Geraldine James

Cecilia Vanger

Prima dos irmãos Martin e Harriet, Cecilia não é muito próxima dos outros membros da família Vanger. É chegada à Henrik e com a chegada do jornalista que promete revirar os segredos de seus acestrais, ela desaprova a situação- mas isso não impede que ela (no livro) envolva-se com Blomkivst.

Annika Blomkvist Giannini | Embeth Davidtz

Annika Blomkvist

Irmã caçula de Mikael, Annika é uma advogada que trabalha especificamente em casos de violência contra a mulher. Não marca muita presença nesse primeiro capítulo, mas é essencial nos próximos volumes (especialmente na conclusão da trilogia).

Anita Vanger | Joely Richardson

Anita Vanger

Irmã mais nova e confidente de Harriet Vanger, Anita talvez seja uma das últimas pessoas a ver a jovem antes de seu misterioso desaparecimento. Não se dando bem com toda a família Vanger, Anita partiu para Londres aos 18 anos, evitando contatos com seus familiares – e provavelmente possui informações sobre o destino de Harriet.

Isabella Vanger | Inga Landgré

Isabella Vanger

Mãe de Harriet e Martin, Isabella Vanger encontra-se em uma idade avançada. É agressiva, fria e calculista com todos os membros da família e essas “virtudes” são multiplicadas com a chegada do jornalista Mikael Blomkvist.

Anna Nygren | Eva Fritjofson

Anna foi a empregada doméstica de Henrik Vanger desde o início de sua vida adulta, permanecendo até o presente momento como cozinheira e faxineira de sua grande propriedade. Ela estava presente com a família no dia em que Harriet desapareceu.

Miriam Wu | Elodie Yung

Lésbica e perita em algumas artes marciais, Miriam Wu (ou “Mimi” para os mais íntimos) conhece Lisbeth Salander em uma boate e inicia uma espécie de caso com a jovem, mesmo sem saber nada sobre sua vida ou profissão; também isentando de questionar os hábitos peculiares de sua parceira. Tem mais destaque na continuação.

Detetive Gustaf Morell | Donald Sumter

Det. Gustaf Morell

Gustaf Morell é o detetive-inspetor responsável pela resolução do caso Harriet. Interrogando os suspeitos no dia do desaparecimento da jovem, ele passou 40 anos investigando sobre o caso – um dos únicos sob sua responsabilidade que jaz sem resolução – mas não está nem perto da verdade. Mantém constante contato com Henrik Vanger, na esperança de solucionar também o mistério das plantas emolduradas.

Hans-Erik Wennerström | Ulf Friberg

Hans-Erik Wennerström

Fundador e presidente de uma empresa bilionária baseada em seu próprio nome, Wennerström triunfa sob as acusações de Blomkvist e com sucesso consegue jogá-lo na prisão, afastando-o de seu cargo na revista Millennium. Isso não significa que o sujeito não tenha esqueletos no armário, claro…

Harriet Vanger | Moa Garpendal

Harriet Vanger

Filha de Gottfried e Isabella Vanger, e irmã de Martin, a jovem Harriet passava grande parte do tempo na propriedade de seu tio Henrik, com quem tem uma relação melhor do que com seus pais. Em 1966, um terrível acidente de trânsito isolou a ilha de Hedestad e, em meio ao caos, a jovem desapareceu, sem deixar vestígios que revelem seu destino. Aqueles mais próximos de Harriet afirmam que ela estaria agindo de forma muito estranha, adquirindo uma estranha obsessão religiosa.

A Biografia de Stieg Larsson


Stieg Larsson: Jornalista e autor da Trilogia Millennium

Por trás do sucesso internacional da trilogia Millennium, encontramos o jornalista Stieg Larsson; nascido em Västerbotten, na Suécia em 1954.  Foi criado por seus avós (em decorrência das dificuldades financeiras enfrentadas por seus pais) e foi de seu avô que veio a grande inspiração e modelo para o jovem Stieg.

Extremamente anti-fascista, Severin Boström ensinou seu neto sobre a importância da democracia e da liberdade de expressão. Aos 12 anos, Stieg ganhou sua primeira máquina de datilografar – na qual ele passou horas e madrugadas escrevendo incessamente, prática que ele usaria para ganhar a vida futuramente. Aos 18 conheceu Eva Galbrielsson, que viria a se tornar sua esposa até o momento de sua morte.

Após terminar a escola e seu serviço militar, Larsson arrumou um emprego em um correio. Durante esse período, foi membro ativo de um movimento esquerdista e chegou até a editar uma revista sobre Leon Trotsky. Mas foi em 1977 que ele teve sua primeira experiência duradoura como jornalista, quando trabalhou, por 22 anos, como designer no provedor de notícias TT. Durante os anos na TT ele foi se interessando cada vez mais em extremismo de direita, iniciando um mapa da situação na Suécia, que posteriormente transformou-se em seu primeiro livro, Extremhögern.

