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| Os Oito Odiados | Crítica

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2016, Drama with tags , , , , , , , , , , , , on 1 de janeiro de 2016 by Lucas Nascimento

4.0

h8
Jennifer Jason Leigh é Daisy Domergue: a mais suja entre mal lavados

Filmes de Quentin Tarantino são praticamente um evento cinematográfico. O diretor e roteirista certamente tem ciência disso, afinal durante os créditos iniciais somos alertados de que trata-se de seu “oitavo filme”, o que não deixa de ser uma ironia que trata-se de algo batizado como Os Oito Odiados. Novamente se aventurando no faroeste, após o bem-sucedido Django Livre, Tarantino demonstra maturidade e surpreende, ainda que longe da perfeição.

A trama se passa uns dois anos após a Guerra Civil americana, no final dos anos 1800. Em uma forte nevasca, o caçador de recompensas Major Marquis Warren (Samuel L. Jackson) é acolhido por outro colega de profissão, John Ruth “O Carrasco” (Kurt Russell), que leva acorrentado consigo a prisioneira Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh) para ser enforcada na cidade mais próxima. Em decorrência do clima opressor, eles são forçados a ser refugiar em uma estalagem, onde também residem Chris Mannix (Walton Goggins), o novo xerife de Red Rock, o carrasco Oswaldo Mobray (Tim Roth), o mexicano Bob (Demián Bichir), o confederado Sandy Smithers (Bruce Dern) e o vaqueiro Joe Gage (Michael Madsen).

Pelo estabelecimento da trama em um único local, e uma série de intrigas criadas entre seus personagens, é bem evidente que a premissa de Os Oito Odiados se aproxima bastante da do primeiro filme de Tarantino, Cães de Aluguel. Claro, com um orçamento maior e ambições maiores, a trama do faroeste é muito mais complexa e interessante do que vemos à primeira vista. À medida em que passam os capítulos da divisão habitual de Tarantino, descobrimos mais detalhes sobre o passado dos jogadores e o real contexto da história. É muito divertido como  a atmosfera da trama remete bastante a um jogo de tabuleiro, como Detetive, quando descobrimos que alguém ali pode ou não ter intenções letais.

O elenco é fantástico nesse quesito. Em mais uma colaboração com Tarantino, Samuel L. Jackson demonstra muita segurança e experiência na pele de um veterano de guerra, e um medo muito bem mascarado: “Você não sabe como é ser um negro nos EUA”, alerta Warris, que também mostra-se sombrio e perigoso; seu desempenho ao relatar um certo evento para o personagem de Bruce Dern é fabuloso, assim como a reação do veterano ator. Tim Roth e Michael Madsen eram dois atores que não davam as caras em um filme do diretor há um tempo, e se saem muito bem. Roth acerta em sua postura cortês e no sotaque britânico carregado (em muitas maneiras, ele preenche os sapatos de Christoph Waltz), enquanto Madsen mantém seu estilo misterioso e “cool”.

Kurt Russell também retoma a parceria após À Prova de Morte, fazendo de Ruth um sujeito extremamente escandaloso e paranóico, já que toma todas as medidas possíveis para garantir que ninguém lhe passe a perna na captura de Domergue (basta nos lembrarmos que ele está ACORRENTADO a ela). Mas é mesmo Jennifer Jason Leigh quem rouba a cena. Ainda que não fique claro no começo, ela é a personagem quem mais merece o título de “odiado” do título, jamais perdendo força ou charme, mesmo sendo esmurrada e estapeada por Russell durante quase toda a projeção. Suja até os pés de sangue e com os dentes quebrados, o discurso que a protagonista durante o último ato deve se destacar como um dos melhores momentos da carreira de Tarantino.

Para seu segundo faroeste, Tarantino apostou pesado. Aliado ao diretor de fotografia Robert Richardson, rodou o longa em película Ultra 70 mm, que permite uma razão de aspecto mais extensa e, assim, uma visão de campo muito mais estreita e vasta horizontalmente. As paisagens geladas de montanhas de neve ganham muito com o formato, que também revela-se curioso pela decisão de Tarantino de manter a trama toda em um único espaço. Visualmente, garante muito mais detalhes e ainda valoriza o trabalho do designer de produção de Richard L. Johnson na criação da estalagem, cuja decoração e objetos de cena revelam-se essenciais para algumas das pistas descobertas pelos personagens. A trilha sonora original de Ennio Morricone é outra valiosa adição, que ajuda o espectador a imergir em um clima de mistério e antecipação, dando pouco espaço para uma trilha sonora incidental pop (há apenas uma ocasião, com White Stripes).

Talvez o único problema seja o ritmo. Com quase 3 horas de duração, percebe-se que muito poderia ser reduzido se o montador Fred Raskin fosse mais habilidoso. Depois do “interlúdio” que separa o longa (que é inserido no melhor momento possível, palmas), o ritmo torna-se perigosamente lento, incluindo aí um capítulo em flashback que acaba se alongando muito mais do que o necessário. A conclusão também nos traz um Tarantino mais tímido, mas agrada pela quase inédita preocupação em abordar uma questão social relevante da história dos EUA.

Os Oito Odiados é mais um acerto para Quentin Tarantino, que realiza aqui um de seus experimentos mais maduros e desafiadores. Não atinge a perfeição de seus trabalhos anteriores, mas merece créditos pelo excepcional elenco reunido aqui.

Obs: Será um desafio para as salas de cinema conseguirem projetar com perfeição a película. Boa sorte.

O primeiro trailer de OS 8 ODIADOS

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , , , , on 12 de agosto de 2015 by Lucas Nascimento


Não por coincidência, o oitavo filme de Quentin Tarantino é o faroeste Os 8 Odiados, que acaba de ganhar seu primeiro trailer. Ele nos apresenta aos coloridos personagens de Kurt Russell, Jennifer Jason Leigh, Samuel L. Jackson, Michael Madsen, Tim Roth, Bruce Dern, Walton Goggins e Damian Bechir.

Além disso, é possível notar no uso do Super Cinemascope, lentes que oferecerão uma razão de aspecto maior (o mesmo padrão do clássico Ben-Hur).

Confira:

Os 8 Odiados estreia em 25 de Dezembro nos EUA. No Brasil, em Janeiro.

