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Os Mestres do Oscar 2014| Volume IV: Categorias Principais

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 27 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

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Chegamos à parte final do meu especial sobre o Oscar 2014! Aqui, analisaremos as categorias principais, passando pelos Roteiros, Diretores e, claro, os 9 filmes indicados. Vamos lá:

OBSERVAÇÕES:

  • Clique nos nomes de cada profissional para conferir seu histórico de indicações ao Oscar
  • Abaixo de cada perfil estão os prêmios que cada filme já garantiu na respectiva categoria
  • Nas categorias de ROTEIRO ORIGINAL e ROTEIRO ADAPTADO, clique nos títulos de cada filme para seu o roteiro completo em inglês (curiosamente, a Sony não liberou nenhum de seus 5 roteiros indicados)

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Qual é o parasita mais resistente? Uma ideia. Uma ideia completamente original é muito difícil de ser encontrada atualmente, mas de vez em quando, algumas muito boas aparecem em determinados roteiros. Os indicados são:

Blue Jasmine | Woody Allen

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Como um iniciante na vasta carreira de Woody Allen (não assisti a nem metade de seus 49 filmes), fui surpreendido por seu Blue Jasmine. Depois de 3 comédias leves, Allen aposta em uma densa tragédia de humor negro, que balança mais para o lado dramático do que o de humor, servindo como um poderoso estudo de personagem. Jasmine é a alma do projeto, sua irremediável e inevitável autodestruição, algo que o roteiro acerta ao colocá-la em situações que testam sua paciência e promovem um confronto de ideias/opiniões (vide sua irmã, o namorado desta, etc). Mas minha característica preferida aqui é o uso de digressões temporais (flashbacks) bem posicionados para revelar, aos poucos, os elementos que resultaram na queda de Jasmine da alta classe – deixando o surpreendente estopim para o final.

Quotação Memorável: “Quando a Jasmine não quer saber de alguma coisa, ela tem o hábito de olhar pro outro lado” – Ginger

Clube de Compras Dallas | Craig Borten e Melisa Wallack

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Por anos na conceituada “Black List” dos roteiros americanos, o roteiro de Clube de Compras Dallas é assinado pelos estreantes Craig Borten e Melisa Wallack, que adaptam o período da vida real do eletricista Ron Woodroof quando este descobre ser vítima do mortal vírus da AIDS – passando a contrabandear medicamentos ilegais. O texto da dupla é eficaz ao apresentar diversas críticas sobre temas como homofobia, burocracia farmacêutica, entre outros; mas é de se impressionar com o bem-vindo senso de humor excepcionalmente bem colocado na trama pesada. Sendo um filme centrado em seus personagens, é de se admirar com a eficiente construção das relações entre estes: como opiniões colidem, visões mudam e atitudes são modificadas.

Quotação Memorável: “Cuidado com o que vocês comem e quem vocês comem” – Ron Woodroof

Ela | Spike Jonze

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O mérito do roteiro de Spike Jonze já pode ser encontrado em sua fascinante premissa, que traz um sujeito depressivo apaixonado pelo sistema operacional de seu computador. Passado o choque inicial da ideia, Ela transforma-se em um estudo sensível e delicado a respeito do amor e a forma como a tecnologia pode influenciar as relações humanas – e o quão interessante pode ser a noção de uma máquina adquirir sentimentos e consciência própria. Jonze sutilmente coloca elementos de ficção científica na trama, mas se concentra principalmente em seus personagens, que protagonizam fabulosos diálogos e situações completamente inusitadas (a ideia mais inspirada certamente é o “avatar” utilizado por Samantha no mundo real, coisa de gênio). Ela traz muitas questões em suas palavras, e Jonze ganhou praticamente tudo o que é preciso ganhar para garantir uma vitória aqui. Absolutamente merecido.

Quotação Memorável: “O coração não é como uma caixa que você pode preencher; ele expande seu tamanho à medida em que você ama. Eu sou diferente de você. Mas isso não me faz te amar menos. Na verdade, me faz te amar mais ainda” – Samantha

  • WGA – Roteiro Original
  • Globo de Ouro
  • Critics Choice Awards

Nebraska |Bob Nelson

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Em seu primeiro trabalho no cinema, Bob Nelson já descolou uma indicação ao Oscar. Nada mal e merecido, já que seu texto em Nebraska é divertido e bem desenvolvido, apresentando um acertado mix de diversos temas diferentes. Há a saga de auto-satisfação do protagonista Woody Grant, as problemáticas relações familiares (pai e filho, marido e mulher, irmão e irmão), a cobiça, valores do passado e outros pequenos elementos que se complementam com eficiência ao longo da narrativa centrada. É interessante como Nelson aposta na lentidão (o que geralmente é um problema) para situar e contextualizar alguns dos personagens (especialmente a família do irmão de Woody, mergulhada na monotonia) para gerar situações engraçadas, seja através de figuras caricatas (os irmãos Bart e Cole, por exemplo) ou situações absurdas (dois “mascarados” esperando para executar um ataque). Uma história simples, mas com ótimo desenrolar.

Quotação Memorável:

“- Por que você e a mamãe tiveram filhos?
– Porque eu gostava de trepar. E a sua mãe é Católica, então já sabe” – David Grant, Woody Grant

Trapaça | Eric Singer e David O. Russell

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Nos segundos iniciais de Trapaça, um divertido letreiro alerta que “alguns desses eventos até aconteceram mesmo”. Enquanto é difícil identificar o que aconteceu e o que é pura ficção (ou se é tudo ficção, quem sabe), deve-se apontar a bipolaridade presente no texto de David O. Russell e Eric Singer. Sugeri na minha crítica que a dupla teria dividido suas funções, com Russell se dedicando mais à parte de relações pessoais (o que funciona, mas graças ao elenco) e Singer ficando a par dos elementos voltados à golpes, trapaças e dois canos fume… Não, filme errado. No fim, o roteiro de Trapaça comete o erro de tentar complicar sua trama – que é mais simples do que aparenta – e dar voltas, ao repetir frases como “Todo mundo trapaceia para sobreviver” ou diversas outras versões alternativas. O humor e os diálogos são bem acertados, porém.

Quotação Memorável: “Eu sou como um vietcongue. Estou dentro, estou fora, mas você não me vê ali.” – Irving Rosenfeld

  • BAFTA

APOSTA: Ela

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Trapaça

MEU VOTO: Ela

FICOU DE FORA: Short Term 12

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Você provavelmente nunca ouviu falar em Short Term 12, o que é uma pena. A produção indie do novato Destin Cretton é de uma qualidade fantástica, pegando a batida temática de jovens disfuncionais e oferecendo um tratamento poderoso graças à força de seus personagens e a sutileza de suas subtramas. Não está disponível no Brasil, e acho difícil que esteja tão cedo.