O livro causou barulho em sua época de lançamento. Tanto que um jornal neo-nazista publicou um artigo em 1993 fornecendo dados e endereço de Larsson e seus colegas, promovendo um ataque ao jornalista. O editor do jornal foi detido e preso por 4 meses, enquanto Larsson – sem parecer assustado com a ameaça – continuaria sua luta ao fundar a revista Expo, em 1995.

Equilibrado entre o trabalho na revista e com livros de política, Larsson encontrou um passatempo na forma da trilogia Millennium, que ele passou a escrever em suas horas de descanso. Stieg Larsson morreu precocemente em 9 de Novembro de 2004, de ataque cardíaco que ocorreu após uma longa subida por escadas de seu escritório; deixando os manuscritos de 3 livros de Millennium e metade de um quarto livro – chegaremos nesse assunto depois.

Infelizmente, Larsson não viveu para ver o sucesso estrondoso de sua criação, que já foi chamado de “a maior franquia desde Harry Potter“.

Um olhar mais aprofundado no processo de criação da trilogia Millennium:

O desejo de Stieg Larsson de escrever uma história policial veio nos anos 1990. Fã de literatura anglo-saxônica, conhecia bem os ingredientes que uma boa narrativa detetive deveria possuir – e com isso, acrescentou um pouco de sexualidade, visando agradar os leitores.

A grande inspiração por trás da protagonista da série veio através de dois fatores importantes:

1. Uma conversa entre Larsson e um colega de trabalho. O assunto da tal conversa era uma divagação sobre como seriam personagens de contos infantis na vida real e crescidos, onde Larsson apresentou sua versão de Pippi Longstocking (protagonista de uma série de livros suecos), com todas as características que vieram a compor Lisbeth Salander.

2. Quando tinha 15 anos, Stieg Larsson presenciou o estupro de uma jovem por uma gangue e não fez nada para interferir no crime. Cheio de culpa, ele pediu perdão a vítima, que recusou e mergulhou Larsson em uma culpa enorme, dizem os amigos do autor. Talvez esse seja o motivo pelo qual o jornalista sempre explorou o tema de violência contra mulheres em livros e artigos de sua revista. E sabem qual era o nome da vítima? Lisbeth.

No quesito história, o trabalho como jornalista certamente serviu como fonte de conteúdo para os livros (quem leu a trilogia percebe uma grande presença de geografia e economia da Suécia). Antes de começar a escrever, em 1997, ele preparou sinopse para vindouros dez livros, e posteriormente escreveu Os Homens que não Amavam as Mulheres e A Menina que Brincava Fogo. Foi começando o terceiro que ele fez contato com a editora Piratförlaget, que recusou os dois manuscritos duas vezes e levou Larsson a assinar, alguns anos mais tarde, um contrato de três livros com a Nordstedts.


As caprichadas capas brasileiras da trilogia

Enquanto escrevia o quarto livro, veio a morte precoce de Larsson. Apenas alguns meses depois, os livros foram publicados e foram recebidos com estrondosa aprovação, transformando-se rapidamente em um best-seller internacional (no Brasil eles estão disponíveis pela Companhia das Letras) e colecionando diversos prêmios literários. Com mérito, a trilogia de Larsson é um impecável trabalho de narrativa, um dos melhores livros que já li.

Mas e o que acontece com o quarto livro? A metade que Larsson escreveu é propriedade de Eva Galbriesson, sua companheira por 32 anos (eles nunca se casaram devido ao riscos da profissão de Larsson). Em entrevistas recentes, ela afirmou que é capaz de terminar o livro, entitulado God’s Revenge, que aprofunda a relação de Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist.

A Tradução


O Segundo capítulo da série é o único que mantém o título original, tanto em ingês, quanto português

Pois bem, você sabe que o filme de Fincher chama-se  The Girl with the Dragon Tattoo em inglês, mas que no Brasil o título é MILLENNIUM: Os Homens que Não Amavam as Mulheres. O uso de “Millennium” é para indicar continuações, mas a frase sobre “Os Homens” não é uma piração das editoras e distribuidoras nacionais, trata-se da tradução mais literal da obra de Larsson.

Man Söm Hatar Kvinnor significa em português Homens que Odeiam Mulheres – termo utilizado com frequência por Lisbeth Salander na trilogia – e passa longe de A Garota com a Tatuagem de Dragão, um título claramente mais comercial (e estiloso, sem dúvida) do que o original. Quanto às continuações, temos Flickan Som Lekte Med Elden, que é traduzido literalmente tanto para o português quanto inglês, como A Menina que Brincava com Fogo e Luftslottet Som Sprangdes (O Castelo de Ar que Explodiu, na tradução literal) que virou The Girl who Kicked the Hornet’s Nest (A Menina que Chutou o Ninho de Vespas) em inglês e A Rainha do Castelo de Ar em português.

