Arquivo para Preciosa

Oscar 2010 cai no “Armário da dor”

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 8 de março de 2010 by Lucas Nascimento

Ontem aconteceu em Los Angeles a 82ª Entrega do Oscar. Quem acompanhou a transmissão ao vivo sabe quem ganhou. Bem, estou aqui para dar meus comentários e opiniões sobre os vencedores (houveram muitas injustiças!). Acompanhe.

  Alec Baldwin e Steve Martin tornaram a noite muito divertida

Depois de uma inesperada participação de Neil Patrick Harris, os apresentadores Alec Baldwin e Steve Martin lançaram muitas piadas e brincadeiras com os indicados ( a provocação com George Clooney foi hilária). Ainda fizeram uma paródia genial de Atividade Paranormal, que foi exibida após uma homenagem aos grandes filmes de terror.

   Jeff Bridges e Christoph Waltz com seus prêmios

Bem, sobre os prêmios. Primeiro quero começar falando sobre Roteiro Original… Alguém me explica, como que o roteiro mediano de Guerra ao Terror ganhou do brilhante e sensacional Bastardos Inglórios? O que Mark Boal escreveu de tão genial para bater Quentin Tarantino? É um absurdo, a injustiça da noite! Guerra ao Terror não merecia nem metade do que ganhou. O que me alegrou, foi ver Christoph Waltz levar a estatueta de Ator Coadjuvante; seu discurso foi elegante e simples, o cara merece. E como era esperado, Jeff Bridges levou sua estatueta de melhor ator.

  Sandra Bullock e Mo’Nique ganham seus primeiros Oscars

Mo’Nique era a favorita (e com justiça) por seu papel em Preciosa – Uma História de Esperança, e confirmou seu favoritismo ao levar o prêmio e ignorar o “discurso de 45 segundos”. Uma surpresa da noite foi a vitória do Roteiro Adaptado de Preciosa; Geoffrey Flethcer estava muito emocionado, ninguém esperava por essa. E temos Sandra Bullock, que ficou emocionada ao receber sua primeira estatueta. Curioso é que na noite anterior, ela tinha ganho um prêmio de Pior Atriz.

Avatar e Guerra ao Terror eram os grandes favoritos da noite, com cada um com 9 indicações. O resultado foi que Avatar faturou 3 prêmios (Direção de Arte, Efeitos Visuais e Fotografia) e Guerra ao Terror levou 6, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor. Na minha opinião, Guerra ao Terror merecia apenas Montagem e Mixagem de Som, o resto seria ou de Avatar, ou Bastardos Inglórios (o grande injustiçado!). Mas sobre a disputa Bigelow-Cameron, a diretora até que mereceu, tornando-se a primeira mulher a ganhar o Oscar de Melhor Diretor, mas ainda acho o trabalho espetacular de James Cameron de criar mundos inteiros, bem superior. E Ben Stiller estava impagável como um “avatar”.

“The Hurt Locker” ou “Armário da Dor” (Título original de Guerra ao Terror) é uma expressão metafórica sobre o lugar em que uma pessoa se encontra ao falhar em uma tarefa. O Oscar bem que podia mudar um pouco e começar a premiar filmes empolgantes e mais agitados; filmes que dão prazer de assistir. Por isso, Avatar ou Bastardos Inglórios deveria ter levado. Para mim, o Oscar se encontra (já há algum tempo) dentro do Armário da Dor, e resta torcer para que ele crie juízo e saia de lá.

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E o Oscar vai para…(Parte IV): Categorias principais

Posted in Especiais, Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 5 de março de 2010 by Lucas Nascimento

Para a última parte do especial, deixei as principais categorias: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Original e Adaptado. Confira:

Melhor Roteiro Original

Bastardos Inglórios – Quentin Tarantino

Por algum motivo insano, Bastardos não foi indicado no Sindicato dos Roteiristas, mas tenho quase certeza de que a Academia não vai ignorar um dos mais originais roteiros dos últimos anos. Com uma estrutura excepcional, que apresenta o filme dividido em atos (como em uma peça de teatro), somos introduzidos a excelentes personagens, diálogos afiadíssimos, frases marcantes e uma versão completamente diferente da Segunda Guerra. Quentin Tarantino TÊM que levar, no mínimo, essa estatueta.

