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| Fruitvale Station: A Última Parada | Um intenso registro de fatalidade

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Drama with tags , , , , , , , , , , on 31 de janeiro de 2014 by Lucas Nascimento

3.5

FruitvaleStation
Michael B. Jordan é Oscar Grant a instantes da fatalidade

É uma tarefa muito complicada adaptar tragédias reais às telas. Especialmente uma que seja ambientada em único dia, e com uma fatalidade inesperada como a sofrida por Oscar Grant nos primórdios de 2009. Diferente de eventos como o  naufrágio do Titanic ou o 11 de Setembro (que também renderam obras cinematográficas), a morte de Oscar não foi um evento de escala monumental, mas – como nos bem mostra o filme do estreante Ryan Coogler – não menos importante e com a mesma dose de impacto.

Assinada também por Coogler, a trama dramatiza as últimas 24 horas da vida de Oscar Grant (Michael B. Jordan), um jovem desempregado e pai de uma filha com sua namorada (Melanie Diaz). Na celebração da virada do Ano Novo de 2009, ele foi morto a sangue frio por um policial que deteve Oscar e seus amigos após uma briga na estação de metrô do título.

Felizmente, Coogler não se desvia de seus objetivos. Em seus 80 minutos de projeção, Fruitvale Station mantém-se apenas aos eventos finais de Oscar, invalidando uma análise geral sobre toda sua vida ou digressões temporais (há apenas um flashback em toda a projeção, mas é só no terceiro ato nos damos conta da importância fundamental deste). É inegável que o espectador esteja desde o início esperando pelo clímax dramático, e Coogler sabe disso, conscientemente apostando em sequências onde Oscar faz planos para o futuro ou quando sua mãe (Octavia Spencer, excelente) lhe aconselha a tomar o metrô ao invés de dirigir. Mesmo sendo um jogo interessante de subversões de expectativas, atrasa um pouco o ritmo do arrastado primeiro ato, onde se salva a performance do ótimo Michael B. Jordan (você já o viu em Poder sem Limites e provavelmente o verá muito mais…), que absorve todas as complicações, intrigas e problemas de Oscar – sem nunca deixar seu bom humor morrer.

Quando o momento esperado finalmente chega, ele não decepciona. Coogler se mostra um cineasta seguro ao apostar em um intenso uso de câmera na mão e uma reconstituição quase que documental do assassinato em Fruitvale: seja pelo figurino dos personagens, os celulares da época ou até mesmo o cenário (que não era um set, e sim a própria estação em Oakland). O resultado é realmente devastador, capaz de deixar o espectador chocado até os créditos começarem a subir. E Coogler novamente brinca com as expectativas (dessa vez, de maneira até sádica) ao trazer a mãe, namorada e amigos de Oscar rezando por sua melhora no hospital em uma poderosa cena, que certamente seria um formulaico deus ex machina caso a história trouxesse uma conclusão feliz. Mas, infelizmente, todos sabemos o inevitável desfecho.

No fim, Fruitvale Station: A Última Parada serve tanto como um documento quanto uma manifestação do choque e fatalidades injustas, sendo seus motivos ligados à brutalidade ou, simplesmente, incompetência. Traz ótimo elenco e uma direção afiada, lançando também o promissor nome de Ryan Coogler ao mundo. Ficaremos de olho.

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Oscar 2012: Transmissão ao Vivo

Posted in Prêmios, Transmissão ao Vivo with tags , , , , , , , , , , , , , , on 26 de fevereiro de 2012 by Lucas Nascimento

22:25h – Boa noite e bem vindos à minha cobertura do Oscar 2012! Aguardando pelo início da cerimônia.

22:30 – E está começando!

22:31 – Morgan Freeman introduzindo a festa.

22:32 – Billy Crystal mais uma vez reencena os indicados hehe. Eu gosto dessa brincadeira.

22:33h – Justin Bieber? Não fode… “Jovem Sinatra”????

22:35h – Pô, Missão Impossível 4 nem foi indicado…

22:36h – E Billy Crystal finalmente chega ao palco!