O bacana das traduções para o inglês é a formação de uma estrutura, todas com “The Girl…”

Graphic Novel

Em Outubro deste ano, foi anunciado que a Vertigo (filiada da DC Comics) iria começar uma série de graphic novels baseada na trilogia de Larsson; adaptando fielmente cada livro em dois volumes para cada um. A ideia é muito interessante e o lançamento ocorrerá em 2012, 2013 e 2014.

Uma breve análise sobre a adaptação sueca da obra de Larsson, concebido como uma minissérie de TV – indicada ao Emmy, por sinal. Obs: A Rainha do Castelo de Ar não está disponível comercialmente no Brasil – agradeça às distribuidoras por isso – e por esse motivo, ele ficou de fora da avaliação. Enfim:

Os Homens que não Amavam as Mulheres (2009)

Enquanto muitos apontam a primeira adaptação da obra de Stieg Larsson como uma obra-prima, eu insisto que o longa não faz jus ao tremendo material que sua fonte oferece. O diretor Niels Arden Oplev faz um trabalho mediano, não apresentando uma narrativa bem estruturada – muitas vezes ela torna-se cansativa – e um ritmo empolgante como o do livro. O grande acerto porém, é a atuação Noomi Rapace. A atriz arrasa como Lisbeth Salander, incorporando corretamente o estilo agressivo da personagem (apesar de eu achar o visual diferente do apresentado no livro).

A Menina que Brincava com Fogo (2009)

Mesmo com a troca de diretor (quem assume agora é Daniel Alfredson), o problema narrativo que prejudicou o longa anterior permanece. A trama não engatilha um ritmo empolgante e peca na emoção (tanto que cena na qual o pugilista Paolo Roberto encara o brutamontes Niedermann soa sem graça e artificial), ainda que consiga traduzir para as telas o complexo segundo livro da saga com eficiência e elabore bons diálogos. Sobre as atuações, Noomi Rapace continua formidável e Michael Nyqvist, intérprete de Mikael Blomkvist, mostra-se mais confortável no papel. O filme foi exibido no canal Max, de TV a cabo.

Algumas das tatuagens mais memoráveis do cinema:

Max Cady em Cabo do Medo

Um dos grandes papéis de Robert DeNiro, aqui ele interpreta um criminoso repleto de tatuagens sinistras (uma cruz gigante em suas costas, corações partidos, entre outros), que certamente ajudam a intimidar o advogado que este persegue.

Francis Dolarhyde em Dragão Vermelho

É realmente arrepiante olhar para este magnífico trabalho de arte. O principal antagonista do terceiro suspense de Hannibal Lecter nas telas, orgulha-se de ter uma gigante tatuagem de um dragão em suas costas – ele até se autodenomina o Dragão Vermelho.

Leonard em Amnésia

No intrincado suspense de Christopher Nolan, o protagonista precisa encontrar o assassino de sua mulher. O problema, é que o sujeito apresenta uma irregularidade na memória de curto-prazo e a solução encontrada para manter as pistas do caso é usar o próprio corpo como caderno de anotações.

Derek Vinyard em A Outra História Americana

Na pele do neonazista, Edward Norton brilha naquele que é um dos melhores trabalhos de sua carreira. Características que certamente marcam seu personagem, são as tatuagens – que incluem uma grande suástica no peito.

Darth Maul em Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma

Sem comentários, o misterioso aprendiz sith de A Ameaça Fantasma é um dos vilões com visual mais sinistro e memorável dos últimos anos, possuindo todo o rosto tatuado por bizarras pinturas que o assemelham a um demônio.

Lily em Cisne Negro

Mesmo que apareça pouco e não seja o foco da narrativa, a sensual tatuagem da bailarina Lily (Mila Kunis) chama a atenção, especialmente em seus movimentos – criados digitalmente- na polêmica cena de sexo com Natalie Portman.

Stu Price em Se Beber, Não Case! – Parte II

Resultado de uma (segunda) bebedeira fora de controle, o dentista Stu Prince libera sua besta interior mais uma vez e faz uma tatuagem igual a do Mike Tyson. O uso do desenho, aliás, foi motivo de processo contra a Warner vindo do tatuador de Tyson, que exigiu pagamento de direitos autorais.

Alguns dos melhores filmes sobre jornalismo investigativo:

Cidadão Kane

Quando o tema é jornalismo, impossível deixar de fora a obra-prima de Orson Wells. Mesmo que não seja um tipo perigoso, o poder da mídia é muito bem representado no longa, ora pelo império poderoso de Kane ou pelas obsessões do jornalista Jerry Thompson em descobrir o passado do magnata, tomando como pista o misterioso “Rosebud”.

Todos os Homens do Presidente

Certamente um dos melhores filmes sobre o tema, Robert Redford e Dustin Hoffman interpretam os jornalistas Woodward e Bernstein, responsáveis pela exposição do caso Watergate. As performances principais são excelentes (e a química é de matar), assim como a narrativa bem conduzida e o roteiro impecável.

