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| Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Drama with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 16 de outubro de 2014 by Lucas Nascimento

4.0

Foxcatcher
Steve Carell é John du Pont

Bennett Miller é um nome que não deve ser esquecido. Mesmo tendo comandado apenas três longas, o diretor vem se mostrado um dos mais interessantes e habilidosos da nova leva, sempre adotando uma abordagem engajante com seus diferentes tema. O crime em Capote, o beisebol emO Homem que Mudou o Jogo e agora, a luta olímpica com Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo. Nenhum desses filmes é unicamente sobre os respectivos temas, claro, e é com seu novo trabalho que Miller mira mais alto do que nunca.

Roteirizada por E. Max Frye e Dan Futterman, trama é inspirada em eventos reais ocorridos na década de 80. O lutador Mark Schultz (Channing Tatum) treina duro para ser o melhor do mundo, mas não consegue sair da sombra de seu irmão Dave (Mark Ruffalo), não só melhor lutador, como também um chefe de família atencioso. A situação se transforma quando Mark é convocado pelo milionário John du Pont (Steve Carell) para liderar seu time, Foxcatcher, e ser campeão mundial na modalidade.

Ao contrário do que o subtítulo nacional sensacionalista possa sugerir, Foxcatcher é um filme quieto e que leva o tempo que julga necessário para engatar suas ações. O silêncio já virou quase que uma marca registrada de Miller, que opta por uma presença pontual de trilha sonora (mas quando surge, Mychael Danna e Rob Simonsen oferecem o tom sombrio apropriado) e muito destaque para ruídos e as próprias vozes de seu elenco. O primeiro ato do filme realmente demora a engatar, e de nem de longe é a tensão constante vendida pela campanha de marketing do longa, mas o silêncio é um fator decisivo para as performances principais. Steve Carell, por exemplo, depende muito de pequenos suspiros e nuances em sua controlada performance como o complexo du Pont. Se eu temia que o ator fosse aparecer cartunesco aqui, fiquei tranquilo ao vê-lo adotando um tom de voz baixo e jamais pendendo para o overacting – ajuda também a decisão de Miller de jamais explorar a figura do sujeito (o nariz, ou a silhueta que este poderia projetar), sempre tratando-o como mais um personagem, como fica evidente logo em sua discreta primeira aparição; algo que um diretor mais escandaloso seria incapaz de alcançar.

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Channing Tatum e Mark Ruffalo como os irmãos Mark e Dave Schultz

Carell está bem e o papel realmente é um novo estágio de sua carreira, mas é realmente Channing Tatum quem rouba o show. O ator prova aqui todo o seu potencial dramático e, como Carell, se sai bem ao apostar na sutileza. Quase sempre com a cabeça baixa e uma expressão séria que sempre coloca Mark como um sujeito infeliz e até mesmo fracassado (mas ambicioso), o ator protagoniza intensos momentos físicos e psicológicos, impressionando também com sua química curiosa com Mark Ruffalo. Este, aliás, também está excelente como aquela que é a figura mais pura da projeção, convencendo quando aparece para auxiliar seu irmão. Uma cena em especial nos ilustra com perfeição a diferença entre os dois, quando Dave explica a técnica para um determinado golpe para a equipe, enquanto Mark surge no canto oposto malhando suas pernas, como se acreditasse que a capacidade física é o único fator relevante na modalidade.

Mas como falei lá atrás, o filme carrega muito mais do que uma mera história esportiva. Em Foxcatcher, encontramos temas que vão desde a manipulação da câmera até, principalmente, a fragilidade da filosofia americana do self made man. A cena final do filme é crucial para que a mensagem atinja em cheio, especialmente com os gritos eufóricos de “USA”, completamente irônicos no momento em questão. A câmera também chama muito a atenção, especialmente na forma como ela se reflete nos personagens principais: Dave não assiste ao vídeo trazido por seu irmão (por estar ocupado com a família) e não sabe como se comportar durante a realização de um documentário idealista sobre du Pont; Mark é completamente hipnotizado e convencido da superioridade de du Pont ao assistir, colado na frente da televisão, um vídeo sobre a dinastia da família. E, finalmente, du Pont realiza sua decisão fatal após assistir ao dito documentário sobre sua figura, quase como se motivado por este.

Sutil e inquietante Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo impressiona por seu elenco poderoso e a execução cuidadosa adotada por Bennett Miller, que certamente vai afastar boa parcela do público. E novamente fica a prova de que se é possível abordar temas complexos a partir de uma premissa aparentemente fechada.

Mais um ponto para Miller.

Obs: Esta crítica foi publicada durante a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

| O Homem Duplicado | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Drama, Suspense with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 18 de junho de 2014 by Lucas Nascimento

4.0

Enemy

Cuidado com possíveis spoilers

“Ao que nos compete discernir, o único propósito da existência humana é jogar um pouco de luz nas trevas do mero ser.” – Carl Jung

A cada pensamento, reflexão e teoria encontrada, O Homem Duplicado faz mais sentido em minha cabeça. É um filme estranho e que não se preocupa em entregar de cara as respostas que o espectador busca, transformando o novo filme de Denis Villeneuve em um instigante e atmosférico estudo psicológico. Ainda que imperfeito como experiência, traz a deliciosa tarefa de manter o espectador atento a cada detalhe.

Baseado no romance homônimo de José Saramago, o roteiro de Javier Gullón conta a história do recluso professor de História Adam (Jake Gyllenhaal). Preso em uma rotina caucada na repetição de aulas na faculdade e transas impessoais com sua namorada (Mélanie Laurent, radiante), Adam acaba por descobrir um sujeito, Anthony, que é sua cópia idêntica em um filme, e resolve procurá-lo para entender a situação.