22:39h – Numerozinho musical que não podia faltar, claro. Por enquanto, está O.K.

22:42h – Tom Hanks sobe ao palco para entregar algum prêmio…

22:43h – Direção de Fotografia! Deve dar Árvore da Vida

22:44h – Uau, surpresa. A Invenção de Hugo Cabret ganha Melhor Fotografia. Merece, o filme é lindo.

22:45h – Agora, Direção de Arte. Hugo, por favor!

22:46h – Isso mesmo, A Invenção de Hugo Cabret leva Melhor Direção de Arte. E o filme de Scorsese começa a rapa…

22:47h – Intervalo.

22:50h – Hugo mereceu as duas até agora. Fotografia tava difícil, só tem filme bonito!

22:51h – E voltamos, com mais uma homenagem ao cinema. Mostrar Crepúsculo é ridículo.

22:54h – Cameron Diaz e Jennifer Lopez sobem ao palco para apresentar Melhor Figurino. W.E., talvez?

22:56h – O Artista leva Melhor Figurino! Não acho o melhor candidato, mas tá valendo.

22:58h – Agora, Melhor Maquiagem. Se Harry Potter perder…

22:58h – A Dama de Ferro ganha Melhor Maquiagem. É boa, mas injusto. Potter não leva um único Oscar em 10 anos de franquia…

23:00h – Vários atores falando sobre suas experiências em cinema. Tá precisando viu, o negócio precisa ser mais valorizado.

23:00h – E mais um intervalo.

23:06h – E voltamos com Sandra Bullock.

23:07h – Apresentando Melhor Filme Estrangeiro. Vai dar A Separação, claro.

23:08h – A Separação ganha Melhor Filme Estrangeiro.

23:09h – Quero ver esse filme.

23:10h – Agora entra Christian Bale, com direito a trilha sonora do Batman, para apresentar Atriz Coadjuvante.

23:11h – Amo a Bérénice Bejo…

23:12h – Octavia Spencer leva Melhor Atriz Coadjuvante, por Histórias Cruzadas. Divertida, mas não pra Oscar…

23:15h – Intervalos.

23:18h – E voltamos com mais Billy Crystal…

23:21h – Bacana esse número em preto-e-branco.

23:23h – Tina Fey e Bradley Cooper sobem ao palco para melhor Montagem. Torco por MILLENNIUM!

23:24h – PORRA SIM! MILLENNIUM: OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES venceu Melhor Montagem!

23:26h – Agora as categorias de Som. Ambas devem ir para Hugo.

23:26h – Melhor Edição de Som para A Invenção de Hugo Cabret.

23:29h – A Invenção de Hugo Cabret leva Melhor Mixagem de Som. E já são 4 Oscars!

23:30h – Mais um intervalo.

23:35h – E voltamos para a cerimônia com os Muppets! Kermy e Miss Piggy.

23:36h – Bacana essa apresentação acrobática hein?

23:37h – Também, é o Cirque du Soleil. Música de Danny Elfman.

23:40h – Billy Crystal muito sem graça.

23:41h – Agora Robert Downey Jr. e Gwyneth Paltrow (Tony e Pepper), para apresentar Melhor Documentário.

23:42h – Lembrou muito o Stark e a Pepper agora.

23:43h – Melhor Documentário: Undefeated.

23:45h – Chris Rock entra para apresentar Melhor Animação. Cadê o Tintim hein?

23:47h – Rango leva Melhor Animação.

23:49h – Intervalo.

23:52h – Voltamos com Melissa McCarthy dando em cima de Billy Crystal.

23:53h – Ben Stiller e a musa/maravilhosa Emma Stone apresentando Melhores Efeitos Visuais.

23:54h – Sim, eu também adoro a Emma Stone…

23:56h – A Invenção de Hugo Cabret leva Melhores Efeitos Visuais. Não merecia, na real. Adoro o filme, mas os outros candidatos eram melhores!

23:59h – Agora entra Melissa Leo para premiar o Melhor Ator Coadjuvante. Plummer, com certeza.

00:01h – Christopher Plummer ganha por Toda Forma de Amor. Aos 82 anos, o ator mais velho a receber o prêmio!

