Arquivo para prelúdio

| Universidade Monstros | Primeiro prelúdio do estúdio fica aquém de sua gloriosa reputação

Posted in Animação, Cinema, Críticas de 2013 with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 23 de junho de 2013 by Lucas Nascimento

3.0

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Toga! Toga! Mike e Sully nos tempos de faculdade

A Pixar teve um período espetacular nos cinemas. De 2005 até 2010, o estúdio filiado pela Walt Disney foi responsável por alguns dos melhores filmes de animação de todos os tempos: Os Incríveis, Ratatouille, Wall-E, Up – Altas Aventuras e Toy Story 3 conquistaram não só o público infantil, mas também fez muitos adultos chorarem (eu ainda apanho dos 10 minutos iniciais de Up) e refletirem sobre os temas contidos nesses trabalhos – quase todos indicados ao Oscar, dois deles ao de Melhor Filme. A Era de Ouro da Pixar acabou com Carros 2 e Valente, filmes que- mesmo tendo sido bem recebidos – careciam do valor sentimental/maduro encontrado em seus trabalhos anteriores. Universidade Monstros chega para tentar reafirmar o posto absoluto do estúdio, mas não é nada além de um filme divertido.

A trama serve como prelúdio para o genial Monstros S.A., mostrando Mike Wazowski (voz de Billy Cristal na versão original) e James P. Sullivan (voz de John Goodman) se conhecendo na Universidade Monstros, uma faculdade especializada no ensino dos sustos e formadora de funcionários para a famosa empresa do filme anterior. Aqui, a dupla se alia a um grupo ridicularizado a fim de ganhar um torneio essencial para o curso de Assustadores.

Comandado pelo estreante Dan Scanlon (que também assina o roteiro ao lado de Robert L. Baird e Daniel Gerson), Universidade Monstros é eficiente ao trabalhar alguns elementos de sua empolgante proposta: como funcionaria uma instituição de ensino de monstros? Daí entra a esperteza do texto ao transportar todos os estereótipos de universidades norte-americanas (os esportistas, os nerds, os hippies e toda aquela divisão de fraternidades) ao universo de monstros nada assustadores, mas que continuam surpreendendo por suas composições inventivas (a personagem dublada por Helen Mirren, uma mistura de inseto com dragão, é particularmente interesssante). As melhores piadas funcionam pelos pequenos detalhes.

O que nos leva ao grande problema do filme. A história aqui é pautada em uma estrutura formulaica, prevísivel e que não parece ter nada muito significativo a dizer (além de uma óbvia valorização do trabalho em equipe). Claro, o público-alvo nesse tipo de produção é a faixa etária dos 10 anos, mas a Pixar sempre conseguia trazer algo além. Não temos aqui uma história emocionante como a do velhinho Carl, um amadurecimento profundo como o de Andy ou um antagonista complexo como o crítico gastronômico Ego. O prelúdio se sai bem como uma animação divertida e que entretém, mas não parece demonstrar a ambição por temas mais elaborados. Como fã de Monstros S.A., fico decepcionado por não ter sido bem explorada a relação entre Mike e a salamandra Randy Boggs (voz de Steve Buscemi); é revelado aqui que os dois eram amigos, mas o desmantelamento dessa amizade se dá por motivos rasos, jamais ganhando o foco necessário para justificar a vilania do personagem no primeiro filme.

Ainda estou esperando que a Pixar volte a me estapear com suas incríveis doses de sentimento e humor. Universidade Monstros é um bom filme, mas o estúdio pode (e está devendo) fazer muito melhor.

Obs: Há uma engraçadíssima cena pós-créditos.

Obs II: Como de costume nos filmes da Pixar, é exibido um curta-metragem antes do início do filme. “O Guarda-Chuva Azul” é bonitinho, mas nada espetacular.

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Primeiro trailer de OZ – MÁGICO E PODEROSO

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , , on 12 de julho de 2012 by Lucas Nascimento

Com a Comic-Con 2012 rolando em São Diego, espere por muitas novidades no mundo da cultura pop. Pra começar, enfim temos um trailer para Oz – Mágico e Poderoso, prelúdio de Sam Raimi para o clássico Mágico de Oz. A prévia realmente traz um visual espetacular, mas terá uma boa história? Confira:

Oz – Mágico e Poderoso estreia em 8 de Março de 2013.