Ennio Morricone fará trilha sonora original para OS 8 ODIADOS

Posted in Notícias with tags , , , , , , , , on 11 de julho de 2015 by Lucas Nascimento

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Durante o painel da Comic Con de Os 8 Odiados, o diretor e roteirista Quentin Tarantino revelou que o consagrado compositor italiano Ennio Morricone fará a música de seu novo filme. Será a primeira trilha de Morricone para um western em quase 40 anos, e a primeira vez que teremos trilha sonora original para um filme de Tarantino.

Vale lembrar que Morricone já colaborou com o cineasta em Django Livre, colaborando na letra da canção “Ancora Qui”.

Os 8 Odiados estreia em 25 de Dezembro nos EUA. No Brasil, em 6 de Janeiro.

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Vazou o trailer de THE HATEFUL EIGHT

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , on 21 de agosto de 2014 by Lucas Nascimento

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As filmagens de The Hateful Eight, novo filme de Quentin Tarantino, ainda nem começaram, mas já temos online um breve teaser trailer. O vídeo está sendo exibido durante as sessões de Sin City: A Dama Fatal, e limita-se a apresentar em texto a premissa e os personagens principais; ao som de “Gimme Danger”, de Iggy Pop e the Stooges. De qualquer forma, é bem empolgante, e não há planos para seu lançamento oficial na internet. Confira:

O faroeste em “glorioso 70 mm” se concentra em 8 estranhos que acabam refugiados em um saloon durante uma nevasca.

The Hateful Eight estreia em 2015.

Primeiro pôster de THE HATEFUL EIGHT

Posted in Notícias with tags , , , , , on 30 de julho de 2014 by Lucas Nascimento

Com a produção oficializada por Quentin Tarantino, The Hateful Eight começará suas filmagens em breve. O novo faroeste do diretor gira em torno de oito estranhos que se refugiam em um saloon durante uma nevasca.

Confira o primeiro pôster oficial:

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O elenco conta com Samuel L. Jackson, Bruce Dern, Michael Madsen, Kurt Russell, Tim Roth, Zoe Bell, entre outros.

A estreia de The Hateful Eight acontece em 2015

Quentin Tarantino retoma THE HATEFUL EIGHT

Posted in Notícias with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 27 de maio de 2014 by Lucas Nascimento

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Depois de toda a polêmica do roteiro vazado e da elogiada leitura ao vivo, Quentin Tarantino resolveu retomar The Hateful Eight, seu novo projeto que voltará ao gênero do faroeste. O diretor anunciou que estaria reescrevendo parte do roteiro.

De acordo com o Showbiz 411, as filmagens começarão em Novembro e incluirá todos o elenco da leitura do roteiro, que traz Bruce Dern, Samuel L. Jackson, Michael Madsen, Kurt Russell, James Remar, Amber Tamblyn, Walton Goggins e Zoë Bell. Tim Roth também estava no evento, mas não foi confirmado no filme.

E não, Christoph Waltz não foi confirmado 😦

Ambientada em uma Wyooming pós-Guerra Civil, a trama do filme envolve 8 estranhos que se refugiam em um saloon durante uma nevasca pesada. Li um resumo da leitura ao vivo, e a estrutura remete bastante à de Cães de Aluguel, já que aposta em uma narrativa pesada em flashbacks e ambientes fechados.

Vamos aguardar por mais novidades!

Kurt Russell, James Remar, Amber Tamblyn, Walton Goggins, and Zoe Bell
Read more at http://collider.com/the-hateful-eight-filming-cast/#SFkEKwFIzGFV9wSz.99
Kurt Russell, James Remar, Amber Tamblyn, Walton Goggins, and Zoe Bell
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Kurt Russell, James Remar, Amber Tamblyn, Walton Goggins, and Zoe Bell
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Kurt Russell, James Remar, Amber Tamblyn, Walton Goggins, and Zoe Bell
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O Incógnito Oscar 2013 | Volume IV: Categorias Principais

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 21 de fevereiro de 2013 by Lucas Nascimento

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Chegamos à parte final do meu especial sobre o Oscar 2013! Aqui, analisaremos as categorias principais, passando pelos Roteiros, Diretores e, claro, os 9 filmes indicados. Vamos lá:

OBSERVAÇÕES:

  • Clique nos nomes de cada profissional para conferir seu histórico de indicações ao Oscar
  • Abaixo de cada perfil estão os prêmios que cada filme já garantiu na respectiva categoria
  • Nas categorias de ROTEIRO ORIGINAL e ROTEIRO ADAPTADO, clique nos títulos de cada filme para seu o roteiro completo (em inglês)

roteirooriginal

Qual é o parasita mais resistente? Uma ideia. Uma ideia completamente original é muito difícil de ser encontrada atualmente, mas de vez em quando, algumas muito boas aparecem em determinados roteiros. Os indicados são:

Amor | Michael Haneke

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Assim como aconteceu com A Separação no ano passado, a indicação de Amor nestas categorias principais automaticamente garante sua vitória em Filme Estrangeiro. Já o texto de Michael Haneke em si, não é meu preferido dentre os indicados… Acho a maior parte dos diálogos monótonos e que raramente trazem temas envolventes (um exemplo raro, é quando vamos percebendo aos poucos a identidade de um ex-aluno), sendo essencialmente cotidianos. O que admiro no roteiro de Haneke são ideias que funcionam melhor visualmente, como a cama de flores ou a genial metáfora da pomba invasora. E, claro, sua chocante reviravolta.

Quotação Memorável:
“- O que você diria se ninguém aparecesse no seu funeral?
– Nada, provavelmente” – Anne, Georges

Django Livre | Quentin Tarantino

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Eu ja disse antes e repito: não há ninguém que seja capaz de escrever diálogos como Quentin Tarantino. Sua investida no gênero de faroeste ( só que aqui, a designação mais apropriada é “farosul”) preserva todos os elementos típicos de sua escrita, desde os longos e caprichados diálogos até os personagens absurdos (como o bandido que cita a Bíblia e cola páginas desta no corpo enquanto chicoteia escravos). É certo que Django Livre é uma narrativa imperfeita, visto que sofre com um leve problema estrutural próximo a seu desfecho – onde a projeção se extende após o tiroteio em Candyland. Mas mesmo assim, o longa merece a vitória graças à habilidade e inteligência de Tarantino na construção dos diálogos, sendo mestre em prolongar as interações entre personagens e trabalhar a ascenção de tensão. Personagens e situações dignos do talento do cineasta, já está bom demais.