00:02h – “Você é só 2 anos mais velho do que eu!” Ótima!

00:04h – Intervalo!

00:09h – E voltamos. Brincadeira divertida com os closes.

00:10h – Agora a mensagem do presidente da Academia. Okay…

00:12h – Vamos agora para Trilha Sonora! Go Artista!

00:12h – Penelope Cruz e Owen Wilson vão apresentar.

00:14h – O Artista leva Melhor Trilha Sonora.

00:15h – Só lembrando que a melhor trilha do ano nem sequer foi indicada…#TrentReznorAtticusRoss

00:16h – Agora Will Ferrell e Zach Galifianakis (Credo, ele fez a barba!) para apresentar Canção Original.

00:18h – “Man or Muppet”, dos Muppets leva Melhor Canção Original.

00:20h – Intervalos.

00:23h – ESTA canção deveria ter ganho.

00:24h – Retornamos. Faltam 9 categorias…

00:25h – Angelina Jolie no palco, para apresentar as categorias de Roteiro!

00:27h – Primeiro é Roteiro Adaptado. Gosto de todos, mas torço por Descendentes ou Moneyball.

00:27h – Os Descendentes leva Melhor Roteiro Adaptado.

00:29h – Agora, Roteiro Original. Meia-Noite em Paris, por favor…

00:30h – Meia-Noite em Paris leva Melhor Roteiro Original! E, como de costume, Woody Allen não está presente.

00:33h – Intervalos.

00:37h – E voltamos, com Milla Jovovich, com mais uma homenagem para prêmios técnicos/científicos.

00:38h – Agora vem todo o elenco principal de Missão Madrinha de Casamento para as categorias de curtas-metragens.

00:40h – Melhor Curta-Metragem: The Shore.

00:42h – Melhor Documentário em Curta-Metragem: Saving Face

00:45h – Melhor Curta-Metragem de Animação: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore

00:47h – Olha só o Hans Zimmer na trilha da festa!

00:48h – Intervalos.

00:51h – Michael Douglas vai apresentar Melhor Diretor!

00:53h – Michel Hazanavicius leva Melhor Diretor, por O Artista.

00:56h – Meryl Streep no palco. Falando sobre o Governor’s Awards.

00:59h – Intervalos. Faltam 3 categorias…

01:03h – Voltamos. Hora do In Memoriam.

01:08h – Intervalo.

01:11h – We’re back!

01:14h – Natalie Portman entra no palco para apresentar Melhor Ator.

01:19h – Jean Dujardin, por O Artista. Muito bem merecido!

01:21h – Mais intervalos… Só faltam 2 agora.

01:24h – Voltamos! Colin Firth vai apresentar Melhor Atriz. Faria uma tatuagem se a Rooney Mara vencesse…

01:29h – Meryl Streep por A Dama de Ferro! Terceiro Oscar de sua carreira. Não assisti ao filme e, sinceramente, não me chama muito atenção…

01:33h – E agora Tom Cruise chega para apresentar Melhor Filme! Aposto em O Artista.

01:35h – E o Oscar vai para…

01:36h – Melhor Filme: O Artista! Merecido.

01:37h – E o saldo foi: O Artista e A Invenção de Hugo Cabret empatados com 5, A Dama de Ferro com 2 e Histórias Cruzadas, Toda Forma de Amor, Os Descendentes, Meia-Noite em Paris, Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres, Os Muppets, Rango e A Separação com 1 Oscar cada. Obrigado a todos que acessaram e acompanharam a transmissão e uma boa noite!

Esse é Mesmo o Oscar 2012? | VOLUME I: Atuações

Posted in Especiais, Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 21 de fevereiro de 2012 by Lucas Nascimento

Quando a lista dos indicados à 84ª edição dos Academy Awards foi finalmente divulgada, foi um misto de decepção e felicidade. Mesmo satisfeito com alguns longas presentes, o sentimento agridoce foi maior devido às imensas injustiças cometidas pelo Oscar em 2012… Por isso, o especial em quatro partes recebe o título acima.