Frase Memorável: – Eu adoro rumores! Fatos podem ser enganosos, enquanto rumores, verdadeiros ou falsos, geralmente são reveladores. – Cel. Hans Landa

Guerra ao Terror – Mark Boal

O roteiro de Mark Boal possui uma premissa interessante: acompanhar o dia-a-dia de uma equipe do exército especializada em desarmar bombas. Possui frases de efeito muito bacanas e dramáticas, mas não possui nenhum elemento arrebatador e genial, como todos os críticos parecem acreditar. Se ganhar, ficarei arrasado, porque ele não merece ganhar de Tarantino.

Frase Memorável: “Se eu vou morrer, vou morrer confortável.” – Sargento James.

 Um Homem Sério – Joel Coen & Ethan Coen

O humor negro e irônico dos irmãos Coen não passou despercebido para os votantes da Academia. Apesar de seu ritmo lento, parado e às vezes cansativo, Um Homem Sério mostra o amadurecimento dos Coen, que desenvolvem de maneira dramática e bizarra seu protagonista, mas infelizmente, faltam surpresas bombásticas, como as vistas em Fargo e Queime depois de Ler, o que mostra que os Irmãos perderam coragem.

Frase Memorável: “Eu não pedi por Santana Abraxas, eu não ouvi a Santana Abraxas, eu não fiz nada!” – Larry Gopnik

O Mensageiro – Alessandro Camon & Oren Moverman

Eu não assisti a O Mensageiro, mas a premissa é muito interessante: acompanhar os soldados do Exército que tem a função de avisar a familia de um soldado morto em combate. Até aí me chama a atenção, mas, pelo trailer, é possível ver que o protagonista começa um caso com uma viúva; caminho que já um pouco esperado.

Frase Memorável: “Você não vai falar com ninguém exceto o parente mais próximo. Nenhum vizinho, amigo ou amante.” – Capitão Tony Stone

Up – Altas Aventuras – Bob Peterson & Pete Docter

A Obra-Prima da Pixar foi um dos melhores filmes de 2009 e trouxe uma combinação que poucos filmes trouxeram ano passado: aventura e emoção, muita emoção. Com um roteiro repleto de diálogos ágeis e muito divertidos, reviravoltas emocionantes e muita aventura, é difícil errar. Mas não será esse ano que uma animação ganhará essa estatueta.

Frase Memorável: Meu nome é Dug. Eu acabei de te conhecer e eu te amo! – Dug

Melhor Roteiro Adaptado

Amor sem Escalas – Jason Reitman & Sheldon Turner

Bem, Amor sem Escalas é o favorito da categoria. Eu gostei do roteiro, ele é muito bem escrito e possuí comentários sobre o desemprego e como sobreviver em um aeroporto que são realmente excepcionais. Mas as vezes somos jogados dentro do filme e não sabemos exatamente para onde ele quer nos levar, ou mostrar. Mas o roteiro conserta esse erro mais para o fim.

Frase Memorável: “Todo mundo que já construiu um império, ou mudou o mundo, sentou onde você está agora. E é Porque eles sentaram aí, que foram capazes de fazê-lo. – Ryan Bingham

Distrito 9 – Neil Blomkamp & Terri Tatchell

Distrito 9 é sem dúvida um dos mais originais e o mais realista filme de alienígenas já feito. Possui muitos elementos políticos, uma relação com o Apartheid envolvendo aliens e a arrebatadora transformação do protagonista. Possui muitos personagens arquétipos – como o militar durão, o sogro malvado – mas é um bom roteiro.

Frase Memorável: Vai ser rápido. Vai ser limpo. E o melhor de tudo… Vai ser discreto.” – Koobus Venter

Educação – Nick Hornby

É. Educação não merecia estar nessa categoria, do mesmo modo que Avatar, injustamente, não foi indicado para Melhor Roteiro Original. Tudo o que vemos em Educação já vimos antes, apesar de alguns bons diálogos e cenas bem escritas, como o primeiro encontro de Jenny com David e o genial personagem de Alfred Molina. Só isso.

