Arquivo para poder sem limites

| Projeto Almanaque | Crítica

Posted in Aventura, Críticas de 2015, Ficção Científica, Home Video with tags , , , , , , , , , , , on 30 de maio de 2015 by Lucas Nascimento

3.0

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De volta para o passado: o grupo do Projeto Almanaque

Ah, viagem no tempo. Poucos temas podem ser tão místicos, assustadores e até divertidos quanto o clássico deslocamento temporal de um período para outro, e o cinema já explorou diversas áreas fascinantes deste subgênero da ficção científica. Acho que era uma questão de tempo até que este ganhasse um exemplar na estética found footage, que é o que Projeto Almanaque apresenta com eficiência, ainda que se perca no próprio universo.

A trama nos apresenta ao jovem David Raskin (Jonny Weston), prodígio de tecnologia que batalha para conseguir uma bolsa de estudos no prestigiado MIT. Revirando as caixas de seu falecido pai, David encontra projetos secretos sobre a construção de uma máquina do tempo, e logo chama seus amigos para ajudar a transformar o projeto em realidade. Claro que, sendo viagem no tempo o tema central, nada vai dar certo.

Assinado pelos estreantes Andrew Deutschman e Jason Pagan, o roteiro do filme surpreende ao concentrar-se inteiramente em situações banais, nada grandiosas. Essa decisão garante veracidade e realismo à narrativa (o grupo demora uma boa meira hora de projeção para finalmente conseguir fazer o dispositivo temporal funcionar), ao mesmo tempo em que provoca identificação ao vermos os personagens realizando diversas ações que muitos de nós gostaríamos de alterar – ter ido mal numa prova, faturar o prêmio máximo de uma loteria, ou dizer as palavras certas para conquistar a garota.

Também estreante, o diretor Dean Israelite acompanha esse ritmo jovem e frenético através de seu comando “documental”, ainda que a linguagem de câmera-dentro-da-história pareça se perder diversas vezes ao longo da narrativa, como se a câmera tornasse-se um observador de fora capaz de capturar imagens em belíssima qualidade. A montagem de Martin Bernfeld e Julian Clarke é inteligente ao apostar em cortes secos e jump cuts para acelerar ações, como quando David escreve diagramas sobre realidades alternativas num quadro negro ou quando prepara um dispositivo complexo que renderia muita exposição, reduzido a um “Deixe a câmera, vou mostrar como faz” que é logo cortado para o mesmo já em funcionamento. Sutil.

Até aí, parece que Projeto Almanaque será uma grande obra, seguindo a mesma linha do ótimo Poder sem Limites. Porém, a decisão de Deutschman e Pagan de se ater a temas adolescentes revela-se entediante quando a história começa a se perder em suas viagens com teor cômico, culminando até mesmo numa participação aleatória do grupo Imagine Dragons em uma apresentação do Lollapalooza. Sem falar que, com exceção do protagonista (que se beneficia também de ter um ótimo intérprete), nenhum dos personagens provoca interesse ou tem um bom tempo de cena para gerar identificação – até mesmo os estereótipos não se definem, era o mínimo – e a trama insiste em apostar numa linha amorosa completamente descartável; sem falar que, tendo Michael Bay como produtor, não é difícil imaginar o tarado diretor no ouvido de Israelite sugerindo closes gratuitos de pernas e bundas femininas.

Sem falar que a dupla erra feio ao explorar as consequências do efeito borboleta, onde ações mínimas no passado provocam eventos inimagináveis no futuro. Não quero entregar spoilers, mas nunca imaginei que um avião poderia sofrer um acidente acerca de um motivo tão… inofensivo. Pior ainda é ver o protagonista tentando juntar a lógica da sequência dos eventos que levariam a isso, esta que também é inexistente na incoerente cena final.

Projeto Almanaque quase consegue ser um filmaço, mas se perde em um roteiro pouco corajoso, sem ousadia e que se perde nas próprias regras. Apresenta alguns bons elementos conceituais e estéticos, mas no lugar dos realizadores, eu voltaria no tempo para umas revisões de história.