Quotação Memorável:Senhores, já tinham minha curiosidade. Mas agora têm minha atenção” – Calvin Candie

  • Globo de Ouro
  • BAFTA
  • Critics Choice Awards – Roteiro Original

A Hora Mais Escura | Mark Boal

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Mark Boal era um jornalista freelancer antes de se converter a roteirista vencedor do Oscar. E percebe-se a marca de sua profissão anterior aqui, já que o colaborador de Kathryn Bigelow enche A Hora Mais Escura de nomes, eventos e datas; visando um retrato quase que documental da busca por Osama Bin Laden. E ainda assim, certamente há muita ficção aqui, como a teatrilidade que eu pessoalmente duvido que a agente Maya demonstrava (como sua insatisfação ao marcar uma contagem de dias na janela de seu chefe), mas não é nada sensacionalista ou evasivo. Tendo seu final reescrito durante as filmagens, o roteiro do filme traz bons diálogos e situações, mas exausta por sua vasta quantidade de informações.

Quotação Memorável: “Eu sou a ‘motherfucker’ que achou esse lugar, senhor” – Maya

  • WGA – Roteiro Original

Moonrise Kingdom | Wes Anderson e Roman Coppola

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Moonrise Kingdom foi o primeiro filme de Wes Anderson que vi na vida, e acho que a narrativa cômica e quase caricata deve se aplicar à maioria dos trabalhos do diretor/roteirista. Aliado a Roman Coppola (isso mesmo, ele é filho do grande Francis Ford), Anderson traça uma fábula inocente e dócil sobre a própria perda desta; um jovem casal que se apaixona e resolve fugir da cidade, atravessando situações divertidas, simbólicas (o gesto de “furar a orelha”, por exemplo, é revelador) e personagens excêntricos. Não vejo grandes diálogos aqui, mas traz muitas ideias que funcionam visualmente.

Quotação Memorável: “Estarei lá no fundo. Vou procurar uma árvore pra cortar.” – Sr. Bishop

O Voo | John Gatins

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A premissa elaborada por John Gatins em O Voo é muito instigante, e funciona admiravelmente bem na primeira metade da projeção. O problema é que Gatins sente a necessidade de estender a narrativa desnecessariamente, e acaba adicionando elementos comoletamente descartáveis, como a viciada em drogas Nicole. Além disso, o roteirista resolve analisar a fundo o problema de alcoolismo de seu protagonista com uma série de clichês (está lá a velha cena de despejar as bebidas no ralo da pia) que só funcionam graças à performance de Denzel Washington. Se houvessem mais cenas sobre a investigação da perícia (ou apenas elas), seria mais interessante.

Quotação Memorável: “Ninguém poderia ter aterrissado aquele avião como eu. Ninguém” – Whip

FICOU DE FORA: Looper: Assassinos do Futuro | Rian Johnson

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Em uma época em que Hollywood aposta em continuações, adaptações e remakes de tudo quanto é coisa, eis que brota Rian Johnson e oferece uma aventura de ficção científica muito competente na forma de Looper: Assassinos do Futuro. Partindo da criativa premissa em que assassinos são contratados para eliminar alvos do futuro, Johnson explora com eficiência os conceitos e leis desse universo que criou, não se preocupando em oferecer uma explicação mega-científica para realidades alternativas e viagens no tempo. Um bom roteiro, que só peca pela presença desnecessária de poderes telecinéticos…

Quotação Memorável:Eu não quero falar de viagem no tempo, porque se começarmos vamos acabar ficando o dia todo aqui, fazendo diagramas com canudinhos” – Joe do Futuro

APOSTA: Django Livre

QUEM PODE VIRAR O JOGO: A Hora Mais Escura

MEU VOTO: Django Livre

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Quando uma ideia completamente original está em falta, resta recorrer à livros, artigos, peças ou fazer continuações; podendo simplesmente adaptá-la à tela grande, ou criar algo novo a partir de seu argumento. Os indicados são:

Argo | Chris Terrio, baseado no artigo Escape from Theran: How the CIA used a Fake Sci-Fi Flick to Rescue Americans from Iran de Joshuah Bearman

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Adaptado de um artigo que relata uma história real “que só poderia ser coisa de filme”, o roteiro de Argo deveria ser o sonho de qualquer cineasta. Escrito por Chris Terrio, este faz um ótimo trabalho ao trazer diálogos inteligentes e divertidos (nesse quesito, todas as cenas que envolvem Hollywood), gerando não apenas um eficiente thriller de espionagem, mas também um filme sobre se fazer filmes. Além da inusitada mistura, Terrio ainda traz um tema que se mantém atual e proporciona uma abordagem sem julgamentos pró-EUA. Claro que com um grupo de americanos a serem resgatados no Irã, os árabes recebem um tratamento antagonista, mas nunca chega a ser algo ufanista. E em tempos pós-11 de Setembro e Primavera Árabe, isso já é motivo para parabenizá-lo. Sem falar que criou o bordão mais legal dos últimos anos: “Argofuck yourself!”.

Quotação Memorável: “Se eu vou fazer um filme de mentira, vai ser um sucesso de mentira!” – Lester Siegel

  • WGA – Roteiro Adaptado
  • BAFTA

As Aventuras de Pi | David Magee baseado no livro A Vida de Pi de Yann Martel

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Muitos julgavam Life of Pi de Yann Martel uma obra infilmável (e enquanto termino o livro, reconheço que seja uma adaptação difícil), mas o roteiro de David Magee conseguiu dar conta do recado. Adotando a clássica estrutura do sujeito que compartilha suas histórias fantásticas para um terceiro, tal recurso compensa pela ausência de diálogos e também para envolver melhor o espectador da narrativa – afinal, Pi está nos contando a história. Mas ainda que Magee traga bons momentos de humor e reviravoltas  (a maioria destes na forma de baleias e peixes voadores) em um ambiente limitado, o texto erra no mesmo ponto do livro: a demasiada exposição sobre os conceitos de diversas religiões. Probleminhas à parte, é uma adaptação eficiente e bom entretenimento, conseguindo preservar a bela mensagem sobre o desapego da vida e a presença do simbolismo no embate realidade x ficção.

Quotação Memorável: “Eu acho que no fim, a vida toda torna-se um ato de desapego, mas o que sempre me entristece é não ter um momento para se despedir”. – Pi Patel

Indomável Sonhadora | Lucy Alibar e Benh Zeitlin baseado na peça Juicy and Delicious de Lucy Alibar

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Em breve, texto em progresso!