Tal realização não virá de imediato, mas O Homem Duplicado não é tão simples ou trivial como a premissa possa sugerir. Já fica o aviso de que o “tipo” de filme não é do convencional, recorrendo diversas vezes à imagens simbólicas (fotografadas em um belíssimo tom alaranjado por Nicolas Bolduc) e um ritmo onírico que certamente vai afastar boa parcela do público – admito que o ritmo seja o grande problema do filme.

Mas talvez seja um sacrifício diante das profundas análises que Villeneuve trará durante os 90 minutos de projeção. Falar sobre o filme, é falar sobre a dualidade do Homem. Certamente existem múltiplas interpretações da obra (e eu li de tudo, incluindo invasões de monstros), mas o que seria mais conciso aqui é a batalha interna entre os alter egos do protagonista. Faz mais sentido que não exista mesmo um “clone” do protagonista andando por aí, mas sim que a premissa seja uma metáfora para seu próprio inconsciente, e as batalhas que trava em relação a sua vida amorosa. Faz sentido que Villeneuve retrate a personagem de Mélanie Laurent de forma idealizada, e que o apartamento de Adam surja completamente sem personalidade, e mergulhado nas trevas quando Laurent contracena com o protagonista.

Aliás, Jake Gyllenhaal merece uma dupla indicação ao Oscar, já que cria duas performances tão distintas que muitas vezes me peguei esquecendo de que era o mesmo ator ali, contracenando consigo mesmo. Já tendo trabalhado com Villeneuve no ótimo Os Suspeitos, o ator consegue saltar com facilidade entre a persona tímida e introvertida de Adam, ao mesmo tempo em que faz de Anthony um sujeito descolado e confiante; mas sem cair no lugar-comum de fazer o total oposto um do outro.

É bem difícil assistir a O Homem Duplicado uma única vez e entender todo o seu significado. É um nó na cabeça que aposta fortemente em simbolismos (aranhas, preste atenção nas aranhas) e oferece uma experiência cativante, ainda que fácil de se perder. Mas de qualquer forma, um jogo inteligente e que faça discutir é sempre muito bem vindo.

EXTRA –

Se você deseja entender os significados do filme melhor, recomendo fortemente a análise em video de Chris Stuckmann, que quebrou o código de O Homem Duplicado em seus mínimos detalhes. Obviamente, spoilers à frente:

| X-Men: Dias de um Futuro Esquecido | Crítica

Posted in Ação, Adaptações de Quadrinhos, Aventura, Críticas de 2014, Ficção Científica with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 20 de maio de 2014 by Lucas Nascimento

4.5

XMenDaysofFuturePast
Fera, Wolverine e o jovem Charles Xavier

Já se passaram 14 anos desde que Bryan Singer assumiu a arriscada tarefa de levar os X-Men ao cinema, em Julho de 2000. Nesse longo espaço de tempo, o gênero de super-heróis se transformaria em uma mania mundial, e o grande responsável por encher os cofres dos grandes estúdios de Hollywood. A franquia mutante da Fox se saía bem, entre erros e acertos, mas é com X-Men: Dias de um Futuro Esquecido que Singer encara seu maior desafio como cineasta ao transportá-las ao próximo nível.

A trama é inspirada livremente em uma das mais celebradas HQs dos X-Men, e envolve o grupo lutando contra as mortíferas Sentinelas, robôs gigantes especializados em destruir mutantes, em um futuro devastado. Na esperança de impedir que a guerra comece, o professor Charles Xavier (Patrick Stewart) manda Wolverine (Hugh Jackman) de volta para seu corpo dos anos 70 a fim de reajustar a situação ao reencontrar as versões jovens da equipe e evitar que um evento decisivo para a criação das Sentinelas ocorra.

Um filme dessa escala, com um elenco que mal cabe no pôster é um perigo por natureza. Pode ser muito inchado, incoerente ou desconcentrado, riscos típicos de produções assim. Felizmente, Bryan Singer e seu roteirista Simon Kinberg encontram um perfeito ponto de equilíbrio para contar a mais grandiosa história dos X-Men até agora. Ambientada tanto no passado quanto no futuro distópico, a montagem de John Ottman (que também assina a excelente trilha sonora) navega com fluidez entre as duas linhas temporais, ainda que se concentre mais naquela ambientada na década de 70 – considerando a aceitação popular de X-Men: Primeira Classe, é uma decisão sábia.

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Encontro de gerações

Já a ideia de viagem no tempo permanece até hoje como um dos elementos mais complexos não apenas do cinema, mas também de nossos conhecimentos científicos. O próprio Singer declarou que teve encontros com ninguém menos do que James Cameron para compreender melhor o conceito (e é divertido ver como Singer claramente se inspira em O Exterminador do Futuro ao retratar o futuro sempre à noite, sombrio e o fato de Wolverine despertar sem roupas quando acorda em seu corpo jovem) de realidades alternativas e paradoxos temporais. Aí reside o maior problema da produção, que opta por teorias um tanto confusas (aliás, qual teoria de tempo é usada aqui? Simultâneo? Imutável?) e que trazem certos problemas em sua linearidade, especialmente nos conceitos da Teoria do Caos. É uma confusão que se dá durante o terceiro ato, mas que não prejudica seu resultado; que pende mais para o positivo.

A começar pelo elenco dos sonhos de qualquer fã do gênero, que se sai bem com o habitual carisma de Hugh Jackman na liderança, mas também oferece muito espaço para os ótimos Michael Fassbender e James McAvoy, que continuam reinventando brilhantemente seus personagens, (Magneto nunca esteve tão radical, e Xavier surge inacreditavelmente desolado e selvagem) ao mesmo tempo em que aproveita na medida do possível a presença do elenco original. Temos lá a presença de ouro de Ian McKellen e Patrick Stewart, rápidas participações de Halle Berry, Anna Paquin (piscou, perdeu), Ellen Page, entre outros. O time ainda acrescenta alguns mutantes carismáticos – a Blink interpretada pela chinesa Fan Bingbing é minha preferida – que, ainda que não tenham tanto destaque ou desenvolvimento, rendem ótimas cenas de ação.

