Arquivo para os suspeitos

Denis Villeneuve vai dirigir continuação de BLADE RUNNER

Posted in Notícias with tags , , , , , , , , on 27 de fevereiro de 2015 by Lucas Nascimento

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Uau. De novo.

Depois de Neill Blomkamp oficializar um novo filme do Alien, outro projeto inspirado em algo de Ridley Scott tem novidades. A continuação de Blade Runner: O Caçador de Andróides encontrou seu diretor, e será o canadense Denis Villeneuve, de Incêndios, Os Suspeitos e O Homem Duplicado. E mais: Harrison Ford retorna para o papel de Deckard.

O release oficial dita que a história será ambientada décadas após o original, tendo roteiro de Hampton Fancher (do filme original) e Michael Green (Lanterna Verde). Scott permanece como produtor.

As filmagens estão marcadas para começar no verão de 2016.

| O Homem Duplicado | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Drama, Suspense with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 18 de junho de 2014 by Lucas Nascimento

4.0

Enemy

Cuidado com possíveis spoilers

“Ao que nos compete discernir, o único propósito da existência humana é jogar um pouco de luz nas trevas do mero ser.” – Carl Jung

A cada pensamento, reflexão e teoria encontrada, O Homem Duplicado faz mais sentido em minha cabeça. É um filme estranho e que não se preocupa em entregar de cara as respostas que o espectador busca, transformando o novo filme de Denis Villeneuve em um instigante e atmosférico estudo psicológico. Ainda que imperfeito como experiência, traz a deliciosa tarefa de manter o espectador atento a cada detalhe.

Baseado no romance homônimo de José Saramago, o roteiro de Javier Gullón conta a história do recluso professor de História Adam (Jake Gyllenhaal). Preso em uma rotina caucada na repetição de aulas na faculdade e transas impessoais com sua namorada (Mélanie Laurent, radiante), Adam acaba por descobrir um sujeito, Anthony, que é sua cópia idêntica em um filme, e resolve procurá-lo para entender a situação.

Tal realização não virá de imediato, mas O Homem Duplicado não é tão simples ou trivial como a premissa possa sugerir. Já fica o aviso de que o “tipo” de filme não é do convencional, recorrendo diversas vezes à imagens simbólicas (fotografadas em um belíssimo tom alaranjado por Nicolas Bolduc) e um ritmo onírico que certamente vai afastar boa parcela do público – admito que o ritmo seja o grande problema do filme.

Mas talvez seja um sacrifício diante das profundas análises que Villeneuve trará durante os 90 minutos de projeção. Falar sobre o filme, é falar sobre a dualidade do Homem. Certamente existem múltiplas interpretações da obra (e eu li de tudo, incluindo invasões de monstros), mas o que seria mais conciso aqui é a batalha interna entre os alter egos do protagonista. Faz mais sentido que não exista mesmo um “clone” do protagonista andando por aí, mas sim que a premissa seja uma metáfora para seu próprio inconsciente, e as batalhas que trava em relação a sua vida amorosa. Faz sentido que Villeneuve retrate a personagem de Mélanie Laurent de forma idealizada, e que o apartamento de Adam surja completamente sem personalidade, e mergulhado nas trevas quando Laurent contracena com o protagonista.

Aliás, Jake Gyllenhaal merece uma dupla indicação ao Oscar, já que cria duas performances tão distintas que muitas vezes me peguei esquecendo de que era o mesmo ator ali, contracenando consigo mesmo. Já tendo trabalhado com Villeneuve no ótimo Os Suspeitos, o ator consegue saltar com facilidade entre a persona tímida e introvertida de Adam, ao mesmo tempo em que faz de Anthony um sujeito descolado e confiante; mas sem cair no lugar-comum de fazer o total oposto um do outro.

É bem difícil assistir a O Homem Duplicado uma única vez e entender todo o seu significado. É um nó na cabeça que aposta fortemente em simbolismos (aranhas, preste atenção nas aranhas) e oferece uma experiência cativante, ainda que fácil de se perder. Mas de qualquer forma, um jogo inteligente e que faça discutir é sempre muito bem vindo.

EXTRA –

Se você deseja entender os significados do filme melhor, recomendo fortemente a análise em video de Chris Stuckmann, que quebrou o código de O Homem Duplicado em seus mínimos detalhes. Obviamente, spoilers à frente:

AMERICAN SOCIETY OF CINEMATOGRAPHERS 2014: Os indicados

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 8 de janeiro de 2014 by Lucas Nascimento

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Um dos meus sindicatos preferidos, o de Diretores de Fotografia, divulgou hoje seus 7 indicados para 2014. Mesmo que não seja um termômetro tão preciso para o Oscar, geralmente escolhe o melhor trabalho – ao contrário da Academia. Confira:

12 Anos de Escravidão | Sean Bobbitt

Capitão Phillips | Barry Ackroyd

The Grandmaster | Philippe Le Sourd

Gravidade | Emmanuel Lubezki

Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum | Bruno Delbonnel

Nebraska | Phedon Papamichael

Os Suspeitos | Roger Deakins

O ASC divulga o vencedor em 1º de Fevereiro.

