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2014: Os Melhores dos Melhores

Posted in Melhores do Ano with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 23 de dezembro de 2014 by Lucas Nascimento

2014_melhores

Chegou aquela hora do ano novamente… Junte-se a mim enquanto escolho os melhores filmes de 2014, mas atenção aos critérios abaixo

  • A lista contém apenas filmes lançados no Brasil COMERCIALMENTE (logo, filmes de 2013 que chegaram este ano nos cinemas ou home video marcam presença aqui) e alguns lançamentos estrangeiros ficaram de fora (como Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo, Whiplash, Birdman, entre muitos outros).
  • Se  não concordar com minha opinião (e isso certamente vai acontecer), fique à vontade para comentar e apresentar sua própria seleção, mas seja educado, porque comentários grosseiros serão reprovados.

FILME: TOP 10

10. O Predestinado

4.5

11

“O Predestinado é um filme absolutamente envolvente e intrigante, se o espectador se deixar levar por sua narrativa sintuosa e um protagonista não muito confiante. Certamente um dos exemplares de viagem no tempo mais eficientes dos últimos anos. Imperdível.”

9. 12 Anos de Escravidão

4.5

9

“Excepcional também em seus valores de produção, 12 Anos de Escravidão é uma experiência difícil e pesada. Corajosamente pega um dos gêneros mais delicados do cinema norte-americano e oferece um tratamento visceral e que certamente será lembrado por anos, não só por sua brutalidade, mas também pela força de seu impecável protagonista e o emocionante desfecho de sua dura jornada.”

8. Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum

4.5

8

“Servindo como um curioso estudo de personagem que leva seu objeto do nada ao nada, Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum é uma experiência única, proporcionada por duas das maiores mentes do cinema contemporâneo. Seja em sua maestria técnica, narrativa ou em sua vibrante trilha sonora folk, o filme é tragicômico no melhor sentido da palavra. E sua ausência em grandes categorias do Oscar é crueldade.”

7. Amantes Eternos

4.5

7

“Envolvente do início ao fim, Amantes Eternos é uma experiência belíssima e hipnotizante, uma história inteligente povoada por figuras ricas e absolutamente memoráveis. Como seus protagonistas, merece encontrar a imortalidade.”

6. X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

4.5

6

“Dado o tamanho da aposta, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido era um filme que poderia ter dado perigosamente errado. Felizmente, isso foi em alguma realidade alternativa obscura, já que o retorno de Bryan Singer à franquia é eficiente, divertido e mesmo que não seja o melhor filme desta, certamente é o maior. E o melhor de tudo é perceber como sua conclusão oferece aos produtores novos rumos para essa franquia tão admirável.”

5. Boyhood: Da Infância à Juventude

4.5

 

5

“Em seus momentos mais profundos, Boyhood: Da Infância à Juventude é capaz de se transformar um espelho, fazendo com que o espectador olhe para si mesmo e identifique-se com os eventos do longa, em busca de uma catarse. Certamente trouxe um forte impacto em mim, não apenas como cinéfilo, mas como ser humano. É um filme sem igual.”

4. O Grande Hotel Budapeste

5.0

4

O Grande Hotel Budapeste é desde já um dos melhores trabalhos de 2014, e comprova que o invencionismo visual de Wes Anderson não atrapalha na condução de uma história que abraça o nonsense. Pelo contrário, ajuda e diverte. Caramba, talvez seja um dos filmes mais divertidos que eu já vi na vida.”

3. Interestelar

5.0

3

Interestelar vai variar muito de uma pessoa a outra. A recepção crítica revela que uns amaram, outros detestaram e alguns simplesmente não viram nada demais. Aposto que já deixei claro minha posição diante do filme, que considero uma das experiências cinematográficas supremas de 2014, capaz de me fazer esquecer seus pequenos erros. Mas mesmo que eu tivesse odiado o filme, reconheceria a mera decisão de Christopher Nolan em experimentar algo tão ousado, e incomum no gênero blockbuster atual.”

2. O Lobo de Wall Street

5.0

2

“Com o mais inspirado uso de trilha sonora incidental em sua carreira em anos, O Lobo de Wall Street é uma frenética e implacável tragédia grega do mundo das finanças. Pode muito bem ser considerado o Bons Companheiros do gênero, mais uma fantástica adição para a carreira de Martin Scorsese.”