Gritos vindo do Espaço | Especial PROMETHEUS

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 12 de junho de 2012 by Lucas Nascimento

Na última quinta-feira, tive a oportunidade de assistir a Prometheus e a crítica com minha opinião já está no ar. No entanto, estava preparando um especial sobre o filme e, depois de ter visto o filme, fiz algumas adaptações e espero que gostem.Vamos lá:

Aviso: Há alguns spoilers (mas relaxem, tem um aviso prévio quando se aproximarem de um)

Ao contrário dos outros especiais que escrevi (onde analisava todo o processo de produção do filme), serei um pouco mais objetivo este ano. Aqui, algumas perguntas que vêm rodeando Prometheus – e as respostas que você procura…

O que é Prometheus?

De acordo com a mitologia grega, Prometheus foi o deus responsável por entregar o fogo – até então uma posse estritamente divina – aos humanos, tendo seu banimento (e uma tortura horrenda) como consequência. Já na ficção científica de Ridley Scott, Prometheus é o nome da nave principal, que tem como objetivo explorar os mais obscuros cantos do espaço, em busca daqueles que possam ser os criadores da vida na Terra.

Prometheus foi filmado em 3D?

Felizmente, sim. 3D e Câmeras RED Epic. O 3D do filme funciona de forma muito sutil, não se destaca mas também não prejudica a sessão.

Qual a ligação entre PrometheusAlien – O Oitavo Passageiro?


O Space Jockey enfim ganha uma explicação

Ainda não está clara, mas Scott afirma que os eventos mostrados em Prometheus antecedem os de Alien. Aliás, quem é fã da franquia somou facilmente o dois mais dois visto nos inúmeros trailers e comerciais de TV do filme, e é inegável que este filme serve de prelúdio para o filme de 1979. O observador mais atento notou que a empresa por trás da expedição espacial é a Weyland Corporation (mesma da frnaquia original) e reparou na presença do misterioso Space Jockey, um ser alienígena que apareceu repentinamente no longa original (quando a equipe da Nostromos descobre os ovos do Alien) e que provavelmente vai ganhar mais destaque aqui.

O texto acima foi escrito antes de eu ver o filme. Não vou entregar nada, mas aviso: fique de olho no Space Jockey…

O que a equipe da Prometheus descobriu? [SPOILER]


O salão com o obelisco gigante e os misteriosos vasos

Os roteiristas Damon Lindelof e Jon Spaiths já haviam comentado que a trama envolveria a origem da humanidade. Após assistir ao filme, é revelado que os cientistas Elizabeth Shaw e Charlie Holloway descobriram uma raça alienígena – que eles chamam de Engenheiros – que pisou na Terra durante o início dos tempos e acabou por criar a raça humana. Durante a viagem espacial, eles encontram o planeta LV-223, onde os tais criadores teriam estado pela última vez. Não falo mais nada!

O Alien Xenomorfo está em Prometheus? [SPOILER]


Um dos parasitas alienígenas encontrados em LV-223

SPOILER SPOILER; Ao longo de Prometheus, vamos conhecendo variados elementos alienígenas. Não vou entrar em detalhes, mas ao fim da projeção uma criatura muito (muito) similar ao alien xenomorfo perfura o peito de um Space Jockey.Então, pode-se dizer que o xenomorfo está sim no filme.

Prometheus terá continuações?

A julgar pelo final do filme, eu espero que sim! Mas antes, devemos aguardar pelo desempenho do filme nas bilheterias. Todavia, nenhum dos envolvidos tem contrato assinado para continuações.

Os principais personagens de Prometheus:

Dra. Elizabeth Shaw | Noomi Rapace

Obcecada pesquisadora e cientista, Elizabeth Shaw descobre junto com seu marido Holloway, pictogramas que ela acredita ser um convite de seres extraterrestres superiores (a quem ela se refere como “Engenheiros”). É forte e movida por fé e o desejo de conhecer seus criadores.

David | Michael Fassbender

A oitava versão de sua geração, David é um andróide de inteligência artificial que auxilia a equipe da Prometheus em sua jornada épica. Suas funções vão de pesquisa e tradução de línguas desconhecidas até análise medicinal de elementos alienígenas. Para saber mais sobre ele, assista ao vídeo na seção “Viral”, em alguns parágrafos abaixo.

