Arquivo para rachel mcadams

| Spotlight: Segredos Revelados | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2016, Drama with tags , , , , , , , , , , , on 8 de janeiro de 2016 by Lucas Nascimento

 

4.5

Spotlight
Esquadrão Suicida: a ousada equipe Spotlight do Boston Globe

A união de jornalismo com cinema costuma render resultados memoráveis. De Cidadão Kane à Montanha dos Sete Abutres, e então longas mais modernos como Intrigas de Estado e Zodíaco, a primeira gaveta simbólica que se abre na mente das pessoas ao pensar nessa união de estilos é o clássico Todos os Homens do Presidente, filme de Alan J. Pakula sobre o escândalo de Watergate. É também o primeiro filme que me vem à mente após o término da sessão de Spotlight: Segredos Revelados, que pode ser considerado o equivalente desta geração ao suspense de Dustin Hoffman e Robert Redford.

Baseado nos eventos reais de Setembro de 2001, a trama gira em torno da equipe de redação “Spotlight” do jornal Boston Globe, especializado em matérias investigativas. O caso da vez centra-se na exposição dos diversos abusos sexuais cometidos por cardeais da Igreja Católica e o acobertamento destes pela instituição e até mesmo grupos de advogados.

Sendo uma história verídica, a necessidade de retratar os eventos com veracidade torna-se uma preocupação real para os realizadores. É exatamente o que vemos no filme de Tom McCarthy (o mesmo diretor de… Trocando os Pés. Juro. Sério.), adotando uma direção discreta e escrava de seu roteiro factual e pautado no realismo, seja no desenrolar da história repleto de detalhes e informações até os diálogos que tentam resumi-los. A prosa de Josh Singer e do próprio McCarthy aposta pouco em dramatizações ou frases de efeito, conseguindo prender a atenção do espectador com a força de sua história e o clima de mistério/insatisfação que permeia a cada nova pista encontrada pela equipe.

E que equipe, convenhamos. Em uma perfeita distribuição de personagens, fica muito evidente que não temos um protagonista central no longa. Toda a equipe funciona como um organismo vivo e pensante, o que faz sentido a decisão da Sony em inscrever todo o elenco como coadjuvante. De cara, pessoalmente achei que Mark Ruffalo se sobressaiu, tendo a difícil tarefa de elaborar um sotaque português que não soasse caricatural para seu Mike Rezendes, além de ter os maiores surtos emocionais diante da injustiça do caso, rendendo ótimos momentos para o ator.

Michael Keaton empresta sua postura de veterano para Robby Robinson, o chefe da redação de Spotlight. Com muita eficiência na performance de Keaton, percebemos como a determinação de Robby vai pensa muito à frente da de Mike, por exemplo. O colega mais novo grita para que as novas evidências sejam publicadas imediatamente, mas Robby insiste para que coletem evidências ainda mais fortes que sejam capazes de denunciar todo o sistema, ao invés de casos isolados. Não só uma atitude de um grande líder, mas fica ainda mais interessante ao descobrirmos uma camada mais complexa que o personagem vinha ocultando desde o início.

Ainda temos Rachel McAdams entregando mais uma atuação decente como Sacha Pfeiffer, mesmo que a atriz continue presa a uma performance de uma nota só que se estende por seus trabalhos mais recentes. Stanley Tucci aparece pouco, mas é tempo o suficiente para que seu Mitchell Garabedian seja visto como uma figura de início repreensível, mas que revela-se mais importante e útil do que esperado. Liev Schreiber tem ainda menos tempo de tela como Marty Baron, o jornalista que entrega a tarefa para a Spotlight, mas impressiona por seu misto de autoridade, profissionalismo e respeito pelos companheiros (“Vocês merecem uma pausa, mesmo. Mas segunda feira de manhã, precisarei de todos aqui”, é uma de suas melhores entregas).

Novamente, não é um longa que se deixa levar por inovações visuais ou artifícios que poderíamos chamar de “cinematográficos”. A fotografia de Masanobu Takayanagi aposta em uma paleta fria e sem muitos invencionismo, com raras exceções. Há um plano longo muito bem executado e posicionado para a cena em que Matt Carroll (o ótimo Brian d’Arcy James) descobre que um dos padres acusados reside a apenas alguns metros de sua própria casa, ou a sequência de passagem de tempo que aposta em um coral natalino de crianças de igreja; uma escolha brilhante que revela não só o período no qual a trama vai avançado, mas a ironia cruel de sua melodia dócil. Aliás, a trilha sonora discreta de Howard Shore confere o clima perfeito para a projeção, apostando fortemente numa composição simples e eficaz de piano.

