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Remakes: Reconstruindo ou destruindo o cinema?

Posted in Artigos with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 13 de setembro de 2010 by Lucas Nascimento

Em pleno Festival de Toronto, estão sendo exibidos filmes que eu antecipo muito. Um deles, é o remake de Deixa Ela Entrar, Let Me In, dirigido por Matt Reeves. Surpreendentemente, as primeiras críticas sobre o longa são muito boas (alguns chegam a preferir o remake ao original), o que é raro para um remake, principalmente de um filme tão prestigiado.

Remakes aliás, são muito mais comuns agora do que antigamente. Sua existência é mesmo justificada pela oportunidade de apresentar uma nova “visão” sobre o filme? Ou seria a falta de ideias originais? Vale a pena dar uma olhada na qualidade e nos tipos de refilmagens que já tivemos.

A Nova Visão

Alguns remakes até que conseguem entregar o que realmente prometem: uma nova visão sobre o filme original. Muitos não sem bem-sucedidos, mas é possível encontrar produções recentes nessa categoria. Geralmente, não é um “remake oficial”, apenas a premissa é aproveitada, mas ela pode caminhar de modos diferentes e se passar em épocas diferentes. O melhor exemplo? Paranóia, claramente baseado em Janela Indiscreta.

Atualizando o suspense da década de 50 para os dias de hoje e o fotógrafo de perna quebrada para um adolescente cumprindo prisão domiciliar, o longa é bem produzido, cativante e, mais importante, não tenta se igualar ao magnífico filme de Alfred Hitchcock, criando sua própria estrutura e voltando-se especificamente ao público mais jovem; isso é ótimo, o remake pode servir como passagem para o original, uma maneira de descobri-lo.

Nem tudo dá certo, claro. O que me vêm a cabeça agora, é O Dia em que a Terra parou, que ousou refilmar o clássico da década de 50, trocando a discussão sobre a Guerra Fria e o perigo iminente de destruição nuclear por uma trama ecológica (que poderia ter funcionado) com argumentação muito fraca. Únicos pontos positivos residem na boa atuação de Keanu Reeves e no novo visual do GORT.

A Cópia

Quando um filme praticamente refaz quadro-a-quadro o original, não há muito o que discutir: Só existe porque provavelmente a obra é estrangeira e o diretor do remake só quer cortar algumas legendas… O melhor exemplo de um remake cópia que refaz o original exatamente como era, mas não o entende, é o medíocre Quarentena.

A trama segue exatamente o mesmo caminho, o cenário é idêntico ao do original, mas toda a simplicidade que resultava em um filme assustador é banalizada com maquiagens forçadas, cachorros infectados (o quê? Resident Evil?) e uma péssima protagonista. Se for pra fazer remake assim, não faça.

Por outro lado, alguns conseguem manter aqualidade do material original, refazendo-o quadro a quadro pelo mesmo diretor dos dois filmes, como por exemplo, o psicodélico Violência Gratuita de Michael Haneke, que simplesmente trocou o elenco alemão por um americano.

Ambos possuem o mesmo tom, os mesmos enquadramentos de cena e, basicamente, o mesmo roteiro. E devo admitir, se em Quarentena Jennifer Carpenter errou feio ao tentar se igualar à Manuela Velasco de [REC], Michael Pitt não só captou a persona de Frank Giering, mas entrega um trabalho tremendamente inspirado e até melhor, que por algum motivo insano como seu personagem, não recebeu nenhum prêmio.

A Homenagem

Basicamente, é aquele tipo de remake que faz ligeiras mudanças na história, ampliando-a e ganhando o toque pessoal do diretor. É o tipo mais comum de se encontrar e também o mais bem sucedido. Vale destacar dois filmes que, na minha opinião, ficaram melhores que o original.

A Fantástica Fábrica de Chocolate, por exemplo, teve seu remake dirigido por Tim Burton, que aperfeiçonou o original em todo aspecto possível. Têm mais estilo, é mais divertido, mais engraçado e o roteiro acrescenta informações interessantes, como um final mais elaborado e origens de alguns personagens. Claro, a canção dos oompa-loompas não se iguala a do original…

Podem me atacar e criticar a vontade, mas acho o blockbuster de Peter Jackson muito superior ao bem produzido longa de 1933. Além do óbvio avanço tecnológico, o remake é mais bonito, empolgante e tem muito mais coração do que o original.

O diretor recriou cenas clássicas, controlou um  elenco é espetacular (Naomi Watts, perfeita. Jack Black, excelente) e fez uma bela homenagem ao original, que já tinha ganho uma nova versão com Kurt Russel, mas é melhor parar por aqui…

O Reboot

Não confundam, remakes e reboots são coisas diferentes. Semelhantes, mas distintas. Um reboot significa recomeçar uma franquia de maneira diferente, como está sendo feito com Homem-Aranha e Quarteto Fantástico e como foi feito brilhantemente na nova franquia de Batman.

Não sei decidir se os novos filmes de Sexta-Feira 13 e A Hora do Pesadelo entram nessa categoria ou na anterior, já que recomeçam a franquia, recriam algumas cenas, mas não seguem exatamente a mesma estrutura… Se alguém puder, comente e dê sua opinião.

Let Me In

Voltando ao caso de Let Me In, já comentei minhas expectativas na Primeira Olhada do filme, mas acredito que, além de conter uma nova visão, irá prestar uma bela homenagem ao sueco Deixa ela Entrar. O filme estreia em 8 de Outubro nos EUA e está sendo exibido atualmente no Festival de Toronto.

O filme ainda não tem previsão de estreia no Brasil.

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