O Lado Bom da Vida | David O. Russell, baseado no livro The Silver Linnings Playbook de Matthew Quick

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David O. Russell assume a dupla função de diretor e roteirista, e sua habilidade com as palavras e tão formidável como a que este demonstra atrás das câmeras. O diretor adapta o livro de Matthew Quick (que não li, ainda) e oferece um tratamento leve e divertido a temas delicados como transtornos psicológicos e depressão – ambos favorecidos pelos excelentes diálogos entre os carismáticos personagens -, ainda que não os transforme totalmente em uma piada. Do meio pro fim, O Lado Bom da Vida se rende a algumas decisões previsíveis e até a elementos fantásticos (como a presença de “zica” em partidas de futebol americano), mas isso não prejudica por completo o bom trabalho de O. Russell.

Quotação Memorável: É, mande o Ernest Hemingway nos ligar e pedir desculpas também!” – Pat, Sr.

Lincoln | Tony Kushner, baseado parcialmente no livro Team of Rivals: The Political Genius of Abraham Lincoln de Doris Kearns Goodwin

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Já tendo trabalhado com Steven Spielberg em Munique (que também lhe garantiu uma indicação nesta categoria, em 2006), Tony Kushner traz os eventos mais relevantes de Team of Rivals para tratar um perfil dos últimos meses da vida de Abraham Lincoln. O que me incomoda no roteiro de Lincoln é que a narrativa prefere se concentrar nas politicagens e quebra-paus acerca do processo de validação da 13a emenda (e nas práticas maquiavélicas para conseguí-la) do que no homem que nomeia o título. Mesmo que traga bons diálogos nas cenas do Congresso (especialmente as rebatidas de Tommy Lee Jones), é a relação de Lincoln com sua família que me despertou maior interesse, e esta é – infelizmente – pouco explorada.

Quotação Memorável: “Eu poderia escrever sermões mais curtos, mas quando começo tenho preguiça de parar.”

  • Critics Choice Awards – Roteiro Adaptado

FICOU DE FORA: As Vantagens de Ser Invisível | Stephen Chbosky

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É muito interessante quando o autor de um livro sai para adaptar ele próprio sua obra. No caso de Stephen Chbosky, ele não só assina o roteiro de As Vantagens de ser Invisível, mas também a direção do longa; o que lhe da o direito de fazer todas as alterações que bem entender, sem sacrificar a obra original. Na crônica de Charlie e sua entrada no ensino médio, temos aqui diálogos maravilhosos, personagens muito carismáticos e também um tratamento muito delicado e original a temas como abuso sexual, problemas psicológicos e homofobia. Mas mais do que isso, é uma bela história sobre encontrar a si mesmo.

Quotação Memorável: “Nós estamos vivos agora mesmo, e nesse momento eu juro que somos infinitos” – Charlie

APOSTA: Argo

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Lincoln

MEU VOTO: Argo

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Já vimos dezenas de categorias nas quatro partes deste especial. Mas apenas uma pessoa pode ter o controle absoluto sobre ela, mudar o que quiser e comandar para atingir o resultado desejado: o diretor. Os indicados são:

Michael Haneke | Amor

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Cineasta de currículo impecável (que conta com Caché, os dois Violência Gratuita e A Fita Branca), é de se espantar que essa seja apenas a primeira indicação de Michael Haneke. Como discuti em minha crítica, o austríaco confere um tom com grande lentidão e calmaria (a ausência de música e a presença de longos planos sem cortes ajudam nesse quesito) ao longo das 2 horas de Amor e isto é essencial para que o clímax funcione tão bem, e destrua toda esse tom como uma bomba atômica. O trabalho de Haneke é muito inteligente, mas requer muita paciência de seu espectador.

Ang Lee | As Aventuras de Pi

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Seguindo os passos de James Cameron e Martin Scorsese, Ang Lee é o novo reconhecido da Academia pelo uso da tecnologia 3D. Não que esta seja algo espetacular, mas o taiwanês traz recursos visuais muito interessantes em sua adaptação de As Aventuras de Pi, como mudar a proporação da imagem – alternando entre 16:9 e 4:3 em momentos chaves – a fim de conferir efeitos tridimensionais que, literalmente, “saltam” da tela. A direção de Ang Lee é criativa e este ajuda a criar uma narrativa competente que se sustenta com lindas imagens.

David O. Russell | O Lado Bom da Vida

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Eu tinha birra com David O. Russell desde sua indicação por O Vencedor, mas agora é tudo water under the bridge após seu trabalho seguro em O Lado Bom da Vida. Sua câmera é habilidosa ao circular todos os personagens em uma cena com diversos movimentos de mão e até bruscos, servindo para salientar ora a tensão, ora o humor (o zoom que este confere a um momento chave é acertadíssimo). Acho particularmente interessante como ele usa o recurso da câmera em primeira pessoa no flashback de Pat, que não só nos coloca na pele do personagem, como também adiciona um elemento de surpresa ao desfecho da cena. Meu trabalho favorito – quem diria – entre os indicados, parabéns sr. Russell.

Steven Spielberg | Lincoln

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De todos os filmes de Steven Spielberg que já vi, Lincoln traz sua direção mais contida. O diretor acerta ao reunir um ótimo elenco e lhes proporcionar um espaço eficiente que lhes permita trabalhar bem (sua câmera é sempre bem fixa e centrada nos intérpretes) e também ao aproveitar seu gordo valor de produção com planos abertos. Não seria justo taxá-lo como “piloto-automático”, já que o diretor cria belos planos que preservam a figura icônica do presidente, mas ainda que saiba como despertar emoções genuínas nos momentos certos (como a aprovação da 13ª emenda), desmerece a vitória por decidir mostrar a morte de Abraham Lincoln de forma melodramática; ainda mais porque poderia ter encerrado o filme minutos antes, com uma bela cena que mostra o protagonista caminhando em direção à luz. Spielberg precisa voltar ao espetáculo.

Benh Zeitlin | Indomável Sonhadora

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Sua estreia na direção de longa-metragens e Benh Zeitlin já garantiu sua primeira indicação Oscar: que belo começo de carreira. Assumindo-se como “essencialmente indie”, o diretor faz uso de uma câmera sempre incessante e com diversos planos e close-ups que retratem a precariedade do ambiente principal de Indomável Sonhadora (preservando com habilidade o ótimo trabalho do design de produção sem recursos grandiloquentes). Mas felizmente Zeitlin não apega-se à melancolia ou a maniqueísmos em tais momentos, conseguindo tirar situações divertidas dos cenários mais improváveis e sobressaindo-se na direção de elenco. Vamos ver se, com seu próximo projeto, não foi sorte de principiante.

