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| Cowboys & Aliens | Mistura de gêneros rende diversão genuína

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2011, Ficção Científica, Western with tags , , , , , , , , , , on 10 de setembro de 2011 by Lucas Nascimento


Só faltou o George Lucas: Daniel Craig explora uma nave alienígena escondida no Velho Oeste

Você pode esperar e imaginar diferentes coisas vindo de um filme cujo título envolve caubóis e alienígenas. Pode parecer uma terrível ideia ou algo que só funcione no papel e, realmente, é uma premissa complicada de ser por em prática. Por isso a surpresa quanto a Cowboys & Aliens, que mistura os dois gêneros com eficiência e garante uma genuína diversão-pipoca.

A trama, que o título já deixa bem clara, mostra uma invasão alienígena em uma cidade mineradora do Velho Oeste, colocando em foco o estranho Jake (Daniel Craig) que acorda sem memória e com um misterioso bracelete em seu braço, precisando redescobrir seu passado e ajudar a população a combater os hostis invasores.

Estou realmente surpreso quanto ao resultado do longa. A mistura dos gêneros western e ficção científica funciona deliciosamente bem, principalmente no primeiro ato ao seguir uma fórmula clássica do estilo Clint Eastwood, com um misterioso forasteiro chegando a cidade e suas intenções ficarem escondidas do público. Excelente a ao tomada faroeste, contando também com genuína direção de arte e figurinos da época – acertando na ambientação, portanto. Já os alienígenas entram de forma interessante (sempre rotulados como demônios) e surreal, com um design de criaturas memorável – algo que o pessoal do departamento de criaturas vêm pecando nos últimos anos – mas não tão satisfatória e bem trabalhada quanto a do western.

O diretor Jon Favreau parece ter aprendido a fórmula do bom blockbuster, em decorrência de seu trabalho no ótimo Homem-de-Ferro e enche o longa de empolgantes cenas de ação, efeitos visuais convincentes e uma bem-vinda dose de humor. Todos os atributos chegam a ofuscar o péssimo roteiro de Roberto Orci, Alex Kurtzman, Damon Lindelof, Mark Fergus e Hawk Ostby (pudera, tantos roteiristas juntos raramente gera bons resultados), que cria diálogos pavorosos (clichês do tipo”Você sabe quem você é. Só precisa se lembrar” são constantes) e reviravoltas toscas – a pior delas envolvendo a personagem de Olivia Wilde. Mas Favreau salva o jogo com sua boa direção, contando também com um elenco bem entrosado.

Daniel Craig incorpora o básico estilo durão no papel de Jake, mas adiciona o essencial elemento de mistério (como a cena em que se opõe ao delinquente Percy) ganhando a admiração do público. Com energia sempre contagiante, Harrison Ford faz do Coronel Dolarhyde um sujeito sem escrúpulos e até perigoso, mas com grande bravura e coração; tornadas bem evidentes pela expressões de Ford. Nos coadjuvantes, Sam Rockwell serve como um agradável alívio cômico na pele do barman Doc e Olivia Wilde não faz nada a não ser impressionar o público com sua sedutora beleza.

Contando também com uma bela fotagrafia de Matthew Libatique, Cowboys & Aliens é um dos filmes mais divertidos do ano, rendendo uma inusitada mistura de gêneros que funciona muitíssimo bem (especialmente o faroeste) e beneficia-se por não se levar a sério. Entrega exatamente o que promete.

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| Tron: O Legado | O Império da Disney contra-ataca

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2010, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 17 de dezembro de 2010 by Lucas Nascimento


Tron Reloaded: Sam Flynn toma um drinque com o bizarro Zuse

Não sou fã de Tron: Uma Odisseia eletrônica, de 1982. Não gostei da história, nem dos efeitos visuais (inovadores para a época, mas muito primitivos hoje). Agora, quase 30 anos depois, a disney aposta nessa sequência estilosa, bem produzida mas medíocre em termos de roteiro e atuações.

Antes de qualquer análise, eu realmente não levo a sério seres humanos vestidos com roupas luminosas e interpretando programas; é tão caricato que chega ao ponto de ser ridículo – incluo aí, vozes digitalizadas, movimentos eletrônicos, entre outros – e irreal. Veja por exemplo Matrix, que fez uma versão dos programas em seres humanos bem melhor.

Sobre Tron: O Legado, é um grande trabalho de direção de arte; visuais futuristas belíssimos, mistura de tons impressionantes (as motos com feixes de luz dispensam comentários) e um ótimo uso do 3D. Os efeitos visuais são espetaculares, mas o personagem Clu, que é uma versão rejuvenescida de Jeff Bridges (“relaxadão” e à vontade como o Flynn verdadeiro) é completamente artificial, inexpressivo e não convence; acho que isso tira o Oscar que o longa poderia receber. Alguns veículos também devem muito mérito a Star Wars

Artficial também é o roteiro. Começa com um grande ritmo, mas se perde no desenrolar da trama que simplesmente não sabe o que fazer com o leque de personagens e acrescenta situações descartáveis, péssimos diálogos e horrorosas frases de efeito saídas da boca do inexpressivo Garrett Hedlund, que não mostra a menor dose de carisma. E quando o roteiro não sabe para onde ir, fica parado. E tedioso.

O diretor estreante Joseph Kosinski também tem culpa. O filme foge do controle de suas mãos, exagera nos enquadramentos, nos efeitos em câmera lenta e principalmente na edição (claro, isso é com o montador, mas o diretor deve acompanhar o trabalho), que teima em colocar a linda Olivia Wilde no máximo de cenas possível. Aliás, Wilde mostra-se uma boa promessa em uma performance alegre e radiante como Quorra, porém quem se destaca é o maluco Michael Sheen que rouba a cena com seu Zuse.

Entre boas cenas de ação e , Tron: O Legado é uma experiência razoável com excelentes visuais e uma trilha sonora eletrônica-oitentista memorável, (palmas para o Daft Punk) mas não salvam o filme de um roteiro fraco e direção amadora. Acho que Tron simplesmente não funciona, não deu certo no primeiro e não deu certo aqui…