E como Singer entende disso. Sem embalar um sucesso de verdade desde sua última incursão na franquia, o diretor comanda com maestria as cenas de ação que envolvem múltiplos mutantes, distribuindo tarefas específicas e fazendo-os combinar seus poderes na luta contra as ameaçadoras Sentinelas. Vale também mencionar a espetacular cena envolvendo o mutante velocista Mercúrio (o carismático Evan Peters) em uma fuga de prisão, que, ao som de “Time in a Bottle”, é desde já uma das sequências mais bem feitas e impressionantes que o gênero já ofereceu. Também elogio a decisão do diretor em trazer diversas câmeras-dentro-da-história para cenas com multidões, algo que oferece um caráter de urgência e também ajuda com a ambientação de época (já que são câmeras super 8).

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Para os fãs de J-Law, Mística tem mais destaque na trama

Mas ainda que seja preenchida por espetáculo e não perca tempo algum, a trama jamais esquece aquilo que sempre deu um diferencial a X-Men: suas questões sociais. Aqui essa temática ganha ainda mais força ao tornar a Mística de Jennifer Lawrence um elemento fundamental no desenrolar de ambas as linhas temporais, o que faz sentido considerando a posição que a personagem assumia no longa anterior (Primeira Classe). Não deixa de ser irônico como a grande ameaça física do longa – as Sentinelas – tenha sido criada por um sujeito com o porte físico de Peter Dinklage. Ainda na ala de poderio visual, o filme traz imagens altamente simbólicas, vide o momento em que corpos de mutantes são empilhados (remetendo diretamente ao Holocausto), ou a cena em que a Casa Branca é cercada por um estádio de beisebol; uma forma gritante de conciliar política e esporte, que curiosamente surge mais poderosa para os brasileiros neste ano de Copa do Mundo.

Dado o tamanho da aposta, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido era um filme que poderia ter dado perigosamente errado. Felizmente, isso foi em alguma realidade alternativa obscura, já que o retorno de Bryan Singer à franquia é eficiente, divertido e mesmo que não seja o melhor filme desta, certamente é o maior. E o melhor de tudo é perceber como sua conclusão oferece aos produtores novos rumos para essa franquia tão admirável.

Obs: Há uma cena após os créditos que vai deixar os fãs de X-Men malucos.

Obs II: Participações especiais e uma revelação mutante que você NUNCA imaginaria. Fiquem ligados.

Obs III: Eu dispensaria o 3D.

Leia esta crítica em inglês.

| Jobs | Ashton Kutcher se esforça na biografia de um ícone da informática

Posted in Cinema, Críticas de 2013, Drama with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 5 de setembro de 2013 by Lucas Nascimento

3.0

Jobs
Ashton Kutcher é Steve Jobs: casting acertadíssimo, mas compensador?

Não é preciso procurar muito por influências de Steve Jobs em nosso cotidiano. Por exemplo, a primeira coisa que fiz terminada a sessão de Jobs foi checar meu Iphone para novos emails ou mensagens. Claro, o smartphone não é um artefato exclusivo da poderosa Apple, mas sem dúvida alguma é o mais cobiçado e o que promove maior “status”. Mas deixando a informática de lado, resta dizer que a cinebiografia de Joshua Michael Stern é uma obra competente, ainda que longe da perfeição.

O roteiro de Matt Whiteley faz um apanhado geral sobre a vida de Jobs (Ashton Kutcher), partindo desde o momento em que este larga a faculdade para se dedicar à indústria de computadores, até a nova fase da Apple no mercado (iniciada em meados dos anos 90).

Confesso que não conheço muito a história de Steve Jobs (pra ser sincero, sou nulo em praticamente todas as biografias envolvendo empresas de internet), então fica díficil julgar o quanto no filme é fato e o que é ficção. Mas algo perceptível é o tratamento quase sagrado fornecido a Jobs: reparem como o diretor de fotografia Russell Carpenter constantemente joga a contra luz no rosto de Ashton Kutcher, proferindo-o uma imagem quase “divina”, característica associada mais ao lado mítico do que humano do personagem. Claro que Whiteley acerta ao trazer à tona diversas imperfeições de Jobs (como mentir o valor do pagamento por um serviço a seu amigo ou sua obsessão com design), mas nunca ocorre uma análise profunda às suas ações; Jobs é sempre a vítima, algo que a trilha sonora extremamente apelativa de John Debney faz questão de nos lembrar.

Mas, em um longa biográfico, todos os olhos se viram para a performance protagonista. Despertando a insegurança de muitos ao assumir o papel, eu pessoalmente fiquei impressionado com o trabalho de Ashton Kutcher e a competência do ator ao lidar com um papel dramático (porque para mim, ele sempre, sempre, será o Michael Kelso de That’ 70s Show) e até estabelecer maneirisimos que o ajudem a ilustrar a imagem do personagem – principalmente o andar relaxado que Kutcher opta por usar durante toda a projeção. Claro que é uma performance favorecida pela (incrível) semelhança física do ator com o fundador da Apple mas – mesmo que aqui e ali brote um overacting – é um trabalho notável e nitidamente esforçado.

Sobre o elenco de apoio, é incrivelmente piloto-automático. Salva-se o Steve Woz de Josh Gad, sócio e amigo pessoal de Jobs. O ator é introduzido como um péssimo alívio cômico que raramente funciona, mas que explode as expectativas ao protagonizar uma única cena que compensa toda a sua participação no longa (e é também uma das melhores da fita) e apresenta uma, até então, inexistente carga dramática. Você saberá exatamente de qual cena estou falando quando a ver.

Dirigido de forma contida e sem ousadias pelo novato Joshua Michael Stern, Jobs é um filme competente e que – mesmo não sendo 100% acurácio – é capaz de trazer o espectador para dentro de sua narrativa. Mas algo impactante como Steve Jobs merecia, no mínimo, uma obra no mesmo nível de A Rede Social.