FICOU DE FORA: Quentin Tarantino | Django Livre

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Ben Affleck, Kathryn Bigelow e Paul Thomas Anderson foram incríveis ausências nesta categoria. Os três diretores fizeram trabalhos incríveis em seus respectivos filmes, mas senti mais ainda a falta de Quentin Tarantino entre os 5 indicados, já que seu comando no faroeste (sul) de Django Livre é excelente. Cheio de referências e jogadas visuais, o diretor homenageia uma série de filmes do gênero (e também de outros, como Taxi Driver e … E o Vento Levou) e utiliza de um recurso de câmera divertidíssimo: o zoom rápido. Além de manter a narrativa sempre divertida, Tarantino também separa com inteligência a “violencia cômica” da “violência séria” ao alternar a forma com que retrata ambas. Não é o melhor trabalho do diretor, mas nada menos do que digno de indicação.

APOSTA: Steven Spielberg

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Ang Lee

MEU VOTO: David O. Russell

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Um casal de idosos testando seu amor, espiões cinéfilos, um indiano náufrago, um escravo recém-libertado, uma agente obcecada, uma jovem sonhadora, um popular presidente americano e um grupo de miseráveis cantores estão entre os indicados ao Oscar de Melhor Filme deste ano. Vejamos:

Amor

4.0

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“Então o filme só para idosos? Não, mas requer uma experiência de vida (especialmente àquelas baseadas no sentimento-título) que um jovem à beira da maioridade ainda desconhece por completo. Fui comovido pelas ótimas performances de seu elenco e pelo tratamento que Michael Haneke fornece ao longa, mas acho que levará alguns anos para Amor me acertar em cheio.” Crítica Completa

  • Palma de Ouro – Festival de Cannes
  • Globo de Ouro – Filme Estrangeiro
  • BAFTA – Filme Estrangeiro
  • Critics Choice Awards – Filme Estrangeiro

Argo

4.5

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“Um filme sobre um resgate americano em território iraniano renderia uma propaganda ufanista e exagerada nas mãos de um diretor “Michaelbayano”, mas o diretor-ator merece aplausos por apresentar uma relativa neutralidade diante da questão abordada – questionando tanto a incapacibilidade da CIA diante do sequestro quanto a violência executada pelos revolucionários. Argo é uma ótima dramatização de um inusitado capítulo da história da CIA, tratando seus temas de forma aprofundada e acessível, além de mostrar que Ben Affleck não é só um bom diretor, mas sim um ótimo cineasta.” Crítica Completa

  • Producers Guild Awards
  • Globo de Ouro – Drama
  • Directors Guild Awards
  • BAFTA
  • Critics Choice Awards

As Aventuras de Pi

4.0

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“Competente em seu ritmo de narração e interação entre a história contada e aqueles que contam a mesma (no caso, o ótimo Irrfan Khan), As Aventuras de Pi é uma linda realização visual e também uma bela mensagem sobre o desapego da vida. Não o achei poderoso em suas manifestações divinas, mas entre o caminho racional e o fantástico proposto pelo protagonista e pelo pai deste, fico com “a do tigre”.” Crítica Completa

Django Livre

4.5

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“Movendo-se com um bom ritmo até uma conclusão um tanto exagerada, Django Livre é mais um ótimo trabalho de Quentin Tarantino, e ainda que não alcance a perfeição de Bastardos Inglórios ou Pulp Fiction, comprova a facilidade do diretor em navegar com seu estilo único através de diferentes gêneros. Vejamos o que ele vai aprontar a seguir…” Crítica Completa

A Hora Mais Escura

4.0

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“Não tenho dúvidas de que há muita ficção em A Hora Mais Escura. Mas mesmo que alguns fatos apresentados tragam uma veracidade questionável, funcionam eficientemente bem como peça de entretenimento e não do tipo que vangloria uma nação. Ao invés de comemorar euforicamente a morte de Osama Bin Laden, o filme traz de volta a questão Maquiavélica e ainda deixa no ar uma ainda mais complexa: ” e agora?” A reação ambígua de Maya, que com olhos lacrimejados e a noção de que havia concluído uma tarefa que lhe custara 12 anos de sua vida, é a prova de que o filme vai além de sua proposta.” Crítica Completa

Indomável Sonhadora

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Com diversas passagens protagonizadas por criaturas pré-históricas que marcam presença simbólica (creio eu), Indomável Sonhadora explora de forma criativa e apropriada a relação de “causa e efeito” dentro de um ecossistema, enfatizando como cada pequeno elemento pode gerar consequências devastadoras, e também como as relações familiares podem ser comparadas com tal. É o grande indie da temporada de prêmios.

O Lado Bom da Vida

4.0

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“Com uma admirável química entre os dois protagonistas e um ritmo eficiente que fazem as 2 horas de filme parecerem minutos, O Lado Bom da Vida só peca ao recorrer a clichês típicos do gênero em sua conclusão (como uma série de coincidências e elementos supersticiosos). Mas como o próprio Pat diz ao reclamar de Adeus às Armas de Hemingway: ‘a vida já é dura como é, seria pedir demais por um final feliz?’ No caso deste belo filme, é aceitável.”  Crítica Completa

Lincoln

3.0

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“Em um de seus trabalhos mais contidos e livres de maneirismos (não que isso seja uma qualidade aqui) Steven Spielberg faz de Lincoln uma aula de História americana de quase três horas. Mas mesmo com valores de produção e elenco espetaculares, o “professor” carece de um bom material didático que nos ajude a entender melhor o Lincoln Homem, e restringe seu maior impacto emocional ao povo americano.” Crítica Completa

Os Miseráveis

3.5

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“Com 168 minutos que se movem com notável lentidão, Os Miseráveis apresenta uma ótima história e um elenco espetacular, mas que é ofuscada em meio ao excesso de canções. O novo método escolhido por Tom Hooper favoreceu aos intérpretes, que dão o seu melhor em apresentações intensas, mas rendeu uma experiência difícil de se acompanhar. Nas palavras do comediante Jerry Seinfeld: ‘Não gosto desses musicais, não entendo por que cantar, quem canta? Se tem alguma coisa pra dizer, diga!'” Crítica Completa

  • Globo de Ouro – Musical/Comédia

FICOU DE FORA: O Mestre

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“Pontuado nos momentos certos pela abstrata trilha sonora de Jonny Greenwood, O Mestre é uma obra poderosa que consegue expandir sua premissa a níveis universais, sobre o Homem questionando o papel de um líder ou de uma organização; e como estes podem alterar seus instintos mais básicos. Desculpem pelo trocadilho, mas é um trabalho de Mestre.” Crítica Completa

APOSTA: Argo

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Lincoln

MEU VOTO: Argo ou Django Livre

Bem, esse foi o especial Oscar 2013, não esqueçam de fazerem suas apostas. E só pra lembrar, no dia da cerimônia (domingo, 24) estarei aqui comentando o evento ao vivo, então apareçam!