1. Garota Exemplar

5.0

1

Garota Exemplar é um filme poderoso e surpreendente, seja por suas reviravoltas imprevisíveis ou pelo humor negro que adota para retratar temas e situações relevantes no momento – sendo a instituição casamento seu principal alvo. Um dos melhores do ano e também da filmografia do sr. David Fincher.”

Veja aqui TODAS as críticas do ano.

DIRETOR DO ANO

Christopher Nolan | Interestelar

diretor

Ok, sei muito bem que essa é uma decisão polêmica. Aposto também que muitos viram me chamar de “nolete” ou algum outro termo estúpido, mas o que posso fazer? Mesmo que não o melhor o filme, Interestelar foi inquestionavelmente a melhor experiência cinematográfica que tive este ano, e muito disso se deve à direção de Christopher Nolan. Rodou cenas lindíssimas em IMAX na Islândia, pagou as homenagens à 2001: Uma Odisseia no Espaço com cenas que apostam no silêncio do espaço e os mecanismos espaciais, e acertou a mão nas cenas mais emocionais – até então, algo raro em sua carreira predominantemente racional.

David Fincher | Garota Exemplar

Martin Scorsese | O Lobo de Wall Street

Richard Linklater | Boyhood: Da Infância à Juventude

Fernando Coimbra | O Lobo Atrás da Porta

ATOR DO ANO

Jake Gyllenhaal | O Abutre

ator

Jake Gyllenhaal está cada vez melhor. Já tendo impressionado este ano com seu trabalho incrível em O Homem Duplicado, o ator se transforma fisicamente e mentalmente para viver o perturbado protagonista de O Abutre. Um homem calculista, obcecado e aparentemente incapaz de sentir afeto ou se preocupar com as consequências morais de seus atos, Lou Bloom é um dos personagens mais detestáveis e fascinantes dos últimos tempos, e Gyllenhaal acerta ao se perder completamente neste difícil papel. Trabalho de mestre.

Leonardo DiCaprio | O Lobo de Wall Street

Matthew McConaughey | Interestelar

Ralph Fiennes | O Grande Hotel Budapeste

Joaquin Phoenix | Ela

ATRIZ DO ANO

Rosamund Pike | Garota Exemplar

atriz

David Fincher precisava de uma atriz muito boa para interpretar Amy Elliot Dunne, a enigmática protagonista de Garota Exemplar. A escolha foi certeira com Rosamund Pike, aquela atriz que você avistou uma vez ou outra em algum papel coadjuvante, que aqui domina cada segundo de cena com uma presença sensual, duvidosa e selvagem. É um papel que exige dedicação e ambiguidade, e Pike nos estimula do primeiro até o último frame da projeção.

Sarah Snook | O Predestinado

Leandra Leal | O Lobo Atrás da Porta

Marion Cottilard | Era Uma Vez em Nova York

Tilda Swinton | Amantes Eternos

ATOR COADJUVANTE

Michael Fassbender | 12 Anos de Escravidão

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Sem dúvida um dos melhores atores da nova geração, Michael Fassbender recebeu sua primeira indicação ao Oscar só este ano, com 12 Anos de Escravidão. É seu papel mais sombrio, assumindo a pele de um cruel fazendeiro que não vê limites em como trata seus escravos, seja pela violência ou pelo estranho afeto mantido com a personagem de Lupita Nyong’o. Fassbender está intenso e perturbador, um dos grandes vilões do ano.

Jared Leto | Clube de Compras Dallas

Bradley Cooper | Trapaça

Matt Damon | Interestelar

Ethan Hawke | Boyhood: Da Infância à Juventude

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Patricia Arquette | Boyhood: Da Infância à Juventude

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Boyhood é todo sobre o jovem Mason, mas o que é um jovem sem sua mãe? Patricia Arquette é certamente uma das grandes presenças no épico indie de Richard Linklater, sendo uma personagem que enfrenta grandes mudanças e diversas fases diferentes ao longo dos 12 anos de produção. É uma mãe solteira forte, confusa e que amadurece à medida em que vai aprendendo a cuidar de seus filhos. A grande redenção, porém, é em sua inesquecível cena final, que discute a finitude da vida.