Frase Memorável: “Eu sempre me sinto no meu próprio funeral quando ouço música clássica. Isso era música clássica, certo?” – Helen

In the Loop – Jesse Armstrong & Simon Blackwell & Armando Ianucci & Tony Roche

Quando li pela primeira vez a lista dos indicados a Melhor Roteiro Adaptado, a primeira coisa que pensei foi: “Whatta fuck is In the Loop?”. Não dei importância para o filme, mas ao assistir ao trailer, dei muitas risadas, principalmente com a frase abaixo. Sobre a trama, ela é bem interessante e chamativa; ponho fé em comédias inglesas.

Frase Memorável: “Você parece uma Julie Andrews nazista!” – Malcom Tucker

Preciosa – Uma História de Esperança – Geofrey Fletcher

 

O roteiro de Preciosa é muito bem escrito. Possui diálogos bem montados, escritos e desenvolve de maneira esperta seus personagens. No entanto, algumas passagens do roteiro são muito depressivas, tornando o filme desconfortável. Há também os personagens secundários arquétipos, mas fora isso é um roteiro bem escrito.

Frase Memorável: “Ás vezes eu queria que estivesse morta. Eu ficarei bem, eu acho. Porque eu fico olhando pra cima, esperando alguma coisa cair… Uma mesa, sofá, TV… Minha mãe talvez. – Clareece Precious Jones.

Melhor Diretor

James Cameron – Avatar

12 anos depois de sua vitória por Titanic, James Cameron é um dos favoritos para roubar o Oscar novamente com sua aventura futurista. Introduziu uma nova maneira de fazer filmes e ressucitou o cinema 3D de maneira impressionante. Já levou o Globo de Ouro de Melhor Diretor, mas suas chances contra Kathryn Bigelow não são tão grandes. O próprio Cameron já declarou que torce pela vitória de Bigelow. Se alguém quiser lembrar do mico que Cameron pagou gritando uma frase de Titanic, veja aqui.

Indicações ao Oscar: 3 Vitórias por Titanic como co-editor, co-produtor e Diretor. 3 indicações por Avatar como Co-editor, co-produtor e Diretor.

Quentin Tarantino – Bastardos Inglórios

Quentin Tarantino foi indicado, injustamente, apenas uma vez ao Oscar por seu melhor trabalho, Pulp Fiction, mas todos sabem que o gênio cinéfilo merecia outras indicações. Bastardos Inglórios é um dos melhores trabalhos do diretor e do cinema recente. Se dependesse de mim, Tarantino levaria o Oscar de Melhor Diretor fácil.

Indicações ao Oscar: 1 Vitória por Pulp Fiction como Co-Roteirista, 1 indicação por Pulp Fiction como Diretor ; 2 Indicações por Bastardos Inglórios como Diretor e Roteirista.

Jason Reitman – Amor sem Escalas

Jovem e promissor cineasta, Jason Reitman impressionou novamente com um filme complexo e maduro. Sempre confiante, aposta o charme do filme em seu maravilhoso elenco e acerta, mas esse ano, as chances de Reitman ir para casa com a estatueta de Diretor são remotas, mas tem grande chance como roteirista. E é bom que Reitman vá treinando sua cara de derrotado feliz, porque ele não pareceu nem um pouco feliz quando Avatar levou o Globo de Ouro…

Indicações ao Oscar: 1 Indicação por Juno como Diretor e 2 indicações por Amor sem Escalas como Diretor e Roteirista.

Kathyrin Bigelow – Guerra ao Terror

Kathryn Bigelow vai se tornar a primeira mulher a ganhar o Oscar de Melhor Diretor. É um trabalho notável; com a câmera na mão, Bigelow retrata de perto a ação dos soldados, seus momentos mais dramáticos e o ajuste na sociedade. Já levou o DGA, o PGA e o BAFTA e o único obstáculo em seu caminho é seu ex-marido, James Cameron. Mas a cineasta parece estar por cima.

Indicações ao Oscar: 1 Indicação por Guerra ao Terror como Diretora.