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Rian Johnson vai dirigir STAR WARS VIII

Posted in Notícias with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 20 de junho de 2014 by Lucas Nascimento

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Com mais de um ano nos separando de Star Wars: Episódio VII, a Disney acaba de divulgar mais um nome envolvido na saga espacial de George Lucas. Rian Johnson, diretor de Looper – Assassinos do Futuro e alguns dos melhores episódios de Breaking Bad, foi contratado para escrever e dirigir o Episódio VIII. Johnson ainda foi anunciado como roteirista do vindouro Episódio XIX.

Claro que ainda não sabemos absolutamente nada sobre esses filmes, só temos o elenco estelar escolhido a dedo por J.J. Abrams. E fora da cronologia, teremos também Gareth Edwards (Godzilla) e Josh Trank (Poder sem Limites) para comandar derivados ainda não especificados.

Olha, que time de vencedores a Disney vem reunindo. Mal posso esperar para ver o resultado.

A saga retorna em 18 de Dezembro de 2015.

Conheça o novo QUARTETO FANTÁSTICO

Posted in Notícias with tags , , , , , , , , , , , on 20 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

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Miles Teller, Michael B. Jordan, Kate Mara e Jamie Bell

Depois de meses e meses de especulações e rumores, a Fox enfim lança o comunicado oficial para os protagonistas do novo Quarteto Fantástico, reboot que será comandado por Josh Trank (do ótimo Poder sem Limites). E os escolhidos são Miles Teller (The Spectacular Now), Michael B. Jordan (Fruitvale Station), Kate Mara (irmã da Rooney Mara, vista recentemente em House of Cards)  e Jamie Bell (As Aventuras de TintimNinfomaníaca) como, respectivamente, Sr. Fantástico, Tocha Humana, Mulher Invisível e Coisa (que será criado digitalmente).

Um ótimo elenco reunido, e que certamente surpreende por sua faixa etária (consideravelmente mais baixa do que a da versão anterior).

Quarteto Fantástico estreia em 19 de Junho de 2015.

 

| Fruitvale Station: A Última Parada | Um intenso registro de fatalidade

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Drama with tags , , , , , , , , , , on 31 de janeiro de 2014 by Lucas Nascimento

3.5

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Michael B. Jordan é Oscar Grant a instantes da fatalidade

É uma tarefa muito complicada adaptar tragédias reais às telas. Especialmente uma que seja ambientada em único dia, e com uma fatalidade inesperada como a sofrida por Oscar Grant nos primórdios de 2009. Diferente de eventos como o  naufrágio do Titanic ou o 11 de Setembro (que também renderam obras cinematográficas), a morte de Oscar não foi um evento de escala monumental, mas – como nos bem mostra o filme do estreante Ryan Coogler – não menos importante e com a mesma dose de impacto.

Assinada também por Coogler, a trama dramatiza as últimas 24 horas da vida de Oscar Grant (Michael B. Jordan), um jovem desempregado e pai de uma filha com sua namorada (Melanie Diaz). Na celebração da virada do Ano Novo de 2009, ele foi morto a sangue frio por um policial que deteve Oscar e seus amigos após uma briga na estação de metrô do título.

Felizmente, Coogler não se desvia de seus objetivos. Em seus 80 minutos de projeção, Fruitvale Station mantém-se apenas aos eventos finais de Oscar, invalidando uma análise geral sobre toda sua vida ou digressões temporais (há apenas um flashback em toda a projeção, mas é só no terceiro ato nos damos conta da importância fundamental deste). É inegável que o espectador esteja desde o início esperando pelo clímax dramático, e Coogler sabe disso, conscientemente apostando em sequências onde Oscar faz planos para o futuro ou quando sua mãe (Octavia Spencer, excelente) lhe aconselha a tomar o metrô ao invés de dirigir. Mesmo sendo um jogo interessante de subversões de expectativas, atrasa um pouco o ritmo do arrastado primeiro ato, onde se salva a performance do ótimo Michael B. Jordan (você já o viu em Poder sem Limites e provavelmente o verá muito mais…), que absorve todas as complicações, intrigas e problemas de Oscar – sem nunca deixar seu bom humor morrer.