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Quando uma ideia completamente original está em falta, resta recorrer à livros, artigos, peças ou desenvolver continuações; podendo simplesmente adaptá-la à tela grande, ou criar algo novo a partir de seu argumento. Os indicados são:

12 Anos de Escravidão |John Ridley, baseado no livro “12 Anos de Escravidão” de Solomon Northup

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John Ridley tinha uma extraordinária história de sobrevivência em mãos. A jornada de escravidão de Solomon Northup não é uma história para os fracos de coração, e Ridley certifica-se de manter os elementos mais cruéis e brutais desta, em um retrato que mantém o foco exclusivamente em seus personagens durante os 12 anos do título. O que me chama a atenção, é a construção de seu protagonista: um homem livre desacostumado em obedecer ordens brutas e ser atacado com insultos baixos, o que leva Northup a travar diálogos excepcionalmente bem escritos com seus diferentes mestres – fator que o diferencia dentro do gênero. Toda a execução da narrativa funciona, seja na linha do protagonista ou nas subtramas (como aquela envolvendo o fazendeiro Epps e a escrava Patsey). O roteiro de Ridley é forte.

Quotação Memorável: “Eu não quero sobreviver. Eu quero viver” – Solomon

  • Critics Choice Awards
  • USC Scripter

Antes da Meia-Noite | Julie Delpy, Ethan Hawke e Richard Linklater, baseado nos personagens de Richard Linklater

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Fico triste pela ausência de Antes da Meia-Noite em mais categorias, mas ao menos seu impecável roteiro foi lembrado pela Academia. Escrito por Richard Linklater e preenchido com diversas improvisações de Ethan Hawke e Julie Delpy, a terceira parte da trilogia romântica se diferencia radicalmente dos anteriores por apresentar uma trama mais “sombria”, explorando os problemas de relacionamento entre Jesse e Celine, 18 anos após seu primeiro encontro. Elegantemente destrói a ideia de “felizes para sempre”, contando com as habituais longas conversas teatrais e aqui com mais personagens que obtém tempo de cena. Algo que, se tira o foco do casal por alguns instantes, oferece interessantes paralelos e reflexões a respeito da relação de Jesse e Celine. E outra, eu assistira facilmente ao filme que Jesse elabora brevemente.

Quotação Memorável: “Eu fodi a minha vida toda por causa do jeito que você canta” – Jesse

Capitão Phillips | Billy Ray, baseado no livro “Dever de Capitão” de Richard Phillips

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Paul Greengrass é conhecido por seu desejo de reproduzir fatos reais com fidelidade quase documental (vide seu trabalho excepcional em Voo United 93). Agora, se o roteiro de Billy Ray segue à risca todos os eventos envolvendo o sequestro do Capitão Richard Phillips é outra história, mas o que importa aqui é que seu texto cumpre o serviço; sendo capaz de prender o espectador na história – que se concentra quase que inteiramente na situação de risco do protagonista. O mais interessante, porém, foi a admirável decisão de Ray em apresentar tanto Phillips como o Muse (líder dos piratas) como seres multifacetados: em nenhum momento o líder dos piratas é visto como um vilão arquétipo, nem Phillips (ou a Marinha) como um símbolo de soberania estadunidense (uma bobagem que algumas pessoas conseguiram encontrar no filme). No fim, é o poder do choque sobre um ser humano seguro (e as ações que o despedaçam) que prevalece.

Quotação Memorável: “Eu sou o capitão agora” – Muse

  • WGA – Roteiro Adaptado

O Lobo de Wall Street | Terence Winter, baseado no livro “O Lobo de Wall Street” de Jordan Belfort

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Em cerca de 3 horas de duração, o roteiro do estreante (em cinema) Terrence Winter é eficaz ao reunir diversos eventos importantes da vida do corretor Jordan Belfort. Como leitor do livro, parabenizo Winter pelo ótimo trabalho de adaptação ao tomar liberdades criativas com a história, ao pegar diferentes elementos da história e costurá-los em um único grande evento; causando maior impacto cinematograficamente. Mas adaptações à parte, a prosa de Winter é excepcional ao trazer diálogos inteligentes (a forma delicada de como se desenrola aquele entre Jordan e um agente do FBI é tão empolgante como um duelo de armas de fogo), engraçados e completamente situados no mundo das ações de Wall Street. As digressões de seu protagonista (seja em narrações em off ou em quebras de 4ª parede) são divertidíssimas e envolventes.

Quotação Memorável: “Às vezes quando se vai bancar o vilão de James Bond, precisa estar à altura do papel” – Jordan Belfort

Philomena | Steve Coogan e Jeff Pope, baseado no livro “Philomena: A Mother, Her Son, and a Fifty-Year Search”, de Martin Sixmith

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E mais uma história real (impressionante, não? 6 dos 10 indicados de ambas as categorias são baseados em fatos verídicos) é reconhecida pela Academia, o consistente roteiro de Philomena. Seu grande mérito certamente reside nos diálogos entre os protagonistas, especialmente os divertidos choques de opiniões entre os dois; o que leva o texto de Pope e Coogan a abrir algumas discussões a respeito de religião, a repreensão de instinto sexuais, mídia e uma sombria revelação que coloca em xeque algumas práticas da antiga Igreja Católica. Mas no fim, Philomena agrada pelo tom leve e o eficiente equilíbrio entre humor e drama.

Quotação Memorável: “Nunca estive no México, mas imagino que seja adorável. Com exceção dos sequestros” – Philomena

  • BAFTA
  • Festival de Veneza

APOSTA: 12 Anos de Escravidão

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Capitão Phillips

MEU VOTO: Antes da Meia-Noite

FICOU DE FORA: The Spectacular Now | Scott Neustadter e Michael H. Weber, baseado no livro “The Spectacular Now”, de Tim Tharp

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Ainda sem previsão de lançamento em Home Video no Brasil (no cinema, muito menos), The Spectacular Now passou despercebido por diversas premiações. Uma pena, já que a adaptação de Scott Neustadter e Michael H. Weber (dupla responsável por (500) Dias com Ela) para o romance de Tim Tharp surge como uma das mais honestas, divertidas e bem feitas obras sobre amadurecimento pós-colegial, aquele drama todo. A dupla encontra na complexa figura do protagonista Sutter Keely uma oportunidade de traçar um envolvente estudo de personagem, com uma subtrama amorosa que agrada pela espontaniedade. Assistam.

diretor

Já vimos dezenas de categorias nas quatro partes deste especial. Mas apenas uma pessoa pode ter o controle absoluto sobre ela, mudar o que quiser e comandar para atingir o resultado desejado: o diretor. Os indicados são:

Alfonso Cuarón | Gravidade

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Assim como James Cameron fez em Avatar, Alfonso Cuarón desenvolveu novas tecnologias e câmeras para contar sua história em Gravidade – costumo brincar ao dizer que este dirigiu o filme numa caixa. Mas atrevo-me a dizer que o resultado alcançado pelo diretor mexicano tenha sido ainda mais fascinante do que aquele visto em 2009: Cuarón aposta em longuíssimos planos sequência onde a câmera passeia pelo ambiente e seus personagens, garantindo uma imersão completa – com belo uso do 3D – dentro da experiência. Em uma premissa limitada (dois astronautas perdidos no espaço), Cuarón realizou um dos filmes mais emocionantes de 2013.