E aí, que tal chamar Aaron Sorkin para O Legado Jobs?

Obs: Antes dos créditos finais há uma bela montagem de fotos que compara o elenco com seus respectivos personagens na vida real.

| MIB – Homens de Preto 3 | Um bem-vindo (e satisfatório) retorno

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2012, Ficção Científica with tags , , , , , , , , , , , , , on 26 de maio de 2012 by Lucas Nascimento


Túnel do tempo: O agente J (Will Smith) e o rejuvenescido agente K (Josh Brolin)

No quarto parágrafo, há algumas revelações sobre a trama (nada muito revelador, mas esteja avisado)

Viagem no tempo sempre foi um dos temas mais interessantes da ficção científica no cinema, tendo ganhado boas obras que fazem jus a seu imenso potencial – a maior delas, sem dúvidas é a trilogia De Volta para o Futuro. E é justamente dessa fonte da qual MIB – Homens de Preto 3 toma bastante inspiração, rendendo uma aventura divertida e que rende ótimos momentos.

A trama traz o agente J (Smith) voltando para o ano de 1969, na tentativa de salvar seu parceiro K (Jones) do perigoso alienígena Boris, o Animal (Jemaine Clement) que após assassiná-lo no passado, criou uma realidade alternativa onde a Terra é vítima de uma invasão. Com a ajuda do rejuvenescido K (Josh Brolin), J deverá impedir o vilão e salvar o mundo.

Foram dez anos desde o último MIB, e se o longa anterior não alcançava o mesmo nível do original, já é um progresso notar como o terceiro filme já é um aprimoramento. O roteiro de Etan Cohen, David Koepp, Jeff Nathanson e Michael Soccio (apesar de apenas Cohen ser creditado) mostra-se mais forte e melhor trabalhado, ousando (e divertindo-se) com os conceitos de viagem no tempo. Muitas vezes na forma de Griffin (o relaxado Michael Stulhbarg, de Um Homem Sério), o texto cria discussões interessantes ao mesmo tempo em que brinca com a ideia de que uma simples ação pode mudar o futuro de meios inimagináveis (vide a piada com K esquecendo a gorjeta).

Dentro dessa lógica de viagens no tempo, é importante ressaltar que o diretor Barry Sonnenfeld não as leve tão a sério (e nem deveria, já que isso é uma comédia). No entanto, isso não impede que os roteiristas cometam erros enormes de continuidade. Exemplo: quando J luta contra Boris no clímax, ele usa o dispositivo de viagem no tempo para retornar há alguns minutos atrás e aprender os golpes de seu oponente. Mas ao voltar no tempo, deveria haver dois agentes J (da mesma forma como acontece com Boris, que retorna e alia-se com sua própria versão de 1969) e não um agente J que tenha a consciência da informação que acabou de obter. Não sou nenhum expert no assunto, mas há uma irregularidade aí.

Ainda assim, com o cenário seiscentista bem estabelecido (há espaço para boas gags envolvendo celebridades da época), o elenco consegue trabalhar à vontade. Will Smith está habitualmente carismático e Tommy Lee Jones mantém sua boa presença – mesmo que em tempo consideravelmente menor em tela – mas quem chama a atenção é o ótimo Josh Brolin, que recria com sucesso e maestria os maneirismos de Jones como o jovem K, conseguindo também acrescentar uma camada de sentimentalidade ao personagem e uma química genuína com Smith – merecendo uma indicação ao Oscar pela impecável performance. Do lado alienígena do elenco, Jemaine Clement faz de Boris um belo vilão, mesmo que o mérito de sua presença fique mais em sua caracterização do que atuação.

Acertando também nas sempre incríveis maquiagens de Rick Baker, MIB – Homens de Preto 3 é um belo entretenimento e que traz conceitos de viagem no tempo muito interessantes e momentos sentimentais convincentes. Citando Griffin, essa é uma realidade na qual o terceiro filme se sai até melhor do que o primeiro.

| Os Descendentes | Honrando a camisa florida

Posted in Cinema, Críticas de 2012, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , on 5 de fevereiro de 2012 by Lucas Nascimento

4.0


George Clooney e Shailene Woodley em um momento crucial da trama

Todo mundo tem uma certa impressão sobre o Havaí. A maioria das pessoas tende a vê-lo como um paraíso tropical, um lugar para relaxar e isentar-se dos problemas rotineiros; imagem estabelecida por inúmeros filmes e seriados de TV. Os Descendentes mostra que sim, o Havaí é lindo e maravilhoso, mas nem por isso são todos os seus habitantes.

A trama gira em torno de Matt King (George Clooney), poderoso homem de negócios que se encontra em um grande problema quando sua mulher entra em coma, deixando-o responsável pelas duas filhas. Além disso, tem que tomar uma decisão importante em uma venda de terras que será definitiva para o estado e com um segredo deixado pela esposa.

Adaptado da obra de Kaui Hart Hemmings, Os Descendentes superou minhas expectativas. Alexander Payne não dirigia um longa desde Sidways – Entre Umas e Outras, e compensa a ausência de 8 anos com a divertida, e ao mesmo tempo dramática, história de Matt King. Com uma perceptível alma indie, Payne comanda o filme com leveza e humor, destacando as paisagens havaianas e criando planos originais (como a cena da piscina, onde as lágrimas de um dos personagens se escondem debaixo da água), assim como respeita algumas tradições típicas do Havaí; como retirar os sapatos antes de entrar em casa e a presença de camisas floridas até em reuniões de negócios. Payne também co-assina o roteiro, com Nat Faxon e Jim Rash e cria passagens memoráveis – o uso da narração em off nos minutos iniciais é bem aplicado e auxilia na introdução à trama e seus personagens – além de trabalhar muitíssimo bem seus personagens.