Quando o momento esperado finalmente chega, ele não decepciona. Coogler se mostra um cineasta seguro ao apostar em um intenso uso de câmera na mão e uma reconstituição quase que documental do assassinato em Fruitvale: seja pelo figurino dos personagens, os celulares da época ou até mesmo o cenário (que não era um set, e sim a própria estação em Oakland). O resultado é realmente devastador, capaz de deixar o espectador chocado até os créditos começarem a subir. E Coogler novamente brinca com as expectativas (dessa vez, de maneira até sádica) ao trazer a mãe, namorada e amigos de Oscar rezando por sua melhora no hospital em uma poderosa cena, que certamente seria um formulaico deus ex machina caso a história trouxesse uma conclusão feliz. Mas, infelizmente, todos sabemos o inevitável desfecho.

No fim, Fruitvale Station: A Última Parada serve tanto como um documento quanto uma manifestação do choque e fatalidades injustas, sendo seus motivos ligados à brutalidade ou, simplesmente, incompetência. Traz ótimo elenco e uma direção afiada, lançando também o promissor nome de Ryan Coogler ao mundo. Ficaremos de olho.

2012: Os Melhores dos Melhores

Posted in Melhores do Ano with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 24 de dezembro de 2012 by Lucas Nascimento

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Chegou aquela hora do ano novamente… Junte-se a mim enquanto escolho os melhores filmes de 2012, mas atenção aos critérios abaixo:

  • A lista contém apenas filmes lançados no Brasil COMERCIALMENTE (logo, filmes de 2011 que chegaram este ano nos cinemas ou home video marcam presença aqui) e alguns lançamentos estrangeiros ficaram de fora (como A Hora Mais Escura, Lincoln, Django Livre, entre muitos outros).
  • Se  não concordar com minha opinião (e isso certamente vai acontecer), fique a vontade para comentar e apresentar sua própria seleção, mas seja educado, porque comentários grosseiros serão reprovados.
  • Ainda não assisti As Aventuras de Pi (acreditem, uma verdadeira odisseia me vê-lo impediu três vezes), mas atualizarei este post (ou não, vai saber) com o filme, ainda este ano.

MELHOR FILME

10. Prometheus

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“Prometheus é um épica e respeitosa nova entrada no universo de Alien, e também o início (?) de uma promissora nova franquia de ficção científica. Scott e seus roteiristas brincam com a ideia da criação da vida e entregam um longa do gênero que traz suspense e gore (a cena do parto, o que foi aquilo?!) como há muito não se via.”

9.  Moonrise Kingdom

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“Trazendo um impecável elenco cheio de rostos conhecidos (dentre os quais, Edward Norton e Bruce Willis se destacam), Moonrise Kingdom oferece uma bela reflexão e uma experiência única e difícil de se rotular. Humor e drama se misturam em uma narrativa dinâmica e fora do comum, características que devem se aplicar a todos os trabalhos de Wes Anderson.

Bem, ele acaba de ganhar mais um admirador de seu trabalho.”

8. A Invenção de Hugo Cabret

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“A Invenção de Hugo Cabret é mais do que apenas o primeiro 3D de Martin Scorsese. É uma história sobre encontrarmos nossa função no mundo e como os sonhos podem ser capturados pela incomparável magia do cinema. É uma carta de amor para o cinéfilo dentro de todos nós.”

7. Looper: Assassinos do Futuro

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“Tecnicamente satisfatório e surpreendente em suas decisões, Looper: Assassinos do Futuro é uma grande surpresa em um ano que carece de ideias originais. Explora ao extremo o conceito de viagem no tempo e promete consolidar a carreira de Rian Johnson, um nome que promete trazer boas contribuições à Sétima Arte. E o Cinema anda precisando de profissionais assim…”

6. O Artista

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“O Artista é um deleite para amantes da Sétima Arte. Não posso ser o maior especialista em cinema, mas sei que Michel Hazanavicius fez aqui uma homenagem muito especial aos primórdios da indústria cinematográfica. Uma verdadeira obra-prima.”

5. Shame

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“Shame é uma das experiências mais poderosas e devastadoras do ano. Traz um tema adulto sob o cargo de um cineasta talentoso e maduro, que explora com inteligência (e sem vergonha) as possibilidades de sua premissa e a força de seu ótimo elenco.”

4. Argo

4

“Argo é uma ótima dramatização de um inusitado capítulo da história da CIA, tratando seus temas de forma aprofundada e acessível, além de mostrar que Ben Affleck não é só um bom diretor, mas também um ótimo cineasta.”

