Arquivo para para roma com amor

| Magia ao Luar | Crítica

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2014, Romance with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 27 de agosto de 2014 by Lucas Nascimento

3.0

MagicIntheMoonlight
Emma Stone e Colin Firth: novas cartas no leque de Woody Allen

Algo um tanto curioso vem acontecendo com os últimos filmes de Woody Allen. Parece que o diretor/roteirista vem lançando um filme impecável em um ano, e um “divertidinho” em outro. Meia Noite em Paris foi seguido pelo simpático Para Roma, com Amor, que por sua vez foi superado pelo dramático Blue Jasmine, que agora vê no água com açúcar Magia ao Luar seu competente sucessor.

A trama é ambientada na década de 20, girando em torno do ilusionista Stanley (Colin Firth), que é também um especialista em desmascarar charlatões. Ele é convidado pelo amigo Howard Burkan (Simon McBurney) para viajar até o sul da França, onde uma família rica está encantada pelos dons sobrenaturais da jovem Sophie (Emma Stone), que se diz uma médium. Lá, Stanley tentará provar que a moça é uma farsa.

Parte comédia, parte filme de mistério, o longa é eficaz ao prender a atenção do espectador diante da dúvida que permeia a mente do protagonista: seria ou não, Sophie uma farsa. Emma Stone, ruiva (como deve ser) e divertidíssima na pele da misteriosa médium, acerta ao tornar as visões de sua personagem caricatas e geralmente permeadas por uma careta nada discreta, e a câmera de Allen claramente se apaixona pelas feições de Stone: reparem a simples beleza de uma iluminação natural em seu chapéu, durante um diálogo com Stanley à beira do lago. Aliás, não é só Stone que é capaz de enriquecer a tela: todos os cenários e ambientes da costa francesa que o diretor de fotografia Daris Khondji captura são belíssimos.

Ainda que essencialmente uma comédia, o roteiro de Allen é capaz de levantar muitas questões interessantes, através de diálogos estupidamente bem escritos. É como se no processo criativo, ele estivesse deitado em um divã relendo as obras de Nietschze enquanto questiona suas próprias crenças e valores existenciais, características fortemente apresentadas no personagem de Colin Firth – que se sai muito bem como a personificação de Allen na trama. Questões como o além-vida, espíritos e Deus são postas à mesa e se não são tão aprofundadas, no mínimo arrancam uma reflexão no espectador, por mais ínfima que seja.

Magia ao Luar é um filme agradável e com mais conteúdo do que se poderia imaginar de sua premissa, ainda que não seja particularmente estimulante ou mesmo tão original. Se a hipótese levantada no primeiro parágrafo se confirmar, mal posso esperar pra ver o que Woody Allen vai aprontar com Joaquin Phoenix e Emma Stone em seu próximo filme.

Anúncios

| Frances Ha | O show indie de Greta Gerwig

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2013 with tags , , , , , , , , , , , , , on 26 de agosto de 2013 by Lucas Nascimento

4.0

FrancesHa
Greta Gerwig: Um nome pra não se esquecer

O nome Greta Gerwig certamente soa estranho para você, mas não se engane: você já a viu por aí. A atriz arranjou pequenas participações em comédias como Arthur – O Milionário Irresistível, Sexo sem Compromisso e, recentemente, no Para Roma, Com Amor de Woody Allen. Nenhum dos papéis acima fez jus ao talento de Gerwig, que mostra a que veio no divertido e despretensioso Frances Ha, novo filme de Noah Bumbach.

A trama… bem, digamos que é um filme difícilimo de se vender. O roteiro é assinado por Bumbach e a própria Gerwig (casal na vida real), e traz as desventuras da excêntrica Frances, incluindo a relação decadente com sua melhor amiga Sophie (Mickey Sumner) e seus esforços para ser uma dançarina de sucesso, que lhe garantiria a renda para enfim ter seu próprio apartamento.

Frances Ha é um filme essencialmente de personagens. Rodado em preto e branco e em uma razão de aspecto compacta, o longa de Bumbach é uma experiência bastante contemplativa: não há muitas reviravoltas dramáticas aqui, ou mesmo situações que provoquem gargalhadas no espectador (afinal, o filme é uma comédia), mas o charme de sua narrativa encontra-se na tridimensionalidade de seus personagens; eficiência alcançada graças ao ótimo roteiro (cujas piadas está aqui de forma muito sutil, as melhores delas em forma de comentários dentro de contexto como É tipo viver uma sitcom” ou “E com gatos” e a pontualidade de seu entrosado elenco.