Merecem aplausos também o talentoso elenco reunido aqui. A começar por George Clooney, que só tem recebido elogios por sua performance aqui, e  ele certamente  os merece; o ator mostra-se muito carismático e consegue fazer de King um personagem realista e natural (com leves toques de bizarrice, como na hilária cena da corrida), ao mesmo tempo em que retrata seu lado frágil. É admirável também a química de Clooney com as intérpretes de suas filhas Scottie e Alexandra, Amara Miller e Shailene Woodley (ambas excelentes, mas Woodley chama mais atenção pela força/vulnerabilidade emocional de sua personagem) e como fica evidente a dificuldade do pai em lidar com as duas. De coadjuvantes, Matthew Lillard faz uma participação memorável como um corretor de imóveis – sem querer estragar uma surpresa da trama.

Os Descendentes é um filme maravilhoso, com um ritmo divertido e emocionante. É difícil para mim colocar em palavras o quanto gostei do filme, então digo apenas que é um longa que merece ser visto e que faz jus às suas indicações ao Oscar. Aloha!

| Planeta dos Macacos: A Origem | Clássico da ficção científica ganha vida nova

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2011, Ficção Científica, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , , , , on 27 de agosto de 2011 by Lucas Nascimento

4.0


Só faltou o Kong: Liderados por Cesar, os símios atacam a ponte Golden Gate

Eu estou muito orgulhoso e satisfeito com a Fox. Por muitos anos, a empresa foi responsável por alguns dos blockbusters mais imbecis da atualidade, cujo foco não passava além de arrecadação nas bilheterias (pra citar um exemplo, X-Men Origens: Wolverine). Vida nova no estúdio, que acerta grande pela segunda vez este ano (quem esqueceu do X-Men – Primeira Classe?) com um excelente retorno ao Planeta dos Macacos.

Inspirando-se no quarto filme da franquia (A Conquista do Planeta dos Macacos, de 1972), a trama mostra os eventos que levaram os símios a dominarem o planeta, girando em torno do macaco Cesar e as alterações genéticas que o tornaram superinteligente.

Planeta dos Macacos: A Origem é uma grande surpresa. Na minha opinião tinha tudo para dar errado, mas felizmente o resultado é mais do que satisfatório. A começar pelo roteiro de Ricka Jaffa e Amanda Silver, que traça perfeitamente a saga dos personagens e cria diálogos e situações eficientes que sucedem em contar bem a história – mesmo que não escape de algumas incoerências (como uma explicação mais elaborada no vírus ALZ 112). De quebra, ainda há muito respeito pelo original (atenção a uma importante notícia de jornal) e diversas referências empolgantes (fiquem até o fim dos créditos!

Com um roteiro consistente em mãos, o diretor Rupert Wyatt respeita o material e elabora diversas táticas visuais para adaptá-lo às telas, mostrando-se um talentoso contador de histórias que sabe bem quando equilibrar o drama (é tocante a cena em que Cesar olha assustado a seu redor após proteger seu mentor) e a ação – aqui, um espetacular ataque na ponte Golden Gate. Wyartt também mostrou habilidade em trabalhar com efeitos visuais impressionantes.

Encarregados pela Weta – a empresa de Peter Jackson que trabalhou em O Senhor dos Anéis, King Kong, Avatar, entre outros – os efeitos digitais que criam os diversos sídios do filme garantem a eles um realismo assombroso. Chimpanzés, gorilas e orangotangos enchem as telas e têm todas as suas feições e movimentos espelhados pelo CG, que conta com a tecnologia de captura de performance (a mesma de Avatar), que  ajuda a fortalecer a sensacional performance de Andy Serkis.


A tecnologia de captura de performance transforma Andy Serkis no macaco Cesar

Serkis, especialista em personagens computadorizados, mostra mais uma vez que tais performances merecem reconhecimento de premiações. Perfeito como o macaco Cesar, ele utiliza como grande trunfo os olhos (humanos ao extremo), que servem para o personagem expressar-se de forma bem subjetiva, e a captura de performance mantém o impecável trabalho do ator, que merece uma indicação ao Oscar pelo trabalho.

Mesmo com Cesar na linha narrativa principal, os humanos também conseguem brilhar. James Franco continua apresentando imenso talento ao preencher o dr. Will Rodman de determinação, enquanto John Lithgow acerta ao explorar corretamente a doença do pai de Will. Do outro lado, Freida Pinto serve apenas como enfeite e Tom Felton repete o estilo malvado do Draco Malfoy de Harry Potter, ganhando destaque por trazer de volta os icônicos bordões de Charlton Heston.

Entre os valores técnicos, a direção de arte é criativa no design dos laboratórios e nas terríveis jaulas onde os macacos ficam aprisionados. A montagem é ágil e bem coordenada – principalmente nas cenas de ação – e a trilha sonora de Patrick Doyle é excelente, empolgando nos momentos mais radicais a passo em que funciona também nos mais dramáticos.

Alcançando o efeito de reboots como Star Trek e Batman BeginsPlaneta dos Macacos: A Origem é um ótimo retorno à franquia original – não incluo aí o fraco remake de Tim Burton – e um dos melhores blockbusters do ano, repleto de agradáveis referências e uma trama bem equilibrada e cheia de conteúdo para refletir. Parabéns Fox, continue assim.

Ficha Técnica

| Taxi Driver | O Homem em busca de seu propósito

Posted in Clássicos, Críticas de 2011 with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 19 de junho de 2011 by Lucas Nascimento


Robert DeNiro e o diretor Martin Scorsese, que faz uma ponta no filme

Poucos filmes americanos já realizados têm o mesmo impacto de Taxi Driver. Dirigido por Martin Scorsese, é uma obra prima magnífica movida por um estudo de personagem fascinante, com ênfase no descontrole mental e na vontade/necessidade do ser humano em “sair da coleira” e fazer algo completamente imprevisível.