3. 007 – Operação Skyfall

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“007 – Operação Skyfall é uma bela homenagem aos 50 anos da série e também um filme maduro, bem executado e com potencial de agradar os mais variados fãs do personagem. Sua conclusão inicia uma nova era para James Bond, e o futuro parece muito promissor.”

2. Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres

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“Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres oferece tudo que a franquia literária merece, provindo um longa adulto e envolvente, catapultando a talentosa Rooney Mara ao estrelato e oferecendo, em uma rara ocasião, uma franquia blockbuster adulta.”

1. Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

FILME

Após o sucesso esmagador de seu anterior, que serviu para inspirar toda uma linhagem de longas hollywoodianos com sua abordagem “realista”, é de se admirar que Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge tenha sido realmente feito, sem soar como um caça-níquel. Explorando as conseqüências do filme de 2008 até suas possibilidades mais extremas, Christopher Nolan completa sua trilogia sobre o Homem-Morcego de forma épica e dramática, resultando em uma experiência monstruosa e que testa os limites do super-herói e a psicologia que o faz agir, ao mesmo tempo em que promove um espetáculo de cenas de ação e atuações excepcionais. Completa-se magistralmente uma trilogia que agora entra para a História.

MELHOR DIRETOR

David Fincher | Millennium –  Os Homens que Não Amavam as Mulheres

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David Fincher é um dos melhores diretores da atualidade. Vê-lo em sua zona de conforto (um thriller pesado e com serial killers no meio) ao passo em que adapta uma excelente história de mistério é muito prazeroso. Demonstrando total controle na criação de uma atmosfera sombria e arrepiante, Fincher cria belos planos e mise em scènes muito inteligentes (veja uma análise mais detalhada aqui), nunca se deixando levar pelo estilo e mantendo sempre o foco em seus personagens. Não é seu melhor trabalho no gênero (Se7en, né gente?), mas ainda comprova seu imenso talento.

Ben Affleck | Argo

Steve McQueen | Shame

Christopher Nolan | Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Rian Johnson | Looper: Assassinos do Futuro

ATOR

Michael Fassbender | Shame

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Uma das grandes injustiças do Oscar deste ano foi a ausência de Michael Fassbender por seu desafiador papel em Shame. Na pele de um sujeito solitário e viciado em sexo, o ator irlandês se entregou completamente ao roteiro e às cenas pesadas que este exigia, e sua performance é simplesmente arrasadora; carrega um olhar triste (e malicioso) durante quase toda a projeção. Fassbender é um tremendo ator, e esta é sua melhor performance até o momento.

Andrew Garfield | O Espetacular Homem-Aranha

Joseph Gordon Levitt | Looper: Assassinos do Futuro

Daniel Craig | 007 – Operação Skyfall

Brad Pitt | O Homem que Mudou o Jogo

Jean Dujardin | O Artista

Menção Honrosa: A excelente dicção de Seth McFarlane em Ted.

ATRIZ

Rooney Mara | Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres

mara

Encabeçando um dos papéis mais desafiadores dos últimos anos, a pouco conhecida Rooney Mara explodiu como a Lisbeth Salander da versão de David Fincher para Os Homens que Não Amavam as Mulheres. A atriz surge completamente exposta em cenas pesadas de estupro e adota um visual peculiar, que reflete sua performance séria e concentrada. A Salander de Mara é ainda mais agressiva do que a da sueca Noomi Rapace, e mesmo por trás dos piercings, podemos ver que a jovem tem um coração.

Michelle Williams | Sete Dias com Marilyn

Noomi Rapace | Prometheus

Emma Stone | O Espetacular Homem-Aranha

Kara Hayward | Moonrise Kingdom

ATOR COADJUVANTE

Javier Bardem | 007 – Operação Skyfall

James Bond tem uma galeria de vilões impressionante que engloba 23 filmes em 50 anos. E não há como negar: Javier Bardem e seu Silva já se tornaram ícones da franquia e o resultado é um antagonista marcante e muito interessante. Silva é um sujeito afeminado e possivelmente homossexual, e Bardem se diverte com essas características ao dotar o personagem de muito sarcasmo e imprevisibilidade, além de um visual espalhafatoso. Há uma primeira vez pra tudo, certo?