Logan Marshall-Green | Charlie Holloway

Marido de Elizabeth, Holloway é um cientista mais aventureiro e que prefere expedições à bibiliotecas, arriscando-se ao extremo para obter as respostas que procura. Junto com sua mulher, formulou a teoria sobre os Engenheiros

Meredith Vickers | Charlize Theron

Funcionária da Companhia Weyland (e filha de seu president, Peter Weyland), Meredith Vickers é representante da mesma na tripulação da Prometheus. Por tomar uma postura mais burocrática (e sempre exigir que tudo saia a sua maneira), ela constantemente entra em conflito com a equipe; não se importando em cancelar a missão se a situação fuja do controle.

Peter Weyland | Guy Pearce

Ambicioso e poderoso, Peter Weyland é o presidente da Companhia Weyland, responsável por incomparáveis avanços tecnológicos e pela iniciativa de exploração espacial – principalmente na forma do Projeto Prometheus. Weyland vê a humanidade como deuses, e não medirá esforços para alcançar seu objetivo. No filme, encontra-se em idade avançada mas ainda esperançoso de seu objetivo.

As principais mentes responsáveis pela criação do alien xenomorfo.

O Roteirista


Dan O’Bannon: o homem que imaginou um alienígena estuprador

Visando uma ficção científica assustadora, os roteiristas Dan O’Bannon e Ronald Shusett trabalhavam no roteiro que viria a se tornar Alien – O Oitavo Passageiro. Idealizando a história e a criatura, O ‘Bannon queria que o alienígena se infiltrasse na espaçonave principal por meio de uma relação sexual com um dos tripulantes – elemento que, sendo melhor desenvolvido posteriormente, daria origem à famosa cena do chestburster (perfura-peito).

Tendo seu complexo ciclo de vida terminado, a criatura de Alien foi concebida como uma analogia ao estupro, e o roteiro assinado por Dan O’Bannon fora completado.

O Surrealista


O artista H. R. Giger e sua sinistra criação

Enquanto estava na França auxiliando o diretor Alejandro Jodorowsky com um projeto conhecido como Dune, Dan O’Bannon conheceu um dos responsáveis pelo design de produção: o artista surrealista suíço H. R. Giger. Impressionado com seu trabalho, que traz imagens sombrias e com forte presença sexual, Giger foi logo sinalizado para o estúdio da Fox.

Com Ridley Scott contratado para a direção do filme, o novato cineasta logo se encantou pelo trabalho de Giger, recrutando-o imediatamente – contra a vontade do estúdio, que considerava seu trabalho pornográfico – para definir a aparência do xenomorfo. A principal inspiração para a criatura alienígena foi a obra Necronom IV, que Giger pegou e adaptou-a até chegar no visual final da criatura. De acordo com o artista, seus desenhos dessa coleção são baseados em seus pesadelos.


Necronom IV: A inspiração decisiva para o visual do xenomorfo

A contribuição do surrealista para Alien – O Oitavo Passageiro ficaria apenas na fisionomia da criatura, mas no fim ele deu vida à criatura, os ovos, o facehugger, o design do planeta alienígena (batizado de LV-426) e também o do Space Jockey. Giger, de fato, tem uma criatividade perversamente genial.

H. R. Giger também contribuiu para o visual de alguns elementos de Prometheus.


Uma das artes conceituais finais do Xenomorfo

Uma análise breve sobre o complexo ciclo de vida do Alien:

1. Ovo: Produzidos pela Rainha Alien, os ovos ficam protegidos por uma névoa com sensor de movimentos. Assim, qualquer forma de vida que atravessá-lo, dá um alerta para que o ovo se abra.

2. Facehugger (“Abraça-Rosto”): De dentro do ovo sai o facehugger, estágio inicial da criatura alienígena. O bicho gruda no ser (independendo se for humano ou não, já que o alien é um xenomorfo) e fica plantado lá por um bom tempo, plantando uma espécie de “semente” em seu hospedeiro; portando também de um sistema de defesa baseado na expelição de ácido. Após tal processo, ele é descartado.