Mas enfim, nem promete ser desgraça no Oscar deste ano!  Comecemos com a primeira parte do especial com os indicados nas categorias de atuações:

Demián Bichir | Uma Vida Melhor

Personagem: Carlos Galindo

Até a indicação ao Oscar, eu não tinha nem ouvido falar de Uma Vida Melhor. O filme certamente passará longe dos cinemas brasileiros, então é difícil comentar a performance de Demián Bichi na pele do jardineiro Carlos Galindo, que luta para proteger seu filho da influência de gangues e tenta dar-lhe uma vida melhor.

George Clooney | Os Descendentes

Personagem: Matt King

George Clooney entrega uma das melhores performances de sua carreira no retrato sensível e delicado de Matt King, um pai de família que se vê metido em uma série de eventos desafortunados. Ao longo de Os Descendentes, esquecemos da imagem de galã do ator e observamos sua impressionante expressividade, em uma mistura curiosa de drama e humor.

Jean Dujardin | O Artista

Personagem: George Valentin

Muito popular na França, Jean Dujardin está no páreo para levar a estatueta de Melhor Ator. Premiado no Festival de Cannes, sua performance muda do astro George Valentin é estupenda, sustentando-se na grande expressividade facial do ator (como o constante sorrisinho) que fala no lugar de palavras. A grande felicidade de Valentin é ofuscada pela entrada do cinema falado, levando o personagem a uma tristeza de partir o coração e Dujardin é bem-sucedido ao retratar essa mudança, sem também apelar para caricaturas. Grande ator.

Gary Oldman | O Espião que Sabia Demais

Personagem: George Smiley

É díficil de acreditar que esta seja só a primeira indicação ao Oscar de Gary Oldman. Excelente ator, ele finalmente é reconhecido por seu delicado retrato do espião George Smiley. Homem de poucas palavras, usa o rosto e gestos de mãos como maior forma de expressão, alcançando um resultado sutil e bem trabalhado – escondendo suas emoções na maior parte do longa, o que torna Smiley um personagem típico do labiríntico mundo da espionagem.

Brad Pitt | O Homem que Mudou o Jogo

Personagem: Billy Beane

Mostrando-se cada vez mais talentoso e sedento por variados papeis, Brad Pitt beira a perfeição no retrato do técnico de beisebol Billy Beane. Nunca apelando para o caricato ou exagerando nos momentos dramáticos, impressiona por sempre estar com aparente bom humor e confiança (a mordida nos lábios, usado adotado pelo ator constantemente, serve quase como identidade do personagem), ganhando admiração do público. É uma das três melhores performances de Pitt.

FICOU DE FORA: Ryan Gosling | Tudo pelo Poder ou Drive

Personagem: Stephen Morris/Motorista

Ryan Gosling vem ganhando cada vez mais destaque em Hollywood. Com dois ótimos papéis dramáticos (além de sua divertida participação em Amor a Toda Prova), ele surpreende com o acessor político Stephen em Tudo pelo Poder – especialmente no lado sombrio do personagem, que transforma-se ao longo da projeção – e com o Motorista de Drive, uma performance bem mais silenciosa e concentrada. Gosling poderia ter sido indicado por qualquer um desses dois filmes.

APOSTA: Jean Dujardin

QUEM PODE VIRAR O JOGO: George Clooney

Glenn Close | Albert Nobbs

Personagem: Albert Nobbs

O papel de Glenn Close como o personagem-título é realmente desafiador, considerando que a atriz interpreta uma mulher que se passa por homem. Close acerta na timidez do personagem, em seus gestos peculiares e na voz leve e fraca.

Viola Davis | Histórias Cruzadas

Personagem: Aibileen Clark

Depois de ter sido indicada por sua pequena (mas devastadora) participação em Dúvida, Viola Davis mostra todo o seu talento como a empregada doméstica Aibileen. A personagem fala e age de forma contida durante grande parte da projeção, demonstrando timidez e medo em sua voz, enquanto trata a filha de sua patroa com um ar maternal irresistível e age de forma mais descontraída com as colegas Miny e Skeeter. Suas cenas finais são explosivas, onde Davis surpreende com sua feroz expressividade. Merece.