Zodíaco

Eu considero Zodíaco o “Todos os Homens do Presidente Moderno”. Magistralmente executado, o filme de David Fincher acerta na elaboração do suspense e atmosfera – especialmente por tratar-se de um assassino real que nunca foi pego – apostando no longo diálogo e nos fatos verídicos do caso, assim como em ótimas performances.

Frost/Nixon

Mais um sobre o caso Watergate (pra ver como o acontecimento foi importante para a Sétima Arte), o filme de Ron Howard foca-se em fervorosos debates entre o entrevistador de TV David Frost e o recém renunciado presidente Richard Nixon.

Intrigas de Estado

Misturando conspirações governamentais e muita investigação jornalística, o longa apresenta uma narrativa ágil e empolgante – além de apresentar um excelente personagem, interpretado com muita dedicação por Russel Crowe.

O Escritor Fantasma

Um dos últimos filmes de Roman Polanski, O Escritor Fantasma é um eficiente thriller político e extremamente bem construído, especialmente na ambientação e no tom misterioso em torno do protagonista e seu arriscado trabalho. Um grande filme que, mesmo não contando especificamente com o jornalismo, lida bem com o tema de investigação.

Um rápido flashback na carreira da atriz Rooney Mara:

Ganhando os holofotes em 2010, a atriz Rooney Mara promete surpreender ao encarar a nova versão da hacker Lisbeth Salander no novo filme de David Fincher.

Nascida em 1985, na cidade de Bedford, Nova York, ela começou a trabalhar em seriados de TV fazendo pequenas participações, até que finalmente entrou para o cinema com Tanner Hall, seu primeiro longa como protagonista. Passando pela comédia Youth in Revolt e os independentes Dare e The Winning Season, Mara foi escalada para estrelar a nova versão de A Hora do Pesadelo e o bom resultado de bilheteria pode levá-la a continuações da saga de Freddy Krueger.


Mesmo que breve, sua participação em A Rede Social foi muito elogiada

Ainda em 2010, Mara conseguiu uma participação de luxo em A Rede Social de David Fincher, onde interpreta a ex-namorada de Mark Zuckerberg. Mesmo que pequena a interpretação da atriz chamou muita atenção (houve até especulação sobre uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante), tanto que Fincher a contratou para o papel de Lisbeth Salander em Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Papel que irá testar o talento da atriz e poderá lhe render infinitas oportunidades no ramo.

Alguns exemplos recentes de remakes (ou versões alternativas, como preferir), que só aconteceram – ou vão acontecer – pelo medo americano de legendas:

Os Infiltrados

Dirigido por Martin Scorsese, o longa policial garantiu ao cineasta o primeiro Oscar de sua (invejável) carreira, e também uma nova versão para o longa chinês Conflitos Internos. Aí não vejo problema, já que ambos os filmes apresentam suas próprias características – sejam elas narrativas ou visuais.

Quarentena

Vindo da Espanha, um assombroso e magistral filme de terror do estilo “filmagem encontrada” chamado [Rec] assustou plateias do mundo todo e ganhou uma franquia própria. Chega Hollywood e o refaz no péssimo Quarentena, que estraga a história com explicações desnecessárias, efeitos exagerados do nívell Resident Evil e uma terrível e forçada Jennifer Carpenter no papel principal.

Deixe-me Entrar

O fantástico conto de vampiros de John Ajvide Lindqvist gerou dois filmes; primeiro o sueco Deixa ela Entrar de Tomas Alfredson e depois o americano Deixe-me Entrar de Matt Reeves (curioso como a situação lembra bastante a de Millennium), mesmo com apenas dois anos de diferença um do outro. Polêmicas a parte, ambos os filmes são ótimos e sobrevivem de forma independente – aliás, alguns elementos da versão americana são até melhores do que o da sueca, e vice-versa.

Oldboy

Tudo bem, tudo bem. Eu até não vejo grande problema em remakes mas refilmar o japonês Oldboy é um completamente desnecessário! Josh Brolin foi confirmado como protagonista e Spike Lee foi contratado para dirigir, mas – mesmo sendo um diretor competente – jamais Hollywood vai conseguir refazer a icônica cena do martelo ou a dos polvos.

O Segredo dos seus Olhos

Vindo da Argentina, o excelente suspense policial também está na lista de Hollywood para ser refilmado. O longa de Juan José Campanella ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, mas isso não parece ser motivo para impedir Billy Ray de apresentar sua própria visão da história. Desnecessário, e boa sorte para superar o plano-sequência do estádio de futebol…

Pra evitar comentários sobre hipocrisia, deixo bem claro que a versão de Fincher de Millennium é necessária, porque o ótimo material de Larsson merece destino melhor do que a mediana trilogia sueca.

Aproveitando o tema, confira o post no blog cujo tema é de remakes e novas adaptações. Clique aqui.