Lee Daniels – Preciosa – Uma História de Esperança

Devo dizer, a direção ousada e talentosa de Lee Daniels foi um dos grandes trunfos de Preciosa. Filmado com câmera tradicional, o diretor não tem medo de mostrar cenas fortes, pesadas e têm bastante controle sobre seu talentoso elenco. Gostei muito de seu trabalho.

Indicações ao Oscar: 1 Indicação por Preciosa – Uma História de Esperança como Diretor. 

Melhor Filme

Depois do óbvio e sem surpresas Oscar do ano passado, teremos um que, apesar de ter alguns favoritos, continua uma incógntia quem será o vencedor da categoria máxima. Avatar levou o Globo, Guerra ao terror o PGA e o DGA.

Amor sem Escalas

O terceiro filme do promissor Jason Reitman é sua obra mais complexa e madura, tendo sua mensagem não entendida por muitos. Bem escrito e cativante, o filme fala, principalmente, sobre relações e seus fins. Sejam relações de trabalho ou amorosas, e como nem sempre tudo dá certo na vida real. Sem rumo no início, mas sempre entretendo, é um bom filme. Crítica completa.

Avatar

Eu realmente não esperava muita coisa de Avatar quando vi o primeiro trailer. Mas o ambicioso projeto de James Cameron é a prova de que ainda existem boas ficções científicas, e que podem até chegar no nível de Star Wars, criando mundos inteiros e raças alienígenas. Tudo bem que a idéia do agente infiltrado que se encanta com o mundo que deve destruir não é tão original, mas o que importa, é a maneira como o filme conta sua história, que não falha em emoção, efeitos visuais e uma mensagem de responsabilidade ambiental. Outra grande força de Avatar, é sua bilionária bilheteria, atualmente a maior da História. Crítica completa.

Bastardos Inglórios

Se vocês tem acompanhado o blog nos últimos meses, sabem muito bem que, na minha opinião, Bastardos Inglórios é o melhor filme concorrendo e se dependesse de mim, levava o Oscar fácil. Um filme mais que original, divertido, com personagens memoráveis e uma alucinada versão alternativa da História. Pode até ser a Obra-Prima de Quentin Tarantino; um filme de ficar na memória e ver mais de uma vez. Realmente, uma grande injustiça o Oscar não dar o prêmio máximo para o filme que realmente merece. Um filme que já nasceu um clássico. Crítica completa.

Distrito 9

Um dos mais realistas filme de alienígenas já feito. Isso é um fato. Uma grande surpresa do ano, que saiu de um desconhecido diretor sul-africano (mas produzido por Peter Jackson), Distrito 9 mostra os alienígenas sofrendo um tipo de Apartheid, sendo isolados em uma favela. É muito original, possui efeitos visuais caprichados e um clima documental que chega a ser um tanto perturbador, mas eu acho que o clímax de batalha, com armas alienígenas foi um tanto exagerado. Mas ainda assim um ótimo filme. Crítica completa.

Educação

Dentre todos os indicados, Educação talvez seja o que menos merece a vaga. Sua história é previsível, com poucas surpresas e com um clímax esperado, mas ao menos temos um ótimo elenco, que liderados pela ótima Carey Mulligan, tornam o filme assistível. Ok, senhor crítico, e quanto a Avatar, já não vimos a mesma estrutura de história antes? Sim, mas o que importa, é que a ficção de James Cameron possui mais emoção e é melhor contada. A indicação só ocorreu porque é um tipo de filme que a Academia adora: filme inglês independente que fez sucesso em festivais.E mais, o excelente (500) Dias com Ela poderia ter assumido com justiça a vaga. Crítica Completa.

Guerra ao Terror

Por toda a parte, críticos falavam: Guerra ao Terror é um dos melhores filmes da década. Quando o assisti pela primeira vez, não achei nada além de um bom filme de ação com pinceladas de drama e muita tensão. Ao reassistí-lo, comecei a perceber melhor o que o filme queria mostrar, qual era seu objetivo e a explicação para o título The Hurt Locker. Minha opinião em torno do filme mudou, mas, mesmo assim, ainda não acho que seja esse o filme que merece ganhar o Oscar máximo e nem que seja tão genial e brilhante como todos dizem. É o filme superestimado da noite. Crítica completa.