  • DGA
  • BAFTA
  • Globo de Ouro
  • Critics Choice Awards

Steve McQueen | 12 Anos de Escravidão

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Responsável pelos excepcionais Hunger e Shame, o britânico Steve McQueen enfim parece ter entrado no radar da Academia com seu pesado e dramático 12 Anos de Escravidão. Seu trabalho ganha força por sua decisão em retratar com visceralidade todos os abusos psicológicos e físicos a que eram submetidos os escravos durante o sombrio período do século XIX, o que faz McQueen apostar em longas tomadas de açoitamentos e agressões (e algumas imagens gráficas). Mas o diretor também é extramamente competente nos quesitos técnicos, mantendo seus habituais longos takes (que aqui geram tensão ou simbolizam sutilmente uma longa passagem de tempo) e um cuidado visual detalhista.

Alexander Payne | Nebraska

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Indicado surpresa da categoria (na teoria, a vaga deveria ser de Paul Greengrass), Alexander Payne é lembrado novamente por seu tragicômico Nebraska. A começar pela decisão do diretor em gravar o filme em preto e branco, o que rendeu um tom absolutamente único para a narrativa, que conta com seu comando de forma contida, mas igualmente efetiva. Payne aposta na lentidão de cenas e diálogos para balancear um humor divertido e diversos subtemas poderosos, sendo explorados por completo meramente por mise em scènes simples ou planos detalhados.

David O. Russell | Trapaça

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Em sua terceira indicação ao Oscar na categoria, por seu terceiro filme consecutivo, David O. Russell já vai assumindo um status invejado em Hollywood. Aprecio seu trabalho, mas sua indicação por Trapaça revela um trabalho muito mais contido e centrado em seu elenco (que, repito mais uma vez, é o grande mérito da produção); não é por acaso que os planos de Russell sejam sempre mais fechados, com raríssimas tomadas abertas e movimentos de câmera que se limitam a circular entre os diálogos dos personagens. Russell aproveita o elenco e, aqui e ali, surge inspirado com algumas tomadas musicais (o destaque aqui fica com “Live and Let Die”), mas nada que eu considere espetacular a ponto de uma indicação.

Martin Scorsese | O Lobo de Wall Street

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Martin Scorsese é um monstro sagrado do Cinema, e aos 71 anos de idade recebe sua 9ª indicação na categoria, pela selvagem e frenética condução de O Lobo de Wall Street. A cinebiografia de Jordan Belfort transporta o diretor para seu território de mestre, um no qual não pisava os pés desde a década de 90, em obras como Os Bons Companheiros e Cassino (sem contar o flerte com o gênero em Os Infiltrados). Aliado de um excelente roteiro, uma poderosa atuação central e sua inseparável montadora, Scorsese traça uma narrativa repleta de elementos dinâmicos (quebra de quarta parede, narrações em off, recortes e até confusões mentais de seu protagonista), humor negro afiado e muita segurança ao abusar do conteúdo de sexo e drogas – mas nunca glorificando seu objeto de estudo. Scorsese como não víamos há tempos.

APOSTA: Alfonso Cuarón

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Steve McQueen

MEU VOTO: Alfonso Cuarón

FICOU DE FORA: Paul Greengrass | Capitão Phillips

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Paul Greengrass, como Tom Hanks, parecia uma aposta certeira para uma vaga no Oscar de direção. É uma pena que Greengrass tenha ficado de fora, já que seu comando no intenso Capitão Phillips é seguro, quase documental e de manter o espectador vidrado na cadeira. Câmera incessante, close ups em seus atores e algumas cenas de ação em alto-mar muito bem executadas.

Menções Honrosas:

Joel e Ethan Coen | Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum

Ron Howard | Rush: No Limite da Emoção

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Um homem livre escravizado, um capitão da marinha sequestrado, sistemas operacionais sedutores, astronautas perdidos, corretores da bolsa anárquicos, um pai obcecado com uma fortuna, uma mãe em busca de seu filho e um grupo de golpistas trapaceiros estão entre os indicados a Melhor Filme no Oscar 2014. Vejamos:

12 Anos de Escravidão | Brad Pitt, Dede Gardner, Jeremy Kleiner, Steve McQueen e Anthony Katagas

4.5

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“Excepcional também em seus valores de produção, 12 Anos de Escravidão é uma experiência difícil e pesada. Corajosamente pega um dos gêneros mais delicados do cinema norte-americano e oferece um tratamento visceral e que certamente será lembrado por anos, não só por sua brutalidade, mas também pela força de seu impecável protagonista e o emocionante desfecho de sua dura jornada.”

  • Producers Guild Awards (Empate)
  • Globo de Ouro – Drama
  • Critics Choice Awards
  • BAFTA

Capitão Phillips | Scott Rudin, Dana Brunetti e Michael De Luca

4.5

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Capitão Phillips é intenso do início ao fim, você sabendo ou não o desfecho da história. Tecnicamente impecável e com atuações verossímeis a ponto de nos esquecermos de que isto são apenas imagens fictícias projetadas em tela, Paul Greengrass fez aqui um dos trabalhos mais memoráveis de 2013. Filmaço.”

Clube de Compras Dallas | Robbie Brenner e Rachel Winter

3.5

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“Ao fim, Clube de Compras Dallas é uma história cativante sobre um sujeito interessante, sendo favorecida pelas esforçadas performances de seu elenco principal. O resultado seria melhor com alguns minutos a menos, mas felizmente Matthew Conaughey é bem sucedido ao carregar o filme todo nas costas.”

Ela | Megan Ellison, Spike Jonze e Vincent Landay

4.0

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“Durante suas duas horas de duração, Ela traz conceitos fascinantes e o poder de despertar as mais variadas discussões envoltas em sua narrativa. Seja na presença onipresente de tecnologia ou em sua abordagem moderna e inovadora sobre o Amor, o filme de Spike Jonze é uma obra importante, pontualmente divertida e sensível, que merece múltiplas visitas e análises mais profundas do que uma mera crítica cinematográfica.”

Gravidade | Alfonso Cuarón e David Heyman

4.5

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“Uma das melhores experiências cinematográficas de 2013, Gravidade é uma trama muito intimista e simples narrada com alguns dos recursos mais grandiloquentes que o cinema já viu. Tenso e emocionante a ponto de dar nó na garganta, Gravidade pode ser visto como o 2001: Uma Odisseia no Espaço da nossa geração, pela forma com que retrata o espaço sideral. Algo especial foi criado aqui.”