Partindo do roteiro de Paul Scharder, a trama é sobre Travis Bickle, um veterano da Guerra do Vietnã que agora trabalha como taxista em uma decadente Nova York dos anos 70. A imundice e a podridão da sociedade o fazem iniciar uma luta para “limpar as ruas” e acabar com a prostituição, por meios violentos e sem precedentes.

Em mãos diferentes, Taxi Driver poderia até ser um filme de super-herói; com um sujeito normal saindo de sua zona de conforto em prol do bem maior, no entanto Martin Scorsese conduz a trama com o intuito de atingir algo maior, resultando em um devastador retrato psicológico do ser humano, simbolizado por Travis Bickle. O motorista de taxi não sabe exatamente qual o seu próposito ou seu objetivo específico, mas sua vontade de agir, em meio a uma tremenda solidão, é muito bem caracterizada pela performance magistral de Robert DeNiro.

Interpretando Travis com uma vivacidade extraordinária, o ator entrega uma das melhores performances de sua carreira – marcando sua segunda parceria com Scorsese. Começando como um homem normal, ele passa por uma transformação impressionante iniciada na excelente conversa com seu parceiro Wizard, onde o desejo animal e a ambição indescritível de Travis são perceptíveis apenas pelas expressões e os  gaguejos de DeNiro (“Estou com umas ideias ruins na cabeça”, ele diz); mesmo falando pouco e sem saber exatamente o que procura, é bem evidente para o espectador o que passa pela mente do personagem.

You talkin’ to Me?


Você tá falando comigo? A frase que virou bordão

Scorsese utiliza de diversas ferramentas para retratar essa transformação, como se buscasse um estopim. Um exemplo notável é quando ele encontra-se com colegas taxistas em uma lanchonete, e joga um analgésico em seu copo de água. O remédio começa a dissolver-se e borbulhar na água, enquanto Travis o observa atentamente; de forma como se ele estivesse, igualmente, borbulhando por dentro.

E se ele precisava de um estopim, encontrou-o ao conhecer a bela Betsy (Cybill Shepherd). A jovem trabalha em um escritório do partido do candidato à presidência Charles Palantine (vivido por Leonard Harris) e Travis é instantânemamente atraído por sua beleza radiante, que destaca-se em meio ao “resto” da sociedade (“Eles não podem tocá-la”). No entanto, difícil de se relacionar, o taxista estraga tudo depois de um encontro profundamente constrangedor em um cinema pornô. Scorsese faz algo curioso aqui: em uma conversa de telefone entre Betsy e Travis (do ponto de vista do protagonista), o diretor lentamente afasta a câmera do personagem, como se a tentativa de reconciliação do protagonista fosse tão patética a ponto de que a narrativa não necessitasse desperdiçar tempo naquela cena. Sutil, mas brilhante.

Isso leva o sujeito a desenvolver uma psicótica obssessão em assassinar o tal candidato, certamente em uma tentativa de chamar a atenção de Betsy. Ele compra armas e começa a treinar com elas, especialmente na clássica cena do “You talkin’ to me”, onde o taxista solta ameaças e gritos contra um espelho. Curiosidade: DeNiro improvisou a cena inteira,  a passo que o roteiro apenas dizia “Travis olha-se no espelho”. Incrível como tantas coisas marcantes acontecem fora do planejado.

A Chuva de Travis Bickle


A jovem Jodie Foster rouba a cena ao interpretar a prostituta Iris

Mas quando Travis fica obcecado em ajudar uma prostituta de 13 anos chamada Iris (vivida pela scene-stealer Jodie Foster, indicada ao Oscar por sua carismática performance), a trama fica ainda mais interessante. Isso porque vemos o sujeito criando afeição pela camada da sociedade que ele considera a podridão da cidade, apenas esperando por uma grande chuva que a lave das calçadas. Fica claro para o sujeito que muitos dos membros dessa camada não passam de vítimas. Nesse ponto, o motorista de taxi encontra seu objetivo e abraça sua missão, encarnando uma espécie de vigilante (com direito a um icônico moicano) e obceca-se em salvar Iris da prostituição, culminando em um violento clímax de tiroteio contra cafetões e criminosos.

O que nos leva – alguns spoilers aqui – àquela cena final. Taxi Driver oferece uma conclusão subjetiva para sua trama. Vemos Travis aparentemente normal, estabilizado e de volta ao seu emprego de taxista e levando Betsy, que está maravilhada com sua bem sucedida façanha sobre os criminosos, para sua casa. Uma conclusão assim é perfeitamente aceitável para quem aprecia um final feliz, mas os céticos sempre apontam uma segunda opção; no caso, a de que esse final seria imaginação de Bickle e que este teria morrido no tiroteio para salvar Iris. A partir deste ponto, é o espectador quem tira suas conclusões e teorias (ainda é necessário considerar o misterioso som quando o protagonista ajeita o retrovisor do táxi) e decide o destino de Travis Bickle. É a magia do cinema.

Por cima disso tudo, temos a hipnotizante trilha sonora de Bernard Herrmann. Autor de memoráveis composições (que vão de Cidadão Kane à Psicose) o maestro tem muita influência de jazz na música de Taxi Driver, com predomínio do teclado e do saxofone suave, que vai lentamente agravando seu tom. É uma ótima trilha, e infelizmente seu criador morreu algumas horas depois de terminá-la (em Dezembro de 1975), não tendo visto o impacto da obra ou sua indicação póstuma no Oscar da categoria.

Scorsese conduz a trama com a mesma eficiência com que Travis dirige seu taxi; vemos de tudo, acompanhamos diversos personagens e um retrato único da sociedade setentista, tudo pelos olhos de uma alma psicologicamente perturbada e isolada. Taxi Driver é a obra-prima do cineasta e um dos melhores filmes de todos os tempos.