Um Homem sério

A obra mais complexa e madura dos Irmãos Coen. O filme critica, com humor negro afiado, temas complicados e tenta passar uma interessante mensagem. Possui um ritmo bem lento e poucas surpresas, mas é um trabalho brilhante e muito inteligente, cujas idéias não podem ser captadas em apenas uma visita. Crítica Completa.

Preciosa – Uma história de Esperança

Preciosa tem como principal acerto, mostrar sem medo ou pudores, os abusos que a protagonista sofre de seus pais. Cheio de drama e tensão, o filme é muito bom, mas seu clima depressivo e forte, pode se tornar muito desconfortável de se assistir. O elenco se sai muito melhor, e acho que é por esse fator que o filme deva ser lembrado. Crítica Completa.

Um Sonho Possível

O filme dramático de Sandra Bullock foi uma das grandes surpresas entre os indicados. Eu esperava Star Trek ou Invictus, mas quem levou a vaga foi Um Sonho Possível. Ainda não assisti, mas ao julgar pelo trailer, ou a própria sinopse, me parece mais um dramalhão com a mensagem de superação no final. O típico “feel good movie”. O filme tem estreia prometida para semana que vem aqui no Brasil.

Up – Altas Aventuras

Uma animação na categoria de Melhor Filme? Isso mesmo, a Pixar já vinha merecendo há alguns anos a merecida indicação e ela veio com o excelente Up, na minha opinião a melhor animação já feita. Original, divertido e carregado com uma camada emocional inexistente em muitos filmes de hoje em dia. Sem sombra de dúvida leva na de Melhor Animação, mas suas chances em Melhor Filme são menores. Crítica completa.

 

Bem, é sensato dizer que Avatar e Guerra ao Terror são os que tem mais chance levar a estauteta dourada para casa. Eu já dei meu voto, agora é com vocês! Vote abaixo e não deixe de conferir o Oscar nesse domingo. Espero que tenham gostado!

E o Oscar vai para…(Parte II) – Partes técnicas

Posted in Especiais, Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 26 de fevereiro de 2010 by Lucas Nascimento

Na segunda parte do especial gigante sobre o Oscar avaliarei as categorias técnicas. Muita gente não dá muita importância a elas, mas sem estas, o filme não seria o mesmo. Avaliarei aqui as categorias de Melhor Fotografia, Montagem, Figurino, Maquiagem, Efeitos Visuais e Direção de Arte.

Melhor Fotografia

Avatar – Mauro Fiore

O interessante da fotografia de Avatar é que ela quase inteira feita por computador. E isso não é uma característica negativa, com o trabalho de cores e luzes feitos em CG, o resultado é espetacular, rendendo muitas cores vivas e vibrantes. Possui algumas, poucas, cenas com iluminação tradicional, mas não alcançam o mesmo resultado da CG. É surreal, como assistir a uma pintura em movimento.

Bastardos Inglórios – Robert Richardson

A fotografia de Robert Richardson é belíssima. A cena inicial tem cores vibrantes e vivas, alternadas pelo personagem do Cel. Hans Landa. Em diversos momentos, a fotografia se alterna, possuindo uma iluminação mais escura (como na cena do cinema) e tons mais dinâmicos.

A Fita branca – Christian Berger

Quem pensou que a fotografia em preto e branco estava morta (eu inclusive), se surpreendeu com a indicação do alemão A Fita Branca. Obviamente, não são as cores que fazem da fotografia o que ela é, mas sim a iluminação e a organização dos objetos, como por exemplo, na cena acima temos uma simetria quase perfeita ao fundo.

Guerra ao Terror – Barry Ackroyd

A fotografia bem cinzenta e suja ajuda a retratar o duro trabalho nos campos de batalha no Iraque. O que a diretora quis, era que o público se sentisse acompanhanado de perto os soldados, com muitos closes e uma iluminação muita escura nas cenas noturnas e bem clara nas cenas diurnas.

Harry Potter e o Enigma do Príncipe – Bruno Delbonnel

A fotografia do sexto Harry Potter é realmente caprichada e linda. Com toques bem obscuros e cenas de pouca iluminação, o filme ganha o tom certo e necessário. Mas o grande trunfo da fotografia, são as cenas de flashback do personagem Tom Riddle, sempre bem dark, um pouco embaçado… É difícil descrever a beleza dessas cenas, que lembram até filmes de terror.