Josh Brolin | MIB – Homens de Preto III

Michael Fassbender | Prometheus

Joseph Gordon Levitt | Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Ezra Miller | As Vantagens de ser Invisível

ATRIZ COADJUVANTE

Anne Hathaway | BatmanO Cavaleiro das Trevas Ressurge

Eu não sei vocês, mas fiquei muito desconfiado quando Christopher Nolan escalou Anne Hathaway para encarnar sua versão da Mulher-Gato no último filme do Batman. Todas as primeiras impressões desapareceram quando vi a atriz encarnando a personagem de forma brilhante em um dos pontos altos do filme: quando a ladra finge ser uma vítima em meio a um tiroteio iniciado por esta (usando o arquétipo de “donzela em perigo” a seu favor). Hathaway surpreende com as diferentes facetas que oferece à Selina Kyle, e ao fim, fica claro que estamos diante da melhor interpretação que a personagem já ganhou.

Berenice Bejo | O Artista

Eva Green | Sombras da Noite

Ellen Page | Para Roma, com Amor

Penelope Cruz | Para Roma, com Amor

ROTEIRO ORIGINAL

Looper: Assassinos do Futuro | Rian Johnson

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Como é bom ver uma ideia original funcionando eficientemente nas telas… Depois de O Preço do Amanhã surgir com uma premissa sensacional no ano passado (e falhar miseravelmente em seu desenvolvimento), eis que Rian Johnson bola uma trama em que assassinos utilizam de viagem no tempo para eliminar suas vítimas. Em uma mistura interessante de De Volta para o Futuro e Exterminador do Futuro, Looper traz um envolvente estudo de personagem e rumos que fazem jus ao conceito de realidades alternativas e afins. Só acho que a presença de poderes telecinéticos era descartável…

Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres | Steven Zaillian, da obra de Stieg Larsson

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Adaptar a obra de Stieg Larsson para as telonas não é novidade, já que o livro já havia ganho uma versão sueca em 2009. Mas é inegável que o texto do experiente Steven Zaillian seja superior ao da versão escandinava, já que não só apenas traz ótimos diálogos que respeitem o material original, mas também por não ter medo de alterar o curso da história ou detalhes de seus personagens. A forma como a trama se desenrola é muito mais dinâmica do que

FOTOGRAFIA

007 – Operação Skyfall | Roger Deakins, A.S.C.

O que dizer sobre Roger Deakins? Inubitavelmente um dos cinematógrafos mais talentosos das últimas décadas, e sua reunião com o diretor Sam Mendes para a nova missão de 007 rendeu um dos filmes mais lindos do ano. Deakins trabalha muito bem as paletas de cor em diferentes locações do filme e fornece um tratamento de obra de arte na criação de duas sequências agora icônicas: Bond lutando contra um assassino em Hong Kong (com o desenho da água-viva holográfica preechendo a tela com hipnotizantes tons azulados) e o clímax na Escócia, onde as chamas transformam os personagens em silhuetas. Aí Academia, boa oportunidade pra premiar o cara, hein?

MONTAGEM

Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres | Kirk Baxter & Angus Wall

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Kirk Baxter e Angus Wall manjam de montagem. A dupla já levou um par de Oscars duas vezes consecutivas, ambos por trabalhos com David Fincher: A Rede Social e agora com Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Seguindo a meticulosa estrutura do roteiro de Steven Zaillian, a montagem do filme consegue equilibrar com maestria as narrativas completamente opostas dos protagonistas, criando um ritmo rápido e intenso, até o ponto em que estes se encontram. Vale apontar também as ótimas transições passado-presente, como aquela demarcada pelo acendimento de um cigarro.

FIGURINO

Branca de Neve e o Caçador | Colleen Atwood

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Terminada a sessão de Branca de Neve e o Caçador, percebi que o único aspecto do filme que me impressionara positivamente foram os vestidos da Rainha Má. A figurinista Colleen Atwood é especialista quando o assunto é a vestimenta de um personagem fantástico (ela colabora frequentemente com Tim Burton) e sua contribuição para o fraco longa de Reuben Fleischer é um dos deleites visual do mesmo.

