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E o Oscar vai para…(Parte III) – Sons e músicas

Posted in Especiais, Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 1 de março de 2010 by Lucas Nascimento

Aumente o volume e abra os ouvidos! Na terceira parte do especial sobre o Oscar, avaliarei as categorias que envolvem sons e músicas: Melhor Edição de Som, Mixagem de Som, Trilha Sonora Original e Canção Original.

Antes de começarmos, gostaria de explicar para aqueles que não sabem, a diferença entre Mixagem e Edição de Som. Bem, a Edição consiste em editar, cortar e modificar de qualquer maneira um efeito sonoro capturado ou criado, por exemplo amplificar a voz do ator. A Mixagem, considerada por alguns a parte mais difícil da pós-produção, consiste em unir todos os sons e trilha dentro do filme, modificando a intensidade e o volume de todos os efeitos sonoros e as músicas.

Para cada categoria de Som, montei um vídeo de amostras. Vejam abaixo.

Melhor Edição de Som

Avatar – Christopher Boyes e Gwendolyn Yates Whittle

Os efeitos sonoros de Avatar são complicados. Temos armas avançadas, rugidos de criaturas, etc… Todos muito bem produzidos e editados de acordo com suas cenas. Curiosidade: Muitas pessoas no Youtube comentaram que o grito do Thanator é idêntico ao do T-Rex de Jurassic Park. Veja, reveja e tire suas próprias conclusões.

Bastardos Inglórios – Wylie Stateman

Os efeitos sonoros do épico de guerra de Quentin Tarantino, não possuem elementos de ficção científica, raios ou naves. São sons mais tradicionais, entretanto, muito bem editados e utilizados, indo de tiros até bastões de beisebol.

Guerra ao Terror – Paul N.J. Ottosson

O mais bacana d0s sons de Guerra ao Terror, são as cenas em que algum personagem está dentro da roupa anti-bombas (o Hurt Locker do título original); são produzidos écos e uma acústica interessante. Há também muitas explosões para os mais exigentes.

Star Trek – Mark Stoeckinger e Alan Rankin

O que esperar dos sons de um filme que teve a colaboração de Ben Burtt, gênio por trás dos mais marcantes sons da saga Star Wars? Com certeza muitos sons bizarros e dignos de ficção científica. Os sons são bem controlados e muito elegantes.

Up – Altas Aventuras – Michael Silvers e Tom Myers

Mais uma vez, uma animação da Pixar foi indicada para melhor edição de som. Os efeitos sonoros de Up são muito bacanas, não chegando a serem tão ensurecedores, nem muito controlados, mas é um trabalho decente. As cenas de ação e o primeiro voo de Carl são o grande destaque.

Melhor Mixagem de Som

Avatar – Chistopher Boyes, Gary Summers, Andy Nelson e Tony Johnson  

Para se ter uma idéia do verdadeiro trabalho de mestre que são os efeitos sonoros de Avatar, ver na tela do computador não basta. Deve-se ver no cinema (de preferência IMAX) e ouvir com clareza os efeitos sonoros caprichados criados para o filme. A música de James Horner mistura-se com perfeição aos efeitos caprichados.

Bastardos Inglórios – Michael Minkler, Tony Lamberti e Mark Ulano 

O bacana dos sons de Bastardos Inglórios, principalmente os das cenas de ação, é que eles vem do nada. Estamos em uma longa cena de diálogo (onde o som das vozes já é bem editado) e, subitamente, somos surpreendidos por tiroteios ensurecedores, mas ainda assim, bem controlados.

Guerra ao Terror – Paul N.J. Ottosson e Ray Beckett 

A mixagem de Guerra ao Terror é caprichada. As explosões são ensurecedoras, e no clipe que selecionei, observe que o som mistura o barulho da explosão, a respiração do soldado, a areia se levantando… Excelente trabalho de som.

Star Trek – Anna Behlmer, Andy Nelson e Peter J. Devlin 

 Batalhas espaciais, perseguições de carros… São muitos os exemplos da caprichada mixagem de sons de Star Trek. Assistindo no blu-ray, pude ouvir com mais clareza e atenção ao trabalho feito, principalmente, nas cenas de batalhas no espaço. Faço questão de destacar um momento, no início do filme, em que uma nave está sendo bombardeada e escutamos os sons ensurecedores no interior dela; então uma pessoa é sugada para o espaço e o sons de raios e explosões se cala. Caso você não sabia, o som não se propaga no espaço…

Transformers – A Vingança dos derrotados – Greg P. Russel, Gary Summers e Geofrey Patterson 

Tudo bem que a segunda aventura dos robôs transformistas foi bem abaixo do esperado, mas a mixagem de som é bem interessante. Misturando os sons caprichados de seus robôs gigantes e as explosões incecantes, é fácil se perder visualmente, mas o som fica espetacular, se visto em uma sala de cinema.