Melhor Direção de Arte

Avatar – Rick Carter e Robert Stromberg (Direção de Arte); Kim Sinclair (Decoração de Set)

O que dizer sobre a arte de Avatar…Não há dúvidas de que essa seja mais uma categoria dominada. O design das criaturas, das plantas e de todo o filme é arrebatador; James Cameron disse em uma entrevista “que queria os melhores artistas” e conseguiu transmitir para a tela suas idéias, com um resultado mais do que satisfatório.

O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus – Dan Hermansen e Anastasia Masaro (Direção de Arte); Caroline Smith (Decoração de Set)

 

Terry Gilliam é um cara de estilo, mas o visual impressionante do último filme de Heath Ledger, mostra que seus filmes tem potencial para ultrapassar Tim Burton em termos de estranheza e criatividade. A cena acima é apenas um dos belíssimos e excêntricos exemplos que eu pude encontrar. Mas esse ano é Avatar

Nine – John Myhre (Direção de Arte); Gordon Sim (Decoração de Set)

O charme dos cenários e elementos visuais de Nine, está nos palcos cheio de luzes e dançarinas exóticas. Alguns deles são gigantescos e ricos em detalhes, na arquitetura e nas cores; enquanto outros são bem regulares, para as cenas de ensaios. Acho as paisagens italianas (mostradas nos trailers) muito mais belas.

Sherlock Holmes – Sarah Greenwood (Direção de Arte); Gordon Sim (Decoração de Set)

Já disse isso bastante na crítica do filme, mas aí vai outra vez: a direção de arte que mostra uma Londres vitoriana bem dark e suja, me lembra um pouco de Sweeney Todd de Tim Burton, e isso não é uma coisa ruim. Os cenários (criados quase todos por CG) são excelentes, com destaque para a Tower Bridge em fase de construção. Um pouco mais realistas e menos abstratos dos que o do filme de Tim Burton (olha ele de novo!), transmitindo uma obra mais madura.

The Young Victoria – Patrice Vermette (Direção de Arte); Maggie Gray (Decoração de Set)

 

Parecendo sair de verdadeiras obras de arte, os palácios mostrados em The Young Victoria são muito bem reproduzidos. Cores bem vivas que se misturam com a caprichada estrutura.

Melhor Montagem

Para ilustrar a categoria, peguei exemplos de como uma mesma cena é filmada de ângulos diferentes. Elas não são o corte exato.

Avatar – James Cameron, John Refoua e Stephen Rivkin

Avatar é um filme bem montado, possui um ritmo rápido que não cansa, mas não possui cortes tão rápidos, (com exceção da batalha final entre os Na´vi e os humanos) o que nos ajuda a acompanhar melhor a ação. Nos primeiros momentos, a edição é interessante por mostrar flashbacks misturando-se com cenas no presente.

Bastardos Inglórios – Sally Menke

Os Bastardos de Quentin Tarantino ganham uma edição caprichada na violenta saga de vingança. Possui cortes mais rápidos para mostrar cenas de tiroteios e porradas com bastões de beisebol, o que só ajuda a deixar a cena mais impactante. Outro elemento divertido, é quando o filme é interrompido para apresentar um personagem, como a cena de Hugo Stiglitz. O fato de o filme ser dividido em capítulos também é muito interessante, dando a sensação de estar assistindo a uma peça de teatro.

Distrito 9 – Julian Clarke

Além de possuir muitos cortes rápidos, sejam em cenas de ação ou as mais comuns, o filme é interrompido em diversos momentos, por entrevistas com cientistas, professores e militares (todos falsos, é claro), dando um tom mais documental ao filme, trazendo seu realismo a tona.

Guerra ao Terror – Chris Innis e Bob Murawski

O aspecto mais interessante da montagem de Guerra ao Terror, é que a diretora quis mostrar o impacto de uma explosão em diversos pontos, como a areia do chão elevando-se, como se vê na imagem acima. O filme é bem montado, possuindo muitos cortes rápidos e um ritmo tenso que ao decorrer do filme, só aumenta.

