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| Uma Noite no Museu 3: O Segredo da Tumba | Crítica

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2015 with tags , , , , , , , , , , , , on 2 de janeiro de 2015 by Lucas Nascimento

2.5

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Dan Stevens é Sir Lancelot e Ben Stiller é Larry Daley

Eu gosto bastante dos primeiros exemplares da agora trilogia Uma Noite no Museu. São duas aventuras assumidamente familiares e até infantis, mas que trazem divertidas citações históricas e uma sensação nostálgica que me faz pensar no hit da Sessão da Tarde Jumanji. Com um terceiro filme que eu não fazia ideia de que ia ser lançado, Shawn Levy e sua turma ficam aquém das expectativas com O Segredo da Tumba.

A trama começa quando a Tábua de Ahkmenrah, artefato egípcio responsável por dar vida às obras do museu, começa a falhar, afetando a existência de todas as figuras icônicas que agora são a atração principal do estabelecimento. O vigia noturno Larry Daley (Ben Stiller) precisa então viajar até Londres, onde o Museu Britânico teria a chave para consertar a situação.

É espantoso que O Segredo da Tumba seja inferior aos anteriores, já que é basicamente o mesmo filme; a mesma fórmula. Até me divirto ao imaginar o tratamento Anjos da Lei aqui na franquia, criando infinitas continuações (“Uma Noite no Museu 8: Deu a Louca no MASP”, “Uma Noite no Museu 12: I Love Louvre” ou “Uma Noite no Museu 27: O Enigma de Madame Tussauds”), já que a estrutura permaneceria a mesma, independente do cenário. Aqui, a dupla de roteiristas David Guion e Michael Handelman apela se vez ao infantilóide, piadas com barulho de boca, caretas e britânicos. Nada muito empolgante. Sem falar que assustadoramente incita a zoofilia.

Aqui, as novas figuras históricas não são tão carismáticas (além de serem poucas adições), limitando-se a um inspirado Dan Stevens como Lancelot, que aceita completamente a palhaçada em que está metido. A sempre irritante Rebel Wilson permanece portadora do estereótipo da “mulher gorda” e Ben Kinglsey tem uma participação esquecível. O grande destaque de elenco inédito fica com duas cameos divertidas, que envolvem uma inesperada piada com X-Men.

Não que o filme não tenha seus momentos, sejam eles quando Ben Stiller se transforma num implacável herói de ação para enfrentar um dragão de múltiplas cabeças com Lancelot, uma pequena visita a Pompeia ou uma luta dentro do quadro paradoxal de M. C. Escher (que também inspirou o design onírico de A Origem). Ver também Robin Williams em um papel que explora suas habilidades como comediante, é sempre agradável, e triste por sabermos que é uma de suas performances finais.

Uma Noite no Museu 3: O Segredo da Tumba não é a conclusão que a série merecia, fadada à piadas infantis e poucas novidades realmente empolgantes. Tem seus méritos, mas é uma infeliz decepção.

Obs: A dedicatória a Robin Williams talvez seja o momento mais emocionante de toda a projeção.

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| O Predestinado | Crítica

Posted in Críticas de 2014, DVD, Ficção Científica with tags , , , , , , , , , , , on 16 de dezembro de 2014 by Lucas Nascimento

4.5 Predestination Ethan Hawke é um Agente Temporal Você talvez nunca tenha ouvido falar deste filme, mas não cometa o sacrilégio de perdê-lo. O Predestinado cheira àquelas bombas que atores como Ethan Hawke fazem só para descolar uma grana extra para pagar o aluguel, devidamente lançadas diretamente no mercado home video. Mas aí você para para assistir a esse curioso filme australiano, e se depara com um dos melhores exemplares de 2014.

Adaptada do conto “All You Zombies” de Robert A. Heinlein, a trama é ambientada em um futuro em que uma agência governamental usa viagem no tempo para impedir que crimes aconteçam. Perto de sua aposentadoria, o agente vivido por Ethan Hawke persegue um misterioso terrorista conhecido como “Fizzle Bomber”, tentando impedir seu grande ataque a uma metrópole. Ele descobre uma pista importante ao conhecer o enigmático personagem de Sarah Snook.

Nenhum dos personagens principais do filme tem um nome revelado, e há um ótimo motivo para tal. O roteiro dos irmãos Michael e Peter Spierig – que também assinam a direção – é perfeito em sua estrutura e na maneira com que explora seus conceitos específicos. O loop temporal é o mais fascinante, e entrar em detalhes sua presença no filme seria entregar spoilers e algumas reviravoltas realmente inimagináveis. Quando o filme tem início, somos levados da trama principal para uma história aparentemente aleatória, mas fundamental, sobre mudança de sexo envolvendo a personagem de Sarah Snook – que entrega uma performance multifacetada excepcional, e que infelizmente será esquecida pelas premiações.

Ainda assim, quando o filme acaba, percebemos como é “simples” sua jogada. A montagem de Matt Villa ganha mais força e concluímos como o roteiro dos Spierig é perfeitamente amarrado e fechado, como “a cobra que persegue seu próprio rabo” e também como um poderoso estudo de personagem. Seu conceito de paradoxos lembra bastante o também ótimo Looper: Assassinos do Futuro, mas o longa dos Spierig se sobressai por manter o foco no drama de seus personagens, ao invés da ação.

O Predestinado é um filme absolutamente envolvente e intrigante, se o espectador se deixar levar por sua narrativa sintuosa e um protagonista não muito confiante. Certamente um dos exemplares de viagem no tempo mais eficientes dos últimos anos. Imperdível.

Obs: o filme foi lançado diretamente para DVD e Blu-ray no Brasil, pela Fox Film.

Leia esta crítica em inglês.