Os vencedores do BAFTA 2013

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 10 de fevereiro de 2013 by Lucas Nascimento

BAFTA

Confira abaixo todos os vencedores do BAFTA 2013, o “Oscar Britânico”:

Melhor Filme

Argo

Melhor Filme Britânico

 007 – Operação Skyfall

Melhor Estreia de um Diretor, Produtor ou Roteirista Britânico

Bart Layton (Diretor), Dimitri Doganis (Produtor) – O Impostor

Melhor Diretor

Ben Affleck – Argo

Melhor Ator

Daniel Day-Lewis – Lincoln

Melhor Atriz

Emmanuelle Riva – Amor

Melhor Ator Coadjuvante

Christoph Waltz – Django Livre

Melhor Atriz Coadjuvante

Anne Hathaway – Os Miseráveis

Melhor Roteiro Original

Django Livre

Melhor Roteiro Adaptado

O Lado Bom da Vida

Melhor Filme de Animação

Valente

Melhor Filme Não Falado em Inglês

 Amor

Melhor Direção de Arte

Os Miseráveis 

Melhor Fotografia

As Aventuras de Pi

Melhor Figurino

 Anna Karenina

Melhor Montagem

Argo

Melhor Trilha Sonora

 007 – Operação Skyfall

Melhor Canção

“Skyfall” – 007 – Operação Skyfall

Melhor Som

Os Miseráveis

Melhor Maquiagem/Cabelo

Os Miseráveis

Melhores Efeitos Visuais

As Aventuras de Pi

Melhor Documentário

Searching for Sugar Man

Melhor Curta-Metragem

Swimmer

Melhor Curta-Metragem de Animação

The Making of Longbird

Melhor Estrela em Ascenção

Juno Temple

Globo de Ouro 2013: Transmissão ao Vivo

Posted in Prêmios, Transmissão ao Vivo with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 13 de janeiro de 2013 by Lucas Nascimento

gg2013

Acompanhem aqui meus comentários em tempo real (é só ir atualizando a página) sobre o Globo de Ouro 2013!

23:00 Boa noite! A 70ª cerimônia do Globo de Ouro está começando.

23:02 – Tina Fey e Amy Poehler são as apresentadoras. Como já era de se esperar, estão cheias de piadas ácidas.

23:03 – “Quando o assunto é tortura, nada melhor do que a mulher que era casada com James Cameron”. Uau, hehe.

23:05 – Muito engraçado, seguindo a linha de Ricky Gervais.

23:08 – Bradley Cooper e Kate Hudson no palco para entregar o prêmio de Ator Coadjuvante. Tommy Lee Jones ou Phillip Seymour Hoffman?

23:10 – Uau! Christoph Waltz leva o prêmio por Django Livre!

23:11 – Agora, Kerry Washington e Dennis Quaid apresentam Melhor Atriz Coadjuvante em Série, Mini-série ou Filme de TV.

23:12 – Maggie Smith, por Downton Abbey. Desconheço, estou completamente por fora de assuntos de televisão, heeh.

23:13 – Comerciais. O prêmio está num ritmo bem rápido, nem mostram os clipes com atuações dos atores.

23:17 – E voltamos, com Don Cheadle apresentando Melhor Mini-Série ou Telefilme.

23:18 – Game Change é o vencedor.

23:20 – Agora vai Melhor Atriz em Mini-série ou Telefilme.

23:21 – Julianne Moore por Game Change. O Don Cheadle deu uma “trollada” épica, hahaha.

23:23 – Catherine Zeta-Jones apresenta Os Miseráveis.

23:24 – Mais um intervalo.

23:28 – E voltamos, com mais piadas das apresentadoras.

23:30 – Rosario Dawson sobe ao palco para apresentar O Exótico Hotel Marigold.

23:31 – Salma Hyek e Paul Rudd apresentam Melhor Ator em Série de Drama.

23:32 – Damian Lewis por Homeland.

23:34 – E agora, o prêmio de Melhor Série de Drama.

23:35 – Homeland é o vencedor. Nunca vi nenhuma das indicadas, apenas The Newsroom (que adoro).

23:37 – Pessoal fala muito bem dessa Homeland, assistirei quando tiver tempo.

23:38 – Mais um intervalo…

23:42 – John Goodman e Tony Mendez (o agente da CIA) apresentam Argo.

23:43 – Sr. Mendez, o microfone é mais pra esquerda…

23:44 – Jennifer Lopez e Jason Statham para Melhor Trilha Sonora!

23:45 – As Aventuras de Pi, por Mychael Danna é o vencedor.

23:46 – A trilha do Pi é bonitinha, mas Anna Karenina, Lincoln e Cloud Atlas são outro nível…

23:47 – Agora, Melhor Canção original. VAI SKYFALL!

23:48 – Fuck yeah! “Skyfall” de 007 – Operação Skyfall é o vencedor. Adele recebe o prêmio.

23:50 – E mais intervalos.

23:54 – Voltamos com Kiefer Sutherland e Jessica Alba para dar o prêmio de Melhor Ator em Mini-série ou Telefilme. Torço por Benedict Cumberbatch!

23:56 – Não foi dessa vez, Sherlock ‘-‘ Kevin Costner vence por Hastfields & McCoys.

23:58 – E o ex-presidente Bill Clinton sobe ao palco para apresentar Lincoln.

00:01 – Agora, Will Ferrell e Kristen Wiig apresentam Melhor Atriz em Filme de Comédia ou Musical.

00:05 – Apresentaram as indicadas duas vezes, nossa.