Preciosa – Uma História de Esperança – Joe Klotz

Julgando pela imagem a cima, você pode ter a impressão de que a edição de Preciosa não é nada demais. Ledo engano, o filme possui uma montagem excelente, trocando de frame e cheia de cortes rápidos. Além disso, o filme é interrompido em certos momentos, mostrando fantasias e lembranças da protagonista.

Melhor Figurino

Brilho de uma Paixão – Janet Patterson

O Oscar esse ano selecionou muitos filmes de época para a categoria de figurinos, assim fica um pouco mais difícil apostar em um vencedor. As vestimentas de Brilho de uma Paixão são muito bonitas, bem costuradas e com leves traços de alguns trabalhos em filmes como Orgulho e Preconceito e Desejo e Reparação. Ao menos eu acho.

Coco antes de Chanel – Catherine Leterrier

O fato de o filme sobre a estilista Coco Chanel ser indicado nessa categoria me faz lembrar muito de quando O Diabo Veste Prada conseguiu o mesmo feito; na hora pensei “Prada! Lógico que vai ganhar o Oscar”. No fim, Maria Antonieta levou a estatueta, por se tratar de figurinos de reis e rainhas (chegaremos nesse ponto depois). O figurino de Coco antes de Chanel é realmente impecável, caprichado e por um momento me fez pensar “Chanel! Lógico que vai ganhar o Oscar”. Mas por um breve momento…

O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus – Monique Prudhomme

Para combinar com o visual insano do filme, foram necessários figurinos de ponta e, ainda assim, excêntricos. O personagem Dr. Parnassus usa (em boa parte do filme) um terno simples com riscas e uma máscara bem interessante. Os outros figurinos são simplesmente bons em minha opinião.

Nine – Coleen Atwood

Hmm. Olhando essas duas imagens você não deve estar nem aí para o figurino. Eu teria o mesmo pensamento, primeiro porque temos duas lindas beldades em trajes minúsculos e segundo, porque não achei o figurino tão espetacular a ponto de receber a indicação. Claro, temos algumas excessões – como as vestimentas de Judi Dench- mas de resto, são roupas de strippers e ninguém liga para a roupa das strippers.

The Young Victoria – Sandy Powell

Como havia mencionado no figurino de Coco antes de Chanel, desde 2007, a estatueta de Melhor Figurino sempre têm caído nas mãos de filmes de reis e rainhas (Maria Antonieta, Elizabeth – A Era de Ouro e A Duquesa) e, ao julgar pelas vestimentas vitorianas de The Young Victoria esse ano não será uma excessão. Cada vez mais caprichados e rico em detalhes, filmes de época têm, no mínimo, o Oscar de figurino garantido.

Melhor Maquiagem

II Divo – Aldo Signoretti e Vittorio Sodano

As maquiagens do Oscar desse ano estão fraquinhas. Ano passado tivemos Hellboy, um Brad Pitt envelhecido e o Coringa de Heath Ledger. Bem, o primeiro indicado é o filme pouco conhecido por aqui Il Divo. A maquiagem é caprichada. Olhando na imagem acima, não parecem ser o mesmo ator (mas é, eu garanto!).

Star Trek – Barney Burman, Mindy Hall e Joel Harlow

Eric Bana como o vilão Nero é apenas uma das inúmeras caprichadas maquiagens de Star Trek. Seu personagem possui orelhas pontudas, tatuagens na cara e uma cor verde (mas não é a primeira vez que vemos o Eric Bana verde certo?), garantindo um visual bem caprichado e um inimigo amedrontador. Ao longo do filme, somos apresentados a várias outras, caprichadas, maquiagens alienígenas.

The Young Victoria – Jon Henry Gordon e  Jenny Shircore

Sejam sinceros consigos mesmos. A maquiagem de The Young Victoria merece ganhar o Oscar? Por mim nem seria indicada. Trata-se de um trabalho extremamente simples, e que nem deixa a linda Emily Blunt diferente. Bem, até onde eu sei, porque as imagens que encontrei na internet só mostram essa diferença. Não sei se no filme há algum tipo de salto temporal, mostrando-a mais velha.