  • Producers Guild Awards (Empate)
  • Directors Guild Awards
  • BAFTA – Filme Britânico
  • Critics Choice Awards – Ficção Científica

O Lobo de Wall Street | Leonardo DiCaprio, Emma Tillinger Koskoff, Joey McFarland e Martin Scorsese

5.0

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“Com o mais inspirado uso de trilha sonora incidental em sua carreira em anos, O Lobo de Wall Street é uma frenética e implacável tragédia grega do mundo das finanças. Pode muito bem ser considerado o Bons Companheiros do gênero, mais uma fantástica adição para a carreira de Martin Scorsese. E mesmo que alguns tenham a equivocada visão de que o longa glorifica as ações repreensíveis de seu protagonista, basta observar com atenção a última tomada do filme – onde a câmera de Scorsese aponta para as reais vítimas da história. Um trabalho de mestre. Obrigado, Scorsese. Obrigado, Leo.”

Nebraska | Albert Berger e Ron Yerxa

4.0

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“No fim, é interessante observar Nebraska como uma obra sobre a auto-satisfação, mesmo que seja pautada em mentiras. Seja no suposto prêmio do protagonista, que logo desperta interesses alheios, ou em diversos momentos do último ato, o filme de Alexander Payne acerta ao analisar essa temática de forma bem-humorada e até tocante. Mas se a satisfação dos personagens aqui é fraudulenta, a do espectador diante do filme é verdadeiramente genuína.”

Philomena | Gabrielle Tana, Steve Coogan e Tracey Seaward

3.5

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“Mesmo que, aqui e ali, Frears pese a mão para arrancar algumas lágrimas, Philomena é um belo filme que encontra sustento em suas carismáticas performances centrais e o tratamento simples a temas delicados e complexos. Não é uma grande obra que será lembrada durante anos e anos, mas sem dúvidas rende um bom programa.”

Trapaça | Charles Roven, Richard Suckle, Megan Ellison e Jonathan Gordon

3.0

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“No fundo, Trapaça surge mais como uma boa oportunidade de reunir um grande elenco do que uma experiência narrativa concreta, falhando na agridoce elaboração de seu roteiro. Aqui e ali David O. Russell tenta brincar de Scorsese, mas seu grande mérito reside na liberdade que fornece a seu dream team.”

  • Globo de Ouro – Musical ou Comédia
  • SAG – Melhor Elenco
  • Critics Choice Awards – Melhor Comédia

APOSTA: 12 Anos de Escravidão

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Gravidade

MEU VOTO: O Lobo de Wall Street

FICOU DE FORA: Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum

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“Servindo como um curioso estudo de personagem que leva seu objeto do nada ao nada, Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum é uma experiência única, proporcionada por duas das maiores mentes do cinema contemporâneo. Seja em sua maestria técnica, narrativa ou em sua vibrante trilha sonora folk, o filme é tragicômico no melhor sentido da palavra.”

Menções Honrosas (porque 2013 foi foda)

Rush: No Limite da Emoção

Short Term 12

Antes da Meia-Noite

Bem, é isso! O Oscar 2014 acontece já nesse domingo de Carnaval (2), então façam suas apostas e voltem aqui para mais cobertura. Até!

Os Mestres do Oscar 2014 | Volume I: Atuações

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 24 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

Oscar

Foi no ano passado que batizei o respectivo especial do Oscar de “incógnito”, mas estava errado. Ainda que a edição de 2013 contasse com suas surpresas, a deste ano é verdadeiramente incógnita: tivemos empates inéditos em prêmios da temporada, divergências em círculos de críticos e candidatos tão bons (ou será que não?) que diversas obras excepcionais acabaram ficando de fora. É um Oscar para grandes nomes, mestres. Vamos começar, como sempre, pelo bloco de atuações:

OBSERVAÇÕES:

  • Clique nos nomes de cada profissional para conferir seu histórico de indicações ao Oscar
  • Abaixo de cada perfil estão os prêmios que cada ator/atriz já garantiu na respectiva categoria

ator

Christian Bale | Trapaça

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Papel: Irving Rosenfeld

Famoso por sua pesada imersão física em seus papéis, Christian Bale engordou quase 20 quilos para entrar na pele do golpista Irving Rosenfeld, o personagem central de Trapaça. O personagem tem grande presença em cena graças à sua caracterização visual marcante (cabelo, óculos e ternos setentistas), e Bale acerta ao manter Irving sempre com um tom de voz baixo e cansado – provavelmente resultado de anos de serviços sujos e seus problemas do coração. Uma ótima performance, mas nada que justifique a indicação ao Oscar do ator; que só aconteceu para que Trapaça repetisse o feito de O Lado Bom da Vida em abocanhar indicações nas 4 categorias de atuação.

Bruce Dern | Nebraska

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Papel: Woody Grant

O veterano Bruce Dern conquista aqui só sua segunda indicação ao Oscar, e a primeira como protagonista, na pele do tragicômico protagonista de Nebraska. Woody Grant está à beira da senilidade e carrega nas costas uma vida infeliz, problemas com bebida e relações não muito harmoniosas com sua família. Diversas características pesadas que Dern absorve com naturalidade, dando vida a um sujeito palpável e real, especialmente quando aposta em um andar manco para demonstrar a velhice de Woody ou expressões confusas e ingênuas na maior parte do tempo. Incrível como Bruce Dern chega e dá uma performance dessa, depois de muito tempo sem estampar nos holofotes.

  • Festival de Cannes – Melhor Ator

Leonardo DiCaprio | O Lobo de Wall Street

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Papel: Jordan Belfort

Com forte resistência da Academia há um bom tempo, Leonardo DiCaprio (enfim) retorna à premiação; 7 anos após sua indicação por Diamante de Sangue. Em sua 5ª (e melhor) colaboração com Martin Scorsese, o ator entrega uma performance insanamente carismática e expressiva na pele do magnata corrupto de Wall Street, Jordan Belfort. Seja nas cenas em que dialoga simpaticamente com a câmera, ou quando retrata o vício em drogas de Belfort (rendendo uma sequência incrível que revela um até então desconhecido talento para “comédia” física) intensamente, DiCaprio jamais sai do personagem – absorvendo cada uma de suas camadas inteiramente. Está entre um dos melhores trabalhos de sua carreira.

  • Globo de Ouro – Musical ou Comédia
  • Critics Choice Awards (Comédia)

Chiwetel Ejiofor | 12 Anos de Escravidão

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Papel: Solomon Northup

Já tendo aparecido aqui e ali em pequenas e grandes produções (como Filhos da Esperança e 2012), Chiwetel Ejifor explode em cena na pele do protagonista de 12 Anos de Escravidão. Sendo um homem livre injustamente sequestrado e escravizado, Solomon Northup é uma figura ímpar nesse sombrio cenário: é determinado, forte e não hesita em questionar as ordens irracionais de seus ferozes capatazes. Ejifor passa todas essas características em cena, chamando a atenção por sua eloquência vocal correta (diferenciando-o dos outros escravos) e sua expressiva luta contra o desespero.