3. Chestburster (“Perfura-Peito”): Após a semente do facehugger se desenvolver, o pequeno alien perfura o peito de seu hospedeiro e começa seu acelererado desenvolvimento para a fase adulta. Vamos relembrar essa fase com a clássica cena do primeiro filme, onde vemos o chestburster pela primeira vez. Aqui.

4. O “Cachorro”: Quando o Alien usa um cachorro como hospedeiro, a criatura assume uma forma quadrúpede – similar ao da forma adulta a seguir.

5. Fase Adulta: Adulto, o alien é uma máquina de matar implacável. Usando como arma sua afiada cauda ou a “segunda boca” para perfurar suas vítimas ou oponentes, ele ainda conta com o mecanismo de defesa ácido.

6. Rainha: Estágio mais desenvolvido da criatura, apresenta um considerável aumento de tamanho em sua estrutura, assim como mutações na cabeça. A rainha é mais forte e também é capaz de botar os ovos, que reiniciam o ciclo.

ANOMALIAS

Híbrido

Visto em Alien: A Ressurreição, a criatura híbrida nasceu após o DNA do xenomorfo ter sido combinado com o de um clone de Ripley. É, em minha opinião, o bicho mais sinistro de toda a franquia…

Predalien

Na medonha franquia Alien vs. Predador (que muitos, eu incluso, não consideram como parte da mitologia original de ambos os personagens), um facehugger escolhe um predador como hospedeiro, e o resultado é o chamado “Predalien. A criatura traz características de ambos os alienígenas, e mostra-se ainda mais perigosa e mortal. Seu fim é dado pelas mãos de um solitário Predador em Alien Vs. Predador 2.

Alien – O Oitavo Passageiro (1979)

Marco absoluto no cinema de ficção científica (e também no de terror, inubitavelmente), Alien lançou o talento de Ridley Scott e o belo rosto de Sigourney Weaver para Hollywood. Silencioso e até um pouco parado, o longa trabalha minuciosamente a criação do suspense e da claustrofobia, partindo de um bom roteiro e um elenco competente. Um clássico, sem falar que criou um dos alienígenas mais icônicos do cinema.

Aliens – O Resgate (1986)

Um dos melhores exemplos de sequência “maior e melhor”, James Cameron abraça a mitologia introduzida por Ridley Scott em O Oitavo Passageiro e substitui o terror claustrobófico por épicas batalhas entre humanos e alienígenas. Em um espetáculo de efeitos visuais e práticos (a Rainha Alien, projetada pelo falecido Stan Winston, é o ponto alto nesse quesito), Aliens – O Resgate é o meu preferido da série.

Alien³ (1992)

Estreia de David Fincher na direção cinematográfica, o terceiro Alien é uma decepção perto do épico de James Cameron. Com um roteiro confuso, sem cuidado com sua narrativa ou personagens (inúmeras desavenças entre estúdio e diretor sacrificaram a boa premissa do longa, que nos apresenta a um planeta-prisão), o que se salva aqui é o belo visual – que vai desde o uso inteligente de sombras até a imagem marcante de Ripley careca.

Alien – A Ressurreição (1997)

Ambientando-se 200 (!) anos após o anterior, Alien – A Ressurreição realmente não precisava ter sido feito. É exagerado, estranho e não apresenta quase nenhuma similaridade com os outros filmes, apesar de trazer algumas boas ideias (como o uso do Alien como arma biológica e a criatura híbrida). Sigourney Weaver faz uma Ripley diferente e muito menos admirável do que a original.

Alien vs Predador (2004-2008)

Trazendo outro monstro sagrado da Fox, o Predador, o embate entre os dois alienígenas prometia muito. No entanto, ambos os filmes são de qualidade ruim e muito abaixo do potencial dos personagens, sendo apenas um feito técnico (no primeiro filme). O primeiro de Paul W. S. Anderson é até assistível, mas a continuação de Colin e Greg Strause é um dos piores filmes que já assisti. Tamanha bagunça, que tanto Predadores (retomada do personagem, de 2010) quanto Prometheus ignoram os eventos de AVP.

Abaixo, reuni alguns vídeos de viral do filme (acredite, eles complementam muito a experiência).