Com Rooney Mara praticamente irreconhecível como Lisbeth Salander, relembremos aqui outros atores que também passaram por surpreendentes transformações no cinema:

Christian Bale – O Operário

Considerado um recorde na indústria cinematográfica, Christian Bale perdeu 29 quilos para interpretar o perturbado Trevor em O Operário. De 79kg, o ator atingiu os 49kg, em uma dieta que consistiu de apenas uma lata de atum e uma maçã por dia. De quebra, ainda conseguiu entrar em forma para Batman Begins, um ano depois.

Robert DeNiro – Touro Indomável

Além de treinar boxe com extrema dedicação para viver o boxeador Jake LaMotta (com direito até a participações em torneios de verdade), Robert DeNiro ganhou aproximadamente 28 quilos para a fase decadente do lutador, surpreendendo a todos nas filmagens de Touro Indomável. O esforço, no entanto, valeu a pena, já que DeNiro faturou seu segundo Oscar por sua memorável performance.

Vincent D’Onofrio Nascido para Matar

Para viver o perturbado recruta Pyle, Vincent D’Onofrio ganhou 30kg em Nascido para Matar, de Stanley Kubrick. O ganho de peso do ator se deu em 4 meses e a perda do mesmo em 9, com diversos exercícios físicos.

Charlize Theron – Monster

Linda de morrer, Charlize Theron literalmente transforma-se em um monstro ao viver a assassina Aileen Wuornos em Monster – Desejo Assassino. Para isso, a atriz ganhou 14 quilos e submeteu-se a muitas sessões de maquiagem. A transformação deu a Theron o Oscar de Melhor Atriz.

Nicole Kidman – As Horas

Para viver a escritora Virginia Woolf, Nicole Kidman usou um nariz falso que a deixa praticamente irreconhecível, além de pintar o cabelo e aprender a escrever com a mão esquerda; visando um retrato fidelíssimo da famosa autora. Mais uma vez, a mudança garantiu um Oscar de Melhor Atriz para Kidman.

Laranja Mecânica

Logo nos minutos inicias da obra-prima de Stanley Kubrick, o espectador é levado a um mundo de violência através dos olhos do adolescente Alex. Junto com sua gangue, provocam atos de vandalismo, briga entre gangues e uma marcante cena de estupro que provocou grande polêmica nos países onde foi exibido – sendo até banido de alguns.

Irreversível

O longa francês de Gaspar Noé é dos mais difícies de assistir. A trama acompanha uma intrincada saga de vingança, contada de trás para frente e com a câmera do diretor captando cada detalhe. Os momentos mais extremos incluem um gráfico assassinato com um extintor de incêndio e uma perturbadora cena de estupro (que dura 9 minutos) em um túnel. Durante as exibições de Irreversível, muitos abandonaram as salas de cinema.

Violência Gratuita

Em ambos os longas de Michael Haneke (que também se aplica na categoria de versões estrangeiras), a violência é bem presente na trama, mas ao apresentar-se de ocorre de forma tão serena, quase cotidiana, o efeito é ainda mais perturbador.

Pulp Fiction

Pérola de Quentin Tarantino, a narrativa intrincada oferece diversos personagens memoráveis que, de alguma forma, estão ligados à violência – que aparece diversas vezes como algo comum, quase rotineira (um belo exemplo é a cena inicial com os assaltantes Pumpkin e Honeybunny.

Como uma sequência está nos planos da Sony, listo aqui alguns atores (hollywoodianos) que eu adoraria ver interpretando os novos personagens da saga, que aparecem em A Menina que Brincava com Fogo. Claro que Fincher (se diretor do restante da trilogia), provavelmente optará por atores desconhecidos, mas não custa nada sonhar…

Dag Svensson

O jornalista novato que elabora a incendiária exposição do tráfico de sexo que move o segundo capítulo é um ótimo papel para Jake Gyllenhaal. Se o ator fornecesse a mesma carga dramática e ambiciosa de Zodíaco (mais uma vez, também de David Fincher), seria bem interessante, mesmo sendo um papel relativamente curto na trama.

Inspetor Jan Bublanski

Um dos melhores atores da atualidade, Jeff Bridges no papel do inspetor encarregado de resolver o mistério em torno dos assassinatos que movem o livro 2 seria no mínimo interessante. O cara fica bom em qualquer papel e, sob o olhar meticuloso de Fincher, o resultado pode ser épico. Uma outra ideia seria Ricardo Darín, que encaixou-se bem na categoria de policial em O Segredo dos seus Olhos.

Hans Faste

Enquanto lia o livro, sempre visualizava Tom Hardy como o machista Faste, que tem diversas piadinhas ao longo da narrativa; um sarcasmo divertido que o ator fez bem em A Origem.

Sonja Modig

Se Angelina Jolie pintasse o cabelo de loiro como estava na primeira metade de Salt, a atriz seria a escolha perfeita para a única mulher na equipe de Bublanski. Durona e obcecada, tem momentos conturbados com Faste e uma relação de aliança com Bublanski.

