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| Star Wars: Episódio V – O Império Contra-Ataca | Crítica

Posted in Aventura, Cinema, Clássicos, Críticas de 2014, Ficção Científica with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 26 de outubro de 2014 by Lucas Nascimento

5.0

TheEmpireStrikesBack
Darth Vader faz a revelação mais marcante de toda a saga

Quando algum diretor fala sobre fazer continuações, sempre cita aquelas que de fato atingiram o nível do original, ou até mesmo um resultado superior. A resposta pode variar, mas pode apostar que O Poderoso Chefão: Parte II e O Império Contra-Ataca estarão lá.

A trama começa alguns anos após a Batalha de Yavin 4, com Luke (Mark Hamill), Leia (Carrie Fisher) e Han (Harrison Ford) refugiados com a Aliança rebelde no planeta de gelo Hoth (ironia eterna desse nome). Cada vez mais interessado no jovem Jedi, Darth Vader o procura por toda a galáxia, enviando sondas e caçadores de recompensa para encontrar o grupo. A jornada levará Luke ao encontro do Mestre Jedi Yoda (Frank Oz), enquanto o restante do grupo é atraído para uma letal armadilha do Império.

Se a grande maioria das continuações hoje em dia (lembrem-se, este é o segundo filme da saga a ser lançado) adota a política do “maior e mais sombrio”, é graças a O Império Contra-Ataca. É bem menos otimista do que o anterior, e o roteiro de Leigh Brackett e Lawrence Kasdan (George Lucas é responsável apenas pelo argumento principal) se arrisca ao colocar os personagens em situações desafiadoras e que muitas vezes leva a melhor sobre estes. Claro que o humor jamais morre, afinal a presença de C-3PO (Anthony Daniels) e R2-D2 (Kenny Backer) sempre rende momentos divertidos, assim como a relação de amor e ódio que vai se construindo entre Han e Leia.

Mas é realmente Darth Vader quem ganha mais destaque aqui. Outrora um vilão genérico no anterior, aqui o lorde Sith ganha mais profundidade e importância, afetando até mesmo o trabalho de dublagem de James Earl Jones; capaz de criar mais nuances aqui, graças à bombástica revelação a respeito de sua relação com Luke. A entrada de Irvin Kershner na direção também é outro ponto valioso, já que revela-se um condutor mais eficiente do que Lucas, além de arrancar melhores atuações do carismático elenco. Visualmente, também é responsável por sequências empolgantes como a batalha de Hoth, a perseguição pelo campo de asteroides e o antológico duelo de sabres entre Luke e Vader – belíssimamente fotogrado por Peter Suschitzky.

Star Wars: Episódio V – O Império Contra-Ataca é certamente o melhor filme da saga, e também uma das continuações mais eficazes e surpreendentes já apresentadas em Hollywood. É o tipo de filme que quase reinventa a história, elevando-a à níveis difícieis de serem superados.

Felizmente, a conclusão da saga não nos deixaria na mão.

Próximo: O Retorno de Jedi

A SAGA

Episódio I – A Ameaça Fantasma

Episódio II – Ataque dos Clones

Episódio III – A Vingança dos Sith

Episódio IV – Uma Nova Esperança

Episódio V – O Império Contra-Ataca

Episódio VI – O Retorno de Jedi

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| Era Uma Vez em Nova York | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Drama with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 15 de setembro de 2014 by Lucas Nascimento

3.5

TheImmigrant
Marion Cotillard brilha na pele da imigrante do título original

É a primeira vez que falo sobre James Gray aqui no blog, um nome que vem se destacando no cinema norte-americano, mas que ainda não explodiu tal como colegas do calibre de David Fincher ou Duncan Jones. Gray é um cineasta bem pessoal e mesmo que não traga muitos maneirismos visuais, é um baita contador de histórias, como nos comprovam os excelentes Os Donos da Noite e Amantes. Com Era Uma Vez em Nova York, Gray faz seu longa mais grandioso, ainda que não traga o mesmo impacto de suas obras anteriores.

A trama é centrada na imigrante polonesa Ewa Cybulska (Marion Cotillard), que chega à Nova York dos anos 20 com sua irmã na esperança de uma vida melhor. Quando a irmã é barrada devido a uma tuberculose e os tios que as abrigariam não aparecem, Ewa fica nas mãos do cafetão Bruno Weiss (Joaquin Phoenix), que promete ajudá-la a libertar a irmã desde que ela trabalhe para ele como prostituta.

O longa é mais um bom exemplar do gênero que explora a ironia e as desilusões do Sonho Americano e sua “Terra de Oportunidades”, especialmente à medida em que Ewa vai cada vez mais corrompendo seus valores durante a estadia em solo norte americano. Marion Cotillard se sai maravilhosamente bem ao retratar a pobre imigrante, entregando uma de suas performances mais contidas e sutis, raramente apelando para explosões dramáticas ou mudanças de humor brutais, sempre preservando a ingenuidade e o medo de Ewa, nem que seja apenas por um simples olhar ou sua trêmula voz ao anunciar que “só quer ser feliz”. Joaquin Phoenix também surge bem como Bruno, e torna seu personagem mais interessante ao revelar a fragilidade que existe por trás de sua figura imponente e às vezes até ameaçadora.

E é raro também que eu elogie uma tradução nacional que fuja do título original, mas o uso de “Era uma vez…” no título (o original é “The Immigrant”, e o filme chegou a ser chamado de “A Imigrante” por um tempo) confere à produção uma áurea fabulesca e de contos de fada, elementos que se justificam pela presença do mágico Orlando (Jeremy Renner, que consegue brilhar como a figura mais carismática da produção) e que se mostram tão alegres como um conto dos irmãos Grimm, então a Europa Filmes merece elogios pela mudança inspirada. Ainda no tom, a produção merece prêmios pela reconstituição de época excepcional, desde o design de produção de Happy Massee, eficiente em reconstruir prédios e ruas da Nova York daquele período, até a fotografia em tons de sépia de Darius Khondji, claramente inspirada na paleta de cores usada por Gordon Willis em O Poderoso Chefão: Parte II, filme que também explora a imigração.

Ainda que não seja necessariamente inovador ou original, Era Uma Vez em Nova York conta uma bela e pesada história e traz em seu leque de qualidades um elenco fantástico e uma reconstrução de época invejável.

Obs: Ao mesmo tempo em que elogio a Europa Filmes pela decisão de mudar o título, devo criticá-la fortemente por destruir a razão de aspecto do filme, recortando o lindo 2:35:1 por uma resolução menor e que danifica os enquadramentos do filme. Péssima apresentação técnica.