TRILHA SONORA

Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge | Hans Zimmer

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Hans Zimmer é um monstro. O impacto que suas composições garantem às imagens conduzidas por Christopher Nolan é gigantesco, conseguindo-lhe proporcionar toda a dramaticidade e senso épico. Tudo bem que Zimmer traz de volta diversos temas que criara anteriormente com James Newton Howard (afinal, como deixar de fora o arrepiante tema que a dupla criou para o Batman?), mas só o uso do coral árabe para o personagem Bane já é a peça musical mais memorável do ano…

DIREÇÃO DE ARTE

A Invenção de Hugo Cabret | Dante Ferretti & Franscesca Lo Schiavo

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Os habituais designers de Martin Scorsese mais uma vez impressionam com seus cenários incríveis – sendo eles reais ou digitais. Temos aqui uma recriação da Paris dos anos 20 e, ao mesmo tempo em que mantém uma fidelidade histórica (especialmente pela escala da estação de trem de Gare Montparnasse) confere apropriados toques fantásticos, como justificam a presença de enormes engrenagens de relógio e as cores com que a fotografia de Robert Richardson os conferem.

EFEITOS VISUAIS

Os Vingadores – The Avengers

EFEITOS

Em um ano onde efeitos visuais dominaram monstruosamente a maior parte das grandes produções, nenhum deles me impressionou como o de Os Vingadores. Além de verossímil nas demonstrações de poder dos personagens (seja nos voos do Homem-de-Ferro, nos raios do Thor ou nos exércitos inimigos), o longa se beneficia de trazer longas batalhas com muito green-screen e personagens digitais sem prejudicar a visão (vide os Transformers de Michael Bay) e por, enfim, trazer um Hulk digital convincente.

CANÇÃO DO ANO

“Skyfall” – 007 – Operação Skyfall | Adele

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Canções dos filmes de 007 são sempre um deleite a parte, e a melodia suave e profunda de Adele para Operação Skyfall é uma das melhores coisas que já aconteceu à franquia. Evocando tons mais clássicos e adequando suas letras ao clima de “encerramento” que o filme propõe, o resultado é inebriante e fica espetacular com a bela sequência de abertura. Quero ver a canção saindo vitoriosa no Oscar…

CRÉDITOS DE ABERTURA/ENCERRAMENTO

Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Uma das aberturas mais espetaculares que já vi na vida. Claramente inspirado pelas aberturas de 007 (será que foi a presença de Daniel Craig no elenco?) o Blur Studios cria uma sequência sombria e pegajosa, onde uma substância negra vai cobrindo a tela e apresentando todos os elementos marcantes da trilogia Millennium; desde seus personagens até cenas icônicas das três obras. E o eletrizante cover do “Immigrant Song” por Karen O faz toda a diferença.

USO DE 3D

A Invenção de Hugo Cabret

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Em sua primeira excursão pelo 3D, Martin Scorsese mostra que entende a função da tecnologia e a usa de maneira orgânica e competente. Assim como James Cameron fez em Avatar, o cinesta opta por planos em vasta profundidade e preenchimento, ao invés dos tradicionais efeitos que “atiram” objetos contra o espectador (algo divertido, convenhamos, mas mais apropriado a um parque de diversões do que uma sala de cinema).

Menção Honrosa: O 3D de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, que fica incrível graças aos 48 fps do longa.

SURPRESA DO ANO: Poder sem Limites

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Quem diria que o subgênero do found-footage ainda teria surpresas na manga? Nas mãos do diretor Josh Trank, acompanhamos uma abordagem incrível para a tradicional premissa do “sujeito comum que ganha poderes extraordinários”, onde não só temos um exercício de estilo fascinante, mas também um estudo de personagens muito comovente. Pra mim, um filme que tinha tudo para dar errado, e acabou por tornar-se um dos melhores exemplares que o gênero já forneceu.