Mackenzie Foy | Interestelar

Lupita Nyong’o | 12 Anos de Escravidão

Uma Thurman | Ninfomaníaca – Volume 1

Eva Green | Sin City: A Dama Fatal

ROTEIRO ADAPTADO

O Lobo de Wall Street | Terence Winter

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Tem que ser bom pra entregar um roteiro como o de O Lobo de Wall Street. Não só pela temática que envolve Economia, Bolsa de Valores e Wall Street, mas pela quantidade de eventos que passam pela vida do protagonista Jordan Belfort. Terence Winter acerta em cheio ao elaborar diálogos inteligentes, dosar muito (muito) humor negro e simplesmente assumir que o espectador não precisa entender os conceitos técnicos – as quebras da quarta parede e a dinâmica narração de Belfort são essenciais para o sucesso do longa. Impecável.

Garota Exemplar | Gillian Flynn

O Predestinado | Michael Spierig e Peter Spierig

Planeta dos Macacos – O Confronto | Mark Bomback, Rick Jaffa e Amanda Silver

12 Anos de Escravidão | John Ridley

ROTEIRO ORIGINAL

Amantes Eternos | Jim Jarmusch

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Meio que “atrasado” em sua versão para o mito do vampiro (que agora já nem mais está tão em alta), Jim Jarmusch faz valer a espera com seu inebriante Amantes Eternos. O roteiro conta uma história simples, mas rica na composição de seus ilustres personagens, criaturas imortais que parecem ter atingido o ápice da evolução e agora apenas podem sentir remorso e depressão em relação a seus companheiros humanos. Desde a relação dos protagonistas, a influência da música, os elaborados roubos de sangue e a sensação de um mundo desolado, é um grande acerto para Jarmusch.

O Grande Hotel Budapeste | Wes Anderson

Relatos Selvagens | Damián Szifrón

O Lobo Atrás da Porta | Fernando Coimbra

O Abutre | Dan Gilroy

FOTOGRAFIA

Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum | Bruno Delbonnel

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Desde a primeira vez em que vi um dos primeiros trailers de Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum, me apaixonei pelo trabalho de Bruno Delbonnel. Assistindo ao filme, percebe-se como suas luzes e filtros de luz ajudam a nos envolver nesse cenário frio, sombrio e incômodo que é o da música folk dos anos 60, sendo demarcado por sombras e um predominante tom de cinza. Belíssima e atmosférica.

Interestelar | Hoyte Van Hoytema

O Homem Duplicado | Nicolas Bolduc

Garota Exemplar | Jeff Cronenweth

Noé | Matthew Libatique

DESIGN DE PRODUÇÃO

O Grande Hotel Budapeste | Adam Stockhausen

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Sem mais, Wes Anderson é o mestre do departamento de design de produção e direção de arte. O setor é praticamente um personagem em seus filmes, e não é diferente com aquele que considero sua obra-prima, O Grande Hotel Budapeste. Desde o majestoso hotel do título, até locações apropriadamente cartunescas em prisões, estalagens, museus e pistas de skis européias, o trabalho de Adam Stockhausen é magistral e rico em detalhes.

Ela

Era Uma Vez em Nova York

Interestelar

Noé

MONTAGEM

Garota Exemplar | Kirk Baxter

MONT

Foi um excelente ano para os montadores. O terror O Espelho impressiona por manter suas duas tramas em perfeito equilíbrio e até interagindo umas com as outras, enquanto Interestelar mesclava com maestria cenas separadas por décadas de distância. E Noé cria alguns dos time lapses mais ousados e brilhantes de toda a História do cinema, que certamente deixaria Eisenstein maluco. No entanto, escolho o trabalho de Kirk Baxter (dessa vez, sem Angus Wall) em Garota Exemplar, que também tem o trabalho de equilibrar duas tramas aparentemente distintas, mas o faz com cortes inteligentes, transições bem escolhidas e fades to black geniais; aumentando o efeito de certas sequências.

Noé | Lindsay Graham e Mary Vernieu

O Espelho | Mike Flanagan

Interestelar | Lee Smith

No Limite do Amanhã | James Hebert e Laura Jennings

FIGURINO

Trapaça | Michael Wilkinson

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Mesmo não sendo um grande admirador de David O. Russell e seu superestimado Trapaça, admito que a Academia falhou ao não premiar seu requintado guardarroupa. Michael Wilkinson recria diversos trajes típicos da década de 70 que variam entre si, seja em estilo, cor ou padrão. Os ternos são belíssimos e os vestidos (ainda não esqueço da presença sensual de Amy Adams e seus decotes) impecáveis.