  • BAFTA

Matthew McConaughey | Clube de Compras Dallas

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Papel: Ron Woodroof

Com uma impressionante virada em sua carreira marcada por comédias românticas fracas e aventuras de gosto duvidoso, Matthew McConaughey traçou uma série de boas performances em filmes eficientes, culminando em seu notável desempenho – agora favorito ao prêmio da categoria – em Clube de Compras Dallas. Na pele do texano com AIDS que passa a transportar medicamentos ilegais para os EUA na década de 80, o ator segura o filme todo e impressiona com sua dedicação, carisma e assombrosa perda de peso. É interessante observar as relações com outros personagens, especialmente com o transexual de Jared Leto: Woodroof é homofóbico e machista, sendo divertido ver como o sujeito tem seus conceitos transformados – mas não suas atitudes. Agora é oficial: Matthew McConaughey é um nome pra se levar a sério.

  • SAG
  • Globo de Ouro – Drama
  • Critics Choice Awards

APOSTA: Matthew McConaughey

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Leonardo DiCaprio

MEU VOTO: Leonardo DiCaprio

FICOU DE FORA: Tom Hanks | Capitão Phillips

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Papel: Capitão Richard Phillips

A ausência de Tom Hanks surge como uma das grande surpresas deste Oscar. Presente em praticamente TODOS os prêmios pré-Oscar, o excepcional trabalho do ator foi deixado de lado aqui. O que impressiona em sua performance na pele do capitão Richard Phillips é o controle e calma que o ator tenta manter em meio às situações mais extremas; dialogando com seus captores, tentando até criar humor. Mas é mesmo quando Phillips é tomado pelo desespero (e o consequente choque, especialmente na cena final) que toda a construção de Hanks é destruída, fazendo com que seu trabalho cause mais impacto. Um dos grandes atores em atividade, bom saber que ainda está por aí.

atriz

Amy Adams | Trapaça

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Papel: Sydney Prosser

Sempre reconhecida como coadjuvante em ótimos papéis, Amy Adams consegue sua primeira indicação como protagonista na pele da golpista Sydney Prosser, amante do personagem de Christian Bale. E assim como seu companheiro de cena, não acho que o trabalho de Adams seja digno de premiações ainda que consiga maior destaque do que Bale. A atriz surge divertida e absolutamente sedutora em cena, agradando por seu sotaque britânico falso e a ambiguidade que sua personagem carrega ao longo da produção. Mas, convenhamos: uma atuação nível Oscar? Eu pelo menos não vi nada demais, Adams funciona melhor como parte de um todo do que individualmente (assim como todo o elenco de Trapaça).

  • Globo de Ouro – Musical ou Comédia

Cate Blanchett | Blue Jasmine

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Papel: Jasmine

Cate Blanchett é uma excelente atriz, certamente uma das mais talentosas da safra atual. E foi só pegar um papel bom e multifacetado em uma produção igualmente eficiente, que o resultado já desponta como uma das grandes certezas da cerimônia: a vitória da atriz por Blue Jasmine. Na pele da irremediável Jasmine de Woody Allen, Blanchett constrói uma performance centrada na autodestruição de sua personagem – com direito a crises nervosas, ataques de nervos e até um triste (não cômico, felizmente) distúrbio no qual fala consigo mesma. A vitória de Blanchett aqui é uma das certezas da noite, e muito merecida: talvez seja a melhor performance de sua excepcional carreira.

  • SAG
  • BAFTA
  • Critics Choice Awards
  • Globo de Ouro – Drama

Sandra Bullock | Gravidade

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Papel: Dra. Ryan Stone

Depois do inesperado primeiro Oscar (que muitos ainda apontam como uma vitória duvidosa), Sandra Bullock entrega um trabalho que mostra que Um Sonho Possível não foi acidente. Nas mãos do cineasta Alfonso Cuarón, a atriz precisou usar bastante sua imaginação e mente para lidar com todos os green screens e câmaras escuras com os quais contracenou em Gravidade. O resultado é uma esforçada e dedicada performance, que é responsável por segurar toda a projeção, e Bullock jamais decepciona. Destaque para a sensível cena em que a personagem tem um depressivo momento de reflexão.

Judi Dench | Philomena

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Papel: Philomena Lee

Completando 80 anos de idade em 2014, a inglesa Judi Dench entrega uma performance absolutamente adorável como a protagonista de Philomena, uma mãe que busca seu filho perdido há 50 anos. Como a personagem-título é irlandesa, Dench fornece um sotaque acertado e que jamais soa estereotipado, abraçando também sua personalidade carinhosa e ingênua; seja ao iniciar conversas com praticamente todos os funcionários de um hotel ou surgir alegremente espantada ao descobrir as mordomias de um avião. A atriz também balanceia esse lado divertido com a áurea dramática de Philomena, e a mistura funciona maravilhosamente bem em cena – Dench certamente fará cada um lembrar de uma avó, tia ou parente.

Meryl Streep | Álbum de Família

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Papel: Violet Weston

Já virou chavão elogiar Meryl Streep e dizer que ela é uma das melhores (ou melhor?) atriz em atividade. Mas cara***o, é de se impressionar com a performance ácida, irreverente e complicada de Streep em Álbum de Família. Violet Weston é a mãe da disfuncional família que povoa a narrativa, e é responsável por entregar os comentários mais irônicos, ofensivos e até divertidos quando provoca discussões com suas filhas. Streep é eficiente ao transformar Violet em uma megera, mas é igualmente bem-sucedida ao apresentar o lado trágico de sua personagem; assim como a doença – e o vício – que a prejudicam. Um de seus melhores trabalhos, facilmente.

APOSTA: Cate Blanchett

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Amy Adams, go figure.

MEU VOTO: Cate Blanchett

FICOU DE FORA: Adele Exarchopoulos | Azul é a Cor Mais Quente

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Papel: Adèle

Estreando como atriz aos 19 anos no francês Azul é a Cor Mais Quente, Adèle Exarchopoulos fornece uma performance arrebatadora no filme de Abdellatif Kechiche (que ficou de fora da premiação graças ao ministério da cultura francês). Não só merece créditos pelas desafiadoras cenas de sexo, mas por representar a protagonista sempre de forma espontânea, natural e convicente – como se não víssemos uma atriz interpretando um papel ali, mas sim um ser humano real e palpável.

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Barkhad Abdi | Capitão Phillips

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Papel: Muse

Revelação que chamou atenção universal na pele do antagonista principal de Capitão Phillips, o ator somálio Barkhad Abdi estreia como ator e já garante sua primeira indicação ao Oscar. Nada mal, e Abdi justifica sua presença aqui, já que consegue criar com seu Muse uma figura de presença ameaçadora (seu porte físico influencia bastante nesse quesito), mas também nada que se aproxime de uma caricatura maniqueísta. Ainda que surja forte e assustador enquanto ameaça Tom Hanks, o ator aqui e ali dá indícios de uma simpatia forjada (ao apelidar Phillips de “Irlandês” de forma quase amigável) e também de sua humanidade à medida em que o cerco vai se fechando a sua volta.