Alexander Zalachenko

No papel do monstruoso pai de Lisbeth Salander – com cicatrizes e tensas marcas de queimaduras – um ator que seria ideal é Anthony Hopkins, que pode finalmente ter um bom papel que não envolva ser um mero coadjuvante e o faça sair do piloto-automático em que atualmente encontra-se. Outra boa opção é Malcom McDowell…

Paolo Roberto

E não podemos nos esquecer de Paolo Roberto! O boxeador tem um empolgante papel na trama, tendo participado da adaptação sueca do livro, e certamente precisa retornar caso a Sony aposte nas continuações. Mas se ele recusar, Bruce Willis seria uma escolha interessante – para um lutador fictício, mas perderia-se o elemento de surpresa.

Quais são os próximos projetos na fila de David Fincher?

20.000 Léguas Submarinas

A nova versão do clássico de Júlio Verne será o próximo filme de Fincher. A produção é descrita como grandiosa e pouco relevante com o conto original, além de estar programado para ser gravado em 3D; com efeitos visuais que  serão utilizados em quase 70% do filme. No entanto, as filmagens devem demorar pois, considerando o longo trabalho de CG que será usado, a pré-produção será extensa. Vontade de ver: 5/5

Cleópatra

Nunca houve um envolvimento oficial de Fincher com o projeto, mas seu nome circula entre os possíveis candidatos. Quem protagoniza a (nova) biografia da famosa rainha Cleópatra é Angelina Jolie, que só está esperando um diretor para começar as filmagens. Sinceramente? Território arriscado para Fincher. Vontade de ver: 3/5

Encontro com Rama

Baseado no livro de Arthur C. Clarke, trata-se de uma complexa ficção científica onde uma misteriosa nave alienígena paira no Sistema Solar, e os humanos resolvem explorá-lo para descobrir as intenções desta. Fincher declarou que a história é ótima e que Morgan Freeman teria um grande papel aqui. O filme ainda não aconteceu porque não houve um roteiro bom o suficiente. Vamos lá roteiristas! Vontade de ver: 5/5

Panic Attack

Mais um “panic” para Fincher (refiro-me a O Quarto do Pânico), na história de um psicanalista que mata um sujeito que invadiu sua casa, tendo que lidar posteriormente com a pressão da mídia e a ameaça do cúmplice do invasor a sua família. Interessante, é o tipo de gênero que o diretor domina muito bem. Vontade de ver: 4/5

Millennium

Ainda não está confirmado, mas Fincher deve retornar para os dois capítulos restantes da trilogia Millennium. Seria ótimo e mais que apropriado que ele voltasse, terminando o que começou. Até o momento, porém, ainda não há planos para a realização das continuações. Vontade de ver: 5/5

O sensacional teaser trailer de MILLENNIUM inspirou diversas pessoas a porem a mão na massa e misturarem a canção “Immigrant Song” da prévia do filme de Fincher com clipes de seus filmes preferidos. Reuni abaixo alguns dos melhores vídeos amadores que pude encontrar.

E já que você vai ouvir a música muitas vezes, acompanhe o som com a letra da versão remixada:

We come from the land of the ice and snow
from the midnight sun where the hot springs blow

The hammer of the gods will drive our ships to new lands
To fight the horde and sing and cry, Valhalla, I am coming

On we sweep with, with threshing oar
Our only goal will be the western shore

So now you better stop and rebuild all your ruins
for peace and trust can win the day despite of all you’re losin’

Os Muppets (este lançado oficialmente como uma paródia direta do trailer

Batman – O Cavaleiro das Trevas

Jurassic Park

A Rede Social

A Origem

O Pentelho

Clube da Luta

Laranja Mecânica (este feito por quem vos escreve)

Bem, o especial acaba aqui. MILLENNIUM: Os Homens que não Amavam as Mulheres só estreia no Brasil em 27 de Janeiro, mas devido a minha viagem para os EUA, assistirei o longa lá e publicarei a crítica por volta do dia 12 de Janeiro. Espero que tenham gostado!

| Amizade Colorida | A melhor comédia (romântica ou não) do ano

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2011, Romance with tags , , , , , , , , on 1 de outubro de 2011 by Lucas Nascimento


Sexo sem Amor? Justin Timberlake e Mila Kunis acertam em cheio na química

Eu confesso que comédias românticas não são meu tipo preferido de filme, mas 2011 está realmente acertando com o gênero. Primeiro com o ótimo Amor a toda Prova, agora com Amizade Colorida, dirigido por Will Gluck. Surpreendentemente, apresenta um dos roteiros mais inspirados do ano e um entrosadíssimo elenco.

Na trama (cuja semelhança com Sexo sem Compromisso, aquele com a Natalie Portman, é inevitável), os amigos Dylan e Jamie resolvem estabelecer uma relação estritamente sexual, onde emoções e compromisso não façam parte de suas vidas.