Peter Weyland discursa na TED 2023

Conheça David 8

Pedido de financiamento da Dra. Elizabeth Shaw

Gostaram? Espero que sim. Prometheus estreia no Brasil nesta Sexta. Leia a crítica do filme aqui.

| Prometheus | Ridley Scott vai atrás da origem da Humanidade

Posted in Cinema, Críticas de 2012, Ficção Científica, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , , , on 8 de junho de 2012 by Lucas Nascimento


Depois de tanto suspense, um momento de descontração entre Charlize Theron, Michael Fassbender e Noomi Rapace

Obs: Há alguns spoilers, esteja avisado.

A origem da humanidade permanece até hoje a incógnita definitiva, tendo contrastantes explicações científicas e religiosas para basear suas teses. Mas para agradar gregos e troianos, está lá o cinema com suas próprias ideias e teorias; e aqui está Prometheus, ficção científica que vai atrás dessas respostas e também marca a segunda viagem espacial do diretor Ridley Scott.

A trama (mantida a sete chaves durante sua meticulosa divulgação) relata uma expedição humana até o espaço, visando encontrar uma raça alienígena que, tendo pisado na Terra há milhares e milhares de anos, pode ter criado os humanos. É só isso que posso dizer sobre a história sem revelar algo importante. Ah sim, “Prometheus” é o nome da espaçonave que transporta os cientistas, executivos e andróides envolvidos na expedição.

Aí tudo mundo se pergunta: o que isso tem a ver com Alien – O Oitavo Passageiro? O que o ‘Space Jockey’ está fazendo ali? O que aquele cabeção significa? A verdade é que ao longo da projeção, Prometheus vai gerando ainda mais dúvidas e mergulha em sequências de mistérios dignos de Lost (não é coincidência já que Damon Lindelof, que assina o roteiro ao lado de Jon Spaiths, era um dos principais cabeças do seriado), e como consequência não temos todas as respostas desejadas. Reformulando, não temos as respostas do jeito que esperávamos e o excesso de mistérios falha ao acrescentar algo de útil – como por exemplo, o “empregador misterioso” do robô David.

Direto ao ponto, Prometheus serve sim como um prelúdio para o suspense de 1979. No entanto, sua trama é bem modelada o suficiente para funcionar por si só, ainda que homenageie o original em diversos aspectos, que vão de estrutura narrativa até visual alienígena (as referências à criatura xenomorfa estão lá, culminando em uma revelação surpreendente). E no comando de tantos complexos elementos, está Ridley Scott que apresenta uma visão realmente primorosa para cenários – méritos também ao ótimo design de produção, que traz de volta H. R. Giger, impressionista responsável pelo visual do Alien de 79 – e mantém um ritmo sempre cativante e ambicioso ao longo da projeção.

Com quesitos técnicos excepcionais, o longa também traz um bom elenco. Ainda que traga personagens esterotipados, seus intérpretes entregam um desempenho favorável e os clichês de suas composições sinceramente não importam. A excessão, é certamente o andróide David, que o monstro Michael Fassbender faz muitíssimo bem (ele anda de bicicleta, joga basquete e adora Lawrence da Arábia) e o roteiro evidentemente concentra nele algumas de suas melhores ideias; o que David realmente quer? Porque fez as coisas que fez? Um personagem fascinante, mas que dá espaço à intensa Noomi Rapace (sexy e tão forte quanto a Ripley de Sigourney Weaver), o carismático Logan Marshall-Green (igualzinho ao Tom Hardy) e a competente Charlize Theron.

Prometheus é um épica e respeitosa nova entrada no universo de Alien, e também o início (?) de uma promissora nova franquia de ficção científica. Scott e seus roteiristas brincam com a ideia da criação da vida e entregam um longa do gênero que traz suspense e gore (a cena do parto, o que foi aquilo?!) como há muito não via.

Mas eu falo por todos quando digo: queremos mais do xenomorfo.

Obs II: Essa crítica foi publicada após a pré-estreia do filme, em São Paulo, no dia 7 de Junho.

Obs III: Em decorrência das inúmeras discussões que o longa pode causar, abrirei um espaço para divulgação de ideias e opiniões na semana que vem.