O Grande Hotel Budapeste | Milena Canonero

Guardiões da Galáxia | Alexandra Byrne

Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 | Kurt e Bart

Malévola | Anna B. Sheppard

EFEITOS VISUAIS

Planeta dos Macacos: O Confronto

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O trabalho de efeitos visuais para a criação dos símios já era impressionante em 2011, com Planeta dos Macacos: A Origem. Depois de 3 anos, a tecnologia está ainda melhor e garante mais emoções e fisionomias para os personagens digitais de O Confronto, liderados pelo mestre do motion capture, Andy Serkis. Os símios surgem mais reais, dinâmicos e convencem o tempo todo. Merece o Oscar.

Interestelar

O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos

Guardiões da Galáxia

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

MAQUIAGEM

Guardiões da Galáxia

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Quando pensamos em uma ficção científica surtada e cartunesca como Guardiões da Galáxia, imediatamente nos vêm à mente o trabalho de maquiagem. E mesmo que não seja nada ultra elaborado como o trabalho de Rick Baker, Elizabeth Yianni-Georgiou merece parabéns por deixar figuras como Karen Gillan (Nebulosa), Lee Pace (Ronan) e Dave Baustista (Drax) irreconhecíveis, mas ainda assim manter seus bons trabalhos de atuação. Segue um padrão simples, ao meramente trocar a cor de seus atores, rendenco uma certa “sutileza alienígena”.

Sin City: A Dama Fatal

O Predestinado

O Grande Hotel Budapeste

TRILHA SONORA

Interestelar | Hans Zimmer

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Pra mim, não há dúvidas de que Hans Zimmer é o compositor mais talentoso de nossos tempos. Com Interestelar, sua 5ª contribuição com Christopher Nolan, Zimmer nos revela ainda mais truques que mantinha escondido sob a manga, agora na forma do órgão para temperar sequências do vazio espacial, perseguições por plantações e o dramático afeto de um pai com sua filha. É bela, inventiva, abstrata e épica quando o filme a requer assim. Um dos melhores trabalhos de Hans Zimmer, é praticamente um milagre.

Melhor Faixa: No Time for Caution

Garota Exemplar | Trent Reznor & Atticus Ross

O Grande Hotel Budapeste | Alexandre Desplat

Noé | Clint Mansell

Amantes Eternos | SQÜRL

+ 10 Faixas Memoráveis (Em ordem aleatória)

“Technically, Missing” – Trent Reznor & Atticus Ross | Garota Exemplar

“Make Thee An Ark” – Clint Mansell | Noé

“Spooky Action at a Distance” – SQÜRL | Amantes Eternos

“There He Is” – Hans Zimmer | O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro

“Dimensions” – Arcade Fire | Ela

“Last Will and Testament” – Alexandre Desplat | O Grande Hotel Budapeste

“Hat Rescue” – John Ottman | X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

“Fire Battle” – Junkie XL | 300: A Ascensão do Império

“Black Tears” – Tyler Bates | Guardiões da Galáxia

“Death” – Mica Levi | Sob a Pele

CANÇÃO DO ANO

“The Hanging Tree” – Jennifer Lawrence | Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1

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Quando “The Hanging Tree” começa a tocar lá pela metade de A Esperança – Parte 1, por alguns minutos, torna-se um filme completamente diferente. Com a delicada voz de Jennifer Lawrence, a canção melancólica sobre uma árvore de enforcamento nos remete ao trabalho de Bille Holiday (especialmente, Strange Fruit, ao sugerir imagens medonhas), e quando é utilizada para movimentar as massas na rebelião – ganhando um coral -, assume um tom de Os Miseráveis.

“Mercy Is” – Patty Smith | Noé

“Big Eyes” – Lana Del Rey | Grandes Olhos

“It’s On Again” – Alicia Keys | O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro

“Battle Cry” – Imagine Dragons | Transformers: A Era da Extinção

MELHOR SEQUÊNCIA DE CRÉDITOS (ABERTURA OU ENCERRAMENTO)

Anjos da Lei 2

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Não tinha pra ninguém. É a melhor piada de Anjos da Lei 2 e também uma das melhores sequências de créditos de todos os tempos, que brinca com as infinitas continuações que a saga dos policiais Schmidt e Jenko poderia enfrentar nos próximos anos, surgindo com pérolas como 24 Jump Street: A Semester at Sea, 40 Jump Street: Magic School, uma aventura espacial séries animadas, action figures e algumas participações especiais bem divertidas. É uma paródia genial ao método mercadológico de Hollywood, mas a grande ironia é que eu seria capaz de assistir a cada um desses filmes falsos. Sério.