É claro que todos nós sabemos o que vai acontecer no final. Se você vê um ator e uma atriz famosos estampados em um pôster, quase sempre fica evidente qual será a conclusão daquela história. Não é difícil prever como Amizade Colorida termina, mas é um caminho tão divertido e agradável, que nem os clichês típicos de comédias românticas incomodam; os próprios são criticados ao longo da projeção.

Grande parte do acerto é mesmo pelo trabalho do diretor Will Gluck (de A Mentira) e pela qualidade do roteiro (escrito por Keith Merryman, David E. Newman e o próprio Gluck), que aposta em referências pop magníficas e diálogos que sopram frescor e originalidade, principalmente por satirizar as situações típicas de comédias românticas. E o diretor respeita o texto, como fica evidente logo na primeira cena do filme, onde é feita uma divertida mesclagem entre os protagonistas – com uma montagem excepcional – e são apresentados diálogos com velocidade no nível A Rede Social (um pouco de exagero, mas serve pra ilustrar minha opinião a respeito deles).

E, claro, impossível não reconhecer o charme do ótimo elenco. A começar com Justin Timberlake e Mila Kunis, que apresentam uma química extraordinária que eu não via há tempos; soando verdadeiros e divertidos o tempo todo, tanto no lado da amizade quanto no amoroso. Paralelamente, o impagável Woody Harrelson faz o melhor coadjuvante cômico do ano como Tommy, amigo gay assumido de Dylan, que rende alguns dos momentos mais engraçados do longa; apresentando sua homossexualidade sem julgamentos ou caricaturas.

Assim como em A Mentira, Gluck retrata muitíssimo bem o papel da família na história, aqui com a excêntrica mãe de Jamie, vivida pela hilária Patricia Clarkson  (que também estava no longa anterior de Gluck, também como a mãe da protagonista feminina!) e pelo pai de Dylan, interpretado pelo sempre competente Richard Jenkins; que mesmo sendo portador de Alzheimer, mostra-se um experiente conselheiro e um sábio homem. Notável a mensagem passada através do personagem aqui.

O diretor também exibe bastante sensualidade nas cenas de sexo entre os protagonistas que, mesmo não sendo potencialmente explícitas, são ousadas para uma comédia norte-americana mas também rendem momentos divertidos (o espirro de Timberlake, por exemplo, foi uma tirada genial). E enquanto não oferece um aprofundamento psicológico como o de Namorados para Sempre, cumpre bem o seu papel ao mostrar as complicações de uma relação “colorida”, mesmo que caia na previsibilidade já mencionada no início do texto.

Não só um honesto retrato sobre as relações, mas também um bem um atestado de amor à cidade de Nova York.  Repleto de múltiplas tomadas sobre diversas regiões de Manhattan (como o belíssimo plano de visão noturna em um prédio que Jamie chama de “montanha”) e também divertidas presenças de flashmobs na Times Square, fica bem evidente o quanto os realizadores são apaixonados pela cidade – e a fotografia de Michael Grady ajuda nesse sentido.

Inteligente e maravilhosamente executado, Amizade Colorida é a melhor comédia do ano, e sem dúvida uma memorável entrada no gênero. Mesmo que caia no clichê em alguns momentos, tem uma magistral química entre seus protagonistas.  

O que os blockbusters de 2011 falharam em entregar, as comédias românticas compensaram.

| Taxi Driver | O Homem em busca de seu propósito

Posted in Clássicos, Críticas de 2011 with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 19 de junho de 2011 by Lucas Nascimento


Robert DeNiro e o diretor Martin Scorsese, que faz uma ponta no filme

Poucos filmes americanos já realizados têm o mesmo impacto de Taxi Driver. Dirigido por Martin Scorsese, é uma obra prima magnífica movida por um estudo de personagem fascinante, com ênfase no descontrole mental e na vontade/necessidade do ser humano em “sair da coleira” e fazer algo completamente imprevisível.

Partindo do roteiro de Paul Scharder, a trama é sobre Travis Bickle, um veterano da Guerra do Vietnã que agora trabalha como taxista em uma decadente Nova York dos anos 70. A imundice e a podridão da sociedade o fazem iniciar uma luta para “limpar as ruas” e acabar com a prostituição, por meios violentos e sem precedentes.

Em mãos diferentes, Taxi Driver poderia até ser um filme de super-herói; com um sujeito normal saindo de sua zona de conforto em prol do bem maior, no entanto Martin Scorsese conduz a trama com o intuito de atingir algo maior, resultando em um devastador retrato psicológico do ser humano, simbolizado por Travis Bickle. O motorista de taxi não sabe exatamente qual o seu próposito ou seu objetivo específico, mas sua vontade de agir, em meio a uma tremenda solidão, é muito bem caracterizada pela performance magistral de Robert DeNiro.