Confira os vencedores do NATIONAL BOARD OF REVIEW

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 4 de dezembro de 2013 by Lucas Nascimento

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Depois do NYFCC ontem, foi a vez do National Board of Review divulgar seus vencedores de 2013. Vale lembrar que o NBR também não é um termômetro dos mais confiáveis (o último acerto em Melhor Filme foi com Quem quer ser um Milionário? em 2008). Reparem também como a lista diverge bastante da divulgada ontem:

MELHOR FILME

Ela

MELHOR DIRETOR

Spike Jonze | Ela

MELHOR ATOR

Bruce Dern | Nebraska

MELHOR ATRIZ

Emma Thompson | Walt nos Bastidores de Mary Poppins

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Will Forte | Nebraska

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Octavia Spencer | Fruitvale Station: A Última Parada

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum | Joel e Ethan Coen

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

O Lobo de Wall Street | Terrence Winter

MELHOR ANIMAÇÃO

O Vento está Soprando

MELHOR ATOR REVELAÇÃO

Michael B. Jordan | Fruitvale Station: A Última Parada

MELHOR ATRIZ REVELAÇÃO

Adèle Exarchopoulos | Azul é a Cor Mais Quente

MELHOR ESTREIA DE UM DIRETOR

Ryan Coogler | Fruitvale Station: A Última Parada

MELHOR DOCUMENTÁRIO

Stories We Tell

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

The Past

MELHOR ELENCO

Os Suspeitos

PRÊMIO HOLOFOTE

Colaboração entre Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio

PRÊMIO LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Wadjda

PRÊMIO DE INOVAÇÃO CRIATIVA

Gravidade

PRÊMIO WILLIAM K. EVERSON DE HISTÓRIA DO CINEMA

George Stevens Jr

TOP 10 DO ANO (ORDEM ALFABÉTICA)

12 Anos de Escravidão

Fruitvale Station: A Última Parada

Gravidade

Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum

O Lobo de Wall Street

Lone Survivor

Nebraska

Os Suspeitos

A Vida Secreta de Walter Mitty

Walt nos Bastidores de Mary Poppins

TOP 5 FILMES ESTRANGEIROS

Beyond the Hills

A Caça

Gloria

The Grandmaster

A Hijacking

TOP 5 DOCUMENTÁRIOS

20 Feet from Stardom

The Act of Killing

After Tiller

Casting By

The Square

TOP 10 FILMES INDEPENDENTES

Ain’t Them Bodies Saints

Amor Bandido

Dallas Buyers Club

In a World…

O Lugar Onde Tudo Termina

Mother of George

Muito Barulho por Nada

Short Term 12

Sightseers

The Spectacular Now

| Os Suspeitos | O tipo de thriller que nos faz ir ao cinema

Posted in Cinema, Críticas de 2013, Drama, Indicados ao Oscar, Suspense with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 19 de outubro de 2013 by Lucas Nascimento

4.5

Prisoners
Hugh Jackman larga as garras do Wolverine para mais um papel dramático

Lá pela metade de Os Suspeitos (que não, não tem nada a ver com o filme de Bryan Singer), eu percebi que estava me sentindo mal. Angustiado, tenso e extremamente ansioso pelo desfecho da história e os dilemas torturantes enfrentados pelas figuras problemáticas e envolventes criadas pelo texto de Aaron Guzikowski, também me toquei de que estava diante de um genuíno thriller, um que claramente compreendia os elementos que tornam o gênero tão fascinante – e perturbador.

A trama é ambientada numa pequena região da Pensilvânia, tendo início quando as filhas de dois casais diferentes (um formado por Hugh Jackman e Maria Bello, e o outro, por Terrence Howard e Viola Davis) repentinamente desaparecem. O detetive Loki (Jake Gyllenhaal) é convocado para tocar a investigação, que acaba levando-o até o misterioso Alex Jones (Paul Dano). Mas à medida em que o caso começa a revelar-se cada vez mais complexo, Loki ainda precisa lidar com o perigoso desejo de justiça de um dos pais.

Sob o comando do canadense Denis Villeneuve (responsável pelo premiado Incêndios), Os Suspeitos pega o espectador pela garganta e não solta até o momento em que os créditos começam a subir, mesmo que a projeção se extenda por 2h30. Parte disso se deve ao eficiente trabalho do diretor, ao lado do diretor de fotografia Roger Deakins (ainda sem Oscar, como, como?), em criar uma atmosfera pesada e sombria; daí a constante presença de chuvas, neve e um céu predominantemente nublado que esbanja melancolia graças às frias paletas de cor usadas por Deakins. É o cenário perfeito para que Villeneuve desenvolva uma perfeita história de detetive concebida pelo roteirista, que contém reviravoltas impactantes e planta diversas pistas (que podem passar despercebidas para o espectador menos observador) importantes e, à primeira vista, irrelevantes ao longo da projeção.

Além da angustiante e detalhista investigação, é interessante observar a tragédia humana que se manifesta nas famílias enquanto esperam pelo reencontro com suas filhas desaparecidas. Em uma performance intensa e explosiva, Hugh Jackman continua impressionando com sua carga dramática ao interpretar o impulsivo Keller, que acaba por “fazer justiça” com as próprias mãos ao perseguir o personagem de Paul Dano (outro grande ator que ainda carece de um papel que lhe permita explorar seu potencial). Mas quem realmente se destaca é Jake Gyllenhaal e seu detetive Loki (nenhuma ligação com o irmão do Thor, só pra constar), que ganha um retrato cuidadoso do ator – reparem no tique do piscar de olhos que Gyllenhaal manifesta com frequência -, contrastando radicalmente com a persona selvagem de Keller ao optar por uma voz predominantemente calma.

Os Suspeitos não vai mudar a história do gênero, tampouco se destacará como um marco nele, mas segue as regras com competência e extrai o melhor de sua proposta, sendo capaz de mandar o espectador para casa ainda brincando com as peças do quebra-cabeças. E convenhamos, não é esse o tipo de thriller de investigação que vale o nosso dinheiro?

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