Rooney Mara | Millennium: Os Homens que não Amavam as Mulheres

Personagem: Lisbeth Salander

Rooney Mara é o rosto de uma das mais fascinantes personagens a surgir nos últimos anos. Mesmo já tendo sido bem representada por Noomi Rapace, Mara toma Lisbeth Salander para si e mergulha na mente da personagem, adotando seu físico e seu psicológico em uma performance inesquecível. Com pesado sotaque sueco e um olhar penetrante em todas as cenas em que aparece, a atriz faz de Salander uma personagem marcante e enigmática. Difícil comentar, só vendo pra entender.

Meryl Streep | A Dama de Ferro

Ainda não assisti ADama de Ferro (e pra ser sincero, não assistiria se não estivesse indicado ao Oscar), mas não é de se admirar que Meryl Streep esteja indicada por seu retrato de Margaret Thatcher. Fisicamente não há o que reclamar (o pessoal da maquiagem também merece aplausos), e pelo que tenho visto nos trailers e clipes do filme, Streep arranca mais uma performance impecável e adota os trajetos da 1ª Ministra Britânica com perfeição. Claro que ainda vou assistir o filme…

Personagem: Margaret Thatcher

Michelle Williams | Sete Dias com Marilyn

Personagem: Marilyn Monroe

Infelizmente, a Imagem Filmes ferrou sua programação de estreias e Sete Dias com Marilyn ficou apenas para 23 de Março (uma pena, porque eu estou MUITO ansioso para ver Michelle Williams em ação). Quando o filme estrear, faço uma atualização aqui.

FICOU DE FORA: Kirsten Dunst | Melancolia

Personagem: Justine

Não é nenhuma surpresa ver Kirsten Dunst fora do Oscar por sua excelente performance em Melancolia. Isso porque seu nome praticamente isentou-se muitas outras premiações (com excessão do Festival de Cannes, onde ela levou o prêmio de Melhor Atriz) e também porque o diretor Lars Von Trier não é muito querido pela Academia… Uma pena, já que Dunst deixa de lado seu lado cômico e abraça a depressão e tristeza de Justine, em um trabalho memorável.

APOSTA: Viola Davis

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Meryl Streep

Kenneth Branagh | Sete Dias com Marilyn

Personagem: Laurence Olivier

Já sabe né? Sete Dias com Marilyn só estreia no dia 23 de Março.

Jonah Hill | O Homem que Mudou o Jogo

Personagem: Peter Brandt

É muito legal ver Jonah Hill indicado. Em seu primeiro papel voltado para o drama, vemos que o ator tem o carisma necessário para o gênero, e fez de Peter Brandt um personagem real e sem estereótipos (considerando que Brandt é um analista de sistemas, seria muito fácil apelar para o tipo “nerd”, mas Hill vai além ao representar como este vai se interessando pelo espírito do beisebol). Já é hora de Hill deixar de ficar conhecido apenas como “o gordinho do Superbad“.

Nick Nolte | Guerreiro

Personagem: Paddy Conlon

Há 13 anos sem ser indicado (a anterior fora por Temporada de Caça, em 1999), Nick Nolte é lembrado pela Academia como o técnico de MMA Paddy Conlon, treinador e pai dos dois protagonistas do filme. Ainda não assisti Guerreiro (ele atualmente encontra-se disponível em algumas locadoras), mas pretendo para ver se Nolte merece os elogios que tem recebido.

Christopher Plummer | Toda Forma de Amor

Personagem: Hal Fields

Christopher Plummer já é ator a meio século e, curiosamente, só agora parece estar tendo destaque durante a temporada de prêmios. Favorito disparado (ganhou Globo de Ouro e SAG), o veterano ator abraça com firmeza o viúvo que decide sair do armário em plena meia-idade, divertindo com seus acessos de felicidade e na honestidade do personagem, sem apelar para o caricato do “gayzaço”. É fato que Hal aparece muito pouco em Toda Forma de Amor, mas é um dos pontos altos do longa.