Spotlight: Segredos Revelados é um filme que valoriza e respeita o papel do jornalismo investigativo, devendo servir como inspiração para estudantes da área. Mesmo não ousando em questões audiovisuais, é uma narrativa forte e que mantém o espectador vidrado, saindo da sessão com a mesma sensação de injustiçado de seus protagonistas.

Por mais que a tinta e o papel tenham sido armas poderosas, a situação horrenda é uma batalha longe de ser vencida.

Anúncios

Primeiro trailer de ALOHA, de Cameron Crowe

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , , , on 11 de fevereiro de 2015 by Lucas Nascimento

cc

O novo filme de Cameron Crowe enfim começa a se revelar. Depois de Compramos um Zoológico, Aloha trará Bradley Cooper e Emma Stone numa comédia romântica sobre um militar que retorna à sua cidade natal, voltando a se engraçar com sua ex-namorada e uma piloto de helicóptero. Confira:

O elenco traz também Rachel McAdams, Bill Murray, Alec Baldwin e Danny McBride.

Aloha estreia em 29 de Maio nos EUA.

| Meia-Noite em Paris | História da Arte por Woody Allen

Posted in Comédia, Críticas de 2011, Indicados ao Oscar, Romance with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 27 de junho de 2011 by Lucas Nascimento


Fascinantes Anos 20: Owen Wilson acerta como Gil, apaixonado por Paris

O passado sempre parece mais interessante, enquanto o presente é – na visão de alguns – monótono e deprimente. Essa é uma questão muito bem abordada pelo cineasta e roteirista Woody Allen em seu novo filme, Meia Noite em Paris, que não é só um interessante estudo sobre a nostalgia do ser humano, como também um belíssimo atestado à Arte da Cidade da Luz.

Na trama, Gil é um frustrado roteirista de Hollywood que vai para Paris com sua noiva Inez. Apaixonado pela cidade da década de 20, ele experiencia uma misteriosa jornada pelo passado, onde encontra diversos artistas da época.

Confesso a vocês que não sou familiarizado com o cinema de Woody Allen (assisti apenas a Match Point e Noivo Neurótico, Noiva Nervosa), mas realmente gostei de Meia Noite em Paris. Com uma excelente assinatura também no roteiro (alguns dos melhores diálogos do ano estão aqui), o cineasta trata Paris com imenso carinho e paixão, apresentando belas paisagens na sequência de abertura, em uma bem-vinda forma de apresentar o cenário ao espectador e fazê-lo apaixonar-se pela cidade, da mesma forma como o protagonista Gil.

Vivido por Owen Wilson com um carisma fresco e teor cômico apropriado, Gil acredita que seria mais feliz na Paris dos anos 20, onde escritores e artistas andavam pelas ruas, cafés e festas. De casamento marcado com a irritante Inez (Rachel McAdams, agradável como de costume), a situação se complica quando ela desvia muita atenção para o historiador Paul (Michael Sheen, o impagável “homem de chuveiros”), enquanto ele sente-se inseguro quanto a qualidade do romance que escreve. A partir daí o protagonista embarca em uma surreal viagem ao passado, que além de divertida é um verdadeiro passeio cultural.

É genial como Allen retrata a época. Optando por uma fotografia mais nostálgica e brilhante, acerta na medida em que somos maravilhados com participações antológicas de celebridades da época, como o escritor Ernest Hemingway (Corey Stoll, ótimo), Gertrude Stein (Kathy Bates, na medida certa) e do excêntrico pintor surrealista Salvador Dalí, que ganha uma versão divertidíssima do excelente Adrien Brody, que só pelo diálogo dos rinocerontes merecia uma indicação ao Oscar. E, felizmente, o cineasta jamais preocupa-se em explicar a jornada surreal de Gil, podendo ser resultado de um devaneio do protagonista ou um elemento fantástico. É isso que torna a experiência onírica do personagem tão única.

Mais do que isso, é interessante a mensagem que o diretor consegue transmitir quanto ao desejo de Gil de viver no passado. Maravilhado com a surreal possibilidade de conhecer seus ídolos, ele descobre por meio de uma amante de Picasso chamada Adriana (Marion Cotillard, eficáz e belíssima) que seus habitantes não são tão satisfeitos em relação à época quanto ele. Allen sugere subjetivamente que o passado é sempre mais interessante porque não o vivemos, ao passo que o presente é simplesmente tedioso – levando a uma brilhante reviravolta envolvendo Adriana -, mas que talvez ele seja visto com outros olhos futuramente, sendo atraente para um indivíduo em um incessante efeito dominó…

Divertidíssimo e com roteiro fabuloso, Meia Noite em Paris é um belíssimo atestado à Cidade da Luz e seus artistas, também apresentando um elenco equilibrado e uma bela mensagem sobre a valorização do presente e o poder que o tempo possuí sobre a arte. Algo que certamente Woody Allen compreende bem…