Melhor Trilha Sonora Original

Avatar  – James Horner (Ouça uma faixa aqui)

Dos indicados, a trilha de James Horner para Avatar é, de longe, a mais épica e excitante. A maioria das faixas são compostas por músicas mais amigáveis e felizes, com cantoria e etc… Pessoalmente, essa trilha não me agrada tanto quanto as duas últimas, The Destruction of Hometree e War, que conseguem ser bem mais épicas e dramáticas.

O Fantástico Sr. Raposo – Alexandre Desplat (Ouça uma faixa aqui)

O francês talentoso já criou muitos temas belos e memoráveis. Sua colaboração na animação de Wes Anderson é fundamental. Criou temas muito divertidos, misteriosos e animados. Porém esse ano, suas chances são bem menores.

Guerra ao Terror – Marco Beltrami & Buck Sanders (Ouça uma faixa aqui)

Na minha opinião, a trilha de Guerra ao Terror não deveria ter sido indicada. Claro, são faixas mais tensas e curtas, mas a maioria das músicas não me agradou. A única excessão é a excelente The Hurt Locker, que você pode escutar no link acima.

Sherlock Holmes – Hans Zimmer (Ouça uma faixa aqui)

A sensacional trilha de violinos composta pelo brilhante Hans Zimmer é a minha preferida da categoria, merecendo com certeza a estatueta. O compositor alemão já fez trilhas inesquecíveis, como a de Batman – O Cavaleiro das Trevas e Piratas do Caribe.  No entanto, sua instigante trilha de Sherlock Holmes não faz o mesmo feito que a de Up – Altas aventuras.

Up – Altas Aventuras – Michael Giacchino (Ouça uma faixa aqui)

As trilhas sonoras da Pixar sempre foram excelentes, mas o compositor Michael Giacchino (Lost, Star Trek) era o elemento que faltava. Sua trilha é a mais simpática da noite, com temas bem dramáticos e alegres, que me lembram muito algumas trilhas antigas. É música à moda antiga.

Melhor Canção Original

“The Weary Kind” – Coração Louco (Ouça aqui)

Ano passado foram as músicas indianas, mas esse ano são as músicas Country. A trilha principal de Coração Louco é cantada na voz serena de Ryan Bingham, tendo como único instrumento, o violão. Excelente canção, captura a alma do filme e a do personagem.

 “Down in New Orleans” – A Princesa e o Sapo (Ouça aqui)

Bons tempos aqueles em que os filmes da Disney possuíam canções marcantes, emergindo do nada. “Down in New Orleans” é uma canção maravilhosa e que me fez lembrar de algumas das melhores animações da Disney.

“Almost there” – A Princesa e o Sapo (Ouça aqui)

Com a mistura de rimas e a voz maravilhosa de Anika Noni, a segunda canção indicada é quase tão boa quanto a primeira. Escrito mais uma vez pelo brilhante Randy Newman, é uma ótima canção, passa uma mensagem boa e é simplesmente muito agradável de se ouvir.

“Loin de Paname” – Paris 36 (Ouça aqui)

Não entendi nada da letra de “Loin de Paname” (é uma canção francesa) – escrita por Reinhardt Wagner e Frank Thomas -, mas devo dizer que a parte mais instrumental me agradou muito mais do que a voz da cantora. Apesar de suave a delicada, a canção me pareceu meio arrastada, mas a parte instrumental é excelente.

“Take it All” – Nine (Ouça aqui)

Não compreendo. No Globo de Ouro desse ano, Nine foi indicado para Melhor Canção com a música “Cinema Italiano”. Para o Oscar, mandaram essa “Take it All”, que não só é bem inferior à “Cinema Italiano”, como também é bem fraca. Instrumentos regulares, cantorias medianas (apesar de Marion Cottilard ter cantado acima da média). Fraca.

A terceira parte do especial Oscar vai ficando por aqui. Espero que tenham gostado e não deixem de conferir a parte IV, que sai em algum momento dessa semana, onde finalmente discutiremos a categoria de Melhor Filme, entre outras. Até lá!