Mas nem preciso acrescentar que é Greta Gerwig quem está acima de seus colegas de cena. A atriz se sai muitíssimo bem ao criar uma Frances com personalidade própria (sua postura física quase máscula é um dos fatores decisivos nessa composição) e algumas nuances acertadíssimas que definem diversas características da personagem: reparem como ela sempre devora alimentos com notável agressividade, ressaltando a situação econômica difícil em que se encontra. Gerwig também apresenta uma química incrível com Mickey Summer: bastam alguns segundos de projeção (onde encontramos Frances e Sophie “brigando” na rua) para estabelecer de maneira sólida a amizade entre as duas.

Mesmo que seja dominado pela dramaturgia, não quer dizer que Bumbach e sua equipe técnica não possam brilhar. O departamento que mais se destaca aqui é, sem dúvida alguma, a montagem de Jennifer Lame, que confere economia e velocidade a uma série de longos eventos (que ganham também planos geniais que tornam desnecessária a exposição via diálogo). Em uma cena, por exemplo, acompanhamos Frances lutando para vencer o fuso horário e aproveitar uma noite de sono, mas nossa orientação não vem dos lábios da atriz, mas sim de um relógio digital; cujo horário vai avançando através de cortes quase imperceptíveis. Tais elementos ajudam que a experiência de 86 minutos seja ainda mais prazerosa.

Tendo a explicação para seu título revelada apenas na última cena (e agora que entendo seu significado, é impossível não esboçar um sorriso ao contemplar tais palavras), Frances Ha é um filme leve e eficiente em sua simples proposta. E que a ótima Greta Gerwig consiga papéis melhores em Hollywood, esse nome é pra não se esquecer.

| Para Roma, com Amor | Woody Allen ataca de pizzaiolo

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2012, Romance with tags , , , , , , , , , , , , on 29 de junho de 2012 by Lucas Nascimento


Jesse Eisenberg e Ellen Page no melhor segmento do filme

Após uma grande quantidade de filmes abientados em Nova York, Woody Allen continua instalado na Europa. Depois do magnífico Meia-Noite em Paris no ano passado (que, confesso, foi o catalisador do meu interesse no cineasta), Allen ataca a capital italiana em Para Roma, com Amor, uma divertida coleção de histórias bem-humoradas.

Apesar de nunca se cruzarem, o desenrolar acontece de forma intrincada, característica narrativa que mostra-se tanto um pró como um contra do longa. Com apenas 102 minutos de projeção, a verdade é que com tantas reviravoltas e situações, o tempo parece passar mais devagar, ainda que a montagem do filme equilibre os momentos eficientemente e crie um bom ritmo.

A melhor das quatro tramas (ou pelo menos a que mais me chamou atenção) é a que traz o bem-sucedido arquiteto John (Alec Baldwin). Em uma inteligente parábola com o fato de Roma apresentar ruínas, o personagem resolve explorar suas próprias “ruínas” ao revisitar um antigo relacionamento, onde ganha as feições de Jesse Eisenberg e dialoga constantemente com sua versão jovem. Apaixonado pela melhor amiga de sua namorada (a ótima Ellen Page, que exala narcisismo a cada segundo), Eisenberg e Baldwin geram um estudo estimulante e roubam o filme.

Há também o retorno de Woody Allen à atuação, no mais engraçado segmento da trama. Aqui, um casal viaja a Roma para conhecer o noivo de sua filha e o personagem de Allen se surpreende ao descobrir que seu sogro é um impecável cantor de ópera, mas com um detalhe: apenas no chuveiro. Além de proporcionar muitas risadas (vide a solução absurda encontrada no clímax), traz o diretor/roteirista praticamente conversando com a plateia, afirmando que “a aposentadoria é o mesmo que a morte” e como estava “à frente de seu tempo” em diálogos bem construídos e irônicos (acontece que o sujeito que promete trazê-lo de volta ao trabalho é funcionário de uma funerária).

As outras duas não se mostram tão estimulantes como as descritas acima, mas trazem conceitos interessantes. Nesse quesito, a protagonizada por Roberto Benigni é a que se encaixa melhor, ao retratar um homem comum que transforma-se em uma celebridade do dia-pra-noite, sem um motivo aparente (“Você é famoso por ser famoso). Um ótimo cenário para que o roteiro de Allen critique e satirize as ações (e pessoas) estúpidas que vão ganhando fama diariamente. Por último e menos importante, a estonteante Penelope Cruz é o que faz valer o segmento que traz um casal certinho enfrentando testes de fidelidade e impulsos.

Para Roma, com Amor é bem melhor do que eu esperava e oferece uma das atrações mais divertidas do ano. O trocadilho é horrível, mas não resistirei: é uma pizza de variados sabores (comédia, romance, crítica social, o sentimento da nostalgia), que, ao fim, nos faz querer repetir o prato.

29 de Junho de 2012

Posted in Esta Semana nos cinemas with tags , on 28 de junho de 2012 by Lucas Nascimento