Melhores Efeitos Visuais 

Distrito 9 – Dan Kaufman, Peter Muyzers, Robert Habros e Matt Aitken

Se Avatar não tivesse sido lançado esse ano, eu diria que Distrito 9 teria grandes chances de ganhar. Os efeitos são excelentes, possuem movimentos que parecem reais de tão perfeitos e realistas que são. Não exagera na tecnologia, apesar de seu último ato, que se deixa levar por explosões e cenas de ação em excesso, deixando bem fácil de se acompanhar. O único porém, é que o robô utilizado por Wikus em uma cena, tem movimentos meio abstratos e devagares.

Star Trek – Roger Guyett, Russell Earl, Paul Kavanagh e Burt Dalton

O bacana dos efeitos visuais de Star Trek é o fato de eles serem, aparentemente, simples e leves. Não temos, por exemplo, uma porrada de CG que você não entende nada (Transformers – A vingança dos Derrotados) e sim, efeitos usados de maneira esperta, deixando a ação fácil de acompanhar.

Avatar – Joe Letteri, Stephen Rosenbaum, Richard Baneham e Andrew R. Jones

Se Avatar não ganhar o Oscar de Efeitos Visuais, será a grande surpresa da noite. Os efeitos são perfeitos e repletos de detalhes, a única razão de o filme demorar tanto para sair do papel. Cada Na´vi, planta, árvore ou criatura ganham uma absurda atenção nos detalhes e possuem um realismo impressionante. Certeza absoluta que ao menos esse trófeu a aventura leva.

 Bem, a segunda parte do especial acaba aqui, volte na Segunda Feira para a parte III, onde discutirei os sons e músicas. Espero que tenham gostado, deixem comentários!

| Preciosa – Uma História de esperança | O Triunfo de Lee Daniels

Posted in Cinema, Críticas de 2010, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , on 21 de fevereiro de 2010 by Lucas Nascimento

  Gabourey Sidibe como Precious: Atuação poderosa e delicada

Você acha que tem problemas? Então dê uma boa olhada na vida de Clareece Precious Jones; estuprada pelo pai duas vezes, violentada pela mãe desequilibrada, obesa e analfabeta. O filme acompanha essa vida dura mostrando a jornada de Precious, que tenta superar esses problemas e ter uma vida feliz. Tenso, pesado e muito depressivo, o que pode tornar o filme desconfortável de se assistir.

Na trama, Precious é uma adolescente de 16 anos cheia de problemas sociais e familiares. Vive com sua mãe desequilibrada que a trata mal e a abusa. Para superar seus problemas, ela entra uma escola especial, onde começa a aprender a escrever e a ler.

Bem, é um filme muito bom. O diretor Lee Daniels faz um trabalho excepcional em gravar o filme com uma câmera de mão, balançando em certos momentos, e não têm medo de mostrar sequências tensas e fortes; como a cena do estupro que, apesar de não ser gráfica, é extremamente perturbadora. O roteiro é bem escrito, possui diálogos bem montados e um ritmo bem tenso, mas temos um problema: o processo de superação, com colegas e professores não apresenta nenhuma novidade e possui personagens arquétipos; como a professora determinada a ajudar, colegas que dão suporte, etc…

O elenco é sensacional. Gabourey Sidibe interpreta Precious, mantendo o mesmo estilo depressivo e delicado em boa parte do filme. Seus momentos mais dramáticos são emocionantes e suas cenas com Mo’Nique, extremamente tensas. E por falar em Mo’Nique, ela interpreta a mãe de Precious, que no início é apresentada como uma personagem fria e sem coração, mas logo, descobrimos que ela é mais uma vítima, que faz o que faz com suas razões (meio exageradas e egoístas). Mo’Nique é a favorita para o Oscar de Atriz Coadjuvante, favoritismo extremamente merecido; a atriz está excelente no papel, que é o mais difícil do filme.

Preciosa – Uma História de Esperança é um filme muito bem produzido, montado e talentosamente dirigido pelo corajoso Lee Daniels. O elenco é ótimo, mas o ritmo depressivo e tenso pode ser desconfortável para alguns.