Primeiro trailer de O HOBBIT: UMA JORNADA INESPERADA

Posted in Trailers with tags , , , , , , , on 21 de dezembro de 2011 by Lucas Nascimento

Eu admito que não sou o maior fã da trilogia O Senhor dos Anéis (na verdade, nem assisti o terceiro ainda), mas gostei do primeiro trailer de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, primeira parte do prelúdio da franquia. Quem dirige é Peter Jackson, e diversos rostos familiares estão de volta. Confira:

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada estreia em 14 de Dezembro.

Ridley Scott vai dirigir novo filme de BLADE RUNNER

Posted in Notícias with tags , , , , , , on 18 de agosto de 2011 by Lucas Nascimento

Ridley Scott realmente está sentindo-se nostálgico. Além de comandar o prelúdio de Alien – O Oitavo Passageiro (Prometheus, cujas filmagens já começaram), acaba de ser anunciado que o diretor irá dirigir e produzir um novo filme sobre Blade Runner – O Caçador de Andróides.

Ainda não se sabe se teremos uma continuação, prelúdio ou uma história diferente ambientada no mesmo universo do primeiro filme (acho a última alternativa bem mais interessante). Vale relembrar que foi o próprio Scott que dirigiu o longa anterior em 1982.

Notícia interessante, mas é bom que os responsáveis pelo projeto, nas palavras de Pânico 4, “don’t fuck with the original”.

| Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1 | Muito mais do que um mero prelúdio

Posted in Aventura, Críticas de 2010, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , , , on 19 de novembro de 2010 by Lucas Nascimento

5.0


London calls: Harry, Rony e Hermione fogem para as ruas da Inglaterra

Desde que o cineasta David Yates assumiu o comando da saga Harry Potter, acrescentou a ela um toque político, sombrio e muito mais adulto do que seus antecessores. Finalizar a franquia é uma tarefa tão complexa que o último filme teve de ser dividido em duas partes. A Primeira é tudo o que Yates deu à saga, aprimorado em todos os aspectos.

A começar pelo tom, da atmosfera cinematográfica. Dessa vez Hogwarts nem está presente na trama, o que já incomoda pela sensação de insegurança pelos três protagonistas; não mais jovens estudantes de magia, Harry, Rony e Hermione são adultos lançados em mundo perigoso sem qualquer tipo de proteção – além da magia, claro – e sobrevivendo às custas uns dos outros. Há sempre uma aura de perigo, que Yates cria a equilibra muito bem, sobrando espaço para muitos toques de humor também.

O tom obscuro é fruto do favorável roteiro de Steve Kloves, que agora com mais tempo de projeção pode dar atenção à eventos secundários e desenvolver as situações com mais suspense e emoção. A fotografia cada vez mais escura é o maior acerto técnico da produção; com uma paleta de cores frias, predominantemente cinza – que, claro, alterna em alguns cenários – e paisagens belíssimas de montanhas, rochedos e florestas retratadas de maneira artística, assemelhando-se com pinturas góticas. A montagem também é esplêndida, grande destaque para a selvagem perseguição na floresta.

Mostrando-se ainda mais seguro, Yates continua me impressionando cada vez mais com sua dinâmica direção, seus enquadramentos, rotações e – pela primeira vez aqui – o metódo da câmera na mão, que balança constantemente nas cenas mais tensas emocionalmente e nas de suspense, especialmente na silenciosa visita à Godric Hollow’s, um dos pontos altos da trama assim como a invasão estilo heist ao Ministério da Magia, que equilibra suspense e comédia de maneira satisfatória, com resultados inesperados.

Mostrando-se muito mais complexos e amadurecidos, o elenco acompanha e preenche bem esse cenário de trevas. Daniel Radcliffe continua o bom trabalho com Harry, acrescentando mais insegurança ao jovem. Emma Watson apresenta pela primeira vez uma carga dramática relevante e crível à sua Hermione. Mas quem é uma grande revelação é Rupert Grint, que finalmente transmite a angústia e o sacrífico que Rony sente em relação a ser apenas “o amigo do Eleito”, resultando em uma pesada discussão entre os dois.

Apresentando-se mais do que um mero prelúdio e indo além do que apenas preparar o espectador para o último filme, Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte I impressiona pela maturidade e a beleza visual comandanda por seu diretor, que conduz a trama magistralmente até terminar em um gancho que deixará todos muito ansiosos para a conclusão da maior franquia da história do cinema.

Clique aqui para ler essa crítica em inglês (english)