Max von Sydow | Tão Forte e Tão Perto

Personagem: O Inquilino

O veterano Max von Sydow fatura a segunda indicação ao Oscar de sua carreira (a anterior, por Pelle, O Conquistador em 1987) como o misterioso Inquilino de Tão Forte e Tão Perto. Após assistir ao filme, o personagem é o que mais permanece na memória e de longe o melhor atrativo do longa de Stephen Daldry, isso graças ao ótimo trabalho do ator, que permanece mudo em todas as suas cenas e expressa-se através de anotações.

FICOU DE FORA: Stellan Skarsgard | Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Personagem: Martin Vanger

Sempre um coadjuvante de luxo, o sueco Stellan Skarsgard faz de Martin Vanger um personagem absolutamente inesquecível na versão de David Fincher para Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Se você assistiu ao filme, sabe sobre o lado mais “peculiar” do personagem, que o ator captura com perfeição e delicadeza, demonstrando a paciência, calma e até ironia do irmão da desaparecida da história. Genial.

APOSTA: Christopher Plummer

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Max von Sydow

Bérénice Bejo | O Artista

Personagem: Peppy Miller

Estou apaixonado por Bérénice Bejo. Com seu sorriso e andar graciosos, a atriz argentina faz de Peppy Miller uma personagem adorável, fazendo uso de todo seu carisma e expressões faciais (da mesma forma que seu colega de cena, Jean Dujardin). E Bejo também sofre uma transformação similar à do personagem de Dujardin, só que ela torna-se mais bem-sucedida e, mesmo assim, nunca deixa sua inocência e bondade de lado. A melhor entre as indicadas (isso porque a atriz não merece ser indicada como coadjuvante, e sim protagonista).

Jessica Chastain | Histórias Cruzadas

Personagem: Celia Foote

2011 também foi muito agitado para Jessica Chastain. A atriz começa a ganhar espaço no circuito, tendo estrelado um total de seis filmes (um mais diferente do outro) e foi lembrada aqui por sua sorridente Celia Foote em Histórias Cruzadas. Praticamente a”gêmea do bem” de Bryce Dallas Howard – considerando a semelhança física das duas – Chastain faz de Foote uma mulher adorável e fofa, conseguindo mostrar a euforia (que às vezes é até exagerada e bobinha) e carinho de sua personagem através de uma voz dócil e leve, que ainda conta com o bem trabalhado sotaque sulista.

Melissa McCarthy | Missão Madrinha de Casamento

Personagem: Megan

É muito legal ver a Academia prestigiando atuações cômicas. Desde a indicação de Robert Downey Jr. por seu brilhante trabalho em Trovão Tropical não víamos algo do gênero, até que Melissa McCarthy tem sua Megan lembrada pelos votantes, o que é justo se considerarmos o quanto ela contibue para que Missão Madrinha de Casamento arranque algumas risadas. Durona, cara-de-pau, mas também uma ótima conselheira, a atriz diverte na personagem e se destaca no filme.

Janet McTeer | Albert Nobbs

Personagem: Hubert Page

Uma das melhores entre as indicadas, Janet McTeer consegue roubar Albert Nobbs em todas as cenas em que aparece, conseguindo até ofuscar Glenn Close. Seu Hubert Page também uma mulher travestida de homem, mas McTeer se sai melhor ao fornecer uma aura mais “macho” para a personagem, destacando seu ótimo sotaque irlandês.

Octavia Spencer | Histórias Cruzadas

Personagem: Minny Jackson

Octavia Spencer é favorita disparada na categoria (levou o Globo de Ouro e o SAG, e continua avançando de forma similar à Christpher Plummer). A atriz faz de Minny uma espécie de alívio cômico da trama, preenchendo-a de maneirismos físicos e com uma voz sempre alarmante com o sotaque sulista afiado. Tudo bem que ela soa meio caricata em alguns momentos (principalmente nos chiliques), mas é impossível não gostar dela. Não é melhor do que Bejo, mas não é ruim ver a estatueta em suas mãos.