  • BAFTA

Bradley Cooper | Trapaça

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Papel: Richie DiMasio

Dentre todos os indicados ao Oscar de Trapaça, Bradley Cooper foi o que me levantou mais suspeitas quanto à competência de sua performance. Talvez justamente por isso ele tenha sido o melhor intérprete da produção a meu ver, incorporando um esquentado agente do FBI que mora com a mãe e usa bobes no cabelo. Cooper diverte ao constantemente retratar seu personagem bufando de raiva e um certo prazer em conhecer o outro lado da lei, conforme sua relação com Sydney se intensifica. Em um momento menor, mas inspirado, o ator tem a oportunidade de exibir sua melhor característica: mudanças bruscas de humor, aqui, quando imita as reações de um colega de trabalho (triste, rindo, triste, rindo, em rápidas mudanças). Surpreendeu.

Michael Fassbender | 12 Anos de Escravidão

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Papel: Edwin Epps

Finalmente Michael Fassbender recebe o devido reconhecimento! Em sua terceira parceria com o diretor Steve McQueen, o ator encarna um cruel e inescrupuloso fazendeiro, responsável por algumas das maiores dores de cabeça do protagonista. Não é apenas a fúria quase que possessa de Epps que assombra, mas sim os momentos em que Fassbender leva seu tempo para apresentar alguma reação (o que por si só o torna mais ameaçador), prendendo outros personagens com um olhar frio e direto. É de se cativar também a estranha obsessão que Epps cultiva pela escrava Patsey, que se mistura com uma forma de paixão e dominância.

Jonah Hill | O Lobo de Wall Street

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Papel: Donnie Azoff

Uma das grandes surpresas (positivas) entre os indicados, Jonah Hill fatura sua segunda indicação ao Oscar com o perturbado Donnie Azoff, braço direito de Jordan Belfort em O Lobo de Wall Street. Ao contrário de sua indicação anterior em O Homem que Mudou o Jogo, – onde dava vida a um personagem tímido e inseguro – Hill abraça o obsceno e o exagerado, acertando na dose do sotaque de Long Island e nos trajetos do sujeito – especialmente em seus muitos atos repreendíveis. Vale apontar também sua química com Leonardo DiCaprio, que surge no 220 na já mencionada sequência da infame droga de paralisia. Jonah Hill, também saído das comédias pesadas, promete um futuro brilhante pela frente.

Jared Leto | Clube de Compras Dallas

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Papel: Rayon

Favorito absoluto da categoria, o vocalista do 30 Seconds from Mars, Jared Leto, dá um tempo com a música e volta para mais uma transformação física na atuação. Tendo engordado aproximadamente 30quilos para Chapter 27, Leto agora perde 14 para se transformar em Rayon, transexual que é uma das figuras mais energéticas e fortes de Clube de Compras Dallas. O filme é todo de McConaughey, mas Leto implacavelmente incendia a tela como o carismático parceiro de negócios do protagonista. Leto surge como um bem-vindo alívio cômico, mas à medida em que conhecemos sua história, transforma-se em uma das figuras mais trágicas da produção – algo que o ator realiza muitíssimo bem.

  • SAG
  • Globo de Ouro
  • Critics Choice Awards

APOSTA: Jared Leto

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Ninguém segura Leto

MEU VOTO: Michael Fassbender

FICOU DE FORA: Daniel Bruhl | Rush: No Limite da Emoção

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Papel: Niki Lauda

Ah, Rush. Confesso que não esperava muita presença do filme de Ron Howard na premiação (o que é uma pena, já que o filme merecia), mas a ausência de Daniel Brühl assusta, já que o ator alemão esteve presente em praticamente todos os prêmios de críticos. O trabalho de Brühl já merece aplausos pelo simples fato de não se limitar a uma caricatura de Niki Lauda, e sim um personagem forte, crível e que consegue capturar (sem soar uma imitação forçada) a presença do real corredor da Fórmula 1. O ator domina o sotaque pesado, as próteses no rosto e toda a racionalidade (que flerta com a arrogância) que o papel requer.

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Sally Hawkins | Blue Jasmine

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Papel: Ginger

Na pele da irmã adotiva da Jasmine de Cate Blanchett, a sorridente Sally Hawkins é o oposto da protagonista. De origens mais humildes e menos bem-sucedidas do que a irmã, Ginger revela-se muito mais otimista e resistente do que a problemática Jasmine, traço que Hawkins exibe com eficiência durante toda a projeção. E mesmo diante suas esperançoso comportamento, a atriz acerta também ao trazer a personagem com diversas preocupações e medos a respeito de sua família, assumindo aquela que – certamente – é a personagem cuja bússola moral aponta para o norte.

Jennifer Lawrence | Trapaça

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Papel: Rosalyn Rosenfeld

Aos 23 anos de idade, a queridinha Jennifer Lawrence se torna a pessoa mais jovem da História a colecionar 3 indicações ao Oscar. E é irônico que Lawrence obtenha tal feito ao interpretar uma mulher mais velha, incorporando com sucesso o estereótipo da “dona-de-casa” mas adicionando seu habitual carisma no processo. Lawrence incendia a cena quando aparece (algo que não é tão frequente, infelizmente) e é responsável por alguns dos momentos mais divertidos (sua performance em “Live and Let Die” já justifica sua indicação, além de mostrar como a atriz se diverte em cena) e também impressiona pela humanidade de sua trambiqueira Rosalyn. Nem de longe se equipara à sua vitória anterior (Lado Bom da Vida), mas é uma eficiente adição a seu currículo.

  • Globo de Ouro
  • BAFTA

Lupita Nyong’o | 12 Anos de Escravidão

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Papel: Patsey

De origem quênia, a atriz Lupita Nyong’o faz sua estreia no cinema com 12 Anos de Escravidão e já é favorita para levar a estatueta. Sorte de principiante? Não, já que mesmo que sua participação no longa seja curta, ela garante alguns dos momentos mais intensos com sua esforçadíssima performance na pele da escrava Patsey. A personagem de Nyong’o representa tudo aquilo que o protagonista Solomon Northup luta para evitar: a submissão, o desejo da morte como única escapatória de sua condição, característica que a atriz absorve em uma performance frágil e poderosa. Mesmo que por tão pouco tempo.

