Arquivo para os estagiários

| Chef | Crítica

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2014 with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 13 de agosto de 2014 by Lucas Nascimento

3.5

Chef

Gosto de pensar que Jon Favreau tenha elaborado a ideia de Chef em uma noite árdua e sombria, enquanto lia as críticas negativas de seu fracasso Cowboys & Aliens, se entupia de comida e ouvia um bom som cubano ao fundo. A mistura inusitada é traduzida nesta divertida comédia, e funciona.

A trama é centrada em Carl Casper (Favreau), um talentoso chef de cozinha que trabalha em um restaurante familiar. Após ser massacrado por um notório crítico gastronômico (Oliver Platt), Carl viaja com o filho (Emjay Anthony) e a ex-esposa (Sofia Vergara) para Miami, onde tem a ideia de montar um food truck, um transporte de comida cubana que vai ganhando fama ao viajar pelo país.

Jon Favreau tem 6 filmes como diretor no currículo: Crime Desorganizado, Um Duende em Nova York, Zathura – Uma Aventura Espacial, Cowboys & Aliens e os dois primeiros Homem de Ferro. Enquanto todas as produções citadas tinham lá seu charme e qualidade, Chef surge como um longa muito pessoal, onde pela primeira vez sente-se mais a mão de Favreau; afinal, é seu primeiro filme que não entra na categoria blockbuster, o que só me faz suspeitar que a situação descrita no primeiro parágrafo não seja tão fantasiosa. Também responsável pelo roteiro, Favreau utiliza um bom tempo para discutir o papel da crítica especializada (e sendo ambientada no mundo gastronômico, impossível não remeter ao Ego de Ratatouille), que rende um irritado monólogo onde Carl grita com o crítico. Novamente, é como se o próprio Favreau estivesse atacando o Rotten Tomatoes.

Por outro lado, Favreau é capaz de criar um personagem multifacetado que é bem diferente de seu tipo habitual. Desde as tatuagens em seus braços que sugerem o amor à profissão (uma delas é uma faca de cozinha), até o revelador momento em que faz questão de interromper seu trabalho ininterrupto no food truck para ensinar a seu filho os princípios do negócio que tanto ama (“Posso não ser o melhor cara, nem o melhor pai… Mas isso eu sei fazer”). Ao seu lado, Favreau traz um elenco invejável: a linda Sofia Vergara está encantadora como a idealização da ex-mulher perfeita, John Leguizamo diverte como o leal subchefe de Carl e Oliver Platt faz de seu crítico mais do que um mero antagonista estereótipo. E a experiência do diretor com Homem de Ferro garante pequenas participações de Scarlett Johansson (que traz uma cena muito interessante onde a comida é simbolicamente uma experiência sexual) e o sempre carismático Robert Downey Jr. Sem falar no Dustin Hoffman, que também tem lá seus 15 minutos.

Um elemento que o filme acerta como poucos já fizeram até hoje é o contexto tecnológico. As redes sociais como Facebook, Instagram e especialmente o Twitter são peças-chave da trama, servindo até como ferramenta para avançar a trama (como o reply malcriado que Carl envia para o crítico, sem saber que é uma publicação pública). Visualmente, Favreau opta por preencher a tela com mensagens flutuantes e até passarinhos , resultando em uma experiência mais dinâmica e verossímil em 2014; ao contrário do que faz o péssimo Os Estagiários, que só consegue basear suas “piadas” na incapacidade de adultos de entenderem o funcionamento de uma rede social.

Chef é um filme divertido e leve, propagando de forma muito pessoal e alegre sua mensagem otimista, ainda que ora ou outra seja ingênuo demais. Vale a visita, mas não cometa o erro masoquista de entrar na sessão de estômago vazio.

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| Os Estagiários | Google – O Filme, sem graça

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2013 with tags , , , , , , , , , , , , , , on 31 de agosto de 2013 by Lucas Nascimento

1.5

TheInternship
Vince Vaughn e Owen Wilson vão trabalhar no Google…

Sempre faço questão de frisar, antes de comentar um filme do gênero, que a comédia é muito relativa. Você pode não rir das mesmas piadas que eu e vice-versa, mas eu acho realmente difícil que tenha alguma coisa verdadeiramente engraçada neste Os Estagiários. Mesmo que tente repetir a química entre Owen Wilson e Vince Vaughn (que deu certo no ótimo Penetras Bons de Bico), o filme de Shawn Levy soa mais como um corporate movie do Google e, pior ainda, sem graça alguma.

A trama é assinada por Jared Stern e pelo próprio Vaughn (e tendo em vista que ele também trabalhou no roteiro de Encontro de Casais, seria melhor que o ator ficasse longe da função), e traz os amigos Nick (Owen Wilson) e Billy (Vaughn) arriscando-se em um programa de estágios do Google, após ambos terem perdido sua firma de vendas de relógios. Lá, bem, a dupla enfrenta diversas equipes a fim de conseguir um emprego definitivo na empresa.

Ao ouvir da premissa, eu realmente não sabia o que esperar. Não parecia que havia muito o que falar ou explorar comicamente durante 120 minutos (o que é uma duração muito longa para um filme do gênero, que é sentida aqui), então Os Estagiários aposta basicamente no mesmo tipo de piada: as diferenças de idade entre os personagens de Wilson e Vaughn e a equipe jovinal com quem são forçados a trabalhar. De referências a filmes dos anos 80 (e também elementos da cultura pop, como Harry PotterGame of ThronesStar Wars) até Vince Vaughn repetindo “on the line” umas 4 vezes, o filme chega a causar vergonha alheia. O pior é que o roteiro até tenta dizer alguma coisa nas entrelinhas de suas “piadas” acerca do desemprego pós-crise de 2008 e a crescente dependência em cima da internet móvel. Mas se nem fazer rir o filme consegue, o que dizer de comentário social?

Infelizmente, nem o elenco salva. Wilson faz um preguiçoso piloto-automático e Vaughn dispara seu típico diálogo ultrarrápido, mas é mesmo a interação entre os dois que (em um ou dois momentos) faz valer, um pouco, a experiência. Todo o restante dos intérpretes abraça os mais variados arquétipos e ajudam a tornar cada piada mais previsível ou simplesmente imbecil: o que dizer do antagonista vivido por Max “sotaque britânico” Minghella? Um personagem que existe pelo único propósito de nos fazer odiá-lo, e de uma maneira forçada.

Irritante, longo demais e provocador de tédio, Os Estagiários é uma comédia previsível e completamente apoiada em todos os clichês conhecidos pelo Homem. Mas aposto que o Google deve estar muito feliz com a quantidade de pessoas que irá utilizar a ferramenta para confirmar se a empresa realmente é o local paradisíaco demonstrado no filme.

Obs: O diretor Shawn Levy faz uma rápida ponta em certo momento.