O Mundo e os Sete Mares | Especial PIRATAS DO CARIBE – NAVEGANDO EM ÁGUAS MISTERIOSAS

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 17 de maio de 2011 by Lucas Nascimento

Yo-ho e uma garrafa de rum! Certo, está estreando mundialmente nos cinemas Piratas do Caribe – Navegando em Águas Misteriosas, que promete mais Jack Sparrow para o público. Acompanhem o especial:


Johnny Depp e o diretor Rob Marshall

Em 2007, parecia que a franquia bilionária de Piratas do Caribe teria feito sua última aventura, com o mediano capítulo entitulado No Fim do Mundo. Mas mesmo com críticas ruins, o filme garantiu uma excelente arrecadação nas bilheterias e o Jack Sparrow de Johnny Depp tornara-se um ícone do cinema moderno. A Disney e o produtor Jerry Bruckheimer nem hesitaram: a quarta aventura ia sair.

Para o camaleão Johnny Depp isso não seria problema, já que o ator compartilhou diversas vezes sua alegria e prazer em fazer o personagem; ,o entanto, o diretor Gore Versbinsky anunciou sua saída do comando da franquia para aventurar-se em novos projetos (como Rango, com o próprio Depp). Então, inicia-se a busca pelo novo diretor e o contratado foi Rob Marshall (especializado em musicais, como Chicago e Nine); será que tem número musical no filme?

Johnny Depp em PIRATAS DO CARIBE - NAVEGANDO EM ÁGUAS MISTERIOSAS
Sem Will ou Elizabeth, Jack Sparrow agora é o centro das atenções

Além de Gore Verbinsky, dois protagonistas da trilogia original recusaram convite para a quarta aventura: Keira Knightley e Orlando Bloom, que duvidavam dos rumos de seus personagens e, como Verbinsky, queriam tentar novos papeis. O que faz com que Jack Sparrow segure boa parte do filme sozinho…

Com diretor fechado e roteiro – baseado sutilmente no livro On Stranger Tides de Tim Powers – escrito pela habitual dupla da franquia Ted Elliott e Terry Rossio, as filmagens ambientadas no Havaí, Califórnia e Londres começam. Entrando na onda do 3D, o filme teve parte de suas filmagens realizada com câmeras dessa tecnologia, usando a conversão apenas em momentos específicos. Na trilha sonora, o responsável é (novamente) o genial Hans Zimmer, que dessa vez faz uma parceria com o dueto Rodrigo y Gabriela.

Piratas do Caribe – Navegando em Águas Misteriosas também pretende iniciar uma nova trilogia, mas com círculo de trama fechado – diferentemente da trilogia original – e que apresente novas histórias. Só espero que saibam a hora de parar.

Capitão Jack Sparrow | Johnny Depp

Ainda bêbado e excêntrico, Jack precisa agora encontrar, a pedido dos ingleses, a mística Fonte da Juventude. Dessa vez, sem o seu precioso Pérola Negra, o que o leva a embarcar no Queen Anne’s Revenge, o navio do temível Barba Negra e retomar uma aliança com Hector Barbossa, sua antiga tripulação e sua ex-namorada Angelica.

Hector Barbossa | Geoffrey Rush

Saído de seus dias de pirataria, Barbossa agora é um corsário no reino de George II e capitão de um navio chamado HMS Providence. Ele aceita ajudar Jack em sua busca pela Fonte, alertando-os sobre os perigos que virão pelo caminho.

Angelica | Penélope Cruz

Filha de Barba Negra, Angelica é uma excêntrica ex-namorada de Jack, que rapidamente tenta convencê-lo a ajudar seu pai durante a busca pela Fonte, nunca demonstrando se seria amor ou interesse.

Barba Negra| Ian McShane

O pirata mais temido dos sete mares, Barba Negra está desesperado para ter sua juventude de volta, por isso vai atrás da Fonte e não mede esforços para encontrá-la. É capitão do Queen Anne’s Revenge.

Previously on Pirates of the Caribbean…

A Maldição do Pérola Negra (2003)

Grande surpresa em sua época de lançamento, a aventura apresentava uma energia contagiante misturada com uma cativante história e um ótimo elenco, liderado por Johnny Depp no papel principal (que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator). Um divertido e genuíno entrenimento.

Arrecadação nas Bilheterias: Us$ 655,011,224

O Baú da Morte (2006)

Com uma bilheteria bilionária, o segundo filme é mais complexo e sombrio, apresentando personagens interessantes (o Davy Jones de Bill Nighy entra para a história) e rumos diferentes de seu anterior, mas ainda flertando com elementos sobrenaturais. As cenas de ação são melhores e Depp continua perfeito no papel.

Arrecadação nas Bilheterias: Us$ 1,065,659,812

No Fim do Mundo (2007)

Aqui a franquia vai por água abaixo ao explorar novos elementos e arriscar reviravoltas constantes e incompreensíveis, tornando o filme uma bagunça estrutural e de roteiro, apesar de conter excelentes efeitos visuais, uma batalha final memorável e mais uma carismática performance de Depp.

Arrecadação nas Bilheterias: Us$ 960,996,492

Algumas apostas que a Disney e Bruckheimer vêm fazendo na desesperada tentativa de encontrar um substituto para Piratas:

A Lenda do Tesouro Perdido

Provavelmente o mais sucedido, as aventuras de um grupo de caçadores de tesouro é muito divertida e leve, no mesmo tom de aventura de Piratas, apresentando boas ideias e uma execução formidável. Gerou dois filmes, sendo que o primeiro é superior em quase todos os aspectos. 

Príncipe da Pérsia

Não assisti à adaptação do popular videogame, mas a intenção em criar uma nova franquia é bem evidente… O primeiro não me chama a atenção, o que dirá uma sequência?