Interpretando Travis com uma vivacidade extraordinária, o ator entrega uma das melhores performances de sua carreira – marcando sua segunda parceria com Scorsese. Começando como um homem normal, ele passa por uma transformação impressionante iniciada na excelente conversa com seu parceiro Wizard, onde o desejo animal e a ambição indescritível de Travis são perceptíveis apenas pelas expressões e os  gaguejos de DeNiro (“Estou com umas ideias ruins na cabeça”, ele diz); mesmo falando pouco e sem saber exatamente o que procura, é bem evidente para o espectador o que passa pela mente do personagem.

You talkin’ to Me?


Você tá falando comigo? A frase que virou bordão

Scorsese utiliza de diversas ferramentas para retratar essa transformação, como se buscasse um estopim. Um exemplo notável é quando ele encontra-se com colegas taxistas em uma lanchonete, e joga um analgésico em seu copo de água. O remédio começa a dissolver-se e borbulhar na água, enquanto Travis o observa atentamente; de forma como se ele estivesse, igualmente, borbulhando por dentro.

E se ele precisava de um estopim, encontrou-o ao conhecer a bela Betsy (Cybill Shepherd). A jovem trabalha em um escritório do partido do candidato à presidência Charles Palantine (vivido por Leonard Harris) e Travis é instantânemamente atraído por sua beleza radiante, que destaca-se em meio ao “resto” da sociedade (“Eles não podem tocá-la”). No entanto, difícil de se relacionar, o taxista estraga tudo depois de um encontro profundamente constrangedor em um cinema pornô. Scorsese faz algo curioso aqui: em uma conversa de telefone entre Betsy e Travis (do ponto de vista do protagonista), o diretor lentamente afasta a câmera do personagem, como se a tentativa de reconciliação do protagonista fosse tão patética a ponto de que a narrativa não necessitasse desperdiçar tempo naquela cena. Sutil, mas brilhante.

Isso leva o sujeito a desenvolver uma psicótica obssessão em assassinar o tal candidato, certamente em uma tentativa de chamar a atenção de Betsy. Ele compra armas e começa a treinar com elas, especialmente na clássica cena do “You talkin’ to me”, onde o taxista solta ameaças e gritos contra um espelho. Curiosidade: DeNiro improvisou a cena inteira,  a passo que o roteiro apenas dizia “Travis olha-se no espelho”. Incrível como tantas coisas marcantes acontecem fora do planejado.

A Chuva de Travis Bickle


A jovem Jodie Foster rouba a cena ao interpretar a prostituta Iris

Mas quando Travis fica obcecado em ajudar uma prostituta de 13 anos chamada Iris (vivida pela scene-stealer Jodie Foster, indicada ao Oscar por sua carismática performance), a trama fica ainda mais interessante. Isso porque vemos o sujeito criando afeição pela camada da sociedade que ele considera a podridão da cidade, apenas esperando por uma grande chuva que a lave das calçadas. Fica claro para o sujeito que muitos dos membros dessa camada não passam de vítimas. Nesse ponto, o motorista de taxi encontra seu objetivo e abraça sua missão, encarnando uma espécie de vigilante (com direito a um icônico moicano) e obceca-se em salvar Iris da prostituição, culminando em um violento clímax de tiroteio contra cafetões e criminosos.

O que nos leva – alguns spoilers aqui – àquela cena final. Taxi Driver oferece uma conclusão subjetiva para sua trama. Vemos Travis aparentemente normal, estabilizado e de volta ao seu emprego de taxista e levando Betsy, que está maravilhada com sua bem sucedida façanha sobre os criminosos, para sua casa. Uma conclusão assim é perfeitamente aceitável para quem aprecia um final feliz, mas os céticos sempre apontam uma segunda opção; no caso, a de que esse final seria imaginação de Bickle e que este teria morrido no tiroteio para salvar Iris. A partir deste ponto, é o espectador quem tira suas conclusões e teorias (ainda é necessário considerar o misterioso som quando o protagonista ajeita o retrovisor do táxi) e decide o destino de Travis Bickle. É a magia do cinema.

Por cima disso tudo, temos a hipnotizante trilha sonora de Bernard Herrmann. Autor de memoráveis composições (que vão de Cidadão Kane à Psicose) o maestro tem muita influência de jazz na música de Taxi Driver, com predomínio do teclado e do saxofone suave, que vai lentamente agravando seu tom. É uma ótima trilha, e infelizmente seu criador morreu algumas horas depois de terminá-la (em Dezembro de 1975), não tendo visto o impacto da obra ou sua indicação póstuma no Oscar da categoria.

Scorsese conduz a trama com a mesma eficiência com que Travis dirige seu taxi; vemos de tudo, acompanhamos diversos personagens e um retrato único da sociedade setentista, tudo pelos olhos de uma alma psicologicamente perturbada e isolada. Taxi Driver é a obra-prima do cineasta e um dos melhores filmes de todos os tempos.