DECEPÇÃO DO ANO: Sombras da Noite

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Tim Burton + Johnny Depp + família sinistra com vampiros e lobisomens. Mas como é que isso deu errado? Uma fórmula perfeita foi completamente desperdiçada aqui, dando espaço a uma trama tediosa e cujas piadas limitam-se a “choques de geração” batidos do personagem principal. O elenco faz um trabalho razoável (com Eva Green, e não Depp, destacando-se), mas Burton prefere (novamente) se preocupar mais com o visual do que com a história que conta. Triste…

MELHORES TRAILERS

1. O Grande Gatsby

2. O Mestre

3. O Homem de Aço

MELHOR PÔSTER

Django Livre – Teaser Poster

DJANGO UNCHAINED

Os 5 FILMES MAIS AGUARDADOS (POR MIM) PARA 2013

Carrie – A Estranha

O Grande Gatsby

O Homem de Aço

Além da Escuridão – Star Trek

Kick-Ass 2

O Harry Osborn de O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA 2

Posted in Notícias with tags , , , , , , , on 3 de dezembro de 2012 by Lucas Nascimento

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Dane DeHaan em ‘Poder Sem Limites

Dane DeHaan, o perturbado Andrew de Poder sem Limites e sidekick de Shia LaBeouf em Infratores, acaba de ser anunciado pelo diretor Marc Webb como Harry Osborn em O Espetacular Homem-Aranha 2. Melhor amigo de Peter Parker, o personagem foi retratado por James Franco na trilogia de Sam Raimi.

Excelente contratação, que Webb aproveite o talento psicótico de DeHaan…

O Espetacular Homem-Aranha 2 estreia em Julho de 2014.

| Projeto X – Uma Festa fora de Controle | Qual a graça de ver, se não estamos lá?

Posted in Comédia, Críticas de 2012, DVD with tags , , , , , , , , , , on 26 de agosto de 2012 by Lucas Nascimento

Talvez se o monstro de Cloverfield aparecesse, o filme seria melhor

A ferramenta narrativa found footage rapidamente vai marcando presença em Hollywood (e até no Brasil), tendo aventurado-se em dois gêneros distintos este ano. O primeiro foi Poder sem Limites, uma inovadora e eficiente abordagem à tradicional premissa de poderes sobrenaturais, e o outro é Projeto X – Uma Festa fora de Controle, que proporciona uma visão sem graça sobre as típicas house parties americanas.

No entanto, o que Projeto X faz melhor do que o longa de Josh Trank é trazer uma justificativa mais verossímil para a presença de câmeras dentro da história. Aqui, o jovem Thomas (Thomas Mann) resolve dar a maior festa de todos os tempos, juntamente com seus amigos que não poupam estereótipos, mas como o próprio título adverte, a situação se descontrola.

A melhor forma de classificar o filme do estreante Nima Nourizadeh é como um “Superbad sem alma”. A pérola adolescente lançada há cinco anos atrás tem situações muito mais engraçadas, mas seu êxito encontra-se no cuidado do roteiro com seus personagens principais, que são bem trabalhados e desenvolvidos – o que faz com que nos importamos com eles quando enfrentam os momentos mais absurdos. Aqui, ocorre exatamente o oposto, e nenhum dos quatro protagonistas interessa ao espectador.

Dessa forma, ver tantas atrocidades em 88 minutos (e estas alcançam um nível anárquico considerável) causa um efeito nulo, do tipo “qual a graça em ver se não estou lá?”. Nourizadeh escolhe uma boa trilha sonora incidental – capturando o espírito festivo surtado – e também na fidelidade acerca do tipo de atividade desse cenário (não acrescentando muita coisa nova, além de um anão preso num forno), que ficam interessantes graças aos cortes constantes das diferentes câmeras que circulam pela festa.

Com os personagens já desinteressantes pelo roteiro, há pouco que os atores possam fazer. Abraçando todos os estereótipos adolescentes existentes, Thomans Mann faz o típico loser que almeja a popularidade, Oliver Cooper faz do amalucado Costa o mais irritante do grupo e Jonathan Daniel Brown provavelmente achou que sua fisionomia acima do peso seria o bastante para provocar risos. Dentre os personagens, o mais interessante é o cinegrafista Dax – justamente por não sabermos muita coisa a seu respeito.

Voltando à ingressão do formato ao gênero, Projeto X – Uma Festa fora do Controle acerta na estética, mas erra estupidamente em termos narrativos. Exemplo: o filme se contraria logo nos segundos iniciais, quando exibe um anúncio de que todas as acrobacias são feitas por dublês, só para logo depois mostrar um pedido de desculpas da Warner Bros pelos eventos ocorridos. Se for brincar, que o faça direito.