00:06 – E como já era de se esperar, Jennifer Lawrence vence por O Lado Bom da Vida.

00:07 – E bora pra mais intervalos.

00:12 – Voltamos, com Melhor Ator Coadjuvante em Série, Mini-série ou Telefilme.

00:13 – Ed Harris por Game Change é o vencedor.

00:14 – E sobe Jamie Foxx para apresentar o ótimo Django Livre.

00:15 – Jonah Hill (está engordando novamente, isso!) e Megan Fox vão apresentar o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante. Vai dar Hathaway!

00:15 – Anne Hathaway por Os Miseráveis. Ela parece estar ótima no papel.

00:17 – Não curto esse cabelo “Harry Potter” da Hathaway. Mas ela é linda.

00:18 – Mais um brake.

00:22 – Voltamos. Robert Pattinson e Amanda Seyfried apresentam Melhor Roteiro!

00:23 – E o vencedor é Quentin Tarantino por Django Livre!

00:25 – Curti. Django já tem 2 prêmios na estante…

00:27 – Agora, Melhor Ator em Série de Comédia.

00:28 – Don Cheadle vence por House of Lies.

00:29 – E mais um intervalo.

00:33 – Voltamos. Aí é demais, Schwarzenegger e Stallone no palco pra apresentar Melhor Filme Estrangeiro.

00:34 – E Amor é o vencedor, claro. Michael Haneke recebe o prêmio.

00:36 – Agora, o prêmio de Melhor Atriz em Série de TV Dramática.

00:37 – Claire Danes, por Homeland, é a vencedora.

00:40 – A quantidade de intervalos me surpreende…

00:44 – Voltamos com Sacha Baron Cohen (como ele mesmo).

00:46 – Ele apresenta os indicados a Melhor Animação. Frankenweenie?

00:47 – E a Pixar vai ressurgindo… Valente leva o prêmio.

00:48 – Liev Schreiber apresenta As Aventuras de Pi.

00:50 – Jason Bateman carrega Aziz Ansari para apresentar Melhor Atriz em Série de Comédia.

00:51 – Lena Dunham vence por Girls.

00:54 – E mais um intervalo.

00:58 – Voltamos…

00:59 – Robert Downey Jr. entra para apresentar uma homenagem à Jodie Foster.

01:03 – Jodie Foster, excelente atriz. Inesquecível em Taxi Driver.

01:12 – Que discurso longo, nossa. Intervalos.

01:16 – Halle Berry vai apresentar Melhor Diretor!

01:17 – Ben Affleck vence por Argo!

01:17 – Vocês viram o Tarantino cuspindo a bebida????

01:18 – Affleck merece a vitória. E certamente merecia ter sido indicado ao Oscar…

01:20 – Josh Brolin apresenta o divertidíssimo Moonrise Kingdom.

01:21 – Jay Leno e Jimmy Fallon no palco para entregar o prêmio de Melhor Série de Comédia ou Musical.

01:22Girls, da HBO, é a vencedora.

01:25 – Intervalos novamente. Get on with it…

01:29 – O Batman Christian Bale sobe ao palco para apresentar O Lado Bom da Vida.

01:30 – Jennifer Garner sobe ao palco para apresentar Melhor Ator em Filme de Musical ou Comédia.

01:31 – Hugh Jackman leva por Os Miseráveis. O cara também deve estar cantando muito…

01:34 – Mais comerciais, já está acabando…

01:38 – Voltamos! Jeremy Renner vai ao palco apresentar A Hora Mais Escura.

01:39 – Dustin Hoffman para entregar o prêmio de Melhor Filme de Comédia ou Musical.

01:41 – Os Miseráveis leva o prêmio, o terceiro da noite.

01:42 – Intervalos de novo!

01:46 – George Clooney sobe ao palco para apresentar Melhor Atriz em Filme de Drama. Chastain, who else?

01:47 – É isso aí: Jessica Chastain vence por A Hora Mais Escura.

01:50 – E Clooney continua, apresentando agora para Melhor Ator em Filme de Drama. Quem será?

01:51 – Daniel Day Lewis vence por Lincoln.

01:53 – Nice, o Oscar já é dele. Intervalo final!

01:57 – Julia Roberts chega para entregar o prêmio de Melhor Filme – Drama.

01:58 – E o vencedor é Argo! Dos que eu vi (Argo, Pi e Django), é meu preferido entre os indicados. Vitória merecida!

02:00 – E por hoje é só, até a próxima!

LISTA DOS VENCEDORES:

Cinema:

MELHOR FILME – DRAMA

Argo

MELHOR FILME – MUSICAL OU COMÉDIA

Os Miseráveis

MELHOR ATOR – DRAMA

Daniel Day-Lewis | Lincoln

MELHOR ATOR – MUSICAL OU COMÉDIA

Hugh Jackman | Os Miseráveis

MELHOR ATRIZ – DRAMA

Jessica Chastain | A Hora Mais Escura

MELHOR ATRIZ – MUSICAL OU COMÉDIA

Jennifer Lawrence | O Lado Bom da Vida

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Christoph Waltz | Django Livre

MELHOR ATRIZ COADJVANTE

Anne Hathaway | Os Miseráveis

MELHOR DIRETOR

Ben Affleck | Argo

MELHOR ROTEIRO

Django Livre

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

“Skyfall” | 007 – Operação Skyfall

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL

As Aventuras de Pi

MELHOR ANIMAÇÃO

Valente

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Amor

TV:

MELHOR SÉRIE DE DRAMA

Homeland

MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA OU MUSICAL

Girls

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE DRAMA

Damian Lewis – Homeland

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA

Claire Danes – Homeland

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA OU MUSICAL

Don Cheadle – House of Lies

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA OU MUSICAL

Lena Dunham – Girls

MELHOR MINISSÉRIE OU TELEFILME

Game Change

MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE OU TELEFILME

Kevin Costner – Hatfields & McCoys

MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE OU TELEFILME

Julianne Moore – Game Change

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME

Ed Harris – Game Change

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME

Maggie Smith – Downton Abbey

| Django Livre | O divertido e sanguinário faroeste de Quentin Tarantino

Posted in Ação, Cinema, Comédia, Críticas de 2013, Faroeste, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , , on 9 de janeiro de 2013 by Lucas Nascimento

4.5

DJANGO UNCHAINED
Christoph Waltz é o Dr. King Schultz e Jamie Foxx é Django

Desde que estreiou na direção de longa-metragens em 1992 com Cães de Aluguel, Quentin Tarantino foi se mostrando um dos mais talentosos e influentes cineastas de seu tempo. Dono de um estilo único, seu currículo traz histórias de criminosos, noivas que lutam kung-fu e até um espetacular desvirtuamento da Segunda Guerra Mundial; e agora ele embarca no gênero com o qual vinha flertando há anos: o faroeste. E com Django Livre, adiciona mais uma pérola à sua filmografia.