  • SAG
  • Critics Choice Awards

Julia Roberts | Álbum de Família

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Papel: Barbara Weston

Sem receber uma indicação desde 2001 (quando levou a estatueta por Erin Brokovich – Uma Mulher de Talento), Julia Roberts se sai muitíssimo bem na tarefa nada fácil de dividir cena com o monstro de talento que atende pelo nome de Meryl Streep. A atriz incorpora uma predominante postura irritada, fazendo a mais forte das irmãs Weston – sendo a única que realmente confronta as ofensas de sua mãe e batalha contra o vício em drogas da mesma. Roberts tem boa presença em cena, e mantém sua firme (e um tanto grosseira) postura até mesmo quando suas intenções são nobres.

June Squibb | Nebraska

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Papel: Kate Grant

Pode parecer heresia o que vou falar, mas June Squibb rouba Nebraska de Bruce Dern. Não me entendam mal, o veterano ator está fantástico em cena, mas a atriz responsável por interpretar sua esposa é simplesmente um arraso: o alívio cômico mais sincero da produção, Kate Grant luta sem sucesso para manter o marido e o filho na linha. É incrível como sua postura e fisionomia de “vovó simpática” em nada se assemelha à personagem, que fala o que pensa sem hesitar, é escandalosa e a única que manda todo mundo se foder na hora H. Divertidíssima.

APOSTA: Lupita Nyong’o

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Jennifer Lawrence

MEU VOTO: June Squibb

FICOU DE FORA: Margot Robbie | O Lobo de Wall Street

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Papel: Naomi Lapaglia

Assistindo a O Lobo de Wall Street, não foi só a beleza estonteante (mesmo) da atriz Margot Robbie que me chamou atenção, mas também sua eficiente performance como a esposa de Jordan Belfort. Naomi, vulgo “A Duquesa de Bay Ridge”, se destaca entre as figuras femininas do filme (que, em suma maioria, são meros objetos de desejo do protagonista) ao exibir certa influência e até manipulação em seu marido – seja através de intensos bate-bocas ou seu irresistível poder de sedução. Sem falar no sotaque de Brooklyn que a atriz australiana dominou muito bem.

E foi isso. Gostou? Detestou? Quer minha cabeça numa lança? Comente!

E o Volume II sobre Categorias Técnicas sai amanhã mesmo! =]

BAFTA 2014: Os vencedores

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 16 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

baftas

E o “Oscar britânico” divulgou seus vencedores de 2014 na habitual cerimônia do Bafta. Confira a lista:

Melhor Filme

12 Anos de Escravidão

Melhor Filme Britânico

Gravidade

Melhor Estreia de um Diretor, Produtor ou Roteirista Britânico

Kelly + Victor | Kieran Evans (diretor/roteirista)

Melhor Diretor

Alfonso Cuarón | Gravidade

Melhor Ator

Chiwetel Ejifor | 12 Anos de Escravidão

Melhor Atriz

Cate Blanchett | Blue Jasmine

Melhor Ator Coadjuvante

Barkhad Abdi | Capitão Phillips

Melhor Atriz Coadjuvante

Jennifer Lawrence | Trapaça

Melhor Filme em Língua Não-Inglesa

A Grande Beleza

Melhor Animação

Frozen: Uma Aventura Congelante

Melhor Documentário

Time’s Vermeer

Melhor Roteiro Original

Trapaça

Melhor Roteiro Adaptado

Philomena

Melhor Design de Produção

O Grande Gatsby

Melhor Fotografia

Gravidade

Melhor Figurino

O Grande Gatsby

Melhor Montagem

Rush: No Limite da Emoção

Melhor Trilha Sonora

Gravidade

Melhor Som

Gravidade

Melhor Maquiagem/Cabelo

Trapaça

Melhores Efeitos Visuais

Gravidade

Melhor Curta-Metragem de Animação

Sleeping with the Fishes

Melhor Curta-Metragem

Room 8

Melhor Estrela em Ascenção

Will Poulter

| Philomena | Um belo filme com inesperadas reflexões

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , , , on 27 de janeiro de 2014 by Lucas Nascimento

3.5

philomena
Judi Dench e Steve Coogan: alicerces da produção

Surgindo como uma surpresa na temporada de premiações, o drama Philomena revela-se um delicado e ocasionalmente divertido filme assinado pelo britânico Stephen Frears (de Alta Fidelidade e A Rainha), ainda que sua premissa cave por temas dramáticos e controversos – rendendo uma série de reflexões inesperadas no processo.

A trama é inspirada nos acontecimentos reais que moveram a vida de Philomena Lee (Judi Dench), que há 50 anos vive sem notícias de seu filho bastardo – que surgira como consequência de uma escapada de seu convento católico, na década de 50. Ao mesmo tempo, o jornalista recém-desempregado Martin Sixmith (Steve Coogan) vê na história de Philomena a oportunidade de impulsionar sua carreira de escritor, e parte para ajudá-la a encontrar o filho perdido.

Philomena começa com a típica mistura de drama com comédia, sendo beneficiado apenas por seu roteiro esperto – assinado por Jeff Pope e pelo ator Steve Coogan – e o excelente entrosamento entre as duas performances centrais. Coogan mantém sua áurea cômica de forma bem sutil aqui, e a dosa bem com o ceticismo cínico de seu jornalista, enquanto Judi Dench surge absolutamente adorável na pele da personagem-título. Com as rugas e linhas de expressão a fim de torná-las parte fundamental de Philomena, a atriz de 80 anos arrasa ao adotar um acertado sotaque irlandês (que jamais soa estereotipado ou inverossímil) e se comportar sempre de maneira alegre, elogiosa e surpresa (como sua reação ao descobrir que as bebidas servidas no avião são grátis). Dench nos faz acreditar na figura da personagem, e certamente ela fará o espectador recordar de alguém que compartilhe de seu comportamento.

Ainda que o elenco e os diálogos sejam os dois atrativos de peso, o filme ainda se beneficia de quesitos técnicos fascinantes. A começar pela belíssima fotografia de Robbie Ryan, que captura fantásticas paisagens rurais e urbanas, seja nas ambientações rurais européias (as acabrunhadas árvores cobertas de neve em um momento-chave) ou nos hotéis e ruas de uma calma Washington. A trilha sonora de Alexandre Desplat confere energia e drama de acordo com as exigências narrativas (mesmo que o compositor pese demais nas passagens mais melancólicas), que trazem uma inesperada discussão a respeito de crenças religiosas e uma reviravolta final que coloca em discussão as práticas medievais de conventos católicos do século passado. Nada muito aprofundado, mas que ao menos desperta uma reflexão.

Mesmo que, aqui e ali, Frears pese a mão para arrancar algumas lágrimas, Philomena é um belo filme que encontra sustento em suas carismáticas performances centrais e o tratamento simples a temas delicados e complexos. Não é uma grande obra que será lembrada durante anos e anos, mas sem dúvidas rende um bom programa.

Obs: Esta crítica foi publicada após a pré-estreia do filme em São Paulo, em 26 de Janeiro.