Capitão América – O Soldado Invernal

Godzilla

SURPRESA DO ANO

No Limite do Amanhã

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Vocês tinham que ver a minha cara quando vi o material de No Limite do Amanhã pela primeira vez. Esses exoesqueletos, a trama genérica, o título brega… Não havia nada que despertasse meu interesse, mas mesmo assim entrei na sala de exibição. E ainda bem que entrei, pois o filme é um dos blockbusters mais divertidos e estimulantes do ano, contando com uma performance inédita de Tom Cruise, conceitos de viagem do tempo bem explorados e um ritmo sólido. Ah, e Emily Blunt chuta bundas.

DECEPÇÃO DO ANO

Godzilla

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No geral, Godzilla não é um filme ruim, mas poderia (e prometeu) ser muito mais. O diretor Gareth Evans traz de volta o espetáculo e grandiosidade que o icônico monstro japonês há muito não recebia, mas depende de um roteiro fraco e tedioso, populado por personagens formulaicos e sem o menor apego ao público. Considerando que o monstro aparece bem pouco do que se poderia imaginar (e que Bryan Cranston e Juliette Binoche tenham tempo de cena limitado)

USO DE 3D

Guardiões da Galáxia

3d

2014 não foi um bom ano para o 3D. Não tivemos nenhum “uso de autor”, como com Gravidade e O Grande Gatsby no ano passado, mas sim uma enchurrada de filmes com o formato convertido porcamente (como Capitão América – O Soldado Invernal, GodzillaMalévola e Sin City: A Dama Fatal). Dentre os males, o 3D de Guardiões da Galáxia é o mais suportável (principalmente em IMAX), funcionando graças a momentos mais “infantis”, como objetos sendo jogados em direção ao espectador e um ou outro bom momento de profundidade de campo. É um trabalho de conversão competente, mas leva aqui por falta de opção melhor.

MELHORES TRAILERS

O Abutre | Trailer 2

Birdman | Trailer 1

Cinquenta Tons de Cinza | Trailer 1

Garota Exemplar | Teaser

Guardiões da Galáxia | Trailer 2

O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos | Teaser

Interestelar | Trailer 1

Mad Max: Estrada da Fúria | Teaser Comic Con

Mad Max: Estrada da Fúria | Trailer Oficial

Sin City: A Dama Fatal | Trailer da Comic Con

Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força | Teaser

Vício Inerente | Trailer 1

Whiplash: Em Busca da Perfeição | Trailer 1

MELHORES PÔSTERES

Interestelar

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Whiplash: Em Busca da Perfeição

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Êxodo: Deuses e Reis

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Birdman

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Vício Inerente

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Guardiões da Galáxia

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The Hateful Eight

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Sin City: A Dama Fatal

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O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos

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Garota Exemplar

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Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1

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A Marca do Medo

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Mr. Turner

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Mais Antecipados Para 2015

007 – Spectre

The Hateful Eight

Homem Formiga

O Quarteto Fantástico

Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força

A Travessia

Vício Inerente

Os Vingadores: Era de Ultron

Whiplash: Em Busca da Perfeição

E fiquem ligados, na primeira semana de 2015 libero o gigante Preview 2015!

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HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO é o escolhido para disputar vaga no Oscar 2015

Posted in Notícias with tags , , , , , , , , on 18 de setembro de 2014 by Lucas Nascimento

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E o Ministério da Cultura do Brasil já escolheu o representante para tentar disputar uma vaga na categoria de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2015.

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho foi selecionado, passando na frente de filmes como Tatuagem, Praia do Futuro, O Lobo Atrás da Porta e Getúlio.

Não vi nem metade da lista, mas acho Hoje Eu Quero Voltar Sozinho um bom representante, ainda que prefira a ousadia dark de O Lobo Atrás da Porta.

Os indicados ao Oscar serão anunciados em Janeiro.

| O Lobo Atrás da Porta | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Drama with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 4 de junho de 2014 by Lucas Nascimento

4.0

OLoboAtrasdaPorta
Leandra Leal e Milhem Cortaz: quem é o lobo? Ele? Ela? Ambos?

