Arquivo para participação especial

| O Ditador | Novo Sacha Baron Cohen é relativamente Aladeen, mas também muito Aladeen

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2012 with tags , , , , , , , , , , , , , on 25 de agosto de 2012 by Lucas Nascimento

O Ditador Aladeen: Troca palavras do dicionário por seu próprio nome

Sacha Baron Cohen já foi um dos meus comediantes favoritos dos tempos atuais. Dotado de humor crítico e imprevisível em duas ótimas comédias, lançadas em 2006 e 2009, o inglês já atacou o “American way of life” como um repórter cazaque em Borat e ridicularizou o mundo das celebridades em Bruno. Agora, em tempos de Primavera Árabe e luta por democracia, Cohen entrega seu trabalho mais burocrático com O Ditador.

Ao contrário de seus longas anteriores, O Ditador apresenta uma trama inteiramente roteirizada (dispensando o formato “pegadinha”), centrando-se no almirante-general Aladeen, ditador da fictícia Waldiya, que é forçado a visitar os EUA e discursar em frente à ONU, libertando seu povo do duradouro regime totalitário. Vítima de seu tio traidor (Ben Kingsley), Aladeen tem sua barba característica raspada e é então jogado às ruas de Nova York, onde tentará se adaptar a uma sociedade democrática.

Lendo a sinopse já fica evidente que os roteiristas reciclam a mesma premissa de Borat e Bruno: estrangeiro excêntrico viaja aos EUA e rende situações engraçadas/constrangedoras por consequência do choque cultural. No entanto, Cohen e o diretor Larry Charles (que repete a parceiria aqui) sempre tornavam claro o rumo que seguiam e agiam através de corajosas esquetes que provocavam a ira de suas “vítimas”. O problema principal aqui é o nível de estupidez atingido pela dupla, que tem em palavras absurdamente grandes, piadas com celebridades (além da ponta de Megan Fox, há uma ainda mais divertida) e situações dignas da série Todo Mundo em Pânico (não por acaso, Anna Faris está no elenco) suas principais tentativas de humor.

Ainda que seja interessante observar o desvirtuamento “heróico” do protagonista (“Só você poderá impedir que Waldiya vire uma democracia e sofra com males como o voto feminino e direitos civis!”), O Ditador torna-se uma experiência entediante, ainda que traga curtos 88 minutos de projeção, tornada suportável apenas pelo carisma de seu ator principal. Sempre abraçando com ferocidade os papéis que assume, Cohen não faz diferente com Aladeen e lhe proporciona um divertido sotaque e andar característico – beneficiando-se também do fato de interpretar dois personagens (ainda que o outro seja bem menos desenvolvido).

Trazendo também um curioso contraste com o discurso final de O Grande Ditador de Chaplin, O Ditador é uma obra irregular e com poucos momentos genuínamente engraçados. Fica aqui, ao menos para mim, a constatação de que Sacha Baron Cohen deverá inovar em seus próximos trabalhos, já que seu talento cômico merece destino melhor.

| Velozes e Furiosos 5 – Operação Rio | Um aperfeiçoamento insanamente divertido

Posted in Ação, Cinema, Críticas de 2011 with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 7 de maio de 2011 by Lucas Nascimento

 


Bad Boys: Vin Diesel e Paul Walker chutando bundas no quinto filme da série

Iniciada a quase 10 anos, a franquia Velozes e Furiosos já tinha dado o que tinha que dar logo depois de seu competente segundo filme. Mas depois, tivemos o irrelevante Desafio em Tóquio e Velozes & Furiosos 4, que já não empolgavam tanto. Eis que surge Operação Rio, que reiventa a proposta dos filmes anteriores e alcança ótimos resultados.

Ambientada no Rio de Janeiro (com terrível sotaque e estereótipos forçados), a trama mostra Dom, Brian O’Conner e seu grupo escondendo-se em favelas. Cometendo pequenos roubos, eles despertam a atenção de um criminoso do alto escalão e o implacável agente do FBI Luke Hobbs, o que leva a mais perseguições de carros.

Bem, nunca deve-se esperar uma trama genial vindo de Velozes e Furiosos, mas dessa vez temos uma que pelo menos prende a atenção e dá espaço adequado para cenas de ação e, olhe só, um razoável desenvolvimento de personagens. Grande trabalho do diretor Justin Lin (que assume a franquia desde o terceiro filme), que descarta a já esgotada fórmula de corridas automobilísticas e evolui para o heist movie de forma adequada.

E seguindo a tradição de todo bom filme do sub-gênero, o planejamento não sai exatamente como planejado, o que dá espaço a sequências de ação espetaculares, que mostram o domínio de Lin da cena e sua capacidade de empolgar a plateia. A perseguição do clímax por exemplo, esquece das leis da Física e faz uso controlado de efeitos visuais (sempre um elogio), dando espaço a dublês e carros de verdade sendo destruídos com estilo.

E há também os personagens. Dessa vez temos todos os personagens dos filmes anteriores, cuja química em cena é satisfatória e natural, gerando muitas cenas divertidas (principalmente de Tyrese Gibson) e um apego sustentável a eles. Vin Diesel continua o mesmo estilo durão, mas perde espaço para o monstruoso Hobbs de Dwayne Johnson, com quem protagoniza uma memorável luta.

A trama tem diversos momentos incoerentes (como por exemplo uma explosão imperceptível dentro de um departamento de polícia) e estica-se além do esperado durante o planejamento do roubo, mas é uma diversão insana e inofensiva, que cumpre muito bem seu propósito e mostra que tem gasolina no tanque para mais sequências.

Obs: Há uma bacana cena pós-créditos com uma participação especial e uma grande revelação sobre o filme anterior.