Pré-estreias de PHILOMENA neste final de semana

Posted in Notícias with tags , , , , , , , , on 21 de janeiro de 2014 by Lucas Nascimento

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E mais um indicado ao Oscar ganhará pré-estreias neste final de semana em cinemas selecionados… O da vez é Philomena, filme de Stephen Frears que traz Judi Dench na pele de uma mulher que procura por seu filho perdido. Confira abaixo os cinemas que já soltaram sua programação (todos da Cinemark, espere por mais sessões na quinta-feira):

BELO HORIZONTE

Pátio Savassi | 21h50 (25/01)

CURITIBA

Shopping Mueller | 21h40 (24/01 e 26/01)

PORTO ALEGRE

Barra Shopping Sul | 21h50 (24/01)

RIO DE JANEIRO

Botafogo | 20h20

SÃO PAULO

Cidade Jardim | 21h40

Pátio Higienópolis | 21h50 e (24/01 e 26/01)

Shopping Iguatemi | 20h30 (26/01)

Shopping Villa Lobos | 18h50 (25/01) e 21h30 (25/01 e 26/01)

Novamente, fique ligado nas outras redes de cinema que ainda anunciarão sessões para o filme.

Philomena estreia no grande circuito em 7 de Fevereiro.

COSTUME DESIGNERS GUILD AWARDS 2014: Os indicados

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 9 de janeiro de 2014 by Lucas Nascimento

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Confira agora os indicados ao prêmio do Sindicato dos Figurinistas:

(apostas em amarelo)

FILME DE ÉPOCA

12 Anos de Escravidão | Patricia Norris

Clube de Compras Dallas | Kurt & Bart

O Grande Gatsby | Catherine Martin

Trapaça | Michael Wilkinson

Walt nos Bastidores de Mary Poppins | Daniel Orlandi

FILME DE FANTASIA

O Hobbit: A Desolação de Smaug | Ann Maskrey, Richard Taylor e Bob Buck

Jogos Vorazes: Em Chamas | Trish Summerville

Oz: Mágico e Poderoso | Gary Jones e Michael Kutsche

FILME CONTEMPORÂNEO

Blue Jasmine | Suzy Benzinger

Ela | Casey Storm

Nebraska | Wendy Chuck

Philomena | Consolata Boyle

A Vida Secreta de Walter Mitty | Sarah Edwards

Os vencedores serão anunciados em 22 de Fevereiro.

BAFTA 2014: Os indicados

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 8 de janeiro de 2014 by Lucas Nascimento

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Chegou a vez dos Acadêmicos britânicos escolherem seus melhores do ano. Confira os indicados ao BAFTA 2014:

Melhor Filme

12 Anos de Escravidão

Capitão Phillips

Gravidade

Philomena

Trapaça

Melhor Filme Britânico

Gravidade

Mandela

Philomena

Rush: No Limite da Emoção

The Selfish Giant

Walt nos Bastidores de Mary Poppins

Melhor Estreia de um Diretor, Produtor ou Roteirista Britânico

Good Vibrations | Colin Carberry (roteirista), Glenn Patterson (roteirista)

Walt nos Bastidores de Mary Poppins | Kelly Marcel (roteirista)

Kelly + Victor | Kieran Evans (diretor/roteirista)

For Those in Peril | Paul Wright (diretor/roteirista), Polly Strokes (produtora)

Shell | Scott Graham (diretor/roteirista)

Melhor Diretor

Alfonso Cuarón | Gravidade

Paul Greengrass | Capitão Phillips

Steve McQueen | 12 Anos de Escravidão

David O. Russell | Trapaça

Martin Scorsese | O Lobo de Wall Street

Melhor Ator

Christian Bale | Trapaça

Bruce Dern | Nebraska

Leonardo DiCaprio | O Lobo de Wall Street

Chiwetel Ejifor | 12 Anos de Escravidão

Tom Hanks | Capitão Phillips

Melhor Atriz

Amy Adams | Trapaça

Cate Blanchett | Blue Jasmine

Sandra Bullock | Gravidade

Judi Dench | Philomena

Emma Thompson | Walt nos Bastidores de Mary Poppins

Melhor Ator Coadjuvante

Barkhad Abdi | Capitão Phillips

Daniel Brühl | Rush: No Limite da Emoção

Bradley Cooper | Trapaça

Matt Damon | Behind the Candelabra

Michael Fassbender | 12 Anos de Escravidão

Melhor Atriz Coadjuvante

Sally Hawkins | Blue Jasmine

Jennifer Lawrence | Trapaça

Lupita Nyong’o | 12 Anos de Escravidão

Julia Roberts | Álbum de Família

Oprah Winfrey | O Mordomo da Casa Branca

Melhor Filme em Língua Não-Inglesa

Ato de Matar

Azul é a Cor Mais Quente

A Grande Beleza

Metro Manila

O Sonho de Wadjda

Melhor Animação

Frozen: Uma Aventura Congelante

Meu Malvado Favorito 2

Universidade Monstros

Melhor Documentário

O Ato de Matar

The Armstrong Lie

Blackfish

Time’s Vermeer

We Steal Secrets: The Story of Wikileaks

Melhor Roteiro Original

Blue Jasmine

Gravidade

Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum

Nebraska

Trapaça

Melhor Roteiro Adaptado

12 Anos de Escravidão

Behind the Candelabra

Capitão Phillips

O Lobo de Wall Street

Philomena

Melhor Design de Produção

12 Anos de Escravidão

Behind the Candelabra

O Grande Gatsby

Gravidade

Trapaça

Melhor Fotografia

12 Anos de Escravidão

Capitão Phillips

Gravidade

Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum

Nebraska

Melhor Figurino

Behind the Candelabra

O Grande Gatsby

The Invisible Woman

Trapaça

Walt nos Bastidores de Mary Poppins

Melhor Montagem

12 Anos de Escravidão

Capitão Phillips

Gravidade

O Lobo de Wall Street

Rush: No Limite da Emoção

Melhor Trilha Sonora

12 Anos de Escravidão

Capitão Phillips

Gravidade

A Menina que Roubava Livros

Walt nos Bastidores de Mary Poppins

Melhor Som

Até o Fim

Capitão Phillips

Gravidade

Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum

Rush: No Limite da Emoção

Melhor Maquiagem/Cabelo

Behind the Candelabra

O Grande Gatsby

O Hobbit: A Desolação de Smaug

O Mordomo da Casa Branca

Trapaça

Melhores Efeitos Visuais

Além da Escuridão – Star Trek

Gravidade

O Hobbit: A Desolação de Smaug

Homem de Ferro 3

Melhor Curta-Metragem de Animação

 Everything I Can See From Here

I Am Tom Moody

Sleeping with the Fishes

Melhor Curta-Metragem

Island Queen

Keeping Up with the Joneses

Orbit Ever After

Room 8

Sea View

Melhor Estrela em Ascenção

Dane DeHaan

George MacKay

Lupita Nyong’o

Will Poulter

Léa Seydoux

A cerimônia de entrega dos prêmios ocorre em 16 de Fevereiro.