Ambientado no sul dos EUA (por esse motivo, seria um equívoco classificar o longa como western) dois anos antes da Guerra Civil, a trama segue o recém-libertado escravo Django (Jamie Foxx) e o caçador de recompensas alemão Dr. King Schultz (Christoph Waltz) em uma série de caçadas por procurados pelo país. Posteriormente, a dupla deverá invadir a fazenda do desprezível Calvin Candie (Leonardo DiCaprio) a fim de resgatar a esposa de Django, Bruhmilde (Kerry Washington).

Em todas as suas obras, Tarantino mostra o quão vasto é seu repertório cultural (fruto de seus anos como balconista de locadora) e estas sempre vêm recheadas de referências, especialmente em sua escolha musical. Logo em seus segundos iniciais (onde vale destacar o uso de um logo antigo da Columbia Pictures) acompanhamos uma marcha de escravos ao som do tema de Django, western spaghetti que serve como uma das muitas inspirações do filme e na metade da projeção, uma “participação amigável” de Franco Nero, astro do mesmo. E a escolha musical no restante da projeção é das mais inspiradas: de Ennio Morricone a Johnny Cash, até o estilo black e hip-hop, a trilha incidental é mais uma pérola do cineasta.

Trazendo também sutis referências temáticas (minha preferida envolve um dos personagens associando involuntariamente o sofrimento com uma música de Bethoveen, remetendo ao protagonista de Laranja Mecânica), a trama do longa começa a se desenrolar de forma simples. Não há um elemento estilístico agressivo como o de Pulp Fiction ou reviravoltas históricas como a de Bastardos Inglórios, mas a narrativa segue um rumo divertido e agradável (ainda que instável em alguns momentos, mas chegaremos a isso depois), graças à bem construída relação entre os dois protagonistas e a química de seus intérpretes.

Surgindo novamente impecável – e mostrando que Tarantino talvez seja o único capaz de explorar seu potencial ao máximo – Christoph Waltz faz de King Schultz uma figura memorável e é admirável a postura cortês que lhe é conferida (sua dicção ao proclamar as palavras de um vocabulário acertadíssimo, aliadas a expressões em alemão e francês, é espetacular), mantendo-a até mesmo quando a violência é a única alternativa restante; como fica claro na cena em que executa um sujeito ameaçador de forma controlada e ainda lhe explica o motivo de suas ações.

De forma similar, o Django de Jamie Foxx também surge como uma implacável máquina de matar, mas também é muito interessante observar como o ator constrói suas camadas mais suaves. Vítima da escravidão e obcecado em encontrar sua esposa Bruhmilde, percebe-se um silêncio nas atitudes do personagem e ainda assim, uma chama de esperança; reparem em como sua empolgação quase infantil (e também na forma como se senta) quando Schultz se prepara para contar-lhe uma história ou sua felicidade ao descobrir que poderá escolher suas próprias vestimentas. Mas não desconfiem das habilidades de Django como pistoleiro, ou de seu poder de persuasão.

DJANGO UNCHAINED
Leonardo DiCaprio é Calvin J. Candie

E é graças a essa dupla extremamente carismática que o longo primeiro ato do longa funciona, já que a primeira “missão” dos dois é simples e serve mais como apresentação de ambos, perdendo considerável parte do tempo em algumas sequências desnecessárias. Por exemplo, a cena em que um grupo Ku Klux Klan discute a ineficácia de suas máscaras é uma das mais engraçadas de todo o filme, mas não apresenta uma justificativa para estar aqui, já que tais personagens simplesmente aparecem e desaparecem da história sem propósito algum. Quando Django e Schultz partem para o resgate de Bruhmilde (e Tarantino faz belo uso de um letreiro retrô para ilustrar a passagem do tempo, logo seguido de outro que traz a localização da dupla com letras grandes e ameaçadoras, enfatizando o perigo que enfrentarão), a trama encontra seu principal objetivo e encontra um antagonista marcante na forma de Leonardo DiCaprio.

Vivido pelo ator de forma brilhantemente repulsiva, Calvin Candie é mais uma personagem que surpreende com suas explosões de violência (a cena do martelo, preparem-se para a fúria!), fruto de um aborrecido narcisismo que por sua vez pode ser consequência da bajulação que este teve em toda sua vida (observe como um de seus empregados o parabeniza pelo simples fato de este ter conseguido assinar uma carta sozinho), mas também podendo ser facilmente repreendido por sua irmã, uma das únicas figuras que este claramente respeita. A outra seria Stephen, seu ajudante pessoal, vivido por Samuel L. Jackson de uma forma que nunca o havíamos visto: extremamente caricato, mas muito (muito) engraçado.

E ainda que Django Livre seja um filme muito divertido, ele tem a capacidade de chocar com suas fortes cenas que retratam a opressão a escravos. A cena em que uma personagem é retirada de uma “hot box” é particularmente difícil de se assistir, principalmente por acompanharmos a reação de outros envolvidos na cena e pela direção segura de Tarantino, que retrata o momento sem maneirismos ou efeitos cômicos (algo raro em sua carreira): real e cru. Nesse sentido, é importante ressaltar também o uso excessivo da palavra “nigger” (traduzida pela legenda como “crioulo”) um termo pejorativo, mas cuja presença é necessária para retratar o fluxo do racismo presente na época em questão.

Movendo-se com um bom ritmo até uma conclusão um tanto exagerada, Django Livre é mais um ótimo trabalho de Quentin Tarantino, e ainda que não alcance a perfeição de Bastardos Inglórios ou Pulp Fiction, comprova a facilidade do diretor em navegar com seu estilo através de diferentes gêneros. Vejamos o que ele vai aprontar a seguir…

Obs: Esta crítica foi publicada após a cabine de imprensa do filme, realizada no dia 8 de Janeiro no shopping Pátio Paulista.

Obs II: Há uma curta, porém divertida, cena após os créditos finais.

Obs III: Como de costume, Tarantino participa do filme. E por um bom tempo, até.