FICOU DE FORA: Chloe Grace Moretz | A Invenção de Hugo Cabret

Personagem: Isabelle

A sempre ótima Chloe Grace Moretz continua surpreendendo. Em seu papel mais “inocente”, ela interpreta a jovem Isabelle, que ajuda o protagonista Hugo Cabret em sua busca por respostas. Com um delicioso sotaque britânico (um desafio para a atriz, já que ela é americana) e um espírito aventureiro bem evidente, Moretz está excelente.

APOSTA: Octavia Spencer

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Bérénice Bejo (ou pelo menos merecia)

É só isso por hoje. Fiquem ligados que as restantes categorias aparecerão ainda essa semana, antes do Oscar.

| Histórias Cruzadas | As histórias de sempre, bem contadas

Posted in Cinema, Críticas de 2012, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , on 20 de fevereiro de 2012 by Lucas Nascimento


As indicadas ao Oscar de atriz coadjuvante, Jessica Chastain e Octavia Spencer

Dentre os nove indicados ao Oscar deste ano, Histórias Cruzadas era o que me chamava menos atenção. A meu ver, o filme era simplesmente “white people solve racism” (como pode ser visto em uma série de imagens satíricas aqui) e, terminada a sessão, percebe-se que não é muito além dessa radical chamada. No entanto, o filme de Tate Taylor é bem feito e rende bons momentos, graças a seu ritmo leve e seu inspirado elenco.

A trama é ambientada na cidade Jackson, sul dos EUA, durante a década de 60, onde os negros sofriam grande discriminação e lutavam para encontrar seus direitos. Visando reverter a situação, a jovem (e ambiciosa) escritora Skeeter Phelan (Emma Stone) começa a trabalhar em um polêmico livro que conta com a perspectiva das empregadas domésticas sobre seus patrões, revelando suas histórias sofridas – e também podres de seus empregadores.

Tomando como fonte de adaptação o livro A Resposta, de Kathryn Stockett, Tate Taylor escreve e dirige Histórias Cruzadas , um filme rodeado por clichês típicos de sua premissa mas que também traz um ritmo mesclado com momentos bem-humorados e outros mais sentimentais (ainda que Taylor exagere no melodrama e no clichê, especialmente nos minutos finais). A mensagem óbvia de igualdade entre as raças é convincente e bem contada, mas nada além do que já tenhamos visto em outros (melhores) trabalhos sobre o tema; aqui ela é um pouco mais escrachada, graças ao roteiro mediano de Taylor.

Mas ganham forças as cenas em que Viola Davis mostra todo o seu feroz talento. Na pele da empregada Aibileen, ela é dona de uma voz melancólica e tímida, ao mesmo tempo em que contracena de forma adorável com as crianças de quem toma conta (é realmente notável o apego materno fornecido pela atriz) e com suas companheiras de cena, a determinada Emma Stone e a empregada Minny, encarnada pela favorita ao Oscar Octavia Spencer, que surge como um bom alívio cômico – a cena da torta é impagável. Também indicada, temos Jessica Chastain com uma performance “fofa” e radiante, como Celia Foote, a dona-de-casa mais admirável da trama, a passo que Bryce Dallas Howard – que dota uma curiosa semelhança física com Chastain – encarna seu “cisne negro” como a detestável Hilly; fazendo grande uso de estereótipos e caricaturas.

Com valores de produção bons o suficiente para recriar a época em questão, Histórias Cruzadas é um bom filme que, mesmo trazendo um tema já discutido diversas vezes, vale a vista graças a seu ótimo elenco e sua boa mistura de humor/drama.

Vencedores do SAG Awards 2012

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , on 30 de janeiro de 2012 by Lucas Nascimento

Sem muitas surpresas né? Vencedores do Screen Actors Guild Awards (cinema, apenas):

MELHOR ELENCO DE DUBLÊS

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Octavia Spencer – Histórias Cruzadas

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Christopher Plummer – Toda Forma de Amor

MELHOR ATRIZ

Viola Davis – Histórias Cruzadas

MELHOR ATOR

Jean Dujardin – O Artista

MELHOR ELENCO

Histórias Cruzadas