O Aprendiz de Feiticeiro

A mais patetica tentativa de iniciar uma franquia já feita em muito tempo… Não só Piratas, mas também apresenta elementos de Harry Potter, DragonBall, Star Wars… Tudo num fiapo de roteiro que entrega-se ao ridículo e dá espaço a bons efeitos visuais. Eu não veria outro desse…

Aqui, uma pequena aula de História sobre alguns piratas famosos:

Barba Negra, vulgo Edward Tech

Um dos mais notórios e famosos piratas de todos os tempos – presente no quarto Piratas do Caribe –, Edward Tech era um corsário a serviço da Coroa Britânica, mas voltou-se para a pirataria e tornou-se capitão do Queen Anne’s Revenge. Cruel e amedrontador, assustava sua tripulação e inimigos ao colocar uma lanterna nas tranças de sua barba, dando a impressão de sua cabeça estar em chamas.

Diz a lenda que Barba Negra escondeu um valiosíssimo tesouro, nunca encontrado por ninguém…

Edward England

Famoso pirata irlandês, era capitão do The Royal James e velejava como a clássica bandeira Jolly Roger. Não era tão desprezível e não matava seus prisioneiros, o que levou a sua decadência: foi amutinado por sua tripulação e depois abandonado na ilha de Maritius, onde mendigou por comida até morrer.

Calico Jack, vulgo John Rackman

Pirata inglês que operava principalmente nas Bahamas, ganhou o apelido em consequência de suas roupas de tecido calico e destacou-se por ter duas tripulantes femininas em sua tripulação (Anne Bonny e Mary Read, famosas piratas que tornaram-se suas amantes). Foi caçado e morto em Royal Port, deixando Anne e Mary grávidas.

Thomas Cavendish

Explorador, almirante e temível corsário inglês, Thomas Cavendish atacou principalmente, territórios brasileiros que incluem São Paulo, vilas de Santos e São Vicente e Espírito Santo, onde foi emboscado em uma batalha e severamente ferido. Thomas morreu após esse ataque.

Bart, o Negro, vulgo Bartholomew Roberts

Um dos maiores piratas da “Era Dourada”, capturou mais de 470 barcos, da América (com direito a visitas no Brasil, com destaque para a Baía de Todos os Santos na Bahia) até o Oeste Africano, entre 1719 e 1722.

Aqui, trago uma galeria das mais famosas “Jolly Roger”, bandeiras que os piratas exibiam em seus navios:

Barba Negra

Calico Jack

Edward England

Henry Every

Edward Low

Christopher Moody

Bartholomew Roberts

Thomas Thew

Hans Zimmer está de volta na trilha de Navegando em Águas Misteriosas, relembremos aqui algumas de suas melhores contribuições para a franquia:

(Obs: Zimmer só compôs para O Baú da Morte e No Fim do Mundo, a ótima trilha do primeiro filme ficou a cargo de Klaus Badelt)

“Davy Jones”

“The Kraken”

“Parlay”

“Singapore”

“Up is Down”

Bônus: Preview da trilha de Navegando em Águas Misteriosas (com Rodrigo y Gabriela)

“Angelica” e “On Stranger Tides” por enquanto são os melhores…

Bem, o especial vai ficando por aqui; espero que tenham gostado e aguardem pela crítica do novo filme. Até!

| O Vencedor | Pura fórmula com ótimas atuações

Posted in Cinema, Críticas de 2011, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , , , , on 4 de fevereiro de 2011 by Lucas Nascimento


A Grande Família: Christian Bale vale o ingresso e o Oscar de Ator Coadjuvante

Christian Bale é um monstro. Começo essa crítica indo direto ao ponto e destacando a performance do ator, que transforma-se na alma do filme que, apesar de conter uma boa química entre o elenco, apresenta uma trama que se desenrola através de pura fórmula gasta e sem introduzir novidades memoráveis no gênero.

O Vencedor foca-se na imensa família de Micky Ward (Mark Whalberg), composta por sua mãe Alice (Melissa Leo), seu pai George, suas irmãs e seu irmão/treinador Dicky Eklund (Bale) e sua relação com o mundo do boxe profissional. Outrora campeão e grande lutador, Dicky é a inspiração de Micky, que tenta seguir os passos de seu irmão e atingir mais sucesso e dinheiro, para cuidar de sua filha.

Partindo da premissa clássica e esgotada do lutador de boxe em decadência, o filme indicado a 7 Oscars (incluindo Melhor Filme) não apresenta novidades ou situações inesperadas do gênero – apenas talvez a relação entre a família -, não merecendo toda a atenção vinda das premiações; especialmente a indicação para o diretor David O. Russell, cujo trabalho é razoável (admiro alguns de seus enquadramentos), mas se destaca por dirigir adequadamente seu elenco.

Mark Wahlberg  interpreta Micky – e também produz o filme –  com um carisma agradável e competente, mas seu personagem é tão cheio de clichês que o ator se repete em diversos momentos. Os holofotes são mesmo de Christian Bale, que entrega uma performance assustadora e magnética; magro a beira da bulimia, o ator consegue que seu personagem – mesmo que com falhas e hábitos reprováveis (como o uso de crack) -, ganhe a admiração do espectador, por apresentar uma energia contagiante no terceiro ato e por sua devoção à seu irmão. Uma atuação arrasadora.

Do outro lado do ringue, temos Melissa Leo e Amy Adams, ambas indicadas por suas personagens Alice e Charlene. A favorita é Leo, mas sinceramente, não achei sua performance digna de prêmio. É um papel forte, de fato e a atriz o faz muito bem (admiro como a força de Alice só é abalada por seu filho Dicky), mas o favoritismo deve ser uma consolação por sua derrota em 2009 com Rio Congelado… Amy Adams continua se sobressaindo; está melhor, mais carismática e apresenta uma carga dramática maior à sua Charlene.

O Vencedor é um filme cuja trama de desenvolve por pura “fórmula” do gênero, por isso, espere ver Mark Whalberg correndo no frio à la Rocky, mas surpreenda-se com a memorável performance de Christian Bale. De fato, o verdadeiro “vencedor” do título.

Obs: Amanhã tem crítica de Cisne Negro!