Pode parecer meio repetitivo para quem acompanha meus textos, mas eu realmente fico arrepiado quando vejo o que o bom cinema nacional de ficção (porque em quesito documentário, somos impecáveis) é capaz de fazer. De verdade. Em meio às imbecis comédias da Globo Filmes, biografias e obras essencialmente de cunho social/político (ainda que muitas sejam bem decentes), eis que surge o excelente O Lobo Atrás da Porta, impressionante filme de estreia de Fernando Coimbra que agrada justamente por se manter à velha moda: uma boa história, bem contada.

A trama é livremente inspirada em um evento real dos anos 60, começando quando uma delagacia de polícia encarrega-se de encontrar uma criança desaparecida. O policial responsável (Juliano Cazarré) começa então a recolher depoimentos da mãe, Sylvia (Fabiula Nascimento), do pai, Bernardo (Milhem Cortaz), e da amante deste, Rosa (Leandra Leal). Quando as histórias começam, pontos de vista se colidem e o policial vai desvendando uma trama complexa, sombria e regada à adultério.

À primeira vista, é a clássica história de detetive (e é ótimo ver a aposta nesse gênero) em sua estrutura e desenrolar, sendo beneficiada pela ótima montagem de Karen Akerman e as reviravoltas do roteiro do próprio Coimbra. No entanto, O Lobo Atrás da Porta parte então para um fascinante estudo de personagens, onde diversos detalhes e subtramas subjetivas nos revelam elementos interessantes sobre seus personagens. Mesmo que seu segundo ato desenrole-se mais lentamente ao focar-se na construção/decaída da relação entre Bernardo e Rosa, Coimbra mostra-se um diretor inteligente e hábil ao compor – junto ao talentoso diretor de fotografia Lula Carvalho – planos belíssimos e reveladores (como a apresentação de Bernardo, um coordenador de transportes públicos, que o traz caminhando em direção à câmera enquanto diversos ônibus cruzam pela rua às suas costas), apostando também em pouquíssimos cortes durante sua execução, conferindo um caráter quase que teatral à estética do filme.

Tal decisão também garante um esforço maior de seu excepcional elenco. Popular por seu “mestre das pérolas” Fábio dos dois Tropa de Elite, Milhem Cortaz aproveita sua postura e fisionomia para criar um personagem fracassado e desajeitado, e é justamente por tal caracterização, que é tão impressionante vê-lo libertando seu lado sombrio – quase beirando a psicopatia em dois momentos específicos. Vale notar também as presenças de Fabiola Nascimento, o cínico delegado de Cazarré e o pontualmente divertido alívio cômico de Thalita Carauta. Mas é realmente Leandra Leal quem consegue tomar o longa para si, mesmo rodeada de excelentes intérpretes. Na pele da desequilibrada Rosa, a atriz é quem enfrenta as decisões mais corajosas do texto e também a transformação mais fascinante, refletindo perfeitamente a metáfora do título (ainda que Bernardo também liberte seu “lobo” em momentos diversos) em uma performance memorável.

Não posso deixar de mencionar também o espetacular trabalho do design de produção do longa, que ambienta a narrativa em cenários periféricos e interiores do Rio de Janeiro. Uma decisão que fascina quando paramos pra pensar nos grandes thrillers de mistério que têm a cidade grande como pano de fundo central, e o diretor de arte Tiago Marques é hábil nos pequenos detalhes de cada habitação (a compacta e aconchegante casa da família de Bernardo se diferencia completamente do apartamento usado para começar seu caso extraconjugal, especialmente pela decoração provocante e os tons de vermelho) e a composição de cada uma: a desolação ajuda no impacto de determinadas situações; seja no primeiro encontro entre Bernardo e Rosa próximo à linha do trem, ou o assustador clímax que vai deixar o espectador preso à poltrona (pontuado com eficiência pela trilha sonora distorcida de Ricardo Cutz, ainda que aqui e ali ele abuse de notas típicas de um grindhouse).

Inteligente e corajoso com as decisões perturbadoras trilhadas por sua narrativa, O Lobo Atrás da Porta é uma experiência esmagadora e envolvente, optando por um gênero dificilmente encontrado na grande safra de produções nacionais. Puta filme.